Wonderwall.
5 Café da manhã com gostinho de vitória.
Notas iniciais
Acordei sentindo um gosto horrível na boca e uma leve dor de cabeça, claramente por causa das cinco garrafas de cerveja que tinha ingerido na noite anterior, não era nada que me afetasse como uma ressaca. Bocejei e estiquei meus braços para cima, tentando livrar-me da preguiça instalada em meu corpo, esfreguei meus olhos, o clarão do sol invadia meu quarto pelas pequenas frestas da persiana. Deslizei minhas pernas para fora da cama e calcei as pantufas.
Comecei a desfazer o coque dos meus cabelos enquanto andava até o banheiro. Olhei-me no espelho, parecia que tinha sido atingida por um saco de pancadas. Por que acordamos tão feias pela manhã? Por que a ficção dos filmes onde as mulheres acordam exuberantes na manhã seguinte não acontece com a gente? Em meio essa dúvida lavei meu rosto e escovei os dentes. Depois fiz o melhor com meu rosto e meus cabelos. Além de tudo é domingo, não estou me importando com a minha aparência.
Percorri o corredor e entrei na minha sala, cheguei perto do sofá e levei um susto quando vi Oliver dormindo sobre ele. Pisquei algumas vezes e meu cérebro recapitulou a noite anterior. Comemos a pizza e conversamos bastante, Oliver disse o quanto odiava o professor de sociologia. E eu falei sobre o quanto minha mãe é extravagante, a gente conversou bastante e rimos de muita coisa, Oliver me surpreendeu bastante em determinados pontos. Não foi arrogante e muito menos extravagante. A noite foi tão boa que perdemos a hora então eu disse que ele podia dormir aqui, no sofá, claro.
E agora Oliver estava ali de bruços, em cima do meu sofá, sem camisa, com as costas nuas, perfeitamente esculpidas por mãos de fadas. Observei a forma tranquila que ele respirava e a forma que agarrava o travesseiro em baixo da sua cabeça. Voltei para suas costas, descendo meu olhar por toda extensão larga e musculosa, o jeans apenas destacava mais sua bunda. Foco Felicity.
Mogus veio da cozinha e pulou em cima do encosto do sofá, olhou para Oliver e farejou, sem dar importância desceu até as costas dele e sentou-se, começou a lamber a pata sem se importar com o que estava fazendo de banheiro.
— Mogus. — murmurei. — Saia já daí. Você não pode invadir o espaço pessoal de uma pessoa dessa forma, é muito feio. — o felino continuou não me dando importância. — Você é um gato muito folgado. — ralhei.
Escutei a risadinha de Oliver e os braços dele se moveram, apoiando as mãos no sofá, para rapidamente se sentar. Mogus pulou para a mesa de centro e começou a cheirar a caixa de pizza, como sempre, morto de fome.
— Você sempre fala com gatos? — questionou-me Oliver, olhando dentro dos meus olhos, se divertindo comigo.
— Não. Só quanto eles usam as costas de alguém como banheiro para tomar banho. — respondi, e virei para começar arrumar a mesa de centro.
— Deixa eu te ajudar. — Oliver pegou as garrafas das minhas mãos, olhei para o lado, encontrando seu abdômen sarado. Por que ele não dormiu com a camisa? — Para onde eu levo isso? — demorei para erguer o meu rosto e dizer:
— O que você disse? — Oliver deu um sorrisinho charmoso e ergueu as mãos com as garrafas de cerveja. Que imbecilidade da minha parte. — Ali, na cozinha. — apontei para o local.
Oliver me ajudou organizar toda a sala e depois ele lavou a louça para mim, acredite, ele me surpreendeu bastante quando disse que eu podia ficar quieta porque ele iria arrumar tudo pra mim. Deixei-o e fui organizar meu quarto, quando voltei para a sala ele já estava vestido com a camisa e com a jaqueta.
— Obrigada por arrumar tudo. — falei, mantendo certa distância dele.
— Não foi nada demais. — disse, colocando as mãos no bolso da jaqueta de couro. — Faço isso todos os dias na minha casa.
— Não costumo receber visitas, então nunca tem muita coisa para eu organizar. — comentei. — É... Você quer tomar café? Eu te devo ao menos uma xícara de café.
— Claro. Seria bom para a dor de cabeça. — concordei e andei até a cozinha, quando cheguei ao armário me lembrei de que tinha usado o último pó de café na manhã anterior. Girei sobre meus calcanhares e Oliver estava encostado no batente da porta, com o olhar cravado em mim.
— Acabou o café. — falei, mordendo o lábio. Ele pareceu se divertir comigo.
