Wonderwall.
2 Saia justa.
Notas iniciais
Em uma semana tudo havia piorado. Oliver se tornou um chiclete no meu sapato com suas cantadas deprimentes e o seu charme que me fazia esquecer o quanto as cantadas eram ruins. Eu passei os últimos dias me escondendo dele, literalmente. Mas às vezes eu acho que o treinamento que Robert deu ao filho é melhor do que o que eu recebi da força tarefa do FBI, porque ele sempre acaba me encontrando. Ainda bem que eu tenho algo a meu favor.
Oliver não sabe diferenciar uma placa de vídeo da placa mãe, muito menos invadir alguma câmera de vigilância, então eu uso a tecnologia a meu favor, e dessa forma consigo escapar de suas investidas. Eu realmente não sei o que eu fiz para entrar no radar dele, agora Oliver parece um stalker. Pode não parecer nada de mais, mas isso pode colocar meu disfarce em risco e ele em perigo.
— Felicity.
— Capitão. — falei, com os olhos fixos no monitor do meu computador. Robert marcou uma vídeo conferência comigo e com o capitão da minha força tarefa. Essa comunicação serve para eu repassar relatórios das últimas semanas.
— Isso já é padrão, Felicity. Você sabe o que deve fazer. — assenti e liguei o segundo monitor. O rosto de Robert Queen apareceu.
— Sargento. — falei, fazendo sinal de continência, Robert retribuiu educadamente. Passou a mão pela farda verde cheia de medalhas e sentou-se.
— Senhorita Smoak, é sempre bom vê-la. — começou ele. — Espero que meu filho não tenha lhe dado tantos problemas nessas últimas semanas.
Sim, claramente Oliver estava me dando trabalho, como nunca. Antes eu tinha que lidar com as noites de bebedeira dele e seus amigos, agora eu tenho que lidar com ele dando em cima de mim. E não sabia exatamente como falar aquilo a Robert. Meu capitão deu um pigarreio, eu já tinha contado a ele tudo que estava acontecendo, e contava com a ajuda dele.
— Algum problema, Capitão Diggle? — questionou Robert. Estávamos os três na mesma linha, era sempre assim, eu repassava aos dois tudo que Oliver tinha feito durante a semana e se algo fora de séria tinha acontecido.
— Na verdade, seu filho anda jogando charme para cima da minha agente, o que está tornando tudo mais difícil para ela. — respondeu o capitão.
A esse ponto da conversa eu estava vermelha como um pimentão. Os dois me encaravam como se eu tivesse feito algo errado, o que com certeza não tinha acontecido. Eu sempre me esforcei bastante para esse trabalho dar certo, é a minha primeira missão em campo e com civis, tudo precisa ocorrer perfeitamente. Mas um pequeno deslize pode mudar tudo.
— Não entendo. — iniciou Robert, franzindo o cenho. — Snrt. Smoak sempre trabalhou com cautela, fora do radar de Oliver. Como isso aconteceu? — ele me encarou com uma expressão rígida no rosto, esperando uma resposta esclarecedora minha. Engoli em seco.
— Foi uma única vez. Ele estava desembarcando do carro e acabou me achando. Mas eu não pensei que algo fosse acontecer. Seu filho sempre manteve um padrão de mulheres, sempre as mais bonitas e francamente, esse disfarce de nerddecolegial que mais parece uma velha de 60 anos é ridículo, ele nunca se interessaria por mim. A não ser que tudo seja base de uma aposta. — expliquei.
— Você investigou? — perguntou-me o capitão.
— Sim. — ele arqueou as sobrancelhas. — Negativo. Não existe aposta.
— Um desafio. — supôs Robert. — Você é um desafio para o meu filho. É uma garota bonita, mas que não sabe se arrumar, Oliver notou isso em você.
— O que isso quer dizer? — perguntei, cruzando meus braços.
— Quer dizer que você é um alvo, Felicity. — responde Robert. — E para Oliver, você é um alvo fácil. A garota inocente que sonha com o príncipe em um cavalo branco, que ainda acredita no amor mais puro.
— Isso não é verdade. Nunca acreditei em príncipe em um cavalo branco. — disparei.
