Wonderwall.
6 Cachorro quente com ketchup e mostarda.
Notas iniciais
Notei uma sensação estranha na boca do estômago ao ver Oliver pela primeira vez na segunda feira. Ele estava na frente do meu apartamento, encostado no seu conversível, usando calça jeans escura, camisa preta e coturnos cinza, tinha os braços cruzados sobre o peito. Os lábios curvados em um sorriso genuíno que se ampliou ainda mais quando seus olhos encontraram os meus. Senti minhas pernas moles, e parei, questionando o porquê dele estar na frente do meu prédio tão cedo em plena segunda feira.
— Qual o problema? — ele indagou, ao perceber que eu parecia uma estátua concretada no chão. Subiu os poucos degraus que nos afastava e colocou a mão sobre o meu ombro, apreciei o calor que se estendeu por meu corpo fechando meus olhos por uma fração de segundos. — Você está bem?
Sorri e assenti com a cabeça.
— Por que está aqui? — perguntei, olhando-o nos olhos azuis profundos.
— Eu venci a aposta. Lembra? — pisquei algumas vezes. Sim, eu lembrava. Seria impossível esquecer que por uma semana eu estarei à disposição de Oliver, para sei lá o quê.
— Eu ainda lembro. — falei cética. — Você que deve lembrar que estudamos e que eu trabalho na biblioteca da faculdade durante o meu tempo livre. Restando apenas horários depois das 23hrs. E depois eu durmo cedo, porque senão me atraso para a faculdade. E aí, minhas notas vão ladeira a baixo e eu quero ser alguém na vida. Sabe, alcançar o meu lugar no céu?
— Por que você dificulta tudo? — franzi as sobrancelhas, fitando os olhos de Oliver. O seu olhar desceu para meus lábios, encarando-os com adoração e desejo. Um nó formou-se em minha garganta e eu senti meu corpo inteiro estremecer com seu olhar. — Você não sabe o quão difícil é me concentrar quando você fala demais.
Oliver acrescentou, fazendo-me bufar de ódio. Minha memória trouxe para meus pensamentos uma conversa que tive com um ex rolo que tive há um tempo, estávamos na cama e eu falava sobre o meu trabalho, havia acabado de ser escalada pelo capitão Willian Holt para o inicio da força tarefa que me treinou, eu dizia o quanto estava ansiosa e feliz, quando Cooper olhou nos meus olhos e disse que não era nada sexy quando eu falava demais, disse que eu ficava melhor com a boca calada, claro que aquilo foi a gota d’ água para mim e eu terminei nosso rolo naquele mesmo dia. E agora, eu podia ver que Oliver achava a mesma coisa. Me senti como uma onça quando é cutucada com uma vara curta e explodi.
— Ahh, me desculpe se o que eu falo é irritante. Se eu falo demais. Se eu dificulto as coisas para você. E sim, eu falo pelos cotovelos e sei que isso não é nada sexy, mas eu não me importo, porque...
— Felicity. — Oliver segurou-me pelos ombros, instintivamente encarei seus olhos incertos e frustrados, seus lábios ficaram perto, tão perto que eu podia sentir sua respiração oscilar. — Se você quer que eu mantenha minha boca longe da sua é melhor não falar tão rápido. — engoli aquele nó que antes apertava minha garganta. A voz dele soou tão grossa e sexy que todo meu corpo se arrepiou.
— O que quer dizer com isso?
— Que sinto vontade de te beijar? Que eu tenho vontade de calar sua boca com meus lábios? E que você torna difícil me controlar quando fala demais?
E lá estava ele me surpreendendo novamente. Me deixando totalmente sem fôlego e com uma vontade quase incontrolável de gritar até que ele me calasse com sua boca na minha, os pensamentos começaram rondar minha cabeça, junto com o alarme que soava para que eu mantivesse o meu foco, isso é um trabalho. Mas se Oliver soubesse o poder que suas palavras sinceras têm sobre mim. Clareei meus pensamentos. Oliver ainda segurava meus ombros e olhava bem fundo nos meus olhos.
— Você não pode fazer isso. — retruquei. Me desvencilhei das suas mãos, dando um passo paro o lado. — E eu não vou parar de falar, olha só, eu estou falando agora e você não pode me impedir, ou será que pode? — ele respirou fundo e me largou, virou de costas para mim.
