Wonderwall.
14 Não sou perfeita.
Notas iniciais
Então eu vou te amar como se eu fosse te perder.
Eu vou te abraçar como se eu estivesse dizendo adeus.
Aonde quer que estejamos, não vou te desvalorizar.
Pois nunca sabemos quando,
Quando ficaremos sem tempo.
Então eu vou te amar como se eu fosse te perder.
Então eu vou te amar como se eu fosse te perder.
Meghan Trainor — Like I’m gonna lose you (Feat. John Legend.)
—------------------------
Me esgueirei para fora do quarto e puxei a porta com cuidado. Segurei o celular que ainda vibrava e segui para a cozinha. Mogus me seguiu. Respirei fundo, tomando coragem, seria o fim de tudo, eu estaria ferrada assim que aceitasse a ligação de Diggle. Sem outra saída, atendi:
— Comandante. — falei profissionalmente.
— Felicity. — ele disse sério como sempre que estamos lidando com algo complexo.
— Eu já posso arrumar minhas malas? — questionei.
Não era hora para sarcasmo, estava a ponto de ser tirada de uma missão que podia mudar o meu futuro.
— Ainda não, Felicity. — respondeu.
Cobri minha boca com a mão e engoli a vontade de gritar. Ainda restava uma luzinha no fim do túnel e eu me agarraria nela com toda a minha força.
John retomou.
— Tive uma conversa séria com Robert, ele me convenceu que não podia tomar uma decisão precipitada.
Claro que tinha dedo de Robert nisso. Afinal, seu plano estava dando certo. Fazer seu filho se apaixonar por mim estava seguindo a rota que ele desejou desde o inicio.
— Mas, temos uma reunião hoje, para entrarmos em um acordo. — explicou. — Ainda acho que o melhor a fazer é te tirar daí. E tudo vai depender de você, Felicity. Então, tome a decisão correta.
— Pode deixar, John. — respondi impassível, não o deixando notar a felicidade por trás da minha voz. — Que horas será a reunião?
— Ás 15 hrs, na base da biblioteca.
— Okay, estarei lá.
— Tá bom. Nos vemos depois. Tchau, Felicity. E como concelho universal que muitas vezes dá certo, siga o seu coração.
— Eu vou. Tchau, Dig.
Encerramos a ligação. Meu coração só dizia uma coisa: Oliver. Eu continuaria ao lado dele.
Larguei o celular, com um sorriso enorme e caminhei até a geladeira. Cheia, ela não estava mais vazia como nos últimos dias. Enfim ia fazer um café da manhã digno. Peguei ovos e bacon. Fiz torradas na torradeira, ovos mexidos e bacon frito. Café com leite como Oliver gostava. Coloquei tudo sobre uma bandeja e segui para o quarto.
Oliver ainda estava dormindo tranquilamente. Larguei a bandeja nos pés da cama e caminhei até a janela, abri as cortinas, deixando os raios do sol invadirem o cômodo. Sem chuva, um dia lindo.
Agora o meu problema era acordar Oliver. Ele é tão lindo dormindo, de qualquer jeito na verdade. Me junto a ele, com cuidado para não bater os pés na bandeja. Corro os dedos pela extensão larga do seu peito, passando pelo ombro e subindo até seu queixo, sua pele se arrepia toda. Continuo o trajeto até encontrar seus cabelos, seguro firme sua nuca e encosto nossos lábios, ele não demora a reagir, passa o braço pela minha cintura e me puxa para mais perto, aprofundando o beijo,
— Bom dia. — sussurro, com meus lábios ainda nos dele.
— Bom dia. — ele me abraça e distribuí beijos no meu pescoço. — É tão bom acordar do seu lado.
— Eu sei. — provoquei. Oliver sorriu e beijou minha testa. — Eu trouxe café.
— Não acredito.
Oliver ergueu o rosto e olhou para baixo, encontrando a bandeja com o nosso café da manhã. Torradas, ovos, bacon, duas xícaras fumegantes de café e morangos. Eu tinha caprichado. Ele suspirou e afundou o rosto na curva do meu pescoço.
— Quem tinha que te trazer café da manhã na cama era eu.
— Te dei algumas oportunidades para isso já. Duas, sendo mais exata. — comentei me ajoelhando e pegando a bandeja. — E eu queria agradecer por você ter feito compras para mim.
— Não foi nada. Eu moro sozinho, faço compras sempre.
— Mesmo assim, obrigada.
