Notas iniciais
Os capítulos estão dando-me um pouco de trabalho.
Aproveitem.

Encostei-me de novo na parede do aposento observando meu raivoso instrutor distribuir, com sua única mão livre, um pequeno questionário que era a primeira etapa do meu teste de nivelamento. Observei o oficial superior com um pouco de diversão, seu rosto exibia traços de sofrimento devido ao pequeno “Presentinho” que eu havia lhe proporcionado, procurando algo que pudesse me prejudicar, o pulso estava um pouco inchado, mas seu orgulho o impedia de buscar algum medicamento.

Segurei, sem direcionar meu olhar aos seus olhos, o papel que me oferecia com relutância. “Você não pode fazer nada contra mim, a câmera está filmando tudo” Pensei cruelmente ao mesmo tempo em que observava os candidatos abrirem seus questionários, exibindo expressões que variavam entre surpresa e otimismo. Meu instrutor agora observava-nos, silenciosamente avaliando o comportamento de todos com olhares rápidos e habilidosos dignos de um bom atirador.

Abaixei meu olhar para o único papel branco que segurava no momento, a apostila exibia um cabeçalho bem feito e apenas uma questão escrita deixando o resto da página completamente em branco, levantando algumas suspeitas por minha parte. “Você se considera uma pessoa inteligente?” Perguntava a ridícula questão que exigia uma resposta totalmente pessoal, tal pergunta não merecia minha resposta, mas, uma série de barras impressas no centro do verso do exame me chamou a atenção: Quatro, para ser mais exato, quatro pequenas linhas paralelas eram facilmente identificáveis, e pairavam no branco da folha como se esperassem algo ser escrito sobre.

Olhei para o relógio na parede oposta, ele estava completamente parado marcando doze horas, com exceção do ponteiro que descriminada os segundos, este continuava seu caminho ao redor do relógio, ainda correndo duas vezes mais rápido do que um ponteiro comum, a criar um ritmo contínuo e silencioso. Foi aí que notei outra coisa interessante: o ponteiro emitia ritmado som quatro vezes, silenciava uma vez, e ritmava novamente quatro tempos de meio segundo, sendo que a última batida antes da pausa sempre exibia um tom mais agudo do que as três últimas.

Rabisquei um “não” na única pergunta aparente da lista e planejei pensar um pouco mais a respeito do relógio, mas fui interrompido pela repentina fala de meu fiscal:

-Vamos prosseguir para a parte final de nosso exame – Falou ele ao grupo todo – Não é necessário preocupar-se, se ainda não respondeu terá chance para terminar assim que esta última parte do exame tenha um fim.

Isto foi estranho. “um teste escrito com uma pergunta e sem limite de tempo? O que virá em seguida?” Pensei olhando em volta, a investigar a expressão dos outros examinados, todos exibiam expressões surpresas, provavelmente tinham esbarrado na mesma dúvida que eu.

-Esta parte é a mais importante – Explicou ele – a próxima sala à direita está equipada com simuladores individuais que devem ser vestidos por vocês assim que a adentrarem.

Ele virou o corpo em direção a porta indicada, abrindo-a, enquanto nos convidava a entrar. A grande sala era completamente branca, sem nenhuma variação de tom, simplesmente branca e no seu centro havia uma mesa com os equipamentos do simulador: Um capacete que cobria toda a área do rosto, duas luvas e duas botas grandes.

Todos caminharam para dentro em fila, apoderando-se dos devidos equipamentos, imediatamente após a entrada. Todos, menos eu, que caminhei por trás silenciosamente, selecionando último que sobrara.

-A missão que irão enfrentar neste momento foi criada especialmente para esta ocasião, o seu objetivo é avaliar suas aptidões físicas e mentais perante uma situação de risco. Terão duas horas para termina-la, contando a partir de agora – Alertou ele. Assim que ele falou a palavra “agora” ouvi um som agudo idêntico àquele que escutei ao relógio marcar doze horas.

Curiosamente nesta sala branca existia outro relógio que também ritmava quatro vezes, mas este somente exibia o tom agudo na penúltima batida, seu ponteiro dos segundos, ao contrário do já visto, andava duas vezes mais devagar. Além disto, no lugar onde o número doze estaria, curiosamente um número quatro marcava presença.

O supervisor nos pediu para deixar as apostilas escritas em cima da mesa, que antes estavam os equipamentos de simulação. Obedeci a recomendação assim que todos os outros já a haviam feito, colocando os equipamentos para simulação em seguida.

-A simulação começa agora – Falou ele, enquanto eu colocava o capacete.

=/-/=

Todos estavam dentro de uma grande construção de metal enfileirados uniformemente, vestidos com roupas verdes da aeronáutica moderna, segurávamos as armas padrão do estabelecimento: Uma pistola calibre 38 no cinto e um rifle de assalto para médio-longo alcance em mãos. Todos estavam um pouco atordoados pela mudança repentina de local, com exceção dos dois-de-preto, e, obvio, eu. “Quem são eles?” Questionei-me pela quarta vez, olhando para a dupla que, apesar de agora vestirem verde, não os deixava menos suspeitos. Eles com certeza, ao contrário dos outros oito examinados, tinham alguma prática em locais como aquele, aumentando ainda mais a minha curiosidade.

-Aqui é o início de nossa missão – Falou o oficial que encontrava-se em nossa frente – Corram, temos que ajudar nossos amigos, a nossa base está sendo invadida.

Ouvi um grande barulho vindo de fora da estrutura sendo seguido pela entrada de soldados inimigos empunhando pequenas pistolas. Desviei dos dez primeiros tiros que nos foi mandado, procurei uma posição melhor atrás de uma pilastra metálica, posicionei o rifle e atirei quinze vezes, neutralizando todos os vinte infelizes alvos. Olhei em volta, pensando rapidamente “Isto é uma invasão? Deve haver um exercito inteiro lá fora”. De repente, meus olhos pousaram na única coisa útil dentro daquele lugar.

Observei que todos os outros candidatos do exame estavam parados olhando para mim, como se dissessem “Como que você fez isso, seu moço?”. Ridículo.

-Fechem suas bocas e movam-se – Ordenei enquanto aproximava-me da nossa passagem para a vitória.

Em minha frente estavam pousados três dos melhores aviões de combate da atualidade, o modelo foi apelidado de “Guardião” e ele é capaz de fazer um grande estrago quando usado pela pessoa certa. Subi rapidamente em sua cabine, sentei-me naquele banco macio o qual eu já estava totalmente acostumado, segurei o manche, liguei a aeronave e preparei as armas. Notei que a dupla suspeita também havia tomado conta dos outros dois Guardiões restantes, oferecendo-me ajuda:

-Quer algum tipo de auxílio? – Perguntou-me pelo comunicador do poderoso avião.

-Não me atrapalhem – Falei em um tom conclusivo – Eu me viro sozinho

Destravei os motores do meu caça a tempo de ver a grande porta frontal da construção se destruída, levando com ela metade do conteúdo de seu interior, com um barulho desconcertante. Um grupo de máquinas de guerra entrou no local descarregando uma grande quantidade de munição nos meus colegas de exame.

“Deste exército cuido eu” Pensei com um ar malicioso, “Eu mato todos”


Notas finais
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