Notas iniciais
No segundo capítulo, vamos nos aprofundar em um dia na vida de Chris, após o primeiro dia da Sattori, vamos nos aprofundar no amor Taylor Swift do pai de Chris e na criação dos laços entre Amanda, Paris e Chris, sejamos honestos, tem algo mais teen que Taylor Swift, Gays e Escolas? Huuum acho que não. Entremos de cabeça nessa loucura que é a vida de um adolescente bruxo e suas amigas

Clara sumiu com o carro. Tive de ligar pro meu pai, que atendeu o celular de uma maneira desesperada e dramática. — Dramaqueen, a Clara sumiu com o carro, tem como o senhor me buscar na escola? Por favor. — Falei pra meu pai que de pronto respondeu — Claro gata, chego em cinco minutos... Quando meu pai parou na porta da escola, entro no carro e ele me abraça de uma maneira desajeitada por conta do cinto de segurança, enquanto Taylor Swift me tira da paz que era sair da escola e me envolve em mais um dos seus romances “fracassados”. — Pai Taylor de novo? Eu vou quebrar esse CD! — Falei dando risada. — Acho que depois que a gente envelhece, gostamos mais de ouvir sobre os romances que ter eles. Eu a entendo, jovem, bonita, rica, eu queria ser namorado dela! — Meu pai falou e eu dei risada de imediato. — Pena que o senhor é gay... — Falei enquanto meu pai dava a partida no carro...

Chegamos em casa, meu pai deixou o carro na frente e eu corri pra porta, estava ansioso pra pesquisar mais sobre o que as meninas tinham me falado, acabamos matando duas das aulas, Ciências e Biologia, corri pro meu quarto, queria aprender o máximo que conseguisse sobre bruxas. Amanda e Paris, começaram a me contar como se conheceram, como se tornaram amigas e como esse sentimento cresceu e evoluiu de uma forma que logo transpassou a amizade e acabou se tornando uma irmandade. Segundo elas, elas sentiram a mesma coisa em mim, eu sei que as origens de minha mãe remetem aos antigos índios que tínhamos, quando os exploradores e destruidores chegaram ao país. — Christopher, estou fazendo o jantar, será que você poderia me ajudar? — Meu pai gritou da cozinha, me tirando do meu devaneio. — Já vou! — Gritei. Meu notebook estava em meu colo, as páginas do Wikipedia estavam abertas, sei que mesmo não sendo o melhor lugar da terra para me informar, tinha de começar por algum lugar, talvez o Wikipedia me desse um norte. Desci as escadas correndo e encontrei meu pai na sala, o avental dele era verde água, na parte de cima estampado em azul dizia “Sou a cozinheira da casa Mammy”. Eu abri um sorriso. — Qual é vai rir do meu avental? — Meu pai perguntou. — Já estou. — Respondi dando um salto do último degrau que faltava pra ir de encontro ao chão. — Menino! Não faz isso! — Meu pai falou e saiu andando em direção a cozinha, fui andando atrás, peguei meu celular e comecei a abrir o Spotify, quando no meio do caminho, já ouvi os sons graves de Ready For It... Da Taylor. Eu acho que meu pai se tornou tão obcecado por ela que estava perigando ele invadir as casas dela. — A GENTE NÃO VAI COZINHAR OUVINDO TAYLOR SWIFT PAI. — Falei em tom de ameaças, enquanto meu pai ria. — Tá seu chato, põe sua música chata ae. — Meu Pai falou. — Ah pai para, daqui a pouco você tá no fã clube da Taylor. Meu pai foi até o balcão e abriu a carteira e de lá tirou um tipo de documento, na verdade uma carteirinha de Swifter, pra quem não sabe ou não entende essas coisas, é tipo o fandom, colmeia, formigueiro da Taylor Swift, eles são consumidores do trabalho, das coisas pessoais e afins... — Eu não acredito nisso! PAI!!!! — Falei. — O que? — Ele perguntou. — Eu não acredito que o senhor é Swifter de carteirinha! — Falei batendo com a mão no rosto e descendo a mão em um movimento escorregadio. — Desculpa se a Taylor vai continuar o que a Madonna começou... — Meu pai Falou. — Ela não vai continuar nada! Madonna nem morreu e nem aposentou ainda! Pare com isso! — Falei, quanto meu pai balançou a bunda ao som de “Lover” e eu abri um sorriso amarelo, conectei o Dock ao meu celular e comecei a passar o dedo pela tela, passando por milhões de playlists desde “Anos 80” até “Darkpop Feels” até que encontrei uma das melhores playlists que eu já consegui