With You
17 Enfrentando a escola
Notas iniciais
Elena Gilbert
Caminhei até a porta e senti os olhares sobre mim, me segurei para não virar para trás e soltar um “O que estão olhando? Tenho cara de objeto em exposição?”.
Adentrei ao lugar e sorri um pouco, tinha que admitir, senti falta daquele lugar. Os adolescentes se espremendo para passar, o barulho de conversas e passos, armários abertos, grupinhos de amigos de todo o tipo de classe, desde aos nerds a jogadores de futebol, lógico que nem todos andavam em grupos, muitos estavam misturados. Alguns casais conversando ou aos beijos. Tudo familiar para mim.
Até com olhares eu estava acostumada, mas não quando muita gente mesmo, me olhava como se vissem um fantasma. Respirei fundo e procurei por meus amigos, sem sucesso e agradeci internamente por isso, não queria ter que dar explicações há essa hora manhã e quando ainda estava me preparando psicologicamente para explicar toda a situação.
Fui até meu armário, guardei alguns livros, fechei-o e quando olhei para frente, meu coração falhou uma batida.
Dei um sorriso fraco ao ver Elijah e Katherine conversado sorridentes, ela nem tão sorridente assim, eu a conhecia muito bem para notar a mínima tristeza em seu rosto.
Quem visse de longe e não soubesse da relação deles, juraria que eram apenas aluna e professor conversando amigavelmente. Elena deu uma risadinha com o pensamento.
Quando pararam de falar Katherine olhou para o lado e arregalou os olhos ao me ver, correndo até mim e abraçando-me tão forte que quase caímos.
Aspirei seu cheiro de morango, com o nariz em seus cachos e sorri. Sentia tanta falta dela, nunca tinha passado tanto tempo longe, um dia ou dois no máximo, por dormir na casa de amigas.
As pessoas nos olhavam curiosas, provavelmente criando alguma especulação, mas não me importei.
Uma lágrima caiu de meus olhos e soltei uma risada, alegre e aliviada. Ouvi um soluço de Katherine em meus cabelos.
– Lena. – Chamou com a voz chorosa. – Senti tanta sua falta, fiquei tão preocupada, me desculpe por não ligar, mas papai tirou nossos celulares e levou embora o fixo. – Continuou. – Tentei ligar nas horas vagas do celular das meninas, mas dava fora de área ou desligado.
Só então me dei conta que deixei meu celular esse tempo todo descarregado, afinal, só havia falado com as meninas pelo fixo.
– Tudo bem, eu fui burra e esqueci-me de carregar o celular. – Soltei-a. – Como vão as coisas em casa?
Katherine hesitou.
– Bem. – Ela mentiu e muito mal, por sinal.
Revirei os olhos.
– Katherine, sabe que não pode e nem consegue mentir para mim.
– Tudo bem. – Suspirou. – Mas, por favor, não fique mal, não quero que tenham problemas com você ou o bebê.
Fiz que sim com a cabeça.
– Está uma loucura, nossos pais brigam o tempo todo, culpam um ao outro, Maggie pergunta direto por você e até chora, Jer está encarado tudo com mais maturidade do que imaginei, conversamos muito esses dias e tentamos ao máximo amenizar o clima ruim. – Ela disse, preocupada. – Nossa mãe está horrível, tentou te ligar e só não acionou a polícia porque Damon mandou me avisar um dia depois da confusão, que você estava na casa dele.
Respirei fundo. A culpa me atingiu em cheio, sentia as lágrimas querendo sair, era tudo culpa minha. Minha família era sempre tão unida e feliz, agora estava tudo desmoronando e eu, causadora de todo esse desastre, não podia fazer nada.
Katherine notou minha tristeza e bufou.
– Sabia que não devia ter lhe falado. – Falou. – Hey, não é culpa sua, nosso pai foi um monstro com você.
– Eu mereci, Kath, sou uma vadia. – Falei, a voz embargada.
– Não fique assim, querida. – Ela abraçou-me e encostei a cabeça em seu ombro. – Não fique se sentindo culpada ou mal, isso não faz bem para você ou o bebê. – Continuou. – Você não é uma vadia, é a Elena, minha gêmea chata e responsável. – Pude sentir ela sorrir e afagar minhas costas. – Todos nós erramos, mas não devemos nos martirizar para sempre por isso, papai logo vai concertar a besteira que fez e tudo vai ficar bem, eu prometo.
Afastei-me dela e sorri, passando as mãos no rosto para tirar as lágrimas. O sinal tocou.
– Vamos para sala, no intervalo você tem muito a explicar, todos estão a ponto de arrancar os cabelos. – Katherine riu e me puxou para a sala de aula.
Estava agradecida por não ter nada além de olhares curiosos e uma irmã feliz por me ver, pelo o menos, até agora, está tudo indo bem, até demais.
[...]
Quis ir embora ao ouvir o barulho do sinal tocar anunciando o intervalo. Katherine apertou minha mão e sorriu.
