With you.

2 Capítulo 2


–Eu. Vou. Matar. Ela! — Olivia disse após perceber que Clarissa havia tentado a queimar no jogo de queimada. Gargalhei.

Educação Física. Pra ser sincera, a pior parte do dia. Eu ODEIO aula de educação física. Se eu pudesse ficaria sentada o tempo inteiro, porém, prefiro fazer -ou melhor- fingir estar jogando como todas as outras garotas a escrever um relatório da aula, que é o que fazem os que escolhem ficar sentados. A quadra da educação física é gigante, porém nem tanto, não é como nos filmes, como eu desejaria que fosse, para me sentir em um filme gravado em alguma escola de Nova York. Ela é divida em duas, onde num lado ficam os meninos, e no outro as meninas. O 2º ano todo. O que é um saco, porque eu odeio ficar olhando para essas meninas que sobem o short lá em cima mas que graças a Deus são de outra sala. O lado bom: vemos os meninos jogando futebol. O que significa: regatas deixando a mostra os músculos, bermudas que destacam bastante os seus "popos", e o quão sexy eles ficam quando estão suados. Os meninos da minha sala não são tão bonitos. Mas os da outra, são maravilhosos. Só que, apenas um chama minha atenção ali.

–O que ta rolando? — Nat disse chegando com América

–Por que demoraram? — Perguntei, e desviei de uma bola

–Nathalia estava tentando vestir o short dela — América disse

–Engordou foi? — Eu perguntei rindo

–Há há há — Nat riu irônica — Bem que eu queria!

–Então qual o problema do short? — Olivia perguntou e se esquivou ao ver que Clarissa havia jogado novamente a bola em sua direção — Meu Deus! Essa menina tem algum problema comigo?

–Deve que ela já sacou o seu lance com o ex dela — Eu brinquei

–Ela tá é com inveja — Ela retrucou

–Voltando... — Nathalia disse ao perceber que sumimos do assunto principal: o short dela — Minha mãe comprou um novo só que acho que ela comprou do infantil — Quando ela o disse, gargalhei alto

–Com certeza, mas, ela não errou não miga — América disse e Nat fez bico

–E acho que o Mike gostou — Eu falei olhando o garoto sentado no banco do outro lado da quadra, encarando descaradamente as pernas de Nathalia.

–Então realizei minha meta! — Nat disse e deu um pulinho, começando a encarar Mike de volta.

–Só não empolga, deixa ele babar por você e não você por ele — Olivia falou e Nat concordou, jogando o cabelo pro lado. Gargalhei.

–Mia — Ela me chamou

–O que? — Respondi

–Vem no banheiro comigo. — Ela pediu

–Quer ajuda é? Pera ai que vou chamar o Mike — Eu disse, brincando, fazendo como se eu estivesse indo ao outro lado da quadra

–Aiai engraçadinha, vem logo — Ela falou e me puxou.

–O que que foi? — Perguntei. Nathalia nunca me chama em particular quando não se é coisa séria, e eu já estava começando a ficar meio preocupada.

–Não é só eu que está sendo encarada por alguém do outro lado da quadra — Ela sorriu malicioso e eu virei meu corpo. Meus olhos logo encontraram o novato, que estava escorado na parede com os braços cruzados na altura do peito, me olhando. Engoli em seco. E ele, ao ver nossos olhares se encontrando, desviou o olhar para o jogo. Senti minhas bochechas esquentarem.

–Não comenta isso pra ninguém! — Eu ordenei e Nathalia riu, e logo voltamos nosso trajeto ao banheiro.

Após a aula de educação física, todos fomos ao vestiário para tirar o uniforme e pôr a roupa que antes já estávamos usando, e assim já estávamos liberados para ir embora. Ao chegar na porta do colégio minha mãe me ligou me avisando que não poderia me buscar, porque teria que ficar no lugar de uma professora que havia ficado doente, e por isso, teria que voltar de pé. Bufei imediatamente ao imaginar a volta de pé para casa. Me faltava coragem. Porém, pensei, quanto mais cedo eu chegar mais descanso poderei ter. Então, respirei fundo e comecei meu trajeto.

–MIAAA! — Ouvi uma voz masculina me gritar. Virei-me para trás e avistei Jeremy sorrindo para mim e sorri de volta. Mas assim que reconheci quem estava a seu lado engoli em seco. Era o novato.

Jeremy era o meu melhor amigo. Ele tem 17 anos e está no 3º ano, 1 ano mais velho do que eu. Eu sempre o considerei um irmão que eu nunca tive mas sempre quis ter, e ele apareceu na minha vida quando eu mais estava precisando, de um modo estranho e inesperado. Havia feito 1 mês desde que meus pais se separaram e eu havia começado a beber para esquecer essa dor que me sufocava. Era a madrugada de um domingo e eu estava voltando sozinha para casa, nem tão bêbada, nem tão sóbria. Motivo? Nat ficou preocupada comigo e não quis me deixar beber mais. Então revoltei e decidi ir embora de pé até minha casa. Logo quando eu estava chegando, escutei risadas altas vindo de uma rua acima da minha casa. O medo de ser estuprada sumiu e a coragem apareceu graças ao poder do álcool. Subi até essa rua e encontrei um garoto sentado no meio da rua segurando suas pernas com os braços.

–O que você está fazendo? — Eu perguntei, começando a ficar com medo ao sentir o vento frio bater em meu rosto e me fazer arrepiar até a minha espinha.

–Eu sou uma bola de boliche! — Ele disse e começou a gargalhar. Soltei um riso.

–Tem certeza? — Eu perguntei, me aproximando

–Não! — Ele abriu um sorriso — Na verdade, sou um pino de boliche. Confundi — Ele disse e soltou outra gargalhada.

