Wings of Fate
4 Ameaça
Notas iniciais
– Nós poderíamos ir voando. – Ele comentou, despreocupadamente.
Os olhos de Merida se arregalaram e um sorriso formou-se em seus lábios.
–Poderíamos? – Então suspirou. Ela era uma princesa. Sua mãe já não gostava muito da ideia de sair sozinha pela floresta montada na garupa de Angus. O que ela diria se a visse montada em um dragão, com um viking ainda por cima? Baixou os olhos para o chão. – Não. Não poderíamos.
– Você está com medo? – provocou Soluço.
– Que absurdo. É claro que não estou com medo! – ela rebateu, indignada. Agora que o mal já estava feito, qual era o problema em piorar as coisas apenas um pouquinho? A esta hora, a rainha com certeza já teria descoberto que a filha saíra, então nada podia ser feito para remediar a bronca que estaria esperando por ela em casa. Por que não viver o momento? Quantas pessoas de sorte no mundo recebiam um convite maravilhoso e único como aquele? Não, não seria justo perder essa oportunidade apenas por medo de recriminações.
Soluço acordara Banguela e já estava montado na cela projetada especialmente para a fera. A princesa dirigiu um breve olhar para a cauda protética do dragão e o modo como ela se encaixava na cela, fazendo uma estranha combinação com a perna postiça de Soluço, mas não comentou nada, por achar que seria indelicado. Banguela grunhiu para Merida e o som soou como um convite. Merida sorriu para ele e Soluço estendeu-lhe a mão para que ela subisse.
Merida aceitou e tomou seu lugar atrás de Soluço. As asas negras de Banguela se abriram e ele levantou vôo. Começou a subir no céu, impulsionando-se com as poderosas asas. Merida sentiu o vento a envolvendo e por um momento teve medo, muito medo. Mas então percebeu que estava voando. Voando! E nas costas de um dragão, uma criatura que ela só acreditava existir em contos de fadas!
Ao abrir os olhos Merida gritou de felicidade. Soluço ria dela, mas sabia o que ela estava sentindo. Sentiu o mesmo quando voou sozinho com Banguela pela primeira vez, sem usar nenhuma lista de manobras.
Atravessavam as nuvens a toda velocidade e quanto mais subiam, mais poderosa e livre ela se sentia. Quando olhou para baixo, lágrimas vieram a seus olhos. Podia ver tudo: As árvores da floresta que de perto lhe pareciam tão imensas agora diminuíam-se diante dela, parecendo minúsculas.
Ao longe, o gado corria nos campos intermináveis e verdes, tão pequeno que mais parecia um bando de formigas. E mais adiante estava Dunbroch. Sua casa. O imenso castelo de pedra que se erguia nas colinas. Viu tudo: cada muralha, cada torre de vigia, os estábulos, o pátio, os portões de entrada. A alegria que sentia não podia ser expressa com palavras. Não pela última vez, permitiu-se gritar novamente.
Banguela soltou um grunhido risonho. Soluço gritou alguma coisa para ele contra o vento, mas a princesa não pôde ouvir o que era. Então o dragão começou a subir, girando e rodopiando loucamente, até que o céu e a terra se misturaram como um caleidoscópio azul e verde.
– Pára, Banguela, você vai assustá-la! – Soluço gritou em meio ao vento.
Mas agarrada a Soluço, Merida ria e divertia-se como nunca antes. Quando estavam lá no alto, Banguela pareceu parar no ar. Soluço virou-se preocupado, esperando ver o pânico tomar conta de Merida e ela pedir pelo amor dos deuses que a deixasse descer, exatamente como Astrid fizera alguns anos antes. Mas a expressão deliciada de Merida o deixou surpreso. Mesmo em meio às acrobacias insanas de Banguela, Merida sorria como aquele fosse o melhor passeio de sua vida. Pensou em como as duas eram diferentes, mas ainda assim, parecidas.
As asas do dragão esticaram-se e imobilizaram-se. Banguela mergulhou de cabeça, deixando-se cair como uma pedra. No início a queda não foi tão rápida, mas a velocidade aumentou até que árvores, pedras e solo aproximavam-se como um borrão, ameaçadores.
