Wonderwall.
16 Como fisgar o coração da cunhada.
Notas iniciais
Eu odiava me sentir vulnerável, e agora, era exatamente como estava me sentindo. Tudo o que Thea me falou, sua ameaça em contar toda a verdade para o irmão, o ódio escancarado em sua cara me deixaram sem chão, contudo apenas uma coisa, uma curta e áspera frase me atingiu com força, sendo capaz de me destruir por dentro, a ponto de me fazer pensar em desistir da missão: não sabe como isso vai machucá-lo. E a culpa é toda sua.
Thea fez-me sentir como se eu fosse a pior pessoa do mundo, ela me fez enxergar a crueldade que estou fazendo com o Oliver. E o pior é que ela tem razão, eu vou partir, destroçar, causar uma dor descomunal no coração dele. E a culpa só será minha, de mais ninguém, apenas minha.
Toda a coragem que sentia segundos depois que Thea virou as costas para mim no restaurante evaporou, eu me sinto perdida, como se estivesse em um deserto, desidratada, perdendo todos os meus sentidos de sobrevivência. Nada que fizer vai levar Thea a acreditar no quanto estou apaixonada por seu irmão, ela o ama e não vai permitir que eu continue enganando-o. Eu estou no deserto, sem saída.
Acabei voltando andando para a Universidade, era o último lugar que eu queria estar, sobretudo por causa da palestra de Ray que estava organizado, aquilo estava me deixando exausta e eu não sabia até que ponto podia aguentar. Entrei na biblioteca, estava o maior silêncio como sempre. Olhei para o balcão e Ana estava roendo o esmalte das unhas. Corri meu olhar por todo o local, eu queria correr para a base secreta, me conectar com Diggle e o general e dizer que para mim chegava, que estava fora, não queria mais ser a protetora de Oliver, nem sua namorada.
— Ei! — sua voz explodiu no ambiente, irrompendo aquele silêncio, fazendo-me estremecer. E todas as pessoas ali lançarem um olhar reprovador para Oliver. — Desculpem. — ele disse mais baixo.
— Felicity, tira o seu namorado daqui. — ralhou Ana.
Demorei alguns segundos para voltar à realidade, a presença de Oliver tinha feito cada lembrança das últimas semanas vierem à tona. Eu estava completamente apaixonada por ele. Um lado meu queria contar toda verdade, acabar com a crueldade que eu estava fazendo, quanto mais rápido ele souber, menor será o estrago. Mas o outro era egoísta e sabia que se ele soubesse, nunca mais ia querer olhar para a minha cara. E esse mesmo lado, não queria perder nada.
— vem comigo. — segurei a mão de Oliver e o arrastei para fora da biblioteca, seguindo para o estacionamento, onde estava meu carro velho, que parecia novo depois que Oliver mandou reformar.
Suspirei pesadamente, sentindo uma angustia tão grande dentro do peito que até doía. Até o carro, minha lata velha ambulante que eu odiava por me deixar na mão algumas vezes, me trazia lembranças.
— Para onde vamos? — questionou Oliver.
— Entra no carro. Eu preciso te contar algumas coisas. — a verdade, por exemplo, concluí mentalmente.
— Felicity, tá tudo bem?
— Entra Oliver. — gritei sentindo meus olhos arderam.
Eu ia perder tudo de bom que tinha recebido dele, as caricias, os beijos, as declarações, seu carinho, sua fé pelo que existia entre nós. Tudo. Restaria apenas as lembranças e uma dor insuportável no peito.
Ficamos em silêncio o caminho inteiro até o meu apartamento.
E se eu fugisse com ele? Para um lugar isolado, longe de toda a verdade que Thea tinha para dizer a Oliver. Sacudi a cabeça, jogando o pensamento para longe. Deus sabe o que Robert faria para encontrar o filho e minha carreira acabaria.
— O que você tem de tão importante para me dizer, Felicity? — indagou Oliver, caminhando até o meu sofá e se jogando nele. Mogus pulou no colo dele, chamando toda a atenção para si.
Caminhei até os dois, me agachando para pegar Mogus no colo. Segui para a lavanderia e deixei a bola de pelo lá. Ele reclamou, mas ficou deitado em sua almofada, brincando com um dado que havia comprado para sua diversão em uma loja de cacareco tempos atrás.
