Wonderwall.
11 Café da manhã.
Notas iniciais
Na sexta feira não foi Mogus ou meu despertador que me fizeram acordar, foi Oliver, ele me segurava forte perto do seu corpo, eu podia sentir o bafo da sua respiração pesada contra meus cabelos. Eu me virei, dentro do circulo dos seus braços e fitei seu rosto, ele tinha uma expressão tranquila, sorri ao vê-lo tão sereno do meu lado. Dei um beijo em sua bochecha e com cuidado retirei seu braço da minha cintura.
Sem fazer qualquer movimento brusco eu pulei para fora da cama e olhei para ele mais uma vez, certificando-me que ainda estava dormindo. Na ponta dos pés segui para o meu armário, escolhi minhas roupas e fui para o banheiro. Retirei as roupas que usava, em seguida entrei em baixo do jato de água morna e tomei um banho rápido. Quando sai do banheiro, Oliver ainda dormia.
Por mais que minha vontade de ficar ao lado dele estivesse me consumindo eu a ignorei. Peguei minha bolsa e a chave do audi. O dia em que dormi na casa dele, em sua cama, na manhã seguinte ele me surpreendeu com um café da manhã que me relembrou o tempo em que morava com mamãe e ela fazia panquecas todas as sextas-feiras, não é justo com ele, comer uma banana que pelos dias que estão na geladeira é capaz de já estar estragada.
Movo-me na ponta dos pés até o corredor, segurando um par de coturnos na mão, puxo a porta do quarto, fechando-a com cuidado. Mogus começa a se esfregar nas minhas canelas, fazendo um escândalo. Pego-o no colo e me dirijo até a cozinha. Pobre Mogus, vai ter que esperar alguns minutos para encher a pança do que tanto deseja, pois no seu pacote de ração só tem farelos. Coloco o felino sobre a bancada da cozinha e afago seu pelo.
— Eu sei que esses últimos dias foram difíceis para você. Eu me tornei uma dona horrível e praticamente fico mais com Oliver do que com você. Admito, eu falhei. — sussurrei, tendo total atenção do gato. — Mas ele é tão irresistível quanto você. — suspiro. — Preciso comprar algumas coisas, vê se fiquei em silêncio. Prometo que lhe trago um agrado.
Claro que Mogus não falou comigo como um humano, acho que o gatuno nem deu importância para minhas palavras, com uma expressão de tédio ele pulou para o chão e começou a farejar o piso, em busca de algum indicio de comida. Peguei a lata de café sobre a bancada, onde guardo dinheiro para emergências, então sai do apartamento e segui para o elevador.
Como ainda era muito cedo, dificilmente encontraria um mercado aberto, só aqueles 24 horas, e moro muito longe do que fica mais perto, as padarias já devem estar funcionando, poderia comprar café e croissants, a cafeteria da Rose não fica tão longe, dirijo até esse local. Penso em desistir quando vejo o tamanho da fila, mas assim que coloco meus pés dentro do estabelecimento, Rose, aponta para mim e me chama.
— Oi querida. — ela me cumprimenta. — Que bom lhe ver aqui.
— Olá, Rose. — retribuo sorrindo. — Seu croissant é inesquecível. E confesso que estou atrás deles. — acrescento. O sorriso dela aumenta.
— Bem, você está com sorte. Acabei de tirar uma fornada, estão quentinhos.
— Ótimo. — murmuro. — É... Hum... a senhora por acaso sabe qual a sobremesa preferido do Adam? — ela semicerra os olhos e eu sinto minhas bochechas queimarem.
— Vocês dois estão juntos? — sua embaraçosa pergunta faz minha vergonha crescer ainda mais. — Oh, você está parecendo um tomate, querida. E acho que isso responde minha pergunta.
— Não! — exclamo e rapidamente olho para os lados, ainda bem que ninguém está prestando atenção na gente. — Nós somos amigos. Talvez mais do que isso, mas nada certo ainda.
— Ah. — resmunga. — Qual era pergunta mesmo? — ela faz uma pequena pausa, e volta a falar rapidamente, indo para trás da vitrine de bolos. — Ah é, a sobremesa favorita do Adam é: cheesecake de chocolate branco. Ele adora.
— Hm-rum. — balbuciei, batendo o dedo indicador nos meus lábios. — E o café? — Rose sorriu.