Coloquei a bandeja entre nós dois e me sentei novamente. Oliver pegou um morango e em um ato doce, romântico e até sensual colocou entre meus lábios. Dei uma mordida no fruto.
— Sabe. — ele começou, dando outra mordida no morango. — A gente dormiu junto, você aceitou meu pedido de namoro, o que falta para a gente morar junto? — quase engasguei com o bacon que tinha acabado de morder. — Felicity está tudo bem?
— Sim. — tossi. — É que você fez essa piada e eu..
— Quem disse que é piada? — replicou.
Olhei séria para ele.
— Não é?
— Não. Eu só estive pensando. A gente se dá tão bem.
— É porque começamos isso há seis dias. — soltei. — Oliver... Não duvido dos seus sentimentos por mim, eu gosto de você, da sua companhia. Mas morar junto? Não acha isso muito apressado. Namoramos há poucas horas e não podemos assumir uma responsabilidade tão grande que é morar juntos. É loucura.
— Eu sei. Mas é que, é ruim me separar de você todos os dias.
— Nós não precisamos nos separar. Dormimos juntos já, e eu amo dormir nos seus braços. Mas é bom ter um refúgio para quando nos brigarmos. — argumentei. — precisamos saber se vai dar certo. Tudo bem?
Ele suspirou.
— Tudo bem.
Voltamos tomar café em silêncio. Morar junto é loucura. Mas eu não posso negar que seria bom — eu manteria sob minha guarda o tempo todo —, de qualquer forma, é melhor não contar isso na reunião hoje á tarde, é bem capaz de Robert me fazer morar com seu filho.
[...]
Não foi fácil me livrar de Oliver á tarde, mas eu precisava. Tinha a reunião com Robert e Diggle, e não era um assunto qualquer, se tratava do futuro da missão. De como as coisas andariam a partir de agora. No fim, disse que tinha muitos trabalhos da faculdade para fazer e precisava ficar um tempinho sem ele por perto, senão não me concentraria. Depois de muito esforço da minha parte, Oliver cedeu e voltou para o seu apartamento.
O campus da universidade estava vazio por ser domingo. A biblioteca estava fechada. Mas como eu tenho a chave, já que a base que o FBI fez para mim fica na biblioteca, entro sem nem um esforço. Adentro o espaço, está silencioso e escuro como todas as vezes que abro essas portas de manhã. Sigo direto para a base. Já são quase 15 hrs da tarde. Ligo os monitores e inicio a chamada. Logo, o rosto de Diggle aparece no monitor da direita e o de Robert na esquerda.
— Olá, Felicity. — cumprimenta Robert. Faço uma breve reverencia com a cabeça e encaro o monitor.
Ele está no escritório de casa, presumo.
— Olá, General. — respondo, então volto meu olhar para o outro monitor. — Comandante.
— Boa tarde, Felicity. — diz Diggle profissionalmente.
Após os cumprimentos, Robert pigarreia, chamando a minha atenção e começando seu discurso:
— Bom, ontem eu recebi uma ligação do comandante John Diggle, de suma importância. Você já deve saber do que se trata? — assenti com a cabeça. — O comandante acha que manter você na missão é um erro. Que pode colocar tudo em risco, já que você se envolveu sentimentalmente.
Sinto-me desconfortável. Meus sentimentos viraram enredo de reunião entre o exército e o FBI, não podia estar mais envergonhada do que agora. Meus sentimentos sendo expostos por dois homens durões. Tenho certeza que minhas bochechas estão vermelhas, porque as sinto queimarem.
— Eu acho o contrário. — continuou Robert. — Snrt. Smoak sempre agiu de forma coerente nessa missão. Quando pedi a ela que se aproximasse do meu filho, estava ciente de que isso poderia acontecer. Mas sabia que acima de tudo poderia confiar em você, Felicity.
Esbocei um sorriso contido.
— Acredito que agora você continuará fazendo seu trabalho impecável como sempre fez, independente dos seus sentimentos. Eu sei o quanto meu filho pode ser teimoso e acho que Felicity é um tranquilizador para ele. — ele fez uma pequena pausa. — Se Oliver gosta de verdade de você, e a senhorita dele, acredito que não há motivos para abortar a missão e te tirar daí.
— Com todo o respeito, Sr. General. — começou Dig. — Seu filho não parece o tipo que se amarra.
Robert sorriu.
— Oliver mudou. Felicity o mudou. — argumentou Robert. — Ele confia nela, sei disso porque contou toda a verdade a ela. Oliver desde o inicio sabe os riscos que corre caso revele seu verdadeiro nome a um estranho.
