With you
16 I remember everything
Notas iniciais
POV Nico
– Eu te disse que ia inchar se você não colocasse gelo. — Laura disse observando o rosto do moreno.
– Eu vou me lembrar disso da próxima vez. — ele respondeu amargo, caminhando lentamente para a enfermaria. Sentindo a cabeça latejar.
– Não fale assim, não vai ter próxima vez. Se não, não teremos mais grama no acampamento.
Nico olhou para o chão, a grama estava morta onde ele havia pisado naquela noite, mas ninguém havia percebido por que estava escuro.
– Desculpe por isso.
Havia um monte de gente loira na porta, ficavam espiando dentro da enfermaria e cochichando entre si. Nico não se importou com elas, estava sentindo um frio na barriga e seu coração bater forte, mas continuou caminhando, tentando se manter neutro.
– São meus irmãos. — Laura apontou para os loiros na porta. — Estão curiosos por causa do Will.
– É algum crime que filhos de Apolo sejam morenos? — Nico perguntou, mesmo que não tivesse vontade de fazer nada, estava tentando agir normalmente.
– Teve um garoto moreno aqui uma vez. Ele morreu na batalha contra Cronos. Ele sofria um pouco de preconceito entre os loiros. — ela deu uma risadinha. — Aposto que filhos de Hades loiros também sofreriam. — ela pôs a mão no ombro do menor, parando-o. — Nico, espera.
Nico parou e se virou para ela, franzindo a testa.
– Me desculpa.
– O que? — ele levantou as sobrancelhas.
– Por ontem. — ela esclareceu. — Me desculpe, eu não devia ter ficado perguntando. Se você não queria me contar, eu devia ter respeitado isso. Eu sou meio intrometida de vez em quando.
– Meio? De vez em quando?
Ela riu a deu uns tapinhas no ombro de Nico.
– Não estrague o clima! — ela reclamou. — Enfim, se você não quiser contar, tudo bem, eu vou só... interrogar o Will mais tarde. — Nico a encarou. — E se ele também não quiser contar, eu não vou insistir. — ela acrescentou rapidamente, levantando as mãos.
Nico assentiu, ele se virou e continuou andando, os filhos de Apolo em volta da porta o encararam, cochichando.
– Vão arrumar o que fazer! — Laura gritou para eles abanando os braços. — Vão embora, anda! Sai, sai, sai, sai, sai.
Os loiros protestaram um pouco e resmungaram, mas logo saíram dali, deixando Laura e Nico sozinhos na porta da enfermaria. Nico respirou fundo, reunindo coragem, ele limpou o suor das mãos na calça e deu um passo para frente, mas parou ao sentir a mão de Laura em seu ombro.
– Ele... ele está meio perturbado, Nico.
Nico assentiu e entrou, ignorando sua vontade de dar meia volta e sair dali.
A enfermaria estava vazia, a principio, Nico não viu Will. O garoto estava sentado de costas para ele no canto da enfermaria, do outro lado da tenda. Nico ficou parado no lugar observando-o, tentando andar até ele, sem sucesso.
Para de ser idiota.– disse uma voz na sua cabeça. — Algo ruim aconteceu, e dai? Não foi a pior coisa que já te aconteceu. Lide com isso.
Ele andou com passos lentos até Will. Seu coração batia rápido contra as costelas, ele tentou pensar no que dizer para o loiro quando o visse, mas agora não se lembrava de nada.
Quando estava mais perto, Will virou a cabeça. A primeira coisa que Nico viu foi que em volta de seu olho havia um grande hematoma um pouco inchado. Nico se lembrou de Percy socando Will no chão de seu chalé e estremeceu.
Logo depois o que ele viu foram seus olhos. Azuis, seus olhos estavam azul claro como sempre foram, porem eles estavam vermelhos, como se Will tivesse chorado.
O loiro arregalou os olhos em uma expressão de espanto, seus lábios cortados se entreabriram. Ele parecia perturbado.
