Wonderwall.
7 Felicity X Oliver.
Notas iniciais
Acordei abruptamente na terça feira, atrasada como nunca. Quando meu despertador tocou — há 30 minutos — eu ignorei e voltei a me cobrir, repetindo na minha consciência que seriam apenas 5 minutinhos, o que tornou-se meia hora. Em dois anos eu nunca me atrasei e agora estava correndo de um lado para o outro no meu quarto, jogando roupas na cama e desfazendo os nós dos meus cabelos.
Tudo culpa minha e dos meus pensamentos que resolveram entrar em conflito depois que Oliver me deixou em casa. Eu fiquei horas pensando nele. Estou atrasada porque passei a madrugada pensando no Queen, quem diria que Felicity Smoak ficou horas sem dormir pensando num cara como o Queen. Logo como o Queen.
— Droga! — exclamei, ao notar que tinha vestido a camisa do lado avesso. Retirei e vesti do jeito certo.
Peguei a calça jeans e enfiei em uma das minhas pernas, meu celular apitou e eu corri sem jeito até a cômoda quase caindo de boca no carpete. Antes de pegar o celular terminei de vestir o jeans e calcei as sapatilhas vermelhas e então peguei o aparelho, era uma mensagem de Oliver, dizendo que já estava me esperando há quase 10 minutos e que estava ficando preocupado. Respondi:
O que está fazendo aqui? Eu disse que iria com o meu carro. Não se preocupe, pode ir para a faculdade sem mim. Enviei, mesmo soando grossa demais não me senti arrependida, afinal, grande culpa do meu atraso era dele.
Peguei minha mochila e enfiei algumas apostilas dentro. Terminei de arrumar meus cabelos, fazendo um rabo de cavalo simples, estava sem tempo para fazer uma coisa melhor. Peguei a jaqueta de couro marrom que tinha deixado em cima da cama, as chaves do carro e do apartamento, meu celular e sai quase correndo do meu quarto.
Quando entrei na cozinha o celular apitou com uma nova mensagem de Oliver. Ignorei e abri a geladeira, fiz uma nota mental de que precisava ir urgente ao supermercado, então peguei uma maça, coloquei ração na vasilha de Mogus e deixei água fresquinha para ele. Só então verifiquei a mensagem de Oliver:
Graças a Deus você está bem. Ainda estou te esperando, algo me diz que vai precisar da minha carona.
Revirei meus olhos com sua petulância. Dei uma mordida na maça e voltei para a sala. Enfiei meu notebook na mochila. Chequei as horas, estava atrasada como nunca. Peguei todas minhas coisas e sai do apartamento, tranquei a porta e segui para o elevador. Desci até a garagem. Não daria a Oliver o gostinho de mais uma vitória, peguei o celular e digitei: Chegando perto do meu carro. Então enviei, sorrindo triunfante como se ele estivesse me vendo.
Pude ver meu amado sedan entre dois carros melhorzinhos dos vizinhos. Retirei o chaveiro que tinha ganhado de Barry e Cait antes de me mudar para NY, ele é cheio de peças de computador e é como um amuleto de sorte para mim. Antes de eu enfiar a chave na fechadura do carro meu celular apitou. Abri a porta e embarquei para então abrir a resposta de Oliver.
Ainda estou te esperando. Talvez você tenha que checar os pneus do seu carro, ouvi dizer que ratos roem borracha.
Desembarquei do carro em um pulo e olhei para as rodas. Não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo, os dois pneus dianteiros haviam sidos furados, na verdade dilacerados e aquilo só podia ser obra de uma única pessoa [...].
— Otário. — rosnei quando encontrei Oliver na calçada do meu prédio. Ele estava bonito como sempre, jeans escuro e camisa cinza que destacava seu abdômen e os bíceps grossos, esboçava seu sorriso arrogante de sempre, o que me fez ferver como um vulcão em erupção. — Por que você fez aquilo com o meu carro?
— Eu? — ele apontou para si, como se fosse inocente. — Não faço a mínima ideia do que aconteceu com o seu carro e você está me culpando? — bufei, acho que eu devia parecer um animal aterrorizante, pronto para atacar, mas de forma alguma afetei Oliver.
