Notas iniciais
música do capítulo https://www.youtube.com/watch?v=ohWXUDExtWE

Dean estava dormindo quando eu saí do banho. A noite já estava caindo, e ele estava dormindo completamente nu na cama. Eu havia trazido o que ele queria comer, além de uma escova de dentes, e suas roupas estavam lavadas.

Será que eu tinha direito a pelo menos cinco minutos de paz ao lado dele?

Não me preocupei em me vestir. Apenas me enfiei em baixo do lençol, com ele, deitando de lado enquanto o via dormir, deslizando meus dedos em seu rosto sereno, imaginando com o que estaria sonhando.

Depois de algum tempo, ele abriu os olhos, franzindo o cenho.

— Tá chorando?

— Desculpa – engoli a seco. – Eu só tô feliz de você estar aqui comigo de novo.

— Eu também tô feliz – ele sorriu. – Eu pensei... Pensei que nunca mais te veria.

— Por favor, por favor, nunca mais faça isso comigo.

— Não vou – afagou meu rosto. – Prometo. Essa é a minha segunda chance. Você é a minha segunda chance e eu não deveria ter te deixado. Eu sinto muito.

Eu assenti, tentando não chorar mais. Ele se aproximou, beijando meu rosto, e então minha boca. Aquele foi o momento em que eu percebi o quanto a ausência dele me doía. Ter visto seus olhos sem luz foi a pior coisa que aconteceu desde que meus pais tinham morrido.

Mas ele estava ali, ele estava ali em meus braços. Eu podia sentir o calor de sua pele de novo, e seu cheiro, e a maciez de seus lábios. Suas mãos me seguravam com firmeza e gentileza e para mim, aquilo era o paraíso. Aquele era o meu pedaço do paraíso, e tudo o que eu queria.

Eu decidi que nunca mais desistiria de mim mesma. Decidi que nunca mais desistiria de lutar. O fundo do poço era tão fundo que eu pensei que não tinha fim, mas percebi que havia me equivocado ao não confiar em Castiel. Parece que no fim das contas, aquilo tudo era mesmo uma questão de fé e eu quase havia posto tudo a perder.

Eu devia um agradecimento à Alec e um pedido de desculpas à Castiel.

Mas naquele momento, Dean era tudo o que me interessava.

Sua boca na minha, seus braços me segurando firmemente sobre ele enquanto eu o cavalgava. A forma como gemia meu nome e como suas mãos se apertavam em minhas costas, como se ele temesse que a qualquer momento eu escapasse dele.

Jamais.

Jamais fugiria de meu melhor amigo e amante, meu parceiro de caçadas cabeça dura e bobão que não me acompanhava em porres de café. Jamais fugiria de suas piadas ruins e sem graça, ou das suas risadas por coisas bobas.

E eu destruiria qualquer um que se pusesse entre nós novamente.

Eu não cometeria os mesmos erros. Havia aprendido minha lição. Quando todos os nossos inimigos tivessem caído, eu saberia que nós estaríamos seguros e enfim poderíamos viver uma vida sem preocupações e sem incertezas.

— Eu te amo, Dean – arfei extasiada enquanto ele me deitava na cama, avançando em mim vorazmente.

— Eu te amo, Bella – encostou sua testa à minha.

— Nunca mais me deixe.

— Nunca mais – concordou. – Eu prometo.

Me agarrei aos seus braços, cruzando minhas pernas às suas costas enquanto suas estocadas se tornavam mais rápidas, nós dois gemendo cada vez mais.

E quando ele se derramou em mim, com tanta intensidade, eu podia sentir seus braços tremerem, assim como as minhas pernas. Nós dois suados, arfando, cansados e felizes. Em paz como não estávamos há tanto tempo. Eu o deitei em meus braços, acariciando sua cabeça enquanto nos recuperávamos.

— Com licença.

Um gritinho meu escapou mais rápido do que eu podia conter quando percebi que Castiel estava de pé no quarto, com uma cara envergonhada.

— Cass, o que foi que eu te disse sobre bater na porta? – me sentei na cama, assim como Dean.

— Eu sei, me desculpe, mas vocês dois estavam... – ele olhou para Dean, que puxou o lençol para cobrir meu colo. – Ocupados demais para ouvir.

— Ele já me viu nua, amor – esclareci à Dean, no que ele se afastou um pouco, assustado. – Não se preocupa com nudez, não.

— Quando foi isso? – ele nos entreolhou. – Vocês dois...?

— Não – respondemos juntos.

— Eu estava presente no batismo de Isabella nos salões celestiais – ele pigarreou. – É costumeiro que os santos sejam completamente despidos de coisas mundanas lá.

— Ah – Dean franziu o cenho, desviando o olhar. – Que estranho.

— Enfim, nós precisamos conversar – Castiel pigarreou novamente.

— Sério? – grunhi, irritada. — Agora? Pelo amor de Deus, Castiel, me deixa respirar por cinco minutos, por favor!

Castiel pestanejou algumas vezes.

— Tá bom, volto em cinco minutos.

— Não literalmente cinco minutos – suspirei. – Esquece. Senta aí – apontei para a cadeira perto da mesa do quarto. – Apenas diga o que veio dizer.

Castiel se sentou, um tanto quanto desconfortável, enquanto eu me sentava de frente para ele, assim como Dean.

— Os selos que mencionei anteriormente – ele começou. – Existem 600 possíveis selos que podem ser rompidos por Lilith à escolha dela, mas ela só precisa romper 66. O primeiro já foi rompido e ela está procurando formas de romper os demais, está espalhando muitos demônios para fazer o serviço por ela.

— Não tô entendendo, Castiel – o encarei. – Você tá falando de selos, tipo, selos que a Bíblia só menciona sendo sete? Que precisam ser rompidos por um ser digno, que, no caso, seria Jesus, o que marcaria sua segunda vinda?

