Wizard
18 Capítulo 1 - Second Season
Notas iniciais
— Onda Trovão! – Diversos raios saíam do meu corpo, formando uma nuvem violeta que se expandia rapidamente, os raios vez ou outra saíam da formação, mas logo voltavam. Caí exausto no chão, minhas mãos tremiam, queria desesperadamente comer e dormir, mas mal conseguia me mover. Respirava de forma rápida e irregular, minha visão começou a ficar turva, quando uma pessoa entrou no meu campo de visão. Senti a agulha perfurar o meu braço esquerdo, uma onda de energia percorreu o meu corpo, meu coração começou a bater cada vez mais rápido, meus músculos relaxavam e contraiam involuntariamente, depois de um tempo se estabilizou. Tentei levantar o meu braço, ele se moveu lentamente pra cima, fechei e abri a mão algumas vezes e segurei um bastão ao meu lado, dentro dele tinha pilhas, absorvi a energia e a usei pra descansar um pouco. Levantei, cambaleei até uma cadeira e me joguei nela. Assim que voltei a respirar normalmente, um cara puxou a cadeira e sentou a minha frente.
— Até quando acha que pode manter esse nível de treinamento? – Ele perguntou nervoso, mas apesar do tom de voz, sabia que estava bastante preocupado.
— Até eu conseguir…
— Mas se você morrer antes não vai adiantar de nada! Desisto de entender…
— Eu preciso… não, eu vou me tornar mais forte. Eu tenho que derrotá-lo e trazê-la de volta. – Disse confiante.
— Sim, mas nada além de descanso hoje, você já treina nesse nível há quatro dias, sendo que você não dorme a três! Volte pro seu alojamento até segunda ordem.
Contrariado, saí do ginásio e segui até um conjunto de prédios de quatro andares, entrei no último, subi até o quarto andar, encontrei a porta 403 e entrei. Joguei a bolsa no sofá, joguei as peças de roupa que tirava em qualquer lugar e entrei no banheiro. Liguei a ducha, coloquei na temperatura mínima e sentei embaixo dele, abraçando as minhas pernas e encostando a cabeça nos joelhos, fiquei parado na mesma posição por horas. Entrei em uma espécie de transe, absorvia a energia da água e recarregava a minha pedra, enquanto descansava. Ouvi, depois de muito tempo, alguém bater na porta e logo depois entrar. Ela seguiu o barulho do chuveiro e bateu na porta.
— Quanto tempo pretende se isolar do mundo? – Ela bateu mais uma vez, parecia bastante irritada. – Não vai responder? Então tá. – A porta de madeira simplesmente explodiu, pedaços e farpas voaram por todo o banheiro. Ela passou a mão na tampa do vaso, limpando-o, e sentou, enquanto me observava. – Você ficou aqui esse tempo todo? Devia de tá cansado mesmo.
— Bastante. Há quanto tempo?
— Dois dias. O síndico já começou a reclamar de novo da água.
— Eu não ligo, afinal eu pago a conta de todo mundo sozinho. – Suspirei. Levantei uma das mãos e desliguei o chuveiro. Apontei pra uma toalha, ela pegou e jogou pra mim. Levantei a cabeça e inclinei-a levemente em direção a porta, ela suspirou e saiu, não sem antes dizer:
— Que diferença faz, já vi você assim tantas vezes… — Sequei e fui até o meu quarto, vesti minha roupa, uma calça preta jeans e uma blusa azul da lacoste. Fui até a sala, ela estava sentada no sofá, observando um retrato em cima da mesa. O rosto dela parecia triste, tinha um olhar distante… — Você nunca me contou o que aconteceu… — Ela disse pra mim, mas soava mais como um murmúrio.
— Sabe que é muito…doloroso pra mim reviver…tudo aquilo… — Sentei do lado dela, ela acariciou a minha coxa, eu peguei a mão dela e segurei por um instante. – Eu nunca vou deixar isso acontecer com você meu amor… nunca.
— Eu sei…
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Eu tinha acabado de sair do hospital, em uma semana ela teria alta, então por enquanto estava tudo bem. Devido ao tumulto, a diretora preferiu cancelar as aulas de hoje e deixar tudo pra amanhã. Então dei uma volta no parque e depois voltei para casa. Meu pai voltara para o emprego, apesar das férias remuneradas, ele tinha muito trabalho acumulado, por trabalho acumulado entende-se que eles deixaram de propósito a parte dele inacabada. Minha mãe, que até então ficava mais em casa, decidiu arrumar algum emprego, afinal “contas não se pagam sozinhas”.
Estávamos jantando, quando eles falaram do que iam fazer, o que queriam comprar, eu quase não falava, ainda pensava na ideia de entrar para o esquadrão. Ia ter que prender alguns Wizards, mas agora ele enquadrava qualquer um que quebrasse a lei, então talvez eu pudesse fazer a diferença. O meu pai colocou o garfo na mesa e juntou ambas as mãos antes de perguntar.
