World Of Chances
15 Cat and Mouse
Notas iniciais
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Era um prédio muito simples para aquela porta esculpida de madeira escura.
Percebi que a maior parte de minhas perseguições acabava comigo parada atrás de uma porta, o medo externamente visível e hoje não era diferente.
Depois de todo o trabalho para conseguir o número do apartamento na recepção, onde a regra de sigilo era dura, estou aqui: encarando a porta com a respiração pesada.
Uma hora ou outra tinha de bater e realmente faria, mas queria, antes de tudo, estar preparada para encarar seus olhos. Preparada para dizer as palavras escolhidas com firmeza e soar com toda a convicção que meu coração exalava.
Engoli em seco ao tirar as mãos em punhos do casaco, na tentativa de agarrar o ultimo vestígio de calor antes daquele famoso choque percorrer meu corpo.
E, com os olhos fechados, bati na madeira com as articulações dos dedos.
Mas a resposta veio mais rápido que pensava, embora não fosse da pessoa esperada.
Uma garota morena e muito familiar abriu a porta com o olhar zangado, que logo se foi ao me observar guardando as mãos novamente nos bolsos.
- Hm, vejamos quem esta aqui. – falou e ao toque de sua voz a reconheci, endurecendo minha face.
- Vanessa. – cumprimentei. – Cadê Demi?
- Ela esta ocupada. – fechou mais a porta no corpo, me fazendo estranhar novamente o tom baixo usado.
- Tenho certeza que me atendera. – aleguei impaciente ao colocar a mão na maçaneta fria, mas fui impedida de continuar.
- O que esta fazendo aqui? – perguntou chegando mais perto de mim. – Vai destruir ela mais uma vez.
- Você sabe que não fiz nada. – respondi firme o bastante para seus olhos se surpreenderem com a ousadia. – Teria que ser muito idiota para saber não ser você por trás desse plano todo. Você e Taylor pensam que só por terem duas mentes juntas não conseguiria reunir isso, bem, sinto muito por ter cérebro.
- Vejo que a criança cresceu. – riu maldosamente a outra. – Pena que Demi não quer mais a nova adulta.
- E quem é você para colocar palavras em sua boca? – perguntei estreitando o olhar.
- Sou sua namorada. – respondeu simplesmente os olhos nos meus.
Dei um passo fraco para trás, a imagem recentemente construída aos olhos de Vanessa sendo quebrada com um riso de sua parte.
- Esta mentindo. – acusei aumentando um pouco mais a voz.
- Sim, estou. Mas saiba não faltar muito para isso acontecer. – falou limpando as unhas. – Agora que tal você voltar para New Jersey, que é de onde nunca tinha ter saído.
- Que tal você sair da minha frente, o que parecia que ia fazer antes de me encontrar. – retruquei, mas outra voz interrompeu a pequena briga.
A mão pálida puxou a porta dos dedos forçados de Vanessa.
- O que esta acontecendo aqu... – parou ao encarar meu olhar assustado.
Assisti toda a pressão da raiva forçada em suas cordas vocais se esvaírem inconscientemente fazendo seus olhos esboçarem uma inocência que nem mesmo eu estava acostumada.
- Precisamos conversar. – não era minha intenção a frase sair tão baixa e amedrontada, o que mostrava que não estava concentrada em meu plano inicial.
- Já não mandei você ir embora, Vanessa? – pediu gentilmente a outra.
- Sim, mas vi Selena e sei como não esta se sentindo bem em sua presença então... – começou a morena, mas Demi levantou a mão em sinal para parar.
- Por favor, vá embora. – seu olhar não saia de mim, quase descrente que realmente estava ali parada implorando por uma conversa civilizada. – Acho que não vou conseguir adiar mais isso.
- Posso te ligar mais tarde? – perguntou como uma criança mimada que assume a dominância dos pais.
- Eu te ligo. – falou parecendo surpresa com o beijo doce de Vanessa em sua bochecha.
A morena caminhou lentamente pelo corredor, a cabeça de segundo em segundo virando para nós. Mas o dialogo começou quando a porta vagarosa no elevador fechou-se, deixando-nos “sozinhas”.
- Vai mesmo ligar para ela? – perguntei ainda sussurrante ao olhar para o chão.
- Na verdade não. – respondeu sinceramente. – Mas esse é o melhor jeito de garantir não sermos interrompidas.
