Wonderwall.
33 Sem salvação.
Notas iniciais
Abri meus olhos e tudo estava escuro, completamente, apertei minhas pálpebras, mas não adiantou, a escuridão ainda estava me engolindo. Puxei minhas pernas, estava difícil respirar, deduzi que estava em um lugar apertado e com poucas entradas de ar. Ao me movimentar, percebi que minhas mãos estavam amarradas atrás das minhas costas. Céus!. Meu corpo inteiro estava dolorido, parecia que eu havia me metido em uma luta com 10 homens maiores do que eu.
— Tem alguém aí? — indaguei, e fiquei em silêncio para ver se escutava alguma coisa.
Cacete, aonde eu estava? E como havia vindo parar nesse lugar?
— Parece que nossa donzela acordou. — escutei a frase, seguida de risos do lado de fora. Em seguida, batidas atordoantes irromperam dentro do pequeno espaço onde meu corpo estava.
—Chega! — gritou um homem do lado de fora. — Vamos abrir a caixa. — continuou. — Ele precisa ver aonde será a próxima morada dele!
Percebi que a voz do homem tinha um sotaque alemão. Eu só podia estar muito encrencado mesmo.
— Precisa mesmo disso? — Outro homem perguntou. — O cara já está acabado.
— Foda-se. — o cara com sotaque alemão rebateu. — Quem mandou esse infeliz se meter no nosso caminho? — ele começou a rir. — Abra a caixa.
Escutei movimentos ao meu redor. Aos poucos uma luz muito fraca começou a clarear o local. Olhei para cima e percebi cinco homens grandes ao meu redor, um deles estava rindo enquanto fumava um cigarro, os outros seguravam pistolas apontadas na minha direção.
— Cara, você é um homem de sorte. — disse o que estava fumando, o mesmo com sotaque alemão. — erga ele.
Ordenou, encarando um dos homens que apontava uma arma na minha direção. O mesmo guardou a pistola na cintura e então me segurou pelos ombros e me puxou para cima. Eu não conseguia lutar, minhas mãos estavam amarradas e cada membro do meu corpo latejava, já não tinha forças para nada. Apavorado, olhei ao redor, estava em um galpão vazio, meu corpo dentro de uma caixa de madeira com correntes ao seu redor, eu sabia que nada ali era bom.
— Você não precisa fazer isso, Fritz. — disse o cara que me mantinha em pé.
— Shii, cala sua boca. — retrucou Fritz, ele jogou o cigarro dentro de uma cova que tinha há alguns passos da caixa onde estava preso pouco tempo atrás. Meu olhar se prendeu naquela cova e eu estremeci. — Esse desgraçado matou vários dos nossos homens e capturou o Derek, ele merece isso. — disse, caminhando na minha direção, seu olhar fixo em mim. — Na verdade ele merecia algo bem pior. Merecia ver a loirinha levar um tiro na cabeça, mas como nosso chefe resolveu ser um cara bacana.
A menção feita por Fritz me causou um calafrio na espinha, eu sabia que ele estava se referindo a Felicity, e apenas essa menção fez o medo tomar conta do meu corpo.
— Onde ela está? — perguntei, a voz um chiado de tão fraca. — onde ela está?
Fritz começou a rir, nunca ninguém me causou tanto medo como esse homem está me causando agora ao se referir a Felicity. Fritz caminhou até mim e segurou o meu pescoço.
— Aquela gostosa da sua namoradinha?
— Seu desgraçado. — gritei, me debatendo.
Seu sorriso aumentou assim como a pressão feita pelos seus dedos na minha garganta.
— Não se preocupe, a loirinha está bem. Nosso chefe não quis fazer nada com ela. O que é uma pena, porque eu adoraria aproveitar um pouco daquele corpo.
Joguei meu corpo para frente, meu último resquício de força.
— Eu te mato se você encostar nela.
— Vocês ouviram isso? — ele esbravejou aos outros homens. — Esse merdinha todo fodido acha que consegue fazer alguma coisa contra mim. — caçoou, erguendo os braços para cima e soltando uma gargalhada. Então ele me encarou, os olhos queimando de raiva, ele fechou o punho e seu braço voou na minha direção, direto no meu estômago. Eu gemi, sentindo a dor enfraquecer ainda mais o meu corpo. — Você está morto, Oliver. Morto! Mas não se preocupe, eu não vou encostar na sua loirinha, infelizmente, porque vontade não me falta.
— Fritz. — o outro homem o chamou. — O chefe está ligando.
