With you
7 Go away
Notas iniciais
POV Nico
Nico acordou e foi direto pra banheiro vomitar.
Ele se lembrava de todas as vezes que ele via um filme e o personagem ficava numa ressaca tão forte que dizia que queria morrer, Nico costumava pensar: "como eles são moles, não pode ser tão ruim assim". Ele nunca mais ia pensar nada assim de novo. Por que ele queria morrer.
Sua cabeça latejava como se tivesse sendo martelada diversas vezes, cada célula em seu corpo pesava uma tonelada, ele estava morrendo de fome, mas ele sabia que não ia conseguir comer nada. Ele também não sabia quando ele tinha comido tanta coisa pra vomitar.
Ele se lembrou da noite passada, se lembrou de Percy dominando a água do lago para apagar os filhos de Apolo. Se lembrou de Will gritando para ajuda-lo a levar seus irmãos ara a enfermaria e gritando algo sobre queimaduras e infecções.
Will chamou seus outros irmãos para ajuda-lo, mas acabou expulsando todos da enfermaria, já que ele era o mais sóbrio do acampamento todo. Mas ele não expulsou Nico, Nico passou toda a noite cortando bandagens, pingando néctar e outras coisas nas queimaduras e ajudando como ele podia, mas acabou desmaiando de bêbado. Ele só se lembrava de acordar em uma das camas da enfermaria querendo abraçar a privada.
– Algum problema, querido? — disse uma voz doce e satisfeita ao seu lado.
Nico ergueu o olhar e viu Will, parado com os braços cruzados e um sorriso maldoso.
– Cale a boca — Nico resmungou aborrecido, depois vomitou mais um pouco.
– Lembra quando eu te disse para ir com calma na bebida? Tinha um motivo para isso, sabe?
– Talvez se você tivesse usado o "ordens medicas", eu teria obedecido.
Will riu e deu um copo com um canudinho para Nico.
– O que é isso? — perguntou Nico pegando o copo.
– O bom e velho néctar. Beba. Ordens medicas.
Nico sorriu e bebeu. Uns segundos depois ele estava se sentindo melhor, só com uma leve dor de cabeça e cansaço. Ouve um tempo que o néctar tinha gosto do bolo azul que ele havia comido na casa de Percy, mas agora tinha o gosto da primeira vez que Nico o bebeu, os biscoitos que sua mãe e Bianca costumavam fazer juntas.
Nico se levantou e escovou os dentes. Will tinha voltado a cuidar de seus irmãos, agora ele estava pingando néctar na boca de suas irmãs com um conta gotas. Nico se aproximou e viu que era Laura, a garota que o tinha abraçado na outra noite mas agora seu cabelo loiro estava mais escuro e bem mais curto, provavelmente cortaram a parte queimada.
– Como eles estão? — Nico perguntou delicadamente.
– Horríveis, com queimaduras de terceiro grau e é tudo minha culpa.
Nico pôs a mão em seu ombro e o virou de frente para si, olhando-o nos olhos.
– Não foi sua culpa.
– Se pelo menos Samuel fosse um dos que tinham sido queimados, mas nããããão — Will esfregou os olhos. — Ah meus deuses que coisa horrível para se dizer. E é tudo minha culpa.
– Não é sua culpa — Nico insistiu.
– Claro que foi. Apolo veio a mim e me pediu para cuidar deles! Mas ao invés disso eu estava... me divertindo.
Nico corou.
– É. Foi bem divertido.
Will sorriu e Nico reparou suas olheiras e seu olhar cansado.
– Você dormiu?
– Eu não tenho tempo para dormir.
– Claro que não. Que horas são? Você comeu?
– Todos estão almoçando agora. Mas eu não tenho tempo para comer.
– Ok. Eu vou buscar algo para você comer.
Nico olhou para os lados e se certificou que não havia ninguém acordado ali. Então deu um beijo rápido em Will e saiu antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
O refeitório estava deprimente. Ninguém falava e dava risadas, estavam todos quietos e com a cabeça baixa, a ressaca não perdoa ninguém. Nico resistiu ao impulso de olhar para a mesa de Percy ou da de Atena e pegou uma bandeja cheia de comida. Ele não queria pensar em Percy. Ele não queria ver Percy.
Um pouco antes de sair do refeitório, Nico viu Jason sozinho em sua mesa com a cabeça enterrada nas mãos e decidiu ver se ele estava bem.
– Tudo bem? — Nico perguntou com um tom preocupado que ele não sabia da onde tinha surgido.
Jason o olhou como um zumbi.
– Ótimo. Minha cabeça pode explodir a qualquer momento. Cuidado, você está na zona de respingo.
Nico o examinou preocupado.
