With you
13 What? Sorry, I wasn't listening to you
Notas iniciais
POV Nico
Os dias se seguiram normalmente depois daquilo.
Hazel teve que voltar para o acampamento Júpiter três dias depois. Ela passou a maior parte do tempo com Leo e Nico.
Hazel tinha aceitado o namoro de Nico com Will em até demais, Nico estava feliz com isso, apesar de não saber o que era o tal "uke" que ela vivia falando, mas Will disse que ele não ia querer saber. Vez ou outra a garota soltava umas palavras que Nico não entendia, como "fujoshi" e "seme", Nico também não sabia direito o que era o tal "manga yaoi", mas ele não perguntava, não tinha certeza se queria saber.
Aliás, todos tinham aceitado o namoro de Nico melhor do que ele esperava. Ele não sabia direito o que esperava que acontecesse quando ele se assumisse, mas quando ele estava com Will, ninguém ficava apontando, xingando ou coisas assim, claro, algumas pessoas encaravam, mas desviavam o olhar quando Nico encarava de volta. O único que realmente tinha dito algo a Nico foi Leo, mas ele não disse nada maldoso, apenas uma piada idiota de vez em quando, tipo: "controlem-se garotas — e Nico -, Leo está na área", mas isso não incomodava Nico tanto quanto ele pensou que incomodaria.
Teve apenas uma pessoa que disse algo diretamente a ele, foi um dos irmãos do Will, um tal de... Sa... Si...Simon? Não. Bom, era alguma coisa com "S", Nico não tinha certeza, só sabia que Will odiava ele.
Eles estavam almoçando na mesa de Hades quando esse garoto veio incomoda-los, estavam Nico, Will e Hazel comendo e conversando, quando ele apareceu.
– Olha só, — ele disse em tom de deboche. — arrumou outra princesa, Will?
– Você já conseguiu alguma? — Will rebateu calmamente. — Ah é, você não tem ninguém, por que será?
– Ele não é tão incrível comparado aos outros, — falou o garoto, ignorando Will e analisando Nico de cima a baixo, deixando o menor desconfortável. — mas o seu gosto nunca foi muito crítico, não é? Acho que desde que escove os dentes, serve pra você. Quanto tempo até você trocar essa princesa por outra?
– Quanto tempo até você deixar de ser imbecil? — Hazel o cortou com um olhar assassino. — Pensando bem, acho que seu caso não tem mais solução. Por que você não vai fazer algo de útil com a sua vida e nos deixa em paz?
O garoto a fitou irritado, mas não disse nada, ele saiu e não disse mais nada, porem Nico sempre o via os encarando.
Mas Nico não se importava com as outras pessoas, as que ele se importava o apoiava bastante — Hazel principalmente. Ele não sabia quanto a Percy e Annabeth, já que não falavam com ele, e Percy sempre parecia incomodado quando estava perto de Nico. O que era um problema, já que Jason insistia para comerem todos juntos na mesma mesa
Mas a verdadeira novidade do acampamento era Leo, o garoto que derrotou Gaia, o garoto que voltou dos mortos, o garoto feliz que sempre faz piadas bobas. Mas Nico sabia que não era bem assim.
Cada palavra, cada olhar, cada movimento de Leo era carregado de uma dor escondida e enterrada atrás de uma mascara de piadas e sarcasmo. Nico reconhecia isso, mas ele duvidava que alguém além dele mesmo iria perceber.
Por alguma rasão, Nico se sentia meio culpado por isso. Claro, todos no acampamento estavam sensibilizados pela historia de Leo, mas com Nico era diferente.
Leo, que nunca fez mal a ninguém, que deu a vida pelos outros e fez o impossível pela pessoa que amava, acabou sofrendo. Já Nico, que carregava morte para todos os lugares que ia, estava mais feliz do que nunca. Isso não estava certo, não era justo.
Will notou que havia algo incomodando o namorado, e quando Nico tentou explica o que sentia para o loiro, ele foi muito compreensivo.