- Na verdade vim aqui para pedir, mais uma vez, desculpas. – suspirei retomando o plano no fundo de minha cabeça, ao olhar em seus olhos novamente. – E explicar tudo o que aconteceu.
- Veio explicar o plano de Vanessa com Taylor? – perguntou retoricamente. – Já sei tudo.
- Como? – franzi o cenho.
- A própria Taylor me contou. – apoiou-se a porta, o cabelo descia pelos ombros destacando a pele branca como neve da mesma maneira sexy que lembrava e de repente minha cabeça estalou com o real motivo de estar aqui.
- Mas, se sabia... porque não foi atrás de mim? – perguntei confusa.
Seus olhos piscaram duro, numa mascara muito obvia e parecida com a antiga.
- Você merecia uma chance para com o mundo. – respondeu. – E ainda merece. Não queria te prender com meu eu de hoje.
- Nunca ficaria presa e você sabe disso. – comecei a ficar mais espontânea ao desmentir as mentirias obvias plantas em sua cabeça. – Ainda mais com seu “eu de hoje”. Ele não existe Demi e você sabe muito bem.
- Selena, ele é mais real que parece. – falou, calma o bastante para não bater com o olhar de medo acobertado. – Que nem você mesmo falava: se não fosse por mim não seria por mais ninguém. Agora não quero mudar novamente, porque não quero me salvar.
- Você não precisa mudar... – fiz uma pausa forçada engolindo o choro. – Quem te disse que precisa ser aquela garota de seis meses atrás novamente para ficar comigo?
- Eu não sei o que me deu quando pedi para namorar você sendo que, no fundo, sempre soube que não duraria... – falou a frase quase perceptivelmente decorada.
- Então porque não me olha nos olhos quando diz isso? – voltei a perguntar já impaciente enquanto minha mente tentava segurar as lagrimas que escapavam lentamente. – Você costumava de abraçar e se desculpar quando me fazia chorar por sua culpa e agora estou.
- Não sou mais a mesma, Selena. – suspirou, meu olhar nunca encontrava o meu na conversação o que me deixava com uma raiva que tinha de ser reprimida. – Até porque não quero voltar para aquela vida fingindo de não sei de nada sobre o mundo a fora. Não é possível dois resgates a uma mesma vida...
- Nunca disse que precisava mudar novamente! – tornei a interrompê-la com a voz aumentando de timbre. – Eu te amo não importa a situação que esteja ou vai estar. Demi, você é a primeira pessoa que me faz sentir assim e não me faça ter uma experiência ruim.
- Exatamente, sou a primeira mas não a única. – falou, as carreiras dentaria pressionadas uma contra outra enquanto toda a calma era jogada no lixo, fazendo uma mão raivosa colidir com o batente em forma de punho. – Só vá embora e me deixe sozinha! É muito pedir isso? Você quer minhas desculpas? Ok, te perdôo de tudo; agora vá embora.
Esperei a respiração da outra acalmar-se o bastante para tornar a falar sem risco algum.
Toda essa viajem, preocupações, brigas familiares, confusão de sentimentos e o egoísmo que enfrentei para desistir quando a simples frase que não me querer aqui sair de seus lábios?
Nunca.
- Só se me olhar nos olhos e me pedir para deixar a cidade. – sussurrei novamente. – Se me olhar nos olhos e falar o que quer faço sem uma palavra de discórdia, porque te conheço o bastante para saber não conseguir mentir assim.
Esperaria o tempo que fosse necessário pelo seu olhar, mesmo que ele estivesse rodando todo o ambiente.
Não conseguia ler aquela mascara como lia a antiga. Afinal, se conseguiu aprender algo nesses meses foi não confiar mais nos outros, principalmente em estranhos. E, mesmo que odiasse admitir, era mais uma estranha a seus olhos.
Mas ela sabia que, mesmo uma estranha, não acreditaria em palavras de uma boca cega sem sentimentos que despejava palavras amargas sem um simples olhar de sinceridade.
- A hora que quiser. – apressei, fazendo seu olhar saltar pelo susto do silencio.
Mas aconteceu. Ela bateu nossos olhos juntos e vi os únicos buracos da mascara, provando que tudo que precisava, de certa forma, precisava ouvir; onde toda a mentira de não ser a mesma pessoa foi descoberta. Lá se encontrava a Demi frágil que sabia ainda existir, mas não encontrei o olhar forte que acordava todos os dias ao lado e sim o amedrontado daquele dia pós-mutilação.
