Wonderwall.

17 O ex namorado.


Notas iniciais
Oi Gente... Desculpem a demora, já falei que estou sem tempo para escrever, então não vou tomar o tempo de vocês explicando minha demora. Enfim, o cap está aqui e é grande, então, acho que recompensei a demora. E esse cap é dedicado a duas leitoras maravilhosas que tiraram um tempinho para recomendar Wonderwall, Liane e Bruna, vocês me arrasaram e eu ameei, merecem esse cap. Espero que gostem. Agora, podem ler.

Levantar da cama de manhã tinha se tornado uma função difícil depois que passei a ter os braços de Oliver me rodeando, eles me fazem pensar em um lugar distante e de cheiro agradável, um lugar que é só meu, um refúgio que gosto de me esconder de todos os problemas. De certa forma, os braços quentes e confortáveis dele me faziam esquecer tudo, inclusive o fato do nosso romance parecer uma pista longa e cheia de obstáculos.

O último foi Thea, e realmente pensei que não conseguiria passar por ele, mas acabou sendo mais fácil do que eu imaginei, porém, não estou tranquila ou segura de que Thea não vai contar a verdade ao irmão, ela pode se arrepender e mudar de ideia. Minha nossa senhora, é melhor eu nem pensar nisso.

Na verdade preciso me preocupar nas poucas horas que me separam de outro obstáculo, esse pode ser bem pior do que a irmã caçula de Oliver, pois eu não faço ideia de como Ray vai reagir ao me encontrar novamente depois do pé na bunda que lhe dei. Não sei se ele faz o tipo vingativo ou que lida bem com o fim de um relacionamento.

— O despertador já tocou faz cinco minutos, o que aconteceu? — questionou Oliver, beijando meus cabelos. — No que está pensando?

— Nada, eu só não quero sair daqui. — choraminguei, me virando para ele. — Odeio ter que me afastar dos seus braços, eles são tão quentinhos e aconchegantes. — Oliver sorriu encantado com o que eu tinha dito e me apertou ainda mais forte deixando um beijo na minha testa.

— Você não precisa se afastar. — eu gemi e afundei o rosto em seu peito largo.

— Sim, eu preciso. — reclamei. — Hoje é a palestra de Ray Palmer se eu não aparecer naquela universidade à diretora vai querer arrancar meu fígado.

E também tinha uma reunião marcada com Diggle e Robert na base da biblioteca, definitivamente eu precisava me mexer, tirar coragem não sei de aonde e me levantar daquela cama.

— Eu vou tomar banho. — falei.

— Não. — disse agarrando minha cintura com força. Oliver dissipava toda minha coragem repentina, eu caí em cima dele bufando.

— Preciso ir, não torne tudo mais difícil para mim. — ele apenas sorriu e começou a beijar meu pescoço, tornando tudo mil vezes mais difícil.

Era difícil pensar quando seus lábios deslizavam sobre minha pele e suas mãos me agarravam com pose. Com muito esforço eu consegui me livrar dos braços de Oliver e me sentar na cama, enquanto ele fazia cócegas na minha barriga com os dedos do pé.

— A gente pode se atrasar um pouquinho. — tentou me persuadir, dando um de seus sorrisinhos maliciosos.

— Não hoje. — resisti bravamente.

Me levantei e segui para o banheiro. Tirei a camisa com o cheiro de Oliver, a calcinha e soltei meus cabelos, depois me enfiei em baixo da água gelada para tirar do meu corpo qualquer resquício de vontade de voltar para aquela cama.

Tudo que eu queria era ficar trancada no meu apartamento, com Oliver e Mogus, talvez assistindo um programa chato na tevê ou jogando strip-poquer como na noite passada. Faria qualquer coisa que deixasse nós dois longe da universidade. Mas eu realmente precisa rever Ray, colocar um ponto final definitivo.

Depois que sai do banheiro encontrei Oliver arrumado, ele disse que tinha ido ao apartamento dele e no caminho entre a portaria e o elevador o porteiro do meu prédio entregou alguns envelopes endereçados a mim, deixei sobre a cama e comecei a me vestir.

Vesti um vestido preto liso que descia até os joelhos e coloquei um casaquinho branco com pequenos corações pretos por toda a estampa. Deixei meus cabelos soltos e passei um batom vermelho sobre os lábios. Gostei da minha aparência e Oliver parecia um louco. Tive que tomar cuidado para ele não amassar todo o vestido.

