Wings of Fate
12 Temores
Notas iniciais
– E a ovelha negra vale dez pontos. Quem a pegar vence o jogo. – concluiu Soluço, sob o olhar atento de Merida e seus irmãos.
Precisamente nesse momento a trompa soou e todos olharam para os céus. Merida procurou pelos competidores e Soluço chamou sua atenção, apontando para o loca de onde eles viriam. Melequento saiu primeiro, seguido por Astrid, os gêmeos e Perna de Peixe. O rugido da multidão de vikings era ensurdecedor, mas Merida ainda podia distinguir as vozes de seus irmãos acima dele.
–Vai Astrid! Acaba com eles! – gritavam os trigêmeos, deixando óbvio quem era seu preferido.
Não parecia haver uma ordem no modo como a corrida era feita. Qualquer um podia roubar a ovelha do outro concorrente a qualquer momento, de qualquer maneira, desde que fosse feito no ar. E foi o que aconteceu várias vezes. Os vikings tinham seus rostos pintados com as cores dos seus competidores preferidos. Amarelo e preto para os gêmeos, azul e laranja para Astrid, amarelo e vermelho para Melequento e verde e laranja para Perna de Peixe. Até Bocão entrou na brincadeira, o rosto comprido todo pintado com as cores de Astrid enquanto gritava incentivos da arquibancada.
Perna de Peixe e Melequento acabavam por ceder todas as ovelhas que conseguiam a Cabeça Dura e Soluço explicou a ela que eles estavam disputando a atenção dela a pelo menos cinco anos.
Astrid era a única que realmente parecia estar se esforçando para ganhar, fazendo Merida prender a respiração e seus irmãos gritarem de entusiasmo com as manobras de vôo insanas na sela de Tempestade. De vez em quando a guerreira saltava da sela e pulava sobre um obstáculo apenas para dar alguns passos e cair logo depois na sela de Tempestade, como se as duas fossem apenas um ser. Merida sentiu um pouco de inveja dessa cumplicidade. Angus era um bom cavalo, mas eles não era assim tão conectados.
– Um dia, Merida, vamos encontrar um dragão para você. – disse Soluço, como se lesse os pensamentos dela.
Merida sorriu com a possibilidade, mas sabia que não seria possível. Sua mãe jamais permitiria. Quando voltasse para Dunbroch... Ela sentiu seus olhos marejarem e lágrimas chegando, mas afastou o pensamento, antes que Soluço a visse. Nesse exato momento a trompa soou novamente e ela viu a ovelha negra ser lançada do ar. Os gritos da multidão eram tão altos que Merida mal podia ouvir os próprios pensamentos. Não muito depois, Astrid a pegou e ganhou o jogo.
Os irmãos de Merida deliravam de alegria.
– Um dia nós vamos participar também – disse Hubert.
– Mas para isso vocês precisam de um dragão, não precisam? – corrigiu Merida
Os trigêmeos se entreolharam e deram risinhos, como se compartilhassem uma piada que só eles sabiam. Merida não teve tempo de perguntar qual era, pois no meio da agitação pela vitória de Astrid, um garotinho magrelo de uns seis anos apareceu correndo e desviando das pessoas. Ele parou na arquibancada, balançando a cabeça para frente e para trás, e ao encontrar quem estava procurando correu até Merida. Carregava um pequeno papel dobrado, apertado em seu punho com o selo de Dunbroch e ao vê-lo, o coração dela começou a bater descontroladamente. Cada passo que o garoto dava na direção dela pareceu durar uma eternidade quando ela imaginou que tipo de notícias a carta traria. A guerra acabara? Estavam todos bem? Ela iria para casa ou ficaria mais algum tempo refugiada em Berk?
Soluço captou o olhar da princesa, assim como seus irmãos, que não esconderam o entusiasmo ao ver a carta. Provavelmente nem passava pela cabeça deles que a carta pudesse conter notícias ruins.
