Wonderwall.

8 Dorme comigo?


Notas iniciais
Aqui estou eu, lançando um capítulo bomba, falo isso por causa do título e do que vai acontecer. Até terça feira esse era o meu cap favorito, mas aí eu escrevi o dez e ele passou a ser o meu preferido, sem desmerecer esse que, modéstia parte está muito bonitinho, espero que achem o mesmo. Eu gosto de escutar música enquanto escrevo, e eu escutei uma repetidas vezes enquanto escrevia esse cap, então estou usando nesse cap. Vou deixar o link. Agora não vou mais prolongar aqui, tenham uma boa leitura. link > https://www.youtube.com/watch?v=ac3HkriqdGQ

Porque somos você e eu.

E todas as pessoas

Com nada para fazer, nada para perder.

E somos você e eu. E todas as pessoas.

E eu não sei por que não consigo tirar meus olhos de você.

You and Me — Lifehouse.

—__________________

FELICITY.

Meu despertador tocou, fazendo-me mexer preguiçosa na cama para desliga-lo, já estava acordada há um tempão, na verdade eu quase não preguei os olhos, toda vez que o sono chegava eu era despertada pelas lembranças do beijo que Oliver me deu. Maldição, aquele desgraçado está acabando comigo! Como eu vou conseguir resistir depois daquilo que aconteceu no boliche?

Eu sempre tive controle das minhas ações, nunca cometi deslizes. Mas ficar perto de Oliver é como estar em dieta e ter bomba de chocolate na geladeira, uma hora ou outra a gente acaba dando uma beliscada. Não quero perder o controle assim tão cedo e sinto que se ficar perto dele, vou acabar perdendo. E hoje ainda é quarta feira, se ele me levar há um lugar calmo...

— Argh! Estou perdida. — gritei contra meu travesseiro, abafando o som. — Chega de pensar em Oliver Queen e naquele maldito e extremamente delicioso beijo, beijos na verdade, porque eu acabei devolvendo o beijo. Deus do céu, quando vou perder essa mania de falar sozinha? — falei levantando da cama e indo para o banheiro.

Acabei que não tomei banho ontem à noite, apenas para dormir com o cheiro de Oliver em mim, sim, eu cheguei a esse ponto e estou me sentindo uma adolescente. Profissionalismo, Felicity, nada, nunca veio antes do que o profissionalismo na sua vida. Pensei. Tirei as roupas e entrei em baixo no chuveiro.

Terminei de me vestir, peguei minhas coisas e sai do quarto, Mogus já estava miando atrás de mim, pedindo café da manhã. Seu pacote de ração estava quase vazio, igual minha geladeira, tinha esquecido novamente de passar no supermercado e ia comer uma banana de café da manhã. Meu celular tocou, uma mensagem de Oliver:

Estou te esperando.

Ele só pode ter caído da cama. Terminei de comer a banana e tomei um copo d’ água. Passei a mão nos pelos macios de Mogus e peguei minha mochila. Sai do meu apartamento e desci até a portaria. Oliver estava do lado de fora, balançando as chaves no dedo indicador. Fiquei encarando seus olhos sedutores e os lábios curvados num sorriso encantador, como pode ser bonito 24 hrs por dia? Balancei a cabeça e retribui o sorriso, diminuindo a distância entre nós.

— Bom dia. — ele sussurrou, se inclinando para me dar um beijo no canto dos lábios, igual eu fiz ontem a noite, estremeci dos pés a cabeça. — Você está linda. — acrescentou em tom sexy, colocando uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha.

— Bom dia e obrigada. — falei rapidamente, me afastando dele. — A chave. — estendi a palma da mão para ele me entregar o chaveiro com a chave do carro.

— Felicity. — virei-me para ele. — Um mecânico vem pegar o seu carro hoje, precisa deixar a entrada dele liberada.

— Ah tudo bem. — voltei até a portaria e avisei o porteiro sobre o mecânico, Sr.Roggers me desejou um bom dia e então eu voltei para onde Oliver estava. Ele já tinha embarcado no banco do passageiro.

— Tudo certo? — assenti com a cabeça e entrei no carro, enfiei a chave na ignição, dirigir o audi de Oliver é uma das melhores sensações que já tive, ainda mais quando ele acha que vou nos matar.