— Fica quietinho aí. — sussurrei, fechando a porta. Voltei para a sala, Oliver estava em pé, me fitando sério.
— O que você tem para me dizer deve ser bem sério, você tirou Mogus daqui como se ele fosse uma criança, como se não quisesse que ele presenciasse uma briga dos pais. — comentou. — Tá tudo bem?
— Não está. — sussurrei, ele arqueou as sobrancelhas e se aproximou de mim.
— Felicity, está me deixando preocupado. — Seus dedos caminharam pela minha bochecha, até o meu queixo, erguendo levemente meu rosto.
Arfei, o ar tinha se tornado pesado demais. Aquele toque morno e carinhoso era tudo que eu precisava, ele tinha a capacidade de me acalmar, mas eu estava a ponto de perder. Não queria, Deus, eu não queria perder aquilo.
Só então, com meu coração batendo tão forte, um aperto na garganta e o medo de perdê-lo tomando conta de mim, eu tive a dimensão dos meus sentimentos por Oliver. Eu gostava dele como nunca gostei de ninguém e sabia que era ainda mais forte que isso.
— Eu... eu não quero te perder. — balbuciei. O toque dele parou e seus olhos fixaram-se nos meus.
— Não diga isso, você não vai me perder, Felicity.
— Não diga isso, Oliver. — ralhei. — Eu vou te perder, uma hora ou outra você vai me deixar.
— Você está me dizendo isso por causa do seu pai? — ele me lançou um olhar magoado.
— Não. Não tem nada a ver com o meu pai. — falei. — Eu vou te machucar e você não vai mais querer olhar na minha cara, nunca mais.
— Você não vai me machucar. Para com isso. — ele segurou meu rosto e me fez olhar em seus olhos. — Eu prometo que
— Não, por favor — repliquei. — Não prometa nada.
— Eu não sei o que te deixou assim, mas
— Eu tô apaixonada por você, e meu maior medo é te perder.
Oliver arregalou os olhos, embasbacado com minha declaração. Era a primeira vez que eu tinha sido tão clara quanto aos meus sentimentos.
— Apaixonada?
— Completamente.
Eu podia ver nos olhos de Oliver o quanto minha declaração tinha o deixado radiante, seus olhos brilhavam como duas estrelas e, um sorriso desenhou seus lábios no mesmo instante em que sua mão agarrou minha cintura e me puxou, moldando meu corpo ao dele, esquentando minha pele. Ele acariciou meu queixo com o dorso da mão enquanto seu polegar deslizou pelos meus lábios.
— Pode repetir?
— Estou apaixonada por você. — Seu sorriso aumentou e seus olhos fitaram minha boca com desejo.
— E eu por você.
Eu sorri, meus pensamentos enuviados pelo desejo que sentia, esquecendo qualquer coisa que tinha para dizer. Fiquei sobre a ponta dos pés, segurei o rosto de Oliver puxando sua boca de encontro a minha, abrindo meus lábios, recepcionando sua língua com doçura e desejo, logo o beijo lento e carinhoso deu lugar a algo mais urgente, selvagem e quente. Minhas mãos desceram pelo largo abdômen dele e eu agarrei a camisa, puxando para cima, fazendo nossas bocas se afastarem por alguns segundos.
Oliver me ergueu no colo e fez todo o trajeto até meu quarto distribuído beijos e mordiscando vários pontos sensíveis do meu ombro e pescoço, fazendo minha pulsação aumentar. Ele me soltou sobre o colchão da minha cama e se deitou sobre mim.
Eu o queria, desejava mais do que tudo que o mundo inteiro ao nosso redor parasse, que só existisse nós dois naquele momento, mas eu sabia que os minutos estavam passando e meu tempo com Oliver ficava cada vez mais escasso.
(...)
Estava deitada na cama, de lado, com minhas costas coladas no peitoral quente de Oliver, nossos corpos nus e quentes ainda pulsavam em êxtase pelo que havíamos acabado de fazer. Foi tão intenso e inesquecível. Foi bem mais do que sexo, o melhor da minha vida, foi profundo, e cheio de amor.
Senti os dedos de Oliver correrem por toda extensão da minha perna, eles subiram ao longo da coxa até o meu quadril e seguiram pela minha barriga, até encontrarem meus cabelos, ele enrolou uma mexa no dedo enquanto um silêncio agradável pairava sobre nós. Eu comecei a pensar na maneira de conquistar uma pessoa.