– Você é idiota?! — Will apertou seus ombros e franziu as sobrancelhas. — Sua vida sempre foi uma merda, e agora que não é, você está se sentindo culpado por isso?
– Eu... eu não... — Nico tentou dizer, mas ainda estava em estado de choque.
– Não é idiota? — Will o cortou. — Claro que é! Ou só é um tipo estranho de masoquista.
Nico bufou irritado e se levantou, andando em direção a saída da enfermaria, mas sentiu a mão de Will se fechar em seu braço, impedindo-o.
– Não vá embora. — ele pediu e o abraçou. — Desculpe. É que... você é incrível, Nico, e merece mais felicidade do que eu sou capaz de te dar.
Nico ficou em choque ao ouvir aquilo, ele ainda não estava acostumado com as palavras doces de Will, com todo o afeto e carinho, mas ele gostava, se sentia bem com isso, o que era muito estranho. Mas a verdade é que ninguém o havia tratado com carinho desde que sua irmã morrera. Ele se deixou levar e o abraçou de volta, ainda era desconfortável abraçar ou até mesmo tocar Will em público, mas não havia quase ninguém na enfermaria.
Cada dia com Will era cheio de sorrisos e risadas bobas — sem falar nos amassos -, o que fazia Nico se sentir ainda pior e mais culpado, apesar de Will ter dito que aquilo era besteira.
Aliás, era nisso que Nico pensava enquanto ajudava Will na enfermaria, ele falava alguma coisa sobre anatomia humana e Nico não estava dando muita atenção a isso. Havia varias pessoas na enfermaria, a caça a bandeira havia sido brutal, os filhos de Ares e os filhos de Vitoria estavam em times diferentes.
Nico cortava bandagens e entregava para o namorado que enfaixava a perna de um garoto inconsciente, ele nem percebeu que Will ainda estava falando.
– ... o que acha, Nico? Pode ser? — ele sorriu.
Nico o encarou sem fazer a menor ideia o que o loiro falava, então ele apenas concordou.
– Cla-claro! — ele sorriu sem jeito.
– Ótimo! — Will sorriu se levantando. — Pensei que você não ia aceitar, por causa... ah, você sabe. Mas que bom que concordou. Eu te encontro lá no pôr do sol. — Então ele saiu da enfermaria completamente satisfeito.
Nico ficou paralisado olhando para a porta que Will tinha acabado de passar."Pode ser" o que? O que tinha acabado de acontecer? Encontrar Will aonde no pôr do sol?
– Não tem a minima ideia do que ele está falando, não é? — ele ouviu a voz de Laura atrás de si. A garota estava com os braços cruzados e um sorriso.
– Como você consegue "brotar" do meu lado o tempo todo? — Nico disse um pouco mais rude do que pretendia.
– Ah, desculpe, quer que eu vá embora? Boa sorte tentando descobrir o que...
– Tá bom, desculpe. — Nico suspirou derrotado.
– Ótimo. Que bom que eu "brotei" aqui e agora, por que você não tem ideia de onde Will vai, não é?
– Ah... não.
Ela riu e se aproximou.
– No que estava pensando? Não te culpo por não estar ouvindo, Will fala demais, será que ele não se toca?
Não é só ele que precisa se tocar — Nico pensou, mas não disse nada, só concordou.
– O que ele disse?
– Bom, o que aconteceu a exatamente uma semana atrás? — ela levantou uma sobrancelha.
– Hoje é dia 15, — Nico franziu a testa. — exatamente uma semana atrás foi dia oito. O que aconteceu no dia oito?
Nico deu de ombros, sem entender.
– Vocês começaram a namorar, cabeção. — ela revirou os olhos.
– Então é isso? — Nico suspirou. — Will realmente quer comemorar uma semana de namoro?
– Em defesa dele, ele disse que era uma coisa idiota e desnecessária, mas quando ele te perguntou se você queria fazer isso, você concordou com a cabeça.
Nico bufou, frustrado.
