Wonderwall.
24 Missão arruinada.
Notas iniciais
Fiquei olhando Jeremy dormir como um anjo ao meu lado, sua face tão tranquila me transmite um sentimento bom de paz e eu não me canso de olhar para ele e repensar sobre minha vida. Eu fiquei tão assustada quando descobri que estava grávida. E confesso que não queria, que não estava pronta para levar uma gravidez adiante, que estava morrendo de medo, mas nunca seria capaz de fazer algum mal para aquele pequeno ser que carregava, ele não tinha culpa alguma dos meus erros.
Com o tempo acabei me acostumando, gostando de carregar uma sementinha em meu ventre, os dias passavam e eu me pegava diversas vezes conversando com minha barriga e a alisando, quando me dei conta o meu bebe era a coisa mais importante da minha vida, eu o amava tanto, e sabia que tinha que o proteger de tudo.
Jeremy era fruto de um relacionamento verdadeiro, mas seu pai não queria olhar para minha cara, mesmo assim eu pensei tantas vezes em ligar para Oliver e contar tudo para ele, sim, isso passou muitas vezes por minha cabeça, eu imaginei diversas vezes como seria se Oliver me perdoasse e a gente voltasse a ficar juntos para o bem do nosso filho. Porém, entre tantos pensamentos, acima de tudo, havia receio e medo dele nunca me perdoar e querer tirar meu filho de mim. A família Queen é poderosa, podia contratar o melhor advogado existente no planeta e devido ao meu histórico, meu trabalho, eu com certeza estaria perdida.
E jamais abriria mão do meu filho, então comecei a pensar em como seria a vida de Jeremy sem um pai, me coloquei no lugar de Jemy, afinal, eu cresci sem um pai e hoje sou uma pessoa feliz, não me sinto completa totalmente, entretanto sou uma boa pessoa e tenho certeza que meu filho também será. Claro que foi um gesto tão arrogante e mesquinho quanto omitir toda a verdade para Oliver, mas eu jamais abriria mão de Jeremy, ele é o meu mundo.
Jeremy abre seus enormes e expressivos olhos e meu coração se enche de alegria, ele esboça um sorrisinho no rosto e se espreguiça. Vê-lo todas as manhãs recarrega minhas energias. E como hoje é meu último dia da folga, já me programei para passar o dia inteiro com Jeremy e minha mãe.
— Bom dia, meu amor. — eu digo, passando a mão nos cabelos macios de Jeremy.
Ele se senta na cama, ainda sonolento e esfrega os olhos enquanto dá um bocejo. Mogus — que até então estava alheio em sua caminha aproveitando os raios de sol que invadiam o cômodo — pulou na cama e foi logo pedindo carinho para mim. Jeremy, travesso como sempre agarrou a calda do gato. Tive que intervir.
— Jemy, não faz assim. Sabe que Mogus é um gatinho muito ranzinza.
— Mogus... Mogus! — Jemy gritava feliz, se jogando em cima do gato. — Hum, tão fofinho.
Mogus acabou se adaptando e tornou-se um gato mais paciente e menos estressado depois da chegada de Jemy, no começo ele apenas observava o bebe de longe, com o tempo ele acabou se aproximando cada vez mais de Jeremy e hoje ele desempenha o papel de uma ótima babá.
Eu me levanto, pego Jemy e o coloco no chão, dou alguns brinquedos para ele e depois vou para o banheiro, fico observando Jemy enquanto escovo meus dentes.
Depois de me vestir é a vez de arrumar o Jemy. Dou um banho nele, ele adora tomar banho, então acaba se tornando uma lição fácil. Deixo meu pequeno bem cheiroso e o visto com uma camisa azul e uma calça jeans, claro que como toda mãe coruja acabo tirando algumas fotos dele, pois sei que vou ficar longe alguns dias. Então, gosto de guardar lembranças.
Após estarmos devidamente arrumados saímos do quarto. O cheiro de bacon frito já está invadindo o corredor. Vou direto para o cozinha, mamãe está com o rádio ligado, ela dança e cozinha ao som de the black eyed peas. Jeremy dá gargalhadas e pede o colo da avó que sem delongas o tira dos meus braços e começa a rodopiar com Jeremy no colo, os dois adoram uma bagunça e eu amo vê-los assim, felizes.
