Wonderwall.
28 Eu ainda te amo.
Notas iniciais
Eu cheguei ao quarto de hotel me sentindo derrotada, totalmente sem chão, sentindo o peso do mundo sobre meus ombros e tudo isso me fez desabar. Eu nunca tinha chorado tanto na minha vida como hoje, nem quando Oliver me mandou embora da sua vida, talvez quando Jeremy nasceu, mas o nascimento de Jeremy foi totalmente diferente, meu choro era de alegria e não de angustia e raiva como hoje. Shawn conseguiu mexer bem na ferida quando ameaçou a minha família. Ele simplesmente acabou comigo, deu xeque mate.
Sobretudo, Shawn ter ameaçado minha família tenha sido o ápice da minha queda, não foi só isso que me fez desabar. Foi tudo na verdade.
Começando pela volta de Oliver na minha vida. Eu tentei me manter forte e lutar contra todos os meus sentimentos por ele, mas está obvio que não consegui. Eu ainda o amo com todas as minhas forças e estar perto dele só está me fazendo mal. Porque é difícil ver toda a mágoa e tristeza que causei na sua vida, o quão devastador eu fui com ele e seus sentimentos. Isso tudo me deixa desconfortável perto dele, sinto que não sou digna de ter o seu amor de volta, embora isso seja o que eu mais desejo no momento.
Eu escondo um filho de Oliver, é claro que eu não sou digna do seu amor. O simples fato de ter mentido para ele já me torna a pessoa da qual ele nunca mais devia conversar. E agora ele está tão perto de mim, mas ao mesmo tempo tão longe. Tudo que eu queria era ser protegida por seus braços enormes, ser amada por ele. Tudo que eu queria era ser digna de ter seu amor todo para mim, porém, não sou essa pessoa. Na verdade já existe outra mulher na sua vida, merecedora do seu amor. Ainda que seja difícil ver que ele seguiu em frente, eu desejo que essa nova mulher faça Oliver feliz.
E agora, além dessa confusão de sentimentos, quando pensei que as coisas iam se resolver — já que capturamos Shawn —, e acabaria me livrando de Oliver, descubro que Jacob conhece as pessoas que eu mais amo no mundo e os ameaça. Eu não posso simplesmente continuar como se nada tivesse acontecido. Ele ameaçou a minha família e eu sabia que Jacob não estava blefando. Ele está disposto a machucá-los caso eu continue o investigando. Não posso colocá-los em risco, apesar da promessa que fiz para a mãe de Craig, a minha mãe e Jemy são mais importantes do que tudo, eles sempre estarão na frente, e eu sempre farei de tudo para protegê-los.
E é isso que vou fazer, amanhã mesmo, direi a Diggle que vou me retirar da missão e voltar para Washington.
Mas agora tudo que eu preciso é chorar. Por todas as merdas que estão acontecendo.
No meio dos meus suspiros e da escuridão do meu quarto de hotel eu escuto o barulho da campainha invadindo o recinto.
Merda! Espero que não seja Diggle, eu não quero que ele me veja nessa situação; usando um pijama horrível de moletom e com os olhos inchados de tanto chorar, patético. Mas quem além de Diggle bateria da minha porta?
Levanto-me e limpo as lágrimas na manga da blusa. Caminho me arrastando até a porta. Seja quem for; não quero que me veja assim, vou despachar logo e voltar para a cama e chorar o resto da noite.
— Merda.
Não é Diggle, é a última pessoa que esperaria ver. Mas meu coração dá pulinhos dentro do peito ao ver que ele está parado na minha frente. A última imagem que tenho dele na minha cabeça é da exata hora que uma mulher chegou e o beijou e não gosto nenhum pouco dessa lembrança. Somente a ideia de que Oliver seguiu em frente me deixa atordoada. Embora, tudo que eu desejo é a sua felicidade depois de tudo que causei.
— Oliver?
— Oi. — ele diz, com um sorriso sem graça.