— Você é muito dedicada nisso. — murmurou. — Ele gosta bastante de café com leite. — assenti. — Deixe-me adivinhar. Dois croissants, dois cheesecakes e dois cafés?
— Isso. — respondi. — Café puro para mim, por favor. — Rose assentiu e começou a preparar meus pedidos.
— Está tudo aqui. — Ela depositou duas sacolas e um suporte para copos, com os dois cafés sobre o balcão.
— Obrigada, Rose. — falei, lhe entregando o dinheiro.
— Tudo bem, querida. — ela falou sorrindo. — Diga para Adam vir me visitar.
— Eu falo, pode deixar. — ela piscou e começou a atender outro cliente.
Sai da cafeteria e coloquei as sacolas no banco do passageiro, deixando o suporte de copos no meio das sacolas para não sujar o carro de Oliver com café, acho que ele me mataria se eu derramasse uma gotinha do liquido em seu banco. Antes de ir para casa, passo em uma loja de conveniência num posto de gasolina e compro latas de atum e um pacote de ração para Mogus, então dirijo para o meu apartamento.
Peguei o elevador e subi para o meu andar, foi difícil abrir a porta do apartamento segurando os copos de café e as sacolas, equilibrei tudo em uma mão e com a outra enfiei a chave na tranca e empurrei com força, grande erro porque Mogus saiu em disparada e a última vez que deixei isso acontecer ele ficou sumido por 9 horas, até o porteiro me entregar ele.
— Mogus, volte aqui. — falei, porém, o bichano nem me deu importância, continuou farejando o carpete. — Mogus. — berrei.
— Felicity. — Oliver surgiu na minha frente e me encarou. — O que está acontecendo?
— Mogus. Ele saiu. — respondi, apontando para o gato que já estava virando o corredor.
— Okay, eu pego ele. — abri passagem para Oliver e ele saiu atrás de Mogus.
Entrei rapidamente no apartamento e coloquei as sacolas e os cafés sobre a mesa de centro, depois sai correndo na direção que Oliver e Mogus tinham ido. Quando virei o corredor, vi Oliver com Mogus no colo, andando em minha direção. Oliver sorriu e me entregou o gato.
— Fujão. — sussurrei para o gato. — Obrigada, Oliver. — ele assentiu.
— Para onde você foi? Acordei e não estava no quarto e nem na sala ou na cozinha.
— Desculpe. Tinha que comprar café para nós dois, minha geladeira está vazia. E Mogus estava sem comida também.
— Ahh. — resmungou. — E o que você comprou? — entramos em meu apartamento e Oliver fechou a porta, larguei Mogus no chão e caminhei até as sacolas.
— Fui até a cafeteria da Rose, aquela que me fez perder a aposta. — comentei, e Oliver sorriu, caminhando para perto de mim.
— Você foi até lá? — assenti.
— Toma. — Entreguei as sacolas para ele. — Vamos tomar café, porque hoje eu preciso trabalhar e comparecer na faculdade, e você também. — Encaminhei-me para a cozinha e Oliver me seguiu.
Coloquei dois pratos pequenos em cima da mesa. E tirei das mãos de Oliver as sacolas, depositando-as sobre a mesa. Antes de mexer na nossa comida, peguei a lata de atum, e encontrei numa gaveta do armário o abre-lata, comecei abri-la, Mogus estava nos meus pés, olhando para sua comida. Notei que Oliver estava arrumando o nosso café da manhã na mesa. Continuei abrindo a lata, até meu dedo deslizar pelas laterais do metal já cortado. Soltei um gritinho de dor e o sangue começou a brotar do meu dedo. Imediatamente liguei a torneira e enfiei minha mão em baixo do jato de água, senti um alivio instantâneo.
— Ei, o que foi? — questionou Oliver, andando até mim. Seu olhar automaticamente foi para o sangue que era levado junto com a água pelo ralo. Ele pegou um pano, desligou a torneira e segurou minha mão sobre o pano. — Como fez isso?
— Como você acha? — disparei seca, apontando para a lata.
— Você sabe que eu não tenho culpa. — disse Oliver, com a voz suave, limpando o sangue que ainda brotava do ferimento com o pano da louça. — Foi superficial, nada demais. Mas temos que cuidar isso. Você tem kit de primeiros socorros?
— Sim. Na quarta gaveta. — falei, andando até a mesa. Oliver abriu a gaveta, o kit estava visível, ele retirou a caixa pequena e abriu, escolhendo o que ia usar.