– Nico! — Will se levantou e andou com passos rápidos em direção de Nico.
O moreno arregalou os olhos e sua mente foi invadida por imagens da noite passada. Ele deu dois passos para trás, por puro reflexo. Will parou ao ver que o menor havia se afastado, como se estivesse com medo que Nico saísse correndo dali. Ele deu uns passos para trás, tremendo um pouco.
– Me desculpe. — Will sussurrou tão baixo que Nico teve que ler seus lábios.
Will foi andando para trás, até se sentar na cama novamente, ele abaixou a cabeça e a afundou nas mãos, apoiando os cotovelos nos joelhos e sussurrando desculpas sem parar. Nico respirou fundo, se sentindo um idiota. Claro que Will estava se sentindo mal, ele estava sendo egoísta.
Nico engoliu em seco e andou até Will, ele se sentou ao seu lado e tocou seu ombro, se sentindo incomodado.
Este é o Will.– ele pensou. — Seu namorado. Você gosta dele. Não seja idiota.
– Não, Will. — ele disse baixo. — Está tudo bem. Me desculpe.
Will levantou o rosto e o encarou, confuso.
– Por que está pedindo desculpas?
Nico não respondeu. Ele não sabia, só sabia que de alguma forma, se sentia um pouco culpado com tudo aquilo, mesmo que não fizesse o menor sentido.
– É tudo culpa minha. — disse Will. — Meus deuses, Nico, me desculpe.
– Não foi você, Will. Não é...
– É claro que é! — Will o interrompeu. — Se eu não fosse idiota de sair ontem...
– Pare. — Nico o cortou. — Will, para.
Will suspirou, olhando para Nico de uma forma estranha e que estava incomodando um pouco o menor. Estar tão perto de Will o estava incomodando. Will dirigiu o olhar para sua mão, depois para o rosto de Nico novamente.
– Ah Nico, seu rosto. Você tomou um pouco de néctar?
Nico balançou negativamente a cabeça. Will se levantou e foi até um dos armários, pegou um jarro e despejou o liquido em um copo, andou até o menor e o entregou em seguida. Nico bebeu, sentindo um calor invadir seu corpo, ele ficou mais leve, sua cabeça e suas costas pararam de doer.
– Ainda sim vai ficar marcado. — Will disse preocupado.
– Está tudo bem, Will. — Nico colocou o copo vazio na cama.
– Não, não está!
Will se sentou ao seu lado, ele se virou e se virou para Nico, analisando-o. Sua mão tremia levemente, ela se aproximou e tocou o rosto um pouco inchado de Nico, depois desceu para seu pescoço. Nico se lembrou das marcas ali e compreendeu o olhar de horror de Will.
– Will... — ele começou a falar.
– Eu estava acordado. — os olhos azuis do loiro começaram a lacrimejar. — Eu estava acordado o tempo todo. Eu só não me controlava. Mas eu estava ciente de tudo. Eu me lembro de tudo.
Nico fechou os olhos e virou o rosto, sentindo envergonhado de repente. Ele tinha esperanças que Will não se lembrasse de muita coisa, que tudo fosse um pouco confuso, mas não. Will se lembrava. E se lembrava bem.
– Eu me lembro de te amarrar. — ele disse, quase em um sussurro. — E me lembro de você me pedindo para parar. Eu...
– Will, para.
– Eu lembro de te machucar. Eu tentava me controlar, eu tentava parar, mas eu simplesmente não conseguia. Eu... eu estava com tanto medo.
– Will, não importa mais, já foi.
– Se Percy não tivesse aparecido... Ah, você deve me odiar. — ele abaixou a cabeça.
Nico puxou o queixo de Will, fazendo-o encara-lo.
– É claro que não, Will.
– Você devia. — Will segurou a mão de Nico em seu queixo. — Nico, eu... eu vou entender se você não quiser mais me ver, ou...
