Notas iniciais
Demorou um pouco, pois sou um senhore de certe idade e acabei perdendo o arquivo no meu Google Drive, após uma procura enorme e de lembrar o nome do arquivo, fiquem com o Capitulo 3.

A noite se passou tão rápido que só fui sentir algo quando já se eram quase três da manhã, a hora dos espíritos. Eu estava num dos livros que achei em sites nada confiáveis, mas estava amando ler sobre aquele mundo que eu jamais pensei em conhecer. Meu pai dormia e na casa, o único barulho, era o ronco de Clara que mais lembrava uma britadeira que uma pessoa estava dormindo. — Eu acho que encontrei o que sempre procurei inconscientemente. — Falei. Cinco minutos depois eu caí no sono.

Adaptação, se eu fosse alguém que fala latim, eu diria que a palavra veio do berço filosófico, mas eu sinceramente pesquisei muito sobre outras coisas e pouco sobre palavras em outras línguas, não quero ser um dicionário, mas quero ser uma pessoa que pode ser considerada alguém inteligente. — Menino tu agora só vive com a cara enfiada nesse notebook. — Meu pai falou, estávamos na mesa tomando café da manhã, a mesa estava posta, Clara conversava com suas amigas populares, eu pesquisava ainda mais, conforme me aventurava nos escritos de outras garotas e garotos gays sobre magia. — Eu sei que tu foi dormir quando eu estava acordando viu! — Meu pai continuou. — Acho que Christopher está muito interessado em ser uma bruxa, pena que isso só exista na cabeça dele e daquelas esquisitas... — Clara falou. — Melhor que andar com as caça pinto que você anda. — Falei.

Peguei o carro antes de Clara sair do banheiro, dei tchau ao meu pai e sai pra escola. Clara pode muito bem ir de pé ou de carona com meu pai, hoje quero sair com as meninas. Cheguei na frente da Sattori e nem parecia que era meu segundo ou terceiro dia. Hoje consegui compreender que a bagunça na frente da escola, também é organizada por panelinhas, panelas de castas sociais e as comandantes são as Bee-queens da torcida, os gorilas dos esportes são seus capatazes e o resto é plebe, menos Paris e Amanda que são as bruxas e fazem parte da casta esquisita que em suma corresponde aos filhos de pais divorciados e pessoas que assumem estilos diferentes que o Padrão Hetero-Branco-Classe Média-Roupa de marca. Amanda e Paris me viram parando o carro e vieram em minha direção — E ae a linda dirige? Como assim? — Amanda perguntou dando risada. — Claro, desde o ano passado. — Falei sorrindo e tirando o cinto de segurança. — Nossa, morar na cidade grande é outra coisa... — Paris falou dando risada. As pessoas começavam a olhar e logo que desci do carro, adentramos a multidão de adolescentes, como um explorador adentra uma savana cheia de leões. Entramos pelos corredores vazios em direção ao refeitório. — Você pesquisou sobre o que falamos? — Amanda perguntou. — Claro que sim, aliás Old que sim né. — Falei. — Eu amei a ideia de compor um coven. — Falei sorrindo — Um Coven de três pessoas não dá, mas acho que já é um começo. — Paris falou dando risada. — Acho que poderíamos reunir os como nós, reunir as forças dos perdedores da escola, se fizermos isso, vamos dominar a escola. — Falei. — Gay a senhora está pensando muito alto, vai com calma. — Paris falou, apontando pra uma mesa, onde poderíamos conversar com calma. Tirei o notebook da minha bolsa e abri na frente das meninas, quando comecei a mostrar o que havia lido na noite mal dormida que tive. — Você se aprofundou demais no que falamos, eu jamais cheguei a metade desse material. — Paris falou. — Talvez a gente tenha ficado muito tempo na superfície, quando deveríamos ter afundado de vez Paris. — Amanda falou. — Acho que sempre tivemos medo de fazer isso, medo de sermos nós. Além de esperar os outros componentes do nosso ciclo. — Paris falou, de fato entendo elas, o medo de continuar sendo só, o medo de continuar sendo apenas elas, na selva que é o ensino médio, na selva ainda pior que é a Sattori. Saímos em direção aos corredores, os alunos já enfestavam o corredor, quando estávamos indo em direção ao armário de Amanda, vimos Danilo vindo em nossa direção, e logo ele parou na nossa frente, impedindo nossa passagem. — As Bruxas estão indo onde? — Ele perguntou em um tom de Sarcasmo. — Se o gorila sair da frente, iremos para o armário. — Falei. — Danilo até se assustou quando me ouviu falando. — Vai se esconder no armário? — Ele me perguntou. — Talvez com seu pai. — Respondi Danilo que ficou me olhando, quando comecei a avançar o paço, ele segurou em meu braço e na minha mente eu só queria jogar ele no chão, quando peguei no braço dele e ele foi empurrado conta a parede, atingido outros dois atletas que estavam encostados na parede. As meninas me olharam e abriram a boca, numa expressão de surpresa e saímos correndo em direção ao armário. — Bicha, como você fez aquilo? — Amanda me perguntou olhando ainda com os olhos arregalados. — Nem eu sei, eu só pensei o quanto eu queria que ele fosse pra longe de mim. — Falei. — Mas foi a mesma coisa que eu pensei!!!! — Amanda e Paris falaram juntas. — Acho que conseguimos derrubar Danilo com nossas mentes. — Falei, quando senti uma dor na minha nuca, quando virei para trás vi que todo o corredor olhava para nós. As Bruxas do Sattori. — Senhor Christopher, Senhoritas Amanda e Paris, vocês estão de castigo na tarde de hoje. — Ouvimos a voz aguda da inspetora, que por uma grande infortúnio do destino se chamava de Auxiliadora, Maria Auxiliadora. Para ser mais preciso. — Vocês estão fazendo arruaça no corredor, vocês acham que estão no subúrbio? Essa escola é uma escola de porte!!! — A velha senhora falou e eu tentei manter minha mente vazia, pra que não acontecesse a mesma coisa de antes. — Vamos meninas, pra sala. — Falei e fomos em direção a sala 28ª para a aula de língua inglesa.