— Talvez devêssemos abortar essa missão. Tirar Felicity da faculdade e colocar alguém no lugar dela. — sugeriu o capitão.
Pronto, eu estava ferrada! Tudo tinha ido por água abaixo. Eu fracassei na minha primeira missão. Tudo por causa do filho mimado de Robert. Maldito Queen!
— Não. — disse Robert. — Senhorita Smoak vai continuar na faculdade. A única coisa que vai mudar é que ela ficará mais perto do meu filho.
— Como assim? — questionei.
— Aproxime-se do meu filho. Faça meu filho se apaixonar por você, e depois tenha um relacionamento com ele. Nada sério. Pode ser uma amizade, ou um namorinho besta de faculdade. — senti um nó borbulhar na minha garganta, o que logo transformou-se em uma risada descontrolada. Robert e o capitão me encaravam sérios. — Algum problema?
— Vários. — respondi. — Seu filho nunca se apaixonaria por mim. Olha minhas roupas? Esses óculos grossos, pareço uma velha gagá. Não faço o tipo dele. É além do mais, ele nunca namoraria alguém, está visível que seu filho apenas quer se divertir com as mulheres, nada de relacionamentos sérios. Sem mencionar no quanto essa sua proposta é absurda.
— Não é tão absurda assim, Senhorita Smoak. Quando escolhi você para essa missão, você sabia o quanto estava colocando em jogo. E você é uma mulher bonita, já lhe vi com roupas bem melhores. Mude seu disfarce. — sugeriu Robert. — Troque essas roupas por algo mais atraente. Assim, você ficará mais próxima dele e não vai levantar suspeitas, seu disfarce vai continuar intacto.
— Sargento! — rosnou o capitão Diggle. — Minha agente precisa de um tempo para pensar. — olhei atônita para John e ao mesmo tempo agradecida. Sim, eu precisava de tempo, talvez o dia inteiro ou a eternidade para pensar naquela proposta maluca.
— Tudo bem. — aceitou Robert. — Pense com carinho, Senhorita Smoak. Eu adoraria tê-la como nora. — senti minhas bochechas ruborizarem com o comentário de Robert. — Você é muito esforçada nesse trabalho, e eu a admiro por isso. — assenti com a cabeça. — Preciso ir agora. — Robert encerrou a chamada de vídeo. Ficou apenas o capitão Diggle e eu, me sentia numa tremenda saia justa, na verdade apertadíssima.
— John, isso é loucura. — reclamei. John e eu erámos amigos acima de tudo, então com certeza ele entenderia o meu lado da história. — Uma loucura insana.
— Eu sei. Mas Robert não deixa de estar certo, você ficará mais perto de Oliver, sem levantar suspeitas.
— Mas...
— Felicity, eu sei que é uma missão delicada. Mas o seu futuro está em jogo. — John estava jogando sujo, usando meu futuro como argumento. Eu sabia que a missão era tão importante para ele quanto para mim, é claro que ele usaria seus métodos para me fazer embarcar naquele navio, eu só espero que ele não afunde. — Pense a respeito.
Então ele encerrou a chamada. Deixei o peso de o meu corpo cair sobre a cadeira. Eu não tinha opções a não ser aceitar a sugestão de Robert, senão meu futuro seria totalmente incerto. Não podia jogar tudo pro alto depois de tudo que eu fiz, depois desses dois anos que estive como “babá” de Oliver. Não tinha nadado tanto para morrer na praia.
...
Eu tenho um apartamento perto da faculdade, bancado pelo FBI durante todo o tempo que eu precisar ficar na universidade. Oliver é imprevisível, o capitão me falou tudo a respeito dele, disse que a qualquer momento ele pode jogar tudo para o alto, desistir da faculdade e tentar novas coisas, então, caso isso aconteça, eu estarei livre do Queen, outro agente entra no meu lugar.