Depois que consegui manter uma distância razoável do meu corpo das mãos dele eu me sentei na cama e comecei checar os envelopes, a maioria era conta, mas um deles, o dourado era especial.

— O casamento de Diggle e Lyla, finalmente! — exclamei.

— Quem é Diggle e quem é Lyla? — indagou Oliver.

— São amigos. — respondi. — Eles vão se casar no mês que vem.

— Amigos? — ele se jogou ao meu lado e tomou o envelope das minhas mãos. — Você nunca comentou nada sobre eles.

Bom, tinha um motivo para eu nunca mencionar Diggle e Lyla para Oliver: John Diggle é meu chefe e comanda o FBI de Nova Iorque, o nome dele já esteve presente em algumas reportagens sobre missões bem sucedidas do fbi há tempos atrás, até ele mesmo proibir, portanto, corria o risco de Oliver o reconhecer e me confrontar sobre como eu era amiga íntima de um agente do fbi.

— Ele é um grande amigo da minha mãe, e me ajudou bastante quando mudei para Nova Iorque. Acho que eu nunca comentei sobre ele por fazer um tempo enorme que não o vejo. — menti, sondando os olhos de Oliver, ele não demonstrou nada.

— Mas mesmo assim ele lhe mandou um convite.

— É, talvez seja por educação.

— Talvez seja. — concordou Oliver, analisando o convite. — Você vai ir?

— Ainda não sei.

— Mesmo assim vou arrumar um smoking para mim.

— Como assim?

— Vou ser seu acompanhante, preciso estar à altura.

— Acompanhante? — estreitei os olhos, Oliver sorriu assentindo com a cabeça.

— Sim, sou seu namorado. É claro que você vai me levar como seu acompanhante. Não é mesmo?

Não tinha certeza de que seria boa ideia levar Oliver como meu acompanhante, Afinal, John é meu chefe, e já saiu no jornal há um tempo. Oliver não é burro, mas acredito que ele nunca leu o jornal. E também, meus colegas de trabalho vão estar lá, claramente vai ser difícil esconder de Oliver quem realmente sou se ele me acompanhar a esse casamento.

— Você não quer que eu seja o seu acompanhante?

— É claro que quero. É que não tenho certeza se vou a esse casamento.

— Seria uma falta de educação. Ele é amigo da sua mãe e como você disse te ajudou em um tempo difícil. — argumentou. — Quando eu cheguei à Nova Iorque tudo era novo para mim, foi um pouco difícil me habituar.

Oliver não tinha nem vergonha de estar mentindo para mim, eu estive no encalço dele por muito tempo, desde o inicio, e sei muito bem que no seu segundo dia na cidade ele estava na cama de uma Nova Iorquina com seios fartos e bunda grande.

— Foi difícil para você? — apontei o dedo para o peito dele. — Logo para você?

— Um pouco. — eu dei uma gargalhada de puro sarcasmo. — Na verdade nem tanto assim.

— Você entrou na faculdade e logo ganhou o título do maior molhador de calcinhas do campus, e isso em menos de uma semana.

— Então você me observa desde que botei o pé no campus?

Ele deu um sorrisinho daqueles que molha a calcinha de qualquer mulher e seus olhos desceram por meu corpo, fazendo um calor insuportável subir pela minha barriga. Fechei os olhos e suspirei.

Sim, eu o observava desde que colocou os pés em Nova Iorque, isso faz parte do meu trabalho secreto e eu só fazia porque era trabalho mesmo, pois no inicio eu achava Oliver um cretino. Mas ele não precisa saber disso.

— Olha só, eu vou pensar direitinho sobre ir a esse casamento. Mas não agora. — mudei de assunto. — Temos que ir, não quero chegar atrasada. — peguei minha mochila e segui para fora do quarto, Oliver veio logo atrás de mim.

[...]

Depois que saímos do meu apartamento, Oliver insistiu em dar uma passadinha na cafeteria da Rose, onde tudo era maravilhoso. Nos aconchegamos em uma mesa e Rose caminhou até nós com uma bandeja em mãos, ela sorriu ao chegar perto da mesa.

— Estava me perguntando se haviam se esquecido de mim. — disse fazendo uma cara tristonha. — É sempre bom ver vocês.

— Jamais. Seus croissants são os melhores que já comi. Não é mesmo, Felicity?