Não sabia se estava totalmente preparada para contar, mas não esconder nada de ninguém, principalmente dos meus amigos.
Fomos para o refeitório e eu fui me servir.
Nas aulas que tive antes do intervalo, em uma delas estavam Caroline e Hayley, ainda bem que era de física e a professora era chata o bastante para brigar até se olhássemos para o lado. Só tivemos tempo de trocar um rápido abraço e “Senti sua falta” “Ficamos todos muito preocupados e um olhar de Caroline que dizia “Você tem obrigação de me contar tudo depois”.
Também tive uma aula com Kol e Tyler, que também me deram um rápido abraço e Kol fez uma piadinha como sempre, mas percebi que queria saber o motivo do meu sumiço e de Stefan.
Coloquei uma maçã e peguei um suco, o nervosismo não me ajudava a ter fome, mas precisava me alimentar, pelo bebê.
Pus minha bandeja na mesa de costume e agradeci por ter apenas Katherine e Jeremy. Dei a volta e Jeremy levantou-se sorrindo. Abracei-o com força, estava com muita saudade do meu irmãozinho rebelde.
– Lena, senti sua falta. – Ele disse, sua cabeça em meu queixo. Incrível como eu era mais velha e menor.
– Eu também, muita. – Sorri e soltei-o. – Não andou aprontando enquanto estive fora, andou?
Ele riu e voltamos a nos sentar. Jer ficou do meu lado.
– Como você está? E como Damon reagiu? – Ele perguntou, curioso.
– Damon reagiu ao que? – Caroline perguntou, sentando-se ao lado de Katherine, sendo seguida por Tyler e em segundos nossa mesa estava cheia como de costume.
Todos me abraçaram e perguntaram o que aconteceu, porque eu havia faltado tanto, onde estava o Stefan e mais um turbilhão de perguntas.
– Gente, a deixem respirar. – Matt disse e eu sorri em agradecimento.
Respirei fundo e contei até dez mentalmente. Era agora ou nunca, foco, Elena.
– Bom, vocês querem saber por que eu faltei tanto ou onde Stefan está. – Falei. – O que eu tenho a dizer vai deixar vocês de queixo caído e até talvez queiram se afastar de mim por isso, mas...
– Ora, se não é nossa Eleninha, tão sumida, querida. – Reconheci a voz irritante na lata e bufei, Stacy.
Stacy Blake é a garota mais insuportável que já andou pela face da terra, ela é líder de torcida e a maior vadia da escola, Já havia ido para cama com quase todos os caras do time de futebol e mais alguns. Desde antes de eu namorar Stefan, ela corria atrás dele, mas o mesmo nunca lhe deu bola e quando começamos a namorar, ela fez questão de me atormentar sempre quando podia. Não dava muita atenção a ela, não queria perder meu tempo com gente desse tipo que só servia para encher meu saco, mas Stacy conseguia ser realmente irritante quando queria e eu conseguia quase sempre dar-lhe uma resposta que a deixava sem reação e bufando. Sentia ciúmes de Stefan, mas Stacy nunca foi realmente grande problema, já que ele não quis ela solteiro, porque iria querer namorando?
Virei para ela, à mesma aparência de sempre, cabelos loiros, olhos azuis, corpo magro e curvilíneo, saia curta e uma blusa colada, acompanhada por saltos.
– Vejo que ia contar para os seus amigos a novidade. – Ela disse, o ar superior e a voz maldosa estavam presentes ali.
Gelei, ela não poderia saber, ou será que sim? Não, eu só havia contado a minha família, Stefan e Damon. Será que Stefan falou algo?
Não deixei o medo me abater, provavelmente aquela vadia apenas inventaria alguma história sem pé e nem cabeça.
Dei o sorriso mais falso que consegui e a olhei com superioridade.
– Senti sua falta também, Stacy.
Ela sorriu falsamente.
– Elena, acho que vou acabar com a sua novidade e contar eu mesma, mas não vou ser tão discreta quanto você. – Ela disse cínica. – Acho que a escola toda precisa saber, afinal, envolve nosso capitão do time de futebol e ele não dá notícia há dias.
– Não ouse, sua vadia. – Katherine rosnou e eu segurei sua mão.
– Ela só quer aparecer, é só mais uma de suas invenções. – Falei, não estava certa e rezava para que ela não soubesse de nada.
– Tem certeza, querida? – Ela disse. – Porque eu tenho certeza do que ouvi no corredor.
Meu coração falhou, não, ela não podia. Ela sorriu ao ver meu nervosismo, droga.
– Sua carinha de boa moça nunca me enganou, todos eram caidinhos pela Elena, à santinha boazinha, mas eu sempre vi que por debaixo dessa máscara estava uma vadia. – Continuou. – Eu engoli todos os seus insultos, seus sorrisos e você ter roubado ele de mim.
– Eu? Nunca te fiz nada, sua louca. – Levantei-me e fiquei cara a cara com ela. – Você sempre tentava me provocar quando podia e Stefan nunca lhe quis, nem solteiro e nem namorando, ele não gosta de vadias.
