Notas iniciais
Esse é um novo começo para os Wizard, Lander, acabou de se divorciar, após anos escondendo a homossexualidade em seu casamento frustrado com Helene, que durou seus quase 20 anos, junte isso a uma nova cidade, realidade, homossexualidade reprimida por longos anos, em paralelo, acompanharemos a saga de Christopher, ao se descobrir bruxo e adentrar o nunca conhecido universo de magia, bruxas. Poder e ganancia. Ele irá enfrentar o Desafio de ser um adolescente numa nova escola, sem amigos, popularidade e poderes inexplicáveis, cujo qual irá lhe mostrar como

— Você está pronto para um dos dias mais horríveis da sua vida? — Perguntou Clara. — Eu acho que sim, mas não tenho certeza, nem queria estar aqui! — Falei quase jogando a culpa descaradamente em minha e mãe pelo nosso abandono parental por parte da minha mãe e meu pai ter resolvido finalmente assumir a sua real sexualidade. — Eu ainda queria estar na nossa antiga escola, mas o papai tinha de vir pra esse fim de mundo e jogar a gente nesse turbilhão de merda. — Falei sentindo o real tom de egoísmo na minha voz. — Chris a gente não pode culpar nossos pais por isso, a culpa é do vovô, ele que juntou o Pai com a mãe e fez isso tudo! — Clara falou.

A história é longa pra ser contada, sendo assim, irei tentar resumir... Meus pais se conheceram na casa da minha tia avó, uma senhora super gente boa, que sempre apoiou meu pai com as questões de gênero e sexualidade que ele tinha, mesmo em 1980, numa cidade minúscula do interior. Mas logo meu avô percebeu que meu pai era um jovem um tanto estranho e destoante do restante dos meus tios, meu pai sempre foi mais delicado, mais complacente e doce que meu avô, até mesmo que minha mãe. — Eu não tive filho invertido, nenhum de meus filhos antes e nem depois, vai ter esse comportamento! — Esse sempre foi o discurso do meu avô para com as questões sexuais de meu pai, com isso, quando minha mãe surgiu na casa da minha tia, minha mãe foi a salvação do meu pai, eles eram grandes amigos, dessa amizade, eles começaram a namorar escondido na casa de minha tia e tão logo, meu pai começou a esquecer quem ele era. Nesse meio tempo e após uma semana de namoro, meu avô resolveu casar meus pais a força. Essa união maluca durou exatamente vinte e cinco anos e três filhos, mesmo após a morte de meu avô, a união continuou, porém, sentíamos e ficava muito claro que meus pais não tinham esse ‘amor’ que os pais dos meus amigos têm ou sentem um pelo outro, a relação dos meus pais nunca foi lá das melhores, mas era o que tinha. Meu pai resolveu há basicamente algumas semanas atrás, assumir que ele é gay, junto a isso, anunciou o divórcio da minha mãe e pediu para escolhermos com quem ficaríamos, vide que já tínhamos idade pra fazer essa escolha. Ah um fato que eu tinha esquecido de comentar: Somos tri gêmeos não idênticos, então somos Clara, Christopher e Chris, eu e clara, resolvemos seguir com meu pai, vide que deixá-lo nesse momento, não só seria considerado loucura, como também seria maldade deixar meu pai sozinho nesse momento, estamos quase no meio do ano letivo, em uma nova cidade, menos Christopher que ficou com minha mãe. Estamos numa cidade nova, com pessoas novas e claro o medo. — Nós escolhemos fazer esse sacrifício, agora temos de entrar e mostrar ao que viemos! — Clara falou. A única coisa boa que tivemos, foi que ganhamos um carro do meu pai. Carro esse que Clara parou alguns metros antes da escola. — Eu achei que a loucura seria assistir Gaiola das loucas com o papai se vestindo de Tina, ou de Patrick Swayze em Too Wong Fu, não que irmos pra uma cidade nova! — Falei enquanto Clara ria. Os estereótipos de gays velhos, se quebravam todos próximos do meu pai. Não que ele fosse extremamente masculino ou feminino, mas meu pai tinha trejeitos, tinha uma música gay na ponta da língua e claro DISCOS e PERUCAS. Meu pai acabou desenvolvendo uma persona pra lidar com toda essa loucura, ele chamava essa persona de Dhalia. — GAAAAAAAAAAY, acorda!! Desce do carro, vamo! — Clara falou eu dei risada, pois nunca percebo quando caio dentro de meus pensamentos, eu simplesmente me perco e só acordo quando o devaneio se finda.

