Wonderwall.

9 Uma criança birrenta.


Notas iniciais
Oiii gente... Olha eu aqui novamente. Percebi que a semana não demora tanto para passar e confirmei que, a vida é curta demais. Isso não importa agora, talvez quando eu estiver com 90 anos. Vou mudar de assunto. Olha só, eu recebi minha primeira recomendação, e pensa numa garota que teve que se segurar para não gritar já que tava num lugar público, cheio de pessoas, mas quando cheguei em casa eu li a recomendação umas 10 vezes. Who, garota você me deixou muuuuito feliz com suas palavras. Obrigada, ela significou muuuito para mim, de verdade. Acho justo dedicar esse capítulo para você, espero que goste. Link: https://www.youtube.com/watch?v=J6Ygf4pGcjo

Time's been ticking, hearts are runnin'

Think that cupid's up to somethin'

You asked me how I feel, I say nothin'

But lately color seems so bright

And the stars light up the night

My feet they feel so light

I'm ignoring all the signs

I keep on frontin', yeah I stay bluffin'

I keep you wonderin'

Keep you huntin' for my lovin'

But I crave us huggin'

Yeah I stay starvin'

Cause I can't admit that you got got all the strings

And know just how to tug 'em

I Think I'm In Love — Kat Dahlia.

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FELICITY.

Ergui minha cabeça para visualizar o quarto onde amanheci, obviamente aquele lugar onde estava não era meu quarto, a cama não era minha, o despertador não era meu e muito menos a toalha úmida jogada em cima da poltrona ao lado da cama — eu nunca deixei toalha úmida em cima de qualquer mobilha —, pisquei algumas vezes e fiz um pequeno esforço para me sentar no colchão macio. O cheiro de shampoo masculino invadiu minhas narinas, eu conhecia aquele cheiro, fechei os olhos para senti-lo, o cheiro de Oliver, o quarto é dele. Argh! Fui tão fraca na noite passada que acabei dormindo com ele.

Tão fraca que ele não fez esforço algum, apenas me olhou com aqueles olhos azuis incrivelmente persuasivos e pediu para eu ficar, claramente eu aceitei, ao contrário estaria na minha casa, acordando na minha cama. Logo a raiva que sinto por ter sido tão fraca perde espaço para um sentimento bem pior, eu me sinto sozinha, Oliver não está ao meu lado, ele devia estar aqui, comigo.

Jogo-me para trás, batendo a cabeça contra o travesseiro, parecendo uma criança birrenta por não ter o que quer. Só falta dar gritinhos, cruzar os braços e fazer beicinho. Como posso me sentir assim se passei a noite toda com Oliver? Dormi ao lado dele, sentindo seus braços me protegendo, eu só queria que ele estivesse aqui, que acordasse ao meu lado e dissesse que sou linda ao acordar. Porra, Felicity, isso aqui não é um filme de comédia romântica.

Sou desperta dos meus pensamentos quando sinto cheiro de café irrompendo o quarto, instantaneamente penso que Oliver está fazendo café para trazer na cama para mim, o que me faz parecer uma ridícula romântica esperando o café da manhã na cama e eu não sou assim. Retiro minhas pernas para fora do colchão e levanto, calço minhas sapatilhas e saio do quarto, sigo o cheiro do café.

Entro na cozinha e visualizo Oliver de costas para mim, mexendo em algo no fogão. Os músculos das suas costas se enrijecem e ele ergue um dos braços, para fazer aquela manobra de chefes de cozinha quando jogam omelete ou panquecas no ar para que caiam do lado contrário na frigideira. Posso distinguir imediatamente o cheiro que se mescla com o cheiro do café, Panquecas. Oliver está fazendo panquecas.

O cheiro me faz lembrar-me de quando ainda morava com minha mãe, os dias que tomávamos cafés juntas e falávamos nossas expectativas para o dia, posso me lembrar das conversas, dela reclamando de clientes fixos da cafeteria onde trabalhava e reclamando do quanto o chefe era arrogante com os funcionários. Quando me dei conta estava sorrindo com a lembrança e os olhos de Oliver me sondavam com curiosidade. Cruzei meus braços e me encostei na bancada.