Fritz ergueu o dedo na minha direção.
— Só um minuto, Oliver. Essa ligação é importante. — ele pegou o celular das mãos do homem e levou a orelha esquerda. — O que foi? — escutou por alguns segundos. — Vou finalizar o serviço aqui e já estamos indo.
Notei o respeito que Fritz tinha com seu chefe. Toda aquela banca que ele havia metido até agora sumiu completamente e ele parecia um cachorrinho. Fritz encerrou a ligação e devolveu o celular para seu colega. Então caminhou na minha direção novamente.
— Você não deve lembrar nada da noite anterior não é Oliver? — questionou.
Eu tentei lembrar, mas algo bloqueava todas as minhas lembranças da noite anterior. A última coisa que lembro é de Felicity e de Jeremy, do nosso piquenique dentro do apartamento de Felicity, nós estávamos felizes, então tudo fica escuro e eu perco as imagens dos momentos a seguir.
— Não, eu não lembro.
— Que bom. — disse Fritz. — Porque agora você vai ter bastante tempo para se lembrar, até seu corpo não aguentar mais dentro dessa caixa. Pode ficar calmo, você vai lembrar, eu te garanto. — Fritz olhou para o homem que me segurava e assentiu. O homem me empurrou novamente para o fundo da caixa. — Tchau tchau Oliver. — Debochou Fritz. Então, tudo ficou escuro novamente.
24 HORAS ANTES.
— Um piquenique? — indagou Felicity.
Jeremy assentiu com a cabeça.
— Issu mamãe.
— Filho. — Felicity se agachou e pegou Jemy no colo. — A mamãe precisa fazer inalação daqui a pouco, além disso, o médico da mamãe disse que eu preciso descansar bastante para ficar forte outra vez.
— Tudo bem mamãe. — disse Jeremy, segurando o rosto da mãe. — Max outo dia a genti podi faze um pitinique no paque?
Felicity sorriu e deu um beijo na testa de Jeremy.
— Claro que sim. A mamãe promete que assim que se sentir melhor a gente vai fazer um piquenique no parque, com direito a bolo de chocolate, sorvete e refrigerante.
— Ebaaa! — Jemy comemorou enchendo as bochechas da mãe de beijo.
Eu apenas fiquei parado, apreciando aquele momento incrível da minha família. Observando-os acabei tendo uma ideia, que seria bom tanto para Felicity quanto para Jemy, e ainda mais para mim.
— E que tal um piquenique dentro de casa? — Felicity me encarou com as sobrancelhas franzidas e Jeremy sorriu. — Arrastamos os móveis e abrimos um espaço grande aqui na sala, colocamos uma toalha e a comida. O que acham?
— Papai é um gênio. — cochichou Jeremy, então ele caminhou na minha direção com os braços abertos, peguei meu pequeno no colo e beijei seus cabelos. — Podemos toma soveti?
— Com certeza. — afirmei com a cabeça, aumentando ainda mais o sorriso do meu filho.
— Essa é uma ideia um tanto quanto peculiar. — apontou Felicity, caminhando na nossa direção. — Mas se essa ideia deixa Jemy feliz... — ela colocou o braço ao redor do meu abdômen e colocou seu corpo bem ao lado do meu. — então esse vai ser o melhor piquenique.
Felicity acariciou o rosto de Jeremy, e lá estava nós três, no meio da sala, unidos em perfeita harmonia. Até parecia que os últimos dias tinham sido um completo borrão e só existia esse momento, só existia nós três.
Acabamos arredando todos os moveis e abrindo um espaço agradável no meio da sala. Ajudei Felicity a fazer alguns sanduiches e um suco de laranja. Coloquei algumas frutas em um cesto e depois estendi uma toalha sobre o chão livre na sala. Colocamos todas as guloseimas sobre o tecido, inclusive o sorvete favorito de Jemy, e nos sentamos, Jemy sentou entre nós dois e segurou a minha mão e a de Felicity.
— Essi é o melhor pitiniqui que a genti já fez mamãe! — exclamou Jeremy, seus pequenos olhos brilhando de felicidade por esse momento único e especial. Felicity me encarou e sorriu.
— Com certeza é filho.
— E pala vuxe papai, também é? — Jemy levantou-se e sentou-se sobre a minha perna dobrada, jogou os bracinhos ao redor do meu pescoço e ficou me encarando, esperando minha resposta.
