Notas iniciais
A temporada está próximo de terminar, pois acho que escrever por temporada é mais fácil, tranquilo e rápido. Teremos uma segunda temporada, teremos muito tempo pra descobrir. Agora, nesse capitulo, vamos ter um Flashback de Lander e Lene, quando eles se conheceram em Mar Grande, antes de Chris, Christopher e Clara. Como Lander descobriu ser Gay e como ocorreu o primeiro amor... O primeiro amor. Sendo ele, Lene ou Adam, vejam o passado.

Sempre pensei em como poderia contar aos meus pais, que eu sentia mais atração por homens que por mulheres, mas havia um pacto mudo entre eu e meus pais, este consistia em me podar para garantir a boa convivência social e o nome da minha família nas rodas da alta sociedade de Mar Grande, sempre que tinha um desejo, eu ia a igreja conversar com Padre Ewald, ascendia uma vela, pedia ao Deus cristão, para tirar esse desejo de dentro de mim, foram anos de luta contra esse desejo. Até que eu conheci ela... Helene. Quando vi ela pela primeira vez, soube que o sentimento que havia sentido, poderia salvar o nome dos Wizard-Marte’ll de ir a lama de Mar Grande.

Helene tinha seus 13, quando vi ela pela primeira vez, foi na casa da minha tia, numa das festas de verão da fazenda da Luz. Helene, o pai, a mãe e os irmão, na época acho que tinham três, isso sem contar com ela. Estavamos eu e Adam, conversando quando eles chegaram, o Pai dela usava um chapéu de palha, mas era evidente como ele era branco, com o cabelo loiro e olhos azuis chamando a atenção de qualquer pessoa há raios de distância. A mãe era algo totalmente oposto, cabelos pretos, lisos, pele dourada do Sol. Eu sorri quando vi Helene tirar o cabelo liso e preto do rosto. — Ela é muito bonita. — Adam falou. — É, talvez. — Falei sorrido. Minha paixão secreta por Adam fazia meu coração bater mais forte toda vez que ele tocava em meu ombro para mostrar uma de nossas primas, cada vez que ele me dava um soco leve no braço. — Acho as meninas daqui muito provincianas, pudicas, cheias de besteira de garotas. — Adam falou. Mar Grande era uma cidade basicamente parada na época das trevas, as pessoas acreditavam em superstições, bruxas e ainda ofertavam coisas aos deuses por uma boa colheita. — Não sei se algo me interessa nessa cidade horrível, continuo aqui por conta de mãe e Pai… — Falei pra Adam. A história que dificultava minha saída de Mar Grande era bem maior que eu, ser o quinto filho após 4 mulheres é difícil, em suma sobra apenas uma pessoa para a administração da fazenda, enquanto minhas irmãs estudam na escola de freiras das Lavras. A festa rolava e as pessoas chegavam e saiam, eu prestava atenção em Helene, que corria com minhas irmãs e minhas primas por todo o redor da festa, a única coisa que eu queria fazer era beber e esquecer que eu estava perto de Adam, perto o bastante pra sentir o cheiro dele, o cheiro de tarde de sol que ele carregava na pele, o cheiro de roupa recém quarada/lavada. A dor que eu sentia era lacerante, olhar para ele e não conseguir ao menos tocar nele, sem que pareça algo estranho ou suspeito. — Acho que a única coisa que essa festa irá me proporcionar é uma ótima ressaca que irei curar no caminho da cidade, principalmente por voltar de burro. — Falei para Adam bebendo mais um gole do vinho que estava em minha caneca. Adam sorriu. — Se quiser, podemos voltar na carroça. — Adam falou e eu sorri, qualquer oportunidade que tivesse e de ficar com Adam eu iria me aproveitar e aproveitar claro. Enchi novamente minha caneca com vinho, a mesa de bolos e comidas estava empanturrada, Tia Serena gostava de empanturrar e mostrar a fartura de suas fazendas e colheitas, eu fui em direção ao pedaço mais bonito de bolo de puba que vi em minha vida, quando esbarram em mim e ele cai no chão, ao olhar pra trás vejo Elizabeth e Helene que estavam brincando e dando risada. — Desculpe viu! — Helene falou. — Mas claro que desculpo! Eu que tô atrapalhando as meninas a correr, querendo bolo, essas horas. — Falei e Helene deu risada. — Você conhecer meu primo? Lena. — Elisabeth falou e eu sorri. — Nossa quanta educação a minha. — Eu sou Lander. Acho que você não me conhece, mas já lhe vi aqui em minha tia algumas vezes. — Falei sorrindo e pegando a mão dela. Helene arrumou o cabelo atrás da orelha e sorriu. — Eu sou Helene, mas geralmente o pessoal me chama de Lena. — Ela falou. Ela apertou minha mão e logo Martha apareceu pra puxar Lena que saiu correndo como um furacão. — Ela é tão bonita, selvagem e diferente dessas provincianas bestas-novas ricas. — Adam falou e eu dei risada. — Mas não eram todas as garotas desse lugar que eram “provincianas pudicas”. Segundo você mesmo. — Falei zombando de Adam que tentava não se engasgar com o vinho. — Acabei de falar que ela é diferente! Tu já viu a forma como ela monta em um cavalo?! — Adam perguntou quase gritando. — Não! Nunca nem tinha visto ela de perto como hoje. — Respondi pegando finalmente o bolo que cairá no chão e dando uma mordida. — Ela cavalga como um homem! Ela puxa as rédeas como ninguém! Teve um dia que o cavalo caiu no lamaçal, ela invés de deixar o cavalo afundar e morrer, ela foi lá e se jogou na lama, sem medo de se sujar! — Adam falou e vi que o olho dele brilhava ao falar de Lena. — Isso mostra que ela é mais provinciana ainda! Ela não tem medo do mato! — Falei tomando um gole do vinho, antes de arrancar outro naco do bolo. — Ela é o mato! Ela corre sem sandálias, o filho de José Augusto falou que viu ela se banhando no Rio grande, disse que não tem medo da cobra que tem lá, ela que ajuda os pais dela. — Adam falou, quando finalmente sentamos num dos bancos que tinham próximos e Jaime trouxe a vitrola da sala para a festa, a música suave e sucinta embalava a tarde que durou tão pouco que pouco antes do pôr do sol, eu estava um tanto bêbado. — Lander. — Meu pai chamou. — Oi pai! — Respondi levantando do banco tentando me segurar em Adam. — Estamos indo. Eu sua mãe e suas irmãs. — Meu pai falou, destruindo a felicidade que estava em ficar alto junto a Adam. — Tio, acho que Lander está um tanto quanto bêbado, claro que não por culpa dele. Acho que vocês da cidade não estão acostumados a beber como nós do mato. — Adam falou tirando sarro de meu pai. — Você é sempre muito piadista né Adam, mas acho melhor Lander ir com a gente. — Meu pai falou. — Posso levar ele amanhã, já estávamos até planejando andar de carroça tio. — Adam falou e meu pai sorriu, puxando um cigarro do bolso e um fósforo do outro. — Você venceu sobrinho, hoje Lander pernoita aqui, mas amanhã quero ele vivo, sem ressaca e muito bem pronto em casa! — Meu pai falou dando um trago no cigarro e virando, enquanto eu fazia um aceno pra minha mãe e minhas irmãs se reuniam.

Notas finais
Aguardem...