— Não levou nenhuma semana para ele contar tudo para a minha agente. Acredito que em apenas 7 dias não há como confiar no caráter de alguém. Seu filho é irresponsável, Sr. General.
— De fato, seu argumento é válido, comandante.
— Parem. — interferi. — Estamos falando sobre mim, portanto, permitam-me falar. — ambos assentiram e fizeram sinal para que eu continuasse. — Não quero sair dessa missão. Tenho certeza que sou a única apta a proteger Oliver. Nenhum agente, melhor que seja, fará esse trabalho como eu faço. Conheço Oliver, e, embora ele seja bastante irresponsável às vezes, ele não é burro.
— Mais alguma coisa? — indagou Dig.
— Não. — respondi, cruzando meus braços.
— Bom, acho que podemos dar fim a essa reunião. Felicity continua na missão. — conclui Robert.
John Diggle soltou um longo suspiro e concordou.
— Se é isso que você quer. — falou olhando para mim. — Continue fazendo seu trabalho, Felicity.
— Okay. — murmurei.
A vídeo conferencia foi encerrada e eu comemorei, dando pulinhos no espaço pequeno da base. Depois dessa reunião, fui para o lugar que mais desejava estar. Bati na porta do apartamento de Oliver e quando ele abriu, me joguei em seus braços, desejando que ele sempre estivesse ao meu lado.
— Você me expulsou da sua casa e não faz nem duas horas. — comentou, me apertando em seus braços.
— Aquele lugar fica chato quando está apenas eu e Mogus. — sussurrei, inalando seu perfume.
— E seus trabalhos?
— Posso fazê-los outro dia. — respondi, me sentando no sofá.
Oliver sentou-se ao meu lado e eu pressionei minhas costas contra seu peito, me aconchegando em seus braços que foram para o redor da minha cintura.
— No que está pensando? — ele questionou, após alguns minutos em silêncio.
— Em nada. Só estou aproveitando isso. — respondi. Escutei seu sorriso abafado contra meu pescoço.
— O que acha da gente sair?
— Para onde? — me virei para olhá-lo.
— Um passeio. Onde possamos andar de mãos dadas, como um casal de namorado.
— Céus. — sussurrei, com um sorriso nos lábios. — Você não cansa de ser tão adorável?
— Com você nunca.
Como Oliver tinha mudado. Antes seus casos eram apenas de uma noite. Ele sempre teve fama de quebra corações e agora está querendo andar de mãos dadas comigo? Como um casal normal? Então Robert tem razão e Oliver mudou por minha causa. Talvez eu seja a primeira pessoa por quem ele se apaixonou de verdade, por quem ele realmente vai lutar.
Quanto tempo até que eu quebre o coração dele? Não posso pensar nisso.
— Okay. Gostaria de andar de mãos dadas com você. — falei aproximando-me dele. — Adoraria. — acrescentei, beijando seus lábios em seguida.
Quase desistimos do passeio quando Oliver me puxou para mais perto dele e segurou minha nuca. Mas então ele levantou e caminhou até a cozinha, pegou uma cesta e começou a encher de comida, colocou uma garrafa de vinho também, duas taças e uma toalha quadriculada.
Piquenique era uma das coisas que pensei que nunca faria na vida, não em clima romântico. Mas agora estava sentada no gramado do central park, com as costas apoiada no peito largo de Oliver, observando um monte de pessoa se divertindo.
— Olha lá. — disse Oliver, apontando para um garoto que se ajoelhou na frente de uma garota. Notei que eles eram mais novos que nós dois. — Ele vai pedir ela em casamento e você nem aceitou morar comigo.
— Há quanto tempo eles devem se conhecer? — questionei. — Bem mais do que uma semana, com certeza.
— Por que não aceita de uma vez? — fiquei em silêncio, observando a felicidade da garota quando o rapaz tirou a aliança de dentro do bolso e fez a pergunta. — Posso adotar o Mogus, sem problema. Nós até que nos damos bem.
— Você e Mogus se dando bem ou não, minha resposta ainda continua sendo a mesma.
— Você é bem teimosa.
— E você é muito persistente.
— Ela disse sim. — sussurrou Oliver, beijando meus cabelos.
[...]
