Notas iniciais
Espero que gostem. Lembrem de comentar

Mais ou menos uma hora depois que Connor foi embora, eu fiquei no meu quarto esperando notícias ou qualquer coisa que me deixasse mais tranquila. No momento, a única coisa que quero é ter pelo menos a certeza de que meu pai e meu irmão estão bem. Tom já está de férias , então não precisa ir para a escola amanhã, mas eu preciso e não conseguirei ir se eles não chegarem. Não posso fazer uma boa prova sabendo que parte da minha família está em algum lugar por aí , passando, provavelmente, por coisas ruins. Minha mãe entra no quarto com o mesmo rosto assustado.

— Amy ...

— Ele atendeu o celular ?

— Não ... Você acha que eu devo chamar a polícia ?

— Eu não sei, mãe. Pode não ter acontecido coisa alguma, mas pode ter sido algo muito grave. — tento parecer tranquila, mas sinto lágrimas começando a sair dos meus olhos. — Eu só quero que eles voltem logo. — começo a chorar como uma criança que acabou de receber um "Não!" dos pais ou coisa parecida. Minha mãe senta na minha cama ao meu lado e me abraça. Eu sei que ela também está preocupada, posso ver nos olhos dela.

— Por que você não toma um banho e vai dormir depois ?

— Vou tomar banho daqui a pouco, e só penso em dormir quando eles chegarem.

— Você tem a última prova amanhã. Se já está preparada em relação ao estudos, é necessário que você descanse bem. Se eles não chegarem em meia hora, eu ligo para a polícia.

— Tudo bem. — enxugo o rosto molhado pelas lágrimas que acabaram de cair no tapete. Minha mãe sai do quarto, não sei para onde está indo, talvez para seu quarto ou a sala. Eu não sei o que fazer, não acho que um banho vá trazer meu pai para casa. Estou tão cansada, todas as provas durante essa última semana tiraram as minhas forças e tudo o que eu mais quero agora, depois de ter meu pai e meu irmão aqui, é um tempo para descansar, preciso de férias. Minha cabeça começa a doer e eu apenas deito e coloco o travesseiro sobre meu rosto. Fecho bem os olhos e sussurro :

— Vai ficar tudo bem no fim. Calma, só tente ter calma agora. A mamãe vai precisar de você. — não costumo falar comigo mesma, porém agora foi necessário, de alguma forma isso me deixou mais tranquila e agora eu posso pensar um pouco melhor. Tiro o travesseiro do rosto e fico olhando para o teto do quarto. Se algo ruim tiver acontecido é melhor descobrirmos logo, talvez ter falado "Não sei." quando minha mãe perguntou se deveria ligar para a polícia seja apenas uma desculpa para adiar um possível sofrimento. Com a cabeça doendo, desço as escadas devagar e sem olhar diretamente para onde minha mãe está sentada, falo :

— Mãe, na verdade, se nós ligarmos para a polícia pode ser até melhor , porque ... — ela me interrompe e , sem tirar os olhos assustados da televisão, fala :

— Amy, só ... Amy ... olha essa notícia. — ela aponta para a televisão, chego perto do sofá em que ela está sentada e vejo, com uma sensação de que todo o ar do mundo sumiu e eu não consigo respirar, o que o repórter começa a falar.

— Algumas horas atrás, foi encontrado um carro totalmente destruído e queimado próximo ao lago Tuggeranong. — ele fala com um tom sério. — As causas do acidente ainda não foram identificadas, porém os bombeiros encontraram vestígios de dois corpos carbonizados no interior do veículo. Ainda não se sabe quem são as vítimas, mas os policiais e peritos ficarão encarregados de descobrir. — então a minha visão começa a desfocar a imagem da televisão, as lágrimas enchem os meus olhos e eu sinto meu corpo paralisado. Algumas vezes, parece que eu não vivo um momento rápido porque minha cabeça não presta atenção no que realmente aconteceu, é como se eu estivesse pensando em outra coisa ou algo do tipo. Me sinto assim agora, mas meu cérebro me diz que só não posso acreditar porque não quero. É claro que pode ser coincidência, meu pai e meu irmão podem estar chegando, pode ter sido só um imprevisto. Mas por quê? Por que tinha que passar essa notícia na televisão ? Como a minha mãe deve estar se sentindo ?

