With you
14 Because that's not Will
Notas iniciais
POV Nico
Ele desmaiou assim que sua cabeça tocou no travesseiro, horas depois ele acordou assustado, sentindo o coração bater forte contra as costelas e os pulsos doerem por estarem amarrados tão apertados em suas costas, impedido-o de mexer os braços.
Nico se debateu, tentando se soltar, mas só conseguiu machucar ainda mais seus pulsos. Ele se virou, deitando as costas na cama e esmagando seus braços. Estava muito escuro, ele só viu uma sombra grande ao seu lado, quando ela se aproximou, Nico se afastou, tentando chuta-la, mas a pessoa segurou suas pernas e as empurrou no colchão. Nico ficou impressionado com a força que a pessoa tinha, ele estava começando a entrar em pânico, se debatendo o máximo que podia.
Ele tentou se acalmar e pensar no que fazer. Um lado da cama era encostado na parede, não dava pra escapar por ali, mas do outro lado estava a sombra, o único jeito de fugir seria passando por ela.
De repente, ele viu um brilho, a pouca luz que vinha da janela refletia em lado no meio da sombra, uma corrente dourada, com um pequeno pingente de sol. Nico franziu a testa e olhou para o rosto da pessoa, tentando ver através das sombras.
– Will? — Nico sussurrou confuso.
A pessoa tocou o rosto de Nico com a mão fria e Nico reconheceu o toque de Will, mas não era como o toque de Will, tinha algo diferente que o moreno não sabia dizer o que. Nico viu a luz de fora refletir nos cabelos loiros do namorado e respirou fundo, se forçando a relaxar, era só Will.
– O que você está fazendo aqui? — Nico disse um pouco mais alto dessa vez.
Will não respondeu, apenas se abaixou e beijou Nico, forçando a língua para dentro da boca do menor com brutalidade, primeiro ele tentou corresponder, mas depois virou o rosto, respirando com dificuldade. Will foi descendo a boca para o pescoço, deixando um rastro de saliva ali. Nico se remexeu, desconfortável.
– Will, o que você está fazendo? — o menor esperou uma resposta, mas o loiro apenas continuou a beijar e lamber seus pescoço, como já tinha feito várias vezes antes. — Will? Por que eu estou amarrado? Will!
O moreno estava começando a se irritar com o silêncio do outro, ele tentou se afastar, mas Will o prendeu no lugar. Nico não se lembrava do namorado ser tão forte assim, mas ele deduziu que ainda devia estar fraco por ter mandado os espíritos para mundo inferior.
– Will, me solta. — Nico usou sua melhor voz autoritária, mas não pareceu ter nenhum efeito em Will, que começou a passar a mão pelo corpo do menor. — Will, o que você está fazendo? É serio, Will. Me larga.
Will se moveu, ficando por cima de Nico, que começou a entrar em pânico de novo. O loiro se sentou em suas pernas, impossibilitando-o de se mover. Nico começou a se debater, mas era inútil.
De repente, um brilho apareceu a sua frente, os olhos de Will, antes azuis claros e calmos, agora estavam florescentes e brilhantes, iluminando o rosto sem emoção do loiro. Não era como se tivessem começado a brilhar do nada, era como se fosse a primeira vez que Will abria os olhos.
Era Will. Era o rosto de Will. O corpo de Will. Os toques de Will. Mas definitivamente não era o Will.
O maior inclinou-se e forçou seus lábios nos de Nico de novo, ele tentou desviar o rosto, mas Will o mordeu com força, cortando seus lábios e arrancando um grunhido do menor. As mãos do loiro entraram de baixo da camisa de Nico e passearam por seu corpo, sua barriga, seu peito, indo até suas costas, passando pelos braços presos e doloridos de Nico e entrando na calça do menor, que se debateu mais ainda ao sentir esse toque.
As mãos de Will adentraram na cueca de Nico e apertaram suas nádegas, arranhando-as e deixando marcas no local.