Depois que eles terminam a dança dou um beijo em mamãe e lhe agradeço por estar tão presente na minha vida e na do meu filho, senão fosse ela eu estaria perdida. Ela me pede para arrumar a mesa e então a gente toma café.
Tenho um longo dia pela frente, vou levar Jemy no parquinho que ele tanto gosta, quero ir ao shopping com minha mãe e ainda quero visitar Cait, Barry e Laurie.
[...]
Observo Jeremy conversar com algumas crianças no parque, ele é muito charmoso, as outras mães do parque ficaram babando nele e em seus cabelos loiros e na sua simpatia. Acredito que todo esse charme e a facilidade que ele tem de fazer as pessoas o acharem tão fofo seja herança de Oliver, pois eu sempre fui uma tragédia nesses quesitos quando era criança — diziam que eu era muito estranha — já Jemy não, ele consegue fazer amizades facilmente, igual Oliver.
— Oh meu Deus... — escuto a voz seguida de um longo suspiro, me viro rapidamente, pois a voz me é familiar. — Felicity?
Encaro o homem bonito que estava parado logo afrente. Ele continua igual, apenas a barba rala no rosto demonstra mudança, o sorriso alegre e contagiante continua igual. Mas ele está mais bonito, encantador como sempre. Noto a bolsa de criança pendurada em seu ombro e me questiono se ele tem filho também, se construiu uma família, porque isso sempre esteve em seus planos.
— Ray. — exclamo. — Minha nossa, você não mudou nada.
— Nem você. — diz, soltando a bolsa no banco. — continua linda.
Dou um sorriso, me sinto um pouco envergonhada.
— Você continua com essa mania de ficar vermelha após receber um elogio.
— Bom, algumas coisas não mudam nunca.
— Concordo. — ele suspira e olha ao redor, fixa o olhar em uma garotinha de cabelos longos e pretos. — Mary, tome cuidado.
— Tá bom. — ela grita, esboçando um largo sorriso, a menina sobe no escorregador e volta a se divertir.
Ray volta a me encarar. Continuo me questionando se aquela garotinha é filha dele. Estou tão curiosa que não resisto e acabo fazendo a pergunta que está me incomodando:
— É sua filha?
Sua testa se enruga e ele solta uma risadinha.
— Não. Não. — responde. — Mary é minha sobrinha. — ah então ela é filha da Emma, a irmã mais velha de Ray que não me suportava. — Eu estou passando uns dias aqui em Washington e quando tenho tempo, trago a Mary no parque.
Eu assenti.
— Ela é linda e parece simpática.
Diferente da irmã de Ray.
— Sim. E muito bagunceira, não posso tirar os olhos dela.
— Crianças... são todas iguais. — comento. — Jeremy é igualzinho, se ele ficar quieto pode apostar que está aprontando. Esses dias, o peguei no flagra passando batom no gato.
— Espera! Jeremy? — Ray indaga levantando uma de suas sobrancelhas. — Quem é Jeremy?
Mordo o lábio e suspiro, essa minha mania de falar demais. Claro que Ray vai acabar sabendo sobre Jemy, mas eu não queria, não assim, porque com certeza ele vai me pedir explicações, não que eu deva, mas sei que Ray é curioso demais para não querer detalhes.
— Jeremy é meu filho. — respondo e procuro por ele no parquinho, ele está no escorregador e sorri para mim me dando um aceno com a mão. — Aquele garotinho ali. — aponto.
— Uau. — Ray murmura, deixando um longo suspiro escapar, sei que ele está bastante surpreso e também sei o motivo. — Para quem há alguns anos tinha como prioridade o trabalho e não queria construir uma família, isso é muito surpreendente.
Eu dou um sorriso amarelo.
— Jeremy acabou acontecendo e eu não me arrependo. — digo olhando para o meu filho.
— Ele tem alguns traços seus. — comenta, encarando Jeremy que já está se enturmando com sua sobrinha. — Não quero ser evasivo...
— Você quer saber sobre o pai dele?