— Ouvimos alguns boatos sobre uma briga no colégio, que as aulas até mesmo foram interrompidas e que tinha alguns Oficiais por lá. É verdade? – Eu concordei com um aceno, mas continuava a pensar sobre o assunto. Ele parecia preocupado comigo. Minha mãe segurou a faca mais firme e perguntou:
— O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ? – Minha mãe perguntou, apesar de parecer calma, só de ter elevado o tom de voz sabia que eu estava com sérios problemas. Isso e o fato da faca ter derretido.
— Nada de mais. Uns caras batiam em uma garota por ela ser Wizard e eu a defendi. Só isso.
— E os oficiais? – Perguntou o meu pai, agora parecia um pouco mais interessado do que preocupado.
— Eles de alguma forma descobriram que eu tenho uma cromatina e… — Antes que eu conseguisse terminar de falar, minha mãe já subiu as escadas pra fazer as malas, eu continuei sentado junto com o meu pai.
— E?
— E eles queriam me recrutar.
— Recrutar? — Perguntou ele surpreso.
— Não sabem do manifesto? – Ele negou. – Pelo que eu pesquisei, os nossos direitos se equivalem aos dos humanos com armas. De certa forma foi uma melhoria imensa, agora podemos ao menos usar a magia pra nos defender, alguns esquadrões passaram a contar com pelo menos um Wizard no grupo, esse não foi diferente. Só não sei por que eu…
— Talvez porque descobriram apenas você.
— Eles querem me testar amanhã. – Entreguei o cartão pra ele.
— Seria bom você tomar bastante cuidado.
— Vou hoje pra Dreams, preciso treinar uma técnica nova, ela é bastante complexa, mas se conseguir fazer, será muito difícil deles conseguirem me derrotar. – Coloquei o meu prato na pia e subi. – Boa noite pai.
— Boa noite filho. – Fui até o meu quarto e fui dormir; entrei em Dreams e treinei o máximo que eu pude…
…
Estava em frente a sede dos Black Thunder. Era um prédio simples a primeira vista, tinha três andares, o último com celas, o primeiro e o segundo a parte burocrática. Vesti a minha roupa preta e por baixo dela coloquei os meus pesos, pra tentar diminuir um pouco a minha velocidade e parecer normal. Entrei, a recepção era enorme, tinha três guichês pra relatar os casos e um pequeno mais ao canto, que controla a entrada e saída de funcionários. Fui até ele, a garota não devia de ter mais que vinte anos, baixinha, cabelos e olhos pretos, mas mesmo assim vestia as mesmas roupas da corporação.
— Eu fui ch…
— Por favor senhor, os guichês de atendimento, reclamação, relatório e quaisquer outros serviços prestados pela Corporação é a sua direita, retire uma senha e aguarde. – Pelo modo como ela falou, parecia que odiava ficar ali. Olhava com desinteresse, fazia gestos lentos e vagos, ela realmente odiava ficar ali.
— Mas eu…
— Como eu lhe disse senhor, os gui…
— Eu fui chamado pra cá. – Disse elevando um pouco o tom de voz. Ela firmou o corpo e me olhou com reprovação. – O Capitão Oliveira disse pra me apresentar e fazer os testes.
— Por favor, pouco importa o que você veio fazer aqui, apenas pegue a maldita ficha e SUMA DAQUI!!! – Ela se levantou, eu continuei parado. Ela em pé devia de ter uns 1,67m, era até meio engraçado vê-la irritada assim. – VAMOS! TÁ ESPERANDO QUE EU LEVE A CRIANCINHA DE MÃO DADA? – “E lá se vai a minha chance de entrar na Corporação.” Pensei.
— Pelo tamanho pensei que a criancinha aqui fosse você! – Disse com um sorrisinho no rosto. Ela saiu do guichê na mesma hora que o Capitão chegou, ele veio me cumprimentar, quando a porta do lado se abriu.
— SEU FILHO DA PUTA! – Ela tentou me socar com a direita, esquivei facilmente, mas na verdade passou de uma finta para um chute com a esquerda. Abaixei, usando o braço pra defender e saltei para trás. Ela acompanhou e desferiu mais dois chutes, desviei dos dois, assim que voltei a afastar ela puxou duas facas.
— Gabriela, já chega. – O Capitão disse. Ela não ouviu e lançou a primeira, consegui desviar, mas ela apareceu na minha frente, a ponta da faca a poucos centímetros do meu rosto. Por instinto, virei o meu rosto, não a tempo de ser pego de raspão. Em seguida girei o corpo e a empurrei com a palma da mão, ela deslizou uns dois metros, depois voltou a se equilibrar e saltou. Retirou do bolso duas facas de arremesso pequenas e atirou, desviei de uma, mas a outra acertou no me ombro.
— Os dois, quietos agora! – O Capitão gritou. Ela atirou uma última faca, dessa não teria como desviar, fechei os olhos e, por algum motivo, saltei pra frente. Quando voltei a abrir os olhos, estava a dois passos atrás da Gabriela, a faca caída no chão. Retirei a faca que estava no meu ombro e me sentei, me sentia bastante fraco. “Essa magia de novo…”
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