— Há um erro de interpretação na bíblia de vocês – ele esclareceu. – Ou um erro de interpretação de quem escreveu, ou de quem falou, mas não são sete, são 600.

— Mas afinal de contas, o que são esses selos? – Dean franziu o cenho.

— Pense nos selos como trancas nas portas.

— Tá, ela rompe o último e...?

— Lúcifer é libertado.

— Lúcifer?! – Dean e eu perguntamos juntos.

— É, o próprio – Castiel suspirou.

— Pensei que Lúcifer fosse historinha de catecismo de demônio – Dean retrucou.

— Lúcifer é real e uma ameaça gravíssima. Por que acha que estamos em grande número na Terra depois de dois mil anos?

— Pra pegar Lúcifer – ele concluiu, no que Castiel assentiu.

— E é por isso que o trabalho de Isabella é tão importante no campo conosco. Nosso número não é ilimitado e o trabalho está longe de terminar – ele me encarou.

— E por que eu tô aqui? – Dean o olhou. – Por que eu voltei?

— Porque temos trabalho pra você também. Você, Isabella, seu irmão, Robert Singer. Todos vocês são caçadores e caçadores têm um papel fundamental na nossa luta.

— Mas eu sou só mais um cara. Poderiam ter trazido qualquer um, então por que eu?

— Porque o homem que começou deve terminar.

— Como assim? – franzi o cenho.

Dean desviou o olhar, baixando a cabeça, cobrindo o rosto com as mãos.

— Dean? – olhei sem entender. – O que houve?

— Isso é culpa minha – respondeu com a voz embargada. – Fui eu...! Eu rompi o primeiro selo!

O primeiro selo será rompido quando o homem justo derramar sangue no inferno.

— É verdade? – me voltei para Castiel.

— Quando o demônio revelou o plano de Lilith pra você, nós corremos para tentar impedir isso. Nós sitiamos o inferno e lutamos para alcançar Dean antes que isso acontecesse, mas quando o encontrei...

— Já era tarde demais...! – Dean completou, soluçando. – Por que não me deixou lá pra apodrecer?!

— Como eu disse, o homem que começou deve terminar. Não é culpa que cai sobre seus ombros, Dean. É o destino. É seu destino lutar ao lado do céu para acabar com o Apocalipse, entendeu?

— Tá me dizendo que era o meu destino ir pro inferno?! – ele levantou a cabeça para o encarar, furioso. – É por isso que vocês nos largaram pra morrer?!

— Não, isso... – Castiel desviou o olhar. – Eu não sabia. Quando eu fui informado, eu queria intervir. Eu não recebi permissão para isso. Eu sinto muito – o fitou.

— Você sabia disso o tempo inteiro? – Dean se virou pra mim.

— O que? Não! É claro que não! Acha mesmo que eu ficaria do lado deles se eu soubesse disso?!

— Você é uma serva juramentada – Castiel me encarou.

— É, pois eu tô me lixando pra isso agora! – afastei os lençóis e me levantei. – Se eu descobrir que você mentiu pra mim ou que escondeu coisas de mim de novo, eu acabo com você! – o segurei pelo colarinho.

— Essa é uma luta que eu não gostaria de ter – ele me olhou assustado e eu o soltei, respirando fundo.

Eu me afastei, tentando me recompor, pondo as mãos na cintura. Castiel desviou o olhar, pigarreando.

— Amor – Dean chamou a minha atenção.

— O que? – o olhei e ele gesticulou minha nudez. – Ah, tenha dó! Hoje tá quente pra caramba! Não é como se vocês dois nunca tivessem visto isso tudo! – vesti uma camisa grande, que usava para dormir. – Sem falsos pudores, por favor. Por que veio aqui à essa hora, afinal? – olhei para Castiel.

— Porque fui ordenado, para informá-los sobre os selos. Apenas isso – ele se levantou. – Sinto muito por ter interrompido o seu... Coito.

Eu ri de nervoso com a escolha de linguajar.

— Não tinha interrompido nada – esclareci. – Já tínhamos terminado.

— Certo – ele pigarreou nervoso, provavelmente sem graça. – Tenho que ir. Voltarei amanhã de manhã para continuarmos o nosso trabalho, Santa Isabella.

— Si, si, compadre— bati continência com a mão, e então Castiel sumiu.

Dean não parecia mais relaxado ou tranquilo. Me sentei ao seu lado, o abraçando, beijando a marca de uma das mãos de Castiel em seu braço. Eram duas cicatrizes de mãos, as mãos do anjo, uma em cada braço de Dean. Tirado da perdição.

— Eu sinto muito. Eu sinto muito não ter conseguido te salvar.

— Não é culpa sua.

— Eu deveria ter feito mais.

— Nós dois sabemos que aquele bando de imbecis alados não iam deixar você fazer nada. Não se preocupa, tá bem? Eu não tô bravo com você.

— Deveria estar furioso.

— Não foi você quem me botou lá – ele me abraçou, beijando minha testa.

— Eu não vou perguntar... Sobre o que aconteceu lá em baixo. Sei que não quer falar sobre isso. Mas, se quiser, quando quiser, eu tô aqui, tá bem?

— Obrigado – ele esboçou um sorriso. – É tudo o que eu preciso.

Notas finais
só digo uma coisa: Charlie está a caminho. não é o Charlie da Saga Crepúsculo e nem a Charlie de Sobrenatural, mas Charlie está vindo :3 uma coisa sobre os selos: parece que no livro do apocalipse consta que só existem 7 selos que deverão ser rompidos pelo leão de Judá (Jesus). a série que inventou esses 600 selos do caraio -_-