Winds of Fortune
14 Capítulo 13
— Dean, pelo amor de Deus, faltam meses pro bebê nascer, nós temos tempo!
— Eu sei, mas quero estar preparado!
Sam e eu nos olhamos, já irritados com Dean. Estávamos investigando presságios demoníacos e possíveis casos, e Dean estava à todo vapor redecorando o quarto que costumava ser de Sam, obviamente depois de ele e Alice terem quase comprado uma loja inteira de coisas pra bebês.
Precisei aconselhá-la, contra a minha vontade, a não ficar conosco, pois apesar de Castiel compreender que ela e Jasper eram nossos amigos, outros anjos não contavam conversa. Matavam primeiro, questionavam depois, e eu não gostava nem um pouco desse modo de agir.
Depois de muito conversarmos a respeito da nossa decisão mútua de ter o bebê, Sam foi rápido em dizer que juntaria suas coisas para ir embora.
Precisei lhe dar um sermão de meia hora até que ele entendesse que o fato de eu estar brava com ele não significava que eu não me importava com ele ou que o quisesse fora de casa, afinal, aquela casa era nossa.
No momento nós não tínhamos a menor intenção de mexer em sua estrutura, então concordamos que a sala de armas e a biblioteca ficariam juntas, e a antiga sala de armas seria o novo quarto de Sam. Ao menos naquele ponto tínhamos entrado num consenso.
Porque Dean acordar cedo para começar a revirar a casa na intenção de melhor ajustá-la para um bebê que nem nome tinha ainda estava nos deixando nervosos na sala de estar e nós definitivamente não tínhamos concordado com aquilo.
Especialmente quando ele chamou Castiel para arregaçar as mangas e o ajudar a montar o berço que ele havia comprado no dia anterior.
— Dean, a gente encontrou um caso! – Sam o chamou.
— Depois eu vejo!
— O quarto do bebê não é uma prioridade! – chamei sua atenção.
— É pra mim!
— A gente nem tem um nome pra ela ainda, homem de Deus!
Isso finalmente o fez parar o que estava fazendo e sair do quarto, me olhando seriamente.
— Eu pensei em alguns. Olha só, que tal ‘‘Mary Alice’’?
— Nome composto? – Sam franziu o nariz, assim como eu.
— Que foi? – Dean pôs as mãos na cintura. – Tem sonoridade, estilo, e presta homenagem à nossa mãe e à nossa grande amiga sanguessuga!
— É verdade – Castiel saiu do quarto, nos olhando. – É um belo nome.
— Não estou dizendo que não é, mas nome composto não, por favor – suspirei. – E não é por nada, não, mas eu tenho Marie no nome e não curto muito. Um nome só, Dean. De preferência um nome que possa ser usado por qualquer gênero.
Um momento de silêncio se passou entre nós, no que até mesmo Sam pareceu estar pensando em alguma sugestão para nos dar. Os dois se olharam por um momento e então disseram juntos:
— Charlie!
— Charlie? – arqueei as sobrancelhas. Eu nem me lembrava que o nome do meu pai podia ser usado para garotas, também. – Charlie Winchester? – mordi o lábio, descendo os olhos para a minha barriga. – O que acha, feijãozinho? Charlie tá bom pra você?
— ‘‘Feijãozinho’’? – Sam indagou. – Acho que ela tá grande demais pra esse apelido.
— Ela ainda é muito jovem para ter noção do que gosta ou não – disse Castiel. – Mas é um belo nome. O avô dela ficaria feliz em saber dessa homenagem.
Pensar no papai me fez ter uma mudança brusca de humor. Quando me dei conta, estava com a vista embaçada, sem enxergar direito a tela do notebook em meu colo.
— Ô, benzinho, fica assim não – Dean se sentou ao meu lado, tirando o notebook de minhas mãos e o colocando na mesinha de centro para poder me abraçar. – Poxa, Cass, pega leve – censurou o anjo. – Ela tá sensível.
— Vocês dois estão me deixando enjoado com tanta fofura – Sam resmungou. – Mas é sério, Dean, a gente tem trabalho a fazer.
— É verdade – funguei, tentando me recompor. – Não pode ficar aqui todos os dias, o mundo lá fora ainda tá um caos e a gente tem muita coisa pra fazer.
— Opa, opa, opa, a senhora não tem nada pra fazer além de ficar aqui e se cuidar – ele se levantou. – Ouviu o que a doutora disse. Você precisa ficar aqui quietinha pelo menos até o quarto mês.