— Não se faça de idiota, seu babaca! — vociferei, deixando minha raiva bem visível. A esse ponto, algumas pessoas já estavam olhando para nosso showzinho. Respirei fundo, sentindo uma ponta de vergonha. — Alguém furou os pneus do meu carro e eu sei que foi você.
— Não sei do que você está falando. — disse ele, cruzando os braços sobre o peito, e com aquela expressão de quem não sabe nada estampada na cara. Eu estava a ponto de explodir com Oliver e fazê-lo pagar pelo que tinha feito com meu sedan. Mas contei até dez e respirei fundo.
— Você... Você... Argh! Você é um bastardo! — exclamei, virando as costas para ele. Comecei caminhar rumo à faculdade, de forma alguma eu aceitaria sua carona, mesmo estando atrasada.
Oliver segurou meu pulso suavemente, retardando meus movimentos.
— Aonde você vai? — questionou, parando como uma muralha na minha frente.
— Para o lugar que vou todas as manhãs. Faculdade. E não vou com você. — puxei meu braço com força, fazendo ele me soltar.
— Felicity...
— Cala a boca! — exclamei. — Apenas me deixe em paz. — acrescentei.
Continuei meu trajeto. A faculdade fica perto, mas se eu estivesse de carro, andando era pouco mais de 30 minutos o que me fez concluir que Ana vai me matar. Estava virando a esquina quando escutei o barulho de uma buzina. Olhei para o lado e era Oliver no seu conversível.
— Entra no carro, Felicity. — disse, como se estivesse exigindo que eu entrasse no veículo. Não dei importância e continuei andando. — Entra no carro, porra!
— Não. Porra! — retruquei. Oliver estacionou o carro e desembarcou dele. Caminhou rápido em minha direção.
— Entra no carro, Felicity. — falou, atrás de mim.
— Já disse que não vou entrar na porra do seu carro!
— Está me fazendo perder a paciência. — Suas palavras fizeram o sentimento de raiva voltar com força. Virei-me e encarei os olhos dele com raiva.
— O que você vai fazer? — desafiei. — Vai me jogar no seu ombro como um homem das cavernas e me por dentro do seu carro?
— Que saber? — indagou. — Sim.
Tudo ocorreu bem rápido. Senti seus braços fortes me erguendo no ar e quando percebi estava sobre seu ombro, dando socos em suas costas. Ele era forte e eu não podia demostrar minhas habilidades de luta, por isso deixei que ele me levasse até o carro e me colocasse no banco do passageiro, então Oliver fechou a porta e contornou o conversível, sentou-se no banco do motorista e arrancou.
— Você sabe o quanto eu te odeio? — perguntei, fazendo-o olhar para mim. Ele não disse nada, mas os cantos da sua boca se curvaram em um sorrisinho que me desarmou inteira. — Eu odeio você.
— Eu também odeio. — ele murmurou, permanecendo com os olhos na estrada.
— Ah tá, agora você também se odeia? — retruquei.
— Não. — ele me olhou. — Eu odeio o fato de gostar tanto de uma pessoa teimosa como você. — engoli em seco. Aquilo era uma declaração bem explicita dele e fez-me sentir como uma criança que acabou de ganhar um doce.
Depois daquilo Oliver ficou em silêncio o caminho inteiro até o estacionamento da faculdade, só se pronunciou quando eu desembarquei do carro, ele disse poucas palavras, parecia um velho ranzinza.
— A gente se vê mais tarde. — foi o que ele disse. Eu apenas assenti e segui para a biblioteca. Ainda tinha que explicar meu atraso para Ana e teria uma reunião com Diggle.
— Meu Deus, você nunca se atrasou, Felicity, aconteceu alguma coisa? — indagou Ana, quando eu pisei na biblioteca.
— Eu estou bem. Apenas acordei atrasada. — expliquei.
— Sua noite foi tão boa assim? — questionou, com as sobrancelhas franzidas e um sorrisinho canalha. — Você resolveu liberar para o garanhão da faculdade e por isso se atrasou?
— Cala a boca, Ana! — exclamei mal humorada. — A única coisa que fizemos foram: assistirmos a um filme, fomos ao central park e comemos cachorro quente, a noite acabou com um beijo na bochecha da parte dele.
— Ele te levou para assistir um filme e comer cachorro quente? — Os miolos de Ana pareciam estar entrando em combustão. — Foi isso mesmo que aconteceu?
