Wonderwall.
29 Toda a verdade.
Notas iniciais
Eu estava parado na frente de Felicity, com o coração aberto, pronto para esquecer todo o passado e recomeçar ao lado dela, livre de qualquer mágoa. Eu a amava tanto, tanto, que o meu sentimento era mil vezes maior do que a raiva e o meu orgulho. Não podia mais uma vez deixar meu orgulho falar mais alto e consequentemente perder a mulher da minha vida novamente. Dessa vez eu vou lutar por Felicity.
Eu estava disposto a reconquistá-la e tê-la novamente nos meus braços, ter o seu coração de novo para mim e dessa vez para sempre. Seria diferente, eu ia fazer valer a pena e recompensaria todo o tempo que perdemos. Porque pensar em um mundo, uma vida sem Felicity dói pra valer, já passei por essa dor e não quero senti-la novamente. Já cometi o erro de deixá-la partir uma vez, mas agora vou fazer de tudo para ela ficar.
Meu presente; meu futuro é ao seu lado.
Mas Felicity parecia estar lutando contra algo bem maior; algo que eu desconhecia; algo que esteva a assombrando, tanto, que por mais que ela me amasse e me quisesse de volta, isso a impedia de se entregar.
— O que eu preciso saber? — questionei.
Felicity chorava e soluçava diante de mim, as lágrimas caiam incessantemente pelo seu rosto e vê-la tão atordoada partia meu coração, eu só queria abraçá-la, limpar seu rosto e beijá-la, protegê-la de tudo, porém, Felicity acabara de erguer uma muralha entre nós, ela estava me afastando dela.
— Você precisa vir comigo para Washington. — ela solta em meio a soluços, tenta em vão secar o rosto, mas novas lágrimas brotam dos seus olhos. — Confia em mim. Sei que não posso te pedir isso, mas, por favor, confia em mim.
— Eu confio. — digo, cobrindo a distância que existe entre nós. Estou bem perto do seu corpo tremulo e frágil, seguro seu rosto e olho dentro dos seus olhos e tento transmitir todo meu amor e minha confiança. — Eu confio, Felicity.
Cubro seus lábios com os meus, mas Felicity não deixa passar de apenas um toque rápido e suave, então se afasta novamente.
— Depois que você saber de tudo e ainda quiser ficar comigo, a gente pode recomeçar. — ela diz. — Eu te amo, Oliver. E recomeçar ao seu lado é tudo que eu mais quero. Mas não posso continuar mentindo. — seu olhar prende no meu, essa declaração me enche de alegria, ela me ama e eu posso ver que seu amor por mim é tão grande quanto o que sinto por ela.
Mas o que pode ser tão ruim a ponto de destruir o amor que sinto?
Que mentira é essa que deixa Felicity com tanto medo?
Eu preciso saber.
— Felicity...
— Eu sei que quer perguntar. — ela diz me interrompendo. — Por isso te peço, guarde as perguntas por enquanto. Prometo que te contarei tudo quando estivermos em Washington.
Eu guardei ressentimentos, raiva, tudo de ruim por Felicity durante dois anos, mas agora eu não queria sentir tudo isso de novo. Não posso acreditar que consegui me livrar de todas as coisas ruins que nos impediram de ficar juntos e agora estou completamente pronto para ficar com Felicity, no entanto, ela esconde algo que pode acabar com tudo. Talvez seja melhor eu não saber o que há em Washington que pode destruir meu amor por ela.
Porém, um dia esse segredo virá a tona e acabará novamente com a gente, então, se quero mesmo recomeçar é melhor saber de tudo, assim estaremos livres de segredos e prontos para ficarmos juntos.
— Tudo bem. — digo.
Felicity respira fundo.
— Eu vou para o hotel agora. — murmura. — Nós dois precisamos descansar, por isso é melhor você também ir. É melhor ficarmos algum tempo longe um do outro, preciso pensar, e penso melhor quando estou sozinha.
— Eu quero ficar com você. — eu digo.
— Oliver...
— Escute. — interrompo-a, cobrindo novamente a distancia entre nós. — Se existe algo capaz de acabar com tudo que sinto por você agora, eu preciso ficar essa noite ao seu lado. Sem perguntas, sem preocupações, só nós dois, livres de qualquer coisa, menos do amor que sinto por você e que você sente por mim.