— Sim, tudo aqui é delicioso. — afirmei assentindo com a cabeça. Rose sorriu com as bochechas coradas.

— É tudo feito com carinho. Como se fosse feito para meus netos. — disse ela. — Então, vocês estão definitivamente juntos? — questionou correndo olhar de mim para Oliver.

— Sim. Definitivamente. — respondeu Oliver, segurando minha mão, sustentando um sorriso besta nos lábios. — Só não estamos morando juntos porque ela não quer. — continuou. — Mas estou empenhado em mudar isso.

Rose pareceu encantada com a cena que Oliver fazia, e eu também estava. Ele levou minha mão até os lábios e beijou, eu me derreti toda com aquele gesto carinhoso dele e sorri como uma boba.

— Fico muito feliz por vocês. Formam um casal tão bonito. — apontou Rose. — E estava na hora do Adam parar de ser aquele canalha.

Eu sorri e concordei com a cabeça. Oliver olhou para Rose como se ela tivesse o ofendido.

— Não me olhe assim, Adam, você era um babaca.

— Talvez um pouco. Mas agora eu estou com Felicity, e se isso aconteceu eu tenho que agradecer você. — Oliver levantou-se e abraçou a mulher pequena, envolvendo os braços ao seu redor. — Por fazer os melhores croissants dessa cidade. — acrescentou dando um beijo demorado na bochecha de Rose.

Me peguei olhando para aquela cena fofa na minha frente com o canto das minhas bochechas doendo por causa do sorriso enorme que tinha nos lábios. E entendi porque estava tão apaixonada por Oliver, às vezes ele é tão surpreendente que me faz esquecer que ele já foi um grande cretino como Rose mencionou. Com pequenos gestos e toda sua insistência ele arrematou meu coração e agora eu estou tão ferrada e feliz. Minha nossa, como eu estou feliz.

Ele a soltou e, eu tive vontade de me jogar nos braços dele e pedir para que me levasse a um lugar onde só existisse nós dois.

— E então, o que vão querer? — perguntou Rose, passando a mão pelos fios de cabelos que tinham caído do coque por causa do abraço de Oliver.

— Dois cafés e dois croissants. E um pedaço do meu cheesecake favorito para a gente dividir. — Oliver respondeu. Rose anotou os pedidos e se afastou dizendo que logo voltaria.

— Ela é uma graça. — comentei olhando para Rose. Incrível como ela é tão alegre e disposta, apesar da idade. — Há quanto tempo vocês se conhecem?

— Dois anos, eu acho. — respondeu. — Rose sempre me tratou como um neto, desde o dia que entrei nesse lugar. Acho que é por isso que gosto tanto daqui. E também, foi esse lugar que me deu mais uma chance com você.

Oliver beijou minha mão novamente e eu sorri lembrando-me daquela aposta estúpida que acabou nos juntando.

[...]

Depois que tomamos café da manhã — e fomos paparicados por Rose até prometermos que não demoraríamos tanto tempo para voltar à cafeteria — seguimos para a universidade. Oliver me levou até a biblioteca e depois partiu para as aulas dele. Ana já havia chegado e estava arrumando uma pilha de livros na estante, fui ajudá-la.

— Então você e Marcus voltaram mesmo?

— Sim. — afirmou com os olhos brilhando. — Eu gosto dele de verdade. Sei que ele é um babaca na maior parte do tempo. Mas eu gosto das idiotices dele.

— Eu sabia que uma hora ou outra vocês voltariam. Ainda mais depois daquele papinho sobre vocês serem apenas amigos. — ela sorriu e andou até o balcão.

— A gente se gosta. É isso que importa não é? — refleti, Ana tinha razão, o sentimento reciproco dos dois era o que importava.

— Você tem razão.

— Sempre tenho. — disse piscando. —Você já pensou no que vai fazer com esses cartazes? — indagou apontando para um canto do balcão onde estava os cartazes.

— Ai meu Deus, eu tinha até me esquecido.

— Eu posso arrumar isso com, — ela pegou um canetão no porta canetas e abriu um dos cartazes, rabiscou algo e então levantou para eu ver. — ...isso

Ela tinha rabiscado a letra R no lugar de G, mas qualquer um podia ver que estava escrito Gay Palmer embaixo daquele rabisco tosco.

— É uma péssima ideia, Ana.