Dei um salto do carro, peguei meu fone de ouvido, coloquei eles mais próximos dos meus tímpanos que era possível e andei em direção a grande massa de alunos que estavam na minha frente. Adolescentes, os piores seres do planeta, certeza que se você descer até os reinos do inferno, chegando lá você verá vários adolescentes infernizando a permanência das almas ali...

Clara ficou no carro enquanto eu saia correndo em direção a entrada da escola, acho que não vai pegar bem pra minha irmã ser vista com o novo estranho da escola. A escola estava vazia, nenhum dos alunos tinham entrado, pra não ser o centro das atenções de maneira desnecessária, fui direto a minha sala, a primeira aula seria na sala 36B na ala leste da escola, as placas e anúncios nos corredores não ajudavam a se guiar pela escola, na verdade acho que mais atrapalha que ajuda. Cheguei na sala dois minutos antes do sinal soar, o barulho fez com que o estouro do rebanho acontecesse nos corredores que logo estavam superlotados, enquanto eu me acomodava numa das ultimas cadeiras da parte de trás da sala, mesmo odiando o fundão e as pessoas que sentam nele, que geralmente são os seres mais insuportáveis, mas como não sabia se alguém sentava ou como a sala estava distribuída, resolvi sentar ali e jogar minha mochila encima da mesa. Abaixei a cabeça e continuei a ouvir minha música, quando senti um chute no meu pé, ao olhar pra cima, vi um dos garotos mais lindos que talvez eu tivesse visto em toda minha vida. — Será que você poderia sair do meu lugar e ir pra sua sala? — Ele falou e abriu um sorriso. Um dos sorrisos mais bonitos que vi em minha vida talvez? Eu tentei fingir que não vi ou esconder a reação um tanto avançada que tive de fazer um longo e expressivo “UAU” que fiz com a boca. — Eita, me desculpa, eu não sabia que tinha alguém sentado aqui. — Falei abrindo um sorriso amarelo. — Você está na sala certa? — Ele me perguntou mais uma vez. — Segundo Ano C, Escola Sattori, Primeira Aula sala 36B. Certo? — Perguntei pra o Garoto. — Então você é o aluno novo?! – Ele perguntou. — Sou Christopher, prazer. — Falei. Ele abriu novamente o sorriso e mais uma vez me derreteu como manteiga em uma frigideira Quente. — Senhor Christopher, bem vindo a Sattori. Eu sou Henry. — Ele falou me estendendo a mão. Eu vou me explicar antes de parecer uma gay babona, Henry tinha aquela pele bronzeada tipo quando se joga Canela na canjica, olhos castanhos brilhantes e aquele cabelo jogado de lado, ondulado, atrás de um óculos que seria o disfarce perfeito pro Clark Kent. — Você vai gostar daqui. — Ele falou, quando eu o olhava ainda perplexo.

— Um “Eu espero” saiu da minha boca. A sala logo se encheu de alunos, o professor entrou, e me ajudou a me instalar numa das cadeiras desocupadas da sala. Eu sentei de lado com Henry e seus amigos que mais pareciam Tweedledee e Tweedledum que logo descobri que eram Danilo e Pedro, por mais que parecessem irmãos, eram só amigos e mais próximo ainda de duas garotas que estavam aos sussurros desde que chegaram e me olharam. Depois descobri que se chamavam Paris e Amanda. As aulas correram normal, a única diferença da minha escola antiga eram os conteúdos, a lição que era o triplo da minha antiga escola. O sinal tocou e finalmente era o intervalo e antes de sair da sala, um papelzinho chegou em minha mesa, no bilhete bem fechado dizia “Se precisar de um guia ou duas, podemos ajudar”. Eu creio que esse era o papel que Paris tanto escrevia antes do professor dar a aula como finalizada. Tive vontade de responder, mas quando Amanda sussurrou mais uma vez na orelha de Paris eu acabei achando melhor não responder o bilhete, peguei minha mochila e sai porta a fora sem olhar pra trás.