Oliver segurava uma caixa do que imagino ser uma pizza e uma sacola na outra mão. Bom, meu estômago ronca ao reconhecer o cheiro de pepperoni e mussarela. Estou morrendo de fome e só então penso nisso, comi pouco o dia inteiro e depois da minha conversa com Shawn acabei esquecendo-me de jantar qualquer coisa na rua. Também percebo que Oliver tem uma garrafa de vinho dentro da sacola que segura na outra mão.
— Acho que você está com fome, então pedi uma pizza, e também pensei que ia precisar disso. — ele me ofereceu a garrafa de vinho. — Então passei no supermercado e comprei. É um vinho barato, mas acredito que seja suficiente.
Oliver me encarou como um cachorrinho abandonado.
— Então, eu posso entrar? — indagou, trocando o peso das pernas.
Respirei fundo, estava cansada das suas demonstrações de carinho. Ele fez isso o dia inteiro, e não quero nutrir esperanças de que um dia ele volte para mim. Mas, no momento é dele e da pizza que preciso, não posso permitir que vá embora.
— Entra. — digo, dando passagem.
Oliver adentra o quarto e observa ao redor. É tão pequeno, o interior é ocupado com apenas uma cama, uma cômoda ao lado da cama, uma televisão acoplada na parede e uma bancada em frente à cama e a direita tem a porta do banheiro. Aluguei um quarto barato e simples para ficar enquanto estou em Nova Iorque, nada de luxo porque não tinha dinheiro para bancar isso. Mas agora estou arrependida, porque não tenho louças para comer a pizza e muito menos copos para beber o vinho.
— Não tem cadeiras. — murmurei.
Oliver me encarou com um pequeno sorriso e balançou os ombros.
— Tudo bem. — ele colocou a caixa de pizza no chão e se sentou com as costas apoiadas nos pés da cama. — Aqui está ótimo. — em seguida abriu a caixa e pegou um pedaço de pizza. — Você está com fome.
Minha barriga roncou e dessa vez não foi tão silenciosa igual antes, nem precisei responder Oliver, seu sorriso aumentou ainda mais e eu estava com o rosto queimando de vergonha.
— Senta aqui. — ele deu um tapinha no espaço livre ao seu lado.
Não precisei receber outro convite, sentei-me ao lado de Oliver, dobrei meus joelhos e cruzei os tornozelos. Encarei a pizza, ela parecia deliciosa ou era a fome que estava sentindo mesmo, porque quando peguei uma fatia devorei em questão de segundos, em seguida outra e outra.
— Parece que eu estava certo. — disse Oliver, me observando pegar a quarta fatia de pizza.
Olhei para ele e sorri.
— Com certeza. — soltei, emitindo um gemido de satisfação ao mastigar um pedaço da minha pizza. — estava morrendo de fome.
— Que bom, porque estava morrendo de medo que você me chutasse daqui com pizza e tudo.
— Por que pensou isso? — questionei, franzindo o cenho. — Não tinha motivos para te chutar daqui. Você foi um cara legal comigo o dia inteiro.
— Sim, eu sei. Mas você estava tão nervosa. — argumentou, em um tom compreensivo. — Pensei que ia querer ficar sozinha.
— Eu queria mesmo. — fitei os olhos de Oliver. — Mas você estava com uma pizza, meu estômago me traiu.
— Então você me deixou entrar só por causa da pizza? — ele parecia ofendido, mas eu sabia que estava só fazendo cena. Conheço seus dramas, ele sempre fazia isso quando estávamos juntos.
— É. — nós rimos juntos, como há muito tempo não fazíamos. — Mas a sua companhia me faz bem.
