Wizard

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Boa tarde a todos!!! Se vocês amam essa história assim como eu, leiam as notas finais ok? Mas até lá, divirtam-se!!!

A cerimônia foi bem simples, era uma espécie de pódio, um círculo elevado, aonde eu e a Cláudia íamos nos posicionar. Ambos usavam as roupas de gala, ela um vestido tomara-que-caia verde com uns poucos detalhes marrons, mostrando de certa forma a sua ligação com a natureza, apesar de verde e marrom não combinarem muito ficou muito bom nela. “Ela tá linda nesse vestido.”, pensei enquanto ela andava e subia ao pódio. Quando anunciaram o meu nome, eu subi e senti todos os olhares pra mim. Vestia um terno preto, com a blusa azul clara e a gravata azul escuro, o colar por cima de tudo. Recebemos as congratulações de todos, dois troféus pequenos e um buquê de flores.

Quando finalmente chegou à parte que todos queriam ver, me sentei na cadeira atrás de mim e respirei fundo. A Cláudia fez o mesmo, ela me encarou, nem precisava de palavras pra saber o que se passava na cabeça dela. “Ela quer mesmo as Cromatinas, não vou mesmo convencer ela do contrário.”, pensei me lembrando das diversas brigas que tivemos depois de termos ganho. Ela insistia em ficar com as pedras, mas eu não ia aceitar de forma alguma.

O primeiro de todos foi o Guto, ele subiu e retirou do bolso um esfera marrom com cerca de uma polegada de diâmetro. Colocou sobre a bandeja e se retirou sem dar uma palavra. Sentou na cadeira dos fundos e escondeu o rosto em ambas as mãos. Depois a Júlia, os olhos fundos mostravam o quanto ela chorou, mas agora tinha um olhar firme e uma postura decidida. Retirou o colar do pescoço, o colar era de prata e tinha como adorno apenas o pingente, uma pedra meia quadrada, não tinha mais que um centímetro de lado, depositou na bandeja e olhou pra nós.

– Cuida bem dela ok? – Ela se dirigiu a mim e depois desceu. Depois foi o Caio, ele colocou um bracelete com o que a princípio achei que fosse quartzo, mas mostrou um pedra transparente, muito bem lapidada, um prisma comprido, cerca de três centímetros por um. Colocou lá fez uma leve referência e saiu. Por último foi o Arthur, ele subiu rapidamente, tirou a pedra meio amarelada do bolso, jogou na bandeja e saiu resmungando baixinho. Apesar da raiva eu o compreendia, não era natural você ser forçado a se separar da sua Gem Navitas.

– Bom, como todos já se despediram das suas pedras é hora dos vencedores dividirem o espólio. – Disse calmamente o meu pai, sentia a felicidade dele por ter vencido, mas ele não se sentia confiante por causa da minha decisão. A Cláudia e eu levantamos ao mesmo tempo e paramos em frente da bandeja, escolher não ia ser muito difícil ,mas ela tocou de leve na minha mão. Eu olhei pra ela, por um instante pensei que fosse pedir todas, mas olhei nos olhos e sabia o que ela havia decidido. Levantei a cabeça e disse em voz alta:

– Eu renuncio as pedras. – Todos se sentiram surpresos, exceto eles, já que eu havia expresso a minha opinião antes de tudo. – A minha parte eu entrego aos antigos donos.

– Eu também renuncio as pedras. – Ela disse com os olhos fechados. Ela os abriu lentamente e focou em um ponto ao fundo. – Eu entrego a minha parte aos antigos donos. – Dito isso ela voltou e se sentou na cadeira. Eu segui o movimento e observei, um a um, subir de volta e pegar as antigas pedras, sempre com um enorme sorriso no rosto e agradecendo sempre que podiam. A Júlia literalmente pulou em nós dois e — em meio aos diversos abraços e beijos — agradecia. Depois o mais velho da família trouxe uma caixa, ele abriu e de lá dentro tinha duas pedras marrons, do tamanho de bolinhas de gude. Eu e ela pegamos e a erguemos, pra que todos vissem que aceitamos. Ela a guardou no bolso, eu subi na bandeja e posicionei o meu colar nela. Coloquei a Cromatima a poucos milímetros do Pendante e disse o encantamento pra uni-las:

