Wonderwall.
23 Última tarefa.
Notas iniciais
Adentrei o recinto que fedia cerveja e outros tipos de bebidas fortes, era um local simples que eu frequentava sempre que voltava de uma tarefa do exército. Observei ao redor com atenção, procurando rostos conhecidos, que logo encontrei, Mark e Jack estavam acenando pra mim, eu respirei fundo, sentindo uma fisgada dolorosa na costela e segui para perto deles.
— Hey Queen, demorou uma eternidade. — comentou Jack, me entregando uma garrafa de cerveja.
— Precisava fazer uma ligação. — expliquei, arrancando um sorrisinho sugestivo de Mark.
— Sim, ele precisava conversar com a patroa.
— Cala a boca, Mark. — implico, lhe dando um soco no braço, fazendo-o entornar um gole de cerveja na camisa.
— Cacete Oliver! — exclamou esfregando a camisa. — Eu salvei você, cara!
— Fica na sua moleque. — intrometeu-se Jack, a voz da sabedoria entre nós. — E como está a costela?
— Está dolorida. Mas vai melhorar.
Conheço Mike e Jack do exército, a gente serviu junto em diversas missões, no Afeganistão, Iraque, Paquistão e Síria. Acabamos criando simpatia durante todo o tempo que combatemos soldados opositores. Sinto que posso confiar minha vida a eles, porque tanto Jack quanto Mike já me salvaram em combate, da mesma forma que eu já tirei eles de grandes encrencas. Acima de tudo, eles são como irmãos para mim.
Nossa última tarefa foi no Afeganistão, estávamos sob fogo cruzado, sem visibilidade alguma, eu acabei sendo atingido e Mike salvou minha vida, me tirou do meio do combate e me levou para um lugar seguro, isso me custou um ferimento na costela. E uma divida com Mike, devo minha vida a ele.
Jack é o mais velho, ele acabou de se aposentar, saiu para se dedicar a esposa e os filhos depois que quase perdeu a vida no meio de um tiroteio na Síria. O Afeganistão foi nossa última missão juntos, por isso estamos comemorando, com cervejas em um bar a beira de estrada.
Já Mike é o mais novo, o nosso saco de pancadas, ele acabou de fazer 22 anos, e, apesar de ser muito novo, Mike é um garoto forte e determinado.
— Olha aquela garota. — disse Mike, direcionando o olhar para o canto do bar. Uma garota olhava para nós, seu olhar estava focado em Mike. — Ela vai ser minha essa noite.
Esqueci-me de mencionar, Mike e um cretino.
— Parece que é recíproco. — apontou Jack bebendo um gole da sua cerveja.
— Okay coroas, a noite foi ótima, mas com certeza vai ficar melhor, para mim, claro. — exibiu-se levantando. Ele bagunçou o cabelo e esboçou seu sorriso cafajeste, estava pronto para o abate. — Me desejem sorte.
— Vai lá, garoto. — Jack encorajou. — Não decepciona.
— Ele nunca vai mudar. — digo bebendo minha cerveja.
— Ele tem a vida inteira pela frente. — disse. — E como está a sua noiva?
— Ela está bem. — respondo. — Apenas se adaptando a vida normal.
— Bom, espero que esteja indo bem, porque pretendo pedir algumas dicas para ela.
Jack sorriu e bebeu.
E depois eu fiz um brinde para desejar sorte na nova etapa da vida dele. Ele tomou mais algumas cervejas e foi embora, ainda tinha que pegar um avião. Fiquei sozinho, Mike tinha sumido com a morena fazia tempo. Tomei mais algumas cervejas e desconversei algumas garotas. Depois de algum tempo Fechei a conta, peguei minha jaqueta e minha mala de mão, estava pronto para ir embora quando senti um súbito calafrio no corpo e meu coração disparou. Uma garota de costas, loira e de estatura média dançava sozinha no centro do bar. Eu me aproximei com passos largos, sabendo que se fosse realmente ela eu me arrependeria de ter me aproximado. Eu cheguei bem perto dela, tão perto que seu ombro encostou em mim, mas a garota nem percebeu e continuou dançando. Eu recuei por alguns instantes, pronto para ir embora. Mas algo me fazia ficar parado ali, olhando aquela garota dançar.