Ele parou de rir e me encarou. Por alguns segundos nossos olhares ficaram ligados e nenhum conseguia olhar para outra direção. Tantas emoções passaram pelos seus olhos. A eletricidade de nossos corpos me fazia desejar tanto Oliver, que chegava doer não poder encostar minhas costas no seu peito e sentir seus braços ao meu redor me protegendo. Eu não queria demonstrar que sua presença melhora tudo e me faz bem. É que perto de Oliver eu não consigo disfarçar. Quebrei nossos olhares e puxei o vinho que estava ao lado da caixa de pizza.
— Bom, eu não tenho copos. Isso quer dizer que vamos tomar isso pelo gargalho.
— Tudo bem, a gente já trocou bastante saliva.
— Isso é um pouco nojento. — falei rindo, enquanto tirava o lacre da garrafa.
Apesar de eu não ter gostado muito da ideia de ter a presença de Oliver devido aos meus conflitos de sentimentos, agora eu estava feliz por ele estar por perto, meu humor havia melhorado consideravelmente, e a atmosfera que nos envolvia era leve, descontraída e confortável. Ele estava até me fazendo rir, contudo eu ainda pensava em Jeremy, minha mãe e a ameaça de Shawn, ele não parecia estar brincando, quando me ameaçou, mas naquele momento, parecia que Oliver e eu estávamos longe de todas as preocupações e as mágoas do passado, até parecíamos que tínhamos voltado no tempo e éramos aquele casal feliz e cheio de amor.
Porém, eu ainda escondo uma coisa de Oliver, algo grandioso que se ele chegar a descobrir, jamais me perdoará.
— Esse vinho está horrível e quente. — ele disse, fazendo careta ao engolir um gole da bebida.
Arranquei a garrafa dele e levei o gargalho até meus lábios. Quando o líquido quente entrou em contato com a minha língua foi impossível não fazer cara feia também. A bebida era intragável. Os lábios de Oliver se curvaram para cima, em um sorriso divertido.
— Eca. — resmunguei, dando mais um gole, e outro em seguida, a bebida não parecia tão ruim agora. — Bebe mais alguns goles.
— Sério?
— Deixa de ser marica.
Ele semicerrou os olhos e fez uma carranca. Parece que beber aquele vinho tinha se tornado um grande desafio. Ele puxou a garrafa da minha mão e deu diversos goles.
— Vai com calma. — falei, enquanto ria das caretas dele. — Se não você vai vomitar e a camareira vai querer a minha cabeça.
— A gente devia beber outra coisa. — disse, passando-me a garrafa de vinho. — Isso continua ruim.
— Você que devia ter comprado uma bebida melhor. — rebati, bebendo outro gole horrível do liquido vermelho. — Tequila ou vodca.
— Desculpe não cumprir as expectativas. — ele sorriu de lado e meu coração deu um pulo dentro do peito, eu amava essa forma sexy que ele sorria e me deixava excitada toda vez.
Suspirei.
— Tudo bem. Eu não estava guardando expectativas mesmo. Nem esperava que você aparecesse aqui. Pelo menos a pizza estava ótima — murmurei, deixando minha mão cair sobre sua coxa. Oliver olhou intensamente dentro dos meus, e eu vi tantos sentimentos presos ali.
O álcool já estava causando efeitos em nós dois, e estava com medo de cometer algo que me arrependesse profundamente. Tinha que me afastar, mandar Oliver embora de uma vez, porque sei que para ele também não está fácil, eu vi o desejo e a luxúria em seus olhos. Nós dois estávamos lutando contra a vontade de nos entregaremos um ao outro.
— Bom. — ele disse, olhando para um ponto fixo na parede. — Acho que a gente deve dar uma volta e achar algo melhor para tomar.
— Não. — disparei, bebendo o resto de vinho que tinha na garrafa. — É melhor você ir embora. Eu já estou bem.
— Não vou deixar você aqui sozinha. — ele se apoiou no joelho e levantou, ficou de frente para mim e me estendeu a mão. — Vamos sair como colegas ou amigos. — ele deu de ombros. — Sei um lugar.
