Wizard
19 Capítulo 2 - Second Season
Notas iniciais
— Você está bem? – Ouvi vagamente uma voz me perguntar.
— Acho que sim… — Foi o que consegui gaguejar. Tentei levantar, mas quase caí, ele segurou a tempo um dos meus braços. Entramos, ele me levou até a porta do vestiário, a meu pedido, entrei no chuveiro e fiquei por um tempo debaixo da ducha.
— Você realmente está bem? – Ele perguntou da porta.
— Vou ficar.
— Só uma dúvida, o que foi aquilo?
— O que você viu? — Perguntei.
— Acho que na sua posição eu responderia primeiro.
— Eu não sei e nem me lembro, por isso perguntei. – Disse calmamente. À medida que a água caia sobre o meu corpo, em vez de ganhar o calor do meu corpo e evaporar, fazia o processo contrário, ela perdia calor pra mim e voltava mais fria pro chão. Minha pedra já estava carregada, então não era necessário carrega-la.
— Você se desintegrou, evaporou, não sei dizer, só sei que você sumiu. Fiquei surpreso pela faca bater na parede e cair no chão. Depois, quando olhei pra Gabriela, vi você retirando a faca do ombro e tentando se sentar. Já aconteceu antes?
— Há algum tempo… Não é algo que eu saiba como acontece, só… acontece.
Fiquei algum tempo ali, depois me levantei e saí, minha roupa estava ensopada, mas poucos segundos já estava seca. Abri a porta e ele e a garota estavam lá. Ela virou o rosto, ele só olhou.
— Nem queira saber. – Disse. Ele me guiou até os fundos, junto com ela, ambos conversavam baixo demais pra escutar, e não queria me ariscar a usar magia ali. Fomos até um enorme ginásio, lá eles treinavam técnicas de combate desarmado, uma parte do ginásio estava fechada, era provavelmente onde treinavam com as armas.
— Bom, — disse o Capitão. – pra começar fica ali no centro. — Assim que começamos a caminhar, aos poucos os outros ali pararam de treinar e a focar em mim. Devia ter por volta de uns trinta, segundo o Capitão naquele dia todos estavam treinando. “Então eles vieram mesmo me observar. Esperto, mas totalmente imprudente, se eu quisesse mataria fácil todos aqui.”, pensei parando no círculo e observando ao redor. – O seu teste envolve aquilo que praticamente já sabe, vamos começar com os exercícios físicos.
Ele começou a passar uma série de atividades, como flexões, agachamentos, e outros mais, sempre com um oficial do meu lado; e pelo físico era muito mais forte que eu. Apesar de ter um bom físico, não importava quantas flexões eu fazia, ele sempre fazia melhor do que eu. Os outros começaram a sussurrar entre si o porquê de terem me chamado.
— Bom. Agora vê se descansa um pouco pra… — eu estava deitado no chão, completamente exausto. Nem mesmo nos treinamentos com o meu mentor eu havia sofrido tanto, e olha que treinávamos pesado. Precisei de alguns minutos ali até conseguir me levantar e voltar a prestar atenção no capitão, até lá ele já havia explicado boa parte da próxima atividade. — …então não pode usar sua magia ou nenhum dos golpes que eu falei ok? Você escutou realmente alguma coisa? – Fiz que não com a cabeça. Ele colocou a mão no rosto, demorou um pouquinho até começar a falar de novo. – resumindo, você vai enfrentar dez dos nossos em combates, ok? Cada um com a sua especialidade e só pode usar contra eles a especialidade… bom se eles lutam na mão você faz o mesmo, entendeu? – Concordei, apesar de ainda tá muito cansado. – Ótimo, vamos começar? O primeiro é o cara do seu lado, ele geralmente é muito bom em combate desarmado.