Uma vez minha mãe disse que a melhor forma de conquistar um homem era pelo estômago, mas no meu caso, não era bem um homem que eu queria conquistar, era a Thea, irmã do Oliver. Será que isso se aplica a mulheres também?
Oliver beijou a pele sensível atrás da minha orelha e deslizou a mão sobre minha barriga.
— Por que está tão quieta? — indagou baixinho, continuando uma série de beijinhos no meu pescoço.
— Só estou pensando. — respondi, ficando de frente para ele.
— E eu posso saber no que?
— Claro. — soltei, chegando mais perto dele e acariciando seu ombro. — Vou fazer um jantar para a sua irmã e sua mãe aqui em casa.
— Um jantar?
— Sim, elas já estão indo embora amanhã, pensei em cozinhar para elas, e talvez isso me faça conseguir conquistar sua irmã. — e não fazê-la contar tudo para você.
— Poucas coisas agradam Thea, mas você está com sorte, comida é uma delas. — comentou. — Eu posso te ajudar.
— Sério?
— Sim, se você quiser.
— É claro que eu quero.
— Ótimo. — ele me deu um selinho. — O que acha de um banho juntos agora?
— É uma oferta irresistível, mas tenho alguns problemas para resolver agora.
Oliver se levantou e ficou em pé na minha frente, tornando aquela oferta irrecusável. Eu gemi, sentindo meu corpo inteiro estremecer diante de tanto sex appeal.
— Eu já vou, preciso fazer uma ligação. — seus olhos brilharam triunfantes.
— Tá, mas não demora. — assenti.
Esperei-o entrar no banheiro e ligar o chuveiro, então peguei o celular e disquei o número da minha mãe.
— Alô. — ela disse.
— Mãe.
— Felicity, meu docinho. — sua voz era melosa, e confesso que eu estava morrendo de saudades dela. — Me ligando e a essa hora da tarde? O que aconteceu? Está doente? Ai meu Deus, eu vou arrumar as malas, comprar uma passagem e cuidar de você.
— Não estou doente, mamãe. — Ela suspirou, relaxando. — Você sabe com é o meu trabalho não posso...
— Ficar jogando conversa fora pelo celular?... Estou cansada de saber disso. Mas sou mãe, preciso constantemente escutar sua voz para ter certeza que está bem.
— Desculpe. — resmunguei. — escuta mãe, preciso da sua ajuda. Quero cozinhar para uma pessoa, mas não sou boa na cozinha.
Ela soltou uma gargalhada gostosa.
— Preciso de algumas dicas, alguns pratos apetitosos. Da nossa cultura, sei lá.
— Então você arrumou um namorado? Está querendo cozinhar para ele? Então deve ser sério, muito sério para você ligar me pedindo ajuda. Me conta tudo. Eu quero saber cada detalhe, Felicity. — disse desenfreada. — Ele é um agente super gostoso e cheio da grana? Ou um empresário que tem uma empresa multi milionária?
Revirei meus olhos soltando um suspiro. Mamãe sempre sonhou alto demais, dizia que eu ia encontrar um homem rico, bonito e que ia morar nos Hamptons, e levar ela, é claro.
— Não vou cozinhar para um homem.
— Para uma mulher então?
— Isso. — confirmei. — É uma pessoa que eu quero agradar.
— Pensei que você gostava de homens, Felicity Smoak!
— Mamãe! — exclamei. — Não é nada disso... Olha, só me diz um prato gostoso e simples de fazer, sem mais perguntas, prometo que ligo mais tarde e te explico tudo. — Vamos lá, mamãe, tem um homem nu e gostoso me esperando no meu banheiro. Completei, em pensamentos, senão ela me jogaria mais um monte de perguntas.
— Tudo bem. Você vai anotar?
— Claro. — me estiquei sobre a cama para pegar um bloco de notas e uma caneta na gaveta da cômoda. — Pode falar.
E ela me passou os ingredientes de um prato delicioso que ela fazia nos domingos. Depois também passou a receita de uma sobremesa, torta de ricota, que com certeza, nas palavras da minha mãe, arrebataria o estômago de qualquer indivíduo.