Oliver segurou minha mão suavemente enquanto andávamos pelas ruas de Manhattan. O gesto tão sutil e doce aqueceu meu peito fazendo com que uma sensação boa se apoderasse de mim. Notei que adorava qualquer gesto de carinho dele e, nunca pensei que andar de mãos dadas com alguém em um lugar cheio de pessoas fosse ser tão bom. Na verdade sempre achei um ponto fraco, algo que me enfraquece. Mas com Oliver é tão diferente.
Suspirei. Percebi que um namoro era o que eu queria e daqueles bem bregas, como em filmes.
— O que acha da gente tirar fotos? — disse Oliver baixinho.
Olhei para ele rapidamente e então segui seu olhar.
— É uma cabine de fotos. — acrescentou. — Normalmente custa 5 dólares. Quando Thea fez 18 anos, ela fez uma festa e colocou uma dessas cabines no salão.
A cabine estava fixa em um ponto da calçada, em frente uma loja de artesanato. Uma pequena fila de pessoas se formava no lado de fora para tirar fotos. Sempre odiei filas.
— Temos que tirar fotos nossas. É o que um casal normal faz. — comentou Oliver, sem esconder sua animação.
— Olha essa fila. — murmurei. — Vamos para casa.
— Ah não. — resmungou ele. — Vamos tirar. São fotos instantâneas, logo a fila vai diminuir. — argumentou. — Por favor, Felicity.
Encarei os olhos dele, suplicantes, intensos e brilhantes como os do gatinho do sherek. É claro que eu tinha sido derrotada.
— Tudo bem. — Cedi.
Entramos na fila. Como Oliver disse, não demorou muito para a fila diminuir e a nossa vez chegar. Entramos na cabine. Tínhamos que tirar quatro fotos e com um tempo de 10 segundos. Então tínhamos que nos ajeitar rapidamente, antes do flash. Oliver me puxou para o colo dele e enterrou os lábios no meu pescoço enquanto meus braços ficavam em torno dos seus ombros, essa foi a primeira foto.
A segunda foi especial, pela forma intensa e verdadeira que Oliver olhou nos meus olhos e sorriu. A terceira, ambos fizemos caretas e mostramos a língua. A quarta e última, a gente saiu se beijando.
Quando saímos da cabine o dono nos entregou o envelope vermelho com as fotos.
— Qual você quer? — perguntou Oliver, me entregando as fotos para que eu escolhesse a minha predileta.
Observei os detalhes de cada uma e acabei escolhendo aquela que Oliver fitava meus olhos.
— Quero essa.
— Tudo bem, as outras são minhas.
Assenti. Guardei a foto que escolhi na minha bolsa. Quando chegasse em casa, acharia um lugar para guardá-la.
Voltamos para o meu apartamento. Fui até meu quarto e no guarda-roupa encontrei um álbum que mamãe tinha me dado. Tinha algumas fotos minhas com ela, outras com Caitlin e Barry, uma com Diggle no aniversário dele. Eu gostava de olhar para aquelas fotos, e me lembrar de como era quando eu morava com mamãe e vivia grudado a Cait e Barry, sinto tanta falta dos três. Nem acredito que não vou poder organizar o casamento deles por estar longe e envolvida demais no trabalho.
Não seria tão ruim ter minha amiga por perto. Ela teria bons conselhos para me dar. Posso até imaginar o que ela me diria sobre a confusão que estou metida: Felicity você está encrencada, mas é tão bom te ver apaixonadinha. Posso imaginar sua animação também.
— Por que está sorrindo? — levanto meus olhos da foto que estou com Cait e encaro Oliver parado perto da cama.
— Só estava lembrando. — respondi.
Ele se sentou do meu lado e puxou o álbum para seu colo.
— É melhor não ver isso. — disparei, tentando puxar o álbum para meu lado.
— E por que não?
— Porque vai conhecer outro lado meu. — Oliver sorriu e escondeu o álbum atrás das costas.
— Agora sim que eu quero ver. — disse. — Que versão Felicity vou encontrar aqui?
Parei de tentar tomar o álbum dele. Apenas me deitei na cama e fiquei encarando-o. Oliver puxou o livro grosso para o colo novamente e abriu. A primeira foto, eu devia ter uns oito anos, tinha acabado de cair da árvore que tinha no quintal da casa de mamãe, meus ombros estavam ralados e eu tinha um corte pequenininho no queixo.
— Você era uma criança agitada? — ele questionou.
— Muito. — respondi. — Minha mãe evitava me dar açúcar. Dizia que tinha comido muito doce durante a gravidez, o que me deu energia durante toda minha infância.