— Sim. — respondi, contornando o balcão. Comecei a mexer no computador.
— Então ele gosta mesmo de você. — ela afirmou. — Você fez Adam Cooper se apaixonar por você!
— Ah, por favor, acho melhor pararmos com isso. — tentei contornar a situação. — É claro que ele não está apaixonado por mim.
— Você precisa transar com ele. — parei o que estava fazendo no computador e encarei Ana. — Se ele continuar atrás de você depois que transarem, é porque gosta de verdade de você.
— Eu não vou transar com ele e, vamos mudar de assunto. Melhor, vamos fazer nosso trabalho em silêncio, temos muitos livros para encaixotar, não é? — Ana deu de ombros. Não entendia o fato de ela odiar Oliver poucos dias atrás e agora estar do lado dele.
— Vou começar com os livros do andar de cima. — eu concordei com a cabeça. Ela não disse mais nada, pegou algumas caixas do balcão e fitas adesivas e depois subiu as escadas. Aproveitei a brecha, tinha que conversar com Diggle.
Entrei na base e liguei os computadores, iniciei uma chamada de vídeo com o capitão. John não demorou muito para me atender. Estava sentado em sua cadeira estofada, tomando café.
— Capitão. — falei em tom profissional.
— Olá, Felicity. Alguma novidade?
— Preciso mesmo falar todos os detalhes?
— Se algo está te deixando nervosa, você tem o dever de me falar, acima de tudo, somo amigos. — eu sorri. — Está tudo bem?
— Tirando o fato de Oliver às vezes esgotar toda minha paciência, está tudo bem. Você acredita que ele furou os pneus do meu carro só para eu aceitar a carona dele? Ele acabou com os pneus do meu sedan.
— Você odeia aquele carro. — lancei um olhar fulminante para Dig. — Continue.
— Depois que a gente discutiu ele falou o seguinte... — pigarreei e engrossei minha voz, para ficar parecida com Oliver. — Eu odeio o fato de gostar tanto de uma pessoa teimosa como você. — John ficou quieto, aparecia avaliar tudo que tinha acabado de dizer.
— Ele disse mesmo isso? — assenti com a cabeça. — E por que está tão nervosa? É sinal de que tudo esta indo bem. Vocês estão se aproximando bastante.
— Dig. — murmurei. — E se tudo sair dos trilhos? E se eu cometer um erro?
— Por que está falando isso?
— Porque... — pensei direito, não podia contar ao capitão que Oliver conseguia mexer comigo, Diggle disse desde o inicio para eu manter o foco e não me deixar levar. Ele não podia saber a verdade. — Ray vai estar aqui no mês que vem.
— O seu ex namorado? — Dig tinha uma expressão levemente preocupada. Ele chegou a conhecer Ray em um evento do FBI em San Diego, mas os dois quase não conversaram. Dig apenas disse que se Ray me magoasse no dia seguinte ele amanheceria do outro lado do mundo.
— Sim.
— Quer que eu faça algo? Tipo mudar o rumo do avião e mandá-lo para a China?
— Não. Claro que não. — respondi. — Acho que consigo resolver isso. Quando ele estiver aqui dou um jeito de conversar com ele.
— Está bem, Felicity. Quanto a Oliver não se preocupe, se ele está se aproximando de você é bom para o seu trabalho. — concordei. — Mais alguma coisa?
— Não, só isso.
— Preciso ir. Está uma bagunça aqui. Recebemos informações de que um traficante Mexicano está escondido no Queens. — suspirei, era nessa bagunça que eu queria estar e não lidando com a bagunça que minha cabeça estava.
— Okay, Diggle.
Depois da breve reunião com Diggle, eu sai da base e comecei encaixotar alguns livros que eu e Ana tínhamos separado no dia anterior. Os livros seriam todos doados para a faculdade do Brooklyn e precisavam ser colocados em caixas para chegarem em bom estado ao seu destino.
Tinha quatro aulas pela tarde e não estava com cabeça para escutar o professor Brunet falar por horas e mais horas sobre quando tinha apenas um mac para trabalhar. Mas aguentei firme e cheguei à última aula. Estava guardando minhas coisas na mochila quando notei Oliver encostado no batente da porta, me olhando.