Logo quando o chão só parecia esperar que eles caíssem, Banguela abriu suas asas de novo e planou em vôo rasante sobre a floresta, quase roçando a copa das árvores, espantando bandos de aves que descansavam sobre elas. Banguela, incentivado pela animação da nova passageira, começou a rolar alegremente no céu, virando sobre si mesmo e dando uma cambalhota atrás da outra.
Merida gritava de entusiasmo com o coração aos pulos. Nunca na vida se sentira tão livre. Entregou-se plenamente à sensação dos ventos na pele, o prazer do vôo rasante, a alegria de deixar-se levar pelas correntezas. Aquilo era vida, pensou. Queria banhar-se nela, bebê-la gole após gole até chegar ao ponto de arrebentar.
Voaram pela encosta da montanha, planando próximo a Cascata de Fogo, onde ela subira anos antes, só para provar a si mesma que podia. Banguela voou pertinho da cascata e Merida estendeu as mãos em concha, apanhando um punhado das águas que apenas os reis mais valentes provaram e levou-a aos lábios. Depois de beber, Merida riu, deliciada e feliz como um criança. Soluço achou graça do gesto, rindo também. Nunca compreenderia o significado do que acabara de ver pois não conhecia as lendas escocesas, mas era impossível para ele não se deixar levar pelo entusiasmo da princesa.
Conforme se aproximavam do castelo, Banguela tornou-se mais comedido, seu vôo calmo e tranquilo, um simples planar inofensivo. No horizonte, bem longe, uma nuvem de fumaça negra se erguia do solo, e Merida se perguntou se houvera algum incêndio próximo das fronteiras.
Quando desceram suavemente no pátio, já dentro do próprio castelo, Soluço desmontou e ofereceu novamente sua mão para Merida. Ela bufou, indignada.
– Nunca entendi por que os homens fazem isso. Já lhe ocorreu que talvez eu possa descer sozinha? – disse, passando a perna por cima da garupa para descer.
– Já lhe ocorreu que talvez eu possa querer segurar sua mão? – disse Soluço, em um tom levemente sarcástico, ainda com a mão estendida para ela.
Merida observou a mão dele por alguns segundos e aceitou-a. Quando desceu, ficou alguns segundos olhando para Soluço, sem soltar a mão dele. Decidiu que gostava de Soluço. Ele era diferente. Era inteligente sem ser arrogante ou desagradável. Engraçado de um jeito sarcástico, mas sem ser indelicado. Era calmo e ponderado também, mas acima de tudo, Soluço era modesto. Se era mesmo verdade o que Estóico tinha dito sobre ele, Merida poderia esperar um rapaz cheio de si, narcisista e convencido. Mas Soluço não era nenhuma dessas coisas. Emanava uma energia de liderança, mas assim como o rei Fergus, onde quer que ele fosse e o que quer que fizesse as pessoas (e possivelmente os dragões) o seguiriam por amor, não por medo, nem por obediência cega. Por um momento, Merida desejou tê-lo conhecido em uma situação diferente, onde pudessem interagir um com o outro sem a sombra de um matrimônio forçado. Mas as coisas não funcionavam dessa forma.
– Obrigada por isso. Foi lindo. Eu nunca vivi nada assim antes. Obrigada. – sorriu.
Soluço não conseguiu pensar em nada para responder. Apenas ficou olhando para ela, sem jeito, quando passos ecoaram no corredor e Merida soltou sua mão como se fosse feita de fogo.
A rainha Elinor surgiu, e atrás dela, o rei, os três clãs escoceses e os vikings. Merida tentou pensar em alguma justificativa para dar quando sua mãe praticamente correu até a filha e a abraçou como se ela tivesse acabado de escapar das garras da morte. A princesa arregalou os olhos surpresa e retribuiu o abraço. Certamente não era esse o castigo que ela esperava. Soluço assistia a tudo, boquiaberto, quando os ombros de Elinor tremeram e ela chorou baixinho, abraçada à filha. Aquilo foi demais para a princesa. Aquela reação não era normal!