— Senta. — apontou para a beirada da mesa, eu fiz o que ele pediu sem protestar.
Suavemente e com cuidado ele estancou o sangue com algodão e depois limpou o ferimento e, por fim colocou um band-aid. O ferimento nem era tão preocupante e Oliver cuidou de mim com tanto carinho, embora eu tenha sido tão estupida com ele, agora estava me sentindo tão idiota pela minha atitude de minutos atrás.
— Desculpe. — cochichei, ele ergueu o rosto e fitou meus olhos. — Eu não queria ter respondido daquele jeito, é que não gosto de me machucar, não reajo bem com isso.
— Tudo bem. — ele disse. — Eu gosto do seu mau humor. — comecei a rir, enquanto ele colocava tudo dentro da caixa novamente.
— Ninguém gosta de uma mulher mal humorada. — rebati. — Somos trágicas demais e grossas. Como pode gostar disso? — Oliver se endireitou e ficou na minha frente novamente, com uma postura intimidadora, perto o suficiente para fazer-me sentir pequena.
— Seu gênio forte me atrai. — sussurrou, ele curvou-se vagarosamente em minha direção, apoiando as mãos na borda da mesa, de modo que cada uma me prendesse ali, bem perto dele e sem possibilidade de escapar. Seu olhar desceu para os meus lábios, eu engoli em seco, sentindo cada parte do meu corpo se arrepiar. Relaxei meus ombros e aprumei meu corpo, ficando ainda mais perto dele.
— Há mais alguma coisa em mim que lhe atraí? — perguntei, sem me intimidar. Eu realmente queria saber se além do meu mau humor, alguma coisa mais o atraia, e aquele momento era o certo.
— Gosto dos seus olhos, apesar de eles não demonstrarem muita emoção ás vezes. — assenti, ele avançou mais um cm em minha direção. — Gosto quando fica envergonhada, quando fala demais, quando ri de bobagens. E gosto ainda mais das suas afrontas, como agora.
— Mais alguma coisa?
— Gosto dos seus lábios, eles são macios e eu sempre quero beijá-los. — eu sorri, canalizando minha vontade de agarrar Oliver.
— Quer me beijar agora? — Oliver esboçou um sorriso travesso nos lábios e diminuiu a distância entre nossas bocas, seu nariz tocou o meu suavemente, enquanto seus dedos subiam pelas minhas costas provocando-me arrepios, ele segurou meu pescoço e pressionou os lábios sobre os meus, me beijou de vagar, deliciando-se com cada segundo que passava.
Afastei minhas coxas de modo que seus quadris ficassem entre elas. As suas mãos desceram para a minha cintura e com um puxão forte eu estava colada nele, agradecendo por estar usando shorts com tecido grosso. Tive vontade de tocá-lo e minhas mãos tomaram vontade própria, meus dedos rastejaram por sua barriga, sentindo cada gomo do seu abdômen sólido e desceram, trilhando um caminho até o jeans dele.
— Podemos tirar as roupas agora?
Comecei a rir descontroladamente, talvez pelo excesso de vergonha ou pela vontade de arrancar minhas roupas e as dele e acabar de uma vez com o desejo que estava sentindo no momento. Oliver beijou meu pescoço, desencadeando reações incríveis em meu corpo. Dei um leve empurrão nele e fitei seus olhos, seu desejo por mim estava visível. Embora a minha vontade fosse deixar tudo acontecer na cozinha da minha casa, eu me controlei e balancei a cabeça, sorrindo sedutora para ele.
— Argh! — balbuciou. Eu desci da mesa e fiquei perto dele.
— Vamos tomar café. Se a gente for tirar as roupas agora, vamos nos atrasar. — falei, sentando em uma cadeira, peguei meu croissant e comecei a comer. Oliver riu e se juntou a mim.
— O meu acabou. — disparou Oliver, me mostrando o prato sujo com o creme branco do seu cheescake. Ele dirigiu seu olhar para o meu, que ainda estava pela metade. — Eu realmente adoro isso. — acrescentou.
— Nem pense nisso. — levantei segurando meu prato, virando de costas para Oliver, como se eu fosse um escudo da sobremesa. Os dedos de Oliver rastejaram pelas laterais da minha barriga, provocando-me cócegas. Cócegas que me fizeram arfar e sentir dor de barriga de tanto dar risada. — Oliver... para. — balbuciei, em meio a gargalhadas. — Para.