Sabia que não devia tê-la insultado, mas foi mais forte e mesmo se ela soubesse de tudo, não deixaria essa vagabunda me insultar e aguentar calada, não quando ainda tinha chance de me defender.
– Ainda me insulta, tem certeza que a vadia sou eu? – Arqueou uma sobrancelha, rindo.
Engoli em seco, ela sabia, ela havia escutado tudo, estou perdida. Katherine levantou-se, ameaçando voar nela, mas Tyler segurou-a.
Uma roda se formou entre nós e todos cochichavam e olhavam curiosos.
– Katherine controle-se. – Bonnie disse. – E Elena, o que está acontecendo?
– Eu respondo o que está acontecendo. – Stacy respondeu.
– Não ouse. – Katherine rosnou, tentando sair do aperto de Tyler.
Stacy sorriu mais ainda, eu estava perdida.
Logo todos ficariam sabendo, mas óbvio que eu não queria que fosse daquela maneira e pela aquela vadia sem escrúpulos.
– Vocês querem saber o motivo do sumiço do casal do ano? – Ela perguntou ironicamente e os cochichos só aumentaram. – Pois bem... Eu estava inocentemente saindo do banheiro quando ouvi uma conversa bem suspeita. – Falou. – Elena e Stefan conversavam, bem nervosos e o motivo?
Ela sorriu maldosamente.
– A tão santa Elena, se embebedou e sabem mais o que ela fez? – Ela riu maldosamente. – Foi para cama com seu cunhadinho, isso mesmo que vocês ouviram, traiu o namorado e o pior, com o próprio irmão dele.
Todos fizeram um som de espanto, não tinha coragem de olhar para os meus amigos.
– Você nega, querida? – Ela perguntou, cinicamente.
Abaixei a cabeça, não iria mais mentir, iria acabar com aquilo de uma vez por todas.
– Elena, isso é verdade? – Bonnie perguntou, seus olhos estavam arregalados.
– Sim. – Admiti.
Os cochichos aumentaram e os olhares dirigidos agora eram de julgamento, curiosidade, maldade e alguns até diversão.
Quis sumir novamente, olhei para meus amigos que me olhavam perplexos, devem estar me achando o pior tipo de vagabunda.
As lágrimas já queriam vir. Sentia-me humilhada e só queria desaparecer. Eu sabia que era verdade, eu havia feito aquilo e não me arrependia, mas aqueles olhares, cochichos, julgamentos e xingamentos, doía muito.
– Vadia. – Cuspiram alguns adolescentes.
– Pois é, doce Gilbert, você é uma vadia, tenho pena do Stefan de ter gasto seu tempo com uma pessoa da sua laia. – Ela disse, tinha nojo em sua voz e eu me encolhi. – Eu tenho nojo de você, Stefan tem nojo de você e agora, todos tem, não duvido nada que até seus pais tenham nojo de alguém tão repulsiva e falsa como você. – Continuou. – Você é o tipinho de pessoa fingida, que sempre se esconde atrás do perfil de boa moça, mas você é o lobo na pele do cordeiro.
As lágrimas desceram silenciosas, aquilo era verdade e eu a engoli de forma dolorosa. Eu sou uma pessoa desprezível.
– Querem saber mais? – Stacy disse, seu sorriso largo presente.
– Não, fique calada, sua maldita puta, isso não é da conta de ninguém, ninguém aqui tem nada haver com a vida dela, chega desse showzinho ridículo. – Jeremy disse e quase voou na loira, mas Matt o segurou.
– Calma, Jeremy, se você bater nela, perde a razão. – Disse Matt, meio chocado.
– Ora, pequeno Gilbert, querendo defender sua irmã vadia?
– Limpe sua boca para falar da minha irmã, sua puta. – Katherine cuspiu nela.
Ela olhou-a assassinamente, limpou o cuspe e então voltou a sorrir.
– Sua irmã é uma vadia, daquelas da pior espécie, a que encanta a todos só para depois dar o bote.
Stacy dirigiu seu olhar a mim.
– Nada a dizer, querida?
Não respondi, mas também não abaixei meu olhar, não daria aquele gostinho a ela.
– Tudo bem, te dei a chance de se defender e você não deu uma palavra. – Falou. – E vamos para o final dramático, acho que alguns telespectadores já imaginam, o típico drama adolescente. – Continuou. – Pelo jeito nossa querida Elena, está esperando um bebê de Damon Salvatore.
Os cochichos, expressões de susto, maldade, diversão e mais outras aumentaram, assim como os xingamentos aumentaram e ficavam cada vez mais altos.
– Agora podem me dizer quem é a vadia aqui? – Ela riu. – Pode me dizer, Gilbert?
As lágrimas já desciam, a dor aumentou e eu quis sumir. Olhei para os meus amigos, o mesmo olhar perplexo, olhei para meus irmãos e pareciam que iriam matar Stacy ali mesmo e finalmente, olhei para as pessoas ao meu redor.
