Wind Walker - O Mercenário Voador
11 L - Um possível mau começo
Notas iniciais
Enterrei minhas mãos nos bolsos de jaqueta preta, caminhando lentamente em direção à porta da grande construção que se erguia imponentemente naquele local deserto. Minhas pernas estavam muito melhores do que há alguns segundos atrás e, para continuarem deste jeito, precisaria apenas fixar em minha cabeça que devo priorizar o uso dos amortecedores localizados nos tornozelos.
Continuei meu caminho em direção à porta, conservando em meu rosto uma expressão de poucos amigos que já estava acostumado a exibir inconscientemente. Toquei levemente a saliência da arma de fogo que guardava em meu bolso: “Provavelmente vão me expulsar se a presença desta arma for notada” pensei tranquilamente, “Nunca vão notar” concluí.
Lembrei-me das palavras que meu pai sempre me dizia: “Não espere o teste começar, tenha em mente que o verdadeiro exame começa assim que você entrar por aquela porta” Referindo-se à porta principal do estabelecimento militar que eu estava para entrar.
Continuei dando passos lentos e ritmados até passar pela porta automática, realizando, assim que entrei, um reconhecimento básico. O chão era composto por pequenos ladrilhos cuja cor era predominantemente branca, as paredes acompanhavam o mesmo tom dos ladrilhos; A grande sala era um retângulo não muito grande, possuía sofás dispostos em seus cantos direito inferior e esquerdo inferior, no canto direito superior uma mesa se fazia presente junto a uma recepcionista que logo me perguntou:
–Olá, o que desejas? – Exibindo um sorriso alegre.
–Vim fazer o teste para ingressar na aeronáutica – Comentei rapidamente sem desviar o olhar do chão, encostando-me na parede mais próxima
–O exame para o curso preparatório começará em uma hora – Informou ela inutilmente
–Tal curso não é de meu interesse – Falei – Pretendo entrar no exame final que está agendado para agora.
Olhei nos olhos daquela jovem moça pela primeira vez. Por muito tempo pesquisei várias maneiras de dominar psicologicamente as pessoas usando apenas o olhar, assim sendo, não tenho dificuldades em intimidar qualquer um, inclusive, e principalmente, ela. Assim que a olhei profundamente nos olhos seu rosto empalideceu um pouco, contraiu levemente os músculos da testa e afundou em sua cadeira, adquirindo agora uma postura um pouco mais curvada. “Certo” pensei “Ainda tenho a prática”
Desviei o olhar para uma das 34 câmeras que nos vigiavam silenciosamente no teto evitando qualquer contato visual excessivo com a mulher. Sim, exatamente 34 (Comentei sobre isto?). Algumas estavam escondidas, outras bem aparentes, mas todas estavam estrategicamente posicionadas de forma a deixarem mínimos pontos cegos.
Felizmente eu treinara tudo o que era necessário para ser um bom soldado, deixando-me completamente apto a identificar todos os pontos sem visão das câmeras imediatamente, de forma extremamente natural, assim como ler e escrever.
–Qual sua idade? – Perguntou ela de forma frágil, ainda sob os efeitos da intimidação.
–Dezesseis – Retruquei friamente
–Creio que o senhor não esteja preparado para fazer a prova que pretende – Falou ela timidamente, depois de uma longa pausa – Ninguém com a sua idade conseguiu passar com sucesso pelo exame, tornando 18 a idade mínima aceitável.
–Inclua-me na lista e aguarde o resultado – Finalizei com esta ordem, num tom frio e agressivo, faltando-me a paciência.
–Neste caso, sugiro que entre na porta à sua direita – Disse ela – A partir deste momento, sua conexão com a internet será cortada.
Olhei para a porta que me foi recomendada e caminhei em sua direção lentamente enquanto abria de forma discreta o estojo metálico que havia pegado na mala reserva, deixando escapar propositalmente um dos pequenos objetos cilíndricos que lá estavam. Seis, num total, cada um tinha o tamanho de uma moeda pequena.
