With you.
3 Capítulo 3
Ouvindo o irritante som do meu inesperado despertador, resmunguei mentalmente. Minha mãe logo apareceu, fingi de morta.
–Não vou cair nessa. Vamos logo, levante — Ela disse entrando dentro de meu quarto e abrindo as cortinas. Resmunguei alto ao sentir os raios solares invadirem meu quarto. Peguei o travesseiro e apertei contra meu rosto. Estava pensando seriamente em mudar para a turma da tarde. Se ela existisse. — Vamos logo! — Minha mãe exclamou ao sair do quarto — Não quer ver o Peter Pan?
–Juro que me arrependo de ter te contado — Eu disse ainda com o travesseiro contra o rosto. Escutei o som de sua risada e logo passos indicando que minha mãe não estava mais por perto. Respirei fundo, e tirei o travesseiro do meu rosto. — Coragem — Sussurrei. Levantei, fui ao banheiro fazer minhas necessidades e escovar os dentes, e logo estava de volta no meu quarto, já no guarda-roupa revirando tudo o que tinha para procurar algo bom para me vestir hoje. Sem querer admitir para mim mesma, mas queria impressionar alguem hoje. Na verdade, duas pessoas. Thomas, para mostrar para ele o que ele perdeu. E, sem falar em voz alta, Peter Donovan. Por que? Sinceramente, não sei. Porque, por mais que eu me ache bonita, não me acho SUPER bonita e não acho que eu seja o tipo de garota que Peter Donovan gosta, em comparação a sua ex. Sempre tive problemas com autoconfiança, e depois de Thomas ter me traído, isso apenas piorou. Antes dele eu já não achava que fosse o suficiente pra ninguem. Mas quando ele me quis, fiquei encantada e pela primeira vez, me achei super hiper mega gata. Porque Thomas Pryce é o tipo de garoto que não sai pegando qualquer uma, ele tem seu ideal de beleza. Que rídiculo né? Pois é, como uma garota como eu fui me apaixonar logo por um desses. Era ingênua demais. D-e-m-a-i-s.
...
Thomas Pryce. Se ouvir alguém falando esse nome, já pode sair correndo, não vale a pena ouvir falar dele. Ok, exagerei. No final das contas, ele até me pediu desculpas e foi legal comigo. Só que, isso não muda o que ele fez. Eu nunca fui o tipo de garota vingativa ou coisa do tipo, na verdade, eu até o perdoei, não guardo nenhuma mágoa dele. A única coisa que tenho vontade de fazer é, mostrar para ele o que ele perdeu. Por mais que no fundo no fundo mesmo, eu não ache que ele perdeu muita coisa. Autoconfiança ai de novo, quem entende?!
Nossa "história" é bem típica. Thomas Pryce é o tipo de garoto pegador da cidade. Que não vale nada, e que já não tem uma fama muito boa. Ele começou a conversar comigo, e era bastante gente boa. E eu tentava negar pra mim mesma a tamanha atração que sentia por ele, devido a tantos males que falavam dele por ai. Ele começou a dar em cima de mim, e eu me sentia atraída por ele quanto ele agia de tal forma comigo. Então, já tendo em mente do que poderia acontecer futuramente, fui atrás dos meus amigos e amigas mais íntimas para saber o que achavam sobre Thomas Pryce. O.K, eu admito, sou um pouco teimosa. Todos falaram que ele não vale nada, e que teria grande chance de ele me trair. O.K, um pouco teimosa, um pouco boba. Eu fiquei com ele mesmo sabendo das chances que ele tinha de me trair. Porque, querendo ou não, eu gostava dele, gostava das nossas conversas e eu morria de vontade de ficar com ele. Então, ignorei a todos e fui em frente. Segui meu coração. Hoje, quando me chamam de boba ou algo do tipo, apenas falo a verdade. Digo que segui meu coração, tive esperança em relação a ele, uma coisa que poucas pessoas têm, e que na verdade eu não me arrependo do que passamos. Ele pode ter me traído, me feito chorar noites e noites, mas no final das contas, vou sempre ser grata a ele por ter me fortalecido bastante. Por ter me feito crescer. Algumas vezes, as escolhas feitas pelo coração são as que nos levam para o poço, no final. Só que o que as pessoas não percebem é, a enorme e boa aventura pelo qual passaram. Podem ter sofrido no final, mas a dor que sentiram não chega nem perto da felicidade que passaram antes disso acontecer. E o melhor, o melhor vem depois do final. Depois de cair, levantar. E a gente sempre levanta mais forte. Por isso, eu quase nunca nego nada. O sofrimento é uma dádiva. A melhor coisa do mundo é o que passamos depois de sofrer. É como se nascessemos de novo. Inclusive, está escrito: "O fim das coisas é melhor que o seu ínicio, e o paciente é melhor que o orgulhoso." ECLESIASTES 7:8.
