Wonderwall.
25 O acordo
Notas iniciais
É claro que eu tinha que ter livrado Felicity da enrascada que ela havia se metido, teria feito isso com qualquer outra pessoa. É um instinto, algo que aprendi nos últimos anos em que estive no exército. Isso não quer dizer nada, é como se eu tivesse acabado de salvar uma pessoa que estivesse sobre fogo cruzado no Iraque. Tirando o fato de que essa pessoa que salvei é a cretina que partiu meu coração.
— Então, qual de vocês dois vai me contar o que aconteceu naquela boate? — John Diggle, o chefe de Felicity questionou. Ela deu um passo à frente, demonstrando confiança.
— Estava tudo sobre controle, até esse imbecil atirar no segurança de Damon e colocar tudo a perder.
— Como é que é? — indago, enquanto trocamos um olhar de raiva e rancor. — Se eu não tivesse entrado naquele camarim, agora você estaria morta! — exclamo.
— Estava tudo sob controle! — ela grita, e eu posso ver seu ódio crescer cada vez mais.
— Tudo sob controle? — indago retoricamente, soltando uma gargalhada. — Inacreditável. — murmuro. — Você estava sendo agarrada por dois brutamontes enquanto Damon tentava. — eu engulo em seco, relembrando aquela cena. — Você estaria perdida se eu não tivesse entrado naquele lugar.
— Eu ia dar um jeito. Fui treinada para situações como aquela. — ela argumenta.
Ela sempre foi orgulhosa, parece que nada mudou. Felicity sobre foi orgulhosa e teimosa, e eu adorava isso nela, mas agora estou odiando.
— Nem o melhor treinamento do mundo seria suficiente para te livrar naquele momento. Então, é melhor deixar esse seu orgulho de lado e me agradecer por ter salvado sua vida!
— Sabe quando vou agradecer? — ela me fulmina com um olhar. — Nunca.
— Já chega vocês dois! — Dessa vez é o meu pai que interrompe o que poderia ser um banho de sangue. — Oliver, por favor, dê a sua versão dos fatos.
Estamos em uma sala do FBI, fomos trazidos para cá depois de toda a confusão na boate de Damon. Ele foi preso e sua assessora está aguardando para ser interrogada. Meu pai, e o novo general do exército Alex King e John Diggle estão na mesma sala. Há uma mesa enorme no espaço e Felicity está sentada bem distante de mim. Ela começa a rir e John lhe lança um olhar enfurecido que a faz calar-se.
— Depois Felicity pode contar sua versão também.
Eu assinto e começo a falar tudo que aconteceu, desde o momento que Felicity entrou no palco e dançou, esse momento sua face enrubesceu e ela abaixou a cabeça, só tornou a erguê-la quando falei que havia saído no seu encalço por impulso depois que saiu correndo do palco, não ocultei o momento em que Damon tentava abusar dela, aquele covarde filho da puta merecia bem mais do que uns socos no nariz. Quando terminei a minha versão, Diggle olhou para Felicity e perguntou se o que falei estava correto.
— Quando entrei no camarim, Damon já estava me esperando, ele veio com um papinho de querer comemorar, e começou a avançar. — Felicity não conseguiu disfarçar o repúdio que estava sentindo, mas passou por cima e retomou. — Eu não ia deixar aquele desgraçado chegar perto de mim, então eu me defendi. Aconteceu rápido e quando percebi dois de seus seguranças estavam segurando meus braços. Então, admito, não tinha uma forma de sair naquela situação.
— Foi tão difícil assim admitir? — murmuro.
— Por que você não cala a sua boca?!
— Felicity. — John repreende.
— O que vai acontecer agora, John? A missão escorreu pelo ralo.
— Eu ainda não sei. Mas por hora, é melhor você ir embora, descansar um pouco. — ele diz, então me encara. — Você também, Queen.
— Não vou embora antes de ter uma conversinha com Damon.
— Você vai sim, Oliver. — diz meu pai. — Isso virou uma grande confusão. É melhor deixar os peixes grandes resolverem a situação. — continua. — Amanhã conversamos.
— Felicity. — a voz grossa de John Diggle chama minha atenção para o que Felicity estava fazendo. — Deixe o tablet, Felicity!
— Mas, John...
— Largue o tablet onde estava. — ela bufa e revira os olhos diante da ordem de seu capitão.