— Não se preocupe, Adam, não vou enfiar seu carro em uma árvore ou bater no poste. — anunciei depois que ele fez uma carranca.

— É que... é automático. Eu sempre dirigi em uma velocidade considerável quando estou com você.

— Isso é muito doce da sua parte. Mas não sou tão certinha assim. — Ele me olhou surpreso.

— Por acaso você tem uma tatuagem também? — eu sorri, como se meu sorriso fosse à resposta. Oliver arregalou os olhos e se ajeitou no banco para me olhar. — Em que lugar?

— Pouco acima da cintura, é pequena. Eu fiz ela quando tinha 18 anos e estava bêbada, prometi nunca mais beber tanto depois daquele dia.

— Eu preciso vê-la. — Freei o carro bruscamente, Oliver quase bateu a cabeça no painel, depois de se ajeitar no banco novamente, ele me encarou sério.

— Não, você não precisa vê-la. — decretei.

— Por que não?

— Porque não, e ponto final. — voltei dirigir e permaneci quieta, com os olhos fixos na estrada. Ele jamais vai ver essa tatuagem.

— Ela é tipo uma tatuagem vergonhosa?

— Não.

— Então por que não quer me mostrá-la? — questionou. — É o nome de um ex namorado?

— Também não. Eu nunca faria isso.

— Então o que é?

— Está bem. — Respirei fundo, inflando meus pulmões. — É uma frase vergonhosa. O cara que fez a tatuagem estava bêbado e foi uma amiga minha que o mandou fazer. Eu acabei notando que minha melhor amiga era uma grande vadia no dia seguinte, quando senti uma irritação na cintura e fui checar o que era, quando eu vi o que estava escrito eu queria morrer, mas antes eu ia matá-la. Depois a gente caiu na risada. É uma frase que me dá vergonha e eu não vou te mostrar.

— Está bem, eu desisto, por enquanto. Você sabe que vai acabar me contando. — Eu sei que Oliver não vai sossegar enquanto não descobrir o que tenho tatuado na minha pele e presumo que vai ser difícil esconder dele.

Eu ganhei a tatuagem com a frase vergonhosa na noite do aniversário de 19 anos do Barry. Eu, Cait e ele fizemos carteiras falsas e entramos em um bar, enchemos a cara naquela noite, eu não me lembro até hoje do que aconteceu, do que nos fizemos, lembro-me apenas da manhã seguinte, acordei na cama do quarto de visitas da casa de Cait, os pais dela tinham viajado, e além de ter descoberto a tal tatuagem que até hoje sinto uma tremenda vergonha, descobri que meus melhores amigos transavam. Fico feliz com o relacionamento deles que dura até hoje, apesar deles terem escondido de mim que faziam sexo durante três meses.

Estacionei o carro no estacionamento e tirei a chave da ignição, entregando para Oliver em seguida. Virei meu corpo, de modo que ficasse de frente para ele, o interior do conversível não é dos maiores, portando, ficamos bem perto um do outro. Mas já estou tão acostumada com ele invadindo meu espaço que nem me importo mais.

— Preciso passar no supermercado hoje, se importa? — perguntei, encarando seus olhos oceanos penetrantes. Oliver esticou a mão para colocar mexas no meu cabelo para trás da orelha, esse simples gesto já está virando rotinha, e eu não me canso de sentir seus toques.

— Claro que não. — respondeu, ainda acariciando meus cabelos, o contato dos seus dedos com meu pescoço me fez arrepiar inteira, por isso segurei sua mão e abaixei junto com a minha.

— Tudo bem. — peguei minha mochila e joguei sobre o ombro. — Nos vemos mais tarde. — virei-me para sair do carro e abri a porta, mas ele se esticou sobre mim e puxou novamente a porta.

— Não ainda. — disse, avançando na minha direção. No momento em que os lábios de Oliver pressionaram contra os meus eu senti raiva por não ser forte o suficiente para afastá-lo e ao mesmo instante agradeci.

O interior do conversível parecia uma sauna de tão quente que ficou, o pouco espaço fez com que o corpo de Oliver cobrisse o meu. Ele segurou meu rosto e parte do meu pescoço, seus dedos levemente acariciavam minha pele, proporcionando pequenos choques que se espalhavam por todo meu corpo. Sua língua explorou minha boca com afinco, acariciando cada parte, me deixando completamente sem sentidos, então, como se estivesse me torturando, Oliver se afastou, com um sorrisinho provocativo nos lábios permanecendo a cm de mim.