Os olhos de Felicity ficam repletos de lágrimas novamente, ela aperta as pálpebras e suspira. Eu não quero que ela sofra, não consigo vê-la assim. Seguro seu rosto entre minhas mãos e prendo meu olhar no dela.
— É isso mesmo que você quer? — ela sibila.
— Sim. — eu dou um beijo na sua bochecha, outro no canto da sua boca, outro sobre o nariz, praticamente cubro sua face de beijinhos e volto a encarar seus olhos. — É isso que eu preciso, Felicity.
Pressiono meus lábios sobre os dela e Felicity segura minha nuca, puxando-me para ainda mais perto. Sua língua se move faminta dentro da minha boca, ela quer tanto isso quanto eu. Ambos precisamos um do outro. E eu só quero que o tempo ande devagar ao nosso redor para eu poder aproveitar cada segundo ao seu lado.
Felicity se afasta de repente, ela me encara, os olhos transbordando uma imensa felicidade. Sua mão desliza pelo meu braço até nossos dedos se encaixarem e ela me puxar.
— Vamos. — ela diz, aperto nossos dedos e assinto com a cabeça.
Nós saímos correndo pelo centro parque. Nossos corações batendo freneticamente dentro do peito. Por sorte o hotel de Felicity não é tão longe, em 10 minutos estamos dentro do elevador, ambos ofegantes e com as mãos unidas. Meu peito arde e eu inspiro com força, Felicity faz a mesma coisa enquanto ri e me encara adoravelmente. Puxo sua mão até a minha boca e beijo suavemente a parte superior.
— Você tem certeza que é isso mesmo que você quer? — eu assinto. — E se amanhã você se arrepender?
— Eu não vou, Felicity. — seguro sua cintura e a puxo para perto. — Isso é tudo que eu mais quero e desejo. — encosto meus lábios nos dela e vejo sua respiração acelerar. — Eu quero você.
— Eu também quero você. — ela sussurra e aperta seus lábios sobre os meus, eu abraço sua cintura com meus braços e a beijo com urgência.
Foda-se essa mentira.
Foda-se o passado.
A única coisa que eu quero agora é Felicity.
As portas do elevador se abrem e Felicity me puxa para fora, andamos pelo corredor trocando caricias e beijos até Felicity me empurrar para destrancar a porta do seu quarto. Assim que ela empurra a porta nós dois tombamos, literalmente, para dentro, ela fica por cima de mim e começa a rir.
— Eu te amo, Oliver. — diz, parando de rir e olhando dentro dos meus olhos. — E vou continuar te amando, não importa o que aconteça depois dessa noite.
Acaricio sua bochecha e deslizo meu polegar até seu queixo, ela fecha os olhos sentindo meu toque. Eu também a amo, muito, quero dizer isso, quero dizer que não me importo com nada, mas não digo, apenas puxo seus lábios para os meus e tento demonstrar todo meu sentimento através do nosso beijo.
Eu rolo para o lado e Felicity fica sob o meu corpo. Empurro a porta com o pé e torno a beijá-la. Beijo sua boca, sua bochecha, seu queixo, a curva do seu pescoço e continuo beijando sua pele, refazendo o caminho até os seus lábios novamente. Não faço a mínima ideia de como suportei ficar tanto tempo longe de Felicity, me sinto um cretino por ter deixado isso acontecer, eu deveria ter ido atrás dela na primeira vez que senti sua falta. Não podia ter deixado minha mágoa me deixar tanto tempo longe da mulher que amo.
— Eu senti tanta falta sua. — murmurei em seu ouvido, sua respiração acelerou e ela puxou minha boca para a sua novamente.
As mãos de Felicity desceram pelas minhas costas e ela agarrou o tecido da minha camisa, puxou para cima, eu ergui meu tronco e ela terminou de se livrar da roupa. Seus olhos cravaram nos meus ombros nus e então desceram pelo meu abdômen até meu quadril onde nossos corpos estavam colados. Havia algumas cicatrizes causadas pelo tempo que fiquei no exército, mas o olhar de Felicity fixou-se em uma cicatriz de bala pouco acima do mamilo direto. Ela lembrou-se, assim como eu do dia que estávamos juntos, felizes e de repente toda nossa felicidade foi embora quando um atirador invadiu o quiosque que estávamos e abriu fogo. O último dia que estivemos juntos.
A ponta dos seus dedos acariciaram suavemente a marca e Felicity deixou um beijo sobre minha pele marcada. Um suspiro escapou dos seus lábios e ela pressionou a testa contra meu peito, não estava vendo seu rosto, mas percebi que ela estava chorando.