Minha curiosidade foi grande demais, eu segurei o braço da garota e ela deu um pulo e virou-se imediatamente.
— Ei, me solta, cara! — exclamou, puxando o braço.
— Desculpe, eu me enganei.
A garota nem esperou minha explicação, saiu ligeiro de perto de mim. Eu suspirei, era como se o cheiro dela invadisse minha mente como algo psicológico e não verdadeiro, mas parecia tão real que meu coração pulou freneticamente dentro do peito.
— Droga! — balbuciei, saindo as pressas do bar.
Ahh Felicity, por que mentir para mim?
As lembranças inundam meus pensamentos, momentos meus e delas, momentos que eu achei que fossem verdadeiros, mas eram apenas encenações da parte dela. Felicity não passou de um momento errado na minha vida. Ela mentiu para mim, me traiu da pior forma, e não pode surgir assim, do nada, roubando meus pensamentos e trazendo a tona milhares de coisas que jurei não sentir mais por ela.
Estou bem, minha vida está ótima, conheci uma garota maravilhosa e que não mente para mim, que gosta de mim de verdade. A mulher que vou casar e construir uma família.
Está tudo em perfeita harmonia, estou feliz e Felicity não passa de um passado que não quero lembrar.
Estou satisfeito com o rumo que minha vida está tomando. A decisão de entrar para o exército foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Eu me tornei um homem melhor, responsável e conheci Lídia, minha noiva, ela também serviu ao exército por cinco anos, então pediu despensa, faz pouco tempo, ela deseja levar uma vida normal agora. Logo pedirei dispensa também, para construir minha vida junto com Lídia.
Chamo um taxi, tenho que ir para o aeroporto. Tenho duas semanas de folga, pretendo viajar para Starling, visitar minha família e minha noiva. Ela resolveu morar em Star depois que a pedi em casamento, Lídia é sozinha, seus pais morreram quando era pequena, então, mudar de vida para ela é fácil.
(...)
Avisto duas garotas erguendo um cartaz com meu nome, uma é baixa, magra, tem cabelos curtos e olhos castanhos claros, Thea, minha irmã está ao lado de Lídia, a morena de olhos verdes e corpo esguio, ambas esboçam um enorme sorriso quando me encontram no meio da multidão. Eu ando depressa em sua direção. Thea, está logo se jogando em meus braços, ela me abraça forte enquanto Lídia espera pacientemente. Encaro minha noiva, ela é linda.
Quando Thea se afasta eu puxo Lídia para perto e a beijo, nosso beijo é ávido, urgente e cheio de saudade. Ela cochicha no meu ouvido sobre estar com saudades e ansiosa para quando estivermos sozinhos, eu esboço um sorriso cúmplice para ela. Também não vejo a hora de estarmos sozinhos, porém, agora, como sou um bom filho, vou para a casa dos meus pais.
— Mamãe não vê a hora de te ver. — comenta Thea.
— Estou com saudades também.
— É melhor a gente ir logo então, antes que ela comece a me ligar desesperadamente.
Quando chegamos na casa dos meus pais, sou recepcionado por minha mãe, ela é tão coruja que não perde a oportunidade de dizer o quanto estou magro e parecendo um doente e claro que ela percebe o meu ferimento na costela, seus olhos enchem de lágrimas e eu a abraço. Eu já tenho uma cicatriz, para ela é difícil tudo isso, mas eu a acalmo e conto que a próxima tarefa será a última e que logo estarei em casa novamente, isso a acalma.
Meu pai me recebe com um forte abraço e posso ver o orgulho que ele sente estampado em seu rosto. Depois que tomei a decisão de entrar para o exército meu pai ficou cheio de orgulho, dizendo que foi o que ele sempre desejou para mim. Depois que descobri que foi ele que colocou Felicity no meu caminho a gente teve uma briga feia, demorou alguns meses para nos falarmos, até minha mãe nos colocar contra a parede. Agora papai se aposentou.