Meu coração acelerou ao ver os pequenos olhos do meu filho cheios de expectativas. Era incrível ver a inocência em seu olhar e a alegria que ele carregava toda vez que encarava os meus olhos. Eu sabia que Jeremy estava tão feliz por ter um pai, quanto eu por ter ganhado um filho, nossa felicidade se completava e se tornava algo grandioso demais, puro e lindo.
— Esse com certeza é o melhor piquenique que já fiz em toda minha vida. — respondi, erguendo minha mão e dando um leve beliscão na ponta do nariz de Jeremy. O pequeno sorriu e me abraçou com força.
— Papai. — cochichou no meu ouvido. — Sabia que eu ti amo um motão?
Senti um nó formar-se em minha garganta e meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente. Abracei forte o pequeno corpo do meu filho.
— Verdade? — indaguei.
Jeremy afastou seu corpo do meu e disse:
— Simm. — ele abriu os braços, o máxima que conseguia. — desse tamanho aqui, papai.
Eu não consegui segurar minhas lágrimas, algumas acabaram escorrendo pelas minhas bochechas, mas prontamente, Jeremy as secou com a manga da sua camisa, dizendo que eu não precisava chorar.
— Sabe Jemy. — falei, o puxando para mais perto. Ele aninhou a cabeça no meu peito. — Eu te amo também, um montão.
[...]
Jeremy acabou pegando no sono de tanto correr pela sala. Havia o levado para o sofá enquanto Felicity arrumava a bagunça que havíamos feito. Donna tinha acabado de chegar, carregada de compras, mas apenas deu um oi para nós, largou as sacolas e foi tirar um cochilo. Estava só eu e Felicity, isso quer dizer que tínhamos alguns minutos só para a gente. Caminhei até a cozinha, ela estava em frente a pia, lavando as tigelas de sorvete. Parei perto das suas costas e pressionei meus dedos na sua cintura, ela soltou um pequeno gemido ao sentir sua pele sendo tocada.
— Jeremy dormiu, sua mãe também. — cochichei na sua orelha e arrastei meus lábios pelo seu pescoço e ombro, sentindo-a estremecer sob mim. — Isso quer dizer que estamos completamente livres.
Felicity largou a tigela que estava lavando e girou, agarrou o tecido da minha camisa e encarou meus olhos.
— Hum. — murmurou. — Livres para fazer o que, Oliver? — seus olhos brilharam intensamente.
— Que tal a gente começar com isso? — segurei o queixo dela e ergui seu rosto, abaixei minha cabeça o meus lábios encontram a suavidade dos dela. Perfeitamente eles se uniram em um beijo cheio de urgência e carregado de volúpia.
Meu corpo reagiu da forma que ele sempre reage quando está perto de Felicity cheio de tesão. Eu estava cheio de vontade de tê-la para mim, e por mais que não fosse a hora e nem o lugar, não consegui me segurar, segurei as nadegas de Felicity e a puxei para perto de mim, ela gemeu e se enroscou no meu pescoço. Sem dificuldade ergui seu corpo e ela sentou-se na pia. Abriu as pernas e enroscou os tornozelos atrás dos meus joelhos.
— É um ótimo começo. — sibilou, puxando a minha camisa pela minha cabeça, mas antes mesmo que ela voltasse a me beijar o meu celular tocou e por mais que eu não quisesse acabar com aquele momento, precisava atender. Encarei o visor, e realmente era uma ligação que não podia ignorar.
— Tudo bem, a gente continua depois. — murmurou Felicity.
Aceitei a ligação.
— General. — falei. — Alguma novidade?
— Sim. Boas novidades Oliver. — eu podia notar a felicidade na voz dele. — Conseguimos localizar o Derek.
— E onde ele está?
— Em Nova Iorque mesmo. Escondido em um prédio abandonado, ele e os homens que invadiram o FBI. — informou. — Eu montei uma força tarefa para capturá-lo novamente, e preciso que você lidere a equipe. Está de acordo?
— Sim, Senhor. — falei.
— Ótimo. Preciso que venha para a base imediatamente, a equipe já está pronta, esperando você.
— Okay.
— Até breve, soldado.
O General encerrou a ligação e eu guardei o celular no bolso novamente. Encarei Felicity, que ainda carregava aquele brilho intenso nos olhos, merda, ia ser difícil deixá-la naquele estado.
Caminhei até ela e passei meu braço ao redor da sua cintura, beijei sua boca. O meu corpo e minha vontade de ficar brigavam com o meu sentimento de responsabilidade e dever.