— Desculpe, Oliver. — eu sentei-me e puxei-a para sentar-se no meu colo. Apertei meus braços ao seu redor e beijei o topo da sua cabeça.
— Não foi sua culpa, Felicity. — digo baixinho. — Tinha várias pessoas lá, algumas morreram, outras perderam pessoas que amavam. Foi um ataque terrorista e você salvou muitas vidas naquele dia, eu que tenho que pedir desculpas por ter sido um verdadeiro filho da puta com você.
Felicity ergue o rosto e fita meus olhos, segura o meu queixo.
— Não acredito que está mesmo aqui. — sussurra. — Por favor, não vai embora. Não me deixa de novo.
— Eu não vou.
Ela agarra meus ombros e se ajeita, seu rosto agora está bem perto do meu e seus olhos cravados nos meus.
— Eu queria pedir para me prometer, mas eu não posso. — diz. — Mas eu vou te pedir uma coisa, apenas uma.
— O quê?
— Essa pode ser nossa última noite juntos. — ela segura meu rosto, suas mãos estão mornas, assim como todo o seu corpo. — Me ame, Oliver.
Fico encarando Felicity por alguns instantes, até beijá-la. Suas palavras me deixaram ainda mais louco para tê-la nos meus braços durante as poucas horas que nos restavam até o dia amanhecer. Segurei sua cintura e dei impulso para ela levantar, então me levantei em seguida, segurei sua cintura e a puxei para mais perto, depois subi minhas mãos por suas costas, até seus ombros, logo abaixo do pescoço segurei o zíper da jaqueta e comecei a abaixar, quando abri por completo, deslizei o moletom por seus braços. Por baixo Felicity usava apenas um sutiã liso preto.
Seu corpo continuava igual, ela continuava linda.
Meu coração batia tão forte contra o peito e o dela não estava diferente. Nós precisávamos urgentemente um do outro.
Passei meu braço ao redor da sua barriga e colei nossos corpos e nossos lábios se uniram em um beijo repleto de paixão, amor e saudade. Felicity gemeu e seus dedos rastejaram pelo meu abdômen até o cós da calça jeans, enquanto ela lidava para abrir o meu zíper, minha mão subiu por suas costas até encontrar o fecho do sutiã que abri com facilidade.
Deslizei meus lábios pelo seu queixo e beijei seu pescoço, sentindo Felicity ofegar e cravar os dedos na minha cintura. Segurei a alça do sutiã e deslizei pelo seu braço enquanto deixava vários beijinhos pelo seu ombro e clavícula, depois, fiz o mesmo com a outra alça, a peça intima caiu no chão, deixando os seios duros de Felicity expostos, eu admirei cada um deles e acariciei-os com meus polegares, Felicity fechou os olhos e deixou um longo gemido escapar da sua boca. Eu amava vê-la tão entregue a mim.
— Oliver. — meu nome escapa da sua boca baixinho e eu a beijo novamente deslizando minhas mãos por seus braços e trilhando um caminho até suas coxas, prendo meus dedos atrás dos seus joelhos e puxo uma de suas pernas e depois a outra ao redor do meu quadril.
— Ah céus. — ela arfa, sentindo meu pau pressionado contra o meio das suas pernas. — Eu preciso, Oliver, por favor.
Eu também preciso, tanto quanto ela. Não consigo mais me conter, eu sinto tanta falta da sintonia dos nossos corpos. Ando com Felicity até a cama e a solto gentilmente sobre o colchão, ela me encara, seus olhos brilhando de excitação. Seguro seu tornozelo e retiro seu tênis depois o outro. Meu olhar percorre todas as curvas de Felicity, cada cantinho que quero beijar e tocar, suspiro ao constatar que Felicity é a mulher mais linda do mundo e em seguida me deito sobre seu corpo e beijo sua testa.
— Linda. — sussurro, beijo sua boca e arrasto minha mão pela sua barriga até o cós da sua calça, eu abro e abaixo o zíper.
Observo seu peito subir e descer rápido, deixo um beijo entre seus seios, outro pouco acima do umbigo e outro logo acima do local marcado pelo botão do jeans, escuto seus gemidos profundos e ansiados e começo abaixar sua calça, Felicity ergue as pernas me dando auxílio.