– Droga. — ele massageou as têmporas. — Ele não estava falando sobre anatomia?
– No começo, sim, mas ele mudou de assunto várias vezes até chegar a esse.
– E onde ele está indo?
– Onde vocês começaram a namorar. — ela disse como se fosse obvio.
Nico pensou um pouco e se lembrou de quando estavam no topo daquela pedra, de frente aos campos de morangos.
– Isso é uma péssima ideia. E se algum espírito vingador atacar?
– Bom, em defesa dele...
– Já sei, já sei. — Nico a cortou. — Eu concordei.
– E o que você vai dar pra ele?
– Ah não, ele quer trocar presentes? — Nico arregalou os olhos.
– Bom, em defesa dele...
Nico gemeu frustrado e enterrou a cabeça nas mãos.
– O que eu vou dar pra ele?
– Eu sei lá. Will é tão difícil de presentear, ele nunca quer nada. Sério, acho que eu nunca dei um presente que ele não tenha devolvido e trocado por outra coisa. Teve uma vez, que...
– Ta bom, ta bom. Eu entendi. — Nico levantou a cabeça. — Eu acho que eu posso ir pelas sombras até a cidade e conseguir alguma coisa.
– Você não está bem para viajar nas sombras.
– Estou sim. — Nico se levantou. — Não é tão longe. O problema é que eu não tenho dinheiro.
Laura sorriu e levou a mão ao bolso, ela tirou de lá um maço de dinheiro e jogou nas mãos de Nico, o garoto pegou e viu varias notas de cem dólares. Nico olhou boquiaberto para as notas e depois para Laura.
– Onde... como... de onde veio esse dinheiro?
– Do meu bolso. — ela piscou para Nico e andou até a saída. — Traga o troco!
Nico balançou a cabeça ainda olhando para o dinheiro.
Essa garota é tão estranha.
Então Nico olhou pela enfermaria até achar uma sombra, quando achou uma boa, ele deixou seu corpo se misturar a ela e foi sugado para a escuridão.
POV Will
A ideia de comemorar uma semana de namoro era um pouco ridícula para Will, mas se Nico queria, ele não ia questionar.
Ele ficou surpreso por Nico ter concordado em encontra-lo ali no meio da floresta, pensou que ele ia querer um lugar que estivesse protegido pela magia dos filhos de Hecate, mas a enfermaria ou o chalé de Apolo não eram românticos, ali era. Ali, sentado naquela pedra no meio da floresta.
Ele agradecia aos deuses por Nico ter concordado que trocar presentes por causa de uma semana de namoro era idiotice.
Will tinha que admitir que estava com um frio na barriga por estar sozinho na floresta, o sol estava se pondo e tudo estava ficando escuro, Nico ainda não havia chegado.
Ele se lembrou de quando estava com Nico em seu chalé — na primeira vez, é claro — e aquele espírito o enforcou, se os espíritos faziam coisas assim quando Nico estava por perto, o que fariam se ele estivesse sozinho?
Já fazia uma semana, apenas uma semana e Will sabia que aquele era um dos namoros mais perfeitos que ele já teve. Seria o mais perfeito se Nico não quisesse ir tão devagar, já estavam namorando a uma semana e nunca tinham passado de amassos, mas tudo bem, Will podia esperar por Nico. Bom, isso era o que ele dizia a si mesmo, bem no fundo ele sabia que estava quase transando com uma árvore.
Ele se lembrou de como Nico estava nervoso por finalmente contar a todos por seu relacionamento com Will, mas até que todos tinham aceitado numa boa, o único problema mesmo foi o irmão de Will, Samuel que foi irrita-los alguns dias atrás. Will realmente odiava o irmão, mas não se deixou abalar por isso, aliás, nem precisou, Hazel cuidou dele de forma rápida e eficiente.
Ele ouviu um barulho vindo de uma das árvores e seu sangue congelou, ele pulou da pedra e retirou uma faca do seu cinto, ele imaginou que ela seria mais útil do que o arco e flecha, mas e daí? Ele não sabia usar nenhum dos dois mesmo.