Estaria sendo desonesto se dissesse que não guardo mágoas de tudo que ele fez.
Depois de matar a saudade dos meus pais, Thea acaba me fazendo subir com ela para o meu quarto.
— Por que mesmo estamos aqui? — questiono.
— Vou me mudar para Nova Iorque.
— O quê?
— Isso mesmo. — ela diz naturalmente. — Consegui emprego em uma agência publicitária.
— Mas; Thea, você ainda é muito nova.
— Sem essa, Ollie. Já escutei o mesmo discurso do papai e da mamãe. — diz bufando.
— E eles concordaram com isso?
— Sim. — responde, cruzando os braços. — Depois que aquele cara louco que perseguia o papai morreu ele acabou voltando ao normal, sem essas paranoias. — explicou. — ele tinha tanto medo desses caras que o perseguiam que acabou nos sufocando. Lhe protegeu tanto que no fim você acabou sendo alvo de um atentado terrorista que não tinha nada haver com o general do...
— Thea! — exclamo.
Minha irmã acaba notando o quanto esse assunto me faz mal
— Desculpe, Ollie. Eu falei demais. Sinto muito. — ela me encara arrependida. — O que estou tentando explicar é que agora nosso pai não está tão preocupado. Mas mesmo assim ele vai tomar providências para me manter segura, mas não vai ser 24 horas por dia. Ele não vai me sufocar, Ollie, como fazia quando eu ia para o colegial e pra faculdade. Isso não é maravilhoso?
Ela sorri, está animada. Fico contente por ela. Não quero que minha irmã passe por tudo que passei, então resolvo que vou apoiá-la.
— É sim, maravilhoso. — concordo, e Thea me abraça forte. — Então quando se muda?
— Semana que vem. — responde. — Vou morar no seu antigo apartamento. — ela se agacha perto da cama e puxa uma caixa grande de papelão. — Fiz uma limpa lá, mudei a decoração, e trouxe coisas suas que talvez queira guardar.
— Tudo isso?
— Sim. — responde. — Não quis jogar fora, fiquei com medo que ficasse bravo, então trouxe para cá.
— Okay. Muito atencioso da sua parte.
Thea sorri e concorda com a cabeça. Depois de contar sua maior novidade se retira do quarto. Sento-me na cama e abro a caixa de papelão, começo a vasculhar o que minha irmã guardou, são troféus do tempo da escola, camisetas de times de futebol, figurinhas, livros, quadros, cd's um monte de velharias. Pego um álbum de foto que de tão velho a capa desgruda e o miolo caí no chão, largo a capa e junto o que caiu, do meio das folhas uma foto cai no chão, eu pego e a imagem me desconcerta, é uma foto minha com Felicity, que tiramos em uma cabine instantânea, estamos nos olhando, ela está com um sorriso lindo no rosto. Eu começo a lembrar desse dia, a gente passeou, nos beijamos, a sensação de ter os lábios dela sobre os meus me consome, novamente sinto que seu cheiro está no ar, e então escuto sua voz, abro os olhos, na ilusão de vê-la na minha frente, mas não existe ninguém ali. É decepcionante.
— Oliver. — Lídia adentra o cômodo, jogo a foto no meio da bagunça dentro da caixa. — O que é tudo isso?
— São velharias do meu antigo apartamento. Thea trouxe achando que eu ia guardar, mas vou queimar.
— Bom, vamos pensar nisso depois. — Lídia segura meu pescoço. — Senti sua falta. — ela me beija, mas apesar de sentir algo forte por Lídia, não era ela que desejo estar beijando e isso me deixa com muita raiva. Raiva por estar pensando em uma pessoa que me machucou, raiva por não sentir metade, do que já senti por Felicity, por Lígia.
— O que foi? — ela questiona se afastando e fitando meus olhos. — Está tenso.
— Não é nada, só estou com um pouco de dor.
— Você precisa pegar leve, querido.