Ele não podia se afastar, eu queria mais do que aquilo, ansiava por muito mais. Seus olhos inspecionaram meu rosto e ele suspirou, o meu desejo devia estar bem palpável naquele instante, pois Oliver sorriu ainda mais, então fiz o que tinha que ser feito, segurei seu pescoço e puxei sua boca para minha o beijando vagarosamente, aproveitando cada segundo. Ele passou o braço pelas minhas costas e me puxou para mais perto dele. O beijo que era doce virou uma coisa alucinante, obriguei-me afastar ele de mim, antes que começássemos a balançar o carro.

— Uau. — Oliver exclamou, com expressão embasbacada, caindo no banco do carro, os lábios avermelhados, seu peito subindo e descendo rápido demais.

Presumi que devia estar igual a ele, então busquei o espelho que carrego dentro da bolsa e fiz o melhor para esconder minha expressão de: A gente se pegou no carro. Encarei Oliver, ele arfava e sorria. Me inclinei sobre ele e limpei a marca de batom no canto da sua boca, por sorte os vidros do carro são escuros, porque senão íamos virar assunto da faculdade inteira.

— Preciso ir agora. — ele me puxou novamente, mas só para dar um beijo em minha bochecha, então pude desembarcar do carro sem mais nem um empecilho.

— Felicity. — me inclinei para olhá-lo. — Nos vemos no almoço?

— Sim. — ele deu uma piscadinha juntamente com um sorriso sedutor, minhas pernas bambearam e tive que ter certeza que daria um passo firme e não cairia de boca no chão. Girei, me recompondo dos últimos dois minutos e segui para a biblioteca.

Primeiro no boliche e agora no carro, Deus do Céu, o que vai ser de mim? Está claro que não resisto a Oliver, tenho certeza disso cada vez que ele me toca ou me olha, é como se eu perdesse todas as minhas forças perto dele, mas a sensação de o ter por perto é tão boa. Argh! Qual o meu problema?

{...}

— FELICITY. — Ana estalava os dedos na minha frente. — Em que mundo você está? — Em qualquer lugar onde Oliver me pega com força? Arqueei as sobrancelhas.

— Estou aqui, oras! — afirmei em tom calmo, mas Ana parecia disposta a arrancar meus maiores segredos.

— E como estão as coisas com o Adam? — questionou, apoiando os cotovelos no balcão e me encarando com aqueles olhos pedintes.

— Normais. — respondi, fazendo qualquer coisa que não fosse olhar nos olhos dela. — Somos amigos.

— Ah é? — ela deu uma risadinha irônica e ficou séria de repente. — Sabe o Marcus, ontem ele me ligou e disse que estava no boliche e viu uma garota muito parecida com você, e adivinha só? — ela questionou, tamborilando os dedos sobre os lábios. — Ele também disse que viu a garota no maior amasso com o ADAM COOPER! — engoli em seco.

— Você voltou com o Marcus? — tentei desesperadamente mudar de assunto.

— O assunto não é sobre eu e Marcus. Mas sim, você e Adam. Quando pensava me contar isso?

— Eu... eu... Quer saber, quando você pensava me contar que voltou com o Marcus?

— Não voltei com o Marcus, somos apenas amigos. — balancei a cabeça, como se tivesse comprado sua historinha. — É verdade. Resolvemos estabelecer uma amizade entre a gente, para nos conhecermos melhor. — explicou. — Agora, pode me contar sobre o boliche.

— Foi apenas um beijo, dois na verdade, porque eu retribuí. — Ana levantou uma sobrancelha, pedindo silenciosamente que eu prosseguisse. — E hoje a gente se beijou no carro de novo, mas foram apenas beijos. Nada demais.

— Huum. — ela resmungou.

— Você não vai fazer um discurso?

— Não. Vocês são bonitinhos juntos. Acho que ele gosta de verdade de você.

— Dias atrás ele era um cretino e agora você torce pela gente? — questionei.

— Sim. — ela deu de ombros. — Marcus disse que uma amiga da Brithany estava lá também e viu tudo, então tome cuidado. — Ana pegou uma pilha de livros que acabara de serem devolvidos e se retirou.