Entrei no aposento seguinte deixando outro dos objetos metálicos cair de meu estojo discretamente. O local seguia a mesma decoração da recepção, mas este era menor, com apenas um grande sofá contornando a sua borda maior. No sofá existiam dez pessoas sentadas confortavelmente, todos conversando abertamente entre si, tinham uma média de idade de vinte anos mais ou menos, com exceção de dois estranhos cidadãos, sentados num canto reservado aparentemente discutindo algo não muito importante. Estes tinham seguramente menos de dezenove anos e trajavam roupas um tanto monocromáticas que poderiam ser resumidas em apenas preto.
Encostei-me à parede e observei o local mais atentamente: Apenas uma câmera de vigilância marcava presença no teto, havia um relógio analógico na parede oposta a mim que me despertou a atenção: O ponteiro que marcava os segundos movia-se com o dobro da velocidade usual, além disto, segundo o relógio faltavam apenas trinta segundos para as doze horas. Estranho? Talvez.
Assim que se marcam doze horas no dispositivo à minha frente, consigo ouvir uma nota muito aguda proveniente do mesmo, enquanto uma pessoa entra na sala. Trajava-se mais elegantemente: Suas roupas eram típica farda de um oficial local, segurava uma prancheta marrom com a mão direita, e com sua mão esquerda segurava uma caneta esferográfica.
– Agora pontualmente, daremos início ao exame – Afirmou firmemente – Devo lembrar aos três novatos que este evento funcionará como um teste de nivelamento, apesar de duvidar do potencial de alunos novos, principalmente quando se encontram ainda muito jovens.
–Qual seus nomes? – Perguntou dirigindo-se ao par de preto
–Heyke Ánolum – Falou o rapaz com voz firme e grave
–Kira Takameno – Concluiu a garota ao seu lado.
Ele se virou, exibindo uma expressão demasiadamente severa na falha tentativa de me intimidar, aproximou-se de mim analisando-me de cima a baixo:
–E o seu nome moleque? – Falou, numa pergunta que mais parecia uma ordem.
–Não interessa à ninguém que não conheço – Retruquei com uma voz agressiva levantando o meu olhar, fitando o fundo de seus olhos castanhos, deixando-o com uma expressão que contrastava com a que tinha dois segundos atrás.
Ele realmente estava sendo dominado psicologicamente. Por curtos dois segundos, seu rosto empalideceu levemente exibindo uma expressão que combinava perfeitamente a surpresa com o medo, suas mãos deixaram de forma acidental cair a prancheta e a caneta. Agarrei ambas antes de tocarem o chão, assinando meu nome completo na linha em branco. Tempo total decorrido: Cinco segundos
Devolvi seus dois pertences antes que ele tivesse tempo para se recompor, seu rosto ainda demonstrava surpresa, mas o medo era gradativamente substituído por raiva. Encrencado? Eu? Hah!
Suas mãos esmagaram a pobre caneta assim que ele se deu conta de tudo o que havia acontecido, ele não tinha coragem para levantar o olhar novamente, mas sabia que teria de fazer algo para corrigir meu ato. O que poderia ser? Questionei a mim mesmo enquanto sentia uma forte onda de prazer circular o meu corpo: “Quero faze-lo sofrer... Sim... Você vai torturar ele... Vai!...” Uma sedutora voz sussurrava em minha mente enquanto a tentação pelo prazer dominava o meu corpo. Aquela voz! Lembrei-me vagamente com o resto de minhas forças de vontade, não... Não vou ceder a você. Aquilo não poderia estar voltando, não agora. Aquela voz, o som que me atormentava os sonhos, a maldição que envenenava minha alma, o demônio que não me deixa descansar.
Sacudi minha cabeça, reavendo minha consciência a tempo de bloquear com a mão o soco direto que mirava em meu nariz. A tentação da tortura havia passado, mas eu tive que acabar com aquele confronto, sendo assim, ainda segurando o seu soco, direcionei a articulação do pulso para baixo, e, ao mesmo tempo, girei o punho fechado. Meu inimigo agora tinha um pulso torcido.
–Não é sábio atacar um aluno desprevenido – Provoquei ele
Ele bufou com o rosto avermelhado, endireitou a postura e falou:
–A primeira etapa do exame será escrita.
Notas finais
não sei...
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