— Não sabia que você cozinhava. — comentei. Oliver sorriu e jogou uma panqueca douradinha sobre o prato na mesa.

— Eu moro sozinho, Felicity, tive que aprender algumas coisas para minha sobrevivência, cozinhar é uma delas. — ele andou até o armário e pegou uma xícara, encheu de café e me entregou. — Você dormiu bem?

— Como nunca. — respondi, sorrindo tímida. Os olhos de Oliver brilharam e ele retribuiu meu sorriso. — E você?

— Foi uma das melhores noites da minha vida. — ele disse, quase me engasguei com o café que tinha acabado de colocar na boca, ergui minha cabeça após me recompor e fitei os olhos dele, tão intensos e profundos que eu me obriguei a quebrar o contato e olhar para meu dedo indicador deslizando pela borda da xícara.

— As panquecas estão cheirosas. — murmurei, erguendo o rosto, mas ainda sem coragem para encarar os olhos dele.

— Eu fiz para a gente, vamos tomar café?

— Claro. — ele educadamente puxou a cadeira para eu me sentar, depois colocou panqueca no meu prato, as coberturas já estavam sobre a mesa, coloquei doce de leite e amêndoas. Oliver sentou-se na minha frente e ficou me observando. A panqueca estava uma delicia e eu só pensava em mastigar e enfiar mais na boca, como uma esfomeada. — Para com isso. — reclamei.

— Com o que? — ele questionou, colocando os cotovelos na superfície da mesa. — Te olhar?

— Sim. Devo ser uma aberração mastigando. — Oliver jogou a cabeça para trás sorrindo.

— Você não é uma aberração é linda de qualquer jeito. — enfiei mais um pedaço de panqueca na boca, visivelmente desconcertada pelo elogio de Oliver. Abaixei o rosto, mastigando de vagar.

— Você não vai comer? — perguntei, mudando de assunto. — A sua panqueca vai esfriar. — ele olhou para o prato intocável na sua frente. — E está boa demais para desperdiçar. — acrescentei, fazendo-o sorrir com o comentário.

— Não podemos desperdiçar. — concordou, pegando seus talheres.

Depois de terminarmos a meia dúzia de panquecas que Oliver tinha feito, me ofereci para lavar a louça, era o mínimo que eu podia fazer depois do banquete que ele fez. É tarde já e com certeza Ana irá querer cortar minha jugular por causa do meu atraso, mas no momento é o que menos importa. O que mais me interessa no momento é manter meu auto controle, procurar um jeito de me controlar quando Oliver está próximo, porém, ainda me sinto de mãos atadas.

— Você quer ajuda? — ele sussurrou, perto da minha orelha, seus lábios roçando de leve meu lóbulo, eu senti minhas pernas vacilarem. Respirei fundo e me virei, dando de cara com Oliver bem perto de mim, meu nariz quase se chochou com o peito dele. Respirei mais uma vez e sorri.

— Não, eu já terminei. — falei. — E preciso ir para casa, trocar essas roupas, Ana precisa de mim na biblioteca.

— Ah. — Oliver balbuciou com pesar na voz. — Passa o dia comigo.

— Você sabe que eu tenho compromissos. — argumentei firme, por mais que a proposta fosse irresistível como a da noite passada, dessa vez eu precisava ser forte e não aceitar. — Ana precisa de mim.

— Só hoje, Felicity. — sua voz em um tom de súplica, combinado com os olhos brilhando eram a combinação perfeita para me persuadir a aceitar a proposta e ir para qualquer lugar que ele quisesse me levar. — Você pode ligar para a Ana e dizer que não está bem.

— Eu não vou mentir para a Ana. — rebati, saindo de perto dele.