– Por que não toma um pouco de néctar? Funcionou bem pra mim.
Jason o olhou confuso.
– Quanto você tomou? Eu já tomei quilos de néctar e não adiantou.
– Quilos?
– Não me corrija. Eu estou de ressaca.
Nico deu um sorrisinho.
– Tá bom, talvez Will misturou alguma coisa no meu néctar, vem comigo e ele pode misturar alguma coisa no seu também.
Jason pareceu considerar.
– Tudo bem. Aliás, onde vocês dois foram ontem a noite? Vocês simplesmente saíram e...
– Você não vai comer? — Nico o interrompeu rapidamente.
– Eu não consigo comer nada — eles andaram um pouco até Jason recomeçar a conversa. — Você não respondeu minha pergunta.
– Nós fomos atrás dos estábulos para nos pegar — Nico respondeu com a voz mais sarcástica e o maior olhar de deboche que conseguiu.
Jason riu e respondeu com o mesmo tom de sarcasmo.
– É bem possível que tenha acontecido, você nunca faz piadas.
Funciona sempre.
Eles puderam ouvir os gritos mesmo antes de entrar na enfermaria.
– Cinco dos meus irmãos estão gravemente queimados, Quíron! Era disso que Apolo estava falando, o que vamos fazer?
– A unica pista que Apolo nos deu foram os mortos, o único jeito é Nico, mas você não o deixa ajudar.
– Ele não é um jeito, ele é uma pessoa, Quíron. E ele não está em condições de ajudar.
– Ele parece bem pra mim.
– Posso ver seu diploma de medico?
– Posso ver o seu?
– Você me nomeou medico do acampamento!
– Por que eu pensei que você seria mais responsável!
– Responsável? Eu passei a noite toda cuidando deles e dos semideuses de ressaca. Aproposito como vai a sua ressaca, Quíron?
– Já chega — sussurrou Nico para Jason, entregando-o a bandeja. — Entregue isso a ele e o faça comer, diga que algo caiu na minha blusa e eu fui trocar ou qualquer coisa assim, eu já volto.
– Onde você vai?
– Eu vou resolver isso.
Nico correu até seu chalé e se sentou em sua cama. Ele se concentrou e captou energias ruins, como raiva, ódio e vingança. Ele captou almas, não, fantasmas, espíritos com muitos sentimentos ruins que emanavam deles. Nico sentiu um frio na barriga, eram espíritos vingativos.
Ele tentou chamar algum deles, mas como ninguém veio ele usou seus poderes para forçar um deles a aparecer eu seu chalé, estava quase conseguindo quando ouviu uma batida em sua porta.
Ele marchou a té a porta pronto para jogar um "o que é?" da forma mais rude possível para qualquer um que estivesse ali. Menos Percy.
E era Percy.
Nico ficou paralisado por um momento, assim como Percy, ele tinha as mesmas olheiras e p mesmo olhar cansado que todos. Uma onda de raiva atingiu Nico.
– Vá embora — ele disse secamente e tentou fechar a porta, mas Percy colocou o pé, impedindo-o.
– Espera, Nico, nós precisamos conversar.
– Você tem falado muito isso, é o seu novo bordão?
– Quer parar? Você está me machucando.
– Essa é a intenção — Nico gritou com a voz tremendo de raiva.
– Olha, eu amo a Annabeth...
– É serio? — Nico disse sarcasticamente, empurrando mais forte a porta. — Eu não tinha ideia, obrigado por essa informação super importante, agora por favor, vá embora! Eu estou fazendo algo realmente importante.
– Estou tentando dizer que eu não gosto de você e...
– Uau, você realmente sabe fazer alguém se sentir melhor não sabe? — Nico torceu para que Percy ão percebesse a pontada de dor em sua voz
Ele não vai perceber– ele disse a si mesmo. — Ele é muito lerdo pra isso.
O maior empurrou mais a porta, entrando e fazendo Nico cair no chão.
– Ok, escuta, eu amo a Annabeth...
– Eu sei! — Nico se levantou do chão e empurrou Percy. — Acredite em mim Percy, eu sei. Eu sei desde que eu te conheci. Eu sabia quando você era muito lerdo para descobrir por conta própria! Você não tem que esfregar na minha cara o quanto eu fui idiota e o quanto a noite passada foi um erro!
– Foi — Percy disse baixinho. — Foi. Ah meus deuses, foi um grande erro. Eu.. eu magoei você, eu trai Annabeth... oh meu deus, eu trai Annabeth — Percy se sentou na cama de Nico e enterrou o rosto nas mãos. Suas palavras saíam abafadas e magoadas — Annabeth... oh deuses, eu a amo tanto, mas tem sido tão difícil, sabe? Toda vez que eu olho pra ela eu lembro daquele lugar, do olhar de medo dela, de como eu me senti... morto. Eu sou um imbecil Nico, eu sinto muito. E Annabeth, ela...