Brithany certamente não é uma ameaça. Bom, eu espero que não seja, afinal, ela é só mais uns dos casinhos de Oliver. E eu? Será que sou apenas mais um dos casinhos dele? Com essa pergunta tamborilando meus pensamentos eu passei a manhã.

[...]

Senti raiva instantânea ao ver Brithany sentada ao lado de Oliver no refeitório. Ela mexia nos cabelos e sorria sedutora para ele. E Oliver parecia entediado. Pensei em o deixar sozinho e sentar em uma mesa bem distante dele e de Brithany, mas estaria sendo fraca e isso seria um grande triunfo para ela. Juntei forças e caminhei até a mesa onde eles estavam.

— Hey. — Brithany me olhou e fez uma carranca de tédio. — Você está sentada no meu lugar.

— E qual o problema? — ela retrucou, naquele momento, estávamos sendo espetáculo para todos no refeitório. Respirei fundo, canalizando minha raiva de dar uns tapas na cara dela.

— Saia Brithany. — interferiu Oliver.

— Mas eu quero ficar aqui. — ela choramingou.

— Okay. — ele levantou-se e aproximou-se de mim. — Vamos sair daqui. — segurou minha mão e me guiou para fora do refeitório. Estava surpresa demais pela sua atitude, então fiquei em silêncio. — Vamos almoçar em um restaurante? Conheço um aqui perto.

— Tá... tudo bem. — respondi, dando passos longos para acompanhá-lo.

— Você quer dirigir? — neguei com a cabeça. Oliver abriu a porta para mim e eu embarquei no carro sem falar nada. Fizemos o caminho até o restaurante em silêncio.

Era um bistrô italiano perto da faculdade. Bem pequeno. A recepcionista nos levou até a mesa e nos entregou o cardápio. Fizemos nossos pedidos e o silêncio predominou novamente.

— Olha, eu sei que Brithany é...

— Não quero falar dela. — peguei a taça de água e beberiquei.

— Você está irritada comigo? — só então olhei nos olhos dele, esbocei um sorriso tranquilo.

— Não. Claro que não, você não fez nada para me irritar. — ele sorriu, e seus dedos deslizaram pela minha mão, segurei a dele e retribui seu sorriso. — Mas eu não gosto dela.

— Não precisa se preocupar com ela. Brithany é só uma garota que me envolvi.

— E eu? — a pergunta escapou da minha boca e me arrependi logo em seguida.

— Estou tentando provar que você não é só uma garota. Eu realmente sinto algo por você. — talvez Oliver não precisasse mais provar nada, talvez eu não estivesse mais ligando para Brithany ou qualquer outra garota que Oliver se envolveu, e talvez, eu estivesse me sentindo especial.

A garçonete trouxe nossos pedidos e nós nos esquecemos de Brithany, focando apenas na lasanha que estava um delicia. Depois do almoço voltamos para a faculdade, dessa vez nos despedimos com um beijinho carinhoso nos lábios e eu segui para a sala de aula.

Á medida que a tarde se arrastava eu tentava colocar meus pensamentos em ordem, sem êxito, minha cabeça está uma bagunça, minha vida profissional está se misturando com minha vida amorosa, eu aceitei uma missão que eu sabia que ia me afetar, no inicio eu até pensei que conseguiria separar as coisas, que Oliver era apenas o meu trabalho, mas ele acabou virando outra coisa.

Esses últimos dias ao lado dele me mostraram um Oliver diferente daquele que eu conhecia, daquele que eu passava noites na frente de uma boate apenas para me certificar que ele chegaria bem em casa e quase sempre o via sair com uma garota, ele realmente mudou, sinto isso, e confio na minha intuição, quase sempre ela está certa.

No final da tarde eu voltei para a biblioteca, chequei a localização de Oliver, ele estava em casa, mas sabia que ele logo voltaria para me levar á algum lugar que eu desconheço, mas sinto que vou adorar. Ana estava arrumando o balcão que estava cheio de livro, apenas me cumprimentou com um:

— Oi, me ajude a colocar esses livros em seus lugares, esse universitários chatos deixaram tudo na mesa. — comecei a ajudá-la, colocando os livros em seus respectivos lugares.

Mas como a biblioteca muitas vezes está cheia de alunos dedicados, novamente as mesas de estudos estavam repletas de livros e Ana e eu começamos mais uma rodada de leva livros para um lado e para outro, um fluxo que só tem fim quando começa anoitecer. Depois que apenas algumas pessoas permaneciam sentadas em suas mesas, concentrados em seus trabalhos, Ana saiu para fumar um cigarro. Fiquei no balcão, checando datas de devoluções no computador.