Seu corpo relaxou quando ele viu que Nico que era o responsável pelo barulho. O garoto saiu de trás de uma árvore e franziu a testa ao ver a faca que Will segurava, ele sorriu e levantou as mãos em sinal de rendição.
– Por favor, não me machuque! — ele fingiu uma voz de pavor, ainda com um pequeno sorriso.
– Nunca vou te machucar. — Will guardou a espada de volta no cinto e andou até Nico.
Will pôs a mãos nos lados do rosto de Nico e o beijou, mas nãos tanto quanto gostaria, por que Nico o empurrou.
– A gente tem que sair daqui. Você tem que sair daqui. — ele pegou a mão de Will e começou a puxa-lo pela floresta.
– Não, — o loiro puxou Nico de volta. — qual é, Nico. Você concordou que a gente podia ficar aqui.
– Mas eu mudei de ideia. Você tem que sair daqui.
– Não tivemos nenhum problema da ultima vez que viemos aqui.
– Mas eu comecei a me tocar do quanto isso é perigoso, Will! Lembra de quando aquele espírito te enforcou na minha frente? E depois disso você vem aqui no meio do nada sozinho? O que você tem na cabeça?
Will sentiu o corpo estremecer ao lembrar do espírito, mas não deixou Nico perceber. Ele apenas sorriu.
– Eu tenho você na cabeça.
Nico bufou e revirou os olhos apertando ainda mais o pulso de Will.
– Agora não. Temos que ir a algum lugar seguro.
Nico voltou a puxar Will, que o agradeceu mentalmente, estava morrendo de medo ali, mas não podia deixar Nico saber disso. Will percebeu um embrulho brilhante no bolso de trás de Nico enquanto era puxado pela floresta.
– O que é isso no seu bolso?
– O seu presente. — Nico respondeu como se fosse obvio.
Will arregalou os olhos e parou de andar, o que fez Nico o puxar mais forte.
– Mas nós combinamos que não ia ter troca de presentes.
Nico se virou de frente para Will co os olhos arregalados.
– Como assim?
– Você concordou que a gente não devia trocar presentes.
– Mas Laura disse que você queria trocar presentes!
Will franziu as sobrancelhas, confuso.
– Como assim "a Laura disse que"? Por que precisou perguntar pra ela? Você que concordou com isso!
Nico baixou a cabeça e coçou a nuca, sem saber o que dizer. Will ergueu as sobrancelhas.
– Você concordou, não concordou?
– Bom... eu...
– Ah, meus deuses. Você não estava me ouvindo! — Will cruzou os braços com uma expressão irritada. — Eu sabia! Você estava muito distraído, sabia que não estava me ouvindo! Eu sou tão entediante assim?
– Não! — Nico suspirou. — Will, me desculpe. Mas nós temos que sair daqui. Nós conversamos na enfermaria e eu...
– O que? — Will o interrompeu. — Ah, me desculpe, eu não estava te ouvindo.
– Muito maduro, Will. — Nico bufou e voltou a puxar o loiro. — Está bravo, eu entendi isso. Mas você tem que estar vivo para estar bravo comigo. Então anda logo!
Will revirou os olhos e já ia rebater, mas seu corpo paralisou no lugar. Nico seguiu seu olhar e paralisou também.
Por que eu saí quando Nico disse? — ele pensou.
Por que você é um idiota. — disse uma voz na sua cabeça.
Will concordou com a voz e deu um passo para trás, à sua frente, três figuras fantasmagóricas o fitavam com um olhar cheio de ódio e raiva. Will sentiu seu estomago revirar e suas mãos tremerem. Ele pegou a faca no seu cinto e a apontou para eles.
– Will, — Nico sussurrou olhando para a faca. — Eles são espíritos, uma faca não vai adiantar, só vai irrita-los mais ainda. Você corre, eu vou tentar atrasa-los.
