With you
12 Get it?
Notas iniciais
POV Nico
Ele pegou sua espada — só por precaução — e foi até a janela. Ele a abriu rapidamente e ergueu a espada, pronto para atacar, mas ele congelou no lugar ao ver quem estava do outro lado da janela.
– Will?
Will sorriu para Nico a princípio, mas ele pareceu assustado ao ver a espada, levantando as mãos em sinal de rendição.
– Não me mate. Eu venho paz — ele sussurrou.
– O que você está fazendo aqui? — Nico sussurrou de volta, abaixando a espada.
– Me deixa entrar.
– Will! As harpias podem te atacar a qualquer momento! E filhos de Apolo não podem andar sozinhos por ai. Quer ser queimado? Você não pode...
– Eu sei! Por isso eu preciso entrar!
– Meu chalé não tem proteção magica, Will!
– Mas tem você.
– Você me disse que eu não podia usar meus poderes!
– E não pode mesmo. Não está forte o suficiente pra isso.
– Exatamente!
– Ah, pelos deuses, como você é complicado! Vai me deixar entrar ou não?
Nico cerrou os punhos com vontade de gritar.
Eu sou o complicado aqui?
– Entre — ele disse entre dentes.
Will sorriu e subiu na janela, entrando no quarto e olhando em volta.
– Uau. Isso aqui não é meio macabro?
– Eu vou redecorar. — Nico disse irritado.
– Como acende a luz?
– Não tem luz, eu vou pegar umas velas.
– Velas? Por que não tem luz aqui?
– Por que não, Will! Aliás, o que você está fazendo aqui?
– Visitando o meu namorado ué.
– Não tem uma regra no acampamento proibindo duas pessoas de ficarem sozinhos num chalé?
– Tecnicamente a regra proíbe duas pessoas de sexos opostos a ficarem sozinhas num chalé.
– Que sorte a nossa, não é? — Nico cruzou os braços, irritado.
– Muita sorte. — Will se aproximou e lhe roubou um beijo, foi bem rápido, como se só quisesse provocar o menor. — Mas eu que sou o mais sortudo aqui. Você sempre dorme semi nu?
O moreno baixou os olhos e percebeu pela primeira vez que tinha ido dormir sem camisa. Ele corou e vestiu uma de suas camisetas pretas, tentando agir naturalmente. Will permaneceu com aquele sorriso irritante o tempo todo.
Nico foi até o armário e pegou umas velas, acendendo-as em seguida.
– Quer jogar?
Nico franziu as sobrancelhas.
– Jogar?
Will levou a mão ao bolso de trás e retirou uma caixinha vermelha dali, ele a abriu pela lateral de cima e entregou um maço de cartas presas por um elástico a Nico. O garoto hesitou um pouco antes de pegar e franziu as sobrancelhas ao ver o que era.
– Onde você conseguiu isso?
– A Laura sempre consegue o que quer. — ele deu de ombros. — Eu realmente não tenho ideia.
Nico tirou o elástico que prendia as cartas de mitomagia juntas e o jogou no chão, olhando as cartas com atenção e uma certa nostalgia.
– Você só vai ter que me ensinar a jogar — disse Will.
– Eu não jogo mais isso.
– Porque não?
– Porque é coisa de criança.
– Ah meus deuses, você tem complexo de 55 aos 15 anos?
Nico revirou os olhos.
– Você está arriscando sua vida pra isso?
– Pode ter um vírus mortal no ar nesse mesmo instante, então cada vez que respiramos, arriscamos nossa vida, devo parar de respirar?
– Essa foi a pior metáfora que eu já ouvi na minha vida, e eu estou vivo desde 1940.
– Bom, eu já sei algumas regras. — Will disse se sentando no chão. — Mas seria melhor você me explicar.
– Will, — Nico disse um pouco incomodado por estar ali sozinho com Will. — eu não sei...
– Ah qual é, Nico. — o loiro lhe lançou um olhar doce. — Eu nunca nem matei um monstro, você acha mesmo que eu ia, sei lá, te estuprar?
As orelhas de Nico queimaram.
– Não! Não! Eu só...