Oliver esboçou um sorriso e começou a folhear o livro. Até a metade do álbum, eram fotos minhas quando eu era pequena, geralmente com mamãe, outras sozinhas. Muitas minha mãe tirou por ser uma mãe babona e querer guardar cada recordação da minha fase travessa.
— Não tem nenhuma foto do seu pai.
— Foi minha escolha. — resmunguei. — Nunca quis ter uma recordação dele. Preferi esquecer o rosto. — falei. — Eu sempre ficava me perguntando o que tinha de errado comigo para ser abandonada pelo homem que mais devia me amar e me proteger. Então, achei que se esquecesse do rosto dele, as perguntas também sumiriam.
— Você não tem nada de errado. — Ele deixou o álbum de lado e deitou-se perto de mim. — Nada de errado. — seu nariz encostou-se no meu. Sua mão moveu-se sobre a extensão do meu braço até meus cabelos. — Você é perfeita.
— Eu não sou perfeita, Oliver.
E minha pequena afirmação era uma das verdades que eu nunca admitiria esconder de Oliver. Nunca. Não era perfeita por esconder toda a verdade dele, e por muitas outras coisas.
— Para mim você é.
Ele não me deixou rebater, antes mesmo de eu suspirar com sua declaração seus lábios macios pressionaram contra os meus. Ele me deu um beijo lento e doce, transmitindo toda a verdade que suas palavras tinham.
Oliver pegou o álbum novamente. Virou a página encontrando uma foto minha com Barry, nós devíamos ter uns 15 anos. Estávamos na festa de aniversário da Íris, irmã de criação e primeira paixão de Barry. Nesse dia eu estava fingindo ser a namoradinha dele, só para Íris ter ciúmes, o que não aconteceu.
Joe West, pai adotivo de Barry, tirou a foto quando nós dois estávamos dançando juntinhos, apesar disso, qualquer um que olhasse para nós dois não acreditaria que éramos um casal.
Mas Oliver tirou a atenção da foto e me encarou, erguendo as sobrancelhas, deixando claro seu questionamento. Dei de ombros.
— Quem é esse? — perguntou quando eu não falei nada.
— Um amigo.
— Nessa foto ele não parece um amigo.
— Está com ciúmes de um garoto de 15 anos?
Oliver suspirou.
— Claro que não! — exclamou, e voltou olhar para a foto.
— Ele é o meu melhor amigo. Atualmente noivo da minha melhor amiga. Barry Allen. — respondi. — Nós tínhamos feito um acordo nesse dia. Eu fingiria ser a namorada dele e em troca Barry pagaria donuts durante uma semana para mim.
— Hum. — resmungou. — Você era morena.
— Era por isso que não queria que abrisse esse álbum.
— Mas você era bonitinha. — declarou. — Ficou um charme essa trança.
— Foi à única vez que usei tranças. Aliás, foi à única vez entre meus 14 e 20 anos que me vesti como uma bonequinha. Deixei mamãe me produzir nesse dia. E ela adorava me transformar numa Barbie.
Oliver virou a página encontrando uma foto bem diferente da do aniversário de Íris, eu não usava um vestido de cetim rosa e nem tranças no cabelo. E sim roupas escuras, cabelos soltos e uma maquiagem borrada ao redor dos olhos. Digamos que foi minha fase bem rebelde.
— Essa é você? — questionou ele, olhando para a foto e segurando o riso.
— Não me orgulho dessa fase. — murmurei.
Enterrei meu rosto no travesseiro de tanta vergonha, sentindo minhas bochechas queimar.
— É... eu não gostei muito dessa versão sua. Sombria demais.
Oliver continuou vendo as fotos. Até a última, que era a que tínhamos tirado há pouco tempo, na cabine de fotos em Manhattan. Então ele fechou o álbum, colocou sobre a cômoda, e me puxou para perto dele. Deitei minha cabeça em seu peito.
— Obrigada. — sussurrei, sentindo o carinho que ele fazia em minhas costas.
— Pelo que?
— Pela semana e, ainda mais por hoje. Foi incrível.
— Não precisa agradecer. — ele beijou meus cabelos. — Só me deixe fazer parte da sua vida e proporcionar mais momentos como esse.
— Eu já deixei, Oliver. — Fechei meus olhos, sentindo meu corpo mais leve, minha alma mais tranquila e meu coração ainda mais cheio de sentimentos por Oliver e insegurança. — Já deixei
Acrescentei.
Então cai em um sono profundo ao lado dele.
Fale com o autor