Alguns estavam horrorizados, surpresos, outros me olhavam com maldade, diversão e até uns poucos com pena.
– Está respondida a dúvida do desaparecimento repentino do ex-casal mais lindo da escola. – Stacy falou sorrindo vitoriosamente.
Ela havia conseguido o que queria, me humilhou e eu nunca me esqueceria.
– Vadia. – Um coro soou alto.
– De santa só tinha a cara, sempre suspeitei. – Uma garota olhou para mim com nojo.
– Pobre Stefan, não merecia isso. – Alguns cochicharam.
De repente tudo começou a rondar minha cabeça, cochichos e xingamentos soaram alto em minha mente, Stefan, meu pai, pessoas em minha volta. Cai de joelhos com as mãos no rosto e aos prantos.
– Agora vai chorar? Own, pobrezinha. – Ouvi Stacy debochar.
– Agora você me paga, vadia. – Katherine disse e soltou-se de Tyler, que havia sem querer afrouxado o aperto.
Tirei as mãos do rosto e vi minha irmã acertando uma tapa no rosto da loira, que cambaleou. Olhei aquilo atônita, meu Deus.
– Isso foi por se meter onde não deve. – Outra tapa. – Esse foi por xingar minha irmã. – Um soco. – Isso foi por humilha-la e saiba, ela pode ter feito uma besteira, mas nunca será um terço do que você fez, você me dá nojo, vadia.
Stacy voou nos cabelos de minha irmã, levantei e tentei me meter, mas os braços de Matt me agarraram a tempo.
– Matt, me larga. – Grunhi
– Briga, briga, briga. – As pessoas gritavam.
Stacy conseguiu desferir uma tapa e um soco no rosto de minha irmã, Katherine derrubou-a no chão e sentou em cima dela.
– Nunca mais ouse pronunciar o nome da minha irmã ou de qualquer um da minha família. – Ela disse e Stacy se debatia embaixo dela.
Estava assustada, mas ver aquela puta apanhando não tinha preço, porém tinha medo das consequências que trariam para Kath.
– Katherine, deixe-a. – Pedi.
– Não depois de tudo que ela fez, essa puta vai pagar por tudo que fez. – Ela respondeu, o ódio presente em sua voz. – Essa puta já fez muita coisa ruim, chegou a hora dela ser humilhada e sentir como é isso.
– Me larga, maluca, socorro. – A loira esperneou.
As amigas dela tentaram defende-la, mas nossas amigas impediram. — Nunca mais ouse olhar para minha família ou amigos. – Uma tapa foi desferida no rosto da loira. – Nunca mais dê em cima do namorado de alguma das minhas amigas. – Continuou. – E se eu sonhar que você ao menos olhou torto para Elena ou qualquer família ou amigo meu, você sabe o que te acontece? Ouviu-me? – Ela não respondeu e Katherina agarrou seus cabelos. – Ouviu? – Katherine puxou mais e a loira gemeu.
– Sim. – Choramingou.
– Acho que não ouvi direito.
– Sim. – Gritou à loira, desesperada.
– Acho bom. – Katherine levantou-se e olhou mais uma vez a loira que ainda estava no chão, deu um sorriso maldoso e cuspiu na cara da garota. – Isso foi para deixar de ser vadia.
Palmas e vaias soaram alto em bom tom. Katherine me abraçou e eu retribui com força.
– Não devia ter feito isso, vai se dar mal por ter sujado as mãos com ela. – Seria mentira dizer que não fiquei mais alegre ao ver minha irmã dar uma surra em Stacy, mas não queria que ela se desse mal por minha causa.
– Não me importo, nada vai me tirar à satisfação de ter dado uma surra nessa vagabunda.
– O que está acontecendo aqui? – O diretor apareceu aos berros.
– A irmã da vadia Gilbert deu uma surra na Stacy por falar a verdade. – Uma das amigas de Stacy gritou.
– Blake, Gilberts, todas para diretoria e vocês direto para sala. – O diretor gritou, furioso.
Quando passamos pela multidão, pude ouvir muitos me xingarem e até rirem de mim, a dor voltou novamente.
– Não ligue para esses babacas, eu estou aqui, ok? – Kath disse.
Apenas assenti e dei-lhe um sorriso triste, era o máximo que eu conseguia agora. Estava preocupada, humilhada e triste demais.
[...]
Stacy foi para enfermaria, Katherine estava com o lado direito do rosto meio inchado, mas o estado de Stacy passava longe disso.
O diretor escutou nossa versão, logo depois que Stacy saiu da enfermaria, escutou a dela e depois deu um sermão enorme. Ligou para os nossos pais e disse que quando chegassem, diria a punição.
Ficamos na sala de espera e Stacy com o diretor, de acordo com ele, para evitar mais confusão.
Fiquei apreensiva, não estava preparada para ver meu pai depois do que aconteceu.