Will hesitou, Nico não estava tão fraco quanto estava antes, mas eles eram três. Bom, não importava, Will não teve tempo de fugir, por que um quarto espírito vingativo o segurou pelo braço e o torceu. Will gritou quando sentiu seu pulso quebrar e uma dor se espalhar por seu braço, ele tentou se afastar, mas o espírito continuou torcendo.
Até que o punho de Will foi solto, Will sentiu todos os seus pelos se arrepiarem ao ouvir o grito de Nico, todos os espíritos afundaram na terra e Will se virou a tempo de ver Nico cair fraco no chão.
Will se ajoelhou ao seu lado e tocou seu rosto com a mão boa, Nico estava pálido e com a respiração forçada. Ele o balançou e o chamou algumas vezes antes de ergue-lo em seus braços, ele era bem leve, mas Will estava com o pulso quebrado, o que dificultava muito as coisas.
Will correu com Nico em seus braços até sair da floresta, seu braço queimava e latejava enquanto ele tentava segurar as pernas de Nico, ele implorou aos deuses para que qualquer um aparecesse ali para ajuda-lo.
Qualquer um, menos Percy.
Percy se aproximou correndo quando os avistou e Will sentiu uma raiva crescer dentro de si. Não gostava de Percy, não queria ele por perto.
– O que aconteceu? — Percy perguntou olhando assustado para Nico. — Precisa de ajuda?
– Estamos bem. — Will disse com uma voz seca. — Não tem que se preocupar.
Will continuou andando e amaldiçoou Percy mentalmente por segui-lo e enche-lo de perguntas que Will respondia com resmungos. De repente ele ouviu a voz de Jason o chamar e viu o filho de Júpiter vir correndo em sua direção.
– O que aconteceu com ele? Precisa de ajuda?
– Sim, por favor. Meu pulso tá quebrado e eu não aguento mais carregar ele.
Jason arregalo os olhos e pegou Nico nos braços, Will sentiu a dor no seu braço aliviar um pouco, mas começou a latejar, ele fazia o possível para não gritar. Ele olhou Percy com o canto do olho e viu que o garoto o olhava com os braço cruzados e um olhar de indignação.
– Você disse que não precisava de ajuda! — ele reclamou.
– Não precisava da sua ajuda. — Will respondeu seco e se dirigiu a enfermaria assim como Jason.
– Seu pulso está quebrado? — Jason perguntou.
– Bom, na verdade eu acho que só está torcido.
Agora já era noite, as pessoas estavam indo ao refeitório jantar, mas Laura estava lendo um livro numa das camas da enfermaria e se levantou quando Jason passou pela porta carregando Nico.
– O que aconteceu? — ela se aproximou com um olhar preocupado.
Jason pôs Nico em uma das camas e o cobriu com o lençol.
– Uns espíritos me atacaram na floresta. — Will deu de ombros e se dirigiu ao armário, procurando por néctar e ambrosia.
– E o que você estava fazendo na floresta? Sabe que não é seguro — Percy disse com uma certa irritação.
– Não vejo como isso pode ser da sua conta. — Will disse com uma voz calma, ele achou o néctar e tomou alguns goles sentindo a dor em seu punho aliviar. Ele se aproximou de Nico e derrubou algumas gotas de néctar em sua boca, vendo a cor voltar ao seu rosto. — Deem um tempo a ele. E Laura, pode enfaixar minha mão, por favor?
– Ah... eu não tenho muitos dons de cura, Will. Na verdade, eles são praticamente inexistentes — Laura se aproximou insegura.
– Só precisa enfaixar, se eu tomar néctar de hora em hora, já vai estar curado amanhã a noite.
– Aí, da licença? — Percy cruzou os braços irritado. — Mas é da minha conta sim, já que meu amigo está inconsciente e você está todo quebrado.
– Ah é, me esqueci do quanto você gosta dele. — Will cruzou os braços de volta, o que foi um erro, por que sua mão voltou a doer.
De repente, Nico tossiu e abriu os olhos. Todos se aproximaram dele e o fitaram, preocupados. Nico olhou incomodado para todos.