Eu sinto o meu órgão traidor pular dentro do peito ao lembrar-me desse costume que ela tinha sempre que eu não concordava com ela. Malditas lembranças que não me deixam em paz.
— E Bridget? — ela questiona.
— Não podemos segurar ela aqui, nem Damon, os dois vão ser liberados.
— O quê? — nós dois dizemos juntos.
— Se ele for liberado vai fugir e nós vamos perder uma possível grande pista. — Felicity argumenta. — Tem certeza, vai mesmo fazer isso, John?
— Apenas vão embora. Quando eu tiver informações ligo para você Felicity. — John responde. — Vou colocar um agente na cola de Damon Fisher, não se preocupe, ele não vai fugir.
— Eu espero mesmo. Tudo isso está sendo uma grande perda de tempo. Eu já podia ter arrancado informações dele.
— Vá para casa, Felicity. — ordena. — E você também, Oliver. Seu pai, o General King e eu teremos uma reunião agora e vocês estão fora. Então saíam logo.
Felicity não contra ataca, ela está derrotada, então pega suas coisas e saí. Eu encaro meu pai e ele apenas assente com a cabeça, deixando claro que concorda com Diggle. Pego minha jaqueta e saio porta afora. Sigo Felicity pelo corredor até o elevador, até penso em ir de escadas, mas esse lugar é enorme, não quero me perder. Ela aperta o botão e cruza os braços.
— Vai mesmo entrar nesse elevador? — questiona. — Pensei que seu rancor por mim não te colocaria no mesmo metro quadrado que o eu.
— Felicity. — as portas se abrem, ela gira e me encara.
— Pode entrar, vou pelas escadas. Pouparei você de ter que dividir o mesmo espaço comigo. — Felicity me dá as costas e se afasta.
Dou de ombros e deixo que vá embora.
Dividir o elevador com ela não faria bem pra nenhum de nós. O clima pesado dentro daquela sala deixou bem claro que não podemos ficar juntos no mesmo espaço. Se tivéssemos entrando nessa caixa de aço com certeza o negócio ia ficar louco.
Fico esperando um taxi passar em frente o prédio. Felicity saí logo depois de mim, ela está em uma ligação. Manda um beijo para uma pessoa chamada Jeremy e diz que o ama muito, por um momento isso me deixa abalado, ela está com outra pessoa e já o ama a ponto de assumir em uma ligação. Assim como eu, Felicity também seguiu em frente. Ela olha a redor e seus olhos encontram os meus por uma fração de segundos, sinto meu peito aquecer, pois esse olhar não era de raiva, era diferente, era como quando estávamos juntos depois de um longo tempo separado. Mas dura tão pouco tempo, porque logo me lembro que ela mentiu para mim.
Coloco as mãos no bolso da jaqueta e desisto de esperar um taxi, vou andando mesmo. O bar de Nyssa não é tão longe, vou direto para lá, não estou com cabeça pra outra coisa.
(...)
— Então depois de tanto tempo vocês se reencontraram? — Nyssa questionou, me dando outra garrafa de cerveja. Minha resposta não passa de uma simples balançada de cabeça, afirmando. — E como foi?
— Eu salvei a vida dela.
— Como é?
Dou um gole da minha cerveja. Pensar naquele momento me deixa com um sentimento de raiva dentro do peito. Tive vontade de matar aquele desgraçado, ele podia ter a machucado, ou coisa pior, se eu não tivesse agido. Naquele momento, agira por impulso e ir atrás dela não foi ruim, ao contrário, foi uma escolha certa.
— Nossas missões se cruzaram. Ela estava disfarçada como dançarina de uma boate. O objetivo dela era chegar ao mesmo cara que eu, mas esse cara era um covarde. Eu tive que matar dois seguranças dele para impedir que a machucassem.
— Uau. Como faço para trabalhar com vocês? — ela diz, pensativa.
— Nyssa. — repreendo.
— Como você se sente depois de tudo isso?
Respiro fundo. Não sei nem explicar como me sinto. Mas revê-la mexeu comigo de uma maneira grandiosa, eu consigo sentir muita raiva dela, no entanto, esse não é o único sentimento, no meio de todo o rancor, existe um pedaço de mim que queria ter a abraçado no momento em que a havia livrado das mãos de Damon. E todos esses sentimentos me deixam confuso, eu queria apenas odiá-la, com todas as minhas forças, mas eu não consigo.
É como se eu tivesse nadando contra a correnteza.
— Você ainda gosta dela, Oliver! — minha melhor amiga diz com veemência. — E você sabe disso.