— Tá bem, que seja – revirei os olhos.
— Dean, sem ofensa, sei que tá animado com o bebê e eu tô feliz por vocês e tô animado pra ser tio, também, mas a gente ainda precisa salvar o mundo, ou não vai ter um pra Charlie quando ela nascer.
Aquilo finalmente pareceu ter trazido Dean de volta das nuvens onde ele tinha se enfiado. Ele fez uma careta, desconfortável.
— Tá, tem razão. Qual é o trabalho da vez?
Depois de semanas enrolando para não sair de casa, Dean finalmente havia concordado em cair na estrada de novo com Sam.
Naquele meio tempo, Castiel permaneceu comigo, eventualmente sendo convocado a comparecer em batalha, mas me deixando aos cuidados de outros anjos, o que impossibilitava Alice e Jasper aparecerem para me fazer companhia.
Impedida de me arriscar onde não deveria, me ocupei investigando outros possíveis casos, estudando alguns livros que havia emprestado de Bobby, e voltando a ajudar o padre Kellan com sua igreja. Nós ainda não havíamos contado a Bobby porque achávamos que era uma notícia que precisava ser dada pessoalmente. Queríamos ter certeza de que ele não teria um enfarto ou algo do tipo se contássemos ao telefone.
Todo mundo parecia constantemente preocupado comigo. Chegava a ser irritante. Eu não era feita de cristal, e nem o bebê, não era como se nós duas fôssemos nos desfazer no ar ao menor toque de alguém.
Eu queria trabalhar enquanto ainda podia, mas foi preciso que os estressantes enjoos passassem antes que eu me arriscasse a entrar no Impala de novo.
Eles mal haviam resolvido um caso quando Ruby sugeriu outro a Sam, o que definitivamente irritou Dean. E eu.
No entanto, se tratava de uma garota perseguida por demônios. As ordens eram de capturá-la viva e Ruby não sabia o motivo.
Lá estávamos nós fazendo as malas de novo. Apesar de ser ruim que uma garota fosse perseguida por demônios, eu estava animada para voltar à ativa. Um trajeto de mais de dez horas requeria algumas paradas, e Dean estava sempre me paparicando, deixando Sam muito sem jeito.
Enfim Ohio. O que me surpreendia naquele período era o fato de nem Castiel, nem os outros anjos terem dado as caras para ficar de vigília. O que quer que estivesse acontecendo parecia tomar o tempo deles, e já que eu não estava ativamente em campo com os anjos, só podia imaginar que ou não era algo grave, ou era algo que não queriam que eu soubesse.
Segredos me irritavam.
Sam e Dean foram ao Centro de Medicina Comportamental Connor Beverly, para questionar a médica responsável pelo caso da garota, Anna Milton. Quando voltaram para o carro, pareciam bem menos tranquilos.
— Te digo uma coisa, essa Anna não é esquizofrênica coisa nenhuma. Ela vê demônios, sabe dos selos e até desenhou eles – tirou do paletó alguns papéis. Desenhos dos selos sendo rompidos. – Os demônios devem estar doidos pra pôr as mãos nela.
— Pra onde vamos agora? – perguntei enquanto observava os desenhos.
— Pra casa dos Miltons – disse Sam enquanto Dean dava a partida. – Precisamos falar com os pais dela, ver onde ela poderia se esconder.
— Eu tenho um palpite – suspirei, observando o que parecia ser o desenho de um vitral de igreja.
Chegando na casa dos pais de Anna, senti o cheiro de enxofre de longe. Me sentia estranha naquele vestidinho executivo que não me dava espaço para esconder nenhuma arma e ainda por cima salientava a minha barriga.
Os carros dos pais dela estavam na garagem, e o cheiro de enxofre no ar...
Quando entramos na casa, logo vimos os corpos dos dois na sala, com resíduo de enxofre ao lado deles.
— Coitados – franzi o cenho.
Não havia nada que eu pudesse remediar ali. Começamos a observar a sala, procurando alguma coisa que nos servisse de pista.
— Tudo bem, eu sou a garota interrompida, sei tudo sobre o Apocalipse e fugi do hospício... – Dean tentou traçar uma linha de pensamento. – Talvez usando meus superpoderes. Pra onde eu vou?
Sam e eu olhamos para a mesma foto. Uma de Anna com seus pais em frente a uma igreja, que possuía os mesmos vitrais coloridos dos seus desenhos.
— Se você fosse religioso, estivesse com medo e fugindo do demônio, onde se sentiria seguro? – Sam nos entreolhou.
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