— Você precisa ir. — ela cochichou. — A gente pode terminar isso a noite.
— Droga. — falei, abraçando Felicity. — Eu preciso mesmo ir. Mas não sei se vou conseguir me concentrar no que tenho que fazer depois disso.
— Eu sei que não vai. — ela caçoou e beijou meu tórax. — Mas você precisa ir. — disse, afastando-se de mim. Ela juntou a minha camisa do chão e me devolveu. — É melhor para nós dois você vestir isso e sair daqui agora mesmo.
— Você tem toda razão. — vesti a minha camisa e antes de sair, dei mais um beijo nela e outro em Jeremy. Ao passar pela porta, um sentimento ruim tomou conta de mim, quase voltei para ficar com eles e não sair daquele apartamento nunca mais, no entanto, tinha deveres a cumprir.
[...]
A força tarefa que o General montou era composta por veteranos do exército, 13 homens e 10 mulheres, todos já tinham estado em diversas missões do exército, sabiam tanto quanto eu o quanto essa missão era importante e complexa. Os homens de Derek eram inteligentes, mas dessa vez eles iam se dar muito mal.
Duas vans pretas nos levaram até perto do tal prédio abandonado onde estavam Derek e seus homens, era afastado, em um bairro pobre da cidade. O restante do caminho fomos andando e quando chegamos perto do prédio, ordenei que alguns soldados ficassem do lado de fora, cobrindo as duas entradas, mais 6 iam ficar em um helicóptero para quando fossem solicitados e o restante ia invadir o local comigo.
— Alex, Lis e Don vão cobrir a gente. Okay?
Os três soldados assentiram com a cabeça.
— James, Washington, Wes e Mayra entram em seguida. Entenderam?
— Sim. — os quatro responderam.
— Por último, a gente entra. — falei, encarando os outros 4 soldados. — Entendido?
— Sim, senhor.
— Okay. — sibilei. Antes de dar ordem para o primeiro grupo entrar, fechei meus olhos e pensei em Jeremy e Felicity. Prometi baixinho que ia voltar para os dois. Nada podia dar errado nessa missão.
— Senhor, está na hora. — disse Wes.
Encarei os meus soldados. Respirei fundo e dei ordem para o primeiro grupo entrar. Assim que eles passaram pela porta da frente, dei ordem para o segundo grupo entrar, então o meu grupo entrou. Era um prédio pequeno de 4 andares. O primeiro grupo já havia vasculhado o primeiro andar e estavam se encaminhando para o segundo quando escutei os primeiros disparos.
— Equipe dois, subam! — ordenei.
Os disparos aumentaram, eu não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo lá em cima. George me encarou.
— Podemos subir, senhor? — encarei o meu soldado, não podia colocar o terceiro grupo em perigo e não podia me colocar em perigo.
— Não agora. — respondi. — Vamos esperar mais um pouco. Fiquemos todos alerta agora.
— Okay, senhor.
Peguei o meu rádio.
— Equipe dois, responda. — falei, esperei alguns minutos e nada. — Equipe dois, responda.
Meus soldados me encararam e encararam o rádio. Estavam visivelmente preocupados. O memento de tensão só aumentou, ninguém respondia nada. Os disparos continuavam ricocheteando no andar de cima.
— Precisamos subir, senhor. — disse George.
— Ainda não. — ordenei. — Equipe dois, responda.
Ninguém.
Ninguém.
— Senhor. — a voz feminina fez todo o grupo respirar aliviado. — Soldado Mayra, na escuta.
— Como estão as coisas aí em cima?
— Senhor, derrubamos alguns homens, mas dois deles ainda estão disparando contra nós.
— Okay, vamos subir.
Antes de dar ordem para o meu grupo subir, solicitei para o grupo que estava em um helicóptero invadirem o prédio pela sacada do último andar, então dei ordem para os soldados subirem. Quando chegamos ao segundo andar, os disparos haviam acalmado. Reuni a força tarefa, por sorte não tínhamos perdido nenhum soldado.
— Tudo limpo senhor. — disse Mayra.
— Ótimo, vocês fizeram um bom trabalho. — eles assentiram. — Agora precisamos invadir o segundo andar. Prontos?
— Sim senhor.
Dei ordem para o primeiro e segundo grupo subirem, em seguida dei ordem para o meu grupo subir, quando chegamos ao terceiro andar, escutei apenas um disparo, olhei para todos os meus soldados, Wes me encarou e outro disparo atingiu o seu ombro, em seguida escutei vários disparos, o caos se instalou e meus homens começaram a atirar contra os homens de Derek.