— Fica quieta, Nyssa!
— Eu só acho que vocês deviam conversar e
— Não se mete nisso, por favor, Nyssa. — interrompo-a. — Não é tão simples assim. — declaro. — Estou noivo e Felicity está com outra pessoa.
— Mas e se os dois estivessem livres?
— Não adiantaria. Ainda sinto muita mágoa por tudo que aconteceu. — tomo o último gole de cerveja e levanto. — Obrigado por tudo, agora preciso ir. Boa noite, Nyssa.
— Até mais, Oliver.
(...)
No dia seguinte o general King me ligou para me informar que eu teria que ir para sede do FBI, porque eles tinham chegado a um acordo sobre Damon Fisher. Não me deu mais nenhuma informação.
Aproveitei que ainda tinha algumas horas livre antes da reunião para ir há um lugar que não vou há muito tempo, o melhor lugar de Midtown, chamado Rose's Coffe. Eu preciso comer meu cheesecake favorito, que só Rose sabe fazer.
Mas me arrependo no minuto em que trombo com Felicity na entrada do café. A bandeja que ela estava segurando cai no chão, derrubando alguns croissants. Ela se agacha e começa a juntar os bolinhos.
— Desculpe. — digo, me agachando e a ajudando.
Ela ergue o rosto e seus olhos ficam fixos nos meus até que meu olhar percorra toda sua face e concentre-se em sua boca. Novamente sinto meu corpo ser consumido por uma enorme onda elétrica, que me faz desejar ter seus lábios nos meus intensamente. Sinto meu coração bater tão forte dentro do peito, ele está a ponto de me trair, de me deixar cometer um grande erro. Mas algo acontece, ela abaixa a cabeça, me fazendo soltar a respiração presa.
— Pode deixar. — diz, colocando o último bolinho na bandeja, então ela levanta-se.
— Minha nossa, Adam. — a senhora atrás do balcão exclama. — Quanto tempo menino, você está mais forte, mais bonito. — diz com um enorme sorriso. — Ah Felicity, você tem sorte ein garota. — divaga, deixando o momento ainda mais desconfortável. — Então, vocês já se casaram?
— Nós? — Felicity soltou,
— Claro. Vocês se gostavam tanto.
— Não estamos mais juntos. — Ela exclama, pegando a bandeja e jogando no lixo. — Preciso ir, Rose.
— Oh não, querida. Espere um tempo, vou arrumar outros croissants para você.
— Não precisa, Rose. Estou com presa. Passo outro dia. — ela diz, andando rápido. — Até mais.
Rose me encara, com um misto de surpresa, confusão e curiosidade.
— O que aconteceu com vocês?
(...)
— Então seu nome não é Adam? — Rose questionou, após eu contar toda a história para ela. — E ela é uma agente federal? — um conjunto de rugas se formam no meio da sua testa. — Uau, essa história até parece um filme.
— É verdade. Mas é a vida real. — digo. — Agora, a gente meio que se odeia. E acabamos nos reencontrando. O que não está sendo bom para nenhum de nós.
— Nova Iorque traz boas lembranças aos dois. — ela suspira.
— E ruins também.
— Quem sabe não seja o destino, meu querido. — comenta esperançosa. — Colocando vocês dois frente a frente novamente. Acho que a história de vocês ainda não acabou.
— Tenho certeza que acabou, Rose. — digo e ela esboça um enorme sorriso.
— Ah menino, você não sabe muita coisa sobre a vida.
(...)
Quando chego ao FBI, a assistente de John Diggle me manda aguardar. Felicity também já chegou e parece que recebeu o mesmo recado que eu. Ela está sentada numa poltrona em frente à mesa da mulher baixinha que me atendeu e está mexendo no celular, não parece se importar com minha presença, mesmo assim, fico distante, apenas observando-a, vendo que ela não mudou nada e continua tão linda quanto antes.
A conversa com Rose não saí da minha cabeça, todo aquele papo de destino e sobre eu não saber nada sobre a vida. Ela sempre acreditou no amor, antes de eu conhecer Felicity, Rose era a única mulher que eu me sentia a vontade de falar sobre esse sentimento, ficava longas horas escutando a dona do café falar sobre o seu verdadeiro amor, o quanto foi breve e bonito, e no quanto teve um fim trágico.