Lembrei de Damon, com certeza ele ficaria com muita raiva se soubesse que eu não havia ligado para ele para falar do ocorrido, mas não queria incomodá-lo, ele estava na faculdade essa hora.
– Ligue para ele, agora. – Katherine ordenou.
– Ele está ocupado. – Respondi.
– Elena... – Ela começou.
– Tudo bem. – Revirei os olhos e disquei o número, sabia que Katherine não me deixaria em paz, isso se ela mesma não ligasse para ele.
Resumi o ocorrido e em menos de vinte minutos Damon já havia chegado.
– Vocês estão bem? – Ele perguntou, preocupado.
Levantei-me e abracei-o, ele suspirou e apertou-me um pouco.
– Sim. – Respondi. – Kath nem tanto.
– Me poupe, só uns arranhões. – Ela revirou os olhos.
– Mandou bem. – Damon riu e piscou para ela.
– Damon. – Repreendi. – Ela podia ter se machucado ou feito algo sério em Stacy, além do mais que Kath vai se dar mal.
– Vai dizer que não gostou de ver aquela puta apanhando? – Katherine ergueu uma sobrancelha.
Todos rimos.
Meus pais chegaram e eu gelei.
Sorri para minha mãe, meu coração doía por passar todo esse tempo sem ter contato, sentia muita falta dela.
– Mamãe. – Me lancei sobre ela, abraçando-a com força
– Minha princesa. – Ela disse, emocionada e beijando meus cabelos.
Aconcheguei-me em seus braços, só eu sabia o quanto sentira falta daquele abraço reconfortante, de suas doces palavras, do carinho e até dos sermões, de tudo mesmo.
Pude observar por cima do ombro meu pai de cabeça baixa e indo falar com Katherine.
– Você está bem? – Ela perguntou ao nos soltarmos.
– Sim, e mãe, a senhora já o conheci, Damon.
– Olá. – Mamãe deu um sorriso fraco.
– Oi, senhora Gilbert. – Ele apertou a mão dela e sorriu educado.
– Katherine, o que você fez? – Mamãe disse, severa.
– Ela mereceu, aquela vadia, xingou e humilhou minha irmã, da para acreditar? – Katherine disse, revoltada.
– Olha o vocabulário mocinha, agora me expliquem tudo o que aconteceu.
Expliquei tudo e pouco depois os pais de Stacy chegaram, o diretor conversou primeiro com os pais e depois chamou todos, incluindo Damon.
– Bom, agora que todos sabem do ocorrido, a punição será a seguinte. – Falou. – As três estão suspensas e vão passar um mês em detenção.
– Três? Por quê? Porque falei a verdade? – Stacy defendeu-se, irritada.
– Senhorita Blake, a senhorita se meteu onde não devia, se tivesse ficado quieta, nada disso teria acontecido.
– Isso não é justo. – Resmungou a loira.
O diretor a ignorou.
– Podem ir, e por favor, não me apareçam aqui tão cedo.
Saímos da sala e fomos pegar nossas coisas, quando voltamos, Katherine me abraçou e depois mamãe, demorando bem mais.
– Minha querida, sinto muito que isso tenha acontecido, você realmente não merecia, pode recorrer a mim sempre que quiser e precisar, eu te amo muito e sinto sua falta mais do que imagina. – Ela disse, as lágrimas banhando seu rosto.
– Vou sobreviver, não se preocupe, tenho que arcar com as consequências, também te amo mãe e sinto sua falta. – Falei igualmente emocionada.
– Nada disso, querida, ninguém tinha direito de humilhá-la de forma alguma. – Ela disse, indignada. — Podemos marcar um almoço, nós três, para conversarmos melhor?
– Claro. – Respondi.
– Vamos, Miranda. – Meu pai chamou, mas não olhava para nós.
– Tchau, amor, vou ligar para você e Damon cuide bem da minha filha.
– Claro, senhora Gilbert. – Damon sorriu.
– Tchau, mãe.
Abraçamos-nos mais uma vez e eles foram embora.
Damon passou os braços em meus ombros e fomos andando.
– Katherine é muito boa de briga, da próxima vez que eu me meter em uma, dispenso meus amigos e chamo-a. – Ele brincou, mas pude sentir algo diferente em sua voz.
Entramos no carro e ele o ligou, começando a sair da escola.
– Damon, me desculpe por te ligar essa hora, mas...
– Mas nada, nem comece, você tinha a obrigação de me ligar. – Ele me interrompeu, tinha raiva em sua voz. – Elena, eu sei que você está mal por tudo aquilo e isso não te faz bem e nem para o bebê. – Continuou. – Nunca mais vou deixar ninguém te humilhar e não ligue para um bando de adolescentes idiotas, eles não sabem nem da metade da pessoa que você é. Eles não sabem o que você está passando e nem sabem do que houve entre nós.
Dei um sorriso fraco.
– Só estou pagando as consequências pelos meus atos, eu sabia que isso iria acontecer, uma hora ou outra. – Murmurei e virei para janela.
Ouvi Damon suspirar.