Oliver já teve diversas "babás", há um tempo tinha conhecimento dos seus guarda costas, e sempre dava um jeito de escapar, o que deixava os seguranças em maus lençóis, e eles sempre levavam a pior. Depois de uma discussão com Robert, Oliver exigiu que o pai parrasse de colocar seus pastores alemães no seu encalço, Robert aceitou e demitiu o segurança na frente do filho, mas deu um jeitinho de colocar Oliver sobre vigia sem que ele percebesse, quando o mesmo resolveu ir para a faculdade, o Sargento do exército americano pediu que o diretor da cia colocasse alguém infiltrado na faculdade para garantir a proteção do seu filho mais velho, eu era a única que se encaixava, jovem, inteligente e que nunca levantaria suspeitas.
Divido apartamento com um gato, o chamo de Mogus. Encontrei-o em uma lata de lixo, era pequeno ainda e muito magro. Cuidei dele e agora, Mogus é a minha relação mais duradoura com um homem, não que ele seja um homem e aja como um, mas ele é um machinho e nós desenvolvemos uma relação bastante respeitosa.
Faz 7 meses que o encontrei. Eu sempre tive uma vida amorosa desastrosa, e a culpa sempre foi minha e do meu trabalho. A verdade é que eu me dedico muito nele, sempre foco apenas no trabalho, minha vida pessoal acaba ficando em segundo plano. Devido isso, eu já levei muito pé na bunda, então parei de tentar. Talvez quando minha vida estiver normal, eu tente novamente.
Meu último relacionamento foi com Ray Palmer, apesar de ter o ego lá em cima, ele era um cara legal, gostava das mesmas coisas que gosto, era bonito e simpático. Mas não conseguiu me dividir com a minha vida profissional, durou seis meses a coisa que tivemos.
Entro no meu apartamento e tiro meus sapatos, chuto-os para qualquer canto. Mogus aparece de trás do meu estante e começa a se esfregar nas minhas pernas. Com certeza, está com fome, ele passa o dia inteiro comendo. Acho que ele gosta mais da comida do que de mim. Dirijo-me para a cozinha e coloco ração na vasilha dele. Na minha geladeira tem um vinho ruim e amargo, mas é tudo que eu preciso agora. Sirvo um pouco em uma taça e vou para a sala, me jogo no sofá. Não tem outra forma ou outra saída, vou ter de aceitar a proposta do Sargento Robert. Terei que me aproximar de Oliver, fazê-lo se apaixonar por mim.
Isso é tão irônico, Oliver nem faz o meu tipo, okay, ele é muito bonito, mas é muito arrogante, ele se acha o centro das atenções, é o típico playboy da faculdade que adora ter os holofotes virados em sua direção. É petulante e nem é tão inteligente, eu já vi as notas dele, só continua na faculdade por que Robert meche seus pauzinhos.
Escuto o toque do meu celular, olho ao redor em busca da minha bolsa, está na ilha da cozinha, levanto-me e corro até a bolsa, abro com pressa e pego o celular, número desconhecido.
— Alô. — atendo, sem pestanejar.
— Loirinha. — reviro meus olhos, apenas uma pessoa me chama assim, Oliver Queen, o cara que devo fazer se apaixonar por mim. Ele começou com esse apelido desde aquele dia na biblioteca, eu não gosto nem um pouco.
— Já disse que tenho um nome. — digo irritada. — E como conseguiu meu telefone?
— Foi fácil. — disse ele, eu não estava o vendo, mas tinha certeza que estava sorrindo e isso me irritou ainda mais.
— Como?
— Ana, a outra bibliotecária. — respondeu ele.
— Ana não faria isso. — comento. — Como você fez Ana passar meu número para você?
— Até tentei jogar um charme para conseguir, mas igual você, ela é imune a mim, então tive que armar outra estratégia. — ele dizia, como se fosse uma grande vitória. — Percebi que Ana tinha uma agenda, certamente lá tinha seu número também. Armei uma distração e peguei a agenda. Voilà.
— Não diga: Voilá.
Retorci minha face em uma carranca. Oliver tinha mais um defeito, era invasivo. Mas também não era tão burro quanto eu pensei.
— O que quer de mim? — perguntei. Deixei meu corpo cair no sofá a espera da resposta de Oliver.
— Quero que saia comigo. Em um encontro.
Ponderei. A conversa que tive com Robert e o Capitão Diggle mais cedo, me veio a cabeça. E eu não tinha outra saída. Se tinha que fazer Oliver se apaixonar por mim, seu convite era uma oportunidade. Portando eu devia aproveitar, mas não seria tão fácil.