Quod vicissim magicae, Quod ergo imperfectum est perfectus. – O pendante emanou um brilho azulado, atraindo a Gem Navitas da minha mão com uma força maior do que eu esperava. Assim que se chocou, a pedra ficou marrom ,aos poucos fios azuis iam tomando forma, se ajuntando e formando linhas mais grossas até ela voltar a ser azul. Um símbolo no topo emitiu um brilho marrom, agora eram três sobre o meu controle. “Poucos tiveram três pedras.” Pensei voltando com o pendante para o pescoço. “Acho que mais que isso seria… poder demais.”

– O que foi isso? A Cláudia se aproximou lentamente.

– Eu fundi as pedras. – Disse calmamente. Ela suspirou e se sentou eu repeti o gesto. Esperei as formalidades terminarem, o meu tio anunciar a data dos meus treinos, vulgo todo final de semana. Depois começou uma pequena festa, o tema era uma referência aos poderes daqueles que ganharam, o que acabou sendo muito natural. Mas mesmo assim foi uma boa festa, apenas nos divertimos, merecíamos depois do que passamos no torneio. Depois de cada um me parabenizar pessoalmente, saí de vista e fui até o lago. Sentei um pouco afastado da margem, em um tronco caído.

Respirei fundo e olhei ao redor, as diversas árvores ao redor — que estavam em uma luta lenta e silenciosa por espaço e luz — mas agora a noite todas elas dormiam tranquilas, os mais diversos pássaros que também relaxam na copa as árvores, sentindo-se protegidos dos seus predadores. Ouvia-se, vez ou outra, algum animal noturno, como uma coruja, apesar de não ser o habitat natural dela, vivia por ali tranquila. Ela pousara em uma árvore próxima a mim e observou ao redor. Uma leve brisa fez pequenas ondulações na água do lago, leve e úmido, fazendo-me sorrir.

– Cansado? – A Carla, que vi rapidamente na festa, sentou do meu lado. Ela vestia uma calça jeans preta simples e uma blusa de renda azul, por cima de tudo um moletom também preto.

– Um pouco, mas valeu a pena. E você, como foi a viagem?

– Incrível! Tipo assim que saímos do helicóptero, pegamos um carro e seguimos pra… — Ela relatou durante quase uma hora a viagem dela, eu vez ou outra fazia uma pergunta, mas apenas escutei. Depois de um tempo conversando, o assunto acabou, então ficamos apenas olhando para o lago, a lua já aparecia e iluminava o lago, que refletia o céu estrelado, como se o céu tivesse descido e agora estava ao meu alcance, talvez eu fosse lá, se não fosse o Kraken que tinha ali. – Foi legal o que você fez. – O tronco rangeu quando ela se virou pra mim.

– Eu ter devolvido as pedras? – Ela concordou com um aceno. – Fiz o que eu achei que fosse certo.

– Por que? Eles não sabiam que podiam perder as pedras?

– Sabiam, mas eles não são os meus inimigos. – Eu virei e encarei ela. – Além do mais, sei como é perder a sua pedra. É… terrível.

– Queria ter participado. Ia ser muito legal ganhar de você. Fácil também.

– Fácil? – Eu me joguei em cima dela, rolamos até a praia, tentando um ganhar vantagem sobre o outro, até que deixei que ela ganhasse. Ela segurou meus braços no chão e me encarou ofegante. – Tá bom tá bom, eu me rendo.