– Princesa... – o garoto articulou, entre uma tomada de fôlego e outra. – Acaba de chegar um dragão com uma carta para você.
Ele estendeu a carta para ela, com uma das mãos apoiada no joelho enquanto tomava fôlego. Merida pegou a carta e abriu-a ali mesmo, tão ansiosa que se esqueceu até do rapaz.
– Obrigado, Bjorn. – agradeceu Soluço.
A mão de Merida que segurava a carta tremia incontrolavelmente enquanto os olhos da princesa corriam as linhas do papel. Os garotos olhavam para ela, expectantes, mal se contendo para fazer silêncio e não atrapalhar a leitura.
A princesa baixou o papel, olhando para o vazio. Soluço segurou a mão dela, atraindo seu olhar.
– O que houve, Merida? O que diz a carta?
– Meu pai foi gravemente ferido na guerra e está à beira da morte, Soluço. Eu preciso ir para casa.
– É seguro? – ele inquiriu.
– Sim... Está tudo bem agora... Mas eu devo ir, ou posso nunca mais vê-lo outra vez.
Soluço assentiu, pensativo. Nenhum viking se lançaria ao mar no inverno, era perigoso demais. A única maneira de levar Merida até Dunbroch seria em um dragão. E ele não confiava em mais ninguém para aquela tarefa.
– Eu e Banguela te levaremos, Merida.
Impaciente, Harris arrancou a carta das mãos de Merida e leu junto com os irmãos. Expressões preocupadas desenharam-se nos rostos de Hamish e Hubert, mas Harris parecia hesitar.
– Essa não é a letra da mamãe. – ele observou.
–Não. Não é. Mas pode ser que ela tenha mandado alguém escrever por ela. Se papai está ferido, ela jamais o deixaria para escrever uma carta.
– Pode ser. Mas também pode ser uma armadilha. Como saberemos? – o garotinho inquiriu, desconfiado.
– Eu irei na frente. Se estiver tudo bem, mandarei outra carta sinalizando que vocês podem vir.
Expressões de indignação toldaram-se nos rostos dos irmãos de Merida e por um momento Soluço pôde ver a própria princesa nos gestos deles.
– Você não pode nos deixar aqui! Se a carta for verdadeira poderemos nunca mais ver o papai de novo! – protestou Hamish.
– Mamãe me deixou no comando. Vocês ficarão aqui. – ela disse secamente.
Os trigêmeos juntaram-se e cochicharam uns com os outros, sob o olhar atento de Merida, que se obrigava a pensar como uma rainha pensaria, como sua mãe pensaria. Na política, ela era dispensável, mas seus irmãos, não. Era sobre a cabeça deles que a coroa pesaria, quando Merida se casasse e fosse embora para sempre. Não poderia arriscar suas vidas caso a carta fosse falsa.
Além disso ela era sua irmã mais velha. Ela os amava demais para deixar que corressem qualquer risco desnecessário. Ela sabia lutar, eles não. Se fossem apanhados em uma armadilha, como ela os protegeria?
Depois de alguns minutos de conversa, os garotos se entreolharam e assentiram, estranhamente resignados a obedecer a irmã.
– Nós ficaremos.
Merida ergueu uma sobrancelha, desconfiada, mas nada no tom dos irmãos parecia sugerir que eles planejassem fazer alguma outra coisa. Melhor assim. A princesa suspirou, cansada.
– Temos que avisar Maudie. Me ajudem a encontrá-la. – ela pediu, tomando de volta a carta.
Os garotos assentiram e correram na direção oposta à que Soluço e Merida procuravam juntos. Após infindáveis minutos de busca, ninguém conseguira achá-la. Nenhum viking a vira sair. Parecia ter evaporado. Soluço deu a Merida um olhar constrangido.
– Hã... Talvez Merida... Talvez a gente deva olhar na forja... – ele sugeriu, evitando o olhar dela, coçando a nuca, um pouco embaraçado.
– Essa é uma ótima ideia. – ela concordou, sem muita esperança de encontrá-la lá.