– Will!!!– Nico gritou, mas não adiantava, não era Will, ele estava preso, e não podia fazer nada.
Pensa, Nico, pensa.
A boca de Will desceu em direção ao pescoço do menor, mordendo, lambendo e chupando o local, marcando-o. Suas mãos escorregaram pelas pernas de Nico, levando a calça e a cueca do menor junto, deixando-as nos joelhos. Nico corou ao se sentir tão exposto, ao sentir os olhares de Will em si.
Seus dedos subiram de novo e adentraram mais fundo naquela fenda, até que um deles começou a pressionar a entrada de Nico. Forçando sua passagem sem se preocupar em ter cuidado.
Nico arregalou os olhos e não conseguiu evitar que um grito de dor e surpresa escapasse de sua garganta, ele instintivamente se fechou, machucando-se mais ainda.
Em um ato desesperado, Nico bateu sua cabeça contra o rosto de Will, ele sentiu uma leve dor, mas nada que a adrenalina não cobrisse. Nico viu sangue escorrer pelo nariz do loiro, entrando em sua boca e depois pingando pelo queixo, manchando a blusa do menor. Mas o rosto de Will continuou sem emoção alguma, como se não tivesse sentido nada. Ele apenas continuou a forçar do dedo para dentro de Nico, movimentando-o bruscamente.
O moreno teve que morder os lábios para não gritar ao sentir o segundo dedo entrando de uma vez. Por mais que ele se debatesse, aquilo só aumentava a dor. Ele olhou para os lados tentando desesperadamente encontrar um jeito de sair dali.
Medo. Dor. Confusão. Vergonha. Eram tantos sentimentos que Nico não sabia como agir, mas ele tentou afasta-los e bloqueá-los, ele só tinha que achar um jeito de fugir.
Sombras.– ele pensou de repente. — Como eu sou burro! Sombras!
Ele fechou os olhos e tentou se misturar as sombras, não se preocupou em estar fraco para usar seus poderes, ou em não conseguir mais voltar, só se preocupou em fugir.
Mas nada aconteceu. Nico respirou fundo e tentou de novo, do beijos de Will em seu pescoço dificultava as coisas. Ele não conseguia usar seus poderes. Estava realmente preso ali.
Nico não parou para pensar o por que, ele só aproveitou que Will afrouxou um pouco o peso em suas pernas e conseguiu, depois de muito esforço, soltar uma delas.
Ele começou a chutar o máximo que conseguiu, tudo o que conseguiu, os braços, a barriga, o peito, as pernas, mas Will não parou nem um momento, era como se ele nem sentisse. Chutar Will era como chutar uma parede, mas Nico não tinha tempo para pensar sobre isso, ele só continuou chutando.
De repente, os dedos pararam de se mexer e saíram de dentro de Nico, o garoto não sabia se ficava aliviado ou mais aterrorizado. Ele foi virado brutalmente na cama, deitando com a barriga no colchão. Ele tentou aproveitar que suas pernas estavam livres para sair, mas Will empurrou suas costas no colchão, segurando-o no lugar, e com a outra mão ele voltou a pressionar aquele ponto sensível — e agora dolorido — de Nico, mas agora com três dedos.
O menor não pode evitar um gemido de dor ao sentir sua entrada ser forçada com tanta brutalidade de novo. Então, no meio de toda aquela dor, ele viu uma coisa. Uma coisa escondida em baixo de seu travesseiro. Ele demorou um pouco até perceber o que era.
A faca.– Nico pensou com os olhos arregalados. - A faca, sei idiota! A faca! Eu sou muito burro mesmo.
Nico se lembrou pela primeira vez naquela noite da faca que ele escondia embaixo do travesseiro, agradeceu mentalmente a si mesmo por ser tão paranoico.