construir. Ela ia de Zara Larsson (Que não é filha do Cara do livro) até Iggy Azealia, quando começou a tocar Lush Life, estávamos dançando, meu pai foi para a pia e eu fui descascar o alho. — E você não continuou a falar sobre a escola. Só se escondeu no quarto, tão rápido que nem vi sua sombra. — Meu pai falou. — Ah foi tranquilo, Clara se enturmou muito que bem, ela é uma vadia completa, Carisma, personalidade e claro uma língua tão afiada que não sei de qual lado da família veio... — Falei, quando meu pai apontou pra ele mesmo. — Acho que crescer com duas quase mulheres em casa, ajudou ela a ter esse sentido gay. — Meu pai falou, lavando a mão e pegando uma Taça para fazer o ritual que ele mais ama na vida. Tomar vinho cozinhando e rebolando. — Só aconteceu isso? — Meu pai perguntou. — Eu acho que conheci o menino mais lindo que eu já vi em minha vida também, mas acho que uma stalkeada no Instagram dele destruiria tudo que senti na hora, transformando-o num cadáver em decomposição. — Falei. — Ah conheci duas meninas estranhas, Paris e Amanda. Elas são tipo gêmeas, só que não são irmãs e tem um sexto sentido doido. Eu amei elas. — Falei sorrindo e tirando as cascas do alho com a pontinha da faca. Pra situar você que chegou até aqui, a cozinha de casa é azul bebê, com uma ilha gigantesca, a pia que fica junto aos armários e com uma geladeira de inox horrorosa que cabe um cadáver, um fogão Amarelo canário que meu pai ganhou de alguém que talvez seja Jon (esse assunto fica pra frente)... E eu estava na ilha, descascando o alho, quando Lush Life chegava ao fim. — Huuuum, só não se apaixone pelas suas amigas, fui cair nessa com sua mãe e olha onde estou. — Meu pai falou dando risada enquanto fazia uma pose ao maior estilo Sailor Moon. — Mas indo pra parte do Gatinho. Quem é? Trabalho com nomes!!! — Meu pai falou enchendo duas taças de vinho branco que com destreza ele conseguiu arrancar a rolha, sem levar junto toda sua dentição. — O nome dele é Henry. Ele é uma versão tão convencional e branda de uma pessoa que eu me assustei quando ele veio falar comigo. — Falei e meu pai deu uma gargalhada profunda antes de começar a bebericar o vinho. — O nome é lindo mesmo. Henry. Nome de príncipe. — Meu pai falou dando o primeiro gole no vinho. — Ah e tem dois héteros que acho que adotarei o codinome de Tweedledee e Tweedledum. Os nomes são Danilo e Pedro, eles são aqueles héteros que andam de conjuntinho combinado e dão “roles”. — Falei fazendo as aspas com os dedos e dando risada, coloquei o nariz próximo a Taça pra sentir o aroma do vinho, antes de começar a bebericar ele. — Hahahaha — Meu pai deu uma risada estridente. — Eu achei a piada ótima. — Ele falou. A música tinha parado e logo antes de começar outra, ouvimos um barulho na porta. Era Clara, soltando a chave do carro dentro do potinho na entrada. O barulho fez meu pai e eu saímos da cozinha e ir até a divisão ralha quem resolveu aparecer, Clarisse, Nice, Izzy, Lizy, Quinze. — Meu pai falou e Clara logo abriu um sorriso. — Eu sai com as meninas do Cheer. — Clara falou. — E precisava deixar seu irmão pra trás? Deixar ele na porta da escola plantado? — Ele falou em tom de bronca. — Pai, nós fizemos uma promessa um ao outro, ele não irá me atrapalhar com a minha popularidade e eu não vou atrapalhar ele com a estranheza dele! — Clara falou. — Além do mais eu o defendi de um garoto. — Clara continuou. — Nossa e isso te eleva ao status de irmã do ano? Amor é sua obrigação, cuidar dele e ele de você. — Meu pai falou. — Ser um minuto e meio mais velha, não me faz ser a mãe dele! — Clara rebateu. — Danilo nem estava mexendo comigo! Ele estava insultando as minhas colegas! — Falei pra Clara. — Mas eu mandei ele pra fora! Certo? — Clara tentou argumentar em sua defesa, quando a guerra já estava ganha e meu pai tinha conseguido matar todos os cavalheiros de Clara. — Clara, você é a irmã dele, não tem razão de achar que ele vai destruir sua pseudo popularidade, você é uma garota de ensino médio, não a porra da Hillary Clinton! — Meu pai falou, quando Clara pegou novamente a sua bolsa e subiu as escadas correndo e reclamando. — Eu estou