— Mãe ... — eu começo a tentar falar alguma coisa.

— Não, Amy, não precisa falar nada.

— Pode não ter sido com eles, pode ter sido uma coincidência. — tento falar algo sem acreditar nas minhas próprias palavras. É difícil ver a mulher que sempre me ajuda chorando descontroladamente. "Você precisa ser forte. Por ela." Ordeno a mim mesma nos pensamentos, enquanto o rosto da minha mãe fica completamente cheio de lágrimas.

— Mãe, fique calma. — É tão inútil falar isso, sinto raiva de mim por não poder ser mais útil agora, mas dói tanto em mim também que é tudo o que consigo dizer.

— Amy, o Tom ... — ela treme enquanto chora. — só dez anos, Amy... dez anos... Seu pai ... E agora ?

— Mãe ! — eu falo um pouco mais alto. — Nós não podemos dizer que eles são as vítimas desse acidente, não vimos qual era o carro e não sabem quem eram as pessoas. — tento me convencer ao falar. Entro na cozinha e pego um copo com água gelada para a minha mãe.

— Tenta beber um pouco de água. — entrego o copo a ela, que me agradece com o olhar. Seus olhos estão vermelhos e o rosto pálido. Ela bebe um pouco da água. Seguro as mãos dela que estão frias e trêmulas com as minhas. Ficamos olhando nos olhos uma da outra. Não é necessário uma palavra para explicar a dor. Uma lágrima rola pelo meu rosto e eu sei que será difícil controlar as próximas. "Apenas tente." Continuo tentando me controlar.

— Mãe, vamos. Vou te levar para o seu quarto. — abraço os ombros dela com o braço direito e a guio pelas escadas. Chegamos no quarto. Ela senta na cama. — Deite aqui. — eu indico o travesseiro com a mão. Deito ao lado dela e brinco com os cabelos bagunçados que caem em seu rosto. Fecho os olhos e tento fingir que está tudo bem.

— Mãe, eu te amo muito.

— Ah, Amy. Eu também te amo demais. — ela só chora mais enquanto fala. — Querida, você tem uma prova amanhã, vá dormir daqui a pouco e coloque o despertador. — É incrível como ela continua se preocupando comigo em meio a esse problema gigante. "Quando descobrirem de quem são os corpos, ligarão." É tudo o que eu penso.

— Eu já coloquei o despertador, mãe, mas agora não é isso que importa. Vou ficar aqui até que você consiga dormir. Lembra de quando eu era criança e tinha medo do escuro ? Você ficava lá comigo até eu dormir, me deixe cuidar de você agora. Eu não sei como vou fazer uma boa prova amanhã depois de tudo isso, mas — respiro fundo para não chorar mais. — tentarei. Não pense que tudo acabou, é claro que se foi coincidência, parece terrível, se não for — dói tanto falar isso, parece que meu coração é esmagado com força. — saberemos e passaremos por tudo isso. Juntas. Amanhã tudo será resolvido.

— Obrigada, Amy. Eu te amo muito, você nem imagina. Obrigada, filha. — e no meio de lágrimas, dor e tristeza, e contrariando todas as minhas ideias de que só dormiria quando eles chegassem, adormecemos uma ao lado da outra. Às vezes, a dor não vem para ensinar ou nos deixar mais fortes... ela vem só por vir.

Notas finais
Terceiro capítulo e nada de comentários... Estou dando mais uma chance :/ mas acho que vou tirar a história daqui. Por favor, quero saber o que acham