– Quer dizer, eu podia até tentar, mas até parece que eu ia conseguir. — ele riu ao ver a expressão de Nico. — Só estou brincando. Anda, senta ai.
Nico bufou, mas acabou cedendo. Ele se sentou e explicou as regras para Will, ele se atrapalhou algumas vezes, pois fazia tempo que ele não jogava.
– Quer por musica? — Will tirou seu Iphone do outro bolso e entregou a Nico, que começou a passar as musicas.
– Uau. — Nico disse. — Você tem um monte de musicas da Demi Lovato.
– Ela é gostosa e canta bem. — o loiro deu de ombros. — Eu gosto.
Nico ergueu as sobrancelhas.
– Gostosa?
– Sim. — Will assentiu. — Mas ela era bem mais bonita com o cabelo azul.
– Ela não é loira?
– Isso já faz tempo.
Nico deu de ombros e colocou as musicas no aleatório, deixando o Iphone de lado. Ele e Will começaram a jogar, apesar de Nico ainda achar aquilo um pouco ridículo. Mas não podia deixar de se sentir nostálgico. Nico não sabia dizer quanto tempo havia se passado, eles só ficara jogando e jogando por muito tempo.
– Você não se cansa de perder? — indagou Nico com um sorriso.
– Você está roubando! — Will parecia aborrecido. — Não é possível que você seja assim tão bom.
– Mas é possível que você seja assim tão ruim. — Nico riu quando o loiro bufou irritado. — E eu não jogo a cinco anos. — ele acrescentou.
– Quer jogar outra coisa?
– Claro, estou cansado de ganhar — Nico pegou as cartas e as juntou, prendendo o elástico novamente.
Will pegou outro maço de cartas do bolso e retirou o elástico, dando algumas cartas para Nico.
– Quantos bolsos você tem? — Nico franziu as sobrancelhas.
– Esse jogo se chama truco. — Will ignorou sua pergunta e começou a explicar as regras.
Will alcançou seu Iphone e parou a musica, depois engatinhou para trás de Nico e colocou suas mãos em seus ombros, escorregado-as pelos seus braços até ficar sobre as mãos pequenas e fortes do menor, segurando as cartas e o envolvendo de um jeito que Nico duvidava que fosse um método aprovado para se ensinar truco nas escolas.
Então Will encostou a boca na orelha do menor, que arregalou os olhos e sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo, Will também deve ter sentido, pois o sentiu sorrir enquanto ele sussurrava as regras do jogo no seu ouvido, de forma sensual.
Nico sentiu suas mãos tremerem sob as de Will e se amaldiçoou por isso. Will se aproximou, colando ainda mais seus corpos, deixando o moreno muito desconfortável. Com certeza Will tinha planejado tudo. Esperto.
Então Will encostou a boca em seu pescoço, logo abaixo da orelha de Nico e aplicou um beijo singelo ali, mas que fez Nico se arrepiar e deixar um suspiro escapar de sua garganta, sentindo seu coração bater forte contra suas costelas. Will aplicou outro beijo ali, um pouco mais forte, mas ainda de leve, então ele desceu os beijos pelo pescoço do menor, chegando aos seus ombros e subindo pelo seu pescoço até chegar a sua orelha novamente. Nico corou mais ainda ao sentir seu corpo responder aquele estimulo. As mãos de Will apertavam as de Nico, que amaçava as cartas sem nem perceber.
– Entendeu? — ele sussurrou com uma voz rouca e sexy. Nico apenas assentiu, incapaz de dizer qualquer coisa.
Pareceu que Will ia dizer mais alguma coisa, mas o único som que saiu de sua garganta foi um ruivo engasgado. Will apertou as mãos de Nico, não do jeito sensual que fez antes, mas de uma forma desesperada, então ele se afastou.
Nico olhou para trás confuso e viu Will com as mãos no pescoço, olhos arregalados e a boca aberta tentando desesperadamente conseguir respirar. Nico viu atrás dele uma mulher de aparência fantasmagórica, usando um traje romano rasgado e manchado, ela olhava para Will com um olhar de ódio e prazer. Um espírito vingativo.
