With you
6 What's wrong with you?
Notas iniciais
POV Nico
Nico acordou sendo sacudido.
– Nico, Nico acorda — disse a voz de Will — A festa já começou.
– Eu tenho mesmo que ir? — Nico perguntou ainda deitado. — Eu não gosto de festa.
– Claro que tem que ir — Will respondeu como se Nico fosse um idiota. — Todo mundo está lá, você não é mais o esquisitão excluído, anda.
Nico se sentou e esfregou os olhos, aborrecido. Já era noite, Nico podia ouvir musica e gritos vindo de longe. Eles estavam sozinhos, Will estava sentado na cama ao seu lado, encarando-o com seus olhos azuis brilhantes.
– Que horas são? — ele perguntou ainda meio grogue.
– Dez horas.
– Uau. E a festá só começou agora?
– Na verdade, começou já faz uma hora, mas você precisava dormir, além disso, você estava num sono tão calmo — Will sorriu. — Estava tão lindo.
Nico tentou não corar.
– Estava me observando dormir de novo?
Will revirou os olhos e se levantou, estendendo a mão para o moreno.
– Vamos — ele disse. — Ponha algo no pé e vamos.
– Onde estão meus tênis?
– Você dormiu com eles, então eu tirei. Como você consegue dormir de tênis?
– Até quando você acha que a festa vai durar? — perguntou o mais novo, ignorando a pergunta de Will.
– Quer parar de ser tão antissocial? A festa está muito legal, você vai se divertir.
Nico colocou seus tênis e se levantou, os dois saíram da enfermaria juntos. Os outros campistas estavam aonde normalmente todos cantavam em volta da fogueira, mas agora, ainda tinha a fogueira, mas as pessoas estavam dançando e gritando com musica alta em volta dela. Até sátiros e ninfas estavam na festa. Por todo lado havia mesas com garrafas e copos. Will pegou uma as garrafas.
– Quer uma bebida? — Will gritou por conta da musica alta.
– Bebida? É bebida alcoólica? — Nico perguntou impressionado.
– Os irmãos Stoll nunca falham — Will gritou de volta com um sorriso animado.
O loiro colocou a bebida em dois copos e entregou um a Nico. A bebida queimou sua garganta, fazendo-o tossir. Will riu.
– Desculpe, esqueci que você só tem quatorze anos.
Nico olhou para ele teimoso, depois virou o copo de uma vez, ignorando a queimação forte na garganta. Quando terminou, Nico o olhou com um olhar superior e encheu o copo de novo.
– Você estava dizendo?
– Tudo bem. Só... vá com calma.
– Eu estou calmo - e um pouco tonto, ele pensou.
– WILL!!! — gritou uma voz atrás de Nico — NICO!!!
Nico se sentiu ser abraçado por braços pequenos, porem bem fortes.
– Laura — Will tirou Nico dos braços da irmã. — Nico não gosta de abraços.
Laura revirou os olhos.
– Ele é tão careta! Por que você gosta dele tanto assim?
Nico corou e Will segurou a risada.
– Quanto você bebeu?
Laura riu e encheu outro copo, sem tirar aquele sorriso e a animação do rosto.
– Não o suficiente. É uma festa Will! Sabe por que? Por que a guerra acabou. Sabe o que fazemos agora? A gente comemora! — ela jogou os braços pro ar e deu uns pulinhos. — E eu tenho que ir, tem um filho de Ares muito lindo tirando a camisa bem ali.
Ela bebeu mais um gole e foi correndo para junto de um grupinho de pessoas igualmente bêbadas.
– Você tem irmãos bem divertidos — Nico comentou com um sorriso.
– Beba mais umas doses e você vai ficar bem divertido também.
– Hey Nico — disse Jason se aproximando. — Eu achei que você não ia vir, por que você não gosta de festa e tal...
– Eu fiz ele vir — Will respondeu.
– Entendi — Jason riu e pegou uma das garrafas da mesa. — Quer se juntar a nós? Eu, Pipes, Annabeth e Percy estamos ali — ele apontou o dedo para trás de si.
– Ah... não, tudo bem — disse Nico, olhando para Percy que estava dançando um pouco feliz de mais.
– Ah qual é Nico! — Will começou a empurrar as costas do moreno. — A gente ia adorar.
Contra a vontade, Nico foi empurrado para perto dos outros, que dançavam ao som e uma musica que Nico desconfiava que só tinha uma batida.
– Pessoal! — gritou Jason. — Eu trouxe mais! — ele ergueu a garrafa e todos gritaram com as mãos para o alto e ofereceram o copo para Jason encher.