— Eu vim lhe oferecer uma carona para a faculdade. — disse — Mas eu entendo o fato de você não me suportar por perto. — revirei meus olhos.
— Você está fazendo drama? — indaguei, caminhei até ele e parei na sua frente, obrigando-o olhar para mim. — Por que isso não funciona comigo. E caso eu não te suportasse não aceitaria aquela aposta e nem o deixaria dormir na minha casa na sexta feira.
— Okay. — murmurou. — Então vai aceitar minha carona? — questionou-me com os olhos brilhando. Cruzei meus braços e fitei-o.
— Pensando por um lado, precisava abastecer meu carro hoje, mas você está me oferecendo uma carona, se eu aceitar não vou gastar um tostão com gasolina. — pensei alto. — E a sua companhia não é assim tão ruim. — acrescentei em tom provocador. — Também vai me levar tomar café? — ele franziu os lábios.
— Vai aceitar minha carona para não gastar com gasolina?
— Sim. Algum problema? — Eu não entendia o fato de gostar de provocar o Queen, era incrível ver suas expressões faciais quando eu o retrucava. Sinto certo prazer em zombar dele.
— Vou ignorar isso. — disse dando de ombros. — Podemos voltar na padaria onde você perdeu a aposta.
— Você nunca vai se esquecer dessa maldita aposta?
— Impossível. — disparou. — É sempre bom lembrar que eu venci.
— Você já parou pra pensar que talvez eu tenha mentido para você? Que na verdade tudo que eu queria era perder a aposta para poder passar mais tempo com você? E que o croissant da Gertrudes é o mais delicioso?
Podia ver o cérebro de Oliver funcionando, eu tinha acabado de penetrar uma dúvida na cabeça dele que apenas eu sabia a resposta e que ele nunca saberia, talvez se ele me torturasse por uma resposta. Apesar do Croissant da Rose ser melhor que o da Gertrudes — que ela nunca saiba que eu penso isso — Oliver não podia ler meus pensamentos, então eu podia continuar fazendo esse joguinho por um longo tempo e ele pararia de se gabar que tinha vencido a aposta. Daria o beneficio da dúvida para ele.
— Quer dizer que você...
— Temos que ir. — repliquei. Desci os degraus do prédio e andei até o carro de Oliver, abri a porta e embarquei. Ele continuava no mesmo lugar, me encarando embasbacado. — Posso dirigir se você não estiver bem. Ou vou com o meu carro mesmo. — ele voltou à realidade e desceu os poucos degraus até a calçada.
Fomos o caminho inteiro até a faculdade em silêncio. Oliver tinha uma enorme duvida agora plantada em sua cabeça, e não pude deixar de achar graça na situação em que eu o tinha deixado: Ela perdeu por que quis? Ou eu realmente ganhei? Eu ri internamente. Oliver estacionou o carro em sua vaga de sempre no estacionamento da faculdade. Abri a porta para desembarcar e deslizei minhas pernas para fora do carro, antes de eu sair ele segurou meu pulso.
— Felicity. — murmurou. Olhei para ele. — Você está de carona hoje. Não quero que volte para casa sozinha. Então eu vou lhe levar para casa.
— Você pensou nisso? — ele deu um sorrisinho presunçoso. E balançou a cabeça em concordância.
— Claro que eu pensei. Você acha que sou completamente inútil? — Franzi as sobrancelhas, mas fiquei em silêncio.
Não, ele não era um completo inútil, nisso eu tinha que concordar. Desembarquei do carro e fechei a porta.
— E Felicity... — Inclinei meu corpo, até poder ver Oliver pela janela do conversível. Ele ainda se mostrava orgulhoso e triunfante, o que tornava sua pose arrogante ainda mais sexy. — Amanhã eu vou te trazer novamente.
— Não. Amanhã eu venho com o meu carro. — afirmei séria. — Tenho que abastecê-lo, lembra?
— Lembro. E mesmo assim, você vem comigo amanhã. Eu ganhei a aposta, lembra? — bufei. Que diabos, ele tinha que sempre tocar no fato de que ganhou a aposta? Minha ideia de deixá-lo com dúvida não funcionou, eu teria que pensar em outra forma de fazê-lo parar com isso.
— Lembro. — respondi. — Mas isso não me torna seu brinquedinho. Agora me deixa ir, porque isso está ficando ridículo.
