World Of Chances

14 Never Say Never


Notas iniciais
The Fray - Never Say Never
;*

Soltei um resmungo um pouco alto que percebi ser o motivo de ter acordado.

Continuei de olhos fechados fingindo ainda estar dormindo. Mas, afinal, onde estava?

Minha cabeça iluminou com as lembranças de um passado muito recente. Um sentimento de desconforto tomando meu peito.

Não estava perto dela; conclui ao abraçar um travesseiro ao meu lado.

Os olhos ainda forçadamente fechados não impediam que ouvisse sussurros ao pé de minha cama, fazendo-me fransir o cenho quando percebi não ouvir mais nada.

Relaxei de uma forma falsa, suspirando como se realmente estivesse dormindo. Sentia presenças estranhas no local e sabia que as vozes baixas tinham cessado pela desconfiança de estar quase acordando.

- Sério? — ouvi a voz conhecida e chocada de Miley, provavelmente dando continualidade ao assunto. — Não esta tornando as coisas muito dramaticas?

- Queria que estivesse. — sussurrou a voz rouca de Megan, provavelmente acordara a pouco tempo. — Ela apareceu com a Selly aqui, entrou na casa sem falar nada e a colocou da cama. Quando fui tirar satisfações quase tive um ataque cardiaco ao ver que estava chorando. Faz tanto tempo que não a via assim e não sei se isso é bom ou não.

- Você já contou pra Selena que tem uma queda por Demi? — perguntou Miley novamente.

- Não, mas ela provavelmente já sabe. — sispirou cansada, mas não parecia arrependida. — Isso torna tudo mais facil, pelo menos para mim. Sabe, acho que ela sempre soube. Era o unico motivo para tentar separa-las.

- Acho que deixou um pouco obvio demais. — riu a morena seguida por um gemido de dor. — Agressividade.

- Mas Demi chorando não é um bom sinal, ainda mais aparecendo com a Selly desmaiada e ela não acorda logo para contar o que aconteceu. — continou impaciente.

- Megan, nós precisamos ir atras dela. — alegou Miley decidida. — Só Deus sabe qual a encrenca dessa vez.

- Não acha que estão muito proximas? — perguntou Megan um pouco surpresa.

- Ela vinha em casa as vezes depois que a Selly deixou a cidade, sabe, pra conversar. — deu de ombros. — Ela é uma boa garota, mas com sérios problemas.

- Não acho que somos as pessoas certas para procura-la. — falou Megan. — Não sou a pessoa certa e, sabe, até fico feliz por isso.

Senti os dedos de minha irmã ajeitando minha franja recentemente cortada fora de meus olhos.

- Fica? — perguntou Miley, confusa.

- É. — assentiu. — Vejo o sorriso de minha irmã perto dela... elas são perfeitas e não sei porque tentei me colocar no meio. Tudo esse tempo chamando minha irmã mais nova de criança pra, no final, descobrir que a unica criança aqui sou eu.

- Era você. — sorriu Miley. — Agora a criança cresceu.

- Tomare. — senti um beijo ser depositado delicadamente em minha testa. — Vamos deixa-la sozinha.

Não demorou para ambas deixarem a sala, a saida indicada quando a porta bateu.

Abri os olhos quando tive a certeza de estar sozinha, suspirando ao virar de barriga apra cima.

Não, nunca soube dessa paixonite de Megan e no fundo acho que desconfiava. Mas isso era somente um detalhe em minha cabeça quando lembrei-me de Demi.

Miley tinha razão e precisávamos encontrá-la o mais de pressa possível. Meu coração apertava de ansiedade, mas não conseguia me mover.

Não tinha certeza se queria encarar a face de Demi, principalmente estando ciente das sensações que seus olhos me causavam. Doía minha alma observar quieta seu coração ir cada vez mais para longe de minhas mãos mas preciso recuperá-lo. Tentaria até a morte depois das palavras que minha boca pronunciou com tanta facilidade.

Amor... agora era tudo tão claro.

Todas as duvidas esclarecidas com a simplicidade de um toque. De uma situação.

Levantei tentando já me preparar para o que tinha de enfrentar, mas sabia exatamente o que fazer e falar. E tinha a confiança ao meu lado.

Bati a porta de meu quarto aberta alisando o simples casaco e jeans que tinha vestido, descendo as escadas com pressa e sentindo uma falta de ar, que só aumentaria, preencher meus pulmões. Cansaço? Não, medo.

Medo de enquanto implorasse pelo sim, ela falar não.

Medo de não sentir mais os lábios macios.

Medo de assistir-la ir embora e não poder fazer nada.

- Selena? — assustei-me com a voz de meu pai. — Vai ficar parada ai?

Olhei ao redor percebendo não ter dado ao menos um passo do ultimo degrau da escada.