– Você está louco? Will — Nico levou a outra mão ao rosto de Will, segurando-o e acariciando sua bochecha. -, você é meu namorado, entendeu? Isso não mudou.
Will pareceu mais calmo, ele deu um pequeno sorriso, mas seus olhos ainda estavam tristes.
– É sério?
– É claro, idiota.
– Como? Como pode dizer isso, Nico? É tudo culpa minha.
– Não, Will, não é. Pare com isso.
– É sim, se eu não tivesse saído...
– Mas você saiu. Já aconteceu, não dá para mudar, Will. Não adianta ficar se lamentando. — Nico se irritou. — Você não sabia o que ia acontecer. Podia ter acontecido com qualquer um.
– Não. Aconteceu comigo. — ele fez uma pausa, como se decidisse se continuava ou não. — Ele falava comigo.
– O que? — Nico franziu as sobrancelhas.
– Octavian. Ele falava comigo.Ele me dizia coisas. Dizia que ia se vingar dos filhos de Apolo, coisas assim. Mas quando ele viu meus... meus... meus sentimentos por você, ele disse que ia fazer o que eu queria. Que ia se vingar de nós dois, fazendo o que eu queria da pior forma possível.
"Eu só fiz o que o garoto queria." — a voz de Octavian ecoou pela cabeça de Nico.
– O que você queria?
– Eu queria você, mas eu não... eu nunca...
– Eu sei. — Nico interrompeu, se sentindo envergonhado. — Will, eu sei.
– Isso é terrível, mesmo para Octavian. Isso...
– Não era o Octavian. Era só um espírito vingativo. Mesmo se Octavian fosse a pessoa mais bondosa do mundo quando vivo, ele teria feito o mesmo. Espíritos vingativos são cruéis, só pensam em vingança. Não tem nada a ver com você, Will.
O loiro abaixou a cabeça e fechou os olhos, parecia arrasado.
– Mas isso não muda o fato de que era eu. — ele abriu as mãos em seu colo. — Eram as minhas mãos. Meu corpo. Você deve ter nojo de mim. Eu tenho nojo de mim.
– Não tenho nojo de você, Will. Isso não mudou.
Will abaixou a cabeça novamente como se não quisesse encara-lo. Nico se assustou ao ver lagrimas escorrerem pelos olhos do loiro. Rapidamente, acariciando sua bochecha. Will ergueu o rosto e encarou Nico com seus olhos azuis merejados. Lentamente, ele ergueu os braços, envolvendo a cintura de Nico, abraçando-o com força, afundando a cabeça em seu pescoço marcado. Nico hesitou um pouco antes de abraça-lo de volta, envolvendo o pescoço de Will com seus braços magros e afundando o pescoço ali.
Eles ficaram assim por um tempo, ouvindo e sentindo a respiração um do outro, perdidos no calor de seus corpos. Até que Will se moeu colocando a coba perto do ouvido de Nico e o abraçando mais forte.
Então ele sussurrou, sua voz estava cheia de carinho. Ele disse uma coisa que Nico pensou que nunca seria dito a ele novamente. Ele até havia se esquecido do som e do efeito daquelas palavras.
– Eu te amo. — as mãos de Will afagaram o cabelo de Nico, que paralisou. — Não tem que dizer nada, eu só precisava que você soubesse. — Will deu um beijo singelo e carinhoso no pescoço desnudo do garoto, depois em seu ombro, por cima da camisa, repousando a testa ali em seguida.
Nico ficou parado, com os olhos arregalados e em estado de choque. Sentiu um arrepio passar por seu corpo e um estranho calor passar por seu corpo.
Eu te amo.– essa frase ficou ecoando na cabeça de Nico. Ele não sabia o que pensar. Sabia que Will gostava dele, mas amar? Era um sentimento tão... forte. Tão puro, tão bonito. Nico não pensava que alguém algum dia sentiria isso por ele.