Tá legal, tenho que concordar que lá fundo eu quero a companhia de Oliver, na verdade, realmente quero sua companhia. Se ele for embora tenho certeza que vou voltar para o meu rio de lamentações e me afundar nele até não aguentar mais. Só que ficar nesse quarto com ele e nossos desejos a flor da pele está me matando.
— Tá, tudo bem então. — concordei, segurando sua mão. — Só vou colocar uma calça jeans.
Oliver me puxou com força e nossos corpos trombaram, quase caímos com a força do impacto, mas Oliver conseguiu se apoiar na bancada que tinha logo à frente. O único problema era a posição em que nossos corpos estavam. O traseiro de Oliver estava sobre a bancada e meu quadril encaixado no meio das suar pernas, mas o pior era o pouco espaço entre nossas bocas. Até podia sentir a respiração de Oliver atingir vários pontos do meu rosto, e tudo isso me fazia desejar seus lábios habilidosos sobre os meus. Ofeguei e meu coração quase saiu pela boca, era quase impossível controlar a minha vontade de beijá-lo, ainda mais depois de acabarmos com uma garrafa inteira de vinho.
Os olhos de Oliver se concentraram na minha boca e ele deu um suspiro longo e profundo, era óbvio que ele sentia a mesma vontade que eu, e também estava lutando desesperadamente contra ela.
Puta que pariu.
Seja forte, Felicity, se afaste de uma vez.
Não posso beijá-lo, nem nada parecido, porque senão eu estarei completamente perdida.
— E para onde vamos? — perguntei, saindo imediatamente do meio das suas pernas, ainda que meu coração ainda martelasse dentro do peito e falasse totalmente o contrário.
— Você sabe onde é. — ele desceu da bancada. — Vamos. Acredito que Nyssa queira ver você.
(...)
Quando adentramos no bar da Nyssa eu observei tudo ao redor, prestando atenção nos rostos das várias pessoas presentes. Tudo continuava igual, alguns universitários querendo se divertir e arranjar uma foda, alguns homens de negócio secando as universitárias gostosas e os velhos bêbados perto do balcão quietos. Após presenciar algumas coisas durante minha varredura olhei para o balcão e lá estava a morena que tentou me ajudar falar com Oliver no hospital. Nyssa foi uma das únicas pessoas que ficou do meu lado, talvez seja por isso que guardo grande carinho por ela.
Caminhamos até o balcão e Oliver deu um soquinho sobre a madeira, o barulho chamou atenção da morena e ela levantou o rosto para observar o amigo, em seguida ela notou minha presença, seus olhos brilharam e ela sorriu para nós.
— Eu sabia.
A expressão de dúvida ganhou tanto meu rosto quanto o de Oliver. O sorriso de Nyssa cresceu e ela apontou para a gente.
— Finalmente vocês estão juntos novamente. — exclamou em tom de animação. — Eu sabia. Vocês são almas gêmeas, se amam de verdade. Não podem ficar longe um do outro. Olha só, depois de tudo que aconteceu o destino uniu vocês novamente.
Encarei Oliver e ele me encarou. Era palpável a felicidade que Nyssa estava sentindo. Mas infelizmente, nós teríamos que decepciona-la.
— Ei pessoal. — gritou, chamando a atenção de todos. — Eu adoro esse casal, e finalmente eles estão juntos de novo. Então, uma rodada de bebida por minha conta.
Caramba, as pessoas aplaudiram e gritaram como loucos. Alguns agradeceram pela bebida de graça. Merda, além de decepcionar a mulher vamos dar prejuízo para ela.
— Nyssa! — Oliver exclamou chamando a atenção da amiga. — Somos só colegas de trabalho tentando relaxar depois de um dia exaustivo. Não estamos juntos.
— O quê?! — ela franziu a testa, formando uma carranca de raiva. — E por que não me disse antes? — indagou.
— Você não nos deu tempo.