- Pai, tenho que... — tentei, mas o assisti vir até mim com a mão erguida. — Você sabe, não é?

- Sim. — me abraçou, fazendo-me retribuir com a força da saudade. — Eu te amo, e sei quando você ama também.

- Obrigada. — suspirei limpando as lagrimas em seu ombro.

- Quer uma dica? — separou-me do abraço, brincando com meu queixo.

- Dica? — confundi-me.

- Vai encontrá-la se deixar seus pés guiarem você. — piscou, beijando minha bochecha. — Só... não pense.

Então saiu de meu alcance, distanciando-se com o sorriso bobo de que não responderia mais nenhuma pergunta.

- Selena? — ouvi o chamado de Megan do alto das escadas, virando minha cabeça num susto inesperado.

E corri para fora de casa.

Precisa de tempo para pensar, mesmo que meu pai pedisse que não o fizesse e junto com minha irmã, e sua queda por minha ex ou futura namorada, não era exatamente o ambiente que almejava.

Se jogasse pelas regras de tabuleiro que Megan havia seguido ao encontrar Demi estaria no lugar mais obvio, mas qual seria.

Nós nunca saiamos ao ponto de correr pela cidade listando nossos lugares preferidos e tudo pareceu se perder nesses pensamentos.

Porque não parava logo de pensar?

Mas como fazer?

Como se para o cérebro de imaginar possíveis lugares ou até aquelas duvidas idiotas de direção.

"Viro aqui?" ... "Não, viro ali. Viro?"

Suspirei fechando os olhos com força ao esconder minhas mãos no fino agasalho que peguei na crença de não estar ventando muito, o que não era totalmente mentira.

Porque é tão seus esconderijos são difíceis?

Talvez nem esteja de escondendo. Talvez só estivesse sentada num banco de praça observando o trafico de fim de ano como antes e...

Parei de andar focando o chão a minha frente por alguns segundos, me deixando confusa por não poder continuar a caminhada cega.

A passagem esta impedida por uma porta de madeira.

Nem percebera estar andando, quanto mais a frente de algo que praticamente colocava-se no meio da distancia que, de algum modo, precisava ser vencida rápido.

Meu olhar subiu focando os detalhes com precisão e não conseguindo evitar o sorriso formado em meus lábios.

Bati com uma coragem que não tinha na porta. Passando os dedos com delicadeza pelos desenhos bem feitos e feliz por não ter mudado nada.

- Sim. — uma garota de seus vividos vinte e poucos anos atendeu a porta, parecendo muito mais mal humorada que a aparência mostrava. — Sim?

- Hm, a Demi esta? — perguntei tentando puxar ao em minha memória onde Demi falava dessa mulher de cabelos loiro sujo.

- Não, ainda bem, digo, não. — tossiu a outra, disfarçando a felicidade repentina do rosto bonito. — Porque a pergunta?

- Sabe onde posso encontrá-la? — perguntei ignorando a frase final. — Ou quando volta.

- Ela não volta. — observei os dedos da loira batucarem impacientemente na madeira da porta. — Não mora mais aqui.

- Como assim? — questionei mais assustada que deveria.

- Faz alguns meses que se mudou. — suspirou. — Já estava na hora. Então, já posso entrar?

- Pode me dar o novo endereço? — ignorei novamente a ultima fala, sacando meu celular do bolso e abrindo o boco de notas. — Anote aqui, por favor e...

- Porque quer falar com ela? — cuspiu curiosa. — Ninguém quer falar com ela.

- Só escreve o endereço aqui e...

- Te conheço? — observou meu rosto com atenção, a irritação começando a crescer em mim. — Me parece familiar.

- Posso te garantir que nunca nos vimos, só estou aqui para... — tentei novamente, mas meus olhos de fecharam com força quando me interrompeu novamente.

- Você é a garota da foto! — alegou apontando para mim como uma criança.

- Quem? — franzi o cenho.

- Tem fotos suas no celular da Demi, bem, pelo menos tinha. — falou sorrindo, uma coisa que me perturbou. Não era um ato bondoso, era mais um zombação não para comigo mas com Demi. — É muito corajosa para...

- Pode, por favor, passar-me seu novo endereço? — elevou o tom de voz, forçando as palavras educadas com a que deduziu ser a irmã mais velha repugnante de Demi.

O riso da outra caiu pegando o telefone móvel com relutância ao digitar as coordenadas para a casa da irmã. Agora Selena bancando a garota impaciente.


Notas finais
Essa musica me arrepia quando penso em Semi, talvez saia até uma One-Shot de tanto que fala comigo.
Se não me engano esse é o ante-penultimo capitulo ... Ta acabando ! ;(
Talvez quinta apareça por aqui de novo.
Review ?