— É a melhor até agora. — suspirei olhando para aqueles cartazes.

Pensaria naquilo mais tarde, pois já estava quase no horário da reunião com Robert e Diggle.

[...]

Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário

Esperei um momento de distração de Ana para me direcionar para os fundos da biblioteca, ela estava falando com um grupo de estudantes, peguei alguns livros e andei para trás das estantes. Entrei na base e como de costume conectei a chamada de vídeo com o comandante John Diggle e o General. Ambos apareceram no mesmo instante, cada um em uma tela plana.

— Bom dia, senhorita Smoak. Como você está? — Robert foi o primeiro a me cumprimentar. Ajeitei minha postura e respondi:

— Bom dia General. Eu estou bem. — então olhando para a outra tela eu abri um pequeno sorriso. — Bom dia comandante.

Diggle escondeu um sorriso por trás daquela máscara que ele usava no trabalho, mexeu sutilmente na gravata e me cumprimentou.

— Bom Dia, agente especial Smoak.

Ah eu tinha esquecido totalmente meu posto e só então eu lembrei o peso que aquele título tinha. Eu sou uma agente especial e estou infiltrada em uma universidade para garantir a proteção do filho do General do exército americano. Incrível como os últimos dias me fez esquecer isso. E viver apenas como Felicity Smoak, namorada de Adam Cooper/ Oliver Queen.

— Qual o resumo dos últimos dias? Algo suspeito? — indagou Robert.

— Está tudo normal, como sempre. Nada suspeito.

— E como foi à visita de Moira e Thea?

— Foi uma visita tranquila. — mordi o lábio inferior. — As duas são encantadoras.

Não queria que Robert e Diggle ficassem sabendo sobre o que aconteceu de verdade nessa visita da mãe e irmã de Oliver, dessa vez Diggle moveria céu e terra para me tirar da missão e Robert com certeza ia concordar que estava na hora de me retirar de perto do filho dele e não comprometer a missão.

— Moira falou sobre você. — comentou. — Ela está encantada pela namorada do filho. Disse que você é uma pessoa incrível, e eu concordo com ela. — continuou. — Bom trabalho.

— Obrigada General. — agradeci olhando para meus pés.

— Eu preciso ir agora. Reunião encerrada. — então ele desligou sua transmissão.

— Você não está bem com tudo isso, não é? — ergui o rosto, e fitei os olhos de Diggle, agora quem estava ali era um amigo e não o meu chefe. — Eu te conheço o bastante para saber que você está se sentindo mal por mentir para tanta gente.

— Você tem razão, eu odeio mentir para Oliver, para a mãe e irmã dele. Mas não é minha culpa, Diggle.

— Eu sei. — ele disse. — É minha por ter permitido que chegasse a esse ponto.

— Não Diggle. Não é sua. Esse é o nosso trabalho. — ele sorriu e balançou a cabeça concordando.

— Você gosta mesmo dele, não é?

— Muito. — respondi. — E é por isso que não aceito sair dessa missão.

— Eu sei disso.

Um silêncio tomou conta da base, eu queria, desesperadamente mudar de assunto. Conheço Diggle e sabia que ele estava refletindo demais sobre aquilo. Olhei para a tela com o rosto dele e esbocei meu melhor sorriso, para mostrar que ainda estava no controle.

— Recebi o convite do seu casamento. — falei. — Estou tão feliz por você e Lyla.

— Eu também. — ele abriu um sorriso cheio de dentes. — Vai ser uma cerimônia bem íntima.

— Se é uma cerimônia íntima. — fiz uma pausa e encarei Diggle, a esse ponto ele já tinha deduzido tudo. — Posso levar um acompanhante?

— Não sei se é sensato levar Oliver Queen como seu acompanhante.

— Sensato não é. — afirmei. — Mas eu quero que ele vá comigo.

— Eu não sei Felicity, você sabe que pode ser arriscado.

— Por favor, Diggle. — ele suspirou.

— Tudo bem, Felicity. É uma cerimônia só para amigos e ninguém vai falar sobre o trabalho. Mas mesmo assim, tome cuidado.

— Okay. Prometo que vai dar tudo certo. — Dig assentiu rapidamente.

— Reunião encerrada. — eu sorri e desliguei a transmissão.

Tenho que contar as boas novas para Oliver.

[...]