— Eu sei. — ela sorri e torna me beijar.
(...)
Depois do jantar, meu pai me chama para uma conversa seria em seu escritório. Estamos sozinhos, ele me entrega uma pasta e pede que eu leia as informações contidas nela. Trata-se de um arquivo com várias informações sobre Jacob Shawn, um ex fuzileiro da marinha americana envolvido em diversos crimes, inclusive com a máfia chinesa. Ele é líder de uma organização criminosa dos Estados Unidos.
— Espera, como você sabe de tudo isso? E por que está me mostrando isso?
— Eu tenho meus contatos, Oliver. — ele responde. — Shawn tem contatos no exército, pessoas que o ajudam com armamentos e na distribuição de drogas pelo país e fora.
— Entendo, mas
— Filho. — ele me interrompe. — Sua próxima tarefa é em solo americano.
— Como assim?
— Você vai juntar provas concretas e prender Shawn. O que temos são apenas acusações, não é suficiente para prendê-lo.
— Mas eu nunca fiz nada parecido com isso. — comento. — Meu trabalho é diferente, é combate toda a hora, eu só preciso mirar e atirar, e agora vou ter que trabalhar como um agente?
— Sim. — ele responde. — Não é difícil, eu já fiz isso, Oliver. Posso te ajudar.
— E o que tenho que fazer?
— Primeiro você terá que ir para Nova Iorque. — eu odeio NY. — Há uma ligação entre Shawn e o dono de uma boate no condado de The Bronx, Damon Fisher. Eles têm ligação. Parece que Shawn frequentava a boate e vendia alguns tipos de drogas para Fisher.
— Como vou conseguir informações sobre Shawn, se eles são sócios?
— Oferendo drogas para Fisher. — levanto uma sobrancelha, o que meu pai disse é loucura. — Parece que Fisher foi enganado por Shawn e deu fim a sociedade deles. Fisher tem um grande ódio por seu ex sócio. Ofereça as drogas, faça perguntas e não seja tão óbvio. Faça perguntas aleatórias. Como, de quem ele comprava drogas antes? Mas seja cuidadoso e não deixe ele notar seu interesse.
— Entendi.
— Você terá tempo para aprender, viaja daqui duas semanas.
Depois que saí da casa dos meus pais, não consegui mais pensar em nada além desse novo trabalho. Voltar para Nova Iorque não está nos meus planos, esse lugar não me traz coisas boas, quando saí de lá foi para não voltar, nunca mais, e agora estou há poucos dias de voltar e não vou mentir, isso me assusta pra cacete.
— Então, o que você acha? — encarei Lídia que acabara de sair do banheiro, ela estava sexy, usando uma camisola vermelha de cetim. Observei-a morder o lábio inferior a espera da minha resposta.
— Caramba, você está muito sexy. — Lídia sorriu e se jogou na cama. Ela engatinha e aproxima seu corpo do meu, me da um selinho.
— Sabia que ia gostar, comprei pensando em você.
(...)
Nos poucos dias que fiquei em Starling recebi diversas instruções do meu pai para que eu não acabasse fazendo algo errado. Foram poucos dias, mas foram dias produtivos e agora estou voltando para NY, sentindo um frio na barriga. Não sei o que esses próximos dias guardam para mim, mas espero não ter surpresas pelo caminho.
Minha primeira parada é um lugar que não vou há muito tempo e que já frequentei muito. O bar de Nyssa mudou bastante, parece que ela investiu uma nota. Sigo para o balcão, onde logo vejo Nyssa preparando um drink vermelho para uma garota. O lugar está cheio de universitários, nada mudou, além da decoração.
Esse recinto me traz tantas lembranças. Lembro-me da primeira vez que Felicity e eu viemos juntos, a dança, seu corpo grudado ao meu. Cacete! Novamente estou envolvido em um misto de lembranças nossas, sua presença agora se torna ainda mais forte, isso nunca aconteceu, não tão forte como agora.
