Winds of Fortune
33 Capítulo 32
Sam estava completamente desnorteado.
No momento em que nos foi revelado que Ruby estava trabalhando para libertar Lúcifer desde o início, ele pareceu se esforçar muito para não ter um ataque de raiva. A estranha se aproximou dele, tocando seu ombro por um momento, o que pareceu ajudá-lo a se controlar.
— Não quero ouvir gritos e nem nada sendo quebrado, Charlie tá dormindo e quero que ela continue dormindo – o censurou com o olhar.
— Você sabia, não sabia? – Sam encarou Gabriel, que apenas assentiu. – Por que não me disse?
— Mesmo se eu tivesse dito, você iria com isso até o fim. Era o seu destino.
— Por que? Por que ela queria que isso acontecesse? – olhou feio para a estranha.
— Ela não, cabeça oca – Gabriel se irritou. – Deus, meu pai, o dono do mundo! Ele quem quis assim!
— E por que você não interveio? – Sam a encarou.
Ela o encarou em silêncio por um longo tempo, respirando fundo.
— Qual parte do ‘‘interferi mais do que deveria’’ tu não entendeu ainda? Eu não sou Deus, caramba! Se eu for pega, vocês tão fodidos, entendeu? Eu sou a única coisa aqui impedindo todos vocês de se ferrarem, porque os anjos Dele tão tentando, e muito, ferrar com todo mundo.
— Então tá, deixa eu ver se eu entendi – Dean pigarreou, atraindo olhares para si. – Você quer que a gente diga sim pros dois arrombados?
— Sim.
— Você já percebeu que se a gente fizer isso, o mundo acaba?
— Ô, abençoado, eu mandei dizer ‘‘sim’’ pra eles, mas não disse pra fazer isso agora – cruzou os braços.
— Qual é o plano?
— Vocês precisam pegar os anéis dos quatro Cavaleiros do Apocalipse antes disso.
— Anéis? – Sam franziu o cenho.
— Os anéis funcionam como chave da jaula de Lúcifer. Se pegarem os quatro, podem abrir a jaula e jogar o infeliz lá com o Miguel.
Dean e Sam se entreolharam.
— Você quer que a gente aceite ser casca deles e quer colocar os dois na jaula? – Dean a encarou. – Você quer que a gente se jogue na jaula com eles? Como exatamente isso é uma vitória?!
— Baixa o tom, tua filha tá dormindo – ela se irritou. – A gente já tem um plano de ação pra remediar isso.
— Como vai remediar isso? – Sam perguntou. – Nós dois vamos ficar presos com dois arcanjos em uma jaula no inferno!
— Nós vamos sitiar o Inferno – disse Gabriel.
— Sitiar o Inferno? – Sam e Dean perguntaram juntos.
— É o que você ouviu. Precisamos que tirem eles da jogada pra desestabilizar os exércitos deles. Há muitos anjos do nosso lado e eles lutarão conosco contra os demônios e contra os apoiadores do Miguel, e é por isso que a Bella vai precisar treinar e ficar mais forte – ele me olhou. – Precisa ficar forte o suficiente para ir ao Inferno conosco, vamos precisar de toda a ajuda possível para chegar na jaula. É o lugar mais baixo no Inferno, e o mais difícil de chegar.
— Talvez a gente precise de ajuda de fora – a estranha se voltou para Gabriel.
— De novo isso? – ele revirou os olhos. – Sebastian Faust eu entendo, ele tá atravessando mundos, é a função dele, e até entenderia se quisesse trazer Atanasia, ou mesmo Nêmesis, ou até o idiota do Loki, mas você quer trazer John Constantine e Olivia Teller só pra chocar eles! – franziu o cenho. – Tenha dó!
— De quem vocês tão falando? – perguntei.
— Atanasia e Olivia Teller são... Filhas dela – Gabriel respondeu, no que ela abriu um largo sorriso orgulhoso. – Muito poderosas. Atanasia tem tanto poder que está acorrentada com feitiços até o pescoço no inferno.
— No inferno? – Dean perguntou.
— Não no nosso inferno, o inferno do mundo que ela criou – apontou para a estranha.
— Na verdade, eu não criei aquele inferno. O Tártaro é mitológico – deu de ombros.
