Wolfs
2 Capítulo 2
Antes de Jason poder fazer qualquer coisa, o par de olhos desapareceu floresta adentro, e Jason sentiu uma forte vontade de segui-lo, porém sabia que era burrice, ele desaparecera. Ele ficou uns cinco minutos parado apenas digerindo as informações que acabaram de acontecer em menos de um minuto, e um barulho de um coelho o acordou para vida.
Ele já apontava o arco para matar esse coelho e o comer mais tarde como um lanche, mas quando o olhou hesitou a sua mão no arco com a flecha de prontidão. Esse coelho tinha uma pelagem cinza esverdeada com traços azuis do lado, e seus olhos eram vermelhos tão vivos que lembravam sangue. O coelho chegou perto de Jason, como se sua presença não o intimidasse, e começou a esfregar carinhosamente sua cabeça em sua perna.
Jason estendeu a mão para pegar o coelho, e este aceitou sem mostrar nenhum sinal de luta ou de medo, e começou a fazer barulhos estranhos no fundo da garganta, satisfeito pelo calor humano. Jason passou a vida inteira caçando e matando coelhos que aquilo até pareceu algo estranho, ele estava pegando um certo amor pelo tal coelho em sua mão, tão frágil e inocente que era impossível mata-lo. Ele colocou o coelho em seu ombro, e este surpreendentemente aninhou-se confortável em seus braços, e Jason achando aquilo tudo engraçado continuou sua caminhada ouvindo em breves momentos o barulho da garganta do coelho ronronando.
Estava tão afundado em pensamentos pelo lobo azul e seu novo amigo coelho, que ele nem percebeu quando uma fumaça negra subia no céu anunciando a chegada na cidade. Ele finalmente percebeu quando um cheiro desagradável de um banheiro público ao lado invadiu suas narinas, uma velha construção de madeira revestida de pedras maciças com uma placa feita á mão anunciando um banheiro masculino á direita e feminino á esquerda.
Após andar por mais alguns minutos, finalmente chegou na concentração da cidade, com umas 10 casas agrupadas, sendo delas 2 de comércios, todas quase iguais, com a mesma construção de madeira com uma mistura de pedra, e um simples bar na entrada da cidade seguido com um pequeno armazém onde se vendia na sua maioria, caros suprimentos de madeira para passar o inverno.
Jason viu aquilo tudo com um certo ar de desprezo, odiava cidades, mesmo sendo pequenas comparadas aos grandes vilarejos aos pés do Castelo Augara, o comportamento e a aglomeração de humanos o deixava com nojo. Mesmo com esses receios, continuou adentro com sua excursão em busca da mulher. Ele percebeu que ela morava na cidade quando sentiu o cheiro de carvão recém-queimado dos comércios ao lado.
Passou por algumas casas comuns, quando no final da rua viu uma casa que se diferenciava das outras, não por ser maior ou mais bela, mas o oposto, ser velha e toda aos pedaços, com um símbolo de um lobo seguido por letras pintado em vermelhas escrita Wolf. Jason seguiu aos passos para a tal cabana, mas reduziu e começou até a se esgueirar pelas casas ao lado quando viu a mulher diferenciada com seus cabelos cores de ouro, o único amarelo em meio aquela mistura de branco, marrom e cinza.
Seus olhos verdes refletiam toda a volta, de modo que as poucas pessoas que transitavam na rua sempre pararam para dar uma olhada para ela, mesmo sendo a maioria donas de casa que soltavam um suspiro de frustação e se lamentavam por não ter o belo corpo daquela jovem moça.
Jason porém, estava concentrado tanto no lobo de olhos azuis que não teve tempo para contemplar a beleza da mulher, e partiu aos tropeços para perto dela, de vez em quando se misturando aos outros moradores para fingir que era apenas mais um cidadão comum daquela pacata cidade no feudo Norte.
Após finalmente ter chegado perto dela, ele calmamente e com bastante cuidado cutucou os ombros da moça, o que foi um erro terrível. Com uma rapidez de dar inveja em qualquer um, ela se virou rapidamente antes mesmo de Jason der um segundo toque nela, e ela torceu seu braço tão forte que Jason pensou ter ouvido um barulho de osso quebrar.
Ele urrou alto, e o local mesmo sendo barulhento por causa das pessoas jogando papo fora pararam ao ouvir aquele grito. A moça observou melhor quem era o rapaz, e o reconheceu.
– Está ficando maluca? – berrou Jason e a mulher fez uma expressão calma, mas dando para ver sua expressão de raiva surgindo no rosto vendo a atenção que aquele indivíduo estava chamando.
– Cale essa boca, idiota. Vamos, venha. – ela o puxou tão bruscamente que Jason não tinha outra opção se não a seguir para fora da cidade. Ao ficar em uma distância considerável da cidade, Jason se assustou. Um barulho forte de carne contra carne bem em seu rosto, seguido por uma dor crescente em seu queixo ardente, e sua visão ficando embaçada e preta. Antes de ser engolido pela escuridão, vislumbrou outras pessoas se juntando em volta da tal mulher com roupas grossas e todos usavam grandes arcos recurvos.