Meu celular tocou e encarei o visor, era Robert. Sai de trás do balcão e antes de atender a ligação do meu chefe me esgueirei para trás de uma prateleira, onde Ana não me encontraria tão rápido. Fiquei instantaneamente preocupada, pois Robert liga apenas para me dar folga ou quando algo ruim acontece.

— Alô. — falei, em tom preocupado. Seria alguma coisa com o Oliver? Meu coração se apertou só de imaginar algo ruim.

— Senhorita Smoak. — ele disse apreensível. — Acabei de ter uma discussão com Oliver, ele ficou com muita raiva de mim, e ele tende a ficar bem explosivo quando temos uma discussão feia. — ele deu uma pausa e eu esperei. — Preciso que vá até o apartamento dele, ver se está tudo bem.

— Tudo bem. — Não questionei o porquê dos dois discutirem, seria antiprofissional. Apenas concordei e encerrei a ligação.

Quando voltei para o balcão Ana ainda não tinha voltado. Teria que sair sem avisá-la, além de tudo a biblioteca ficaria sem nenhum responsável. Mas Ana não vai demorar tanto, pensei. Escrevi um pequeno recado no bilhete adesivo e deixei grudado no computador, peguei minhas coisas e sai.

Como estava sem carro foi um grande sacrifício encontrar um taxi que passasse vazio, então optei por ir de ônibus, sem mais nenhuma alternativa. Demorei 40min para chegar na portaria do edifício de Oliver, por sorte o porteiro estava entretido demais no jogo de basquete. Peguei o elevador e subi.

A porta do apartamento de Oliver estava aberta, então entrei sem bater, encontrando uma bagunça de coisas jogadas no chão, alguns objetos tinham sido partidos. O apartamento de Oliver é típico de um homem, bem clássico e um pouco desorganizado, mas talvez fosse apenas se excesso de raiva. A sala tinha bem poucos móveis, dois sofás, mesa de centro, uma estante com fotos e uma mesa esquecida de pebolim usada como estoque de almofadas no canto da sala.

A cozinha era ao lado e uma bancada cheia de utensílios dividia os cômodos, não parecia ter nada quebrado lá dentro. No canto, entre os dois cômodos tinha um corredor. Pensei em chamar Oliver, mas mudei de ideia e entrei pelo corredor. Tinha apenas quatro portas, uma do banheiro, ao lado a da lavanderia, outra era um quarto vazio e a última, de onde saia um musica baixa de The Script era o quarto de Oliver, onde o encontrei de costas, olhando pela janela. Não foi preciso chamá-lo, seu olhar foi atraído pelo meu.

— O que está fazendo aqui, Felicity? — ele perguntou em tom incomodado, parece que me ver naquele momento não estava sendo bom para ele.

— Você não apareceu na biblioteca, fiquei preocupada. Mas se quer que eu vá embora, eu entendo. — seus olhos antes negros pela raiva agora estavam claros, ele balançou a cabeça e andou na minha direção.

— Não, de jeito nenhum. — disse pegando minha mão e depositando um beijo suave. — Desculpe... eu não queria parecer grosso com você, me desculpe. — ergui o rosto, e fitei seus olhos.

— Tudo bem. — murmurei. — Você está bem? Porque parece que aqueles objetos quebrados na sala não caíram sozinhos. — Oliver riu.

— Foi um momento ruim. — ele respondeu. — Meu pai ligou e acabou deixando escapar que esteve na cidade. Você entende? Ele esteve aqui e não veio me ver. — explicou. — Eu entendo que ele seja uma pessoa ocupada, mas nem 10 minutos ele tem disponível para ver o filho? Eu estou sendo infantil, eu sei. Mas é que eu cresci vendo as falhas dele, ele nunca foi um bom pai, sempre colocou sua carreira na frente da minha mãe e seus filhos.

— Você não é infantil. — acariciei o rosto de Oliver com meus dedos. — Eu entendo você. E talvez seu pai não seja assim tão ruim.