Antes de encerrar a ligação tive que prometer mais uma vez que ligaria para ela no final de semana e contaria cada detalhe do tal jantar, eu prometi. Encerrei a ligação e corri para o banheiro, antes que Oliver desistisse de me esperar. Mais tarde, depois de um banho super demorado a gente foi ao supermercado, comprar alguns ingredientes que não tinha na minha despensa.
Oliver ligou para Moira, fazendo um convite em meu nome. Disse que Moira ficou muito animada, mas Thea não quis falar nada. Então ele percebeu que existia alguma coisa errada no jeito como Thea estava se comportando, eu tive que fazê-lo esquecer do assunto e me ajudar na cozinha.
[...]
Voltei para a sala depois de tirar o pó da farinha dos meus cabelos e rosto, vestindo uma roupa apresentável, um vestido azul que ia até meus joelhos, simples, com uma abertura nas costas e que caia muito bem no meu corpo. Oliver me olhou dos pés a cabeça e sorriu caminhando até mim.
— Como eu estou? — girei, e fiquei tonta no processo, Oliver me segurou forte e eu comecei a rir, o abraçando forte.
— Você está linda. — e beijou meu pescoço. — Como sempre.
— Adoro quando diz que estou linda. — murmurei, corando. Afundei meu rosto em seu ombro.
— É a verdade. — ele deslizou o nariz pelo meu pescoço, comecei a rir.
Mas nosso momento foi interrompido por um sorrisinho atrás de mim. Girei sobre meus calcanhares, encontrando Moira e Thea paradas perto da porta. O sorriso era de Thea, Moira parecia encantada por nós dois, mas Thea me encarava com certo sarcasmo nos olhos. Meu coração se apertou dentro do peito.
— A porta estava aberta. — disse Thea, se jogando no meu sofá. — Desculpe ter atrapalhado o momento fofo de vocês dois.
— Peço mil desculpas também, devíamos ter batido na porta. — disse Moira.
— Não, tudo bem. — falei, caminhando Moira, recebi uma abraço dela. — É uma honra recebê-las aqui.
— A Felicity, eu fiquei tão feliz com o convite. — confessou Moira.
— Sou testemunha de que ela se esforçou bastante para fazer esse jantar, até ligou para a mãe dela pedindo dicas. — comentou Oliver.
— Devo imaginar o quanto ela se esforçou. — murmurou Thea. — Aliás, que horas são? — ela olhou no relógio do seu celular. — Ah falta pouco mais de 2 horas para as onze.
— Thea, será que podemos conversar a sós? — perguntou Oliver, notando o tom irônico na voz da irmã.
— Claro. Tenho tanta coisa para te dizer. — ela fixou o olhar no meu com tanta intensidade e raiva que eu queria que um buraco se abrisse sob meus pés.
— Ótimo. — ele segurou a mão dela e a arrastou para o corredor.
Eu não queria deixá-los sozinhos. Thea tinha me dado um prazo, mas ela podia muito bem contar tudo antes. Oliver poderia voltar dessa conversa muito bravo, ela vai gritar comigo, dizer o quanto me odeia e me abandonar.
— Felicity. — chamou Moira, com sua voz suave. — Você ficou pálida. Aconteceu alguma coisa?
— Não. Acho que é só nervosismo. — ela sorriu.
— Não fique nervosa.
— Eu estou tentando. — confessei. — Você gostaria de beber um vinho ates do jantar?
— Adoraria.
Assenti e me dirigi para a cozinha. Minhas mãos tremiam tanto que achei ser impossível abrir a garrafa de vinho, não conseguia encaixar o saca rolhas na rolha da garrafa e quase fiz o recipiente voar de encontro a parede. Respirei fundo e tentei novamente, dessa vez consegui. Enchi duas taças com vinho e acabei bebendo o líquido das duas.
— Calma. — sussurrei. — Vai ficar bêbada e estragar tudo. Se é que já não está tudo estragado.
Peguei uma taça limpa e enchi de vinho, enchi a minha também depois voltei para a sala com as taças. Entreguei uma para Moira, ela sorriu e se sentou no sofá com todo cuidado. Sentei-me no sofá ao lado, de relance olhei para o corredor, sentindo uma angustia enorme no peito.
— Então, sua mãe mora aqui? — a mãe de Oliver puxou assunto.
— Não, ela mora em Las Vegas.
— Há quanto tempo mora longe dela?
— 3 anos.
— E a visita frequentemente?