— Então fala a verdade, diz que vai passar o dia comigo, Ana vai ficar feliz. — insistiu, me seguindo até a sala, onde tinha deixado minhas coisas. — Posso dar mais ingressos de shows de rock para ela.

Virei-me e o corpo de Oliver chochou-se com o meu, fazendo-me perder o equilíbrio e quase cair sobre sua mesa de centro, mas ele foi rápido e seus braços fortes me seguraram firme, mantendo-me presa a ele. Para uma protetora, eu estou bem fora de forma. Ergui o rosto e encarei os olhos dele.

— Diga que aceita. — ele sussurrou, olhando nos meus olhos. Bufei.

— Para de fazer isso, fica parecendo Mogus quando quer carinho. — um estalo na minha cabeça fez-me lembrar de Mogus, sozinho em casa e há essa hora deve estar morrendo de fome. Como eu sou irresponsável. — Minha nossa o Mogus! — exclamei.

— O que tem seu gato?

— Ele está em casa e sozinho, eu nunca fico tanto tempo longe de casa. Temos que ir. — expliquei, me livrando dos braços de Oliver e pegando minhas coisas com certa urgência.

— Vou procurar as chaves do carro. — assenti e já fui saindo do apartamento de Oliver. Quando ele encontrou as chaves, me seguiu. Entramos no elevador e descemos até a garagem.

Por sorte, o apartamento de Oliver é bem pertinho do meu. Em menos de dois minutos eu estava saindo do carro e entrando como o flash na portaria do meu apartamento. Entrei no elevador e segurei a porta para Oliver que estava logo atrás de mim, ele entrou e eu apertei o botão do meu andar.

— Ele está bem, Felicity. — ressaltou Oliver, tentando me tranquilizar.

— Você não tem ideia do quanto Mogus é esfomeado, deve estar desesperado e armando um plano contra mim por eu não alimentá-lo. Gatos podem ser bem cruéis às vezes. — Oliver começou a rir. — Não tem graça.

— Felicity, olha o que você está dizendo.

— Okay, eu posso ter exagerado. — retomei. — Mas Mogus é muito folgado e ele costuma ficar emotivo quando não come.

— Mas ele não vai se vestir como um gladiador e te atacar. — de forma engraçada Oliver conseguiu me acalmar e me fez pensar em Mogus como um personagem de Game Of Thrones, mas no fim ele acabaria morto como os lobos dos Starks.

O elevador parou e abriu as portas, me encaminhei pelo corredor e enfiei a chave na tranca da minha porta. Pensei que ia encontrar um cenário de guerra, com almofadas rasgadas e coisas jogadas no chão, mas não, Mogus estava deitado no sofá, tranquilo, tirando uma soneca. Assim que me ouviu fechar a porta se levantou e veio com o rabo erguido na minha direção, só que ao invés de se esfregar nas minhas pernas, foi nas de Oliver. Me senti traída por meu próprio gato.

— Viu como ele está calmo? — questionou Oliver, se agachando para pegar Mogus no colo.

— Não fique tão tranquilo, ele ainda pode arrancar uma parte sua e comer. — falei, indo para a cozinha.

Peguei o pacote de ração de Mogus quase vazio e balancei, foi o suficiente para ele pular do colo de Oliver e entrar no cômodo em disparada. Logo depois de encher sua vasilha de comida, troquei a água. Olhei para o relógio preso na parede da sala, era pouco mais de 09hrs da manhã, tinha perdido metade dela já.

— Ele não vai passar mal? — Oliver perguntou, apontando o dedo para Mogus que mastigava de pressa os flocos médios de frango.

— Não, ele sempre faz assim. — respondo, dando de ombros. — O que estava pensando em fazer caso eu aceitasse passar o dia com você?

— É um lugar perto, não tão perto assim, mas vale muito a pena. É um lugar incrível. — ele respondeu. — Levei minha mãe e irmã quando elas me visitaram aqui, e elas adoraram.

— Hm-rum. — resmunguei.