Girei abruptamente e segui rumo à biblioteca. Oliver teria aulas pela manhã e eu pela tarde, isso significa algumas horas livres dele e sua petulância que me tira do sério. Escutei o barulho dele fechando a porta, e ignorei, até escutá-lo dizer em alto e bom som para todo o campus ouvir:
— Te pego depois das 23hrs? — tive vontade de voltar até onde Oliver estava e lhe aplicar um golpe que o faria entrar em coma pelas próximas duas semanas. Todos estavam olhando para mim e eu estava vermelha como um tomate, por mais que eu sentisse raiva dele não podia fazer nada. Respirei fundo e continuei o meu caminho até a biblioteca.
— Algum problema? — Ana tirou os olhos da revista que olhava, ela tem vicio por revistas de fofoca da vida dos famosos. — Está ofegante. — acrescentou.
— Não, nenhum problema. — respondi em um tom áspero demais. Ana me encarou com as sobrancelhas levantadas. — Desculpe.
— Tá. Seja lá o que for é melhor esquecer e começar a trabalhar. — disse. — A Reitora falou que uma nova remessa de livros está chegando semana que vem e nós precisamos separar alguns antigos para doação. Ela disse que vai doar para a Universidade do Brooklyn.
— Mais alguma coisa? — Ana assentiu.
— Ela pediu um favor para nós duas. — fiz sinal para que ela continuasse. — No próximo mês a universidade vai promover um evento dessas coisas que você gosta.
— Tecnologia? — questionei, com um sorrisinho. A única coisa tecnológica que Ana tinha controle era do seu celular ultrapassado que ela não desapega há muito tempo.
— Isso aí! — exclamou. — E um tal de Ray Palmer vai fazer um palestra aqui na biblioteca...
— Peraí! — gritei, rapidamente olhando para as mesas onde muita gente estava concentrada. — Perdão. — murmurei. Peguei Ana pelo braço e a puxei até o balcão. — Você falou Ray Palmer? Ou eu escutei errado?
— Sim, você escutou isso. Ele vai lançar um livro sobre Tecnologia, não lembro o título, a reitora me deu uma cópia que ela ganhou dele, está na minha bolsa vou pegar para você ver.
Ana pegou a bolsa dela e entre toda aquela desorganização retirou um livro de capa dura, não era tão grosso e nem tão fino. Olhou para o título e então me entregou. Tecnologia e seus benefícios para a sociedade. Bem a cara do Ray escrever um livro desse jeito. Abri a última folha, onde tinha a foto dele e seu perfil. Ray foi um cara que valeu a pena, mas eu estraguei tudo.
— Felicity, você conhece esse cara? — questionou-me Ana, ao notar que ele era familiar para mim. — É melhor você começar a falar.
— Ray é um antigo namorado. — ela arregalou os olhos. Eu sabia que ela não ia se contentar apenas com aquilo, então era melhor contar tudo. — Já faz dois anos que a gente não se vê mais. Foi antes de eu entrar para a faculdade. Nós tínhamos um amigo em comum e nos conhecemos em uma festa na casa desse amigo. Ray me convidou para sair e eu aceitei. O resto você sabe.
— Ele é um gato. — afirmou, olhando para a foto. — E por que acabou?
— Porque ele já tinha uma empresa com o seu sobrenome e eu ainda não tinha entrado na faculdade. — menti.
A verdade é que Ray tinha mesmo uma empresa e apesar de ser bastante ocupado, nunca se esqueceu de me dar flores e dizer o quanto gostava de mim, ele adorava me levar para jantar. O problema sempre fui eu e o trabalho, minha dedicação pela força tarefa acabou acabando com meu relacionamento e Ray disse que seria melhor acabar antes que estivesse envolvido demais.
— Isso não é motivo para acabar um relacionamento. — argumentou Ana. — Se eu tivesse um homem desses como namorado eu não o largaria nunca. — eu sorri. — Meus relacionamentos são sempre conturbados e com uma pontinha de drama.
— Falando nisso, e o Marcus? — queria mudar o rumo da conversa e parar de falar sobre Ray. Só conseguia pensar no fato de que logo nos encontraríamos novamente e teria que explicar o fato de estar na faculdade sem acabar com o meu disfarce.
— Ahh, achei melhor dar um basta. — respondeu. — Mas, vai ter algum problema organizar a palestra? Você parece nostálgica? Ainda gosta dele?