– Ninguém tem direito de julgar ninguém, você não é uma vadia, ter ficado bêbada e dormido com o cara errado uma vez na vida não faz de você a pior pessoa do mundo. – Notei tristeza em sua voz.
– Damon... – Comecei, mas não tinha muitos argumentos, pois Damon na época era irmão do meu namorado e ainda é, um tremendo galinha.
– Eu sei que o que fizemos foi errado e entendo que se arrependa, não precisa se preocupar comigo. – Falou. – Não sou eu que estou sendo humilhado.
– Eu vou superar, sempre supero.
E não dissemos mais nada. Assim que chegamos em casa, saí do carro e me tranquei no quarto. Não queria conversar, nem mesmo com Damon, precisava lidar com aquilo sozinha.
Escorreguei na porta e abracei meus joelhos. Eu sabia que seria assim, só havia tentado me enganar achando que não seria tão difícil.
As vozes ecoavam na minha cabeça, vozes de Stacy, meu pai, as pessoas presentes no refeitório. “Vadia” “Agora podem me dizer quem é a vadia aqui? – A risada ecoou. – Pode me dizer, Gilbert?” “Eu tenho nojo de você, Stefan tem nojo de você e agora, todos tem, não duvido nada que até seus pais tenham nojo de alguém tão repulsiva e falsa como você. – Continuou. – Você é o tipinho de pessoa fingida, que sempre se esconde atrás do perfil de boa moça, mas você é o lobo na pele do cordeiro.” “– SUA VAGABUNDA.” – A voz do meu pai falou “– Eu só não lhe dou uma lição, porque não quero machucar essa criança, que é inocente e não tem culpa da mãe dela ser uma vagabunda, mas debaixo desse teto você não fica mais nem uma noite.” “ – Você é uma irresponsável, você acha oque? Que a vida é uma brincadeira e que as coisas são fáceis? Eu não te criei assim, sempre te alertei, Elena, sempre mandei ter cuidado, mas parece que não adiantou de nada, pois não impediu de você abrir as pernas e ficar grávida, tem ideia do que fez? Tem ideia da responsabilidade que um filho tem na vida da gente? Sua irresponsável.” – Era a voz de minha mãe” “– Não me toque. – A voz de Stefan quase gritou. – Você me da nojo.” “– Porque logo ele, Elena? – Gritou. – PORQUE LOGO O MEU IRMÃO? EM? SUA VADIA, RESPONDA!”
As vozes soavam em minha cabeça, se misturavam e fazia a culpa e a tristeza aumentarem. Arrastei-me a cama, fiquei encolhida numa bola. Os soluços soavam no quarto, por mais que eu tentasse abafa-los.
[...]
Acabei pegando no sono e quando acordei, me sentia um pouco melhor, fisicamente estava renovada, mas meu psicológico estava um estrago, mas ainda assim, melhor do que antes. Segui para o banheiro, olhei minha imagem triste no espelho e me perguntei onde estava a Elena de poucos meses atrás, pois agora eu só via uma garota triste e chorona.
Respirei fundo, estava na chora daquilo acabar, eu tenho que me conformar com minha situação e parar de ligar o que vão dizer, se vão ou não falar de mim, a minha vida não é da conta de ninguém e o que está feito não dá para mudar, não que eu quisesse mudar algo.
Já amava essa vida dentro de mim e por mais que fosse algo novo, já me acostumava com meu estado e mal podia esperar que ele ou ela começasse a dar sinais, como chutes. E tem Damon, Deus, Damon Salvatore.
Não me arrependi da noite, não só por causa do bebê, mas por ele. Damon me despertou sentimentos em uma noite, que Stefan não conseguiu em mais de um ano. Com ele eu me sentia livre, não era só sexo ou atração.
Os sentimentos que eu havia descoberto eram diferentes e mesmo sem o bebê, não sei se conseguiria ficar longe dele por muito tempo. Todo seu charme, arrogância, ironia, seu senso de humor, o jeito espontâneo e natural, sua sinceridade, o fato dele ser legal, carinhoso e mesmo com seu jeito frio, ele mostrava se importar comigo. Em uma noite eu havia descoberto mais do que queria sobre ele, havia descoberto que tinha que poderia e tinha algo entre nós além de atração e desejo, tinha paixão e até... Amor?! Essa última parte eu não sei, afinal, a culpa martelava muito depois daquela noite e eu tinha medo de pensar demais nele e acabar me apaixonando e não conseguir ficar longe dele.
Depois que eu tinha descoberto d gravidez e contado para ele, muita coisa entre nós mudou. Ele havia mostrado uma parte que eu não conhecia, eu sabia que Damon podia ser carinhoso e gentil, mas não dessa maneira. Em poucos dias ele se mostrava uma pessoa diferente do cara galinha e frio que eu sempre conheci.
Ele cuidava de mim de um jeito que nunca imaginei, era carinhoso, compreensivo, gentil, preocupado e me aguentava mesmo quando meu humor estava horrível.