– Viu, mais fácil impossível. – Ela deixou o corpo cair sobre o meu, senti o calor do seu corpo, as pernas roçando nas minhas, o peito dela sobre o meu. – Ele cresce bem rápido. – Ela levantou a cabeça e fez aquela cara, girei o meu corpo e fiquei por cima, a segurei pelos braços e a beijei, a mão dela passou rapidamente do meu peito para as minhas intimidades, separei nossos lábios apenas pra passar a ponta da língua pelo pescoço, fazendo com que ela soltasse um gemido baixo no meu ouvido. Passei uma das minhas mãos por debaixo da blusa, ela não estava usando sutiã, apertei de leve o mamilo, ela gemeu outra vez, isso só me deixava cada vez louco. – Eu disse que era a última vez, lembra? – Ela sussurrou antes de morder a ponta da minha orelha, apertei o seio dela com um pouco mais de força, ela arfou e fez um caminho de beijos e mordidas até o meu pescoço, onde ela mordeu com força.

Escutei um estalo vindo da floresta, mas não atrapalhou em nada, só nos separamos quando escutei uma risada e outro estalo. Ela levantou rapidamente e a palma da mão ganhou um brilho avermelhado.

– Quem é que tá aí? – Ela gritou. Ela fez um círculo de fogo a nossa volta, apesar de uma parte dela ficar nas margens do lago. – É bom se mostrar senão eu queimo a floresta inteira ouviu bem?

– Calligine Belli. – Logo uma densa neblina surgiu a partir de mim e foi até a floresta. – Fell the mist. – Parei pra sentir por alguns segundos, era apenas uma pessoa, fiz com que a neblina ficasse mais densa, até que pude saber quem era. Quando fui gritar o nome dela, escutei um barulho a quase um metro de distância, a neblina se desfazia rápido, por mais que eu tentasse mantê-la. Peguei a Carla pela mão e guiei até um lugar seguro, longe dos tentáculos do Kraken.

– O que foi aquilo? O circulo de fogo, simplesmente sumiu! – A Carla, que estava ajoelhada e com a respiração irregular, perguntou.

– Um Kraken. – Eu sentei perto dela, cruzei as pernas e foquei na minha respiração, até ela se normalizar. Ela me imitou e logo também conseguiu se controlar. – Ela que torna essa região tão especial.

– Ela anula os nossos poderes?

– Só quando estamos perto o suficiente. Mas cria uma espécie de domo enorme que impede que o governo nos rastreie.

– Você sabe quem é que estava nos olhando?

– Sei quem era, vamos precisar ter uma conversinha com ela.

Entramos na casa, subi até o telhado, assim que chegamos no topo vimos ela sair da floresta, ela olhou direto pra nós. “Te peguei.” Pensei com um pequeno sorriso.

Ela entrou e foi direto pro quarto, seguimos ela, a porta estava destrancada. Entramos e sentei em na beirada da cama. A Carla fechou a porta e trancou eu usei a água pra selar o vão e abafar o máximo a som.

– Se tentarem me ameaçar, eu conto pra todo mundo o que eu vi. – ela escorou em uma das paredes com os braços cruzados, certa de que nã ia se dar mal.

– Nós na verdade queremos que você não conte pra ninguém. – Disse com calma.

– E o que eu ganho?

– Não apanhar ia ser um bom começo. – Disse a Carla.

– Ou não ser jogada no lago, também é bastante interessante. – Eu falei escorando na parede próxima a ela. Ela olhou indecisa para o chão, mas a indecisão logo passou.

– Vocês não chegariam a tanto. – Eu ergui uma das mãos, da ponta dos meus dedos saiam pequenos raios violetas, a Carla criou uma pequena chama com as mãos. Ela recuou um pouco, eu desfiz a magia e andei calmamente até a janela, a água — apesar de bloquear o som – estava arrumada de forma que ficava transparente, como se fosse uma placa de vidro perfeita.

– Tá certo, e só pra saber eu não ia contar, e na verdade tava indo lá pra te dar os parabéns.

– Por quê? Nós não ganhamos juntos Cláudia?

– Nós ganhamos por sua causa. Se você não tivesse feito à tempestade infernal, provavelmente teríamos perdido. – Ela olhou de lado.