Sinto alguém trombar no meu corpo inerte no meio do bar, a pessoa me pede desculpas e continua seu caminho. Eu afasto Felicity dos meus pensamentos e me aproximo do balcão, dou um soco de leve na madeira para chamar a atenção da bartender.
Nyssa me encara e fecha os olhos e os abre novamente, e repete o gesto novamente, eu começo a rir.
— Oi. — digo.
— Sério Oliver? Seu desgraçado! — ela está com raiva e não gosto muito de Nyssa quando ela está com raiva. — Caramba você sumiu por três anos, não deu notícias e agora você aparece aqui dizendo Oi? Você é um babaca!
— Desculpe Nyssa. — demonstro estar arrependido. — É que eu precisava de um tempo
— Olha, eu sei que o que ela fez foi cruel. — ela diz. — Mas eu era sua amiga, Oliver, podia contar comigo.
— Lembro-me de você ficar do lado dela.
— Não diga isso. Eu apenas disse que você tinha que ter escutado a garota. Você foi bem babaca e mandou ela sair da sua vida sem escuta-la.
— Nyssa, por favor. Vamos mudar de assunto? — ela fita meus olhos e assente. — Gostei da mudança que fez no bar.
— Tentei dar uma pegada mais madura, para atrair uma clientela mais adulta, porém o que consegui foi mais universitários. — comenta. — Bom, ao menos eles pagam minhas contas no fim do mês. — ela me entrega uma garrafa de cerveja. — Mas o que te traz a Nova Iorque novamente?
— Trabalho. — respondo, sem entrar em detalhes. Meu pai disse que tenho que ser cuidadoso com esse novo trabalho. E sigilo é o mais importante.
— Então, seja bem vindo novamente.
Terminei minha cerveja e me despedi de Nyssa. Ainda tinha mais uma parada. A boate de Fisher que ficava no The Bronx. Quando adentrei o local entendi porque Fisher era sócio de Shawn. Esse lugar fede a bebida e suor. E se observar direito é possível ver as pessoas se drogando pelos cantos. Logo a frente tem um palco com canos de pole dance onde garotas dançam ao som de musicas remixadas.
Sigo direto para o bar e peço um whisk. O gosto da bebida é ruim, acredito que além de musica ruim e drogas o bar também fornece a seus clientes bebida falsificada. Observo tudo ao redor. As pessoas dançam, bebem, usam drogas e ficam bem louconas. Os homens ficam alucinados nas dançarinas, mas não ultrapassam o limite. Uma voz grave anuncia que há uma nova dançarina e que ela irá fazer sua primeira apresentação, as pessoas que ainda estão sóbrias gritam e batem palmas.
Eu peço outra bebida. Joe Cocker — pela primeira vez, algo bom — começa a tocar nas diversas caixas de som espalhadas pela boate. A nova dançarina entra pela passarela principal do palco, usa uma mascara, seus cabelos loiros e ondulados estão soltos, caindo sobre os ombros, ela tem uma estatura média e suas pernas são maravilhosas, tão maravilhosas quanto às de Felicity. Ela começa a dançar e cacete, que bunda maravilhosa. Eu estou tão envolvido nessa mulher, que pensamentos loucos invadem minha cabeça. Um Oliver que eu deixei para trás começa a tomar conta de mim. Eu quero essa mulher, eu desejo essa mulher.
A musica sexy tem uma combinação perfeita com os movimentos da dançarina. Noto que não sou só eu que estou envolvido nos movimentos da loira sobre o palco, a maioria dos homens estão concentrados em cada rebolada que ela dá. Eu sinto ciúmes e isso é uma grande loucura.
Estou tão vidrado na garota que começo a me aproximar do palco, empurro todos que estão no meu caminho sem me importar.
Parece que chegou o grande momento, ela vira-se de costas e tira a máscara, balança a bunda e dá uma olhadinha sobre o ombro, eu quase caio para trás quando seus olhos azuis encontram os meus. Posso vê-la ficar tão branca quanto um papel, ela também me viu, está paralisada, seu sorriso sexy sumiu e deu lugar há uma feição assustada e surpresa.
Ah porra!
— Felicity?
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