Quando eu chorava e ficava triste, ele sempre estava ali com carinho e palavras de consolo. Eu estava conhecendo a outra parte de Damon, a melhor.
Meus sentimentos por ele tomaram conta de mim sem nem ao menos que eu percebesse. Eu queria ficar perto dele sempre que podia, amava seus abraços ou quando ele me fazia cafuné, seus beijos e sorrisos, o jeito que ele me tocava ou me fazia rir, até seu jeito de irônico e cínico eu já amo, e às vezes eu tinha que me segurar para não agarrá-lo.
Como não percebi isso antes e como deixei acontecer tão rápido? Estou apaixonada por Damon Salvatore.
Assimilar isso foi como levar uma tapa na cara. Eu acabei de admitir, por mais que não seja em voz alta, que estou apaixonada por Damon, ai meu Deus.
O que eu vou fazer agora? Com vou agir? Droga, estava tudo indo tão bem, agora vou acabar estragando tudo. E por mais que Damon esteja me mostrando alguém diferente do que eu pensava, ele continua sendo um tremendo galinha. E se em poucos dias já estou assim, imagina nos meses e anos que vem pela frente.
Estou definitivamente ferrada.
Tomei um banho rápido e tentei não pensar em Damon, o que foi algo inútil.
Enrolei-me na toalha e saí, vesti algo confortável, short jeans, um suéter largo de lã cinza e calcei chinelos. Prendi meus cabelos num coque frouxo e fui catar meu celular, olhei a hora e arregalei os olhos, já era uma da tarde. Damon havia ido me buscar umas onze meia, eu havia dormido quase duas horas.
Minha barriga roncou e fui à procura de Damon, hoje eu faria o almoço e o sondaria para saber o que ele estava afim de comer. Aproveitaria também para agradecer pelo o que fez por mim hoje e dizer... Droga, Elena! Você não pode chegar e simplesmente dizer “Oi, pois é Damon, eu acho que estou apaixonada por você, mas... Vai querer o que para o almoço?”
Eu não posso simplesmente chegar nele e falar isso, tipo do nada, é loucura e as chances de ser rejeitada são enormes. Porque uma coisa é assumir o nosso filho e cuidar da gente, o que é um grande passo para nós, outra coisa é assumir um compromisso e por mais que ele tenha me surpreendido com tudo que tem feito e ainda me surpreenda, acho que um relacionamento amoroso entre nós é quase impossível.
Afastei esses pensamentos antes que cometesse alguma besteira impensada e acabasse com o que íamos construindo.
Saí do meu quarto, a casa estava silenciosa, procurei Damon em toda parte e nada, então resolvi ir ver se ele não estava no quarto.
Bati na porta três vezes e nada, talvez devesse estar no banho ou ocupado, mas precisava falar com ele. Abri a porta e deparei-me com uma cena linda.
Damon estava dormindo de barriga para cima, usando apenas uma calça moletom, sua cabeça virada para o lado e seu aspecto totalmente sereno e relaxado. Não consegui desviar meu olhar.
Seu rosto calmo e sereno, os cabelos bagunçados e a boca avermelhada formava um biquinho fofo, tive que controlar a vontade de beijar e morder. Era tão bom vê-lo tão sereno, sem preocupações.
Estudei cada traço seu lentamente. Desci meus olhos para sua barriga e braços, suspirei. Ele era forte, mas nada exagerado e sim o que se chama de gostoso, muito gostoso. Sua barriga era trincada, os músculos definidos e os braços eram fortes, mas tudo na medida certa. Suspirei lembrando-me naqueles braços fortes me segurando, em como o toquei naquelas regiões, beijei e fiz outras coisas que não valem a pena lembrar para não cair na tentação e agarrá-lo aqui mesmo.
Era muito injusto tanta beleza em um só ser. Analisei-o mais uma vez e sorri ao ver de novo seu rosto, minha mão formigou de vontade de tocar-lhe e eu me repreendi. Mas... tocar só um pouquinho não vai fazer mal? Vai?
Antes que eu pudesse me repreender por isso, meu corpo já estava ao lado da cama. Bom, agora que já estou tão perto, para que voltar atrás?
Abaixei-me e fiquei de joelhos ao lado da cama, passei as mãos pelos fios macios de seus cabelos, fazendo cafuné. Ele nem se mexeu. Desci a mão e alcancei seu rosto, toquei-o com as costas da mão e sorri ao sentir a textura de sua pele, macia como a de um bebê.
Passei o polegar em uma das suas bochechas e ele se remexeu. Tirei a mão rápido e levantei-me, Damon virou o rosto para o outro lado e eu respirei aliviada. Se ele me pegasse o flagra, não teria nem explicação para dar.
Saí do quarto e fechei a porta devagar. Quando já estava na escada, meu celular tocou. Peguei e sorri ao ver que era Katherine.
– Alô. – Falei.
– Lena. – Ela gritou, animada.
– Oi para você também. – Respondi. – Como consegue ficar com o humor tão bom depois de hoje?