Ray parece envergonhado e um pouco acanhado, mas acaba balançando a cabeça.
— Bom, é uma longa história. — murmuro. — Tem uma cafeteria aqui perto, estava pensando em levar o Jemy lá. Tem uma torta que ele adora. Você e Mary não querem nos acompanhar?
— Claro. Sim...
(...)
Após o almoço em um dos restaurantes favorito da minha mãe, nós vamos a algumas lojas no shopping. Sob a pressão dela que alegou que minhas roupas estão velhas e sem cor eu acabo dando uma renovada no guarda roupa, ela me obriga comprar dois vestidos que nas palavras dela são sexy. Maldita hora que fui contar que encontrei Ray e ele me chamou para um jantar depois que contei toda minha história.
Passamos horas andando pelo shopping porque minha mãe queria comprar uma calça super colada para um encontro, peripécias de Donna Smoak. Depois que encontramos a tal calça a gente deu uma passada na sorveteria porque Jemy queria sorvete de morango. Foi um dia maravilhoso, eu realmente amo quando tenho tempo de ficar com eles.
Agora só está faltando um lugar.
— Felicity. — exclamou Cait ao abrir a porta. — Garota quanto tempo.
— Eu sei. — assenti. — Desculpe.
— Está desculpada, mas não fique mais tanto tempo sem dar noticias. — exigiu — E Cadê o Jemy?
— Ficou com a minha mãe. — respondo, me sentando. Cait faz uma carranca triste. — A gente saiu hoje e ele chegou muito cansado. Acabou capotando no sofá mesmo. — explico. — E onde está o Barry e a pequena Laurie?
Ela suspirou e olhou para a direção da cozinha.
— Bom, a gente pode pedir uma pizza se for tão ruim como da última vez, eu pago. — zombo.
— Nada de pizza. — Barry surge com Laurie no colo. — Confiem em mim.
— Eu confio em você Barry, só não confio nos seus dotes culinários. — diz Cait. — São péssimos. — sussurra virando o rosto.
— Francamente, nem eu. — concordo.
— Papai fez bolo de chocolate para a sobremesa, tia Felicity. — Laurie disse. — E eu ajudei.
— Tenho certeza que o bolo tá ótimo, princesa. — falei, ficando de pé para pegar Laurie. — Então, você ajudou mesmo ele?
— Sim.
Laurie é uma garotinha meiga, tem os olhos iguais aos de Barry, mas o resto é tudo herança de sua mãe. Ela é tão linda quanto Cait.
Laurie me convida para tomar um chá em seu quarto. Aceito seu convite e deixamos Cait e Barry discutindo sobre o jantar. Enquanto tomamos nosso “chá” Laurie me conta sobre a escola, diz que adora a professora, também conta como anda as aulas de caratê. Nós nos divertimos bastante até Barry vir nos chamar para jantar.
Como já era esperado, o jantar de Barry não estava muito agradável, em boas palavras, estava horrível. Ele acabou aceitando que a cozinha não é o seu lugar e a gente pediu uma pizza. Quanto à sobremesa, estava uma delicia e Laurie ficou toda orgulhosa.
Já estava tarde e Barry se retirou para fazer Laurie dormir, Cait encheu duas taças de vinho e acabamos colocando nosso papo em dia.
— Então você aceitou o convite para jantar com Ray?
— Ainda não. — respondo, bebendo meu vinho. — Não quero acabar decepcionando Ray novamente.
— Felicity, é apenas um jantar. — ela argumenta. — De amigos.
— Você sabe que não é nada disso. — rebato. — Sinto que Ray ainda gosta de mim, e não quero ser novamente um erro na vida dele. Um jantar vai acabar levando a outro e mais um e aí ele vai querer mais. E não estou pronta para isso.
— Você precisa seguir em frente. — ela diz. — Já está na hora. E Ray é ótimo, além de ser um gato.
Nós acabamos perdendo o tempo, e nossa conversa se resume a isso, Cait tentando me fazer aceitar o convite de Ray e eu dizendo que não quero. No fim das contas, ela acabou me persuadindo e eu disse que aceitaria o convite para apenas um jantar, somente um, e depois que eu cumprisse a promessa que fiz para a mãe de Craig.