A ultima vez que alguém tinha dito isso pra ele, havia sido à anos atrás, quando sua irmã se despediu dele antes de sair em sua primeira e ultima missão com as Caçadoras de Ártemis.
"Se cuide Nico, faça amigos! E é melhor você ser um ótimo espadachim quando eu voltar, está bem?" — Bianca sorriu enquanto o abraçava.
"Tome cuidado." — Nico falou preocupado e a abraçou mais forte.
"Vou tomar. Vai ficar tudo bem. Tenho que ir. Te amo, irmãozinho."
Nico fechou os olhos e abraçou Will mais forte, sem conseguir dizer nada.
Ele não sabia dizer quanto tempo eles ficaram ali. Nico tentou evitar um grunhido frustrado quando Will se desencilhou do abraço, ficando de frente para o menor.
– Eu vou falar com o Quíron, e... — ele se interrompeu, olhando para o pulso que Nico tinha deixado de enfaixar na noite anterior. — Uau. Devia... estar apertado mesmo.
Nico não disse nada. Will se levantou e foi até um dos armários, pegando algumas coisas. Ele voltou e começou a limpar o outro pulso de Nico, enfaixando-o em seguida.
– Pronto, — Will disse observando os dois pulsos enfaixados. — é melhor você ir comer, é quase meio dia.
Nico balançou a cabeça e se levantou, ele andou até a saída com a cabeça abaixada. Quando ele saiu sentiu-se como se um peso saísse de cima dele, sentiu-se mais leve.
Mas quando ele saiu, se deparou com milhões de olhos azuis arregalados o encarando do outro lado. Os filhos de Apolo o olharam ansiosos. Ele revirou os olhos e abriu caminho em meio aos loiros, andando para o seu chalé.
Ele sentiu uma mão em seu ombro e foi virado com força, se deparando com outro loiro de olhos azuis, mas esse não era um filho de Apolo.
– Jason? — Nico franziu a sobrancelha.
– Você está bem? — ele perguntou um pouco alto demais e um olhar preocupado.
– Estou. As pessoas tem que parar de me perguntar isso.
– Por que não me acordou?
– Por que eu te acordaria?
– Por que eu sou seu amigo, eu poderia ajudar! O que aconteceu? Piper, Percy e Annabeth tentaram me explicar, mas ficou tudo confuso, e eu ainda não entendi o que a filha de Hermes com a cicatriz na perna tem a ver com tudo isso.
– Ela não tem nada a ver com isso. Eu nem sei quem ela é. Laura tem que parar de contar essa história para as pessoas.
– Então o que aconteceu?
– Will foi possuído pelo espírito de Octavian e ele tentou... — Nico hesitou. — me matar.
Jason ergueu a sobrancelha.
– Uau. Isso não tem nada a ver com o que eu tinha entendi da explicação da Piper, Percy e Annabeth.
– Bom, agora que você já sabe, será que eu posso ir para o meu chalé e...
– Não. Me explica isso direito!
– Não tem o que explicar! Foi o que aconteceu, Jason. — Nico suspirou cansado.
– Você já comeu?
– Eu não estou com fome, Jas...
– Você precisa comer. Eu sou seu amigo, cara. Por que você não me deixa te ajudar? Por que as pessoas não me deixam ajudar?
Nico franziu a testa, ele sentiu algo a mais na voz de Jason, e concluiu que tinha mais do que ele o estava contando.
– Aconteceu alguma coisa?
Jason suspirou, frustrado.
– Leo. Ele quase não sai do chalé dele desde que voltou, eu estou preocupado. E eu nem posso ir atrás dele, por que o chalé dele é um verdadeiro labirinto, se Leo não quer ser achado, ele não ai ser achado.
– Faz só uma semana, Jason. Ele vai demorar para superar.
– Eu sei. Eu só... nada. Vamos comer.