As aulas voaram, o dia voou ainda mais rápido ainda e logo estávamos na detenção, que era supervisionada de uma forma totalmente desgovernada pelo senhor Álvares, um senhor de meia idade que claramente odiava alunos, a escola e sua profissão. Estávamos sentados em fileiras diferentes, mas lado a lado, enquanto Danilo treinava seus passes de futebol lindamente na tarde ensolarada que fazia, meu notebook escondia o chat aberto, tentando falar com Amanda e Paris. — Precisamos sair daqui, eu vim de carro pra gente escapar, não pra ficarmos nessa sala com o professor mais Give a Fuck da Escola. — Mandei para as meninas que logo se prontificaram a ir ao banheiro, para que eu fosse em seguida e podermos escapar. Quando sai da sala, após quase cinco minutos, arrumei o notebook dentro da bolsa e as meninas apareceram na porta do banheiro. — Que demora! Achávamos que você não ia vir. — Amanda falou. E saímos correndo pelo corredor até a porta lateral que levava a gente até a cerca antes da grama. Os jogadores estavam treinando com o Técnico o famoso professor Thiago, um paizão que era a paixão de metade da Sattori. Do outro lado, se via Bree, Clara e as outras animadoras de torcida. Paramos um minuto na cerca e olhamos os meninos sem blusa ou simplesmente que deixavam o calção marcar. — Quem vê assim tão suados e bonitos, nem parecem ser grandes pedaços de lixo branco. — Falei e as meninas riram, saímos correndo em direção a entrada e entramos no meu carro, sem dificuldade. — Eu sei de um lugar onde podemos ir! — Paris falou e pegou o GPS que estava próximo a direção. E logo a voz indicava para onde teríamos de ir. — Vocês vão amar conhecer esse lugar. — Paris falou. E eu liguei o rádio, matar aula. Se meu pai descobre isso, além do castigo da escola, estou ferrado em casa. Uma música animada começou a tocar no rádio e saímos seguindo os comandos da mulher no GPS. — Vire a direita. — Ela falou e logo chegamos a biblioteca estadual que não fica apenas no centro da cidade, como também é muito que próxima a Sattori. Subimos as escadas correndo e direção as grandes portas avermelhadas da biblioteca, entramos e no balcão de entrada, Paris correu de encontro a uma mulher na casa de seus 30 com um óculos quadrado e um cabelo preso em coque. Paris apontou pra gente e a mulher veio em nossa direção. — Amanda! A quanto tempo! — A mulher falou — Oi Maize tudo bem? — Amanda respondeu. — Quem é o novato? — A mulher perguntou apontado pra mim. — Esse é o Christopher o mais novo membro no nosso clã. — Paris respondeu e a mulher logo se aproximou ainda mais e me deu dois beijos na bochecha. E logo Paris saiu correndo e puxando a gente pela mão, em direção a uma escada de mogno que tinha uma corrente na frente, junto a uma placa de “não ultrapasse”. Paris passou e levou Amanda e logo eu segui atrás, subimos as escadas correndo e demos de cara com uma biblioteca dentro da biblioteca, estantes e mais estantes, uma iluminação um tanto escassa, mas conseguia se ver os lombos dos livros, em sua maioria pretos, vermelhos. — Aqui é a parte da biblioteca que os profetas sempre quiseram queimar, mas não conseguiram, bem vindos a parte mais mística e peculiar dessa cidade horrível. — Paris falou e em um gesto teatral abriu os braços. Eu corri e fui até a estante mais próxima, peguei um livro chamado “Manual da invocação”. Onde ensinava como fazer toda a invocação de espíritos e outras criaturas, as figuras foram todas pintadas de uma maneira magnífica pelo artista, que levou muito a sério a explicativa e a beleza do livro. — Acho que podemos aprender pelo menos um pouco aqui. — Paris falou dando risada.