Percy parou de falar de repente. Nico o olhou meio perdido, ainda estava com muita raiva, mas ele não podia brigar com Percy daquele jeito.
– Eu sinto muito — ele recomeçou. — Eu faço algo idiota e ai eu venho aqui e fico falando essas coisas e...eu fico magoando ainda mais as pessoas, me desculpe. Você provavelmente me odeia. Você devia me odiar.
– Eu não te odeio — Nico disse baixinho, mas ele sentiu uma pontada de dor ao perceber que isso era o que Percy havia dito na outra noite.
Percy desenterrou o rosto das mãos e olhou para Nico.
– Obrigado. Me desculpe por estragar as coisas com o Will. Alias ele...
– Percy — Nico o interrompeu sentindo a raiva voltar. — Você já disse o que queria dizer, agora vá embora.
Percy assentiu e se levantou. Mas um pouco antes de sair, Nico segurou seu braço.
– Só me diz uma coisa — disse o menor fitando o chão, ele não podia olhar ara Percy. — Tudo o que você disse ontem a noite, tudo o que você fez, tudo aquilo... foi tudo por causa da bebida?
Nico se arrependeu assim que perguntou. Qual resposta ele queria afinal? Qual doeria menos? Ele não sabia. Percy ficou quieto por um tempo até responder.
– Sim — ele disse com uma voz estranha. — Sim foi tudo por causa da bebida.
Nico assentiu e fechou a porta. Ele encostou a testa na porta, sentindo uma grande dor no peito e lagrimas em seus olhos.
Pare de ser idiota - ele disse a si mesmo. - Tudo está perfeito assim, você tem Will, Percy tem Annabeth, tudo está bem.
Mas então por que doía tanto? Nico cerrou os pulsos e os olhos, ele odiava chorar, mesmo se estivesse sozinho, ele se sentia fraco.
Então ele pegou toda aquela raiva, toda aquela dor, toda aquela agonia e soltou tudo em um grito, o que fez com que duas lagrimas escorressem por seu rosto. Ele as limpou com a palma da mão e se virou para voltar a fazer o que era realmente importante. Mas assim que se virou ele se assustou e deu um pulo para trás.
O fantasma de um garoto loiro e pálido olhava para ele, ele era muito magro e tinha um olhar cruel, um olhar difícil de esquecer.
– Isso foi interessante — ele disse com uma voz fria. — Você e Percy Jackson, quem diria, não é/
– Octavian? — Nico perguntou apavorado.
– Então você se lembra de mim? Achei que você esquecia rápido das pessoas que você assassinava.
– Eu não assassinei você — respondeu o garoto, agora com uma voz mais neutra.
– Continue dizendo isso a si mesmo.
– O que você está fazendo aqui? Devia estar nos campos de punição, implorando por misericórdia.
– Você não sabe? Pessoas com assuntos inacabados ficam com o espírito preso ao mundo físico. Meus assuntos inacabados são com meu pai.
– Então é isso? Você vai punir Apolo queimando os filhos dele? Adorei sua logica.
– Eu não posso queimar Apolo, seus filhos vão servir.
– Você sabe que eu posso mandar você lá pra baixo nesse instante, não é?
– Você pode mandar a todos nós? Me lembro de Will dizendo que está fraco demais para usar seus poderes.
– Todos nós? — Nico perguntou tentando manter a voz neutra.
– Oh, sim. Eu convoquei cada alma que morreu por causa do que Apolo me disse. E todos estão irados, sedentos por vingança.
Nico tentou se manter indiferente, mas ele estava entrando em panico por dentro, Will estava certo, ele não podia ajudar. Octavian sorriu de um jeito que fez Nico estremecer.
– Você sabe que, há outro motivo para almas ficarem presas ao mundo físico, por mortes muito violentas. Como a minha.
Nico se sentiu ser tomado pela raiva e forçou Octavian ao chão, forçou-o a ir ao mundo inferior, onde ele pertencia. Até que ele estava só com a cabeça para fora do chão, Nico marchou até ele e pisou em sua cabeça com raiva, ela se transformou em uma fumaça branca e desapareceu.
Uns segundos depois, Nico começou a se sentir tonto e a ver pontos pretos no ar. Will estava certo — de novo -, ele ainda não estava pronto para aquilo.
Nico cambaleou para fora de seu chalé o mais rápido que pode, mas a luz do sol o deixou ainda mais tonto. Ele tropeçou em alguma coisa, e antes mesmo de atingir o chão, ele já estava desmaiado.
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