Soluço tomou sua mão e os dois fizeram o caminho até a forja, sempre perguntando as pessoas sobre Maudie e sempre recebendo respostas negativas. Merida já estava começando a se preocupar.
A vila estava vazia, e quando finalmente chegaram na forja, a porta estava trancada. Soluço franziu o cenho, mais surpreso que irritado.
– Ele nunca tranca a porta. Nunca. – tirou uma chave do bolso e ergueu-a para Merida – Por sorte eu tenho a cópia. Ou melhor, eu fiz a cópia.
Enfiou a chave na fechadura e a girou, distraidamente. Ao abri-la, ouviram o som de panelas e objetos metálicos sendo derrubados lá dentro. Os dois se entreolharam, preocupados. Soluço apanhou uma espada entre as armas enfileiradas em um balcão e sussurrou para ela.
– Fique aqui, Merida. Isso está muito estranho...
– De jeito nenhum. – ela protestou, pegando um machado de batalha duplo, muito parecido com o de Astrid. – Se você pode se arriscar, eu também posso.
Soluço revirou os olhos, mas não reclamou. Levou um dedo aos lábios pedindo silêncio. Avançaram hesitantes, na ponta dos pés, desviando-se com cuidado de baldes e baldes de ferramentas afiadas e brilhantes. Na entrada de uma das seções da forja, ele olhou para Merida e começou a contar nos dedos, lentamente. Merida entendeu. Um. A princesa ergueu o machado bem devagar, com cuidado para não acertar um balde pendurado algum lugar acima de sua cabeça. Dois. Soluço apertou o a empunhadura da espada com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Respirou fundo e fez o sinal para Merida. Três.
Os dois saíram de trás da parede que os escondia, gritando como demônios, empunhando armas contra o que quer que estivesse ali.
Mas só havia Maudie. E Bocão. A criada se assustara tanto que estava catatônica e Bocão ficou simplesmente paralisado, corando como Soluço nunca vira, por debaixo das pinturas borradas no rosto. Havia tinta azul e laranja por todo o rosto de Maudie, principalmente nos lábios, mas ela também tinha manchas coloridas no pescoço e no decote.
Soluço estava estático diante da cena. Ele olhou por momento para os dois, alternando o olhar de um para outro, e depois para Merida, que parecia se segurar para não soltar gargalhadas com a cena.
– Maudie... Eu preciso muito falar com você. É importante. – ela começou, prendendo o riso, tentando ignorar o rosto e o pescoço cobertos de tinta da criada.
– Tudo bem. – ela se recompôs, alisando o vestido. – Bocão já terminou de me mostrar a forja. Não é mesmo, Bocão?
Merida deixou escapar um risinho e tentou disfarçar tossindo, diante da tentativa ridícula de Maudie de tentar remediar a situação. Aquela desculpa esfarrapada não convencia ninguém, não depois do que ela vira. O ferreiro piscou por um momento, pensando no que responderia. Obviamente a situação não poderia ficar pior do que estava, então ele simplesmente assentiu.
– Bem, eu vou deixar vocês a sós para conversarem. – disse Bocão, sendo imediatamente interrompido por Soluço.
– Eu também preciso falar com você, Bocão. – ele dissera, enquanto saíam da forja, deixando Maudie e Merida sozinhas.
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Merida terminava de fechar uma pequena bolsa de viagem. Levava poucas coisas, seu arco, a aljava de flechas, uma muda de roupas e um saco grande de dormir, além de um cantil de água e umas poucas provisões alimentícias. Viajariam leves, para não sobrecarregar Banguela. Encontrou Astrid na entrada de casa, já sem as pinturas da corrida. Estava séria, provavelmente já sabendo que eles iriam embora. Sem dizer nada, as duas simplesmente correram a pequena distância que as separava e se abraçaram.
Ao se afastarem, Astrid olhou nos olhos da princesa e aconselhou.
– Tome cuidado, Merida. Fique perto de Soluço e do Banguela. Pelo menos até saber como estão as coisas.