– Mãe! Estou bem! – ela disse baixinho, afastando-se e segurando Elinor pelos ombros. Tentou sorrir e parecer descontraída, mas a expressão da mãe a desconcertava – Olhe para mim. Estou perfeitamente bem.
– Ah, minha filha – Passou as mãos no rosto e depois nos cachos vermelhos da princesa – Pensávamos que estivesse morta. Angus voltou ao castelo sozinho...
– Morta? Mãe, eu saí para a floresta...
Merida não estava entendendo nada. Desde muito nova ela saía do castelo às escondidas com Angus e passava horas vagando pela floresta. Aquilo era comum. Ela saia cedo e voltava tarde. E as vezes, voltava a pé. Mas ninguém nunca achara que ela tinha morrido antes. Aquilo era novidade. O rei Fergus aproximou-se das duas, tocando o ombro de Merida com a mão.
–Os Bretões invadiram nossas fronteiras. Incendiaram uma aldeia inteira mais a leste. Mataram os homens e levaram as mulheres cativas. Pensávamos que tivessem pego você.
“A fumaça”, pensou Merida olhando ao redor. Viu as expressões dos lordes, dos soldados, todos ao redor. Choque. Incredulidade. Cansaço. Medo. Como ela não pôde ter visto tudo isso antes?
– Temos que tirá-la daqui. E também os meninos. Não podemos expô-los a esse perigo, Fergus.
Fergus concordou e levou a mão à testa. Proteger seus filhos era uma prioridade. Se as linhas de defesa fossem quebradas, os trigêmeos seriam mortos para assegurar que a linhagem de Dunbroch fosse extinta. E Merida teria um destino ainda pior do que a própria morte. Mas os clãs se uniriam a ele na guerra. A ameaça dos bretões seria combatida por todos. Não haveria lugar seguro para eles em toda a Escócia. Sua mente trabalhava furiosamente quando Estóico o Imenso quebrou o silêncio.
– Rei Fergus, Rainha Elinor. Eu tenho a solução. – o rei e a rainha entreolharam-se e depois olharam para Estóico. – Proponho que a princesa e seus irmãos partam para Berk junto do meu filho. São vários dias de viagem e os bretões não chegarão tão longe. Estarão seguros e protegidos da ameaça por guerreiros e dragões. Tão logo a situação se estabilize, os traremos de volta.
– E que garantia teremos de que irão devolver a princesa e seus irmãos assim que a guerra acabar? Como poderemos saber que não se trata de um sequestro? – explodiu Lorde McGuffin.
Um burburinho percorreu o salão e discussões fervilhavam aqui e ali. A voz de Elinor calou-os e Estóico pôde responder.
– A garantia que terão será a minha presença. Ficarei lutarei, juntamente com metade dos meus guerreiros até que Berk nos envie reforços.
Exclamações admiradas percorreram o pátio. Pela primeira vez, escoceses e vikings lutariam juntos! Que exército poderia deter tais forças combinadas, ainda que fosse incrivelmente poderoso? Quem poderia vencer as forças do rei urso juntamente com vikings e suas feras aladas? Só a mera presença dos dragões faria um estrago ao moral do inimigo. Voltariam para casa chorando e se urinando como garotinhas.
– Se o senhor fica, eu fico. – disse Soluço.
–Não filho. Preciso que cuide das coisas em Berk para mim. Se eu cair, você será o líder. É a sua responsabilidade. E além disso, precisa tomar conta da princesa e dos príncipes, mantê-los seguros.
Soluço andou de um lado para o outro, negando com a cabeça.
– Como pode me pedir que te abandone? Não posso simplesmente voltar para Berk e deixá-lo aqui para lutar sozinho!
– Não estou pedindo, Soluço. Isto é uma ordem – Lançou um olhar penetrante ao filho – Na minha ausência, Berk estará aos seus cuidados. Ficarei mais tranquilo assim. – Segurou a mão de Soluço – Estarei seguro filho. Nossos companheiros estarão comigo. Vikings e seus dragões, dragões que você treinou.