— Não, Ana, não vai ter problema algum em organizar a palestra. E eu não gosto dele, gostava. Ele foi alguém especial, mas eu não sinto mais nada por ele.
— Hm-rum. — resmungou. — Vou acreditar nisso.
— Acredite no que quiser. — rebati, ela me olhou feio, apenas ignorei. — Temos trabalho a fazer né? Então vamos parar de falar do meu passado e focar no trabalho.
— Okay, rabugenta. — revirei meus olhos.
Ana podia achar que tinha graça o meu passado voltar em forma de um homem bonito e muito bem afeiçoado, mas eu não tinha. Ray podia mudar muita coisa e colocar meu disfarce em risco, trabalhar no FBI não é como trabalhar na cia e ter nomes falsos, Ray sempre soube e pode sim comentar algo com alguém que acha que sou apenas uma aluna comum e isso pode chegar aos ouvidos de Oliver, se ele for esperto vai ser fácil ligar os pontos. E Ray também não sabe que estou trabalhando como Guarda costas do filho de alguém importante, isso pode dificultar ainda mais.
[...]
— Adam está te esperando. — disse Ana, entrando na biblioteca e apontando para trás de si. — Pediu para eu te liberar mais cedo essa semana inteira.
— Me diz que você não aceitou?
— Ele me deu ingressos para shows de rock. — respondeu, dando de ombros. — Eu aceitei.
— Ah ótima amiga você hein. — disparei. — Se vendeu assim tão fácil.
— É rock, bebê. — rebateu. — Agora vai que ele está te esperando.
— Você me paga. — peguei minhas coisas e saí sem olhar para ela.
Oliver estava parado debaixo de um poste de luz que iluminava a entrada da biblioteca, com as mãos no bolso e olhando para o céu. Assim que escutou meus passos abaixou o rosto e fitou meus olhos.
— Por que pediu aquilo para Ana? — questionei.
— Porque você sai muito tarde daqui.
— Claro, é o meu trabalho. — afirmei. — E você não pode se intrometer desse jeito na minha vida.
— É só por essa semana, Felicity. — ele argumentou, caminhando até mim. — Comprei duas entradas para irmos ao cinema e a sessão começa as 22hrs. Sei que você acha que sou arrogante e gosto de esbanjar dinheiro, então me deixa mudar sua opinião sobre mim. — ponderei. Odeio quando ele consegue virar o jogo.
— Que filme você escolheu? — ele sorriu e pegou minha mão, dando um beijo na superfície.
— Não faço a mínima ideia que qual o seu gênero preferido. — disse com pesar. — Então pedi sugestão para a vendedora de ingressos, ela sugeriu um de ação com romance.
— Perfeito.
A sala de cinema não estava tão cheia. Escolhemos nos sentar no meio. Oliver comprou pipoca e refrigerantes e eu ajudei com a conta. O filme começou com guerra e terminou com amor, típico. Tinha uma boa dose de humor. Fiquei me perguntando se Oliver em algum momento colocaria o braço em torno dos meus ombros, mas isso não aconteceu. Os créditos começaram subir e as pessoas a ir embora.
— Você gostou? — perguntou Oliver, me ajudando a levantar.
— Foi bom.
— Achei legal a parte que eles pulam do avião com paraquedas, a garota estava com muito medo.
— Em pânico. — completei dando risada. — A parte que ela fica bêbada e tira ele do sério foi boa também. — Oliver começou a rir.
— Você gostou?
— Acabei de responder isso.
— Não estou falando do filme agora. — virei o rosto para pode encará-lo. Já estávamos do lado de fora da sala. — Estou falando de mim, da minha companhia.
— Não foi a pior noite da minha vida. — respondi. — Foi bom.
— Foi bom. — Oliver sorriu. — Vou te levar para jantar agora. — ele me ofereceu o braço, sorri com seu gesto carinhoso e engatei meu braço no dele.
Estávamos em Manhattan, apesar de ser tarde, muitas pessoas conversavam e algumas andavam apressadas pelas calçadas. Qualquer um que olhasse para nós diria que éramos um casal de namorados. Aconcheguei-me no braço de Oliver e continuamos andando até o central park. O efeito da noite e as luzes tornavam o lugar ainda mais bonito. Não tinha muitas pessoas, alguns grupinhos de jovens conversavam alto em alguns pontos do parque.
— Eu adoro esse lugar. — murmurou Oliver.