Nico decidiu não discutir. Eles andaram até o refeitório, pegaram o almoço e se sentaram na mesa de Hades. Jason e Nico conversavam normalmente, até que Nico viu Will entrar no refeitório, ele parou a conversa e observou o loiro pegar o almoço e andar até a mesa de Apolo, sem olhar para Nico ou para qualquer outro lugar.
– Ahn... — Jason olhou de Will para Nico. — vocês estão bem mesmo?
– Sim. — Nico respondeu mecanicamente, sem pensar sobre isso. Ele não queria pensar.
Então ele viu outra pessoa entrar no refeitório. Laura estava conversando com uma garota ruiva e olhou para Nico, que desviou os olhos rapidamente. Então Nico não viu quando ela pediu licença para a ruiva e andou apressadamente para a mesa de Hades.
Quando ela os alcançou, ela pegou a bandeja com o almoço de Jason e sem cerimonias a levou até a mesa de Zeus, sem ligar para os protestos de Jason. Depois voltou e empurrou Jason para fora da mesa, sem dizer uma palavra — surpreendentemente. Jason reclamou com aquilo, mas a garota apenas apontou para a mesa de Zeus com um olhar teimoso. O loiro revirou os olhos e cedeu, indo para a mesa 1.
Então, ela se dirigiu à mesa de Apolo e fez a mesma coisa com Will, pegou a bandeja do garoto e colocou aonde a de Jason estava. Mas ao invés de empurra-lo, ela puxou Will pela orelha até a mesa de Hades, falando alguma coisa que Nico não ouviu, como uma mãe dando bronca no filho.
Will se sentou à mesa, de frente para Nico, olhando Laura com um olhar assassino, Nico fez o mesmo. Ela apenas sorriu satisfeita, então ela saiu, deixando Nico e Will sozinhos na mesa.
A dois dias atrás, isso não seria problema, Nico se sentiria bem ficando ali e conversando de coisas alheias com Will. Mas agora tinha algo de diferente. Nico não sabia se era por causa do que havia acontecido na noite passada ou por causa do "eu te amo" — ou ambos, provavelmente ambos -, mas ele se sentia muito desconfortável perto do loiro.
Eles não trocaram uma palavra. Nico olhava para Will de vez em quando, mas ele desviava o rosto quando Will o olhava de volta.
Até que Laura voltou e se sentou ao lado de Nico, com um prato cheio de comida. Ela olhou de Nico para Will repetidamente e depois revirou os olhos.
– Ok. Enquanto vocês ficam cheios de frescura um com o outro, alguém pode me dizer quem é aquele gato na mesa de Atena? Por que eu sei que ele não estava aqui antes, eu me lembraria.
Will olhou para o garoto que Laura apontava e riu.
– É o campista novo. Ele chegou anteontem.
– E eu só vi ele agora? Como ele esconde a beleza de mim assim?
– Alex disse que ele passa a maior parte do tempo no chalé ou na biblioteca.
– Alex? — ela franziu a sobrancelha.
– É, Alex. Sabe, nosso irmão?
– Temos um irmão que chama Alex?
– Foi ele que quebrou o seu arco aquela vez, lembra?
– Aaaah, nossa, ele é muito chato.
– Você nunca falou com ele.
– Eu tenho empatia. Mas voltando ao assunto. O que mais você sabe sobre esse nerd sexy?
– Eu não...
– De quem vocês estão falando? — Nico perguntou olhando para a mesa de Atena.
– Daquele loiro no final do banco. — Laura indicou com a cabeça. — O que está com o livro na mão.
Nico olhou para o final da mesa. Havia um garoto no canto segurando um livro em uma mão e o garfo na outra, ele parecia não ter ideia do que acontecia fora daquele livro, ou não se importava. Ele tinha cabelos loiros lisos e brilhantes, eles caíam em seus olhos, que passavam pela folha do livro rapidamente. Usava um óculos grande e preto, que Nico tinha que admitir que dava um charme a mais. Tinha um rosto quadrado e seus músculos eram definidos no corpo magro.