Nico se levantou e cerrou os punhos, ele tentou forçar o espírito a recuar, mas ela era muito forte e se aproximou mais de Will. Nico o olhou e viu que ele estava começando a ficar roxo e tentou mais forte, batendo o pé no chão e fazendo o espírito se afundar, assim como Octavian. Ela gritou e se contorceu, mas continuou afundando e afundando, até que sua cabeça desapareceu no chão, seu grito ecoou pelo chalé.
Will puxou o ar e a cor voltou ao seu rosto, ele arfou e se dobrou, massageando seu pescoço. Nico sentiu seus joelhos cederem e ele caiu ajoelhado no chão, sentindo seus olhos pesarem e seu corpo fraquejar. Will o segurou segundos antes de ele cair de cara no chão. Ele sentiu seu corpo ser levantado e depositado na cama, depois sentiu a mão ainda tremula de Will acariciado seu rosto.
– Eu te disse para não usar seus poderes.
– Desculpe, da próxima vez, eu te deixo morrer. — Nico se irritou.
Will levou novamente a mão ao bolso e retirou um embrulho de papel, ele desembrulhou e retirou um pedaço de ambrosia, colocando-a na boca de Nico.
– É serio, quantas coisas você carrega nos bolsos?
– Eu nunca saio sem um pouco de ambrosia ou néctar. — Will de de ombros. — Coisa de médico.
– Eu disse que aqui não era seguro. — Nico se sentou, mastigando a ambrosia e lançando um olhar irritado a Will.
– Deite-se. — Will o empurrou de volta para a cama. — E eu disse que nada ia acontecer comigo.
– Tecnicamente, você não disse não.
– Ficou obvio nas entrelinhas.
– Ficou obvio que você é um idiota. Você viu o que aconteceu aos seus irmãos, ai você vem e...
Will se aproximou e o calou com seus lábios secos, Nico tentou protestar, mas não durou muito. Ele puxou o pescoço de Will, aproximando-o e aprofundando o beijo.
Mas mais uma vez eles foram interrompidos por uma batida na porta.
Não se tem privacidade nesse acampamento nem as três da manha? — Nico pensou aborrecido, enquanto se levantava e andava em direção a porta.
Quando ele abriu, toda sua raiva se esvaiu e foi substituída por alegria e confusão. Do outro lado Hazel o olhava com animo, Frank estava ao seu lado e exibia um sorriso amarelo e um pouco desconfortável. Hazel se aproximou e abraçou o irmão, enterrando o rosto em seu pescoço.
– O que você está fazendo aqui? — Nico perguntou docemente enquanto acariciava os cabelos encaracolados da irmã.
– Jason nos mandou uma mensagem de iris ontem a noite, avisando que Leo estava de volta. — ela se afastou. — Nós viemos o mais rápido que pudemos e acabamos de chegar. São quatro da manhã, desculpe te acordar.
– Não nos acordou. — Will apareceu atrás de Will a acenou para Hazel, que olhou confusa para ele e depois para Nico.
Discreto como sempre. — Nico revirou os olhos e corou.
– Ah... — Hazel parecia sem falas. — Que ótimo. E você é...?
– Will Solace, prazer te conhecer.
– Ah, você é o líder do chalé de Apolo. — a garota pareceu ainda mais confusa. — Por que você está aqui a essa hora?
– Estávamos só conversando.
– Por que Frank não vai para o chalé de Ares? — Nico disse louco para mudar de assunto.
– Não quisemos acordar todos eles, sabe como podem ser agressivos. — Hazel explicou pegando a mão de seu namorado.
– Então ele vai dormir aqui? Não há uma regra contra namorados ficarem juntos num chalé? — Nico cruzou os braços olhando para os dois, ignorando totalmente a ironia da situação.
– Só se estivermos sozinhos. — disse Frank. — Mas você está aqui. E você também. — ele acrescentou olhando envergonhado para Will.
– É, acho que não tem uma regra específica contra isso. — Will ponderou. — Meus deuses, imaginem quantos threesomes eu podia ter feito se tivesse me tocado disso mais cedo.
Nico sentiu as orelhas queimarem mais ainda, mas Hazel e Frank apenas o encararam confusos.
– Tree-oquê? — Hazel perguntou.