— O que está fazendo aqui? — perguntei, baixo, pois o professor ainda estava em sua mesa fazendo algumas anotações.
— Precisamos conversar.
— Gosto quando você fica mudo. — ele fez uma carranca e pegou minha mochila. — O que está fazendo?
— Vamos. — disse e me puxou pelo braço porta a fora.
— Para onde está me levando? — por sorte o corredor estava cheio de nerds que nem se importavam com a gente. — Hey, dá para você me responder.
Oliver continuou quieto e me conduziu até o banheiro interditado no fim do corredor. Olhou para os lados, checando se tinha alguém nos olhando e abriu a porta, me puxando junto com ele para dentro.
— Dá para você me dizer o que estamos fazendo aqui?
— É um lugar calmo.
— A biblioteca também é um lugar calmo. — argumentei.
— Lá tem a Ana. — ele rebateu. Cruzei meus braços sobre o peito e encarei Oliver parado na minha frente. — Queria pedir desculpas pelos pneus do seu carro. Eu agi sem pensar.
— E? — instiguei-o a continuar.
— Fui idiota. E eu vou pagar o concerto.
— Acho bom mesmo.
— Também vou pedir para concertarem aquela batida na traseira. Também foi minha culpa. — arqueei as sobrancelhas. Sim, era culpa dele, mas como? — Eu bati nele e ia te procurar para pagar o concerto, mas não fiz isso.
— Como lembra? Pensei que você não tinha nem percebido.
— Você me olhou aquela vez e pensei que ia me matar, e hoje, quando saiu furiosa do seu prédio, pensei a mesma coisa, eu apenas me lembrei daquele dia.
— Tive vontade de acabar com você mesmo. Confesso que me visualizei te jogando na frente de um caminhão. Não foi um bom pensamento, meu Deus, foi terrível...
Oliver segurou meu rosto entre suas mãos, fazendo-me calar. Seus olhos se acenderam como uma chama quando instigada com querosene. Seus lábios se aproximavam dos meus em uma velocidade rápida, eu me peguei novamente morrendo de vontade de ceder e eu ia, mas alguém abriu a porta.
— Este banheiro está interditado. Quantas vezes tenho que falar que não está servindo como motel para vocês transarem? — Era Judith, chefe da limpeza, ela nos olhou feio e ao mesmo tempo divertida. — Ainda bem que cheguei antes de vocês terem tirado as roupas. — seu comentário me fez rir baixo. — Saiam já daqui.
Peguei minha mochila que Oliver tinha colocado no chão e sai do banheiro antes que ele, se isso que aconteceu segundos atrás voltar acontecer, não sei se vou resistir.
— Felicity. — virei ao escutar a voz de Oliver. — Nos vemos depois?
— Você é minha carona. — ele sorriu e eu retomei meu caminho.
[...]
— Pronto! Essa era a última. — disse Ana, lacrando a última caixa de papelão com livros para doação.
— Então, estou livre?
— Ás vezes eu acho que você não vê a hora de encontrá-lo. — comenta ela, com segundas intenções.
— Claro que não. — rebati. — E a culpa é sua por ter aceitado as entradas para shows de rock em troca de me dispensar mais cedo, ao contrário eu estaria aqui te ajudando. — ela deu de ombros, sem se importar. — Traidora.
— Um dia você vai me agradecer. — apontou ela, com ar soberano. Revirei os olhos e caminhei até o balcão, peguei todas as minhas coisas. — Hey, não se esqueça de usar preservativos.
— Cala a boca! — exclamei. Ela deu uma gargalhada convicta.
— Tenha uma boa noite, Felicity.
— Desejo uma péssima para você. — disparei e sai da biblioteca para não prolongar nossa discussão ridícula.
[...]
Pov Oliver.
Passei a tarde pensando onde levaria Felicity à noite, nunca fiquei tão inseguro perto de uma mulher como fico quando estou com ela. Felicity vira minha cabeça e eu acabo cometendo loucuras para passar algum tempo com ela, como enfiar um canivete nos pneus do carro dela, grande erro, aliás.
Hoje, no banheiro interditado eu vi o mesmo desejo que sinto quando estou com ela, transbordando dos olhos de Felicity, ela me deseja, eu tenho certeza disso. E se não fosse Judith, tinha acontecido. E como eu desejo apreciar aqueles lábios finos e rosados, ainda mais quando Felicity fala demais e me provoca, um dia ainda cometo a loucura de atacá-la.