Eu não queria, mas estava sentindo uma curiosidade imensa de saber que lugar incrível era esse que Oliver falava. Quando sua família, sendo mais exata, Mãe e Irmã veem o visitar, Robert me dá folga, pois as duas têm seguranças até para as próprias bolsas, isso torna minha vida mais fácil, eu saio para fazer compras e comer em um lugar bacana, portanto não fico a par dos passeios deles, e agora tudo está combinando para me deixar ainda mais curiosa.

— Digamos que eu aceite...

— Digamos que você aceite. — replicou, dando passos curtos na minha direção. Eu bufei.

— Não me interrompa. — retruquei, apoiando minhas mãos na mesa de maneira que meu corpo ficasse inclinado na sua direção.

— Está bem, continue. — Oliver fez o mesmo que eu no outro lado da mesa, ficando com seu rosto bem perto do meu, podia ver um lampejo de expectativa brilhando no fundo dos seus olhos.

— Digamos que eu aceite, vou encontrar um desses lugares que você costuma ir com a sua turma? — Oliver começou a rir.

— Com a minha turma? — ele questionou, levantando as sobrancelhas. — Felicity eu nunca levei ninguém para aquele lugar, exceto minha mãe e minha irmã. Prometo que você vai adorar.

— Se eu aceitar, devo usar que tipo de roupas? — os olhos de Oliver focalizaram cada parte do meu corpo sorrateiramente e ao encontrar meus olhos novamente ele abriu um sorriso sedutor.

— Roupa normal para um passeio. É ao ar livre.

— Tudo bem. — falei assentindo com a cabeça. — Vou me arrumar.

— Eu espero. — dei um sorriso calmo para ele e sai da cozinha, seguindo para o meu quarto.

Antes de tomar um banho, escolhi as roupas que usaria, muito simples para um passeio, um vestido azul marinho acinturado, com saia rodada até um palmo acima dos meus joelhos, casaco fino — para caso o tempo virasse — e sapatilhas vermelhas com lantejoulas coloridas. Estava feliz com minha escolha. Depois fui para o banheiro e tomei um banho tranquilo e não tão longo.

Depois de me vestir e checar mais uma vez meu reflexo no espelho para ver se estava tudo Okay, peguei a bolsa média que ganhei de Diggle há poucos dias — ainda bem que foi sua secretária que escolheu, pobre John, não teria noção nenhuma para escolher uma bolsa —, coloquei o celular dentro dela, caso John ou Robert me ligassem para saber do Queen filho.

Sai do quarto e encontrei Oliver sentado no meu sofá, com Mogus do lado dele, dormindo, diga-se de passagem. Dois gatos. Suspirei com a visão. Oliver ergueu o rosto, olhando para cada parte minha com adoração, senti um calor por todo meu corpo e ignorei. Andei até ele.

— Vamos então. — Oliver assentiu e levantou.

— Você está linda. — sussurrou ao pé do meu ouvido, antes de pegar minha mão com delicadeza. Saímos do meu apartamento e pegamos o elevador.

Não quis dirigir o audi, por mais que quisesse aquela adrenalina boa que sinto ao pegar no volante, Oliver era o único que sabia o caminho e estava claro que queria fazer uma surpresa. Então, nem pedi as chaves, me acomodei no banco do motorista e ele dirigiu. Durante o caminho a gente conversou, e em alguns momentos ficamos em silêncio, o que já era o suficiente, pois, claramente bastava à companhia um do outro para nos sentirmos bem.

Depois de quase uma hora de uma curta viagem até uma cidade vizinha, Oliver adentrou uma rua ladeada por árvores, por fim estacionou o carro ao lado de outros, pude ver pela janela uma enorme casa, era quase um palácio de tão linda, uma construção antiga maravilhosa, demorei um tanto olhando para ela com adoração, então virei para encarar Oliver.

— Que lugar é esse? — questionei, sondando sua expressão.