— Se eu aceitar seu convite, vai parar de encher o meu saco? — escutei o sorriso de Oliver. Não sei por que, mas o som da sua risada era agradável.
— Não sei. Vou pensar. — respondeu. — Você vai aceitar ou não?
— Não sei, vou pensar. — respondi e desliguei.
Eu não fazia a mínima ideia de como faria Oliver se apaixonar por mim. Robert é um louco. Mas eu teria de tentar, ou minha primeira missão seria um fiasco e meu futuro estaria comprometido.
+++
O restante do meu dia foi um saco total, eu só conseguia pensar em uma coisa: Como faria o Queen se apaixonar por mim. Tentei de certa forma colocar meus pontos fortes e fracos em uma balança imaginária e contar os pontos que tinha a meu favor, mas apenas me confundi mais. Oliver sempre teve um tipo padrão, ele praticamente pegou metade das garotas da faculdade, mas apenas aquelas esbeltas que parecem modelos, e aquelas gostosas de desfiles de escola de samba do Brasil, eu não estava em nenhuma dessas classificações.
Eu sou uma mulher bonita, tenho curvas, mas me escondo em camadas de roupas, tudo para manter o meu disfarce. Sou muito inteligente, sem modéstia, sou mesmo uma pessoa inteligente, tenho vários prêmios de tecnologias. Não me pareço com as garotas da irmandade. Sou tagarela e atrapalhada, homens não gostam disso, Cooper — um antigo relacionamento meu — dizia que não era nada sexy falar pelos cotovelos e que minha mania atrapalhada o irritava, não que isso me afete. Mamãe disse que eu tenho um jeito único e que encontrarei alguém que goste, talvez seja Oliver, ou estou apenas me iludindo.
Argh! Estou numa sinuca de bico. Completamente ferrada.
Quando enfim encostei minha cabeça no travesseiro, consegui colocar o problema em segundo lugar e dormir.
...
Acordei com o sol adentrando pela janela do meu quarto, o dia estava bonito. Mogus pulou na minha cama e começou a miar pedindo cafuné, fiz um carinho na cabeça dele e depois pulei da cama e fui para o banheiro. Me arrumei com pressa. Tomaria café na cafeteria de Gertrudes que fica no caminho para a faculdade. Despedi-me de Mogus e Fechei a porta.
O FBI me disponibilizou um carro também, para eu me locomover facilmente por Nova York, é um sedan cobalt preto, com pintura fosca de tão velho que é. Mas nunca me deixou na mão. Embarco no carango velho e sigo para a cafeteria. Minha mesa de sempre está vaga, eu me sento. Logo Scott, um garoto magro e alto vem me atender. Ele usa um avental vinho sobre a camisa social e o jeans surrado. Segura um bloco de notas e uma caneta.
— O mesmo de sempre, Felicity? — eu dou um sorriso agradável e concordo com a cabeça. — Tudo bem, já já eu trago.
A cafeteria da Gertrudes é um lugar bem agradável e o melhor, poucos alunos da universidade frequentam o local, apenas os com estilo mais clássicos que adoram ler enquanto tomam um delicioso café. Eu frequento aqui desde que meu trabalho passou ser trabalhar como protetora do Queen, e nunca encontrei lugar que faça um croissant melhor do que o daqui.
Minha mochila começa tremer e eu a abro, procuro meu celular. O visor pisca com a chegada de uma nova mensagem. Abro imediatamente.
*Então, você já pensou?
............. Adam C.
*Pensei no que?
Respondo, sei que minha resposta vai afetar Oliver, mas não me importo.
* Penso em você todos os dias. Preciso de uma resposta.
A mensagem e a forma direta que Oliver falou me pegam totalmente de surpresa. Então eu respondo rápido.
*Por quê? Por acaso se a minha resposta for um não, você já terá um novo alvo?
Provoco.
— Aqui está, o de sempre. — Scott coloca um prato com o meu croissant de presunto e queijo e a xícara fumegante de café sobre minha mesa. O cheiro está divino.
— Obrigada, Scott. — ele faz uma breve reverência e se retira. Checo meu celular, sem resposta de Oliver. Guardo o aparelho na mochila e foco no meu café.