– É simples, não me deixo abater por causa de vadias. – Falou. – Você deveria fazer o mesmo.
– É porque a humilhação não foi com você. – Resmunguei
– Para Elena. – Ela bufou. – Olha, temos um compromisso.
– Nossos pais deixaram você sair depois de ser suspensa? – Arqueei uma sobrancelha.
– Eles não estão em casa e além do mais, eu estava certa, e adorei poder quebrar a cara daquela piranha, já fazia tempo que ela merecia uma surra. – Ela riu e eu revirei os olhos.
– Você é horrível, sabia? – Ri.
– Não, eu sou realista, é diferente e vamos ser sinceras, você também adorou que eu sei.
– Você venceu. – Ri de novo. – Adorei mesmo.
– Bom, mas não foi só para isso que te liguei, temos um compromisso, lembra? – Ela disse.
– E eu disse que ia?
– Não, mas você não precisa dizer, porque você vai.
– Não quero sair de casa. – Choraminguei.
– Nem para ver as meninas? – Ela disse e senti minha insistência em não sair, ir ralo a baixo.
– Como assim? E elas ainda querem me ver depois de hoje? – Perguntei, receosa, afinal, não sabia direito a reação delas quanto a notícia.
– Elas são suas amigas e amigas de verdade não desistem uma da outra por nada. – Ela respondeu e suspirou. – Elas ficaram assustadas, mas quem não ficaria com uma notícia dessas sendo dada daquela maneira, e ficaram meio chateadas com você por não ter contado antes, mas eu expliquei toda a situação e até que lidaram bem, mas você sabe, esse tipo de coisa é para você explicar e elas estão com saudades e querem mesmo saberem de tudo o que está acontecendo.
– E se elas me julgarem? Com certeza vão, eu mereço. – Falei, com medo.
– Me poupe Elena, elas são suas amigas de verdade e se não forem, problema de quem não quiser ser, agora trata de besteira e me espera, chego aí em vinte minutos. – Ela disse. – Teremos uma tarde de meninas, tchau.
– Tchau.
Fui para o meu quarto e troquei de blusa, desci as escadas, rabisquei um bilhete e deixei pregado na geladeira, não queria que Damon ficasse preocupado.
Sentei-me na sala de estar e esperei.
E se elas me acharem uma vadia? E se não quiserem mais serem minhas amigas? Eu menti, fiz coisas horríveis, etc, quem quer ser amiga de uma pessoa assim?
Respirei fundo, Kath tem razão, são minhas amigas e eu tenho que parar de me torturar, as conheço bem e sei que vão continuar sendo minhas amigas, pelo menos, eu espero que sim. Já basta tudo que vem acontecendo, se minhas amigas ficarem longe de mim não sei o que vou fazer.
Dei um pequeno sorriso ao ouvir a buzina do carro ao lado de fora, saí de casa e entrei no carro. Abracei minha irmã com força e ela retribuiu.
– Você esta bem? – Ela perguntou.
– Melhor do que eu esperava, acredite, ter uma tarde com você e as meninas me deixou mais animada do que eu esperava. – Confessei.
– Está com medo? – Ela perguntou, já saindo da propriedade.
– Seria mentira dizer que não, estou cansada de sentir medo e tristeza, é só o que venho sentindo nesses últimos tempos.
– Então não sinta, pare de pensar no que os outros pensam de você e viva sua vida, você tem muita gente que te ama e te quer bem, é isso que importa. – Ela disse.
– Obrigada, você tem razão, vou fazer isso.
– Eu sei que é difícil, mas você vai conseguir. – Ela sorriu.
Sorri de volta.
– E você esta bem? – Perguntei. – Nossos pais pegaram muito pesado?
– Foi menos do que eu esperava, acredite. – Respondeu. – Estou de castigo por duas semanas, só de casa para escola, mas mamãe até me deu um sorriso discretamente por ter batido naquela ridícula.
– E você fugiu do castigo?
– Relaxa, se eu chegar até as sete, to salva. – Ela riu.
– Katherine. – Repreendi, mas ri em seguida. – E o nosso professor de literatura?
Katherine corou.
– O que tem ele? – Se fez de desentendida e eu ri.
– Vamos Kath, fala logo, como vocês estão?
– Bem, ótimos para falar a verdade. – Ela sorriu, radiante, parecia mais feliz do que nunca.
Haviam começado há namorar pouco tempo depois do ano-novo e minha irmã estava tão feliz como eu nunca vi antes, finalmente parece ter encontrado sua cara metade.
Jogamos conversa fora e suspirei ao chegarmos em frente á mansão Mikaelson.
– Uma tarde de garotas, você tá precisando. – Kath sorriu, tirando a chave e abrindo a porta.
– Uma tarde garotas. – Sorri, concordando, mas ao mesmo senti um frio na barriga pela ansiedade e uma pontada de medo.
Tentei ficar calma, afinal, eram minhas amigas e não bichos de sete cabeças.
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