Não, eu não acreditava no amor verdadeiro, apesar da história de Rose ser muito bonita, não conseguia acreditar no sentimento tão puro e verdadeiro que a senhora do café suspirava ao me contar, até conhecer Felicity e me apaixonar por ela. Antes dela, para mim o amor era uma tolice que apenas fazia as mulheres sonharem com o tal do príncipe encantado.
Já Felicity, me mostrou uma montanha russa de sentimentos e eu adorava a adrenalina que aquilo me proporcionava, e a cada dia que passava eu ficava mais apaixonado por ela, mais envolvido. Então as historias de Rose passaram a fazer sentido, e eu me vi dentro de uma história real de amor, mas no final eu me ferrei, porque tudo era uma grande farsa.
Talvez, Rose acredite que ainda exista algo entre mim e Felicity. Ou que essa história ainda não acabou e tenha um final feliz. Mas a verdade é que ela acabou quando expulsei Felicity da minha vida e ela foi embora.
— Oliver e Felicity, vocês já podem entrar. — informou a secretaria de Diggle.
Quando entrei na sala de Diggle, notei que a reunião era séria, até demais, pois o novo general do exército Alex King estava pessoalmente em sua farda cheia de condecorações, ele estava sentado na ponta da mesa da reunião e seu secretário estava ao seu lado. Olhei para a tela onde meu pai aparecia ontem, mas hoje os monitores estavam desligados.
— Onde está o meu pai? — Indago, John Diggle limpa a garganta e encara o general.
— Seu pai foi afastado, Queen. — responde o chefe do FBI. — ele não concordou com o acordo que fizemos. Você pode conversar com ele depois, mas antes escute o que temos a dizer.
Esse acordo deve ser um absurdo para meu pai não ter concordado. No entanto, puxo a cadeira e me sento, disposto a escutar.
— Sente-se, Felicity.
— Que acordo é esse? — ela questionou, sentando-se.
— Nós tivemos uma longa reunião ontem. — inicia John. — Parece que o exército e o FBI têm o mesmo objetivo, que é chegar ao grande chefe do cartel de drogas e armas dos Estados Unidos.
— Esse objetivo acabou colocando vocês dois no mesmo caminho. — Continuou o general, mostrando que eles haviam treinado direitinho o que falar. — Damon Fisher.
— Sim. — Felicity concordou. — Mas acredito que esse trabalho seja único e de exclusivo interesse do FBI, sendo assim não é necessário a ação de vocês.
— Você está errada, senhorita Smoak. — King rebate. — Sei que perdeu um grande amigo, mas o exército dos Estados Unidos, tanto quanto o FBI, tem bastante interesse nesse caso. Está ligado tanto a nós quanto vocês. E por isso chegamos a um acordo. Mas para dar certo precisamos que vocês dois deixem o passado para trás.
— Já deixei há muito tempo. — digo. — Que acordo é esse?
— Vocês dois precisam trabalhar juntos. — diz Diggle.
— Como é que é?! — Felicity exclama. — você tá de brincadeira né?
— Não, Felicity. — responde. — se você quer continuar nessa tarefa, vai ter que trabalhar com Oliver.
Felicity solta um riso de escarnio.
— Não tá óbvio que isso não vai dar certo?
— Ela tem razão. — digo, por mais que odeie concordar com ela, mas no momento Felicity está certa, não existe chances de isso dar certo.
— Ou vocês aceitam dessa forma. Ou designaremos outras pessoas para essa tarefa. — o general diz.
— John... — Felicity murmura.
— Eu não tive escolha, Felicity. — explica. — Era isso ou entregar tudo para eles. Aceitei o acordo pensando em você.
Eu sou capaz de passar por cima do que aconteceu para dar continuidade a essa missão. Caso contrário eles irão me mandar pro meio de fogo cruzado e isso eu não quero mais. O tempo que passei em missões em países em guerra me mudou, me fizeram evoluir, mas não quero mais aquilo, por isso sou capaz de trabalhar ao lado dela ou qualquer outra coisa.
— Tudo bem por mim. — eu digo. Felicity me encara, os olhos fixos nos meus. Ela está pensando na situação posso imaginar o conflito em sua cabeça.
— E você, Srta. Smoak? Aceita ou John Diggle precisará achar outro agente?
Ela encara o general, o rosto enfurecido. Se pudesse ela com certeza acabaria com ele. A insatisfação dela é palpável, mas algo parece mudar em sua face por alguns segundos. Ela suspira e encara o general King.