Tinha voltado ao trabalho depois da reunião. Ana estava rabiscando os cartazes, colocando o R no lugar dos G. Deixei esse assunto de lado e resolvi focar nos livros que estavam com datas de entrega atrasados.

— Esses cartazes devem estar dando trabalho. — ergui o rosto e meus olhos estudaram o homem parado a minha frente. Ele parecia mais alto e encorpado. Os cabelos continuavam iguais e o sorriso ainda era capaz de arrancar suspiros, não os meus, mas os de Ana sim.

— Minha nossa, ele é ainda mais bonito ao vivo. — sussurrou Ana. Lancei um olhar ácido para ela que logo se recompôs. — Foi um erro da gráfica. — explicou. — Não tinha tempo para fazer outros.

— Eu entendo. Mas não é preciso cartazes para divulgar minha palestra. Muita gente me conhece, principalmente estudantes na área tecnológica. — Incrível, ele não tinha mudado nada, continua o mesmo convencido de sempre. — Não é Felicity?

— Aposto que sim. — soltei exasperada, fazendo-o sorrir ainda mais.

— A reitora disse que eu encontraria você aqui. Imagina minha surpresa quando ela mencionou seu nome. — comentou. — Aliás, você não mudou nada. E continua linda. — senti um rubor nas bochechas. E Ana cutucou minhas costas.

— Ele ainda tá afim. — cochichou.

— É, obrigada. — agradeci, dando um chute na canela da Ana. — Você mudou um pouco.

— Não passou muito tempo. — apontou. — Mas eu não entendo... Por que está trabalhando em uma biblioteca? — engoli em seco e olhei para Ana que prestava atenção em tudo, cada movimento meu e de Ray.

— Ana, será que pode sair um pouco?

— Agora?

— Sim, agora! — ela fez uma careta e bufou.

— Tá, tá, tudo bem. — disse dando a volta no balcão e seguindo para a porta.

Esperei ela estar totalmente fora do meu campo de visão.

— Estou trabalhando disfarçada, Ray. — revelei. — E você aqui pode ser arriscado para o meu disfarce, por favor, fique quieto.

— Olha só... você não mudou nada mesmo, continua a mesma Felicity, focada no trabalho. — comentou e eu notei sua ironia. — O que é dessa vez? Um vendedor de drogas dentro do campus?

— Não é nada disso. — Se fosse, seria mais fácil.

— Então o que é?

— É confidencial. — falei. — Mas eu preciso que coopere.

— O que você acha que eu vou fazer? Sair por ai dizendo que você é uma agente do FBI? — continuou com ironia. — Se essa é sua preocupação, fique tranquila. Não quero problemas com o fbi.

— Melhor assim. Você conhece meu chefe, sabe o que ele fará caso atrapalhe essa missão. — Ray sorriu.

— O mesmo senso de humor. — murmurou, parecendo nostálgico. — Senti sua falta, Felicity. — declarou colocando a mão sobre meu ombro. — Como você está?

— Estou bem, e você? — menti. Nervosa, eu estava nervosa demais.

— Também estou bem. — respondeu. — Que tal sair para almoçar comigo?

— Não vai dar. Eu já tenho compromisso.

— Ah que pena. Queria conversar mais com você. — ele fitou meus olhos. — De qualquer forma é muito bom te ver.

Então seus dedos subiram pelo meu queixo, e ele me acariciou, eu não senti aquele friozinho na barriga que sentia antes. E nem quando sentia algo por Ray, não é comparado ao que sinto por Oliver.

— Felicity. — olhei sobre o ombro de Ray, e Oliver estava olhando para nós dois. Dei um pulo para longe de Ray.

— Bom, a gente se vê no anfiteatro mais tarde, eu preciso ir. — me debrucei sobre o balcão e peguei minha mochila, caminhei para longe de Ray e segurei a mão de Oliver, levando-o para fora da biblioteca. Para bem longe.

— Felicity espera. — ele apertou minha mão e me puxou. — Dá para me explicar o que estava acontecendo naquela biblioteca. Quem era aquele homem e por que ele estava te tocando?

— O nome dele é Ray Palmer, o homem que vai fazer a palestra mais tarde. — respondi enquanto tentava achar uma explicação para a parte que Ray acariciava meu rosto.

— E por que ele estava te tocando?

— Eu não sei. Ele só estava com a mão no meu rosto. Qual o problema?