Os chefes de clã pareceram concordar entre si, embora um pouco contrariados. A segurança da linhagem de Dubroch não poderia ser mantida em terras escocesas. Se houvesse a possibilidade de os bretões assumirem o trono, tão logo o fizessem colocariam rapidamente alguém do seu sangue no poder. Ninguém da família real teria a menor chance. A melhor escolha seria afastá-los para que pudessem lutar sem preocupações. Aos poucos, os homens se dispersaram e começaram a organizar os preparativos para a ofensiva. Vikings e escoceses trabalhariam juntos, trançando estratégias para vencer a batalha.
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Nos aposentos da princesa, Merida assistia a conversa dos pais indignada.
– Como podem falar de mim como se eu não estivesse presente! Não vou abandonar meu povo! Vou ficar e lutar também!
A rainha interviu:
–Merida, por favor, agora não é hora para isso! – disse, enquanto separava roupas da filha e as jogava sem muito cuidado em uma grande arca.
–Não vou a lugar algum! – disse, elevando a voz.
Então seu pai adiantou-se e quando falou Merida estremeceu. Pela primeira e última vez, Fergus dirigiu-se à filha não como seu pai, mas como o rei. Sua expressão se tornou severa e sua voz perigosamente baixa.
– Ouça as minhas palavras, Merida. Você não tem escolha. Irá fazer o que eu mando, e o que eu mando é que você vá para Berk e fique em segurança. Não serei desafiado nisso. – levantou-se e lançou um olhar autoritário à filha, deixando a princesa boquiaberta e magoada pela forma como ele a havia tratado.
Elinor suspirou. Queria consolar a filha, mas Fergus estava certo. Se tentasse ser compreensivo com ela agora, Merida acabaria convencendo-o a deixá-la ficar. Fergus tomou a posição certa ao mostrar-se inflexível. Fechou a arca de madeira e antes de sair, parou na entrada do quarto da filha.
– Vou pedir a algum criado que venha buscar suas coisas. Seria melhor que você se acostumasse com a ideia, filha. Sem dúvida é a melhor escolha para todos. Maudie irá acompanhá-los, não há ninguém melhor do que ela para cuidar dos meninos na minha ausência.
Merida assentiu, mas por dentro estava furiosa. Não iria deixar seu povo para trás. Faria de conta que aceitara a situação e daria um jeito de planejar uma fuga. Quando todos estivessem dormindo, sairia pela janela e se esconderia nos estábulos. Quando os vikings partissem, ela voltaria ao castelo.
Alguns momentos depois, dois criados entraram em seu quarto e levaram a arca com suas coisas. Uma criada trouxera chá e pães para que ela comesse. Era início da noite e provavelmente não haveria jantar. As pessoas estariam muito ocupadas com os preparativos da guerra. Merida comeu, planejando os detalhes de sua fuga.
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Soluço pediu para falar com a rainha em privado. Quando Elinor entrou na sala de audiências, Soluço estava esperando por ela. Dois pequenos dragões estavam pendurados nele, um em cada ombro. Elinor ergueu uma sobrancelha, curiosa. Sem perder muito tempo com rodeios, o jovem viking falou:
–Este é Matador. – Apontou para o dragão de escamas amarelo alaranjadas no ombro esquerdo. – E esta é Vigilante – apontou para o ombro direito, onde repousava a fêmea de escamas verde azuladas. O pequeno dragão inclinou a cabeça para Elinor e lambeu o próprio globo ocular.
A rainha esperou pacientemente que ele continuasse.
– Os dois são da espécie Terror Terrível. São pequenos, como pode ver, mas muito rápidos. Achei que seria uma boa ideia deixá-los com a senhora. Nós costumamos usá-los para carregar mensagens. Pode escrever para seus filhos, em Berk, e eles poderiam escrever de volta. Matador ficará com o exército e eu pensei que a senhora gostaria de ficar com Vigilante.
