Notas iniciais
eu deveria ter postado antes, mas eu acabei me distraindo, lendo e assistindo um monte de coisas sobre gravidez pra ter certeza de que eu não ia escrever asneira kkkk eu tô sensível, eu tô chorosa https://www.youtube.com/watch?v=PxbUiKO7ycY

— Então basicamente estamos presos nisso? Estamos todos presos nisso?

Sam nos entreolhava, os braços cruzados em uma pose inquisidora. Dean suspirou, fechando os olhos por um momento, apertando a ponte do nariz. Estava tão estressado quanto eu. Primeiro o estresse que veio com o choque de sabermos que seríamos pais, depois o de saber que precisaríamos abrir mão do nosso primogênito.

E agora por saber que estávamos até o pescoço no fundo daquele poço.

Outro anjo apareceu, no que Castiel se afastou um pouco para falar com ela. Retornou com alguns papéis para os exames que eu teria que fazer. Estava me sentindo como uma criança, sem poder de escolha, com minhas opiniões sendo ignoradas.

— Deveríamos ir em meia hora – ele disse.

Apenas assenti, me levantando. Uma lista extensa de coisas a fazer e a minha sorte estava no fato de não ter comido nada naquela manhã.

— Espera – Dean se levantou, no que todos nos voltamos para ele. – Posso... Posso ir com você?

Ah, Dean.

É claro que ele queria ir. Assenti, e ele pegou a pasta com seus documentos, entrando logo atrás de mim. Pedi a Castiel que nos esperasse e nos arrumamos rapidamente. Eu odiava hospitais, odiava. O cheiro de álcool e produtos de limpeza, as luzes e paredes brancas, as pessoas nervosas e apreensivas. Era o tipo de ambiente do qual eu sempre procurava fugir e não ir a menos que estivesse morrendo.

E para onde eu então era obrigada a ir.

Castiel foi primeiro, se certificando de que não teríamos companhia, e então voltou para nos buscar. Vantagens de se ter um amigo alado, eu acho.

A coisa toda me deixou tremendo. Coleta de material genético... O conceito me deixou arrepiada. Fazia muito, muito tempo que eu não ficava enjoada vendo sangue, mas quando a enfermeira apareceu com uma agulha para tirar o meu, eu imediatamente fechei meus olhos, começando a suar frio.

Castiel, sem saber ao certo se deveria ou não interferir, apenas observava a gente.

A obstetra, que era uma senhora muito gentil, por sinal, logo percebeu que éramos pais de primeira viagem. Eu não sabia quem estava mais nervoso ali, eu ou Dean, que segurava minha mão com firmeza demais, ouvindo atentamente todas as recomendações médicas que eu estava recebendo.

Recebi prescrições de vitaminas para suprir o baixo ferro em meu sangue, além de outras coisas. Segundo ela, os enjoos diminuiriam quando eu entrasse no segundo trimestre de gravidez, e eu odiei que ela falasse em trimestres e semanas, em vez de meses. Por que médicos gostavam de calcular a gravidez daquele jeito?

Então o momento mais esperado por Dean. A bendita ultrassonografia. Calculando o tempo que eu provavelmente tinha de gravidez, pouco mais de dez semanas, e minha quase ausência de barriga, uma ultrassonografia abdominal não era o meu caso.

Respirei fundo e tentei ficar mais tranquila, sabendo que Dean estava ao meu lado, mas quando a obstetra inseriu a sonda em meu canal, eu quis me enterrar. Não havia incentivo que me fizesse relaxar ali. Dessa vez era eu quem estava quase esmagando a mão de Dean.

Eu estava completamente aérea ali, tentando me concentrar no que ela estava explicando enquanto olhava para o ecógrafo, vendo a silhueta daquele pingo de gente. Aparentemente era do tamanho de um limãozinho, tinha quase cinco centímetros.

Podia ver suas perninhas se mexendo um pouco, me chutando, o que me assustou, porque até então eu não conseguia sentir nenhum de seus chutes.

Então ouvimos. Ouvimos seu pequeno coração bater.

E naquele momento, senti que tudo havia mudado. Eu não conseguia entender o motivo, mas ouvir seu coração bater simplesmente mexeu comigo, e com Dean também, que, apesar de tentar esconder, estava em lágrimas.

Quando enfim saímos do consultório, com uma foto da ultrassonografia do bebê em mãos, Castiel pendeu a cabeça para o lado, franzindo o cenho.