Ela sorri, segura meus ombros e me puxa para cima do seu corpo, com os dedos ágeis ela começa abaixar minha calça, ela consegue se livrar da roupa e depois começa abaixar a minha cueca, esboça um sorriso quando me deixa completamente nu em cima de si, e desliza a mão pela minha barriga até encontrar meu membro duro.
— Ah Felicity. — suspiro fechando meus olhos, sentindo seus movimentos me deixarem maluco.
Agarro sua calcinha branca a única coisa que me impede de estar dentro dela, abaixo a peça íntima, tirando pelos seus tornozelos e jogo para os pés da cama. Movo minha mão pela sua perna trilhando um caminho até sua intimidade morna e molhada. Encaro seu rosto para ver sua expressão no momento em que acaricio seu clitóris, ela geme e aperta os olhos com força, começa a se movimentar debaixo do meu toque.
— Céus. — sussurra, aumento o movimento ao redor do seu clitóris, mais rápido, mais forte, mais intenso. Felicity aperta o lençol com força sentindo as ondas de prazer que lhe proporciono. A imagem que tenho dela é incrível, maravilhosa e pra ficar ainda melhor, escorrego dois dedos para o seu interior e escuto seu gritinho.
Beijo seu queixo e sua boca. Ela agarra minha nuca com força as unhas se cravam na minha carne e eu contínuo meus movimentos rápidos, determinado a lhe dar o primeiro orgasmo de muitos essa noite.
— Oli... — meu nome é engolindo por um gemido profundo e por outros abafados pela minha boca, o corpo inteiro de Felicity está trêmulo, e por isso deslizo com mais força e rápido meus dedos no seu interior, sua intimidade tá tão molhada que não tenho dificuldade nenhuma para fazê-la gozar.
Ela está arfando, seus olhos estão fechados e eu posso sentir a velocidade que seu coração bate. Tiro meus dedos do seu interior e levo aos meus lábios, provo do seu gosto, ela continua deliciosa.
Esse não foi o suficiente, eu quero lhe proporcionar ainda mais prazer.
Seguro sua coxa e coloco ao lado do meu quadril e depois faço o mesmo com a outra, ela cruza os tornozelos atrás de mim e sua intimidade roça na minha glande. Eu respiro fundo e beijo o seu pescoço.
— Calma. — sussurro em seu ouvido, escutando sua respiração acelerada. — esse foi só o primeiro. Vou fazer amor com você da forma que merece.
Felicity agarrou meus cabelos ralos e puxou meus lábios para os dela. Quando deslizei meu membro para dentro dela, Felicity se entregou totalmente para mim, praticamente a noite inteira, até nossos corpos não aguentarem mais. Então ela dormiu agarrada em mim, já eu, não me permiti fechar is olhos, queria guardar cada detalhe da noite na minha memória, inclusive seu corpo inerte ao meu lado.
[...]
Quando Felicity despertou no dia seguinte, eu ainda estava acordado ao seu lado, com meus braços ao redor da sua cintura e o nariz afundado nos seus cabelos. Primeiro ela esticou os braços e depois tentou sorrateiramente se levantar, mas eu não deixei, ainda não estava preparado para ficar longe do seu corpo.
— Fica aqui. — sussurrei, beijando o seu ombro e depois a curva do seu pescoço.
— Que horas são?
— Não sei.
Felicity girou e fitou meus olhos.
— Você ainda está aqui?
— E não pretendo ir a lugar algum. — beijo a ponta do seu nariz. — Talvez sair para comprar café.
Ela sorriu e jogou o braço sobre meu ombro e deslizou pelas minhas costas, subindo novamente e abaixando repetidas vezes.
— Pena que em breve você irá me odiar.
Eu engoli em seco. O que poderia ser tão ruim? Ainda não estou preparado para saber o que tem em Washington.
— O que pode ser tão ruim, Felicity a ponto de me fazer te odiar?
Ela abaixou a cabeça.
— Preciso levantar. — ela diz afastando-se de mim, erguendo novamente a muralha que me afasta dela. — Será que você pode comprar algo para a gente comer? — indagou, sentando-se na cama.
Eu me sento também, rastejo até ela e dou um beijo no seu ombro.
— Não quero te odiar, quero ficar com você.
— Depois que eu te contar, você decide isso. — ela levanta-se e caminha até o banheiro, antes de entrar me encara. — Mas se tenho algo a meu favor, é o quanto eu te amo e quero ficar com você.
Após se declarar, ela entra no banheiro e fecha a porta.