— Todos. Ele estava te tocando. Merda! Ele estava com a mão no seu rosto, te tocando com carinho. Do mesmo jeito que eu faço. — rosnou. — Vocês se conhecem?

— Não, é claro que não.

— Então eu posso voltar lá e quebrar a cara dele? Depois dizer que ninguém além de mim te acaricia daquela maneira?

— O quê? Você está louco? — ele me olhou furioso. — Eu estava com um cisco no olho, ele só tentou me ajudar. Não foi nada. E você está exagerando.

Ele cobriu o rosto com as mãos e respirou fundo, depois começou a rir histericamente.

— Um cisco no olho? — assenti — Desculpa. É que fiquei louco. Ele estava tão perto de você.

— Tudo bem. — Relaxei momentaneamente. — Vamos almoçar agora?

— Sim.

E eu só queria saber como seria o restante do dia.

[...]

A palestra tinha corrido bem, os alunos tinham adorado Ray e como ele disse, com cartazes ou sem cartazes ia estar lotado, no final o anfiteatro ficou abarrotado de gente ansiosos para ter uma breve conversa com Ray. E agora, toda aquela gente está aglomerada na biblioteca.

— Você mandou bem. — cochichou Oliver, me puxando para trás de uma estante de livros, ele abraçou minha cintura. — Mas que horas isso vai acabar?

— Não tão cedo, está cheio. — ele fez uma cara de tédio. — E eu e Ana precisamos ficar até o fim.

— Droga. Eu só quero ficar sozinho com você. — murmurou afastado meu cabelo para poder beijar meu pescoço.

— Eu também quero. — falei, enquanto sorria devido às cócegas que sua barba fazia em minha pele.

— Minha nossa, isso não vai acabar nunca. — reclamou Ana, invadindo nosso espaço. — Seu ex namorado é amado por todos aqui, Felicity.

Eu congelei ao mesmo tempo em que Oliver parou de me beijar e se afastou para me olhar nos olhos.

— Ex namorado? — questionou. Eu encarei Ana que parecia arrependida de ter soltado aquilo.

— Eu vou ali e já volto. — e saiu de fininho. Olhei para Oliver novamente e o que vi foi mágoa e fúria.

— Então você o conhece? — fiquei em silêncio, abaixei o rosto, respirei fundo e ergui o queixo novamente, para poder olhar nos olhos dele. A raiva tinha aumentando. — Por que você mentiu para mim quando perguntei se vocês se conheciam?

— É que eu achei que não importasse.

— Mas importa! Ainda mais se ele é seu ex namorado.

— Faz muito tempo, Oliver.

— Não parecia quando ele estava te tocando.

— É que...

— É por isso que ele só olhava para você durante a palestra.

— Oliver, escuta

— Espera aí! — ponderou. — Ele é o cara que significou algo para você?

— Não.

— Não minta para mim, você fez isso antes. E eu odeio mentiras.

— Tudo bem. — resmunguei. — Antes ele significou algo para mim.

Oliver passou a mão pelos cabelos. — Não posso competir com ele. — e saiu andando, empurrando qualquer um que atravessasse seu caminho.

— Hãm? — ele continuou se afastando. — Espera!

Abri caminho pelas pessoas com meus braços e sai atrás de Oliver. Quando saímos da biblioteca senti a brisa fresca contra meu rosto, bagunçando meu cabelo. Oliver estava uns três passos na minha frente. Segui-o até o estacionamento, onde estava o conversível.

— Dá para você parar!

Ele girou e cravou os olhos nos meus.

— Aonde você vai?

— Não sei, mas eu preciso ficar sozinho. — então entrou no carro e saiu queimando pneus.

Peguei meu celular e abri o aplicativo de rastreamento. Segui com os olhos o pontinho vermelho que se movia na tela, ele estava indo para o bar da Nyssa.

— Droga!

— Felicity, a reitora quer falar com você. — disse Ana. Eu nem olhei para ela, passei pisando duro enquanto seus passos me seguiam. — Olha, desculpa pelo que falei. Eu pensei que o Adam sabia sobre o Ray.

— Não se elogia um ex namorado na frente do atual, Ana. — soltei. — Você devia ter ficado quieta.

Segui para o segundo andar da biblioteca, onde a reitora me esperava. Ela me agradeceu por ter feito um ótimo trabalho e então voltou a paparicar Ray. E ele, eu estava morrendo de raiva dele e sabia que não era sua culpa. Mas eu tinha vontade de quebrar seu nariz por ter atravessado meu caminho.