O refeitório assim como o na minha antiga escola era subdividido por ‘panelas’ e pela mesa e lugar onde Henry estava sentado, ele era o popular, ele era um dos filhos dos ricos que deixavam os filhos estudarem na Sattori, confiando na direção talhada a mãos de ferro pela senhora Tan a diretora. Passar por aquele lugar me dava gatilhos de várias maneiras e formas que eu talvez nunca havia imaginado. Passei por todas as mesas e até vi minha irmã, Clara estava sentada com as meninas do time de vôlei. Acho que dos três gêmeos, Clara nasceu completa. Bonita, Popular, simpática e claro ótima em todo e qualquer esporte que pintar. Clara me olhou enquanto eu caminhava em direção ao refeitório. Acho que nem Cersei Lannister sofreu tanto na caminhada da vergonha como eu agora, perder meus amigos, perder toda a popularidade e claro meu status de rainha do milho. As pessoas me olhavam e eu continuava a andar, era como se o corredor nunca acabasse, eu estava vivendo um dos piores momentos da minha vida. — Você não respondeu o bilhete. — Uma voz falou perto do meu ouvido. Era Paris me cobrando a resposta que eu não havia lhe dado no meio do corredor, peguei uma bandeja e coloquei meu prato e os talheres, tentando ignorar que Paris e Amanda estavam atrás de mim. Depois de me servir na cantina, fui pra uma das mesas vazias, eu só queria ser arrancado daquele lugar o mais rápido possível. Coloquei meu fone de ouvido e consegui almoçar, ainda que com medo de ser zoado pela forma que eu como, cena que defino como uma tartaruga tentando morder um pedaço de cenoura. Mas assim que comecei a comer, tomei um susto, Amanda logo sentou na minha frente e Amanda ao meu lado. — Nós sabemos seu segredo! Transferido no meio do ano, ou você foi expulso ou seus pais se divorciaram. — Amanda falou. — Só pra deixar claro, não temos problema com isso, só queremos ser suas amigas, sentimos algo muito diferente vindo de você. Algo místico. — Amanda falou e eu sorri. No meu fone alguma música da Kim Petras, acho que me senti uma bruxa na mesma hora. — Olha eu não vou mentir que tenho minhas origens místicas, mas não acho que tenho tudo isso. — Falei sorrido. — Sua aura é vermelha, agitada como uma chama, você é especial, você pode não saber ou acreditar, mas isso está emanando de dentro de você... — Paris falou sorrido, quando Tweedledee para enfrente a nossa mesa e fixa o olhar para a as meninas. — As estranhas já estão recrutando? — Danilo falou. — Volta pra ilha dos boqueteiros de onde você veio Danilo. O Pedro está com a boca ocupada no momento? — Amanda falou. — UUUUU a bruxa sabe se defender. — Ele retrucou. — Devo ser bruxa mesmo, consegui até te transformar em algo ainda mais desprezível do que você já é. Acho que nem um sapo consegue ser tão desprezível quanto você. — Amanda falou e Danilo continuou a falar até que uma presença no mínimo inesperada pra mim apareceu. Era Clara. Minha irmã olhou pra Danilo e antes de falar algo amarrou os cabelos num largo rabo de cavalo. — Cara você acha que isso te faz mais homem? Discutir com uma garota?! Sério? — Clara falou e antes de conseguir falar outra coisa, Danilo saiu e foi de encontro aos seus amigos. Clara simplesmente girou em seus pés e saiu em direção a mesa das Garotas da torcida. — Essa é sua irmã né? — Paris perguntou. — Sim, essa é a Clara. — Falei. — Mas falta um... — Amanda continuou. — Mas como você sabe? — Perguntei. — Vocês são trigêmeos? — Paris perguntou quase em afirmativa. — Somos. Clara, Christopher e eu, mas como você sabe? — Perguntei. — Tenho um senso mediúnico muito bom, quanto estou perto de Amanda só cresce e vice e versa. — Paris falou. — Bruxas? — Perguntei. — Com toda certeza! — Amanda respondeu sorrindo. Amanda era magra, tinha um cabelo cacheado preto e olhos pretos, com uma particularidade bem grande, ela parecia uma pessoa de outro o mundo. Amanda era pálida, um pouco mais encorpada e de cabelos claros, curtos lisos com um corte quase reto. — Se quiser, podemos matar a próxima aula e te mostrar a escola. — Amanda falou e eu abri um sorriso. — Claro que topo! — Falei pegando minha mochila e finalmente desligando meu fone, levamos as bandejas até a copa e antes de finalizar o intervalo, saímos em direção aos corredores vazios da Sattori.