— Montanha Storm King. — ele respondeu simplesmente. — Vamos, você vai adorar. — ele saiu do carro e deu a volta nele para abrir a porta do passageiro. — Prometo que vai ser uma experiência única. — O sorriso de Oliver bastava, peguei sua mão que tinha sido estendida para mim e desembarquei do carro, deixei-o me guiar.

Nos dirigimos pela calçada de pedra até o interior da casa. Depois de pagarmos a entrada e deixarmos nossos nomes assinados em um caderno de visitas, uma mulher alta e sorridente nos guiou por uma porta enorme de vidro, onde no fim tive uma visão maravilhosa de um gramado extenso. Demorei um pouco para assimilar que aquilo era um museu a céu aberto com obras de artes espalhadas pela extensa grama.

— Fiquem a vontade. — a mulher disse, nos entregando um itinerário, e se retirou em seguida.

— Não sabia que gostava de artes. — cochichei, apertando a mão de Oliver.

— E não gosto. — ele devolveu. — Mas minha mãe adora, foi ela quem me trouxe nesse lugar, e eu acabei me encantando.

— Uau. Esse lugar é capaz de encantar a pessoa mais insensível do mundo. — comentei, olhando para todos os lugares, embasbacada.

— Vamos, temos obras incríveis e esquisitas para olharmos.

[...]

Oliver tinha razão, eram obras incríveis e muito, muito esquisitas, algumas inusitadas. Mas o lugar tinha um quê de beleza que deixa qualquer um maravilhado. Talvez por ser ao ar livre, diferente de todos os museus que eu já fui, que foram poucos. Estávamos andando pelo gramado, logo a frente tinha uma casinha pequena com vitrais coloridos, que brilhava com o sol.

— Então, aqui é o seu lugar favorito? — perguntei a Oliver, ele sorriu e balançou a cabeça, discordando.

— Por mais que seja legal e diferente aqui não é o meu lugar preferido.

— Hm-rum. — resmunguei.

— Talvez um dia eu te leve para esse lugar. — ele cochichou.

— Vou esperar por isso. — afirmei. — Podemos entrar nesse lugar? — questionei, quando estávamos bem perto da casinha colorida.

— Acho que sim. — Oliver disse, dando de ombros. — Aliás, só estamos nós aqui. — ele entrou na construção e me puxou junto.

Entramos na casinha com vitrais coloridos, no centro tem uma pequena mesinha com um vaso de planta, nada mais, só isso. Encarei Oliver parado na minha frente, sua pele tinha ganhado uma tonalidade avermelhada por causa da luz do sol que transparecia os vidros vermelhos e laranjas.

— O que foi? — indagou Oliver, sua mão enlaçou a minha e seus olhos encontraram os meus.

— Obrigada por me trazer aqui. — respondi, sem quebrar nosso contato visual.

— Pode repetir, eu não escutei direito. — ele inclinou-se, com a cabeça de lado de modo que pudesse me escutar direito.

— Eu não vou repetir. Não mesmo. — sussurrei no seu ouvido, Oliver virou o rosto tão rápido que eu não consegui escapar dos seus lábios, ele segurou meu rosto e me beijou suavemente enquanto sua mão desceu por minhas costas e me puxou para mais perto dele.

Totalmente sem reação joguei meus braços em torno do seu pescoço e me entreguei á aquele momento só nosso, sem ninguém para nos atrapalhar. Os lábios de Oliver deslizaram por meu queixo, descendo até meu pescoço onde ele distribuiu beijos e mordiscadas leves fazendo meu corpo inteiro tremer com cada contado da sua boca na minha pele. Estava totalmente entregue a ele, aos seus lábios, aos seus toques, tinha a impressão de que ele conseguiria o que quisesse de mim se soubesse o quanto me atraia.

— Acho que temos outras obras para. — ele me interrompeu com seus lábios e me empurrou com cuidado contra a parede de vidros, mantendo seu corpo colado ao meu.
A pequena casinha construída com vidros coloridos agora estava carregada de uma forte eletricidade produzida por nós dois. No momento não me importei com o valor que podíamos pagar caso quebrássemos um dos vidros, segurei os cabelo de Oliver e tornei o beijo ainda mais intenso, finalizando com uma mordidinha no seu lábio. Nos afastamos e ficamos um tempo nos olhando, esperando nossos corpos voltarem ao normal, um sorriso estampado no rosto de cada um.