cansada de ser a mais velha! Temos minutos de diferença!!! — Clara gritou fechando a porta do quarto. — Se eu pudesse você nem teria saído de onde você saiu. Sua chata. — Meu pai falou dando risada. Infelizmente estava claro no tom de voz do meu pai que ele estava brincando, ele nos ama, mesmo em outra cidade ele liga todos os dias pra Chris que continua achando que a culpa é do meu pai, por não ter se escondido, ele achava ser melhor continuar vivendo uma vida forçada e triste que uma vida feliz. Esse é o motivo de Chris ter ficado com minha mãe. Voltamos pra cozinha e estava tocando “Into The Blue” da Kylie Minogue e meu pai respirou fundo e voltou a tomar o vinho. — Sua irmã é uma criatura muito complicada. Mas o que aconteceu? O que esse Danilo falou? — Meu pai perguntou. — Ele estava chamando as meninas de Bruxa, eu acabei ficando quieto, sei que a atitude foi muito errada, mas eu não consegui falar e Amanda o insultou, logo Clara chegou pra ajudar. — Falei. — Sua irmã é um desequilíbrio total, ela tem um senso materno e uma falta de senso total ao mesmo tempo. — Meu pai falou. Acho que ele estava certo. A parte ruim de sermos trigêmeos é que temos o mesmo signo e o mesmo mapa, com pequenas exceções, mas nossas personalidades são distintas e nós nunca conseguimos usar roupas iguais...

Terminamos de fazer a comida e já era quase noite, Clara não quis sair do quarto pra comer, quando meu pai foi conversar com ela. Eu subi pro meu quarto e peguei novamente o Notebook, liguei a TV e fui pesquisar finalmente, com toda a calma, sobre bruxas, artigo e mais artigos, sites e mais sites sobre uma coisa que parece ser mais antiga que o mundo. Bruxas não cultuam o Deus cristão, elas estavam aqui antes de Deus mandar seu filho pra terra. As bruxas estavam aqui antes de Cristo. Só que se chamava de paganismo. Depois de Cristo, as religiões começaram a se formar, sendo com os Gregos, Romanos, Egípcios e Mesopotâmicos... — Christopher, você engoliu a comida, o que está fazendo? Trabalho de casa, precisa de ajuda? — Não pai, estou pesquisando sobre algo que conversei com as minhas talvez amigas. — Falei pro meu pai que estava na porta. — Não acredito que você está pesquisando sobre bruxaria. — Meu pai falou dando risada. — Não! Estou pesquisando sobre Wicca, a magia das mulheres. Algo mais antigo que o Cristianismo e o próprio Nazareno. — Falei. Acho que nunca consegui, nem conseguirei tratar Jesus como o Cristo Power &Pround que as pessoas gostam. Eu fui batizado, assim como meus irmãos, mas Cristo é algo tão controverso e malvado que não tem como gostar dele, assim como eu gosto de pensar em outros Deuses. Tipo Ganesh ou Vanessão Vinte Reais. — Acho que Jesus é tipo a Suzanna Vieira dos Deuses. — Falei e meu pai deu risada. Meu pai é um católico caótico, mas católico. Então as vezes ele acaba brigando quando faço esse tipo de comparação/piada. — Você vai pro inferno. — Meu pai falou dando risada. — Acho que nem tem como não ir né pai. — Falei. — Meu pai colocou a mão em minha perna e olhou pra mim no fundo dos meus olhos. — Filho, você precisa entender, que qualquer tipo de felicidade que atrapalhe ou desassocie da “normalidade” hetero que a gente vive, vai ser punida, seja ela com o “inferno” ou com a “infelicidade eterna”. Infelizmente não teremos paz até que se finde essa jornada Cristã que junta odisseia de ódio contra as pessoas. — Meu pai falou e eu sorri. — Acho que suas amigas embarcaram nessa, pra pular dessa odisseia de ódio, então eu acho que você deveria apoiar elas. — Meu pai falou sorrindo. — Vou me tornar a Neon Witch da Sattori? Pai o senhor sabe que eu era popular na antiga escola né? — Falei dando risada. — Uhuum e o filho dos Durprat nem chamavam vocês de Gêmeos estranhos né? Nem tinha bullying. Aquela escola era péssima. — Meu pai falou. — Enfim, pode ser a Neon Witch, a Blair Witch até a Potter Witch, mas ajude as suas amigas, não as deixe sofrer o que fazem a anos, permita que termine em ti essa caça às bruxas. — Meu pai falou. Eu sorri e olhei pra ele, acho que meu pai não falava só sobre minhas amigas, mas acho que a metáfora foi bem maior que eu pensava...