Ele lutou contra Will para se virar de novo na cama, ficando de barriga para cima e esmagando seus braços já dormentes. Ele se sentou e foi se arrastando para trás, tentando pegar a adaga. Mas não teve chance, Will o puxou de volta e o forçou a ficar no colchão, com sua força anormal.
Nico começou de novo a chutar tudo o que conseguiu, até que ele conseguiu chutar o rosto de Will, que pela primeira vez, pareceu reagir a um movimento do menor. Nico voltou a se arrastar pra trás, mas ele paralisou de medo ao ver o olhar mortal que Will lhe direcionava com o canto dos olhos. O rosto virado para o lado por causa do chute lentamente se virou e encarou Nico. Os olhos brilhantes e sem emoção perturbavam Nico, era como se fosse apenas um corpo se movendo, um corpo abandonado, sem alma.
Lentamente, a mão direita de Will se ergueu no ar, se fechando num punho, fincando as unhas na palma com força. As veias de seu braço saltaram na pele, como se ele tivesse colocando muito da sua força anormal naquela mão.
A outra mão agarrou a camisa de Nico, impedindo-o de sair do lugar. Nico sentiu seu sangue gelar e gotas de suor escorrerem por seu rosto, suas mãos dormentes tremerem quando o cotovelo de Will subiu se ergueu, ficando acima de sua cabeça e mirando o punho na direção de Nico.
– Wi-will... — mas Nico não conseguiu continuar.
Ele mal viu o punho vindo em sua direção, ele só sentiu um enorme dor se espalhar por seu queixo e sua bochecha e sangue escorrer no canto da sua boca. Com certa dificuldade ele abriu os olhos a tempo de ver Will preparar outro soco.
Novamente, ele sentiu uma grande dor se espalhar por seu rosto, acabando com todas as suas forças e fazendo seus ouvidos zunirem. No meio dos zunidos ele podia jurar que ouviu uma risada perto de si, uma risada maligna e fria que fez um frio percorrer sua espinha. Sua cabeça pendeu para trás, ele só não caía no colchão por causa da mão de Will segurando a gola de sua camisa.
Ele cuspiu todo o sangue de sua boca antes que engasgasse com aquilo e fez força para abrir os olhos de novo. Ele viu a sombra o punho de Will erguido, pronto para desferir outro soco.
– Por favor... — ele implorou com uma voz rouca e chorosa, a respiração forçada, sentindo a garganta arder. — Por favor...
Nico então percebeu que o rosto de Will não estava mais inexpressivo como o de um robô, agora seu rosto, apenas iluminado por seus olhos brilhantes e a pouca luz que vinha de fora, estava feliz, ele estava sorrindo, um sorriso divertido, como se tudo aquilo fosse engraçado, um sorriso maldoso, o sorriso de um psicopata.
Nico viu uma luz vinda de trás do punho levantado de Will e ouviu uma voz, mas não conseguiu entender o que ela dizia. Antes de ele poder gritar por ajuda, Will desferiu outro soco no garoto, dessa vez ele o soltou e o deixou cair no colchão engasgando com o próprio sangue.
Nico não conseguia abrir os olhos, ele só ouviu a voz novamente, dessa vez mais alarmada, depois sentiu o peso de Will deixar a cama e ele ficou sozinho ali. Ouviu vários barulhos que não conseguiu identificar, gritos e batidas.
A faca– ele pensou fraco, beirando à inconsciência. - Pega a faca. Se mexe. Você não vai desmaiar.
Ele se forçou a levantar e com muita dificuldade ele pegou a adaga, retirou a capa e conseguiu cortar a corda que o prendia. Ele sentiu um alivio ao mexer suas mãos livremente e uma dor ao sentir os pulsos cortados arderem e suas mãos formigarem quando o sangue voltou a circula normalmente.
Ele se deitou na cama, erguendo o quadril e puxando a calça de volta, se sentindo bem por não estar mais tão exposto daquele jeito. Ele resistiu ao impulso de desmaiar ali mesmo e rolou na cama, caindo no chão e se levantando desajeitadamente e se apoiando na cama.