Elinor não pôde evitar um sorriso. Quão sensível e atento era aquele garoto! Mesmo em meio ás tribulações ele conseguira arranjar um meio de aplacar o sofrimento que a distância dos filhos lhe causaria. Aproximou-se dela, segurando algo de couro. Apontou para o seu braço e ela o estendeu, um pouco confusa. Soluço pediu licença e ajustou a peça, que protegia todo o antebraço da rainha. Era um protetor de braço, do tipo feito para arqueiros. Motivos florais cobriam toda a peça, caprichosamente trabalhada.
– Eu havia feito este para a princesa. Mas a situação mudou. Vai protegê-la dos arranhões acidentais.
O pequeno dragão voou do ombro de Soluço para o antebraço da rainha. Observou-a, curiosa e farejou-a para se habituar com o cheiro. Elinor estendeu a mão para tocá-la mas parou abruptamente, lançando um olhar nervoso a Soluço.
– Eu posso?
– Ah, sim. Esta é particularmente dócil.
Elinor acariciou a pequena fera, que ronronou sob a mão da rainha.
– Eu sou muito grata. Cuidarei bem dela. Poderia aproveitar a ocasião e lhe fazer um pedido?
Soluço aquiesceu, pensativo. Não tinha nada que uma rainha pudesse querer. O que ela iria pedir?
– Por favor, prometa-me que vai cuidar bem deles. – ela falou, a voz tremendo ligeiramente.
Soluço sorriu. Tomou a outra mão da rainha e a beijou.
– Tem a minha palavra de que não deixarei nenhum mal cair sobre eles. Eu os protegerei como se fossem da minha família.
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Merida sonhava. Mas era um sonho estranho, como quando estamos dormindo, mas sabemos que se trata de um sonho. Sua mãe beijara sua testa e lhe dissera palavras reconfortantes ao ouvido. Mas por mais que se esforçasse, não conseguia compreender nada do que ela estava dizendo! Depois alguém a carregou nos braços e sentiu-se flutuar, como quando voara com Banguela e Soluço. Que sonho estranho!
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Elinor e o marido abraçaram os trigêmeos no cais. Os três garotos, agora com dez anos davam o melhor de si para não chorar. Maudie abraçou a rainha e elas trocaram palavras de afeto. Mais do que rainha e criada, elas eram grandes amigas. Maudie sempre esteve presente em momentos decisivos de suas vidas. Agora mesmo era um deles. Elinor depositou uma pequena carta nas mãos da criada e viu-a partir, levando os trigêmeos à sua frente. Os meninos olhavam para trás ao longo do caminho e agora choravam abertamente.
Soluço despediu-se de Estóico com um abraço e Banguela, chateado por ter sido deixado sozinho, espremeu-se entre eles até desmanchar o abraço.
– Você se sairá bem, filho.
Soluço aquiesceu, mas não parecia tão seguro disso. Despediu-se do rei Fergus com um aceno de cabeça e da rainha com uma ligeira e desajeitada vênia. Elinor aproximou-se dele, beijou-lhe o rosto timidamente e segurou sua mão por breves segundos. Quando se afastaram, Soluço estava tão corado que quase podia-se dizer que ele estava nu no cais.
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Merida acordou, um pouco zonza, com uma estranha sensação de movimento. Dormira demais, mas ainda parecia estar escuro. Talvez seu plano ainda pudesse dar certo. Ergueu- se de sua cama... Sua cama? Aquela não era sua cama! Peles forravam cada centímetro dela. Arregalou os olhos e olhou em volta. Aquele nem mesmo era o seu quarto! Estava em algum tipo de cabine de madeira. Sentada em um canto distante, Maudie tricotava alguma coisa e os trigêmeos dormiam juntos onde ela estivera deitada antes. Fora enganada.
– Puseram alguma coisa no meu chá! Como puderam? Fui envenenada! – bufou, indignada.
– Dopada. – corrigiu Maudie. – Sua mãe pediu que lhe entregasse isso quando você acordasse. – Deu-lhe o pequeno envelope lacrado com o selo da rainha. – E antes que pense em abandonar o navio, gostaria de lhe dizer que estamos em alto mar, e muito, muito longe da costa.
Merida gemeu, tomada pela angústia. Estava mesmo a caminho de Berk e não poderia fazer nada para mudar isso.
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