E então, hoje, não me arrependo do que passei com Thomas Pryce. Por mais que ele tenha me feito chorar e sofrer bastante, agradeço ele mentalmente por tudo isso. Eu acho que ainda o amo. Não sei, mas tenho vontade de mostrar para ele o tempo inteiro que estou melhor sem ele, por mais que isso não seja totalmente verdade. Sinto um calafrio percorrer por todo o meu corpo toda vez que nossos olhares se encontram e, não sei o que se passa na mente dele quando me olha. Só que, nem por isso, eu teria coragem de voltar a ter algo com ele. Não mesmo. Ele é um idiota.
Eu? Bipolar? Quem sabe. Cada um tem seus momentos.
No final de tudo, Thomas veio até mim me pedir desculpas, e ele estava acabado. Totalmente acabado. Com o rosto inchado e com uma expressão de derrotado a todo o tempo. Nesse momento, eu queria voltar com ele. Meus sentimentos por ele estavam á flor da pele e eu queria dar uma segunda chance pra ele. Por mais que o medo dominasse o meu coração. Só que Thomas foi sincero, e me lembro até hoje de suas palavras. "Me desculpa pelo o que eu fiz, Mia. De verdade. Na minha opinião, mulher nenhuma deve chorar por homem algum. E eu sinto muito pelo o que eu fiz. Por mais que eu queira ter algo com você ainda, eu sei que não é o certo a se fazer, porque o que eu fiz com você foi errado, muito errado. Você merece alguém melhor. Eu sei do que fiz e sinto medo de que se voltarmos, eu fazer novamente. Quando eu bebo, fico inconsciente. Enfim, você merece alguém melhor." Quando ele me disse isso, não acreditei em quase nada. Achei rídiculo a parte dele dizer que tem medo de fazer isso comigo, tipo, QUE? Mas admiro ele ter pedido desculpas.
Hoje, tento ao máximo não me lembrar disso. Porque querendo ou não, quando me lembro da cena dele beijando outra garota meu coração parece se partir ao meio novamente, sinto a mesma coisa que senti naquele momento, e foi a pior coisa do mundo. Nunca queira sentir essa dor. Apesar de que, todas nós mulheres, na minha opinião, merecem passar por isso. Não pensando na dor, porque é péssima. Mas sim no que vem depois. Sinceramente, ajuda bastante. E nos ajuda principalmente a não cometer certos erros nos relacionamentos futuros.
...
–Você ainda não se arrumou? — Minha mãe disse ao me observar sentada na beira da cama, com o olhar focado no chão. Eu havia me perdido completamente em meus pensamentos.
–Foi mal, ja vou começar — Eu falei me levantando. Parei, e olhei para o meu quarto. Dei uma volta só para reparar em meu quarto. Ele estava bagunçado. Muito. Mas me veio um flashback a mente de quando eu praticamente implorei pra minha mãe para eu poder ter o quarto que eu sempre sonhei em ter.
Meu quarto era de um tamanho médio, na forma de um quadrado, com as paredes brancas e cerâmicas ao chão também brancas. Ao lado direito, a porta, num canto, e ao seu lado um guarda roupa num tom de madeira se expandindo pela parede desse mesmo lado toda. Minha cama, no centro, junta á parede, com uma coberta grossa da cor roxa com algumas borboletas brancas, dois travesseiros, e vários bichos de pelúcia sobre a cama inteira. Em frente dela, em um painel no alto, uma televisão, e abaixo, uma mesa para estudos com uma cadeira giratória, tambem roxa. Já mencionei que minha cor preferida é roxo? Pois é. Ao lado da mesa, no canto do lado esquerdo, um puff (também roxo), e logo acima dele, um painel gigante aonde tinha várias fotos grudadas nele. Fotos minha com todas as minhas amigas e amigos, e principalmente, com os meus pais. Antes tambem tinha o Thomas, mas já foram retiradas, rasgadas, e queimadas. Sou tradicional, né?! Ao lado do painel uma janela grande, que seguia até o chão onde ali já havia um bem pequeno sofá sem suas bordas já grudado na parede. Seria ali onde eu poderia ficar sentada olhando as estrelas quando eu estivesse bastante emocional. E finalmente, do lado da janela, um espelho que vinha do teto ao chão (tive que convencer bastante minha mãe para poder me dar isso).
Vesti uma calça skinny preta e uma blusa de manga comprida da coleção Dream Out Loud, calcei um tênis cinza e logo peguei meu kit de maquiagem para ver se eu poderia melhorar a situação em que estava meu rosto. Logo depois da base, rímel, e um pouco do blush, me olhei no espelho. Iria eu chamar atenção de Peter Pan? Opa, Peter Donovan? Soltei uma risada ao me lembrar do dia de ontem. Pensei, será que ele iria falar comigo? Eu, como nas regras das meninas, NÃO iria falar com ele a não ser que ele viesse falar comigo. Não posso parecer interesseira. Respirei fundo, passei um pouco de perfume, peguei minha mochila e fui.