A princesa revirou os olhos.
–Não se preocupe comigo, Astrid. Eu vou ficar bem. Também sou uma guerreira, lembra? – apontou para o arco, pendurado nas costas e recomeçou a falar, desta vez num tom mais sério. – Astrid. Não importa o que aconteça, quero que saiba que gostei muito de conhecer você. E se as coisas derem certo, gostaria que fosse me visitar em Dunbroch, um dia.
Astrid sorriu para ela.
– Você está se despedindo? – a guerreira revirou os olhos. – Não posso acreditar nisso.
– Estou indo embora, Astrid – ela explicou, com um ar um pouco confuso – Na melhor das hipóteses, não vou mais voltar. E na pior, talvez eu morra.
– Pare com isso, Merida. – Astrid fez um gesto de desdém com a mão – Nós duas sabemos que você não vai ficar longe de Berk por muito tempo. Só tenha cuidado, sim? E cuide daqueles dois. – apontou para Banguela e Soluço, que vinham subindo a encosta e se virou, dando um soco no braço de Soluço ao passar por ele. – Cuide bem dela – rosnou.
Soluço caminhou até Merida, segurando o braço dolorido.
– Está pronta? – ele perguntou.
– Não. Mas tenho quer ir, mesmo assim.
– Já se despediu dos seus irmãos?
– Não os encontrei em parte alguma. Devem estar em algum canto, emburrados comigo. De qualquer forma, não podem sair da ilha. Maudie vai cuidar deles e... – parou subitamente, vendo uma multidão viking subindo a colina, chefiada por Astrid.
Todos vieram pessoalmente se despedir da princesa a quem tinham se afeiçoado. Alguns até mesmo trouxeram presentes. Uma velha senhora trouxe um vestido de lã, feito por ela. Uma meninha trouxe um pente de osso, ricamente trabalhado. Bocão trouxera um lindo espelho com suporte de metal, ornamentado com flores. Um casal lhe dera uma dúzia de ovelhas de presente, e Merida agradeceu, sorrindo. Haviam mais coisas, claro. Flores. Um arco novo e um protetor de braço para atirar. Um enorme baú para guardar roupas, novinho, detalhadamente trabalhado com padrões ornamentais correndo pela madeira. Astrid deu a ela um gancho de cabelo intrincado de flores esculpidas, feito com um dos espinhos de Tempestade. Ela sorriu para a guerreira.
– Não posso levar tudo isso... – ela comentou.
– Eles sabem. Essas coisas ficarão aqui. – Astrid explicou, sorrindo com a expressão de confusão de Merida.
– É um costume viking?
– Na verdade suas coisas ficarão aqui, por que todos esperam que você volte, Merida. Nosso povo se afeiçoou muito a você. Ao fazer isso, querem dizer que você é bem vinda para voltar e que vamos estar esperando por isso.
Os olhos de Merida se encheram de lágrimas com a revelação. Ela enxugou o rosto e falou, erguendo a voz o máximo que pôde.
– Quero muito agradecer a todos por tudo o que fizeram por mim. Nunca vou me esquecer de nenhum de vocês. Obrigada... – ela fungou, incapaz de terminar, cedendo as lágrimas novamente.
As pessoas a cercaram, consolando-a, e Soluço apenas assistia a cena. Era fácil entender por que se afeiçoaram tanto a ela. Merida era valente, tinha um riso fácil e não agia com a formalidade esperada de uma princesa. Era fácil conversar com ela e a princesa dedicava a mesma atenção a todos. Não tinha medo de trabalhar para ajudar alguém e nunca se punha em posição superior. E era uma guerreira, o que para os vikings era algo muito valorizado Eles já a amam como uma viking, pensou, Como se ela já fosse a minha esposa. Não tenho dúvidas que matariam e morreriam por ela, assim como eu. Nem Astrid conseguiu ficar indiferente.