— Queria pensar a mesma coisa que você. — Oliver deu um suspiro. — Mas no momento estou com muita raiva dele. — completou. — É melhor deixar essa raiva momentânea passar. — assenti. — Desculpe estragar nossa noite, mas eu não tenho cabeça para sair hoje.

— Tudo bem.

— Mas eu não quero que vá embora.

— Eu posso ficar, depois eu volto para casa. — falei. — Podemos pedir pizza e assistir um filme, o que você acha?

— É ótimo. — ele sorriu. — Você pode escolher o filme, eu peço a pizza. E televisão é só essa do quarto.

Seria difícil dividir a cama com ele, mas se Oliver não está com cabeça para sair, imagino que também não está com cabeça para outra coisa. E enquanto Oliver pedia a pizza, eu procurei por um filme bom, olhei na grade dos canais e em poucos minutos passaria como se fosse à primeira vez, não sei se Oliver curte comédia romântica, mas vai ser divertido vê-lo tentando manter a atenção no filme.

— Então, eu já pedi a pizza. — ele avisou, entrando no quarto.

— Ótimo. Já escolhi o filme. — avisei. — Já assistiu Como se fosse à primeira vez?

— Aquele com o Adam Sandler? — assenti. — Acho os filmes dele bom, mas nunca assisti esse. — balancei a cabeça e me sentei na cama.

— Não acredito que nunca assistiu a esse filme.

— Para tudo tem a primeira vez. — Oliver jogou-se ao meu lado da cama. — Não é mesmo? — questionou, com um sorrisinho malicioso. Estava enganada, pelo jeito ele tinha sim cabeça para outras coisas.

— Claro que sim. — eu concordei. Oliver aproximou-se e ficou mexendo nos meus cabelos, provocando arrepios em meu corpo, pensei em levantar e correr para longe dele, mas a sensação era tão boa que apreciar seu carinho não era problema.

— Obrigado por ficar. — Olhei para ele e sorri, concluindo uma única coisa, estou ferrada.

Depois de alguns minutos a pizza chegou, quentinha e cheirosa. Nós nos ajeitamos na cama, comigo mantendo uma distância razoável de Oliver, sem êxito, porque durante o filme, Oliver deu um jeitinho de ficar bem perto de mim, e eu estava quase roendo as unhas para não fazer algo que me arrependesse.

No fim do filme, quando os créditos começaram a subir na tela do televisor, notei que estava com a cabeça apoiada no ombro de Oliver e o seu braço estava ao redor de mim, colando-me ao seu corpo. Olhei para ele, estava tão tranquilo e ressonando que nem me importei dele não ter assistido o filme por completo.

Arquitetei meu melhor plano para sair da cama sem acordá-lo, teria que ser rápida e ágil. Sentei-me na cama e deslizei as pernas para fora dela, em um impulso rápido estava de pé, mas num movimento rápido que eu nem percebi como, estava na cama de novo, Oliver tinha me puxado e estava com os olhos fixos em mim.

— Não vai. — ele sussurrou, com a boca perto da minha. Naquele momento estava sendo difícil respirar e então, Oliver deu sua última cartada para me fazer ficar, ele propôs, com os olhos brilhando: — Dorme comigo? — eu estremeci.

A pergunta mexeu comigo de tal modo, que era difícil dizer não. Os olhos dele me sondaram, cheios de expectativa pela minha resposta. Seu braço passou pela minha cintura e ele me puxou, como se estivesse tramando um plano caso minha resposta fosse um não. Mas eu já tinha a resposta certa e nada me faria mudar de ideia.

— Sim. — falei.

Deitamos na cama, eu ficando pouco abaixo dele, meu rosto sentindo o calor que emanava do seu peito, seus braços fortes em torno de mim me apertavam como seu eu fosse à coisa mais preciosa dele. Escutei seus batimentos cardíacos diminuírem, estava tão tranquilo. Senti seus dedos acariciando meu ombro com carinho e seus lábios pressionando minha testa.

Momentaneamente, senti as batidas fortes do meu coração, ele batia tão forte contra meu peito que parecia que a qualquer momento ia pular para fora. Senti também borboletas batendo asas no meu estômago, eu estava em casa, junto a Oliver.

Notas finais
É isso. Eu espero que tenham gostado. Não esqueçam de tirar um tempinho pequenino para comentar, não vão morrer né? Nos "vemos" no sábado para quem lê Doce Desejo e para quem só lê essa até quinta feira que vem. Beijooos.