Aquela sessão estupida de autógrafos durou mais um tempão, pareceu uma década. E eu ficava olhando para meu celular a cada cinco minutos para checar a localização de Oliver. Quando a última garota conseguiu algumas palavras de Ray em seu livro eu agradeci.

— Graças a Deus, acabou. — resmunguei.

— O que você falou? — perguntou Ray, se levantando da sua cadeira.

— Nada, só estou feliz que acabou.

— Eu também. Não é muito legal ficar sentado numa cadeira por três horas seguidas.

— Deve ser bem ruim mesmo. Mas, agora acabou, você pode voltar para seu hotel cinco estrelas, porque eu preciso fechar a biblioteca.

— Não estou pensando em ir para o meu hotel cinco estrelas.

— Mas eu estou pensando em fechar essa biblioteca e ir para o meu apartamento. — rebati.

— Por que a gente não sai para jantar. Eu vou passar alguns dias em Nova Iorque, seria bom passar esse tempo com você.

— Não vai dá, Ray. — falei. — O que a gente teve acabou. E eu estou com um cara, gosto dele de verdade.

Ray sorriu enquanto balançava a cabeça.

— Não Felicity, a única coisa que você gosta de verdade é o seu trabalho. — disparou. — Não vai demorar muito para você dar um pé na bunda nesse cara e partir para uma missão em outro lugar.

As palavras de Ray foram como um soco na minha barriga. Será que eu o magoei tanto para ele estar dizendo isso? Será que o mesmo vai acontecer com Oliver? Sacudi a cabeça, não queria pensar nisso.

— Eu já vou. Foi bom te ver. — disse pegando sua maleta. — Vamos Marie. — sua secretária saiu atrás dele.

Meu celular tocou e no visor estava o nome de Oliver, atendi rápido.

— Oliver?

— Não. É a Nyssa.

— Ah, Oi Nyssa. Por que está com o celular do Oliver?

— Seu namorado bebeu demais e eu, como amiga dele me senti na obrigação de ligar para você.

— E ele está bem?

— Na verdade não. — fechei os olhos e suspirei. — Ele está falando que seu ex namorado é bem melhor que ele. Nunca vi Oliver assim. E o pior, ele está bêbado e quer sair dirigindo.

— Segura ele aí, não o deixa entrar naquele carro. Eu chego aí já já.

— Tá bom. — encerrei a ligação e peguei minhas coisas.

— Aonde você vai? — indagou Ana, quando passei pelo balcão.

— Adam foi para um bar e bebeu demais. Foi ele que me trouxe hoje, estou sem carro. Pode me emprestar o seu? E também, pode fechar a biblioteca sozinha?

— Bom, é o mínimo que posso fazer. — disse, jogando a chave para mim.

— Obrigada. — sai correndo até o estacionamento.

Por sorte o carro de Ana estava estacionado logo na saída. Entrei no veículo e manobrei. Não sei quantos sinais vermelhos eu desrespeitei, mas tinha chegado ao bar de Nyssa em poucos minutos. Entrei no local quase vazio e Oliver estava sentado em um banco na frente do balcão.

— Nyssa, você não sabe o quanto gosto dela. — falou com a voz embolada. — Eu não quero perdê-la para àquele riquinho de merda.

— Mas que droga, Oliver! — exclamou Nyssa. — Acha mesmo que deixa-la lá sozinha com ele e vir encher a cara vai te ajudar em alguma coisa. Você devia marcar território.

— Fui um idiota! — disse ele. — Mas e se ele pedir para voltar com ela? Felicity disse que ele significou muito quando eles estavam juntos. E que gostou de verdade dele. E se ela ainda sente algo por ele?

— Você está sendo babaca, Oliver. Um grande babaca. – disse Nyssa, olhando feio para ele.

— Que seja. — ele deu de ombros e se levantou do banco para checar algo nos bolsos da calça. — Cadê minhas chaves? — indagou.

— Estão comigo. Tirei de você na sua terceira tentativa de sair dirigindo bêbado.

— Ahh. — ele suspirou. — Você é uma chata, Nyssa.

— Você que está agindo como uma criança. — falei. Os dois olharam para mim. Andei até o balcão. — Pode me dar às chaves, Nyssa. Eu tomo conta dele.