— Por que está chorando, Dean?

— Não tô chorando – ele fungou, olhando para a foto, mas seus olhos estavam vermelhos, assim como o seu nariz.

— Eu não sabia que ter um bebê era assim tão assustador – Castiel desviou o olhar.

— Eu não tô assustado – Dean fungou. – Eu tô feliz, tá legal? É só isso. Se a gente ao menos pudesse descobrir o sexo do bebê pra poder pensar em nomes...

— É uma menina.

Dean e eu olhamos para Castiel com as sobrancelhas arqueadas.

— Você sabia? – perguntei.

— Sim.

— Por que não nos disse?

— Porque vocês não perguntaram.

Dean cedeu e começou a chorar mais ainda.

— Amor, o que houve? – afaguei seu rosto.

— A gente vai ter uma menininha, Bella – ele fungava, tentando se controlar.

— Não entendo – Castiel murmurou. – Isso é ruim?

— Não, claro que não! – Dean se explicou. – Eu só tô feliz que vou ter uma filha!

— Oh. Certo. Eu devo levá-los pra casa, agora – ele ergueu suas mãos para nos tocar, e em um instante, estávamos no nosso quarto novamente.

Sua expressão ficou subitamente sombria.

— Cass, o que foi? – perguntei, chamando a atenção de Dean.

— Tem um demônio aqui – saiu do quarto, no que eu e Dean trocamos olhares confusos.

Dean logo foi atrás de Castiel, e mesmo que tivesse me dito para ficar no quarto, eu os segui. Quando chegamos à varanda, percebemos que se tratava de ninguém menos que Ruby, sentada em uma das nossas cadeiras, conversando com Sam.

Eu precisei respirar muito, muito fundo para não brigar com ele ali mesmo.

— O que ela está fazendo aqui? – Castiel inquiriu ferozmente.

— Ela veio pra ajudar – Sam se levantou na defensiva.

— Ajudar com o que? – Dean perguntou irritado.

— Com o problema do bebê – Ruby cruzou os braços. – Posso fazer um aborto mais limpo e mais rápido que qualquer clínica.

— Cai fora daqui – Dean fechou as mãos em punhos.

— Se ousar se aproximar desta casa novamente, ou de Isabella, eu matarei você – Castiel a encarou. – Saia enquanto estou lhe mostrando misericórdia.

— Não tô entendendo – Sam franziu o cenho. – Pensei que iam se livrar do bebê.

— Mudança de planos – respondi, no que ele arqueou as sobrancelhas. – Vá embora – me virei para Ruby. – Castiel não é sutil quando está irado.

— Tá bem, já entendi – ela fez um gesto de redenção.

— Fora – Castiel caminhou em sua direção, e no mesmo instante, Ruby sumiu.

— Será que dá pra explicar o que foi que aconteceu? – Sam se aproximou de Dean. – Você tava chorando?

— É, eu tava.

Aquela resposta nos pegou de surpresa. Era a primeira vez que ele admitia isso.

— Olha só pra ela, Sam – lhe mostrou a foto da ultrassom.

— Caramba! Desse tamanho? – ele riu sem jeito. – Mas você nem tem barriga, Bella – ele me olhou confuso e eu dei de ombros.

— É porque ela tá anêmica – Dean encarou Castiel. – Porque um certo anjo que deveria ficar de olho nela não percebeu que ela estava perdendo peso demais.

— Em minha defesa, posso afirmar que Bella comia ao menos três refeições diárias, e depois de muita insistência da minha parte – ele se explicou, no que eu arregalei os olhos.

— Vai me dedurar assim?

— Eu fiz a minha parte – ele virou o rosto, desconversando.

— Tá, mas o que importa agora é que a gente precisa engordar a Bella do jeito saudável – Dean disse mais animado. – Precisamos comprar as coisas que a médica receitou, vambora— disse a Sam.

— Agora? – o mais novo franziu o cenho.

— É, agora! – Dean respondeu de dentro da cozinha.

— Pelo amor de Deus, controla ele – o encarei. – Ou ele vai comprar uma loja inteira de produtos de bebê.

— Eu vou tentar – Sam suspirou, indo atrás do irmão.

Aqueles seriam longos seis meses.

Notas finais
a Bella agora foi de ''não quero agora, é um péssimo momento'' pra ''já que tô no inferno, vou abraçar o capeta''