— Merda! — ela limpou as mãos em um pano e depois jogou com força no balcão. — Cancelada a rodada de bebida grátis. — gritou, causando a decepção de todos no bar. — Até pra vocês dois.
— Desculpe. — falei.
— Eu não sou uma pessoa que demonstra carinho por algo, e acho que nunca demonstrei tanta felicidade na minha vida como agora. — soltou. — Vocês me pagam.
— Tudo bem. — Oliver disse. — Tem cerveja gelada?
— Claro. Isso é um bar Oliver, não um moquifo. — ela andou até a geladeira e voltou com duas garrafas de cerveja, soltou com força sobre o balcão.
Nós tínhamos mesmo despertado a raiva dela.
— Quer dizer que vocês são só colegas de trabalho?
— Isso aí. — respondi, bebendo um gole de cerveja. Agora sim estava tomando algo que prestasse.
— Até quando?
— Eu falei pra você sobre nosso trabalho. — comentou Oliver. — Somos colegas até a missão acabar.
— Não foi esse o sentido da minha pergunta. — a morena rebateu, curvando os lábios, num sorriso malicioso. — Perguntei até quando vão aguentar só sendo colegas?
— Nyssa. — Oliver repreendeu.
— O quê? — ela ergueu as mãos, como o que estivesse falando não fosse nada importante. — Como disse, vocês dois foram feitos um para o outro e o destino colocou os dois juntos de novo.
Eu já estava achando uma má ideia ter vindo para esse lugar.
— Mas não vou mais falar sobre isso. — Nyssa disse. — Tenho que trabalhar. — se afastou para atender outros clientes.
— Ufa. — sibilou Oliver.
Nós continuamos tomando nossa cerveja, ao menos essa não estava ruim como o vinho no quarto apertado de hotel, e dessa vez tinha muitas coisas que tiravam minha atenção de Oliver e eu olhava para qualquer lugar menos para ele. Mesmo assim nos divertimos, conversamos com Nyssa e até jogamos uma partida de sinuca.
Tomamos cuidado para não ficarmos bêbados, acho que ambos não queríamos passar do limite com receio de cometer um deslize que faria a gente se arrepender. O tempo passou depressa ao lado dele, quanto mais eu queria a sua companhia, mais rápido o relógio andava e chegava a hora de ir embora.
Quando levantei, preparada para ir embora, Oliver encarou cada movimento meu. Tirei algumas notas de dinheiro do bolso da calça e quando ia coloca-las sobre o balcão ele segurou meu pulso.
— Eu te convidei. Deixa que eu pago.
— Não precisa. — rebati. — Posso pagar pelas cervejas.
— Mas quem vai pagar sou eu.
— Oliver. — suspirei. — Obrigada por tudo, sua companhia foi a melhor coisa que aconteceu hoje. — observei-o engolir em seco e seus olhos iluminarem. Eu tinha tomado cuidado para não ficar bêbada, mas o pouco que tinha bebido me deixou sem filtro nenhum. — Estou cansada e preciso ir para o hotel. Então me deixa pagar.
— Tudo bem. — ele passou a mão pela cabeça e levantou. — Mas só se você me deixar te levar para o hotel.
— Você acha que não posso me defender?
— Não é isso. — disse, enfiando as mãos nos bolsos da calça. — É que não quero ficar sem sua companhia, então tentarei o máximo prolongar isso.
Meu coração deu um solavanco e eu senti borboletas no estômago. Seria mais fácil para mim se ele não demonstrasse afeto, ao menos não nutriria esperanças. E acima de tudo, ainda queria sua companhia, pelo resto da noite se fosse possível, na verdade, queria pelo resto da vida.
— Tudo bem.
Seus lábios se curvaram, fazendo-me sentir meu peito se aquecer.
— Tchau Nyssa. — falei, colocando os dólares sobre o balcão.
Ela me olhou enquanto secava um copo e deu uma piscadinha.
— Tchau, Felicity. Vê se aparece mais vezes.