— George, me cubra. Preciso tirar Wes dali. — o soldado assentiu e saiu na minha frente, disparando contra o grupo de Derek.
Quando consegui chegar a Wes, agarrei sua farda e o puxei para trás de uma mesa, a virei, de forma que ela pudesse proteger Wes. O soldado estava bem, no entanto, estava perdendo muito sangue. Tirei a badana do meu braço e amarrei com força perto do ferimento de Wes.
— Vai ficar tudo bem. — ele assentiu. — Você consegue se proteger?
— Sim.
— Okay, eu preciso ir.
Assim que neutralizamos os homens de Derek, dei ordem para que o quarto andar fosse invadido. Meu rádio tocou, era o grupo do helicóptero, eles estavam invadindo.
— Não atirem no Derek, ele é o homem que precisamos capturar vivo. Entenderam?
— Sim, senhor.
Dessa vez, entramos no último andar juntos, os disparos já haviam iniciado. Assim que coloquei meus pés do quarto andar, pude ver Derek disparando contra minha equipe.
— Douglas e George, preciso de cobertura. — os dois assentiram. Um saiu na minha frente e outro protegeu minha retaguarda.
Quando estava próximo de Derek, mirei na sua perna e disparei, escutei apenas um grito agudo dele e sua arma caindo ao chão. Havia acertado em cheio a sua coxa, com certeza ele ia me odiar ainda mais por isso. George chutou a metralhadora de Derek para longe e o agarrou pelo colarinho.
— Desgraçado. — Derek me encarou. — você me paga por isso. Seu merda! — exclamava cheio de ódio.
— Levo-o para a van.
— Mayra e Douglas, Wes precisa de ajuda.
O dois assentiram e saíram ao auxílio de Wes.
[...]
Capturar Derek foi mais fácil do que pensei, apenas um soldado da minha equipe se feriu, os outros estavam bem. Foi um trabalho impecável. Mas fazer Derek falar era uma batalha perdida. Nem com ameaças e muito menos com tortura, ele ainda não havia nos dado o nome do seu chefe. Depois de tanto tentar, eu já estava quase desistindo, até que lembrei de algo que me chamou atenção no dia em que Felicity e eu capturamos Derek, a mulher que estava com ele. Apesar dele ser um grande filho da puta, em nenhum momento Derek deixou aquela mulher fugir do seu campo de visão.
Acabei tento uma ideia muito filha da puta, estava me odiando por ter que fazer isso, mas era necessário.
— Está tudo pronto Oliver. — disse o General.
Eu havia pedido para colocarem Derek em uma sala que ele tivesse visão a tudo que aconteceria com sua mulher, caso ele não nos contasse quem era o seu chefe. Se ele for esperto, apenas ele sairá machucado daqui, até porque eu não vou machucar outra pessoa porque ele não quer colaborar, mas não posso dizer o mesmo do General.
Entrei na sala onde Derek estava. Havia uma mesa e a cadeira em que ele sentava, bem a frente dele tinha um enorme vidro e do outro lado estava a mulher. Apesar de Derek estar acabado ele ainda conseguia fazer suas gracinhas.
— Ainda não desistiu soldado?
— Não. Mas essa é minha última tentativa.
Ele começou a rir.
— Se eu fosse você desistiria, eu não vou te falar o nome do meu chefe. Jamais.
— Tem certeza?
— Sim.
— Nem por ela?
Assim que falei isso, as luzes da outra sala se acenderam e a mulher de Derek apareceu. Ele se jogou para frente, mas as algemas o impediram de chegar até o vidro.
— O que ela está fazendo aqui?
— Tenho um acordo para fazer com você.
— Seu desgraçado.
— É o seguinte, você me fala o que eu preciso saber e nada acontece com ela. Mas se você continuar relutando, ela vai sofrer tudo que você já sofreu hoje.
— Eu juro que se você encostar nela eu te mato.
— Isso vai depender de você, Derek e lembre, estou apenas jogando o mesmo jogo que você joga. — retruquei. — Você não gosta de ameaçar os outros? Estou fazendo isso. E se você não abrir a boca, quem vai sofrer é ela. E eu te garanto que a pessoa que vai machucá-la não é boazinha.
Era visível o ódio que Derek tinha por mim, mas eu também podia ver medo e o receio que ele sentia no momento. Eu sabia que ele faria o que fosse necessário para que nada acontecesse com a mulher.