Pegamos um livro e sentamos em círculo, demos as mãos e eu senti um frio na espinha que subiu até a minha cabeça, como uma sensação de choque. — Pela agua, eu Paris Vanderwall peço o poder da Deusa, para agir como meus ancestrais, pra andar como meus ancestrais, para ser como meus antepassados. Eu clamo meu poder! — Paris falou. — Pela Ar, eu Amanda Stuart peço o poder da Deusa, para agir como meus ancestrais, pra andar como meus ancestrais, para ser como meus antepassados. Eu clamo meu poder! — Amanda falou e logo era minha vez. — Pelo fogo, eu Christopher Wizard, peço o poder da Deusa, para agir como meus ancestrais, pra andar como meus ancestrais, para ser como meus antepassados. Eu clamo meu poder! — Falei, quando sentimos um vento passando por nós, virando a página, e finalmente senti que éramos elas, as filhas das não queimadas, as poderosas bruxas da Sattori, as que vieram para derrubar o patriarcado... — Mesmo sem o nosso quarto, somos as três bruxas. — Amanda falou e logo que levantamos, comecei a me sentir diferente do que tinha sentado, havia sentido o poder. Dei risada e Amanda fez um sinal, para pegar o livro e colocar na bolsa. Coloquei o livro na bolsa e saímos correndo, pelas escadas, Paris deu tchau a Maize e nós saímos em direção ao meu carro. — Vocês sabem o que isso significa? — Perguntei. — Que nós somos PODEROSAS. — Paris falou. Liguei o carro e fomos pra fora da cidade, o mais rápido possível, fomos para o campo, um dos descampados que tinham antes de chegarmos a zona urbana, perto de um laguinho pequeno, parei o carro e saímos, sentamos na grama, pois deitamos e rolamos, como crianças. Eu nunca estive tão feliz. — Sabe Christopher, eu senti desde que você chegou na Sattori, que seria você. O garoto Gay, que tem um pai gay, que faria parte disso tudo. Quando meu pai traiu minha mãe com outro homem, minha mãe nunca mais foi a mesma, minha mãe aprendeu a ter um certo receio da população LGBTTQIAP+, mas acho que você apareceu para completar e reparar algumas coisas... — Paris falou. Eu dei um riso amarelo e pensei o que teria haver a situação com minha sexualidade, mas enfim, acho que Paris é deslocada demais pra explicar a ela que talvez o Pai dela vivesse em um mundo muito mais escuro e ruim que ela pode imaginar. Amanda ria e olhava paras as nuvens. — Eu também preciso contar minha tragédia familiar? Ou posso pular essa etapa? — Amanda falou e demos risada todos juntos...

Notas finais
Faltam alguns capítulos pra acabar essa temporada, juro que não me demorarei a postar os outros...