Wolfs
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era um dia frio de outono, a neve descia em uma forte tempestade castigando a floresta Green. Jason estava em sua pequena cabana com um copo de chá quente na mão, observando pensativo as janelas embaçadas onde por ventura, caia alguns flocos de neve. O chá ajudava-o a esquentar seu corpo em dias difíceis como esse, mesmo com toda a pelagem de animal revestida por seu corpo.
Lentamente, o chá foi se acabando da caneca, e o temporal de neve cessou, passando para uns pequenos floquinhos de neve que caíam em tempos irregulares no grande revestimento de neve do chão na floresta. Sua pequena cabana, feita de madeira de carvalho que tinha espaço apenas para um salão principal e um quarto, não era o tipo de casa apropriada para locais como esse.
Após terminar de beber seu chá e o frio começar a tomar o corpo de Jason novamente, este levantou de uma pequena poltrona na sala principal ao lado de uma lareira apagada com várias cinzas em volta. Respirou o ar profundo da cabana, com cheiro de madeira podre molhada, e foi-se para o seu quarto após guardar sua caneca na cozinha.
O quarto mal cabia uma cama, de modo que Jason tinha de se espremer para poder entrar e pegar seus dois cobertores extra grossos. O curioso do local aonde vivia, é que em tempos de frio, sempre havia uma pequena rajada quente de tempos em tempos naquele seu quarto. Havia apenas uma pequena janela em formato de cubo, que sempre ficava fechada. Jason não sabia de onde aqueles ventos quentes vinham.
Mais uma vez, antes de dormir ficou afogado em pensamentos do dia anterior, quando encontrou pela primeira vez um lobo de olhos azuis. Muitos dizem que ele é uma lenda, mas Jason podia ver claramente seus olhos como água cristalina dos Mares Yutano. Antes de poder sacar seu arco de caça e tentar capturar a criatura, esta desapareceu sem mais nem menos. Desde então, vinha pensando muito naquele tal lobo misterioso, que todos diziam ser a reencarnação do lobo mal que assassinou a avó de Alexandra, mais conhecia como chapeuzinho vermelho alguns anos atrás. É claro que esse povo ignorante acha que tudo isso não passa de uma lenda.
O mais curioso de isso tudo, é ele ter ouvido boatos dizendo que este não é apenas um lobo, mas sim um lobisomem. Ele sempre tenta sair a noite para procurar o lobo nas suas caças, mas por mais que tente ficar acordado, quando anoitece o sono lhe pega de jeito e ele apenas acorda na manhã seguinte, todo suado por culpa dos cobertores.
Como dito, ficou deitado por algum tempo, e quando o relógio anunciou 6:30 e os raios negros começaram a engolir a casa de Jason, ele adormeceu sem nem ter tempo de levantar e tomar uma água.
Enquanto dormia, teve sonhos estranhos, ele estava andando de uma forma esquisita no meio de uma floresta que ele reconhecia claramente ser a Green. Ouvia barulhos de humanos e gritos atrás dele, e tentou acordar desse pesadelo.
Ele acordou subitamente, todo encharcado da cabeça aos pés de suor, quando os primeiros raios de sol já enchiam a manhã. Ele levantou ofegante e decidiu tomar um bom banho quente para acalmar os nervos. Novamente aquela estranha sensação de cansaço enorme, e teve de lutar para não deitar de novo. Ele estava com olheiras profundas, mas isso era impossível. Ele sempre dormia antes das 7 e só acordava 7 da manhã. Ou seja, 12 horas de sono era mais que o suficiente para seu corpo repor as energias, levando em conta de que tudo que faz não gasta muita energia, pois ele consegue sobreviver muito bem com o grande estoque de coelhos nessa região.
Seus pensamentos foram interrompidos com uma batida na porta, e fez Jason saltar de susto. Naquelas redondezas não era nada sábio visitar alguém, a menos que seja algo muito importante. A porta insistiu em bater outra vez com um pouco mais de força, e Jason soltou um longo suspiro se rendendo e ás pressas se vestiu e foi para a port.a
- Já estou indo! – apressou em dizer Jason quando a porta deu quase um estrondo de fúria e raiva.
Ao abrir a porta, Jason teve uma visão que o deixou atordoado. Bem na porta de sua casa, tinha uma mulher extremamente bonita, com os cabelos loiros como ouro, os olhos verdes como folha, e seu corpo bem definido, mas o que mais chamou a atenção de Jason foi o arco pendurado em suas costas com um monte de coelhos pendurados na cintura.