— Desde que o tablet de Bridget fique comigo. — Diggle da um riso de puro alívio. — Quero ter uma conversa com Damon Fisher também.
— Tudo bem, você terá o tablet e a oportunidade de falar com Damon Fisher.
— Ótimo.
Felicity levanta-se e me encara.
— Bom, acho que temos trabalho a fazer.
— Ainda não. — digo, encarando King. — Se ela pode exigir algo, eu também posso.
King solta um longo suspiro.
— Tudo bem, vamos lá, qual sua exigência?
— Quero falar com Damon Fisher também. — digo. — Interrogá-lo, do meu jeito.
— É só isso?
— Por enquanto — pondero. — sim.
— Okay, Queen.
(...)
O FBI tinha disponibilizado para Felicity uma grande força tática para prender Damon e seus seguranças. No momento estávamos nos deslocando para o The Bronx, onde fica sua boate. Recebemos informações de que logo depois que foi liberado Damon voltou para a boate, parece que ele não está tão preocupado em ser preso novamente.
Felicity está sentada a minha frente, usando um colete e segurando uma arma, confesso que ela fica sexy com essa pose durona de agente federal. E também confesso que estou perdendo meu foco e deixando completamente o passado para trás ao esquecer tudo que ela fez. Vamos lá Oliver, mantenha a concentração no que é importante.
— O que foi, Queen? Perdeu algo aqui? — ela indaga, fitando meus olhos.
— Nada. — digo. — Apenas estava observando, é uma bela pistola essa que tem aí.
Ela sorri e continua fitando meus olhos.
— Não é minha. — seu sorriso some por completo. — É de um amigo.
— O que morreu? — ela me encara novamente. — Hoje o general comentou
— Isso não lhe interessa, Oliver. — me interrompe e olha para outro lugar que esteja bem longe de mim.
A força tarefa do FBI cerca a boate de Damon, Felicity e alguns agentes são os primeiros a invadirem o local. Eles entram e logo começa uma série de tiros, as pessoas começam a sair correndo e aos berros da boate. Fico apreensível, pensando se ela está bem. Os tiros não cessam, tento entrar, mas todas as portas estão abarrotadas de pessoas tentando sair de dentro do local.
Não consigo encontrar uma brecha, até tento abrir caminho empurrando as pessoas, mas são muitas e para piorar elas estão alucinadas por causa das drogas. O momento fica ainda mais angustiante, quando pessoas saem feridas. Apenas consigo pensar em uma pessoa, eu sei, meu ressentimento é grande, no entanto, ela está lá dentro e não quero que nada ruim aconteça com ela.
— Preciso entrar. — grito, para os outros agentes. — Ajudem essas pessoas.
Forço-me mais uma vez no meio da multidão e dessa vez consigo avançar. Quando chego a porta de entrada, o tumulto já diminuiu e consigo entrar na boate, a musica tá alta e está escuro, dificultando minha visão.
Os tiros diminuíram, isso é bom.
— Felicity! — grito.
— Oliver? — escuto sua voz e isso me deixa aliviado. — Damon está na parte superior, não consigo chegar até ele.
— Tudo bem. — digo. — Acho que consigo.
Já estive na boate, sei que há uma escada a direita que leva para a parte superior. Algumas luzes coloridas estão piscando e eu consigo achar as escadas. Subo cada degrau mantendo a atenção em qualquer movimento. Quando chego ao andar superior há um corredor cheio de portas, começo a checar cada uma delas, mas Damon não está em nenhuma. Quando me viro para recuar, a silhueta dele na escuridão me pega de surpresa, posso ver a arma apontada na minha direção.
— Acabou pra você, playboy.
O disparo é feito e parece que tudo se movimenta em uma velocidade lenta. O tiro não saiu da arma de Damon, e sim da de Felicity, ela acabou de matar a pista mais importante que tínhamos para pegar Shaw. Felicity acabou de salvar a minha vida.
— Você está bem? — ela questiona, checando a pulsação de Damon.
— Melhor que ele, com certeza. — digo. — Você acabou de matar Damon Fisher, agora sim a missão está totalmente arruinada.
— Eu salvei sua vida, você devia me agradecer. — ela diz. — Se eu não chegasse você estaria perdido. Não foi isso que você disse para mim? — questiona.
Respiro profundamente.
— Acho que não te devo mais nada agora.
Ela vira-se e se afasta.
Pelo jeito, essa história de trabalhar junto, vai ser mais difícil do que eu pensava.
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