Cubro meu rosto com as mãos e suspiro. Caramba, o que Felicity está escondendo de mim? Não consigo pensar em nada que seja tão ruim assim e que a deixa com tanto medo de me perder novamente.
Visto-me e saio do hotel. Procuro por uma cafeteria. Acabo entrando na primeira que encontro e compro dois cafés e duas fatias de bolo de chocolate, depois volto para o hotel. Felicity está vestida, sentada na cama, os olhos estão inchados, percebo que ela estava chorando e largo as coisas que comprei sobre a cama e sento-me ao lado dela, abraço seus ombros e beijo sua têmpora.
— Me conta de uma vez, Felicity. — murmuro. — Juro que vou tentar entender. Não pode ser tão ruim assim.
— Mas é. — rebate, levantando-se bruscamente.
— Então me conta.
— Não vou contar agora, Oliver. — diz, secando novas lágrimas. — Quero que conheça uma pessoa antes. — explica. — Eu liguei para o Diggle e pedi um favor para ele. Não vamos mais precisar ir para Washington. — assenti com a cabeça. — Em poucas horas você vai saber tudo, Oliver. Aí eu estarei pronta para ficar com você, livre de mentiras, se você ainda me amar. Agora, vai embora, por favor, preciso ficar sozinha.
— Felicity...
— Por favor, Oliver.
— Você tem certeza?
Ela balança a cabeça afirmando. Me dou por vencido e caminho até ela. Coloco meus braços ao seu redor e a abraço forte, beijo o topo da sua cabeça e ficamos abraçados por um longo tempo. Pela primeira vez eu sinto medo, medo do meu orgulho ser maior do que o meu amor por ela e consequentemente eu a mande embora da minha vida novamente.
Lhe dou um último beijo e então vou embora. Ela diz que em breve vai me ligar, então vou para o hotel onde estou hospedado e aguardo. Acabo repondo o sono da noite passada e só acordo quando escuto batidas na minha porta, corro abrir, mas fico frustrado ao abrir a porta.
— Por que está me olhando assim? — Lídia pergunta. — Não está feliz em me ver? — ela adentra o hotel e me dá um selinho.
— Por que não voltou para Starling?
Ela jogou a bolsa sobre minha cama e se sentou.
— Prometi para o seu pai que não iria embora sem você.
Cruzei meus braços.
— Agora você é um cachorrinho mandado pelo meu pai?
Lídia parece ofendida, mas logo sua postura muda e ela se levanta e caminha até mim. Segura o tecido da minha camisa e puxa meus lábios para os dela, eu me afasto.
— O que está acontecendo, Oliver?
— Muita coisa. — ela arqueia as sobrancelhas. — Você é uma mulher incrível, Lídia.
— Espera! — exclama, erguendo a mão. — Não vem com esse papinho, eu sei o que você vai fazer. Vai terminar comigo e me mandar embora.
— Desculpe. — digo, abaixando a cabeça. — Mas eu amo outra mulher.
— Como você pode dizer isso?
— Não quero que você sofra.
— Não quer que eu sofra e está terminando comigo? — ela começa a rir. — Babaca. Você não pode fazer isso!
— Lídia.
— Cala a boca, Oliver.
Meu celular toca, corro atender e enquanto escuto Felicity falando que está na hora, observo uma Lídia histérica andando de um lado para o outro. Felicity me passa um endereço, eu sei aonde é, em uma sorveteria perto do FBI, ela diz que está me esperando e encerra a ligação. Olho para Lídia, não quero deixá-la, mas preciso acabar com a dúvida e a curiosidade que Felicity colocou na minha cabeça.
— Desculpe. — sussurro e então saio, deixando Lídia no meu passado.
Pego um taxi e passo o endereço da sorveteria para o motorista. Durante o caminho meu coração se aperta, sei que o que Felicity tem para me contar talvez irá mudar tudo, apesar de não querer que mude nada, ainda mais depois da noite que tivemos. Terminei com Lídia porque quero ficar com Felicity, não importa o que ela tenha para me contar.
Desembarco do carro e vejo Felicity andando de um lado para o outro na frente da sorveteria, ela esbarra em um homem e pede desculpas, está tão nervosa. Aproximo-me dela e toco seu ombro, seu corpo estremece e ela me encara.
— Graças a Deus, você chegou. — disse.
— Então, agora você está pronta para me contar?