— O que você ia falar? — relembrou-me Oliver, depois que sua respiração voltou ao normal.

— Ah sim. — balbuciei, ainda sentia pequenas ondas de calor se alastrando pelo meu corpo, me atraindo para ele. Mordi os lábios e contei mentalmente até dez. — Não tem outras obras?

— Não. Mas ainda tem algo que quero te mostrar. — ele segurou minha mão e me puxou. Saímos da casinha e demos passos rápidos pela campina.

Chegamos a um amontoado de pedras, Oliver subiu na mais alta e me estendeu a mão, para que eu me juntasse a ele. A nossa frente tinha a vista maravilhosa do rio Hudson, estávamos no topo da montanha, e era lindo. Senti seus braços passar pela minha cintura e ele apoiou o queixo no meu ombro.

— É tão

— Calmo. — ele completou e beijou meu pescoço. Sua barba rala fez cócegas em contanto com minha pele e eu comecei a rir. Ele percebeu e continuou fazendo de propósito, enquanto distribuía beijos quentes em meu pescoço e me arrancava risos e suspiros.

— Para. — falei, entre risos, tentando afastar meu pescoço dos seus lábios.

— Não quero que isso acabe. — ele murmurou. Girei, ainda dentro do circulo dos seus braços, fiquei olhando dentro dos olhos dele por alguns segundos, tentando entender o que se passava dentro da sua cabeça.

Será que ela parece um saco cheio de sentimentos como a minha? Que os sentimentos só afloram quando estamos juntos?

— Isso o quê? — questionei, acariciando seu rosto.

— Essa paz que eu sinto quando estou com você. — respondeu, fazendo-me sorrir com seu excesso de doçura.

Oras, isso não é normal para ele, não para o famoso Adam Cooper. Mas eu já devia ter percebido que o homem na minha frente não é Adam Cooper e sim Oliver, o cara carinhoso com a mãe e a irmã. Talvez eu tivesse um lugar equivalente aos delas no seu coração, ou eu só estivesse pensando alto demais, tão alto, que quando eu percebesse, o tombo seria bem feio, tão feio que eu teria para a vida toda um ferimento em meu coração.

Eu já devia saber, estou bem grandinha já para perceber os estragos que um coração apaixonado pode fazer com sua sanidade são incalculáveis. Contudo, naquele momento, tudo que eu queria era arriscar. Deixei qualquer duvida que tinha para trás.

— Não vai acabar. — murmurei.

Os olhos de Oliver brilharam. Ele me abraçou forte, pressionando minha têmpora contra o seu peito, pude sentir as batidas tranquilas do seu coração no mesmo compasso do meu. Ele beijou minha cabeça e acariciou minhas costas. Entendia o que ele estava sentindo, porque momentaneamente, com seus braços ao meu redor, me protegendo do frio eu senti a mesma coisa que ele, paz.

Ficamos no alto das rochas, abraçados por um longo tempo, aproveitando um o calor do corpo do outro. Sei que não era a hora certa, mas, afastei minha cabeça do seu peito morno e ergui os olhos, encontrando os deles.

— Sabe de uma coisa? — ele levantou as sobrancelhas. — Estou com fome. — mordi os lábios.

— Uou, você realmente sabe acabar com o meu romantismo. — disse ele, fazendo-me rir e afundar minha cabeça em seu peito novamente. Ele soltou um riso baixo e beijou meus cabelos. — Eu conheço um lugar incrível.

Notas finais
É isso, eu espero que tenham gostado, continuem comentado e quem não favoritou, se acha que a fic merece eu ficarei muuito feeeliz. Para quem Lê DD até sábado e para quem lê só essa, até quinta. Beijooos.