– Nada. — Nico disse rapidamente. — Entrem.
Eles entraram e Hazel se sentou em sua cama, puxando Frank para sentar ao seu lado. Nico e Will se sentaram na outra cama. Eles ficaram um tempo em um silêncio constrangedor.
– Vocês estavam jogando baralho? — Frank perguntou apontando para as cartas no chão.
– Eu estava explicando as regras pra ele. — disse Will, fazendo Nico corar de novo.
– Vocês estavam jogando baralho, as quatro da manhã? — Hazel perguntou franzindo as sobrancelhas.
– Ele que invadiu o meu quarto. — Nico tentou se justificar.
– Ah... então vocês são amigos agora?
– Sim, — Will disse lentamente e encarou Nico. — amigos.
Nico suspirou e baixou a cabeça, sabia que era melhor Nico contar a sua irmã, ou Will ia contar da sua forma nada sutil.
– Na verdade, nós estamos namorando agora.
Silêncio.
Hazel o encarou com a boca levemente aberta e com uma expressão de surpresa, assim como Frank. Hazel balbuciou algumas palavras antes de abrir um sorriso e se levantar para abraçar Nico.
– Eu fico fora uma semana e você arranja um namorado. Da próxima vez vou ficar fora um mês, e quando eu voltar, você vai ter netos!
– Ah... eu...
– E você estava me repreendendo por querer que meu namorado dormisse no meu chalé!
– Na verdade, — Will interveio para a infelicidade de Nico. — não tem nenhuma regra que proíbe duas pessoas do mesmo sexo a ficarem sozinhas num chalé.
– Muito espertos vocês, em? — ela riu. — Ah Nico, — Hazel disse feliz. — Isso é maravilhoso! — ela parou de abraça-lo e apontou para Will com um olhar ameaçador. — E você, é melhor ser um namorado excelente para Nico.
– Sim senhora. — Will sorriu.
– Ah... então você está bem com isso? — Nico franziu a testa confuso.
– Por que não estaria? — a garota pôs a mão na cintura.
Nico não sabia responder. Por alguma rasão ele pensou que a irmã não iria aceitar tão bem assim, talvez por que ela havia nascido na mesma época que ele, na época que ele mesmo não se aceitava.
– É cara, — Frank entrou na conversa de repente. — Não é só por causa da sua opção sexual que nós... — ele foi impedido de falar quando recebeu uma cotovelada de Hazel. — Ai. Por que fez isso?
– Orientação. — ela cruzou os braços.
– O que?
– Não é "opção sexual", Frank. É "orientação sexual", por que sexualidade não é uma opção ou uma escolha.
Nico olhou a irmã impressionado, ela podia ter nascido em outros tempos, mas sua mente com certeza pertencia à atualidade.
– Ah... — Frank parecia sem falas. — Desculpe, eu não quis dizer...
– Eu sei o que quis dizer. — Hazel o cortou ainda com os braços cruzados. Então ela voltou seu olhar para Nico. — Mas é seio, está tudo ótimo. Em nova roma eu descobri mangá yaoi, é tão fofo! — ela sorriu animada. — Quem é o uke? Ou vocês ainda não... — ela fez umas voltas com as mãos, como se estivesse sugerindo alguma coisa, mas Nico não entendia o que.
– O que? — ele perguntou.
– Nada Nico, — Will falou rapidamente. — nada.
– Espera um pouco. — Hazel disse como se tivesse acabado de se tocar de algum coisa. — Quando nós batemos vocês dois estavam...
– Não! — Nico a interrompeu ficando vermelho até na alma. — Não estávamos fazendo nada.
Hazel olhou para Will que a lançou um sorriso malicioso e assentiu, Nico lhe deu uma cotovelada e o lançou um olhar mortal que intimidaria qualquer um, mas não Will, que apenas deu uma risada e esfregou o local onde Nico o agrediu.
– Bom, vamos dormir? — Nico disse tentando agir normalmente. — Frank, deve ter um colchão que você possa usar. Will, é melhor você voltar para o seu chalé.
– Também acho. — Will se levantou e pegou suas cartas no chão, seu Iphone e se despediu, pulou pela janela e correu para o chalé de Apolo.
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