— Podemos resolver isso. — argumentou, aproximando-se. — Vamos tomar café. Conheço um lugar aqui perto. O que acha? — ele parou poucos cm de mim. Ponderei, eu estava sem café e não tinha mal algum sair com Oliver, além do mais estarei fazendo meu trabalho.
— Tudo bem. Eu só vou trocar de roupa.
— Está linda assim. — elogiou naturalmente. Um sorriso rápido teimou em aparecer nos meus lábios e refletiu-se nos dele.
— Tá. Então vou pegar minha bolsa. — ele assentiu com a cabeça. — Já volto. — dei passos largos até meu quarto e peguei a bolsa e meu celular, estava no modo silencioso o que me fez perder três ligações de Diggle.
Ele deve estar muito preocupado comigo, envio uma mensagem dizendo que estou bem, que Oliver está na minha casa e vamos sair para tomar café, e que depois retorno as ligações. Guardo o celular na bolsa e volto para a sala.
— Vamos? — falo a Oliver.
Depois que saímos do meu apartamento, pegamos o elevador e descemos em silêncio para a portaria. O porteiro nos encarou, visivelmente estranhando eu estar acompanhada, Oliver não percebeu. O conversível estava estacionado do outro lado da rua, Oliver abriu a porta para mim e esperou eu ajeitar o cinto, então fechou a porta e depois embarcou no banco do motorista.
— Para que lugar vai me levar? Não é nem uma padaria elegante né? — ele negou com a cabeça.
— É o melhor lugar que eu conheço e não é elegante, é um lugar simples. Mas tem o melhor croissant da cidade.
— Você também acha o croissant da Gertrudes o melhor da cidade? — Oliver franziu o cenho. — Você nunca foi à cafeteria da Gertrudes?
— Não. — ele começou a dirigir.
— É de lá o melhor croissant da cidade, impossível haver um melhor.
— Desculpe, mas garanto que o croissant da Gertrudes não é o melhor. — rebateu, convicto. — Você quer Apostar comigo?
— E se eu perder?
— Você sai comigo durante uma semana inteira. Começando amanhã.
— E se você perder?
— Não sei... Aí você escolhe.
— Preciso pensar. — argumentei. — Mas aceito a aposta, porque é impossível existir um croissant melhor do que o da Gertrudes.
— Olha só, eu garanto que você será minha a semana inteira. — engoli em seco, Oliver soava como se já estivesse ganhando a aposta e eu sentia medo, mas não por perder, e sim por ser derrotada por Oliver.
(...)
— Qual é o seu preferido? — questionou Oliver, falando sobre o croissant. Estávamos em uma padaria em Midtown, um espaço pequeno bastante frequentado por homens vestidos em ternos elegantes. Eu já tinha passado por essa padaria, mas o barulho conturbado do trânsito e o sai e entra de pessoas fizeram-me desistir de entrar.
No sábado ele está bem mais tranquilo do que naquele dia, o fluxo de pessoas é menor e o trânsito do lado de fora não está tão barulhento. Ajeito-me na cadeira, inclinando-me um pouco mais para frente e descanso minhas mãos na mesa redonda de granito.
— Presunto e queijo. — respondo. — São os melhores.
— Ainda mais os daqui. — disse Oliver, com um leve tom de provocação. Em seguida ele levantou-se e foi até o balcão.
Uma mulher de idade veio sorrindo até ele, Oliver a cumprimentou com um largo sorriso, como se ela fosse uma pessoa muito próxima. Ele falou algo para ela e apontou para mim, a senhoria de cabelos brancos me olhou com um sorriso sincero, depois voltou sua atenção para Oliver e os dois começaram cochichar. Queria ser um dos bolinhos que estavam sobre o balcão para escutar o que eles tanto falavam. Depois da conversa de longos minutos Oliver pegou um cupcake e voltou, sentou-se na minha frente.
— É só uma entrada. — disse, arrastando o bolinho na minha direção. Peguei-o e dei uma mordida, o creme de morango e a massa derreteram na minha boca como algodão, aquilo era extremamente delicioso, não consegui segurar um suspiro. Oliver me olhava com um sorriso presunçoso nos lábios, seus olhos entregavam o quanto ele estava convicto que venceria a aposta.
— Okay, esse cupcake é delicioso, mas o croissant pode não ser, ou ser, mas não vai chegar aos pés do da Gertrudes. — comentei.
— É o que veremos. — ele provocou, tirando o bolinho da minha mão.
— Hey, isso é meu. — estiquei meus braços para tomar de volta o que era meu, com sucesso. — Acho que vou levar alguns para casa.
— Você gosta do ar livre, Felicity? — arqueei as sobrancelhas, não entendia aquela pergunta, o que o ar livre tinha a ver com momento.