– Ele é bonito. — Nico admitiu, corando um pouco.
– Não é tanto assim. — Will disse olhando para o prato.
– Olha Will, — disse Laura, apoiando os cotovelos na mesa. — sem ofensa, mas você não tem um gosto muito bom para garotos, Nico tem. Nico entende.
– Obrigado. — Nico disse, franzindo a sobrancelha em seguida. — Pera aí, o que isso quer dizer?
– Ah Nico, sem ofensa, mas você não está no grupo dos caras mais bonitos do acampamento. Mas tanto Percy quanto Will estão. Então você tem um ótimo gosto para garotos, mas o Will não.
– Você... você está me elogiando e me ofendendo ao mesmo tempo. — Nico ergueu as sobrancelhas, um pouco indignado.
– É, eu faço isso. — Laura deu de ombros. — Voltando ao assunto. Eu preciso de uma desculpa pra falar com ele.
– Chega nele — disse Will .-, e fala: "Oi, eu não te conheço, mas eu te vi de longe e te achei lindo, o que você acha da gente dar uns pegas atrás do meu chalé?".
– Eu não posso falar isso.
– Por que não?
– Por que isso já está obvio nas entrelinhas. Eu só preciso de uma desculpa pra ele ver as entrelinhas. Ele é um filho de Atena, então não tem que ser tão obvio, tem que ser mais sutil.
– Sutil? Você?
– Ah, claro, por que você é muito sutil, não é Will? — Laura se virou para Nico. — Eu acabei de fazer um parto, minhas mãos estão tremendo até agora, olha. — então ela pegou a mão de Nico, que riu ao lembrar-se dessa cena no dia da batalha contra Gaia.
Will corou.
– Eu queria ver o quão forte poderes dele estavam. Eu estava sentindo uma aura meio doente perto dele. E como você sabe disso?
– Eu tenho minhas fontes.
Will franziu a testa.
– Lou Ellen?
– Lou Ellen.
– Claro que sim. — Will revirou os olhos.
– Por que você não veio me visitar na enfermaria, Nico? — ela disse cruzando os braços e fazendo uma péssima imitação da voz de Will. — Não me trouxe um lanche? Não veio dizer oi? Acha que eu não ia gostar de ter uma amigo por perto? Sutil, Will, super sutil. O Nico tinha praticamente acabado de te conhecer. Depois você diz que não é um maniaco obsessivo.
Nico deu uma pequena risada, imagens daquele dia vieram a sua cabeça.
– Hey, Nico, vem ver o pôr do sol comigo! Por que eu adoro como o céu fica rosa!
– Tá bom, já provou seu argumento! E é vermelho, não rosa!
– Will, vermelho claro é rosa.
– Claro, vermelho claro é rosa, Nico não é fofo, qual sua próxima frase genial?
– Eu nunca disse que ele não era fofo, eu disse que ele não era bonito. É diferente.
– Eu não sou fofo. — Nico franziu as sobrancelhas.
– Claro que é.
– Não sou não.
– Nico, — Laura respirou fundo. — imagina um ursinho de pelúcia do seu pé, dando soquinhos na sua perna com as patinhas fofinhas dele e dizendo: "eu sou perigoso, tenho medo de mim!". Esse é você.
Nico abriu a boca indignado.
– Não sou não! Eu vou invocar uns zumbis, aí você vê quem é o ursinho de pelúcia!
– Owwwnt, dá até vontade de morder. — Laura sorriu, enquanto Nico a fuzilava com um olhar assassino. — Antes não era tanto assim, mas agora que o Will está cuidando de você, você não está mais tão esquelético e sombrio quanto antes. Você está até mais bronzeado, ainda continua muito branco, mas não tanto quanto a folha de papel que você era antes. Não tem mais tantas olheiras, não usa só preto, e até se livrou daqueles anéis horríveis.
– Olha aqui, eu... espera. — Nico olhou para as mãos e arregalou os olhos. — Cadê meus anéis?