(...)
Entro na sala de Diggle, ele está concentrado em seu computador. Me a próximo de vagar para não atrapalhar, puxo a cadeira e me sento, John me olha, mas continua seu trabalho, espero ele terminar. Depois de alguns segundos ele para o que estava fazendo.
— Boa noite, Felicity. — ele então me cumprimenta. — Como você está?
— Hum... estou bem.
— E como foram os últimos dias?
— Bons. Normais — dou de ombros.
— Ótimo. — fala. — E está pronta para voltar a trabalhar?
A resposta é tão clara. Sim, com certeza, estou pronta para voltar.
— Sim. — eu falo. — E então, o que eu devo fazer?
— Não sei se vai gostar do que vou falar.
— Ah Diggle! — exclamo, pensando que ele voltou atrás em sua decisão e resolveu me dar outro trabalho. — não me diga que me tirou desse trabalho e me colocou em outro?
— Não é isso.
Eu relaxo um pouco, não tanto, porque o olhar de Diggle ainda é sério. Pergunto, o que seria tão ruim assim que me faria não gostar? Então indago:
— Então o que é?
— Você terá que viajar para Nova Iorque.
— Não. Nem pensar. — levanto-me rapidamente. — Você sabe que...
Acabo sendo interrompida.
— Felicity.
— Você sabe que odeio Nova Iorque e também sabe porque odeio tanto aquele lugar. E não são os becos fedidos.
— Sim, eu sei. Mas acontece que há uma pista importante em Nova Iorque.
O que é tão importante que me faria colocar os pés nessa cidade novamente, ela só me traz momentos ruins, que me devastam, primeiro Oliver, agora o assassinato de Craig, eu não quero voltar para lá.
— Existe uma pessoa que tem ligação com o braço direito do assassino do Craig.
— Que pessoa?
— Damon Fisher. — Diggle me alcança uma pasta. Olho as informações sobre ele. — Parece que Fisher comprava drogas de Jacob Shaw, o cara que você e Craig identificaram como o braço direito do nosso “criminoso invisível”
É assim que chamamos o assassino de Craig “Criminoso invisível” porque nunca conseguimos uma foto dele e muito menos o nome. Há algumas semanas acabamos chegando a Shaw e descobrimos que ele é o braço direito do nosso criminoso invisível. Nunca conseguimos pegar Shaw, mas parece que Diggle achou uma oportunidade.
— Acredito que Fisher irá ter muitas informações sobre Jacob. Parece que ele odeia o cara.
— E por que Damon o odeia?
— Porque Shaw o enganou. Vendeu drogas que não eram drogas para o Damon e isso causou um grande conflito. — explica. — Damon o odeia de verdade.
— Hum. — resmungo. — Tenho apenas que arrancar essas informações do Damon Fisher?
— Não. — ele maneia a cabeça. — Não é tão fácil assim. Apesar dos conflitos, Damon tem bastante medo de Shaw. Então, você vai precisar se aproximar dele antes de tentar arrancar informações.
— Uhum... E como vou fazer isso?
Diggle acaba mudando sua postura, parece que não é algo bom.
— Damon Fisher é dono de uma boate e sempre está contratando novas dançarinas.
— Não é o que estou pensando é?
— Se você está pensando que terá que se tornar uma dançarina, é exatamente isso.
[...]
É, eu não tive escolhas. E agora, além de estar no último lugar que queria estar na vida, meu próximo emprego será ficar rebolando em cima de um palco para homens em uma boate suja do The Bronx. Logo que cheguei a NY tive que procurar uma mulher chamada Madame Carrie, que ensinava a dançar como ninguém e que segundo John, ia me tornar uma verdadeira Striper, e ela me ensinou durante cinco horas a como ser uma dançarina de boate.
Como Damon Fisher estava contratando uma nova dançarina, meu próximo passo foi me candidatar à vaga. Ele acabou me ligando mais tarde para marcar uma entrevista bem cedinho no outro dia. Acabou que eu não consegui dormir nada e de manhã acabei tomando vários copos de café para não ficar parecendo um zumbi. Não podia colocar tudo a perder.