— Não. Infelizmente a faculdade atrapalha meus planos de visitá-la. — Olhei mais uma vez para o corredor, eles estavam demorando.
Continuamos conversando. Moira não conseguia acalmar a crescente angustia que eu sentia no meu coração, na verdade ela nem tentava, afinal não sabia nada do que estava acontecendo, se soubesse me odiaria ainda mais do que os filhos. Me mandaria para bem longe de Oliver.
Quando enfim, escutei o sorriso dele no corredor consegui me acalmar, ele estava sorrindo, Thea estava cumprindo o prazo que havia me dado. Respirei aliviada quando Oliver se sentou ao meu lado, me abraçou e beijou meus cabelos.
— Então, acabei me esquecendo de perguntar como foi o dia de vocês na exposição? — indagou Thea, correndo os olhos por mim e Moira.
Engatamos um papo animado, não tanto para mim. Eu estava me sentindo desconfortável com os olhares de Thea sobre mim. Ela não conseguia esconder o que sentia, um ódio danado por eu estar enganando o irmão.
Minha campainha tocou, interrompendo Thea que falava sobre como Oliver tinha derrotando ela no paintball. Pedi licença e caminhei até a porta, estranhando, quem é que estava tocando minha campainha? Eu não recebo visitas, não duas no mesmo dia. Abri a porta e Ana e Marcus estavam discutindo.
— Olha aí, falei que ela estava. — gritou Ana.
— O que estão fazendo aqui? — perguntei.
— Escutou Ana...Falei que você tinha que deixar isso para amanhã. — reclamou Marcus.
— Olha só, eu já disse que se tivesse deixado isso para amanhã Felicity me mataria. — rebateu.
— Isso o que?
— Eu passei na gráfica para pegar os cartazes e panfletos da palestra do Ray Palmer, eles ligaram e falaram que você não tinha ido pegar. Eu queria te ligar, mas você saiu da biblioteca daquele jeito, achei melhor não te incomodar.
— Ah-rãm. Mas o que aconteceu?
— A gráfica errou na digitação do nome de Ray em tudo. — ela abriu o cartaz que estava enrolado. Pela primeira vez no dia tive vontade de explodir de tanto rir. — Eu tive a mesma vontade.
— Gay Palmer? É piada só pode, eles fizeram isso de proposito. — falei. — Você pediu para eles fazerem tudo de novo?
— Claro que falei, eu sou profissional. Mas, eles falaram que só ficará pronto daqui quatro dias.
— O quê?!
— Eu gritei com eles, ameacei processar. Falei que ia criar uma conta no twitter para difamar a falta de profissionalismo deles. Mas a única coisa que eles falaram foi que devolviam o dinheiro.
— Ai meu Deus, mais essa agora. — balbuciei.
— Algum problema aqui? — indagou Oliver, colocando as mãos sobre meus ombros. — Oi Ana.
— Oi Adam. Esse aqui é o Marcus, meu namorado. — levantei o rosto, arqueando as sobrancelhas. — O quê? A gente voltou ontem, eu ia te falar, mas nós quase não conversamos hoje.
— E aí cara. — Marcus estendeu a mão para cumprimentar Oliver.
— E aí. — Oliver o cumprimentou.
— Então, o que você pretende fazer? — questionou Ana.
— Eu não sei. Mas no momento tenho coisas mais importantes para resolver. Vou ligar para a gráfica amanhã, tentar ver se eles agilizam as coisas.
— Tudo bem. A gente já vai então. Temos um show para ir.
— Se divirtam. — falei. Os dois seguiram pelo corredor, rindo e conversando até sumirem da nossa vista.
— O que aconteceu? — questionou Oliver.
— Nada demais. Ana só queria me avisar sobre os panfletos e cartazes da palestra de Ray Palmer, a gráfica acabou trocando uma letra no nome dele, mas está tudo bem. — menti.
Na verdade não estava tudo tão bem assim, para começar com esse jantar, as 23 hrs estava chegando e eu estava perdendo a fé de que o jantar me ajudaria. E agora toda essa confusão que a gráfica fez. Mas pensando por um lado, sendo bastante realista, se esse jantar não resolver meu problema com Thea não preciso me preocupar com cartazes com o nome de Ray errado.
— Eu preciso ver a torta de batata. — falei, indo para a cozinha.