— Tá, não importa. Atanasia é poderosa pra caramba, tão poderosa que vários deuses se sacrificaram pra prender ela lá porque ela quase destruiu o mundo quando se rebelou contra os deuses. Já Olivia Teller... – ele suspirou. – Ela será a nova Mór-Ríogain no mundo dela, e ainda não está pronta, mas já tem bastante poder. É filha de Sebastian Faust, que, no nosso mundo, vocês conhecem como Doutor Fausto.
— Doutor Fausto tem uma filha? – Sam arqueou as sobrancelhas.
A estranha tinha um sorrisinho maroto de quem sabia mais do que estava falando.
— Como assim Mór-Ríogain? – Dean perguntou.
— Uma forma de falar Morrigan – Gabriel respondeu. – E sim, oficialmente, ela é filha dele naquele universo, mas foi criada por ela – referiu-se à estranha.
— Mas e Constantine? – Dean o olhou. – John Constantine não é um personagem de histórias em quadrinhos? Hellblazer?
— No nosso mundo, sim. No Universo Teller, ele é bem real, e é o mestre da Olivia.
— E o que estamos esperando pra chamar eles aqui? – Sam nos olhou.
— Eles também têm problemas pra resolver – a estranha respondeu, agora mais séria. – O mundo deles também tá em risco. Não vão passar por um Apocalipse judaico-cristão como o de vocês, mas vão ter que lidar com invasões alienígenas em um mundo totalmente desordenado. Olivia não tá pronta pra enfrentar os perigos do próprio mundo, imagine os daqui. Além do mais, ela acabou de perder o pai, ela não tá bem – suspirou, tornando a se sentar no sofá. – Se, e somente se, a coisa ficar feia, eu chamo Constantine e Faust, mas não é uma garantia. Pra todos os efeitos, precisamos lidar com isso e resolver tudo sozinhos.
— Então... – Castiel nos surpreendeu quando começou a falar. – Precisamos pegar os quatro anéis dos Cavaleiros para usar como chave e abrir a jaula de Lúcifer, onde Sam e Dean, com Lúcifer e Miguel dentro deles, terão que se jogar. E quando acabarmos com os exércitos inimigos, sitiaremos o Inferno para salvá-los? É isso?
— É exatamente isso, chuchu – ela respondeu.
— E o que exatamente a senhora vai fazer?
— Além de matar Deus?
Castiel trocou um olhar horrorizado com Dean, que fez um biquinho e deu de ombros. Sam e Gabriel pareciam estar bem mais preocupados, provavelmente se perguntando como ela faria aquilo.
— Vou ao Inferno com vocês pra salvar esses dois – apontou para Sam e Dean. – Ou acharam mesmo que eu só ia dar as ordens e não fazer nada? Tão pensando que eu sou quem? Deus?
— Afinal de contas, quando vai nos dizer o seu nome? – Anna perguntou.
— Quem disse que eu vou dizer? – ela riu.
— Por que tanta cerimônia e drama? – Gabriel revirou os olhos. – Você disse pra mim.
— Eu disse um dos meus nomes – sorriu de forma marota. – Quem te garante que aquele era o meu verdadeiro nome, gracinha?
— Qual é o grande problema em dizer seu nome? – perguntei.
— Uma coisa nomeada é uma coisa dominada, e Deus tá à solta na Terra, o que significa que o meu tá na reta. Tão pensando que eu nasci ontem? Eu não tô doida de falar meu nome, o vento pode levar pros ouvidos inimigos. Enfim, vamos às ordens de vocês: se a Ruby aparecer, se façam de doidos. Tô falando sério, não contem absolutamente nada disso pra ela e não a matem, também.
— Por que não? – Sam perguntou impaciente.
— Matar essa arrombada agora simplesmente vai entregar que vocês sabem que ela é uma traidora. A gente tem que fazer Satã de trouxa, lembra? Pode bobear não. Enfim, não pode matar a Ruby. Se alguém perguntar onde estiveram, digam apenas que estavam em um lugar protegido pelo Cass e pela Anna, com sigilos e tal.
— Não podemos contar nem pro Bobby? – Dean a olhou.
— Vai por mim, é melhor se ele não souber. Ele não vai confiar em mim e isso vai ser um problema depois e atrapalhar o plano. Se o plano for descarrilhado, a descida será problemática. Continuando, além de não matar aquela arrombada, precisam rastrear os cavaleiros. Castiel, Anna, essa parte é com vocês e com a guarnição – ela os encarregou, no que os dois assentiram. – Gabriel vai dar uma mãozinha nisso também.