Não estava olhando em meus olhos por meu pedido ou, ao menos, no objetivo de dizer algo. Só queria se punir em cortes internos e silenciosos que não faziam jus a dor aguda.
- Eu te amo. – disse baixo, as janelas da verdadeira alma brilhando de medo.
Isso foi o bastante para cair figurativamente de joelhos a sua frente, novamente.
A abracei despejando todas as lagrimas de tristeza que tinha, transformando-as inconscientemente em alegres enquanto um sorriso bobo enfeitava minha face.
- Não me deixe nunca mais, prometa. – soluçava agarrando-se firme a minha cintura. – Te imploro.
- Prometo, prometo. – tranqüilizei em palavras sinceras.
Seu corpo era pressionado contra o meu tão forte que lutava na tentativa de agarrar algum ar a minha volta. Meus dedos brincando em seu cabelo matando a saudade de seis meses.
Senti o aperto afrouxar, percebendo o quanto estava confortável nele e sua cabeça deixar meu ombro.
Foquei o rosto choroso com o mesmo sorriso que não conseguia tirar, sentindo o polegar macio acariciando e limpando minha bochecha.
- Você me ama. – não foi uma pergunta, até porque não iria correr o risco de tudo ser um sonho. – Me beija?
Não sei porque não me inclinei logo contra o corpo a minha frente, mas só precisava de um ato sincero. Uma prova.
O tempo para fechar os olhos nem foi totalmente completo e já senti a boca na minha.
Meu lábio inferior foi capturado com saudade pelos seus avermelhados, enquanto minhas mãos obtinham vida própria, pressionando seu pescoço contra mim.
Todos aqueles sentimentos e sensações tão familiares e distantes de mim voltaram para o lugar aconchegado em meu peito, me fazendo confortável.
Minha língua invadiu sua boca quando entramos no apartamento, ainda abraçadas.
Não sabia onde estávamos, mas sabia de algum modo estávamos andando e o movimento foi parado.
Demi rompeu o beijo, olhando para trás e focando o objeto esbarrado.
Sorri maliciosa ao empurrá-la para baixo, fazendo-a cair no sofá.
Terei o casaco antes de sentar-me em sua barriga, observando um sorriso irradiando das linhas bonitas e cansadas de seu rosto.
- Você me desculpa? – perguntei ainda incerta.
- Depois eu sou a lerda, não é? – riu, ao iniciar um novo beijo.
Senti um segundo lembrete, ativando minha memória para o que realmente estava fazendo aqui.
Minhas mãos viajaram com uma calma que não tinha para as suas, que afagavam meu rosto, interrompendo o beijo caloroso.
Peguei os dedos longos nos meus, guiando-os para o lugar certo.
Senti os dedos tocarem minha cintura com delicadeza, se enroscado na barra de minha camiseta.
- Selena, você sabe que não precisamos fazer isso. – falou passando toda a segurança que uma garota virgem precisa.
- Eu sei. – sussurrei, não evitando o traço medo na voz. – Mas te amo, e confio em você. Essa é minha ultima prova.
- Não preciso de mais provas que me ama. – sorriu ao se apoiar nos cotovelos. – Admito: quero muito isso desde nosso primeiro dia de namoro, acho que até antes. Mas não quero te forçar a nada.
Acariciei o rosto pálido sabendo que era minha novamente.
Como ela espera que desista de algo falando essas palavras?
No começo de tudo sabia que se fosse obrigada a escolher entre a família e ela, me empurraria para junto de meu pai e Megan, o que me convencia cada vez mais daquele sentimento que hoje sei o nome. E, agora, todas essas palavras que faziam meus lábios dar lugar aos dentes sem poder me conter; sua preocupação era tão explícita que sabia que mesmo a idéia de me machucar a perturbava a ponto de desistir.
- Você já sabe que meu coração é seu. – comecei encarando os olhos delineados. – Sempre foi. Agora vou mostrar que meu corpo também é. Não é Taylor, nem ninguém que ira mudar isso.
Sua mão agarrou-se mais forte ao tecido.
Sabia que após uma resposta positiva não iria hesitar e, realmente, não o fez: tirando minha blusa por completo.
- Só... – interrompi-a quando tentou mudar as posições. – Só seja gentil.
- Fique tranqüila. – beijou minha testa. – Não danifico o que me pertence.
Notas finais
Até o ultimo post.
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