Tinha várias garotas na boate para a vaga. Muitas mulheres lindas que me fizeram questionar o que estava fazendo ali. Com certeza não vou conseguir essa vaga e terei que me aproximar de Damon de outra forma. Inferno!
— Ashley! — ele chama. Ninguém se meche na fila, e Damon então me encara. — Ei docinho, seu nome não é Ashley?!
Céus, acabei me esquecendo que agora tenho uma identidade nova e que Ashley é o meu nome. Esboço um sorriso.
— Sim. Desculpe, não tinha escutado.
— Tudo bem, docinho. — Damon diz. — Agora suba no palco e me mostre o que sabe fazer.
Bom, foi o que eu fiz. Coloquei em prática tudo que Madame Carrie havia me ensinado no dia anterior e quando acabei, notei que tanto Damon quanto os seguranças da boate estavam fascinados.
— Okay, docinho. — esse termo e o olhar de Damon estavam me dando nojo. — Você pode esperar naquela sala. — ele aponta. — Charles, leve a Ashley até meu escritório.
Um dos brutamontes anda até mim e espalma a mão em minha omoplata.
— Por aqui, gostosa. — diz, me guiando pelos fundos da boate. Reprimo minha vontade de socar a cara dele, agora sou apenas uma dançarina que tem que engolir essas coisas. — Você pode esperar aqui. — aponta abrindo a porta.
Espero por mais de uma hora, até que Damon entra na minha sala e fecha a porta. Ele é alto, magro, careca e tem um cavanhaque. Não é um homem bonito, mas até que se veste bem. Ele contorna a sua mesa que está toda bagunçada e senta na cadeira atrás dela.
— Sente-se, docinho. Vamos tratar dos termos da sua contratação.
— Isso quer dizer que consegui o emprego?
— Com essa bunda gostosa , essas coxas e dançando daquele jeito, você consegue qualquer coisa, docinho.
[...]
Damon tinha uma secretária chamada Bridget, era ela quem organizava as noites da boate. E Bridget havia tido uma ideia: uma noite especial para apresentar a nova dançarina para os frequentadores da boate. Eu não tinha gostado da ideia, mas, segundo ela, ia ser um sucesso. E na situação que estava, não poderia discordar.
Bridget me mostrou as roupas que iria usar na minha primeira apresentação, se é que dá de chamar esses pedações de pano de roupa, é um sutiã preto cheio de strass no bojo, um short de couro muito pequeno que com certeza vai ficar muito apertado, uma bota de cano alto, uma capa preta que Bridget disse que vou tirar quando eu entrar no palco e pra finalizar uma máscara branca. Uau, isso tudo é muito sexy.
— Então é isso, Ashley. — Bridget diz. — Está animada?
— Muito animada. — respondo, fingindo empolgação. — Então você é o braço direito do Damon?
— Ahh sim, sou sim.
— Nossa, ele deve confiar muito em você. — comento. — Inclusive você deve saber todos os podres dele. — dou um risinho.
— Sei bastante coisa. Por quê?
— Ah você deve saber qual o tipo de mulher dele também? — disfarço. Bridget solta uma gargalhada.
— Sei sim. São todos os tipos. — sorrio, ela pega seu tablet. — Preciso ir. Tchauzinho.
— Tchau.
Parece que já sei quem será a pessoa que vou me tornar uma grande amiga. Aquele tablet deve conter informações valiosas.
[...]
A hora da minha apresentação está quase chegando. Começo a me arrumar. Sigo as instruções de Bridget, enrolo os cabelos em um coque e faço uma maquiagem um tanto vulgar, visto a roupa que ela preparou para mim e por último coloco a máscara. Termino de me arrumar e saio da sala que as dançarinas chamam de camarim. Charles e outro segurança estão me esperando, eles me encaram de um jeito pervertido, dou de ombros e saio na frente deles.
— Que putinha gostosa. — escuto, respiro fundo e não dou importância.
— Foderia gostosinho com essa gostosa.
Giro sobre meus calcanhares.
— Desculpe cavalheiros, mas não terão essa chance, nunca! — retomo o caminho escutando os dois rindo.
— Oh, Ashley, está na hora de você entrar! — Bridget exclama animada.