– Por que eu que tenho que encher os copos? — Jason reclamou.
– Por que você é o mais sóbrio de todos nós! — Percy riu e todos riram também.
Ele não está mentindo — pensou Nico, olhando para todos os semideuses, sátiros e ninfas sorridentes.
– Quíron concordou com isso? — Nico perguntou para ninguém especifico.
– Ele foi um dos primeiros a ficar bêbado — Annabeth disse tomando mais um gole.
– E você, Nico, devia ficar também — Piper sorriu e colocou a bebida de seu copo no de Nico.
– Calma ai gente — disse Will sorrindo e tomando mais um gole. — Ele só tem quatorze.
– Tecnicamente — disse Annabeth. -, ele é o mais velho de todos nós!
– É verdade — respondeu Percy, colocando seus braços ao redor da namorada. — Como eram os anos 40?
– Boa Percy — a loira tomou outra dose e se virou para Nico com os olhos arregalados. — Eu também sempre quis saber. E ai? Como era?
– Ahh... frio? — Nico riu e todos os outros também.
Ok– Nico pensou. — Talvez eu esteja um pouquinho bêbado.
Jason encheu o copo de todo mundo e depois levantou o seu.
– Ok gente, eu só queria dizer... não, dizer não. Eu queria agradecer a todos vocês, nós todos passamos por coisas horríveis, nós todos pensamos em desistir alguma hora, mas ninguém desistiu. E nós conseguimos, nós derrotamos Gaia, estando na profecia ou não — ele olhou para Nico. -, nós todos salvamos o mundo. E mesmo que nem todos nós tenhamos sobrevivido — ouve uma pausa. -, todos nós lutamos bravamente, somos todos heróis. Saúde.
– Saúde — responderam os outros bebendo suas doses.
Nico bebeu a sua e olhou para Will, ele não tinha bebido, ele não tinha brindado e estava encarando o chão.
– Ai gente! — gritou Connor atrás de Nico. — Vem todo mundo aqui!
Percy, Annabeth, Jason e Piper correram para ele, todos os semideuses correram para ele, mas Will não se moveu, ele só encarou o chão.
– Hey — disse Nico se aproximando do loiro. — Qual é o problema? Por que não brindou com a gente?
– Eu não sou um herói, Nico — ele disse baixo, era difícil ouvir com a musica. — Eu não lutei, eu não fiz nada, a unica coisa que eu fiz foi cuidar de heróis.
– Você salvou a vida de muitos — Nico disse segurando o rosto de Will, forçando-o a encara-lo. — Mesmo antes da guerra você já era um herói.
– Eu só cuido das feridas dos outros.
– Você cuidou de mim — o menor pegou a mão do loiro e a colocou em seu peito, sobre seu coração. — Curou as minhas feridas.
Will sorriu e se aproximou de Nico, que virou a cara. Ele não podia fazer isso na frente dos outros.
Will o olhou por um tempo, depois o puxou para longe da festa, longe da musica, longe das pessoas. Eles foram até atrás dos estábulos, Não havia ninguém lá, só os dois.
O loiro jogou Nico contra a parede e o beijou, o beijou com força, era um beijo profundo, selvagem e necessitado. O fato de eles estarem bêbados não teve nada a ver com isso.
Will segurava o rosto de Nico, enquanto o garoto passava as mãos por suas costas e seu peito, as vezes bagunçando seu cabelo também. Nico estava adorando aquela sensação, os lábios de Will eram grossos e firmes, e sua língua atacava a de Nico de forma selvagem, Nico retribua do mesmo jeito.
Cada gesto, cada gemido, cada respiração, fazia Nico querer mais e mais o garoto, de um jeito desesperado. Ele o amava, teve certeza naquele momento, se apaixonou em menos de um semana, e embora isso pudesse parecer loucura para outras pessoas, fazia todo o sentido ara Nico. Will era perfeito, desde a personalidade descontraída e irritante, até os lindos olhos azuis. Ele era perfeito de um jeito que Percy nunca foi.
Ou ele só estava muito bêbado.
Sempre tem essa possibilidade.
Eles estavam bem, até uma voz familiar os interromper.
– Ora, ora, ora. Você não perde temo, não é di Angelo? — mas a voz não estava sarcástica ou irônica, estava irritada.
Nico se desgrudou de Will e encarou Percy, parado a alguns metros deles com os braços cruzados. Uma raiva cresceu em Nico.
Será que nós não podemos ficar dois segundos sem sermos interrompidos?
– O que você está fazendo aqui, Jackson — Nico respondeu da forma mais rude possível.