— Se eu contar, vão deixá-la ir?
Naquele momento toda sua relutância havia ido embora e o que tinha ficado ali era apenas um homem cheio de medo e fraco.
— Sim.
— Eu conto, mas antes quero que me prometa, nada irá acontecer com ela e que o exército vai protegê-la. O homem que vocês querem é perigoso demais e eu sei que assim que ele souber que eu contei tudo para vocês, ele irá atrás dela.
— Tudo bem, eu prometo. Nada irá acontecer com ela.
Derek assentiu.
— Preciso de uma caneta e um papel.
Consegui o que eu queria, sai daquela sala com o pedaço de papel que continha o nome do homem que estava procurando. Derek foi levado para uma prisão secreta no meio do nada e sua mulher acabará de ser levada para um local isolado em outra cidade, onde ninguém irá encontrá-la. A minha última missão estava prestes a acabar e eu não via a hora de contar isso para Felicity.
Deixei o pedaço de papel com o General. Já estava tarde e por hoje havia acabado meu trabalho. A única coisa que conseguia pensar era no meu filho e na minha mulher. Queria terminar o dia ao lado deles.
Quando estava chegando no prédio de Felicity, dois carros me fecharam e um grupo de homens saiu disparando contra mim, senti uma fisgada na perna e outra no pescoço, não senti dor apenas senti um sono profundo me puxar para a escuridão.
Quando abri meus olhos, estava em uma sala elegante uma música calma tocava na vitrola, a sala era cheia de obras de arte. Eu estava em um sofá marrom e a minha frente tinha uma mesa de centro. Perto de uma janela que dava visão para toda a cidade, estava um homem alto de cabelos grisalhos, ele virou e me encarou, ele segurava dois copos na mão, o liquido dentro parecia ser whisky.
— Ora ora. Pensei que não ia acordar hoje.
— Quem é você?
— Com calma vou responder todas as suas perguntas. Mas antes relaxe e beba comigo. — ele caminhou até mim e colocou o copo de whisky na mesa de centro.
— Eu não quero beber.
— Mas você vai, ao contrário um dos meus homens vai estourar o seu crânio.
Se fosse antes eu não me importaria nenhum pouco com essa ameaça, mas agora que tenho uma mulher e um filho, não consigo pensar em colocar a minha vida em risco.
— Relaxe Oliver e beba. O whisky é ótimo.
Peguei o copo de whisky e levei aos lábios, dei um gole.
— Eu estava ansioso para conhecer você. — disse o homem. — Seu pai me prometeu que iria manter você bem longe, mas parece que você é teimoso demais.
A menção feita pelo homem me fez largar o copo novamente na mesa.
— Meu pai? Você o conhece?
— Sim, de anos atrás. Quando ele tentou me capturar. — disse. — Quando você era um garoto mimado e estava se apaixonando por uma agente do FBI. Mas agora você se tornou um homem. De verdade. Tem até um filho não é?
Eu arfei quando ele disse a palavra filho. Parecia que esse homem sabia tudo sobre a minha vida e eu não sabia nada sobe a dele.
— Quem é você? — Perguntei.
— Eu sou o homem que o exército e o fbi tentam capturar há anos, Oliver. E eu estava ansioso para conhecer o pai do meu neto.
Naquele momento eu lembrei de todas as vezes que Felicity falou sobre o pai, Noah, o nome dele era Noah, ela nunca me falou o sobrenome dele, mas agora eu sei. O homem a minha frente se chama Noah Kuttler e ele é o pai de Felicity.
— É uma pena que o momento não seja bom Oliver. Em breve você irá dormir e talvez nunca mais abra os olhos. É uma pena que Jeremy vá perder o pai, ele acabou de descobrir que tem um. É uma pena que minha filha vai perder o homem que ama. Mas Felicity é tão forte, ela aprendeu a viver sem um pai, tenho certeza que vai aprender a viver sem você.
As palavras de Noah me tiraram do ar completamente, eu ainda estava digerindo tudo que havia acontecido quando um sono repentino tomou todas as minhas ações e me fez cair no chão. Logo a escuridão tomou conta de tudo.
AGORA.
Ele é o pai de Felicity. Noah Kuttler o cara que ela quer vingança é o seu próprio pai que a abandonou quando ainda era uma criança. Como ele conseguiu fazer isso? E agora eu não posso contar isso para Felicity, porque estou dentro de uma caixa, enterrado em uma cova no meio do nada, sem salvação.
Eu vou morrer aqui.
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