— Vem comigo. — pega na minha mão e me puxa para dentro da sorveteria, andamos entre as mesas, o lugar não está tão cheio, mas há muitas crianças brincando e gritando.
Felicity para ao lado de uma mesa que tem uma mulher e um garotinho. A mulher é loira como Felicity, elas têm os mesmos olhos, o garotinho também é loiro, mas os olhos não são iguais os de Felicity. O pequeno me encara e dá um sorrisinho, depois volta a tomar seu sorvete.
— Oliver, essa daqui é minha mãe, Donna Smoak. — a mulher me encara, ela parece preocupada com alguma coisa, me olha sério e depois olha para Felicity. Ela estica a mão e eu aperto em um breve cumprimento.
— Prazer, Donna. — digo, ela sorri e assente.
— E esse daqui é o Jeremy.
O pequeno me encara novamente e eu sinto uma enorme felicidade ao vê-lo sorrir novamente para mim.
— Jemy, diz oi. — Felicity diz.
— Oi. — a voz dele é suave e encantadora.
— Olá, Jemy. — falo.
Nunca vi essa criança, mas sinto um enorme carinho por ela. Enorme de um jeito que não consigo explicar e que nunca senti por ninguém. Só não consigo entender porque Felicity me trouxe até aqui.
— Mãe, será que pode levar o Jemy para fazer uma caminhada? — Donna encara a filha.
— Claro, querida. — diz e se levanta. — Vem com a vovó, Jemy.
Vovó? Será que Jeremy é sobrinho de Felicity? Por um momento pensei que ele era irmão, Donna é nova e muito bonita. Mas essa minha questão acabou de ser respondida. Felicity me falou que nunca teve irmãos e sempre reclamava disso, dizia que era ruim ser filha única. Então, Jemy só pode ser filho de Felicity. Filho. E ele parece ter pouco menos de dois anos. Seus olhos são azuis, não como os de Felicity, mas são familiares para mim.
Espera.
Faz pouco mais de dois anos que Felicity e eu nos separamos. Isso quer dizer que ou ela me traiu enquanto estávamos juntos ou Jeremy é meu filho. E ela nunca me trairia, pode ter mentido para mim, mas se envolvido com outro homem enquanto estávamos juntos não.
Meu Deus!
Meu Deus!
Eu me sento, porque minhas pernas estão tremendo e meu coração bate acelerado. Só pode ser isso, para Felicity estar com tanto medo essa é a única explicação. Ela escondeu um filho de mim, o meu filho. Durante todo esse tempo ela escondeu o meu filho de mim.
— Felicity... — encaro seu rosto, a essa altura ela está chorando novamente. Cubro minha boca com a mão.
É isso, Felicity escondeu um filho de mim durante todo esse tempo.
— Como você pode fazer isso comigo, Felicity?
— Desculpe.
— Desculpe? — eu a encaro, a raiva me consumindo. — É isso que tem para me dizer?
— Não, não é só isso. — diz, negando com a cabeça. — Tem muita coisa por trás disso. Mas eu preciso que você fique e me escute.
Tento ficar mais calmo e agir racionalmente. A última vez não deixei ela se explicar e isso me causou anos longe dela. Por isso, talvez seja minha culpa também Felicity ter escondido Jeremy de mim. Dessa vez será diferente, eu disse que tentaria entender. Vou ficar e escutar tudo que tem para me dizer.
— Então comece.
Felicity assentiu e respirou fundo.
— Descobri que estava gravida um tempo depois que a gente se separou. A gravidez me pegou totalmente de surpresa e eu pensei em muitas coisas, até a pior das coisas. Muitas opções se passaram na minha cabeça, porém eu não podia fazer nada de ruim para a criança, então levei a gravidez adiante.
— Alguma vez pensou em me contar?
— Muitas vezes, Oliver. — respondeu. — Eu comprei uma passagem para Starling, estava pronta para te contar, mas o seu pai bateu na minha porta.
— Meu pai?
— Sim. — respondeu. — Ele me ofereceu uma quantia exorbitante de dinheiro para eu fazer um aborto.
— Meu pai não faria isso.
— Ele fez, Oliver. — rebateu, dessa vez ela estava com raiva, mas não de mim e sim do meu pai. — Pergunte para Diggle, ele estava junto.
— Você não aceitou o dinheiro?