Assenti com a cabeça e esperei Oliver se despedir da amiga, então saímos do bar.
— Vamos andando? — Oliver sugeriu.
Já estávamos parados na frente do bar quase 10 minutos esperando um taxi passar, então achei uma boa ideia voltarmos caminhando. Não seria uma caminhada longa, além disso, prolongaríamos nosso tempo juntos em uma caminhada agradável pelo central Park.
— É uma boa ideia. — falei, deslizando as mãos para dentro dos bolsos da jaqueta.
Atravessamos a rua e andamos pela calçada em silêncio. A madrugada estava agradável e silenciosa, um vento suave batia nos meus cabelos e eu ergui o queixo para cima, apenas para sentir a brisa leve acariciar meu rosto.
Ficamos sem trocar uma única palavra por alguns minutos, até entrarmos no central Park. O ar entre as árvores era gostoso, me faziam sentir-me nostálgica.
Oliver resolveu quebrar o silêncio:
— Quem é Jeremy?
Minha respiração oscilou e o meu coração apertou dentro do peito. Eu me desesperei internamente, mas me mantive calma por fora. Oliver não havia tocado nesse assunto até agora, por que resolveu trazer a tona?
Merda.
— Não quero falar sobre isso. — respondi.
— Tudo bem.
O silêncio voltou e dessa vez eu queria logo chegar no hotel, para ficar longe de Oliver e sua curiosidade sobre Jemy. Apertei o passo e Oliver seguiu logo atrás de mim.
— Eu fiz algo errado?
— Não. — falei, virando para olhar para ele. — É só que, não era para ser assim, Oliver. — suas sobrancelhas se ergueram em confusão. — Está tudo errado. Não era mais para a gente se ver, não era mais para eu sentir uma necessidade incontrolável de estar com você, beijar você. E agora tudo isso está acontecendo. E não sei como agir, porque eu te magoei tanto, Oliver. Que toda vez que penso nisso dói. — apertei minha camisa sobre meu peito, as lágrimas molhando meu rosto. — Eu jamais quis te machucar Oliver, eu te amava tanto e sentia um medo descomunal de te perder.
— Felicity..
Levantei a mão, impedindo-o de continuar.
— Eu ainda não acabei. — esbravejei. — Oliver, eu queria te falar a verdade. Mentir para você era difícil demais, ver seu amor por mim e continuar mentido foi horrível, me sentia uma pessoas cruel e egoísta. Mas te perder era o meu maior medo e foi por isso que continuei mentindo. Eu não queria te perder. — eu limpava as lágrimas constantemente, mas novas brotavam e escorriam pelo meu rosto. Meu peito doía, contudo, estava conseguindo jogar tudo para fora. Tudo que Oliver não quis ouvir quando me chutou da sua vida. — Eu fui cruel, fui egoísta, mas eu te amava Oliver com todas as minhas forças. Tudo que queria era não te perder. Não conseguia imaginar minha vida sem você. Mas acabei te perdendo. E isso doeu, doeu muito. Ainda dói, Oliver. Porque eu ainda te amo.
Encarei Oliver e ele parecia sem palavras. Seus olhos brilhavam por causa das lágrimas que quase transbordavam. Mas ele as segurou e respirou forte.
Eu queria uma reação, ele me devia isso na verdade. Porque tudo que falei foi o que ele não me deixou falar no passado. Uma hora ou outra ele teria que falar, então cruzei meus braços e fiquei encarando-o.
— Você lembra-se desse lugar? — perguntou, apontando para a escada atrás de nós.
Olhei sobre meu ombro, e os degraus me trouxeram as lembranças do dia que comemos cachorro quente. Foi um dia incrível. Olhei para ele novamente e assenti.
— Foi nesse lugar que descobri o quanto estava apaixonado por você. No início tudo não passava de joguinhos, flertes e de um desafio. Mas com o tempo as coisas mudaram, você me mudou, me conquistou, me deixou de quatro por você. E naqueles degraus, olhando para a minha Felicity, eu sentia tudo ao meu redor mudar. Pela primeira vez na minha vida, eu estava apaixonado por uma garota.