Retiro 20 pratas do bolso e coloco sob o prato em cima da mesa. Tomo o último gole do meu café e levanto-me. Saio da cafeteria.
O capitão Diggle precisa da minha resposta ainda hoje, o mais cedo possível, para relatar a Robert. Entro na biblioteca e vou direto para o meu esconderijo. Inicio a chamada e o monitor me liga ao capitão, ele está sério. Coloca as mãos sobre a mesa do seu escritório e respira.
— Então, Felicity, creio que já tenha uma resposta.
— Sim.
— E qual é? — questiona ele.
Nossos futuros em jogo e uma única resposta.
— Vou fazer o possível para que Oliver Queen se apaixone por mim.
— Ótimo. Tenho certeza que você não vai falhar. — ao contrário de John, eu tinha minhas dúvidas. — Mas lembre-se, mantenha o foco. Oliver deve se apaixonar por você e não você por ele. Caso isso aconteça, estará colocando sua missão em risco e sabe quanto isso afetará seu futuro.
— Sim, senhor. — respondi. — Manterei o foco na minha missão aqui. Sempre sem distrações.
— Boa sorte, Felicity.
— Obrigada. Vou precisar. — sussurrei a última parte.
— Vou falar sobre sua decisão com Robert Queen. Preciso que me mantenha a par de tudo.
— Okay.
— Tenha um bom dia, Felicity.
Ele encerrou a chamada e eu respirei. Como poderia ter um bom dia, depois que declarei que faria de tudo para que Oliver se apaixonasse por mim. Estou me sentindo no filme uma missão impossível agora, pois tenho certeza que fazer Oliver ter sentimentos por alguém é impossível.
Saio da base e me encaminho até o balcão da biblioteca. Ana está de costas, mexendo no celular, hoje até a forma que ela mastiga chiclete está me irritando. Dou um pigarreio e Ana dá um salto, me olha assustada.
— Por que deu o meu numero para Adam Cooper? — questiono.
— Quem? — respiro fundo, mantendo a calma. — Você está brava. — afirmou ela, dando um passo para trás. Dei um para frente.
— A culpa não é dela. — Tanto meu olhar quanto o de Ana se direcionam para o mesmo lugar. É Oliver, e sua posse arrogante e bela. Odeio admitir, mas ele é quente demais. — Como já te expliquei, eu dei uma olhada na agenda dela e ela nem percebeu.
— O que está fazendo aqui? — pergunto. Oliver caminha na minha direção, em poucos segundos o cheiro do seu perfume invade o local. É um cheiro bom, e novo. — Não invada meu espaço. — espalmo minha mão em seu peito. — É tão sólido.
Oliver olha para minha mão e um sorrisinho sedutor aparece em seus lábios. Olho para o lado e Ana já deu um jeito de fugir. Encaro Oliver novamente. Ele se curva, sua boca perto do meu ouvido me provocam reações esquisitas.
— Posso garantir que tem outras partes bem sólidas em mim. — engulo em seco.
— Ah por favor, não me venha com esse seu charme fajuto. Como você mesmo disse, eu sou imune, não vai funcionar. — afirmei convicta. Dou a volta no balcão e olho para ele. — Deseja alguma coisa? Sendo mais exata... um livro?
— Não. Apenas quero uma resposta sua. Vai aceitar ou não o meu convite? — suspiro
— Sim. Eu aceito. — Oliver sorri triunfante.
— Sexta feira, às vinte horas, eu passo na sua casa. — diz. — Não precisa passar o endereço.
— E como você sabe onde eu moro?
Eu sabia onde Oliver morava, era perto do meu apartamento, virando a esquina, por causa do trabalho eu devia ficar por perto, não bastava o vigiar apenas por câmeras, eu precisava estar perto o bastante caso algo acontecesse. Mas o fato de ele saber onde eu morava, me tornava uma profissional horrível.
— Sou um bom investigador. — ele sorri, encantador e presunçoso. — E respondendo sua mensagem anterior, não tenho nenhum outro alvo. — então ele me dá as costas e sai.
Droga! Falta apenas dois dias para sexta-feira. E eu não sei o que estou fazendo.
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