– Você só reparou que não está usando eles agora?
– Eu estava com eles quando entrei na enfermaria. — Nico fechou os olhos, forçando a memória. — Depois eu não lembro mais.
Will suspirou.
– Tá bom, eu admito. Eu peguei.
– Como assim você "pegou"?
– Aí Will, isso é tão errado. — Laura riu.
– É que era tão sombrio. — Will tentou se explicar. — E você nem sentiu falta!
– Eu vou pegar de volta. — Nico fechou a cara e voltou a comer.
– Aí Nico, quando você vai fazer os ritos funerários? — laura perguntou mastigando sua comida.
– As mortalhas não estão prontas, um monte de gente morreu.
– Nossa irmã Amy morreu. — Laura abaixou a cabeça.
– Sinto muito.
Laura não disse nada e voltou a comer, assim como Nico. Eles continuaram falando sobre coisas alheias depois disso.
Depois do almoço, Nico voltou para seu chalé e jogou aqueles lençóis fora. Depois ele passou na enfermaria e abriu todos os armários até achar seus anéis, passou o dia treinando. Jason acabou se juntando a ele no meio do treino. Nico não apareceu no jantar naquela noite, ele sentiu uma pontada de decepção ao perceber que Will não o havia buscado furioso em seu chalé, dando um sermão sobre uma alimentação saudável.
Nico havia dito que nada tinha mudado entre eles, mas isso não era verdade. Eles se viram poucas vezes nos dias que se passaram, Nico passava a maior parte deles treinando ou em seu chalé, deitado na cama, se perguntando o que Will estava fazendo.
Havia essa tensão entre eles quando se encontravam. Will sempre perguntava por que Nico estava com olheiras, o moreno se sentia um pouco culpado por dizer que não estava conseguindo dormir, por que ele via o quanto Will se sentia mal com aquilo.
Nico sempre arrumava um jeito de evitar ficar muito tempo com Will, o garoto se sentia péssimo por isso depois, mas tanto os acontecimentos daquela noite, tanto por Will ter dito que o amava, fazia com que Nico se sentisse muito desconfortável perto do garoto. Não era tão feliz e divertido quanto antes, era meio tenso.
Cinco dias depois, Nico estava dormindo em sua cama — algo que não fazia muito -, quando sentiu sua cama balançar. Ele abriu os olhos assustados, tendo lembranças daquela noite e dos olhos brilhantes de Will. Mas ele estava sozinho no chalé.
Sua cama tremeu novamente, assim como seu armário e a cama de Hazel. Nico se levantou e quase caiu ao sentir outro tremor.
Terremoto?– Nico franziu as sobrancelhas.
Não era um terremoto, o chão tremia e depois parava, tremia e parava, tremia e parava, como se um gigante estivesse socando o chão repetidamente.
Nico saiu do chalé meio cambaleando e olhou em volta. O sol estava nascendo, o céu já estava bem claro, vários semideuses também estavam saindo do chale para ver o que estava acontecendo.
Nico sentiu o chão tremer novamente e viu uma luz vinda de trás dos chalés. Nico seguiu os semideuses que corriam na direção daquela luz e viu que não vinha de trás dos chales, vinha de um dos chalés.
Em volta do chale de Apolo havia uma parede transparente, como uma cúpula mágica. Era a proteção que os filhos de Hecate haviam colocado. O chão tremeu de novo e Nico viu a cúpula brilhar e tremeluzir, depois desaparecer. Então o chão tremeu de novo e a cúpula brilhou.
Nico sentiu um frio se espalhar por seu estomago e os pelos de seus braços se arrepiarem. Ele sabia o que estava acontecendo.
Estamos pegando leve.– a voz de Octavian ecoou em sua mente. — Estamos esperando. Quando atacarmos... vocês não terão chance.
– Will! — Nico gritou enquanto corria para o chalé de Apolo.
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