— Por que está me perguntando isso?
— Para quando eu vencer a nossa aposta.
— Você não vai vencer a aposta. — retruquei.
— Você não devia ter tanta certeza assim, Felicity. — murmurou ele, fixando os olhos nos meus. Antes de eu rebater, a senhora que atendeu Oliver no balcão estava do lado da nossa mesa, segurando uma bandeja com os croissants, duas xícaras de café e um cheescake.
— Aqui estão os croissants de vocês. Os cafés. E o bolo para Adam comer depois que vencer você. — disse ela, colocando as coisas sobre nossa mesa. Encarei Oliver.
— Não acredito que fez isso. — falei. — Até torcida você tem.
— Felicity essa é a Rose, ela é a dona desse lugar e quem faz os melhores croissants de Nova York inteira. Rose, essa é a Felicity, que fala com gatos. — disparei um olhar fulminante para ele e então olhei para Rose.
— Olá, Rose.
— Olá Felicity. Adam disse que você não gosta dos meus croissants. — chacoalhei a cabeça.
— Eu não falei isso. Nunca provei seus croissants, e nunca diria que não gostei deles sem ao menos provar. Isso é errado. — Rose começou a rir e Oliver também. O que eu tinha feito?
— Não se preocupe, meu Bem, ele só queria te provocar e ver você confusa desse jeito. — comentou. — Mas já que está aqui e nunca provou meus croissants, acho que é a hora — Oliver se inclinou para frente, com seus olhos desafiadores cravados em mim.
— Não vai dizer nada antes de perder? Porque eu estou sentindo o cheiro da vitória. Tem um cheiro irresistível de chocolate.
— Pare de me provocar. — peguei o croissant, ele estava quentinho e tinha um cheiro maravilhoso. Dei uma mordida e senti o gosto da massa, tão macia, do queijo, presunto e os temperos. Esse sem dúvida é o melhor croissant que já comi na minha vida, Gertrudes que me desculpe, mas Rose tem verdadeiras mãos de fadas para a cozinha.
— E então meu bem? — Rose me olhava com atenção, e Oliver continuava com o sorrisinho vitorioso nos lábios.
Eu tinha perdido a aposta, mas ainda poderia mentir e dizer que o tempero não era assim tão bom, mas estaria mentindo, e não queria magoar Rose que parece ser tão simpática. Cheguei à conclusão de que deveria ser honesta, nem que isso custasse uma semana inteira com Oliver, admitiria para ele que perdi a aposta e que Rose é um verdadeiro ás na cozinha, então comerei meu croissant em paz.
— Então, eu odeio admitir, mas faço isso pela Rose, e acima de tudo serei honesta. — olhei para Oliver. Droga, como podia ser tão sexy? Ainda mais gostoso depois da sua vitória.
— Diga Felicity. — disparou ele, com a voz triunfante, rouca e capaz de provocar arrepios no meu corpo. — Esse é o melhor, não é? — suspirei.
— Sim. É o melhor. — Oliver esboçou um sorriso enorme, levantou-se e deu um beijo na bochecha de Rose.
— Obrigada por você fazer os melhores croissants da cidade. — fiquei observando a forma carinhosa que Oliver tratava Rose e uma dúvida enorme formou-se em minha cabeça:
De onde tinha saído esse Oliver divertido e espontâneo?
— Como se sente depois dessa vitória? — questionei.
— Vou ficar uma semana inteira perto de você, me sinto o cara mais sortudo do mundo. — eu sorri. Oliver estava me surpreendendo de forma natural, sem precisar mostrar o quanto é rico e popular.
Depois que tomamos nosso café, Oliver me levou para casa. Pedi a ele o domingo de folga, para me preparar para o restante da semana que passaria ao lado dele. Era uma brincadeira, claro. Ele me deixou na porta do meu apartamento e me deu beijo na bochecha, depois saiu balançando as chaves do seu carro.
Joguei-me no sofá. Recapitulando tudo que tinha acontecido nas ultimas horas. Oliver está cada vez mais próximo e parece que não vai desistir. Eu apenas não entendo, por que eu? O que ele realmente quer de mim? Se fosse sexo ele teria desistido logo depois do nosso encontro fracassado e partido para a outra, mas ao invés disso ele me pediu desculpas. Depois de tanto pensar, tomei um banho quente e passei o resto da manhã vigiando Oliver Queen.
(...)
A tarde estava sendo um tédio. Mogus estava deitado ao meu lado, comendo batatas fritas e assistindo um filme de ação com Tom Cruise na TV. Oliver não tinha saído do seu apartamento desde que voltou para casa depois de me deixar no meu apartamento. A única movimentação no seu andar foi o Brad que foi visitá-lo e saiu logo depois do meio dia.