— É lindo. — alguns jovens passaram fumando e gritando por nós, preenchendo minhas narinas com o cheiro forte de tabaco.
— Vamos para outro lugar. — disse Oliver, me guiando pela calçada de pedra.
Chegamos a uma escada longa, onde tínhamos a vista do lago e da fonte bethesda, várias pessoas se acumulavam ao redor da fonte, crianças corriam felizes pela pequena praça. Uma banda tocava músicas dos anos 80 e 90 divertindo as pessoas que cantavam baixinho, algumas até dançavam.
Oliver ficou um degrau abaixo de mim e virou-se para me olhar. Ele tinha um sorriso calmo e encantador nos lábios. Senti um calor tomar conta do meu peito, acompanhando de um sentimento bom por estar com ele. Aquele mesmo alerta de sempre estar com ele soou alto na minha cabeça, avisando que eu precisava me concentrar no meu trabalho e não deixar me envolver.
— Fica aqui. Eu já volto. — assenti e Oliver desceu os degraus. Sentei-me e fiquei observando-o.
Ele parou na frente de um carinho de cachorro quente e conversou com o vendedor. Pegou dois cachorros quentes e com dificuldade tirou dinheiro do bolso para pagar o homem. Depois agradeceu e refez o caminho até o topo da escada.
— Espero que goste de mostarda e ketchup. — ele me entregou um cachorro quente e sentou-se ao meu lado. — Esse lugar não é como o restaurante francês, mas.
— É melhor. — disparei. Oliver sorriu. — E eu gosto de mostarda e ketchup.
— Que bom, porque eu não sabia como pedir o seu. — disse, fazendo-me rir. Olhei para as pessoas se divertindo e sorrindo alegres, me senti como elas. Estava feliz com a companhia de Oliver.
A banda acabara de iniciar Sweet child O’ mine de Guns n’ Roses e uma grande quantidade de pessoas cantou junto, inclusive Oliver. Virei o rosto para encará-lo.
— She’s got a smile that it seems to me…
Ele cantou a musica até o final, totalmente no ritmo. Eu devia estar olhando embasbacada para ele, pois Oliver começou a rir enquanto aplaudia sem jeito a música.
— O que foi? — questionou, pegando seu cachorro quente que tinha ficado no colo enquanto ele aplaudia.
— Não pensei que gostasse de Guns n’ roses. — respondi.
— Tem muita coisa ainda que você não sabe sobre mim, Felicity. — ele deu uma mordida no cachorro quente, deixando o canto da boca sujo de ketchup.
— Que você não sabe comer cachorro quente sem se sujar de ketchup está nesta lista? — as bochecha de Oliver ganharam um tom vermelho e ele rapidamente tentou limpar o canto da boca, que continuou suja. — Deixa comigo. — peguei meu guardanapo e limpei o ketchup. Oliver segurou minha mão e abaixou.
Nossos olhares se encontraram. Eu queria que o clima não ficasse tão romântico, mas no mesmo instante que encarei os lábios de Oliver — sentindo uma vontade quase incontrolável de beijá-lo — uma musica lenta e doce começou a tocar, deixando tudo ainda pior do que já estava. Oliver sentiu o mesmo que eu, pois podia ver lampejos de desejo em seus olhos. Ele se deixou vencer e avançou vagarosamente os lábios na minha direção.
Eu podia me deixar ser beijada por ele, ali, no topo da escada, sob a luz fraca das luzes do parque e o céu estrelado, com aquela música quase melancólica tocando. Mas eu não queria, não nesse momento onde não tinha certeza que os sentimentos de Oliver eram reais. Podia sim ser um sentimento verdadeiro, mas ele também podia estar querendo apenas brincar comigo, e se for à segunda opção, ele nunca se apaixonará por mim caso consiga o que quer.
— Já está tarde. — levantei-me. — É melhor eu ir para casa, amanhã tenho que acordar cedo.
— Tudo bem. — Oliver levantou-se sem jeito. — Vou te levar até seu apartamento.
Ele me levou para casa e disse que estaria me esperando na manhã seguinte. Eu disse que iria com meu carro, mas ele não deu importância, só beijou minha bochecha e saiu, me deixando com um vazio enorme no peito, que não seria tampado por Mogus ou qualquer outra pessoa. Odeio admitir, mas eu gosto de estar com esse Oliver, ele é bacana e é estranho dizer, mas ele tem um lugarzinho no meu coração.
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