— Claro que não. — ela massageou as têmporas, então me encarou e retomou. — Eu disse para ele que não ia fazer um aborto, nunca faria isso por dinheiro nenhum. Então ele fez uma nova proposta, me daria o dinheiro em troca do meu filho. Mas eu não podia fazer isso, Oliver. Eu amava a criança que estava crescendo dentro de mim. Recusei o dinheiro e disse para o seu pai que ficaria o mais longe possível de você e da sua família. — ela limpou as lágrimas e respirou fundo. — Prometi que nem ele e nem você iam me ver mais. Que ia criar meu filho longe de vocês.
Eu não podia acreditar que meu pai tinha sido capaz de fazer algo tão frio e sem escrúpulos.
— Eu fiquei com medo, Oliver. — disse, suas lágrimas molhando seu rosto. — Sua família é poderosa e perto deles eu não teria força para lutar por meu filho. Seu pai seria capaz de tudo para tirar Jeremy de mim, e você me odiava, Oliver. Nunca me perdoaria, com certeza ia lutar a favor do seu pai para tirar Jemy da minha guarda. Não podia deixar isso acontecer, foi por isso que nunca te procurei. Mas ai a gente se reencontrou. Pensei que conseguiria continuar escondendo Jeremy de você, mas não consegui.
No desespero de Felicity eu vi que tudo que ela estava falando era verdade. Meu pai sempre foi o culpado, desde o inicio. A culpa de tudo é somente dele. Felicity só sofreu as consequências, assim como eu. Nós dois éramos as vitimas de Robert Queen, um homem que nunca teve escrúpulo algum. Embora, eu soubesse que toda a culpa era do meu pai, ainda assim, estava sentindo raiva.
— Desculpe, Oliver. — murmurou. — Espero que seja capaz de me perdoar. Jemy estará pronto para quando você quiser falar com ele.
Felicity levanta, vira-se para ir embora.
Tenho apenas duas escolhas, deixar Felicity ir embora e deixar o ódio tomar conta de mim;
Ou;
Perdoá-la e manter em pé a minha proposta de um recomeço, e dessa vez com um filho.
Felicity se afasta.
Faça alguma coisa, Oliver!
Meu Deus, porque estou tão dividido. Ela está indo embora. Estou deixando novamente ela partir por causa do meu rancor e do meu orgulho. Quero levantar e ir atrás dela, no entanto, não consigo me mover, apenas observo-a sair pela porta e ir embora.
[...]
— Então você tem um filho? — Nyssa perguntou depois de escutar toda a história. — Caramba, Oliver, isso é incrível.
— Eu perdi meu filho falando a primeira palavra, dando o primeiro passo dele. Ainda acha isso incrível?
— Acho. — ela respondeu sem nem pensar. — Entendo o medo da Felicity, seu pai é uma cobra. E além do mais, você ainda tem muito tempo para ver o primeiro dia de escola, falar com ele sobre a primeira namoradinha, o primeiro dia dele na faculdade. Você pode ter tudo isso, e com a mulher que ama ao seu lado.
— Mas ela poderia ter falado comigo.
— Você a tratou como se ela fosse um lixo, Oliver. — Nyssa rebateu. — Você estava com ódio, tirar Jeremy dela seria uma vingança.
— Eu nunca seria capaz de fazer isso.
— Agora não, mas antes estava com tanta raiva que eu acho bem possível.
— Me dá uma cerveja e cala a boca. — exclamo e encaro o jogo de futebol que está passando na televisão.
Nyssa me entrega uma garrafa de cerveja e encara o televisor também. Logo quando o Giants ia marcar um touchdown as imagens foram cortadas por outras imagens, uma repórter estava na frente de um prédio pegando fogo, na tarja na parte inferior da imagem estava escrito: Edifico do FBI de Nova Iorque sofre ataque. As imagens mudam e aparece várias fotos 3x4, entre várias fotos tem uma foto de Felicity e de Diggle e ao lado está escrito que alguns agentes ficaram presos dentro do prédio.
Minhas mãos amolecem e eu deixo a garrafa de cerveja cair. Meu coração bate tão forte que tenho a impressão de que vai quebrar os ossos da minha costela.
A forma como as chamas já consumiram o prédio deixa bem claro que é impossível os agentes saírem vivos de lá de dentro. Felicity está lá dentro e a única coisa que consigo pensar é que eu a deixei partir. Se tivesse feito ela ficar, agora ela estaria comigo e não em um prédio pegando fogo com risco iminente de morte.
A mulher que amo está correndo risco de vida e eu não posso fazer nada.
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