O interfone tocou e eu levantei apressada, corri até a cozinha e atendi:
— Felicity, tem um casal aqui em baixo. Posso mandar subir? — perguntou o porteiro. Estranhei, um casal? Visitando-me?
— Quais os nomes? — indaguei.
— Senhor e senhora Diggle. — Ah sim, Diggle falou na ligação que quando pudesse me visitaria para falar a tal novidade. Meu peito inflou de tanta curiosidade, qual seria essa novidade que deixou Dig tão entusiasmado a ponto de vir me visitar para contar.
— Pode liberar. — voltei para a sala e bati o sofá para tirar as migalhas de batatinha que Mogus tinha feito. Fechei o notebook e deixei no canto da mesa de centro, qualquer movimento de Oliver fora do seu apartamento meu celular notifica.
A companhia tocou e corri abrir a porta. Diggle e Lyla estavam de mãos dadas, vestidos em roupas casuais de domingo e sorrindo como bobos.
— Entrem. — dei passagem para os dois. Lyla me cumprimentou com um abraço forte e beijos na bochecha, com Dig não foi diferente, só um pouco mais apertado, me senti sendo abraçada por um urso fofo — sentem, por favor. — eles se sentaram no sofá maior e eu em uma poltrona perto deles. — Que surpresa é essa?
— Queríamos falar com você ontem, mas não pôde ir ao churrasco. — começou Lyla.
— Desculpem, Robert não me liberou.
— Tudo bem. — disse Diggle. — Querida, você quer falar? — ele a olhou com carinho e ela retribuiu. Os dois são tão lindos juntos. Um casal perfeito e admirável. Fico tão feliz por vê-los juntos e felizes depois de tantos obstáculos.
— Claro. — suspirou Lyla e me olhou sorridente. — Eu estou grávida. Vou ser mãe e o John vai ser pai.
— Minha nossa, isso é incrível. — exclamei. — Parabéns. Tenho certeza que vão ser ótimos pais.
— Nós vamos. — falou John, trocando outro olhar apaixonado com Lyla. — E estamos aqui para lhe fazer um pedido.
— E o que é? — Lyla segurou a mão de Dig sobre o colo, ambos me encaravam.
— Queremos que você seja a madrinha. — respondeu Dig. Fiquei totalmente surpresa e não consegui dizer nada por algum tempo. Eles queriam que eu fosse madrinha do filho ou filha deles. Eu estava feliz, muito feliz com o convite inesperado.
— Então, Felicity, você aceita? Ficaremos muito felizes em tê-la como madrinha do nosso filho ou filha. — Lyla assegurou o convite.
— É claro que aceito. — levantei e dei um abraço em cada um. — Serei a melhor madrinha de todas.
Depois do convite deles, engatamos uma conversa sobre bebe, até Diggle tocar no assunto Oliver Queen e perguntar o porquê dele estar na minha casa pela manhã, eu contei sobre tudo que tinha acontecido inclusive à aposta. John se divertiu e relembrou de quando eu trabalhava no escritório e nunca perdia uma aposta feita com meus colegas, pelo jeito eu não tenho mais aquela sorte. No final da tarde nos despedimos.
[...]
Depois que Diggle e Lyla saíram da minha casa eu despenquei no sofá e acabei dormindo. O dia tinha sido cheio de surpresas e nem tinha escurecido ainda. Acordei mais tarde com o apito do meu celular notificando que Oliver tinha saído do apartamento. Usei o rastreador no relógio que Robert tinha lhe dado. Oliver estava em um bar. Usei as câmeras do estabelecimento. Ele estava sentado no balcão, sozinho, bebendo cerveja.
Não demorou muito tempo para uma morena com corpo escultural e sexy sentar ao lado dele e puxar assunto, eu não a culpo, Oliver tem certo poderes sobre as mulheres. Os dois conversavam e ela jogava toda sua sensualidade para cima dele. Por que ser tão atirada? E por que ele não dá o fora nela?
Porque esse é o verdadeiro Oliver, Felicity. Aquele de hoje de manhã era apenas um personagem criado por ele. Respondeu minha razão, movida pelas incertezas plantadas por Oliver em minha cabeça.
Estava a ponto de fechar o notebook quando ele levantou-se, deixou uma nota de dinheiro sobre o balcão e caminhou para fora do bar. A morena continuou no mesmo lugar, com uma expressão de decepção. Oliver tinha dado um fora nela? Ou era só coisa da minha imaginação? Foco! Minha razão gritou.
Usei as câmeras da rua. Oliver embarcou no carro e dirigiu na direção do seu apartamento. Ele estava mesmo voltando para casa, e sozinho. SOZINHO!
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