— Sou o cabo Almeida. – Ele disse estendendo a mão. O cumprimentei, que a propósito ele quase quebrou a minha mão, e depois nos afastamos quase dois passos. – As regras são simples: vê o círculo central? Aquele que conseguir tirar o outro dele ou o noutautear vence. Pode usa QUALQUER tipo de técnica, fatal ou não, desde que envolva apenas o seu corpo. Vamos começar?
— Espera só um instante, deixa eu me preparar rapidinho. – “Se continuar usando esses pesos é óbvio que eu vou perder.” Segui pro limite e retirei a blusa, ouvi uns murmúrios quando retirei os pesos dos braços, fiz a mesma coisa com o peitoral. Voltei a vestir a minha roupa, mexi levemente os braços. “Agora sim vou poder usar a minha velocidade total.” – Prontinho agora, podemos? – O fortão tirou a camisa, não se sabe pra que só pode ter sido pra exibir os seus músculos ou tentar me amedrontar, coisa que não deu certo. Voltei pro meu lugar e ouvi o tiro que dava início a luta.
Ele veio correndo, foi até fácil de se desviar. Ele fez isso outras duas vezes, antes de mudar de estratégia e esperar no centro. Continuei parado por alguns segundos ele continuou imóvel. Eu deitei no chão e ameacei tirar um cochilo, ele saiu da posição de guarda e ficou me encarando por alguns segundos antes de me perguntar:
— Você não vai me atacar?
— Você disse que as únicas opções de vitória são nocaute e retirar o oponente do círculo. Como o tempo é livre vou esperar você me atacar, não tem muita lógica eu ter que te atacar. – Houve muitas vaias e gritos de desaprovação, mas ninguém questionou a lógica disso. Depois de alguns minutos ele perdeu a paciência e correu pra minha direção. Eu desviei rapidamente e antes que pudesse parar de correr, chutei as costas deles, mas infelizmente ele parou na linha do círculo. Dei dois passos pra trás e esperei a reação dele.
— Humm, alguém inteligente. Se acha espertinho né, então vamos ver como você enfrenta isso, ele correu e armou um soco, eu desviei e ele socou o chão, pelo barulho sabia que se me acertasse eu provavelmente estaria noucauteado agora. Ele armou outro soco, mas era uma finta para um chute, protegi o corpo mas a força do golpe me arremessou pra um dos limites do círculo, ele correu pra lá, eu desviei e em vez de chutar eu corri para o meio. “Droga, ele é forte e quase tão rápido quanto eu. Droga, não queria retirar o das pernas.”
Continuei desviando e defendendo dos golpes dele, foi quando vi que ele já estava cansado, e eu, apesar das dores, ainda estava bem. Abri um pequeno sorriso e me ajoelhei, ele estava sentado tomando um fôlego. Retirei os pesos das pernas, agora iria com força total. Corre ao redor do círculo o mais ´rápido que pude, “se a física ainda se aplica aqui...”, eu pensei. Ele correu pra uma das pontas e firmou o corpo, ele já entendeu o que eu queira fazer. Eu corri na direção dele e dei uma voadora. Ele, em vez de desviar, ele resolveu segurar. Não foi tão forte, mas forte o suficiente pra fazê-lo cambalear, como uma das pernas estava presa nas mãos dele, coloquei todo o resto da minha força na outra e chutei o seu peito, fazendo-o cair fora do círculo. Eu caí um pouco depois, em ciam dele e depois no chão.
— O vencedor do desafio foi o Eduardo. – Disse um capitão com um sorriso de canto. Os outros estavam surpresos, afinal o cara era maromba e eu raquítico.
— Como?
— Um corpo ganha força quando em movimento, é a regra da energia cinética. Eu corri pra aumentar e força do meu chute e rezei pra que ele não desviasse e ao menos cambaleasse. O segundo chute foi pra terminar de perder o equilíbrio e cair.
— Vamos ao próximo então. O capitão disse. A Gabriela veio com um conjunto de facas dentro de uma caixa. – Escolhe uma. O próximo desafio é com ela.
Fale com o autor