Ele não escutou meus lamentos, ele me torturou ainda mais, perdi totalmente o equilíbrio das minhas pernas e quando Oliver notou isso, me segurou forte e me girou rapidamente, tomou o meu prato e começou a comer meu cheescake na maior cara dura. Eu ainda sentia ondas de arrepios pelo meu corpo e ofegava como se tivesse corrido uma maratona.
— Você não pode comer isso, é meu. — rosnei, tentando pegar de volta o prato.
— É seu? — ele provocou, erguendo o prato para longe das minhas mãos.
Bufei, eu podia muito bem derrubá-lo e pegar aquilo que tanto queria novamente sem demonstrar que sou treinada. Era só ser mais rápida que ele. Passei o pé por entre suas canelas e prendi atrás de uma delas, segurei firme sua camisa e puxei minha perna com força. Oliver se desiquilibrou, mas antes que ele se chocasse com o chão passou o braço pela minha cintura e me levou junto com ele.
Resultado: Estávamos caídos no chão, Oliver por baixo de mim, segurando um prato, o cheescake espalhado no piso da cozinha, Mogus lambendo o cheescake. Oliver e Felicity 0X1 Mogus.
— Como você fez isso? — questionou Oliver, fazendo-me fitar seus olhos. Evidentemente estava se perguntando como é que uma pessoa do meu tamanho conseguiria derrubar uma do tamanho dele. Ponderei uma resposta, porém, não tinha nenhuma, teria que improvisar ou mandar essa pergunta para longe da cabeça dele. Segurei a gola da sua camisa e esbocei um sorriso sedutor, inclinei meu rosto em sua direção.
— Você não pode mexer na minha comida e sair impune. — sussurrei. Oliver sorriu e balançou a cabeça. Sua mão subiu pela extensão das minhas costas até meu pescoço, me arrepiei inteira. Os olhos dele brilharam de desejo e então ele me puxou para um beijo incrivelmente gostoso e ardente, era impossível eu me afastar dele naquele momento. Sua mão livre se ocupou no meu quadril, segurando firme e o ajudando a girar sobre mim.
Ele beijou o canto dos meus lábios e começou a deslizar sua boca por meu queixo, trilhando caminho até meu pescoço, apenas para me provocar, ele mordeu um ponto sensível do meu pescoço e então sua respiração tornou-se mais rápida contra minha orelha, fazendo cada pelinho meu se arrepiar. Guiada pelo desejo que sentia por sentir o corpo de Oliver, minhas mãos começaram agilmente erguer sua camisa, ele tomou o controle e se livrou dela rapidamente, deixando seu abdômen malhado visível. Logo ele deitou sobre mim novamente, o simples roçar dos nossos peitos enrijeceram meus seios, deixando nosso contato ainda mais intenso e quente.
Agarrei seus quadris com minhas pernas, cruzando meus tornozelos atrás de si. Sem dificuldade Oliver se levantou e enquanto trocávamos caricias ele caminhou até a minha sala de estar, deitou-nos sobre o sofá. Enquanto uma das suas mãos deslizava por minhas costas e desengatava meu sutiã a outra lidava com o zíper do shorts, ele xingou baixinho quando o zíper emperrou.
— Diminua a sua presa. — cochichei, agarrando seu rosto e puxando-o para mim, dei um beijinho em seu queixo, outro no canto dos seus lábios, sem paciência Oliver me agarrou e me beijou com urgência. Sem se afastar de mim ele abaixou parte do meu short em seguida seus dedos subiram por minha barriga, sob o tecido da camisa deixando rastros de fogo por minha pele.
— Agora podemos tirar as roupas? — questionou baixinho perto do meu ouvido. Eu não negaria, queria aquilo mais do que ele. Oliver sorriu com o meu silêncio e afastou-se para poder tirar minha camisa, seus olhos ficaram fixos em um ponto acima da minha cintura, então como um balde de água fria eu lembrei-me da maldita tatuagem. Saí de baixo dele e abaixei a camisa.
— Oh Deus. — sussurrei, sentindo meu rosto inteiro queimar.
— Insira seu pendrive na minha cpu? — indagou, com as sobrancelhas arqueadas e sorrindo malicioso.
— Se você contar isso para alguém, eu juro que te mato. — Oliver começou a rir compulsivamente, Oh Deus, essa porra de tatuagem deve ser broxante. Levantei abruptamente, com o rosto queimando de tanta vergonha, segui para o meu quarto.