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Jason acordou com uma dor de cabeça terrível, tentou abrir os olhos mas suas pálpebras ainda permaneciam grudadas em seu corpo. O local onde estava era confortável, quente e macio, como se ele tivesse morrido e aquele fosse o paraíso. Ele ouviu vozes no quarto, e uma delas reconheceu como a da mulher que o bateu. Uma nova onda de sentimento surgiu em seu corpo, raiva.
Com toda a força de vontade, tentou abrir os olhos mais uma vez, estes finalmente cederam e abriram lentamente. Acima da casa de Jason, se erguia uma longa e brilhante luz florescente que ofuscava sua visão, de modo que seus olhos demoraram um pouco para se ajustar aquela luz forte. Sua cabeça ainda doía muito, mas se esforçou num último suspiro e ergueu seu corpo, da cintura para baixo.
Estava em um quarto relativamente médio, com as paredes feitas de pedra reluzente maciça, coisa que nenhuma pessoa que não tivesse bastante dinheiro podia ter. Ele estava em cima de uma maca de hospital, feita de um colchão macio extraído do próprio algodão. Ele então pode perceber os pares de vários olhos (todos, verdes) o olhando, brilhando de excitação.
– Ele acordou! – admirou-se um cara de estatura média ao seu lado, usando um óculos redondo e o corpo ligeiramente definido, mas não do tipo musculoso. Seus cabelos estavam rebeldes sobre sua cabeça, uma longa massa de preto brilhante.
O resto do grupo, não muito diferente do primeiro também usavam um óculos redondo, apenas a mulher dos cabelos loiros não usava, e o olhava com um certo ar de superioridade e pena.
– Desculpe pelo modo que te trouxe para cá. – ela se explicou, se levantando da cadeira e indo para perto da pequena cama de Jason, que até então ficava em um canto estratégico do quarto, bem longe da porta para o caso de Jason querer fugir.
– Não seria mais fácil simplesmente me vendar para eu não descobrir o caminho? – ponderou Jason nervoso.
– Nós sabemos suas habilidades, Jason. Acha que não sabemos o seu sendo de direção? – desta vez, o primeiro cara que Jason viu falou, com um quê de irritação ao falar essa frase.
Jason não disse nada, apenas observou o quarto mais um pouco, e quando viu um sanduíche feito de presunto bem ao seu lado, seguido de um chá quente, ele não passou a prestar atenção em mais nada. Comeu ferozmente o sanduíche o devorando em segundos.
– Um bom caçador de lobos deve degustar sua refeição como se fosse a última. – disse a mulher. – A propósito, não fomos devidamente apresentados. – a mulher estendeu sua mão para perto de Jason com um ar convidativo, Jason não teve escolha e apertou sua mão, que era supreendentemente delicadas e macias. – Meu nome é Clara.
– Prazer, Clara, meu nome é Jason. – disse ele em um tom formal para não demonstrar qualquer emoção ou surpresa que tinha dentro dele.
– Já sabemos disso, você nos está causando muito problemas. – disse, desta vez, um cara que acabou de chegar na sala e Jason nem havia visto. Um coisa curiosa era que todos vestiam roupas quase iguais, uma grossa pele de lobo nas vestes e um arco e uma aljava carregada de flechas nas suas costas. Este, diferente dos outros, tinha uma barba longa e prateada que chegava até mais abaixo de seu queixo.
– Problemas? O que eu fiz de proibido? – disse Jason, contendo a fúria diante daquela acusação sem motivo algum.
– Somos o grupo dos defensores do lobo de olhos azuis, mais conhecido como Kafyr. – quando o homem disse essas palavras Jason congelou em seu lugar. Sempre que via o lobo ou tentara agarrá-lo ou mata-lo com uma de suas flechas.
– E o senhor, está tentando matar nossa santidade. – disse outra vez o de cabelos desgrenhados ao lado de Jason, novamente com um quê de irritação na voz, este cara estava começando a encher a paciência.
– Mas vocês não são caçadores de lobos?
– Somos caçadores de lobisomens. É diferente. – Jason olhou em volta assustado com um ar de deboche, mas ambos continuavam com sua mesma cara séria e determinada de sempre. Jason demorou alguns longos segundos, que pareceram minutos, para processar aquela informação. Era demais para menos de 8 horas.
– Lo-lobisomens? – a voz traiu Jason, ela saiu cheio de gaguejos e embaraçada, como se ele não tivesse acreditando, com um ar de deboche.
– Sim. Lobisomens. Agora, se me der licença, o senhor tomou demais nosso tempo por hoje, temos dois casos de ataques na área. – disse o chefe barbudo. – A propósito, meu nome é Jake.
– Prazer, Jake. – disse Jason e olhou consideravelmente para o esquentadinho ao seu lado.
– Meu nome é Ian. – ele mais resmungou do que falou isso, e Jason guardou bem esse nome para pesquisar sua vida.
– Vamos, temos que achar aquele maldito lobo que todas as noites ataca a lua cheia. – disse Jake e saiu pela porta, quando todos saíram, Clara sem falar mais nenhuma palavra apenas fechou Jason com um grosso cadeado, e fechou a porta revestida de ferro.
A noite chegou, mas desta vez era lua cheia, a julgar pelo modo como as sombras estavam mais prateadas que o normal. Jason como sempre sentiu um sono devastador e em questão de segundos foi engolido pela escuridão.
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