Oliver se aproximou de mim.
— Eu te amava muito, Felicity. Com todo o meu coração. — Oliver fez uma pausa e olhou para o chão. — Mas você me quebrou, me traiu, mentiu para mim e eu fiquei muito zangado. No primeiro mês eu não queria te ver e fiz de tudo para te esquecer. Mas não adiantou, porque quanto mais eu tentava não pensar em você, mais eu pensava. E muitas vezes quase fui atrás de você. Mas o meu orgulho não deixou. Então meu pai fez um convite para eu ir para o exército, acabei aceitando. Era o único lugar que eu tinha para fugir da vontade que tinha de te procurar. Lá eu aprendi tantas coisas, me tornei um homem melhor. No entanto, nunca consegui parar de pensar em você e no quanto você me mudou, Felicity. Se não tivesse te conhecido, nunca teria me apaixonado, nunca teria me tornado uma pessoa melhor e estaria perdido. Minha vida ia ser aquela coisa fútil que era antes de você.
— Oliver. — sussurrei.
Ele me encarou e eu levei um susto quando seus dedos acariciaram minhas bochechas.
— Felicity. — ele limpou minhas lágrimas delicadamente. — Eu ainda te amo.
O ar entrou pesado dentro dos meus pulmões, meu coração parecia um trem desgovernado diante de tudo que Oliver havia falado. Ele ainda me amava. Nós ainda nos amávamos. Mas por que ficar juntos ainda parecia tão difícil?
— Desculpe por ter sido um idiota. — ele sussurrou. — Eu deixei a mulher da minha vida ir embora por causa do meu orgulho. Não foi só você que me machucou, eu também te machuquei.
— Não, Oliver. — balancei a cabeça, mais lágrimas deslizavam pelas minhas bochechas. — O que fiz foi cruel.
— Te mandar sumir da minha vida também foi cruel. — rebateu. — Eu me arrependo tanto. Foi tão doloroso ficar longe de você. Mas agora estamos juntos de novo, talvez Nyssa esteja certa e seja o destino unindo nós dois novamente.
Eu queria pedir o perdão de Oliver, depois de tudo que falei, isso era o que devia fazer. Mas não consegui, ainda estava escondendo Jeremy dele e não serei capaz de pedir isso se continuar escondendo seu filho. Mas e se eu falar sobre nosso filho e Oliver nunca mais me perdoar?
— Não quero mais ficar longe de você. — ele passou o polegar sobre meus lábios e se aproximou. Meu Deus, isso está mesmo acontecendo? — Quero um recomeço, dessa vez sem mentiras.
Seus lábios cobriram os meus e sua língua deslizou sobre meu lábio inferior, eu lutei contra a vontade que tinha de me entregar, porém, perdi feio. Logo estava agarrada a Oliver, cedendo passagem para a sua língua invadir a minha boca. Ele me beijou lentamente, enquanto seus braços me apertavam com força. Perdi completamente a razão e me entreguei à sensação de ter o seu beijo novamente. Ele continuava delicioso e intenso como sempre foi. Oliver explorava todos os cantos com maestria e me deixava louca por mais.
Mas não demorou muito para suas palavras fazerem sentido na minha cabeça. Um recomeço, sem mentiras, isso era impossível enquanto estivesse escondendo Jeremy de Oliver. E se queríamos mesmo recomeçar era a hora de contar tudo. E se ele não me perdoar, vou conviver com isso.
Juntei todas as minhas forças e o empurrei.
Ele fitou meus olhos, estava confuso e sem fôlego.
— Se quer mesmo recomeçar, precisa saber de uma coisa antes.
Eu corria o risco de nunca mais ter o perdão dele, e até de perder o meu filho. Porém, essa é a hora, Oliver precisa saber.
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