Subo a escada acoplada no palco. Logo a frente tem uma cortina vermelha, essa cortina se abre e uma musica começa a tocar nas caixas de som. Dou alguns passos para frente e vejo o aglomerado de homens na frente do palco. Tenho que engolir a vontade súbita que tenho de vomitar. É só um disfarce, Felicity, agora mecha-se.
Eu começo a dançar e sigo arrisca tudo que Madame Carrie me disse nas suas aulas, mostre seus atributos, querida. Rebolo a minha bunda. Eu me movimento, atraindo os olhares e gritos dos homens, eles estão todos vidrados. Sinto aqueles olhares me queimando, a sensação não é muito boa, sinto um enorme frio na barriga, mas continuo. Viro-me de costas e arranco a máscara, dou uma olhadinha sobre o ombro e balanço a bunda, olho para cada rosto, até meus olhos ficarem presos nos olhos da pessoa que pensei que nunca mais ia ver.
Meu coração acelera e eu sinto muitas coisas. Minha vontade é correr dali, sumir. Mas eu não consigo, continuo olhando para ele, seus olhos me prendem completamente, e apesar do tempo eu consigo ver o desejo dentro deles, isso queima minha pele e me deixa excitada.
Cacete, eu posso ver seus lábios se mexerem. Ele diz o meu nome, Felicity, daquela forma lenta e sensual que apenas ele sabe fazer.
— Oh meu Deus.
A musica acaba e eu saio do palco, deixando a plateia aos berros. Corro para o camarim, Damon está sentado, me olhando, ele coloca o cigarro na boca e me aplaude.
— Uau! — sibila. — Você é sem duvida umas das minhas grandes contratações! — exclama. — Agora temos que comemorar seu sucesso.
Damon se aproxima, ele me olha da mesma forma que seus seguranças me olhavam minutos atrás. Afasto-me, mas ele continua avançando.
— O que foi, docinho? Até parece que está com medo de mim.
— Não estou com medo.
— Então me deixe me aproximar, não vejo a hora de sentir você. — murmura. — Você deve ser muito gostosa.
Damon avança e minhas costas encontram a parede, estou encurralada. Ele sorri de um jeito nojento. Juro, que se ele continuar se aproximando, não vou conseguir manter a calma.
— Vamos lá, gostosa. Dance igual uma vadia e tire essa roupa para mim!
Ele espalma a mão na minha coxa e eu reajo imediatamente com uma sequencia de socos na sua cara. As coisas acontecem bem rápido, enquanto ainda distribuo porrada em Damon, dois de seus seguranças entram no camarim e me seguram, eles são grandes e fortes, não consigo me soltar. Damon levanta e tira um lenço do bolso da calça, começa a limpar o sangue que jorra do nariz.
— Para uma vadia até que você bate bem.
— Sai de perto de mim! — vocifero. — Ou eu juro que vou matar você.
Ele começa a rir. Cambaleia e avança. Segura meu queixo com força e aproxima seu rosto do meu.
— Agora, você não vai poder fazer nada, docinho. — sibila. — São três contra apenas uma. Você está fodida, literalmente.
Quando Damon agarra minhas pernas, eu escuto um estouro e um dos seguranças que me segurava caí no chão. Olho para o lado e vejo Oliver segurando uma arma, então vejo o sangue se espalhar pelo chão. Charles me solta e avança na direção de Oliver. Os dois começam a lutar.
— Mas que porra! — Damon urra.
Eu defiro um soco em seu rosto que o faz cair, então chuto sua cara, fazendo-o desmaiar. A essa altura Oliver já acabou com Charles também.
Gastamos um longo tempo nos encarando. Sinto tanta coisa, saudades, ódio, tesão, raiva. É um misto de sentimentos bons e ruins. E consigo ver que ele sente a mesma coisa.
— Então agora você trabalha como dançarina em uma boate? — ele pergunta, e há um tom sarcástico e rancoroso em sua voz.
— O que está fazendo aqui?
Antes que ele responda, Bridget entra no camarim.
— O que aconteceu aqui?
Encaro a mulher pequena.
— Merda!
Droga, a missão foi arruinada completamente.
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