— Eu vou, é? – ele arqueou uma sobrancelha, no que ela apenas pôs as mãos na cintura. Ele logo ergueu as mãos em rendição. – Tá bom, mamãe.
— E nada de perder tempo cruzando o país num carro – ela se voltou para Dean. – Quando eles captarem presságios que levem aos Cavaleiros, é de teleporte que vocês vão, entendeu? Não é pra bobear, não, não é pra perder tempo: é pra fazer o serviço rápido e sem corpo mole.
Dean não parecia nada feliz com o conceito, mas não podia contestar.
— E senhora, dona Isabella... – ela se voltou para mim. – Vai treinar pra caralho, vai ficar bruxona, entendeu? Entrar no Inferno é coisa de doido, sim, mas tu tem que ter preparo, vai ter que matar demônio pra caralho pra ter poder o suficiente.
— Não sei se você notou, mas eu acabei de ter um bebê – semicerrei os olhos.
Ela se aproximou de mim, colocando a mão em minha cabeça, e por um momento, eu fiquei tonta, me sentindo estranha em minhas entranhas.
— Pronto, tudo de volta no lugar, como era antes da gravidez – deu uma piscadinha. – Exceto, claro... – apontou para o colo.
— O que fez com ela? – Dean perguntou assustado.
— Rearranjei os órgãos dela de volta no lugar.
Ele pestanejou em choque.
— Quem vai cuidar da Charlie enquanto eu estiver treinando?
Ela se virou para Dean, indicando-o com as duas mãos.
— E onde vamos ficar?
— Aqui, ué.
— Na verdade, não é uma boa ideia – Gabriel nos interrompeu.
— Como não? – ela virou para ele.
— Se eles simplesmente forem isolados no mapa, isso vai nos entregar.
— Ah, é mesmo. Ah, já sei! – sorriu. – Vou colocar uma sala de treinamento lá na biblioteca, assim a Bella nem precisa sair de casa pra você treinar ela. Colocamos proteção na casa, uns sigilos bacaninhas e tal... – fez o sinal de ‘‘OK’’ com os dedos.
— Como vai colocar uma sala...? – Sam franziu o cenho.
— É um tipo de sala que se transforma em qualquer lugar que precise estar. É só colocar uma porta lá e pronto, um portal – ela explicou. – Olivia Teller tem uma – disse cheia de orgulho.
— Eu não sou Olivia Teller – respondi.
Gabriel desviou o olhar, contendo um risinho, assim como a estranha. Sam e eu nos entreolhamos desconfiados e confusos, mas não dissemos mais nada.
— Acho que por agora é só – ela deu de ombros. – Castiel, Anna, poderiam escoltar nossos bebês de volta ao lar?
— Quem você tá chamando de bebê? – Dean a encarou.
— Não banca o durão, vocês são meus bebês sim. Deus que se dane, vou roubar todos os filhos Dele pra mim – cruzou os braços contra o peito.
— Eu devo... – Castiel pigarreou. – Devo te chamar de Mãe?
Ela mordeu o lábio, desviando o olhar, claramente surpresa. De alguma forma, parecia emocionada, enquanto que Gabriel revirou os olhos. Ela se aproximou de Castiel e o abraçou de novo. Dessa vez, ele parecia mais inclinado a retribuir o abraço.
— Pode me chamar de Mãe, se quiser – ela deu dois tapinhas em suas costas antes de se afastar. – É isso, galera – nos entreolhou. – Façam de conta que está tudo normal, banquem os sonsos com os outros anjos não confiáveis e o mais importante: cuidem uns dos outros. Ah, já ia me esquecendo.
Observamos confusos quando ela se aproximou de Sam e segurou sua cabeça com ambas as mãos, no que ele pareceu atordoado por um momento, quase desmaiando.
— Pronto, tu tá limpo, totalmente desintoxicado de sangue de demônio. Você vai ter que beber sangue encapetado de novo, mas não agora, então relaxa. Não vai sofrer de nenhum efeito colateral.
— Obrigado? – ele respirou aliviado.
— Não me agradeça. Só fiz o que Deus, se fosse um bom pai, faria. Agora xô – gesticulou para irmos embora. – Vão viver as suas vidas.
Fale com o autor