– Talvez, mas a Latin Silva me ajudou a recuperar, também merece consideração. – Disse, ainda olhando pra fora. Suspirei e me virei, olhei nos olhos dela por alguns instantes. – Nós ganhamos, juntos, é o que importa. – Ela também suspirou e abriu um pequeno sorriso. Liberei a magia da sala e abri a porta. – Vou voltar hoje pra casa.

– Por quê?

– Por causa do ano letivo, eu tenho aula amanhã, graças a Deus é só mais um ano de tortura.

– Boa sorte então.

– Pra você também. — Disse já saindo do quarto. Andei até a porta do meu e a Carla segurou o meu braço.

– É verdade, você vai mesmo embora hoje? – Concordei balançando a cabeça. – Pensei que quisesse ficar.

– E quero, mas pro resto do mundo eu tenho que ser um aluno exemplar. – Ela soltou o meu braço e olhou pra escada, o olhar triste que ela fez, quase me senti triste também. – Ainda tem as férias, feriados, relaxa, eu não tô indo pro matadouro.

– Eu sei. – Ela balançou a cabeça e sorriu. – Então até.

– Até. – Entrei no quarto e arrumei as coisas o mais rápido possível. Descia as escadas e me despedi de todos.

Demorou quase um dia de viagem — contando todas as paradas que fizemos – Até em casa. Assim que cheguei eu deitei na minha cama e dormi, uns três minutos, já que tive que tomar banho e seguir pro colégio. Coloquei o colar debaixo da blusa e fui confiante. Chegando perto dos portões, vi uma movimentação estranha, parecia que alguém estava apanhando, e feio.

– Pará, por favor, pará. – Aquela voz, era a Alice. Ela chorava muito, e o piro de tudo é que ninguém reagia.

– Só se você usar o seu poder. – Disse um garoto. Escutei mais um chute sendo dado e o grito dela. Passei com dificuldade pela multidão até a borda. Como eu esperava, era o Carlos e uns outros garotos, eles cercaram a Alice e a agrediam; ela já estava bem machucada, com cortes na cabeça e tronco, pelo modo como se mexia, acho que a costela e o braço esquerdo quebrados. – Vai usar ou não? – Vi de relance um dos agentes, ele não intervia em nada, apesar do olhar de desinteresse, parecia que sentia, de certa forma, pena da garota.

– Não! Não vou perdê-la, não por sua causa! – Ele riu alto e preparou um soco. Respirei fundo e corri na direção dela. Antes que ele desferisse o soco eu segurei o braço dele. Pulei a frente e protegi a garota. – Edu.

– Saí da frente, esquisitão, não é assunto seu.

– Vai parar? – Perguntei.

– É claro que não. – Ele olhou pros outros garotos e riu de novo.

– Ei Edu. – O oficial saiu do canto e se posicionou ao meu lado. Os oficiais, como era conhecidos, eram agentes do governo que nos fiscalizava, prendiam e que às vezes nos caçavam. Eles vestiam geralmente uma calça militar preta com detalhes prata, um par de coturnos, uma blusa simples, um par de luvas pretas e também preta e uma sobrecapa prata com botões prateados. Os de alta patente tinha uniforme diferenciado, montado a sua escolha, o daquele só se diferia no broche, uma cruz de malta prata com uma pedra de ônix no peito, muito bem lapidada. Ele era alto, cabelos e barba preta bem aparada, olhos negros e muito musculoso. – Tenho outros dois oficiais prontos pra atirar, mas desde que você não use os seus poderes, o resto a gente não vai se importar, muito menos relatar nada, ok?

– Mesmo se for pra estancar a hemorragia interna dela? – Ele olhou pra garota, por um segundo depois se voltou pra mim.

– Nesse caso abrimos uma exceção. Mas APENAS ESSA EXCEÇÃO!

– Ok. – Me ajoelhei e toquei a Alice, a palma da minha mão brilhou e o símbolo correspondente a água apareceu; ela balançou a cabeça e tentou se afastar, mas um filete de sangue escorreu pela boca dela. Concentrei e não só estanquei como fiz o sangue correr de forma correta. Assim ela não morreria até cuidarem disso no hospital.