Mas ao invés de abrir o forno, enchi outra taça de vinho e joguei para dentro em um único gole, então chequei a torta, estava dourada como mamãe tinha dito que estaria quando estivesse no ponto. Sorri, aquilo estava cheirando bem e com uma cara maravilhosa, estava orgulhosa do meu trabalho. Ao menos esse jantar serviu para uma coisa. Coloquei o klops esquentar no micro-ondas e voltei para a sala.
— Vou roubar Oliver de vocês um pouquinho. — falei sorrindo, engatando meu braço no dele. Voltei para a cozinha arrastando-o junto comigo. — O jantar está pronto, preciso da sua ajuda para levar tudo até a sala de jantar.
Meu apartamento tinha uma, pequena, mas tinha. E Oliver tinha ajudado organizar tudo direitinho, de uma forma que deixou Moira surpresa e Thea zombando da cara dele.
— Você ajudou sua namorada cozinhar? — questionou Thea. O clima tinha ficado mais calmo, ameno, e ela não me olhava mais com tanta raiva.
Talvez estivesse dando certo.
— Sim, eu ajudei. — respondeu um Oliver orgulhos. — E pelo cheiro fizemos um ótimo trabalho. — e passou o braço ao redor da minha cintura, me abraçando de lado.
— O cheiro realmente está ótimo. — disse Moira.
Quase dei um pulo de tanta felicidade, ao ver que Moira e Thea realmente estavam se deliciando ao olhar para a mesa posta.
— Por favor, se sirvam. — falei.
Educadamente e com toda a elegância Moira se sentou a mesa, Thea seguiu os passos da mãe e começou a se servir. Desviei meu olhar da caçula e encarei Oliver que tinha acabado de puxar a cadeira para eu me sentar, acenei com a cabeça e me sentei. Ele sentou-se ao meu lado. Ambos de frente para as duas. Olhando com expectativa para os rostos delas. Ele até parecia mais apreensivo que eu.
Cravei meu olhar no rosto de Thea, ela só me importava naquele momento, Moira eu já tinha conquistado. Mas a irmã caçula de Oliver parecia osso duro de roer. Embaixo da mesa, cruzei meus dedos e fiz uma prece silenciosa enquanto ela levava um pedaço de Klops à boca.
— Meu Deus, esse bolo de carne está maravilhoso. — comentou Thea, pegando outro pedaço e levando aos lábios.
— É Klops. — resmungou Oliver. — Um prato tradicional Judaico. — acrescentou. — Então, gostaram?
— Tudo está... Delicioso. — respondeu Moira, limpando o canto dos lábios com o guardanapo. Sempre elegante.
— E isso o que é? — perguntou Thea, apontando para o arroz com lentilhas.
— Arroz marroquino. — respondeu Oliver. — E isso é torta de batata.
— Vocês fizeram um ótimo trabalho. — soltou Thea, piscando para mim.
Algo se acendeu em meu peito, uma pontinha de esperança reluzia dentro de mim. Eu tinha conseguido? Ou Thea estava apenas brincando com a minha cara.
Sacudi a cabeça e dei inicio ao meu jantar, me surpreendendo com o que eu tinha feito. Eu temi que a comida ficasse uma gororoba, ou dura como uma borracha, mas nunca achei que ficaria tão boa. Os sorrisos e gemidos sutis de aprovação eram como musica para meus ouvidos.
Não foi diferente com a sobremesa, como mamãe disse ficou delicioso, eu só não sabia se tinha arrebatado o coração de Thea. Mas sua expressão era de total satisfação. Bem, o que me restava era esperar.
— Eu vou lavar a louça. — dei um salto, ficando em pé. Não aguentava mais a ansiedade que sentia no peito. Comecei a tirar a mesa.
— Eu vou te ajudar. — disse Oliver, mas Thea colocou a mão sobre a dela.
— Não, Ollie. — meu coração parou por alguns segundos. — Eu ajudo. Vai conversar com a mamãe.
Okay, nada de pânico, nada de pânico, nada de pânico.
Thea me ajudou a tirar a mesa, então se ofereceu para lavar a louça enquanto eu guardava. Ela ficou calada. E eu sentia a tensão se acomodar cada vez mais naquele cômodo. Eu precisava me explicar, dizer a ela o que realmente sentia por seu irmão. Porém, Thea parecia estar lendo meus pensamentos e falou antes que eu pensasse em uma forma de começar a me explicar.