- Boa tarde, o senhor não queria comprar alguns coelhos? – a mulher logo se apressou em dizer quando viu os olhos de segundas intenções de Jason. Jason percebeu isso e ficou vermelho de vergonha, logo em seguida se apressou em dizer:
- Não obrigado, estou com um bom estoque. – sua voz saia rouca e sua testa estava suando ferozmente.
- Tudo bem, vou dar mais uma olhada pela região.
- Tome cuidado, tem lobos soltos por aí. – avisou Jason e a mulher o olhou com uma expressão estranha.
- Eu tomo cuidado, se não eu não estaria vendendo coelhos recém caçados e teria um arco nas costas. – sua voz era de deboche e desdém, o que deixou Jason um pouco furioso com a tal atitude da mulher misteriosa.
- Posso saber quem você acha que é para poder ser irônica na frente de minha própria casa?
- Tijolos não tem sentimentos, portanto eu posso estar na sua cama que mesmo assim se você vir com uma de machismo para o meu lado eu terei direito de defender. – a expressão da tal mulher deixou Jason perturbado, ela não tinha nenhum traço de raiva aparente na voz, como se aquilo fosse normal para ela. – Enfim, vou indo.
Mesmo Jason estando irado com a atitude desta mulher, ele tinha de perguntar uma coisa.
- Você já viu ou ouviu falar do tal lobo de olhos azuis? – a mulher subitamente parou e ficou imóvel como gelo, ela estreitou a boca e semicerrou os olhos.
- Eu já disse, vou indo. – a mulher saiu aos tropeços da casa de Jason, em um passo que chegava quase a uma corrida, e quando estava a uma distância segura de Jason, correu floresta a dentro em meio as árvores densas e negras cobertas por uma pequena camada de neve na copa.
Jason passou o dia todo em sua caçada com os pensamentos intrigados sobre a atitude daquela moça, como se Jason fosse algum tipo de bicho perigoso. Ele sempre perguntava isso para os moradores e eles apenas riam e diziam que era uma idiotice, mas o comportamento daquela moça deu para perceber que aquele era um assunto que ela não levava na brincadeira.
Após os primeiros raios alaranjados do pôr-do-sol terem surgidos, Jason pegou um pequeno banquinho em sua casa, com um arco em prontidão nas suas pernas e ficou contemplando aquela bela vista que só poucos poderiam ter visto na vida. Nos céus, uma grande linha com colorações esverdeadas passavam rapidamente pelo céus, o fenômeno da Aurora Boreal, que acontecia a cada 2 meses, todo dia 20.
Após acabar, que levou apenas uns 2 minutos, Jason sentiu um sono fora do normal como sempre sentia chegando perto das 6:30, e foi para o seu quarto. Antes de cair no sono, juntou forças e preparou um pouco de chá para repetir a cena, dar uma olhada na neve através da grande janela do salão principal, infelizmente o estoque de madeira estava acabando, e o feudo local proibiu qualquer derrubada de árvore nessa época do ano, sendo que isso era uma idiotice pois na época de verão essa pratica era liberada.
Jason se deitou, e como sempre, sem nem antes poder pensar em algo, seus olhos lentamente foram engolidos pela escuridão de suas pálpebras se fechando, e ele já se encontrava em um sono profundo e pesado.
Outra vez, teve um daqueles sonhos estranhos, mas desta vez podia ver um pouco melhor. Ele estava andando agachado, todo o seu corpo coçava como se ele estivesse cheio de pulgas, e suas unhas estavam com enormes garras. Ele soltava alguns rugidos de sua garganta de vez em quando, e mais uma vez ele conseguiu ouvir o barulho de pessoas gritando.
Após tudo isso ter acontecido, e ele acordar empapado de suor, ele tomou mais um banho e decidiu sair a procura daquela moça a fim de procurar respostas. Fez uma pequena e improvisada mala de viagem, levando o suficiente para apenas uma caminhada de algumas horas até a cidade local, com suprimentos de água e comida e seu desgrenhado arco de caça recurvo. Com algumas poucas flechas na aljava, saiu matagal adentro na floresta.
Jason já estava acostumado com aquela floresta, tanto quanto sua própria casa ou sua vida, mas algo o intrigava naquele dia. Ele sentia um frio inimaginável, até suas grossas peles o faziam tremer por baixo. O local estava com mais névoa do que o normal, mas o que mais intrigou Jason foram as marcas de garras nas árvores. Ele chegou perto para analisar isso, e viu que claramente se tratava de marcas de lobos. Antes de poder dar uma analisada melhor, ouviu uma coisa que fez seu coração falhar cinco batidas.
Bem no extremo norte na floresta, ele viu dois pares de olhos brilhantes que até de quilômetros eram claramente vistos, seguido por um uivo cortante sibilante.
O lobo dos olhos azuis.
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