[...]
–Por que ele tinha que morrer? POR QUE? NÃO ERA PRA ACONTECER? ELES TINHAM QUE FICAR JUNTOS! J-U-N-T-O-S! — America tagarelava no meu ouvido sobre o fim do livro que ela havia lido, e pelo jeito, o final não tinha sido muito bom. Estávamos andando pelos corredores seguindo em direção ao banheiro e eu, sinceramente, não estava prestando atenção no que ela falava. Estava procurando alguém... Olhando por todos os lados com medo de que ela notasse. Dei uma risadinha pra fingir que estava a acompanhando. — Quem você esta procurando? — Ela parou de andar e me perguntou
–O que? — Saí dos meus pensamentos e me virei para ela, mas ao invés disso, me esbarrei com alguém.
–Opa — Ele disse pegando em meus ombros e dando um sorriso. Sorri sem jeito — Cuidado ai, tá parecendo uma iguana perdida — Ele disse e eu fiz bico
–Há-há! — Sorri cínica — Muito engraçadinho, você — Eu disse e tentei controlar a respiração. Eu estava nervosa, e meu coração estava batendo em uma velocidade incrivelmente rápida. Agradecia mentalmente ao barulho que estava tendo no corredor, a última coisa que eu queria era que Peter percebesse que eu estava nervosa. Tentei agir normalmente, só que, não sou uma boa atriz.
–Tenha um bom dia, Mia Tolentino — Ele disse e começou a sair de perto de mim, ainda mantendo o contato visual
–Peter Donovan... — Foi a única coisa que conseguiu sair da minha boca. Assim que ele saiu de perto, soltei o ar que estava prendendo.
–Hmmm, achou o que estava procurando? — Escutei uma voz e me lembrei que America ainda estava ali. Respirei fundo. — Você nem tá suando, eco — Ela falou tentando tirar o suor que escorria por minha testa
–Eu pareci normal? — Eu perguntei tentando voltar ao que realmente era normal
–Éééé... — Ela hesitou
–O.K., não responde! — Eu falei erguendo as mãos em sinal de rendimento e sai andando, voltando ao rumo que antes era o banheiro
–Como isso aconteceu? — America perguntou, já ao meu lado
–Isso o que? — Tentei me fazer de desentendida. Quem sabe ela esqueceria o que acabou de acontecer?
–Se acha que vou esquecer o que acabou de acontecer, desencana! — Ela falou e eu respirei fundo novamente
–Só não conta pra Olivia, tá legal? — Pedi olhando fundo em seus olhos e o sorriso que antes preenchia o seu rosto havia sumido
–Por que, Mia? O que tem de errado? Ela é sua amiga, o que tem demais ela saber? — Ela perguntou
–É verdade... Foi só uma conversa. — Eu falei entrando no banheiro. Tinha sido apenas uma conversa. Não era absolutamente nada demais. Só porque ele falou comigo, não significa que ele sinta alguma atração por mim ou que ele tenha vontade de ter algo comigo. Desiludi. Admito, ás vezes sou muito iludida em relação a essas coisas. As vezes ainda acredito em principe encantado. O que estava acontecendo era que, não estava acontecendo nada demais. Ele era só um garoto, conversando com uma garota. Talvez nem amigo ele queira ser meu, não era nada demais. Apenas uma conversa.
–Não acho que tenha sido apenas uma conversa pra você... — America disse ao meu lado
–Mas foi! — Exclamei e fui até o espelho
–Não tente mentir pra mim, garota! — Ela me seguiu — Sabe que pode conversar sobre essas coisas comigo... — Ela me disse olhando pelo espelho
–Só sei que tenho que evitar ao máximo sentir alguma coisa por esse garoto. Acho que a Olivia não iria achar nada legal — Eu falei arrumando a minha blusa
–E eu acho que, a Olivia como sua amiga iria entender se você começasse a gostar dele, e ela nem tem nada com ele, calma ai!
–Mas tem uma queda. Já é demais, isso o faz, ser dela, digo, eu não posso ter algo com ele se minha melhor amiga tem uma queda por ele também.
–Eu acho que... — America começou a falar novamente, mas eu a interrompi
–Chega! — Exclamei — Aquilo não foi nada demais, e eu não vou começar a gostar desse garoto. Não vou me permitir. Vamos apenas esquecer isso! — Praticamente implorei, e America cedeu, assentindo com a cabeça. Voltamos em direção a sala, tendo em mente que a aula logo iria começar.
Eu sabia que o que eu havia dito para America, era incerto. Mas tinha que parecer convincente e uma coisa que eu sabia tambem e tinha certeza era que, se por acaso, eu começasse a sentir alguma coisa por esse garoto, eu estaria ferrada. Não só por causa da Olivia, e sim porque Peter Donovan, assim como Thomas, cheirava a mal caminho.
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