— Você fez esse jantar para que eu mudasse de ideia? — indagou, mantendo os olhos no prato que começará a enxaguar.
— Bem... eu é... hum. — gaguejei. — Eu pensei que se você passasse um tempo comigo e Oliver acabaria mudando de ideia. Olha, eu realmente gosto do seu irmão, muito, de verdade. Você pode não acreditar nisso, mas meu maior medo é perdê-lo. Não pensei que esse trabalho fosse me colocar em uma situação como essa. Era para ser fácil, vigiar seu irmão e proteger ele. Mas tudo mudou quando nos aproximamos, quando Oliver me enxergou e não saiu do meu pé até eu aceitar sair com ele. Então a missão mudou de rumo, eu teria que me aproximar do seu irmão, ser íntima dele. Isso aconteceu, e eu me vi apaixonada. Tão apaixonada que eu fui capaz de aprender a cozinhar para agradar você.
Os lábios de Thea se curvaram minimamente.
— Posso parecer egoísta. Mas não é verdade. Eu faria de tudo para proteger o seu irmão. Voltaria o tempo e mudaria tudo, continuaria sendo apenas a protetora dele, o vigiando de longe. Não acabaria fazendo a mesma burrada. Eu não quero partir o coração dele, mas sei que se continuar o enganando é isso que vai acontecer, você tinha toda razão quando despejou aquelas palavras mais cedo. Eu sou uma pessoa horrível por estar enganado um homem tão maravilhoso como Oliver. Não sabe como me odeio por isso. Mas eu não quero perdê-lo.
— Eu acredito em você, Felicity. — disse Thea, me surpreendendo. — Nunca vi ninguém olhar para meu irmão igual você olha. Mataria por alguém que me olhasse como você olha para ele. — ela sorriu. — Hoje, quando ele me puxou num canto para um particular eu fiquei tentada a despejar tudo, mas ele começou a brigar comigo, dizer que minha atitude era infantil. Então, do nada ele começou a falar o quanto você é maravilhosa. Ele ama você, pode ser cedo para isso, mas ele ama. E isso me surpreendeu bastante. Acabei notando que vocês dois são perfeitos juntos. Talvez a decepção esteja no caminho do Oliver, mas é normal se decepcionar em um relacionamento, não é?
Ela ficou em silêncio por um instante. Analisando minha expressão.
— Não quero acabar com relacionamento de vocês. Não quero que Oliver perca todas as etapas de uma verdadeira história de amor. Vou ser uma péssima irmã por isso. Mas, decidi que não vou contar nada para o Oliver.
— Não?
— Ele vai me odiar. Odiar você também. Seremos as piores mulheres do mundo. — ela abriu um sorriso cheio de dentes. — Mas não vou acabar com o relacionamento de vocês. E, acredito que ninguém vai proteger meu irmão como você faz.
— Você está certa. Sou a única capaz de protegê-lo. — abracei Thea, pegando-a de surpresa, porém, ela nem ligou. — Então, realmente a comida ajudou. — Thea deu uma gargalhada.
— Não, apesar de estar bem deliciosa. — disse. — Mas parece que a teoria da minha mãe está certa, você é irresistível. Agora, vamos terminar de lavar essa louça.
Terminamos de lavar a louça, e dessa vez Thea contou sobre sua vida, sobre todos os guardas costas que tinham se demitido pelo seu temperamento explosivo, e demos muitas risadas. Então, nos juntamos a Moira e Oliver, depois de jogarmos bastante conversa fora, as duas se despediram e foram embora, prometendo que logo nos visitariam de novo.
— Parece que finalmente você conquistou minha irmã. — comentou Oliver. Me joguei ao lado dele no sofá, grudei minhas costas em seu peito e ele passou os braços ao redor da minha cintura.
— Até que enfim. — murmurei. — Acho que foi o bolo de carne.
— Ou é só você mesmo. — ele beijou meu pescoço, atiçando meu corpo, fazendo-me girar e me jogar sobre ele.
— Acho que depois desse jantar merecemos uma comemoração.
— Que bom, porque passei o jantar inteiro pensando em arrancar esse vestido do seu corpo. — e me beijou.
Sabia que estava no lugar certo. Nos braços dele, e era ali que minha vida se tornava melhor.
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