– Ãhn... oi?
– Você está bem? — Jason foi o primeiro a perguntar.
– Estou um pouco desconfortável aqui, mas fora isso, estou bem.
– Ele vai ficar bem. — Will disse. — Eu cuido dele, vocês podem ir jantar.
– Ele devia jantar também. — disse Percy.
– E você devia estudar medicina antes de falar comigo. — Will respondeu num tom calmo e cortante.
Percy se irritou e pareceu prestes a responder, mas Jason o puxou para fora da enfermaria, deixando os três sozinhos.
– Will, — Nico começou com um tom cansado. — você não tem que ser tão...
– Tenho sim. — o loiro o cortou e então se voltou para Laura. — Vai enfaixar a minha mão ou não?
Laura sorriu e se dirigiu ao armário, pegando alguns esparadrapos.
– O que aconteceu com a sua mão? — Nico perguntou se sentando.
– Um dos espíritos a torceu. — Will deu de ombros, como se aquilo não fosse nada de mais, mas na verdade, só estava tentando se fazer de durão na frente de Nico.
– O que? — Nico se aproximou e pegou a mão do namorado, que não pode evitar soltar um gemido de dor. — Desculpe. É grave? Você está bem?
Will sentiu seu coração se aquecer ao ver como Nico se preocupava com ele e sorriu, tocando seu rosto com a mão boa.
– Eu estou bem.
– Desculpe atrapalhar o romance. — Laura apareceu atrás de Will e pegou sua mão machucada com cuidado, enrolando o esparadrapo nela o mais apertado que conseguiu. — E ai, como foi o aniversário?
– Não devíamos ter ido lá, — Nico resmungou. — olha o que aconteceu, não é seguro.
– Você podia ter dito isso se estivesse prestando atenção em mim quando eu estava falando. — Will resmungou irritado.
– Eu já pedi desculpas! — Nico pareceu se irritar. — Eu não estava prestando atenção, desculpe Will! Mas você não devia ter sugerido isso em primeiro lugar.
– Ahn, o que? Desculpe, eu não estava ouvindo.
Laura soltou uma pequena risada e Nico revirou os olhos.
– Will, você sabe que isso é perigoso, Apolo fugiu para avisar você, por que você age como se não fosse nada de mais? Por que continua fazendo isso? Ainda não entendeu o quanto isso é perigoso?
Claro que entendi, — Will quis responder, mas ele não disse nada.– eu estou morrendo de medo, na verdade. Mas eu não posso demonstrar, eu não sou um lutador, não posso ser medroso também, se eu for, por que você vai gostar de mim? Eu entendo por que você gosta de Percy, ele é incrível, eu nunca vou fazer um quarto das coisas que ele fez, eu sou só um médico.
– Então Nico, — Laura puxou assunto, tentando quebrar o clima tenso. — o que você comprou para Will?
– Por que você me disse para comprar alguma coisa? — Nico se irritou ainda mais. — Will disse que eu concordei em não trocar presentes, mas você disse que eu tinha concordado em trocar presentes! Pra que isso?
– Bom, da próxima vez você devia ouvir Will ao invés de...
– Tá bom, já entendi. — Nico bufou e cruzou os braços. — Eu sou uma pessoa horrível. Aliás, — Nico levou a mão até o bolso de trás da calça e tirou um maço de dinheiro. — seu troco.
Laura sorriu e pegou o dinheiro, Will ergueu as sobrancelhas ao ver as notas de cem, ele sabia que a família de Laura era muito rica.
– Uau, o que você queria que ele comprasse pra mim? Um carro? — Laura apenas sorriu e guardou o dinheiro no bolso, voltando a enfaixar a mão do irmão em seguida. — E o que você comprou pra mim, Nico?
Nico ficou sem reação por uns instantes, olhando para Laura de um jeito desconfiado.
– Eu te entrego depois.