– É sério mesmo isso que você disse? – O Carlos disse pra um dos oficiais. Ele ignorou e continuou a observar a cena. — O que garante que ele não vai nos matar?

– Nós. – Ele disse friamente.

– A qué sabe, que se foda todo mundo. – Ele correu e pulou na minha direção, na tentativa de me dar uma voadora. Coloquei a Alice nos braços e saltei para trás, ele usou a parede de apoio e tentou me chutar mais uma vez. Virei o corpo e deixei que o chute me acertasse, pra que ela não fosse atingida. Fui até o oficial e a deixei perto dele.

Me posicionei no meio da multidão, ele veio rapidamente, deu ums sequencia de socos, mas eu me esquivei de todos, no último eu segurei o braço dele com a esquerda, coloquei a minha perna direita por trás e o empurrei com a mão restante, derrubando-o no chão. Me afastei e me mantive atento. Dois dos garotos que estavam com ele se olharam e me atacaram ao mesmo tempo, esperei até o último segundo e me joguei pra direita, dei um rolamento e levantei dando uma rasteira no que me seguiu, o outro tentou ajuda-lo, mas tropeçou e caiu também. Poderia ter usado essa brecha pra atacar os dois, mas que queria, não, eu tinha que demonstrar autocontrole. Respirei fundo e esperei. Assim que levantaram, juntaram um grupinho de cinco e me cercaram, vez ou outra um me atacava, mas eu me defendia sem contra atacar.

– Por que ele não ataca chefe? – Um dos subordinados disse.

– Ele quer nos mostrar autocontrole, e de certa forma ele está certo. A maioria dos Wizards são pacíficos, uma minoria é violenta.

– Ele sabe da nova resolução?

– Ao que parece não, mas seria interessante se ele soubesse.

Chegou a um ponto onde eu não conseguiria mais apenas me defender, eles também perderam a paciência e puxaram facas, soco inglês. O Carlos sentou e apenas observava com calma.

– Acho melhor a gente intervir chefe, ele… — O Oficial levantou a mão e continuou a observar tudo com interesse. O primeiro tentou me socar, dei duas esquivas e chutei o peito dele, ele caiu no chão, sem ar, correu um pequeno filete de sangue da boca. “Droga se contenha, são só humanos.” Pensei quando o segundo veio de trás tentando me apunhalar, ao mesmo tempo em que veio um terceiro pela frente na mesma tentativa. Dei um passo a frente e no último segundo esquivei, eles não conseguiram parar a tempo e um atingiu o outro, uma facada no ombro e outra de raspão no rosto. Eles se afastaram ,me dando tempo pra desferir dois chutes, ambos no rosto, nocauteando-os. Os outros dois se entreolharam, jogaram as armas no chão e correu, o Carlos revirou os olhos e puxou de trás dele um revólver.

– Já chega disso. – O oficial interviu, mas ele virou a arma e atirou nele. A bala parou a meio centímetro do peito dele e depois caiu, como se tivesse se chocado com um muro de diamante, meus olhos ficaram azuis e minha mão brilhou, assim como o meu peito. A voz do oficial falhou, mas mesmo assim sussurrou um obrigado.

– O que? SEU FILHO DA PUTA!! – Ele gritou e atirou diversas vezes na minha direção, ergui a outra mão, fiz uma parede de gelo perfeita na minha frente, utilizando só a água que tinha no ar. A parede era fina, translúcida, as balas se chocavam contra ela mas causava pequenos danos, que logo se reparavam. Assim que o pente de balas acabou, ele puxou outro pente, mas foi impedido a tempo por outros dois oficiais.

– Impressionante! – Um dos oficiais disso pra mim. Ele retirou uma das luvas e tocou na parede, mas logo desfez o contato. Era meio gordinho, usava um bigode pequeno e tinha pele morena e olhos castanhos, cerca de 1,65m de altura. – É gelo mesmo! Quase não parece, mas é gelo! Incrivel! – Ele recolocou a luva. – Meu nome é Charlie, Cabo Charlie, perdão. Você é o Edu, não?