Pensei em leva-la para o bar de Nyssa, mas é terça feira, totalmente errado encher a cara e Felicity é toda correta, ia acabar sendo um saco para ela. O cinema não era uma boa opção para mim, ontem eu só prestei atenção em partes picotadas do filme porque Felicity prendia minha atenção. Então, me veio à cabeça um lugar que levei Thea quando ela e mamãe vieram me visitar. Boliche, Felicity vai gostar.
Estacionei o carro no estacionamento e fiquei esperando por Felicity. Vi quando ela apareceu de trás da árvore centenária que tinha no jardim do campus. Ela deu um sorrisinho tímido — que faz todo o meu ser reagir — e diminuiu a distância entre nós.
— Estou aqui. — ela disse, tirando as mãos do bolso da jaqueta para arrumar alguns fios de cabelo que tinham caindo no rosto. — Para onde vamos hoje?
— É segredo. — abri a porta do audi para ela entrar. Esperei ela se ajeitar e fechei a porta. Entrei pelo outro lado.
— Por que tanto mistério, Adam? — questionou. Odiava mentir sobre meu nome para ela, sinto segurança nela e queria contar a verdade, mas meu pai sempre me disse para ser cauteloso, mentir é o preço para não ter os ratos dele atrás de mim 24 hrs por dia.
— Você é muito curiosa. — murmurei, dando ré no carro e saindo do estacionamento.
— É que estou vestida com roupas simples..
— Posso garantir que suas roupas estão ótimas. — ela me olhou e sorriu.
— Está bem. — ela sossegou, apenas trocou a música e desfez o rabo de cavalo, deixando os cabelos soltos. Tirei meus olhos dela, antes que cometesse a bobagem de avançar o sinal vermelho.
...
— Não acredito que me trouxe para jogar boliche! — Felicity exclamou visivelmente alegre. — Eu adoro jogar boliche. — suspirei feliz por ter dado uma dentro. — Modéstia parte, eu sou ótima.
— Desculpe, mas não deve ser melhor do que eu. — rebati. Desembarquei do carro e ela fez o mesmo que eu. Mas ficou encarando o conversível. — O que foi?
— Nada, só estava pensando aqui.
— No que? — questionei, pegando firme a mão dela e guiando-nos até a entrada do 300 NY.
— Só em como vou provar que sou melhor do que você.
Nossa entrada foi liberada pelo segurança e nos dirigimos para o balcão onde uma funcionária nos deu dois pares de sapatos especiais para o approach e nos dirigiu para uma das pistas vazia, ao sair ela nos desejou sorte.
— Como vai ser? Uma disputa de 10 jogadas? — ela questionou, com ar vitorioso.
— Você quer mesmo perder 10 rodadas? — provoquei.
— Eu não vou perder. — rebateu. — Você que vai.
— Está bem, eu começo. — peguei uma bola preta e encaixei nos dedos, dei dois passos até a pista e arremessei a bola. — Strike.
— Você é muito bom. — comentou, impressionada. Olhou para as bolas e escolheu a cor-de-rosa. — Não sei se consigo derrubar todos os pinos. — se posicionou. — Ficou difícil para mim. — arremessou. A bola seguiu reto, acertando o pino do centro primeiro e depois todos os outros. Felicity olhou para mim e piscou.
No final da primeira rodada eu me sentia humilhado. Felicity tinha ganhado 7 vezes e eu apenas 3. Jurava ser o melhor jogador de boliche, mas ela me provou o contrário.
— Quero revanche. — disparei.
— Quer mesmo perder mais uma vez?
— Dessa vez eu não vou perder, estava só aquecendo. — menti. Felicity deu um sorriso de deboche.
— Está bem, mas só se dessa vez valer algo.
— O que exatamente?
— As chaves do seu carro. — respondeu.
— Como?
— Se eu vencer dirijo o conversível durante todo o tempo que passarmos juntos. Já, se você ganhar, pode escolher o que quiser.
— O que eu quiser? — indaguei, sorrindo.
— O que você quiser.
— Fechado. — selamos o acordo com um aperto de mão. — Dessa vez você começa.