— Ainda bem que você chegou, eu não estava mais conseguindo segurar ele aqui. — murmurou, me entregando as chaves. — Você precisa de ajuda?

— Não, eu me viro. Mas obrigada.

— Okay. Mas se ele te der muito trabalho é só me ligar. — Assenti e me virei para Oliver.

— Vamos sair daqui. — peguei o braço dele e apoiei sobre meus ombros.

— Você não está muito feliz em me ver. — disse grogue, se levantando e abraçando meus ombros para poder se segurar. — Você está brava comigo?

— Furiosa, Oliver. Furiosa!

— Droga, como eu sou um idiota. — cochichou. — Você devia ficar com ele. Ray Palmer, bonito, rico e famoso. Eu não sou nada perto dele. O cretino até escrever um livro.

— Cala boca, Oliver! — saímos do bar e eu andei até onde estava o carro de Ana. Abri a porta traseira e joguei Oliver no banco.

— Ai. — resmungou.

Guardei as chaves do conversível na minha bolsa, amanhã daria um jeito de pegá-lo. Embarquei no carro, Oliver tinha se aquietado no banco de trás. Dirigi até meu prédio, e fiz um esforço para levar Oliver até o elevador. Entrei em casa e joguei Oliver no sofá, eu estava realmente muito brava com ele e não fui nem um pouco delicada.

— Tira os sapatos. — ele estava quase dormindo, mas quando gritei, ele despertou e sem jeito tirou os tênis.

Me agachei e tirei as meias, então comecei desfivelar o cinto da calça enquanto os olhos de Oliver seguiam cada movimento das minhas mãos. Abri o zíper e abaixei o jeans. Segurei o tecido da camisa e ele deu um sorrisinho quando passei a gola por sua cabeça.

— Pensei que estava furiosa comigo.

— E estou.

Levantei e o puxei. Ele se apoiou nos meus ombros. Seguimos para o banheiro com dificuldade pois seus passos eram curtos e arrastados. Coloquei-o apoiado na porta e regulei a temperatura do chuveiro para gelado, depois arrastei Oliver para de baixo da água gelada. Ele gemeu por causa da temperatura.

Quando a água gelada tirou um pouco do porre dele, eu peguei uma toalha e desliguei o chuveiro. Joguei a toalha sobre seus ombros e sequei seus cabelos e todo o seu torso.

— Você está mesmo furiosa comigo? — fitei os olhos dele.

— Sim, Oliver. Estou muito furiosa com você! — exclamei. — Por você ter me deixado lá sem escutar uma explicação minha e principalmente por ter ido encher a cara e depois querer sair dirigindo aquele carro estupido.

Pelo menos minhas palavras estavam fazendo-o perceber o quanto tinha agido como uma criança birrenta. Continuei:

— Você não pensou nas consequências? — questionei. — Sabe quantos acidentes acontecem por ano por causa de bebida alcoólica?

— Desculpe. — sussurrou. — É que eu fiquei com raiva por você não ter me falado a verdade. E também fiquei com medo de ver você olhando para ele com admiração. Eu me senti vulnerável. Tinha que sair de lá.

— Você tinha que ter me dado tempo para falar que, Ray não significa mais nada para mim. Que eu estou com você e é de você que eu gosto. E eu não me importo se ele é rico e famoso. É com você que eu quero ficar.

Os olhos de Oliver brilharam e um sorriso surgiu em seus lábios. Ele segurou meu rosto e seu olhar ficou preso no meu.

— Me desculpa?

— Pare de me pedir desculpas. — fiquei sobre a ponta dos pés e o beijei. — Só me beija. Quem sabe eu te desculpe pela manhã. — ele sorriu e me ergueu no colo, me carregou até a cama e me deitou sobre ela e então se deitou ao meu lado.

— Você acabou de me dar banho. O que falta para aceitar morar comigo?

— Você precisa se esforça mais. — Pressionei meus lábios sobre os dele.

No final de tudo, Ray acabou sendo o menor dos obstáculos, e me fez perceber que o que tive com ele não foi tão interessante.

Notas finais
E por hoje é isso, pessoal. Provavelmente no próximo cap vai ser o casamento do Diggle e eu vou pular um tempo, só tô avisando mesmo. Não esqueçam de comentar e quem não favoritou, favorite é a hora. Os leitores fantasmas apareçam, quero conhecer vocês. É isso. Beijooos e até o próximo.