– Eu vi vocês indo embora, então vim chamar vocês de volta para a festa, sabe, pra se divertir. Mas parece que vocês já estão fazendo isso sozinhos.
– Isso não é da sua conta — Nico se enfureceu. — Nunca foi da sua conta, Percy. Vai embora!
– Está bem, só estou esperando pra quando ele te trocar como ele troca uma atadura!
– O que?– Will gritou indignado.
– Isso mesmo que você ouviu — ele disse, com a voz tremendo de raiva — Nico não vivia aqui todo o verão, mas eu sim. E cada vez que eu vinha você estava com alguém diferente, as vezes com duas diferentes no mesmo verão!
– Ainda não entendi como isso pode ser da sua conta! — Nico gritou, fazendo a grama morrer por onde ele andava.
– Está bem então! Se fode ai! Eu não ligo! Não é minha culpa se você só se apaixona pelas pessoas erradas.
Percy de meia volta e saiu. Nico sentiu o rosto ferver de raiva.
– Fique aqui — ele disse a Will. Então foi correndo atrás de Percy.
– O que há de errado com você? Qual é o seu problema? — ele gritou, com os punhos cerrados.
Percy parou se se virou, andando em direção a Nico enquanto falava.
– Você! Você é o meu problema! A três dias, você disse que gostava de mim, agora está se pegando com o filho bonitão de Apolo!
– A três dias atrás, eu disse que gostava de você, disse que tinha superado você! E por que você se importa? Você gostou de ter mais alguém gostando de você? — agora ele e Percy estavam cara a cara, muito próximos.
– O que?
– Exatamente. Você já tem uma namorada que te ama e varias garotas caidinhas por você, você quer mais um? Quer a atenção de mais alguém? Não consegue entender como alguém pode deixar de gostar do fabuloso Percy Jackson?!
– Isso é ridículo! — Percy pareceu sem palavras — Eu...
– Então o que é, Percy? Qual o problema então? Porque eu não consigo entend...
Nico nunca terminou a frase, pois os lábios de Percy o impediram de falar.
Percy segurou o rosto de Nico e o aproximou,deixando quase nenhum espaço entre os corpos, Nico ficou paralisado, sem conseguir processar o que estava acontecendo. Até que ele se tocou e afastou Percy, limpando a boca com as costas da mão. Ele fitou Percy sem entender nada.
– O que...? — Nico começou, mas sua voz foi falhando. — O que... você... eu... Por que, Percy? — ele finalmente gritou uma frase inteira. — Você está brincando comigo? Por que você...
– Eu não estou brincando com você — Percy disse com uma voz cansada. — Eu não sei, Nico. Desde que você me contou, eu fiquei pensando nisso e eu... eu não sei, ok?!
– O que você está dizendo? Está apaixonado por mim? — ele disse em tom de deboche.
– Não! Eu amo a Annie e...
– Então por que me beijou?
–Por que eu... — Percy parou no meio da frase e tentou beijar Nico de novo, que o afastou.
– Não, Percy! Não! — Nico o fitou com lagrimas nos olhos — Eu fui apaixonado por você, por anos!Você sabe o quanto foi difícil deixa-lo cair no tártaro, sabendo o que você iria enfrentar? E por causa de Annabeth, o amor da sua vida? Sabe o quanto foi difícil ver em seus olhos que você me odiava? Que não confiava em mim? Que...
– Eu nunca te odiei — Percy o interrompeu em voz baixa.
Nico se virou de costas para o maior e fechou os olhos com força, tentando impedir que as lagrimas escorressem e que o corpo tremesse, mas sem muito sucesso.
Não– ele pensou. - Não vou chorar na frente de Percy.
– Agora que eu finalmente...consegui seguir com a minha vida você... você... agora que... — Nico sabia que ele não iria conseguir falar mas nenhuma palavra sem a voz de choro, então se calou, tremendo de raiva e frustração.
– Nico... — Percy tocou seu ombro, mas Nico nunca soube o que ele ia falar, por que um grito agudo de agonia cortou o ar.
A musica parou, outros gritos de dor e sofrimento surgiram, depois outros, gritos de panico, gritos de medo.
Percy e Nico correram para onde estavam os outros semideuses e paralisaram. Havia pessoas se contorcendo no chão, Nico reconheceu alguns deles, mas ele sabia quem eram os outros. Todos tinham cabelos loiros. Todos tinham um corpo atlético. Todos se pareciam Will.
Todos eram filhos de Apolo.
E estavam queimando.
Se contorcendo e gritando de dor no chão.
As chamas fortes soltavam brasas no ar, como vaga-lumes num céu calmo e estrelado em meio aos gritou de agonia.
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