A princesa terminara as despedidas e foi até ele, com os olhos ainda lacrimejando. Soluço subiu na sela e estendeu a mão para ela. A princesa fez uma careta, mas aceitou a mão dele, grata pela segurança que ela transmitia. Banguela alçou vôo, e enquanto subiam, Merida acenava para as pessoas lá embaixo, que acenavam de volta.
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Após o que pareceram horas voando, Soluço fez Banguela aterrissar em um daqueles enormes pilares rochosos, pouco antes do sol se pôr.
– Vamos dormir aqui essa noite. Amanhã, bem cedo alçamos vôo outra vez.
Merida assentiu, tirando da sela seu saco de dormir e algumas provisões. Estava frio e o vento uivava enquanto Soluço acendia a fogueira. Sentaram-se juntos, comeram uma refeição fria de frutas desidratadas e passaram algum tempo assim, olhando para a fogueira. Ela estava calada e pensativa.
– Desculpe por hoje. – ele disse, num tom de voz suave e cauteloso. – A despedida.
– Porque está se desculpando? Você não planejou nada. – ela respondeu.
– Eu sou o líder agora. Em parte, é culpa minha. Foi um pouco rude. Presumirem que você queria ficar em Berk.
– E o que o faz pensar que eu não queria? – ela perguntou, curiosa com o que ele responderia.
Soluço soltou um riso sem humor, revirando as chamas com um graveto. Pensou um pouco antes de responder.
– Olhe a terra ao seu redor. – ele fez um gesto amplo com a mão, para abarcar a paisagem – O solo é fino demais para arar, irregular demais para cavalos. O verão é frio demais para o trigo e inviável para frutas. Algumas montanhas tem ferro ou ouro, mas não essas. No inverno, como você pode ver por si só, a neve forma montes mais altos que a sua cabeça. Na primavera, as tempestades erguem seus pés do chão. Essa terra não tem nada, Merida. Não há nada aqui que você possa realmente querer. Tornou-se nossa porque ninguém mais a quer.
A princesa lançou-lhe um olhar magoado e Soluço soube que havia falado demais.
– Se eu estivesse procurando por poder e riquezas, Soluço, tenha a certeza de que eu já estaria casada com um dos filhos dos chefes de clã a muito tempo. Achei que me conhecesse bem o suficiente para saber disso. – disse e se levantou, deixando Soluço e Banguela a beira do fogueira.
Merida não soube dizer quanto tempo se passou enquanto olhava as cores da aurora boreal acima dela. Nem mesmo o suave tremeluzir da luzes conseguia alcançar sua mente agora. Ela estava com um humor sombrio. Só havia morte em seu futuro agora. A de seu pai ou a sua, não importava.
Soluço a observava, tentando encontrar algo para dizer. A princesa quedava-se parada, no beiral do pilar de pedra e o vento chicoteava os cachos vermelhos para frente e para trás. Ela estava assim a um bom tempo, e era óbvio para ele que apenas seu corpo estava ali. Sua mente estava muito, muito longe, focada em problemas na sua terra natal. Sentiu-se mal por tê-la perturbado com o que dissera.
Ele se ergueu e caminhou até ela, a perna metálica fazendo barulho contra as pedras não sobressaltou Merida. Aproximou-se dela e a abraçou por trás.
– Volte para mim. – ele disse junto ao ouvido dela, num tom suave que era quase uma súplica.
Merida virou-se para ele e o abraçou. Ele beijou sua testa e seus lábios encontraram os dela, num beijo tímido, quase casto.
– Estou com medo, Soluço. – ela falou, baixinho, contra o pescoço dele. Ele segurou a mão dela e ergueu seu queixo, fazendo-a olhar para ele.
– Eu estou contigo, Merida. Quem te atacar, vai me encontrar no seu caminho. – ele disse para ela, com uma seriedade que a acalmou. Atrás dela, Banguela rosnou, como se dissesse que quem os atacasse teria que se ver com ele também, e roçou a cabeça contra ela, pedindo carinho. A princesa acariciou o dragão, que grunhiu, satisfeito.
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