– Ele vai me mostrar de qualquer jeito, Nico. — a loira revirou os olhos. — Entregue logo, eu também quero ver.
Nico hesitou um pouco e depois revirou os olhos, ele levou a mão até o bolso de trás e retirou o embrulho brilhante que Will tinha visto antes, Nico estendeu a mão e o loiro pegou o embrulho com a mão boa.
– Terminei. — Laura anunciou, olhando para a mão completamente enfaixada de Will, depois estendeu a mão e pegou o embrulho. — Você não vai conseguir abrir com uma mão só, deixa que eu abro.
A loira abriu o pacote ansiosa e tirou de dentro dele uma corrente dourada, nela havia um pingente também dourado, era um pequeno sol, seus raios eram graciosamente ondulados e haviam quatro pedras pequenas e brilhantes em cada lado, formando um quadrado em volta do sol.
– Uau. — Will sussurrou sem palavras, pegando a corrente e passando a mão sobre o pingente.
– Você pode trocar se não tiver gostado. — Nico enrubesceu e olhou para as mãos em seu colo. — Eu não sabia o que comprar eu posso ter entrado em pânico na hora, eu... quer saber? Eu troco pra você, me da a corrente que eu...
– Tá brincando? — Will o interrompeu e sorriu. — É lindo, Nico.
– É muito lindo, — Laura concordou. — posso ficar com ele quando você morrer?
– Sério? Gostou mesmo? — Nico perguntou ignorando a loira.
– Claro, por que eu não gostaria?
– Ah, não sei, eu fiquei com medo de você achar, sei lá, muito gay.
– Eu não tenho problemas com coisas gays. — Will revirou os olhos e colocou a corrente em volta do pescoço.
– Quanto isso custou? — Laura perguntou.
– Pra que você quer saber?
Laura começou um discurso sobre o dinheiro ser dela e Nico ser um péssimo namorado que não ouve o outro, ela disse algo sobre a inflação também, mas Will sabia que ela só estava falando coisas alheias. Laura tinha o dom de falar tanto até convencer as pessoas a fazerem o que ela quer, vencendo-as pelo cansaço. Will era imune a essa técnica, mas Nico não. Ela continuou falando até Nico ceder e dizer o preço. Depois disso, Laura pegou o maço de dinheiro e o contou.
– Eu não roubei nada, se é isso o que você quer saber. — Nico disse com um tom ofendido.
– Esse é exatamente o problema, Nico. — Laura suspirou dramaticamente. — Você sabe quanto dinheiro tem aqui? E você não pegou nem um pouquinho pra você? Tsc, tsc, tsc. Ai, Nico, não sei o que Will viu em você.
– A gente devia ir jantar, — Will disse quando viu que o namorado ia começar a discutir. — você tem que comer.
– Não foi isso o que o Percy disse? — Laura o provocou.
– Não, é completamente diferente.
– Como? — sua irmã cruzou os braços e sorriu.
– Você não entenderia, como você mesma disse, seus poderes de cura são quase inexistentes.
– Eu fiz um ótimo trabalho na sua mão.
– Na verdade, eu não ia dizer nada, mas a ponta está soltando. — Will analisou a mão enfaixada fingindo um olhar crítico.
Laura revirou os olhos e bufou, saindo da enfermaria e indo em direção ao refeitório.
– A ponta não está soltando. — Nico observou.
– Eu sei. — Will sorriu e se levantou. — Você vem?
POV Nico
Depois de Will e Percy ficarem se encarando no jantar, Will mandou Nico direto pra cama, disse que precisava descansar e Nico não descordou, estava se sentindo muito fraco depois de mandar aqueles três espíritos de volta ao mundo inferior, ele ficou surpreso de ter forças para levantar o garfo, mas não disse nada a ninguém, ninguém precisava saber.
Ele desmaiou assim que sua cabeça tocou no travesseiro, horas depois ele acordou assustado, sentindo o coração bater forte contra as costelas e os pulsos doerem por estarem amarrados tão apertados em suas costas, impedido-o de mexer os braços.
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