– Como vocês sabem o meu nome? – Perguntei, desfiz a parede e recuei um passo.

– Não se preocupa, não vai ser preso. Já levamos a garota para o hospital, nesse momento o estado dela é grave, já que assim que ficou afastada de você a hemorragia voltou, menos, mas voltou. Você não tem poderes de cura? O que você faz de Magia? Pode nos controlar? Tent…

– Charlie, calma, vai assustar o garoto. Eu sou o Capitão Oliveira, Líder do esquadrão da sua cidade, os Black Thunder. Viemos há um pouco mais de um mês, assumir essa cidade quando o manifesto da Liberdade saiu.

– Manifesto… da Liberdade? – Perguntei.

– É como vocês o chamam. O Manifesto, liderado por líderes influentes, revogou as leis e agora as leis que valiam apenas pra vocês valem pra todos, só que pra nós conta como armas de fogo. Já que as principais potências aceitaram, o nosso país não teve outra opção senão aceitar também. Vocês podem usar os poderes apenas pra legítima defesa, como você fez agora.

– Na verdade viemos hoje te fazer um convite. Já que essa nova lei impera pra todos, decidimos colocar um Wizard no nosso esquadrão, e ouvimos falar de você através de alguns contatos no Espírito Santo. – Disse Charlie.

– Então íamos vir testar você e encontramos essa cena. Desculpe não intervirmos, mas pensamos que a garota fosse revidar e não apenas se resignar a apanhar. Bom enfim, — Ele colocou a mão do lado de dentro da sobrecapa, eu me inclinei pronto pra correr, mas tirou de lá apenas um cartão. – Relaxa, não vamos te atacar. Se você tiver interesse, pode ligar e marcamos um teste. Eles entraram em um SUV preto e saíram em disparada. Corri até o hospital, parei apenas em uma banca pra comprar dois jornais. Assim que cheguei, me informaram que ela estava em uma área a parte, mas que poderia vê-la assim que a cirurgia acabasse. Sentei em um dos bancos e li os jornais, perguntei a alguns que passaram e confirmaram, realmente erámos livres agora.

– Eduardo, ela se estabilizou, pode vê-la agora. – Agradeci a enfermeira e entrei rápido. Ela estava com a cabeça enfaixada, o braço engessado e uma ou outra parte com pequenos cortes. Sentei do lado dela, a presilha ainda estava no cabelo, olhei para o médico que anotava rapidamente na prancheta.

– O quadro dela é estável, se não tivesse estancado, provavelmente não teria chegado aqui com vida. Bom, agora ela está em observação ,se tudo ocorrer bem, na semana que vem ela ganha alta. – Ele saiu, me deixando a sós com ela. Ela olhava pro teto, aquele olhar perdido que eu tanto conhecia.

– Só é eu sair que você causa problemas. – Eu disse dando um sorriso.

– Somos amigos a um dia e meio e já fala assim? – Ela disse sorrindo. Virou a cabeça pra mim.

– Então somos amigos?

– Tinha alguma dúvida? A propósito, o que eles queriam, não pode nos prender, não é?

– Vieram me recrutar. – Disse, olhei para a janela em frente, a vista era boa, em direção a floresta. As árvores estavam mais verdes e uma leve brisa passava por elas. O farafalhar das folhas chegava até o quarto, aquilo era muito bom.

– E o que você disse?

– Eu ainda não sei.

– Pelo menos – Ela disse, pegando uma das minhas mãos. – nós agora somos livres.

– Livres… — Disse sorrindo. “Mas até quando ela pode durar?” pensei. Abri um sorriso maior, aquilo realmente não importava, porque agora, podíamos usar magia. – Livres.

Notas finais
Bom agradeço a todos que leram até aqui, mas a primeira temporada infelizmente acabou Mas a fanfic continua, sim e tem segunda temporada. Vou me dar um tempo e escrever durante um mês, mas vou lançar no dia 25/12/2015 como um presente pra vocês, ok? Até lá, boa sorte a todos e aproveitem!!!