–Você está drogado? — Eu perguntei, sem me aproximar muito

–Só acho que me deram rupinol — Ele disse e fez um barulho com a boca. Um barulho de como se uma bola estivesse arrastando pela pista de madeira do boliche e assim, o garoto que eu não conhecia caiu para o lado fazendo o barulho alto que soa quando a bola atinge os pinos de boliche. Não aguentei, e comecei a rir.

–Você precisa URGENTEMENTE de ajuda — Eu falei indo até ele e o ajudando a levantar.

–Eu me chamo Jeremy Duncan, moça bonita — Ele disse assim que se levantou

–E eu me chamo Mia Tolentino, pino de boliche — Eu zoei e ele riu — Quer que eu ligo pra alguém? Tá com o celular ai? — Perguntei

–Não precisa, eu ligo — Ele disse e procurou o telefone — É, não vai dar. — Disse ao perceber que não estava com o celular

–Toma o meu — Eu falei rindo e o entregando meu telefone. Eu sei, eu não deveria fazer isso. Ele era um estranho, e acima de tudo, estava drogado. Mas, qual é! Eu estava meio bêbada.

Ele ligou para um amigo e me agradeceu, e foi embora. Ao chegar em casa vi que ele havia salvado o número dele em meu celular, e no outro dia mandei mensagem para saber se ele estava bem, e ele não se lembrava de nada. Contei tudo para ele, e assim a gente foi se conhecendo, nos tornando os grandes amigos que somos hoje. Fim.

–Jeremy! — Eu disse assim que ele chegou perto de mim. Ele me deu um abraço e começou a andar junto comigo, com o novato a seu lado.

–Me acompanha até minha residência? — Ele me perguntou, fazendo uma voz de mulher

–Acho que isso deveria ser ao contrário — Eu falei rindo

–Mas eu moro ali pertinho, e você mora tããããão longe — Ele fez um drama, e eu ri. O resto do caminho ficamos conversando e rindo, e o garoto a seu lado apenas escutando a conversa, sem dizer nenhuma palavra. Que constrangedor. Se fosse eu no lugar dele, ficaria com muita vergonha!

Já na porta da casa de Jeremy, me despedi dele e esperei até ele entrar. Ao virar para continuar meu caminho, dei de frente com o novato, que me olhava.

–Pode me fazer companhia? — Ele me perguntou. Era a primeira vez que eu ouvira sua voz.

–Ér... — Eu não sabia o que dizer. Estava completamente paralisada, nem sequer sentia meus músculos do corpo mais. Ouvi uma voz de dentro dizendo "coragem Mia, cause uma boa impressão!" e me soltei -Aonde você mora? — Perguntei

–Do lado do Seniors — Ele respondeu

–A casa de festas? — Retruquei

–Aham.

–Eu moro perto de lá, então, posso te acompanhar sim — Respondi finalmente sua primeira pergunta. Por fora, eu parecia uma garota normal, do lado de um garoto normal, com uma expressão facial de mais indiferença possível. Mas por dentro, eu estava saltitando em cima de um unicórnio passando por nuvens de algodão doce em direção a um arco íris de jujubas coloridas. Dei um sorrisinho com tal pensamento. Ele morava perto de mim. Ai. Meu. Deus!

–Qual o seu nome? — Ele perguntou, enquanto íamos no mesmo caminho que já estávamos indo antes. Essa pergunta me deixou sem palavras. Eu estava viajando na maionese e ai PAM! Tipo, que? Eu não lembrava meu próprio nome?

–Mia. Mia Tolentino. — Eu respondi

–Mia? — Ele me perguntou dando um risinho

–Sim — Eu o olhei curiosa

–É seu nome mesmo ou é tipo apelido? — Ele perguntou e eu senti meu sangue ferver

–É o meu nome — Eu respondi com a voz já firme — E qual o seu nome?

–Peter. Peter Donovan. — Ele respondeu

–Ah! — Eu exclamei — Peter tipo Peter Pan né? — Eu perguntei

–Não — Ele engrossou sua voz

–Ah então é Peter tipo piter? — Eu perguntei, percebendo a pequena raiva que eu estava causando nele. Qual é? Ele quem começou

–Se pronuncia assim. Mas é Peter tipo Peter Donovan. Não Peter Pan. — Ele disse sem olhar em meus olhos. Consegui deixá-lo com raiva.

–Nome interessante — Eu comentei

–Obrigado — Ele agradeceu. Ficamos alguns minutos em silêncio, até que ele resolveu abrir a boca novamente:

–Eu já tive uma iguana chamada Mia. — Comentou. Sentir meu sangue ferver novamente. Ele estava me provocando?

–E eu já tive um peixe chamado Peter — Eu retruquei. Iguana? Por favor né!

–E eu acho que você já deveria entrar — Ele disse assim que chegamos em minha casa. O olhei com dúvida. Como ele sabia onde eu morava?

–Como você sabe onde eu moro? — Eu perguntei

–Jeremy já havia comentado comigo sobre você um dia quando passamos aqui em frente — Ele disse — Só não sabia que seu nome era tão cafona — Ele falou tentando controlar o riso

–Ah! Sério? -Ironizei — Pena que Jeremy nunca havia me dito sobre você — Eu disse e abri a porta da minha casa — Quer saber? Pena nada! Obrigada pela companhia. Tchau, Peter — Eu disse e fechei a porta.

–Tchau, Mia — Ouvi ele dizer antes dele sair da porta da minha casa.

Aquele menino era irritante! MUITO irritante! O que ele tem de beleza, ele tem de chatice. Meu Deus! Respirei fundo.

–Foram os 15 minutos mais esquisitos da minha vida! — Eu exclamei pra mim mesma, antes de começar a sorrir pro teto, e ir para o meu quarto. Amanhã seria um dia bastante interessante.