Ele forçou a visão e procurou Will pelo quarto, os gritos e barulhos vinham do fundo do chalé, Nico só conseguia ver umas sombras se movimentando. Ele foi até o armário e rapidamente acendeu duas velas grandes e grossas que iluminaram o chalé.
Os barulhos eram de socos e chutes, grunhidos e gemidos de dor, Will estava deitado no chão, sem se mover, havia uma outra pessoa em cima de Will, desferindo-lhe socos repetidamente.
Nico colocou as velas no chão e correu até o garoto, sentindo o corpo protestar a cada passo.
– Para! — ele gritou, sentindo sua garganta protestar. — Para, para, para, para!
O menino parou, baixou seu punho ensanguentado e olhou para Nico, que demorou um pouco para reconhecer a pessoa à sua frente por causa da pouca luz e de todo o sangue em seu rosto.
– Pe-percy? — ele sussurrou incrédulo.
– Você está bem? — Percy se aproximou e tocou o rosto ensanguentado de Nico. — O que aconteceu?
– O que você... Ah, não importa, agora. — Nico se levantou e foi cambaleando até sua cama, pegou a corda cortada e viu que ainda dava para usar, depois voltou até eles e entregou-a a Percy com a mão tremula.
– Amarra ele.
– O que?
– Amarra ele, Percy! — Nico disse com irritação. — Depois você tem que carrega-lo até a enfermaria. Agora, Percy, antes que ele acorde.
Percy pegou a corda virou Will, amarrando seus pulsos nas costas assim como o loiro tinha feito com Nico.
– O que aconteceu, Nico? Ele... Por que ele....
– Eu não sei! — Nico enfiou o rosto no meio das mãos tremulas, sentindo-se envergonhado de repente. — Eu não sei!
Ele sentiu o sangue de seu rosto em seus dedos,muito sangue, tanto de seu nariz, quanto de sua boca. Ele sentiu uma grande pontada de dor ao tocar o nariz e começou a limpar o sangue com a camisa.
– Você está bem? — Nico perguntou quando percebeu que o rosto de Percy também estava machucado.
– Que?
– Você está... com... — ele indicou para o canto de sua própria boca, Percy passou a mão pela sua e limpou um pouco de sangue que escorria.
– Ah, isso. Eu não sabia que Will era tão forte assim.
– Ele não é. — Nico sussurrou, mais para si mesmo do que para Percy.
Percy se aproximou e levou a mão ao rosto de Nico, passando-a delicadamente pela bochecha e pelo olho do garoto, como se limpasse alguma coisa. Nico desviou-se do toque e levou a mão ao rosto, confuso. Havia outra coisa em seu rosto alem de sangue. Água. Ele estava chorando. E nem tinha percebido.
Droga Nico.– ele virou-se de costas para o maior e limpou os olhos, mas as lágrimas continuavam a cair. - Para com isso. Para de chorar, idiota. Você não vai chorar na frente de Percy. Aliás, você não vai chorar, chorar é para os fracos.
Ele também limpou algumas lágrimas em seu pescoço, aparentemente ele tinha chorado muito. Desde quando ele estava chorando?
– Nico, — Percy disse colocando a mão no ombro de Nico. — o que...
– Temos que leva-lo a enfermaria. — Nico o interrompeu e se virou de frente pra ele.
– Por que?
– Por que é protegido.
– Tá bom. E depois?
– Depois... depois... — Nico franziu as sobrancelhas tentando pensar em alguma coisa. — depois você tem que chamar a Piper.
– Piper? Por que?
– Precisamos do charme dela para interroga-lo.
– Interrogar? Por que precisamos interrogar Will?
Nico olhou com o canto dos olhos para o corpo desmaiado de Will no chão.
– Por que esse não é o Will.
Fale com o autor