— Felicity. — escutei o som da sua voz logo atrás de mim e ignorei, estava com tanta vergonha que não conseguiria olhar para a cara dele. Entrei em meu quarto e fechei a porta. — Felicity. — ele chamou batendo na porta.
— Vai embora, Oliver. — falei, enquanto tirava algumas roupas do meu armário. — A gente se vê mais tarde.
— Você está exagerando. — argumentou. — Abre a porta.
— Vai embora. — Sabia que estava exagerando como ele disse, mas tudo que sentia naquele momento era vergonha, muita, aliás, eu já tinha sentido vergonha quando Ray e Cooper viram a tatuagem, todavia, com Oliver ela é ainda maior. — Preciso me arrumar para a faculdade.
— Não vou embora. — fiquei quieta, uma hora ou outra ele teria que ir.
Terminei de me vestir e arrumei todos os meus materiais na mochila. Tinha um dia cheio com certeza, não liguei para John em nenhum momento desde ontem e estou ciente de que devo relatar tudo que acontece ao redor de Oliver, inclusive sobre nosso relacionamento.
Me sinto tão culpada por estar mentindo para ele, por estar fingindo ser uma pessoa normal que se aproximou dele por uma jogada do destino ou qualquer outros título de comédia romântica parecido e olha que já assisti a filha do presidente, sei no que tudo isso pode dar e ainda assim continuo fingindo. Há apenas uma coisa que não finjo, meus sentimentos, eles me pregaram uma peça e agora, eu estou verdadeiramente gostando de Oliver. Como vou contar isso para John?
Quando saio do meu quarto, não me surpreendo ao ver Oliver parado, de braços cruzados, com os olhos fixos em mim, ele é teimoso, confesso que até gosto da sua persistência. Passei por ele sem dizer nada e claro, ele me seguiu.
— Está brava comigo? — ele perguntou. — Só por causa da tatuagem. Você sabe que uma hora ou outra a gente ia acabar naquilo e por consequência eu ia ver a tatuagem.
— Como tem tanta certeza que íamos acabar naquilo?
— Porque eu gosto de você e não penso em desistir. — respondeu. — A tatuagem não significa nada.
— Não é isso. — girei. — É que queria que estivesse preparado, para não acontecer justo o que aconteceu, não queria que tivesse uma crise de risos e estragasse o momento, entende? — expliquei. — Eu fiquei muito envergonhada. — Oliver riu e aproximou-se de mim.
— Foi impossível não rir. Desculpe. — ele me abraçou e ficamos alguns longos minutos em silêncio. — Quantos caras já viram a tatuagem além de mim?
— Alguns. — respondi. — E isso não importa.
— Alguém da faculdade? Tipo, que você se envolveu? — lhe dei um leve empurrão e sorri.
— Nenhum cara da faculdade. Ninguém que você conheça.
— Alguém com que devo me preocupar?
— Isso é uma crise de ciúmes? — A pergunta ficou pairando no ar. Peguei minha mochila e puxei Oliver pela mão. — Hoje eu preciso ajudar a Ana, sem folgas.
Só quando Oliver estacionou o carro no estacionamento da faculdade que ele respondeu minha pergunta com um:
— Sim. — eu não entendi, ele completou. — Era uma crise de ciúmes, pequena. — houve alguns segundos de silêncio. — Você já teve outros caras, eu não me importo, é o seu passado, eu também tenho um. — Oliver riu sem jeito. — Mas eu tenho que perguntar. Algum foi especial para você?
Eu já estava no meio de um monte de mentiras e não queria mentir mais uma vez para Oliver, a verdade é que existiu um em especial, não por eu ser apaixonada por ele, e sim pela forma que nos respeitávamos e nos entendíamos. Ray foi um cara especial, porém, agora ele não significa nada.
— Sim. — respondi. — Mas ele está no passado e é lá que ele vai ficar. — respondi, embora soubesse que veria Ray em breve. Inclinei-me sobre Oliver e lhe dei um beijo rápido nos lábios. — E você é muito mais bonito que ele.
— É bom saber disso. — ele segurou minha nuca e me beijou novamente. — A gente vai sair hoje. — avisou.
— E para onde vai me levar?
— Lembra-se da minha amiga Nyssa que te falei? — assenti. — Ela tem um bar. É só para relaxar.
— Okay. A gente se vê mais tarde. — dei um beijo na bochecha de Oliver e desembarquei do carro, segui para a biblioteca.
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