Com facilidade Felicity derrubou todos os pinos, fazendo um strike de primeira. Eu amo o meu conversível, mas gosto ainda mais desses desafios com Felicity. Ceder o carro a ela não é grandes coisas e, se eu ganhar, terei o que quiser.
— Sentiu a pressão, querido? – estava claro que ela continuaria fazendo seu joguinho de provocações.
...
Felicity foi arrebatadora nas suas outras jogadas, fazendo uma dancinha para me provocar todas as vezes que fazia um strike, aquilo estava acabando com meu auto controle. Mais uma dancinha e um sorrisinho provocativo e eu perderia qualquer resquício de controle.
— Desiste. Eu já ganhei. — ela provocou. — Está 7 para mim e 1 para você.
— Okay, você ganhou. — admiti, largando a bola e deixando meus ombros caírem em sinal de derrota. Felicity não se mostrou solidária a minha derrota, ao contrário, ela levantou e ergueu os braços para cima, disparou um Uhul.
— Eu falei que era melhor que você. — provocou, parando bem perto de mim, olhando bem firme nos meus olhos e com aquele sorriso sexy nos lábios.
Era tarde para ter qualquer pensamento racional, quando dei por mim estava com meus lábios colados nos de Felicity, segurando firme seu rosto junto ao meu, com minha língua explorando sua boca doce e meus dedos enrolados em seus cabelos. Felicity soltou um suspiro e segurou a gola da minha camisa, com a outra mão puxou meu cabelo, tornando o beijo ainda mais urgente e lascivo. Perdi a conta de quanto tempo ficamos colados, assim que terminamos um beijo recomeçamos um ainda mais quente.
Felicity desceu as mãos por meu pescoço e segurou minha camisa, separou seus lábios dos meus, me deixando com uma sensação ruim. Ela olhou para cima, encontrando meus olhos, continuava na ponta dos pés, com seu nariz raspando no meu. Eu sabia que viria protesto por tê-la beijado. Passei meus braços por sua cintura, para que não fugisse de mim.
— Isso não podia acontecer.
— Não diga que não queria ou que não gostou. Vai estar mentindo. Ninguém beija dessa forma que você me beijou se não estivesse gostando.
— Você que me agarrou e me beijou.
— E você não me impediu. — estávamos sussurrando na pista, fazendo um showzinho para os outros jogadores. — E foi porque gostou.
— Quem disse?
— Seu corpo. Ele está fervendo. — ela empurrou meu ombro e se afastou de mim. Esperei, ela precisava de um tempo.
— Está na hora de finalizar nossa noite. Estou cansada e quero ir para casa.
— Está bem. — pelo jeito ela precisava de muito tempo. — Vamos. — virei e fui saindo.
— Hey, você está se esquecendo de algo. — virei novamente para ela. — A chave. — estendeu a mão na minha frente. Tirei o chaveiro do bolso e coloquei na mão dela.
— Só tome cuidado com ele. — ela sorriu e passou por mim pisando duro.
Entregamos nossos sapatos e saímos do boliche. Felicity embarcou no carro antes que eu e me esperou. Antes mesmo de eu ajeitar o cinto ela estava dando ré e saindo em velocidade do estacionamento.
— Eu sempre quis dirigir um desses. — declarou.
— Só não nos mate. — ela deu um sorriso assustador e continuou o caminho.
Chegamos vivos ao prédio dela. Felicity desligou o motor e soltou o cinto, virando para mim em seguida.
— Gostei de te derrotar hoje.
— Você devia parar de me provocar. — falei sério.
— Seu ego deve estar doendo muito né? — ela fez uma carranca de dor.
— Você pode ficar cantando sua vitória. Mas fui eu que ganhei a noite. — me inclinei na sua direção. — Agora sei que você não é tão resistente a mim. — ela fez uma cara de tédio.
— Vou subir. A gente se vê amanhã. — Felicity se apoiou nos meus ombros e ergueu um pouco o corpo para depositar um beijo no canto dos meus lábios, depois pulou para fora do carro e seguiu para dentro do edifício.
Balancei a cabeça, ainda extasiado com seu cheiro e seu beijo altamente cruel no canto da minha boca. Tomei meu lugar no carro e dirigi-me para casa. Precisava tomar um banho gelado e dormir para afastar os pensamentos dos meu corpo enroscado no de Felicity.
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