Wind Walker - O Mercenário Voador
14 L - O verdadeiro teste
Notas iniciais
Todos os examinados direcionaram olhares interrogativos em minha direção, esperando alguma explicação por minha parte, depois daquela afirmação. Eu, por vez, encostei-me à parede, com os braços cruzados e os olhos virados para o chão.
–Primeiro o sete, depois o três – Comentou um dos invasores, que aparentemente estava na sala anterior a nossa. Onde foi aplicado o teste escrito.
Caminhei calmamente em direção à porta, meus passos leves não emitiam nenhum som ao andar, minha respiração estava calma e lenta como de costume. Toquei naquele conhecido bolso escondido em minha jaqueta, estava vazio. Com certeza a história estava muito mal contada.
Segurei a maçaneta da porta que ligava a nossa sala com o local ocupado por nossos “invasores”, girei e a abri subitamente, dando de cara com um grupo de oito pessoas armadas até os dentes possuindo armas de fogo com munição suficiente para matar uma infantaria inteira. Uma delas, o homem mais alto, aproximou-se de mim, apoiando o cano de seu rifle no meu peito, a falar orgulhosamente:
–Não vai recuar? Garoto...
–Me chamar de garoto foi seu segundo erro – Falei em um tom perigosamente baixo
–Hah hah! E qual foi o primeiro?
–Seu primeiro erro foi se aproximar demais – Continuei seguindo o mesmo tom que usei anteriormente.
Antes de eu terminar a minha própria frase eu já havia começado uma série de movimentos rápidos: Primeiramente eu afastei, com a mão direita, o seu fuzil para outro lugar que não meu corpo, ao mesmo tempo em que desferia um feroz soco no centro de sua testa, quebrando seu crânio e provocando sua morte imediata. Logo após eu segurei o rifle em posição de disparo, enquanto enviava uma sequência quase imediata de sete tiros que acertaram no centro da cabeça dos outros sete intrusos, levando-os ao chão quase ao mesmo tempo.
Após a falsa matança, voltei meu olhar para dentro da sala novamente, a observar as expressões que variavam entre medo (de mim, no caso), admiração e ciúmes. Aproveitei o momento e comentei rapidamente:
–Não acha estranho o fato de termos de teste teórico apenas uma pergunta, e de teste prático, um exército?
Eles desviaram seus olhares interrogativos por um momento, voltando a me encarar em seguida, desta vez com uma expressão que indicava confusão.
–Isto não prova nada sobra nossa simulação – Exclamou Heyke-de-preto – Aonde quer chegar?
Suspirei decepcionado com o “grande intelecto” da equipe.
–Bem... Um teste teórico para a aeronáutica pretende verificar três aptidões básicas: Atenção, Raciocínio e Estratégia – Expliquei com uma profunda irritação – Mas o teste escrito só conseguiu descriminar a Atenção, com o código atrás da folha. Peculiarmente, o teste físico conseguiu verificar a estratégia, apesar de neste último nenhum aspecto físico tenha sido testado, pelo simples fato de ser uma simulação.
Levantei meu olhar para os meus ouvintes, esperando suas pequenas cabecinhas processarem tudo o que eu havia dito.
–Agora é só somar dois mais dois. Se você parar para pensar, já fomos observados quanto à Estratégia, e a Atenção. Qual sobra? Raciocínio! Este é o ultimo teste teórico, e estão testando o nosso raciocínio lógico – Afirmei com convicção enquanto brincava com o rifle em minhas mãos
–Mas como você sabe que isto é uma simulação? Afinal, todo este teste poderia ser feito de outra forma, fora do universo virtual – Insistiu Heyke-de-preto.
Fuzilei-o com o olhar, senti minha paciência se esvair do meu corpo. Mirei rapidamente o fuzil em direção o nosso rabugento instrutor, disparando um rápido tiro em seu coração, sendo seguido pelos gritos de surpresa provenientes da maioria dos participantes.
–3...2...1... – Contei o tempo faltante para o fim da simulação, afinal, eu havia matado quem estava no controle da mesma.
Tudo ficou preto dentro do capacete que eu estava usando.
=/-/=
Retirei todos os equipamentos de simulação que vestia, observando todos retirarem os seus, toquei no meu bolso secreto na jaqueta, senti o peso de minha fria arma. Neste momento eu soube que estava vivendo o real.
Olhei para os rostos dos presentes no momento, todos estavam pasmos com o acontecimento, inclusive e principalmente o meu instrutor ignorante.
–Foi simples deduzir que isto foi uma simples simulação – Expliquei assim que todos já tinham se livrado dos seus equipamentos – Foi só atentar-se aos detalhes. Eu tomei a liberdade de dobrar a ponta direita superior de minha prova escrita, mas naquele lugar, todas estavam perfeitamente lisas. Além da óbvia dica, no rifle dos invasores: Era um Colt AR-15 – Pausei meu pensamento na esperança de que alguém reconhecesse tal fuzil, sem sucesso – Esta arma de fogo não é usada há séculos.
Heyke olhou para o chão, considerando a ideia de o meu pensamento estar correto. Sempre estava. Uma fagulha de decepção brotou dos meus colegas, assim que, pouco a pouco, eles foram compreendendo a validade do que pensei. Alguns exibiam até inveja pelo que eu havia feito.
Olhei para o meu examinador, que se mostrava, também, impressionado, e chamei-o para outra sala, enquanto eu abria a porta em direção à mesma.
Caminhei silenciosamente, com passos lentos, espojei-me confortavelmente no grande sofá, provocando-o novamente. Chamei sua atenção estalando os dedos de forma desrespeitosa perguntando em seguida:
–Se eu parar o teste por aqui, em que patente eu ficaria?
–Você já conseguiu uma posição invejável, comparada aos seus colegas
–Já estou em uma posição maior que a sua? – Perguntei, indo direto ao assunto.
Ele me olhou com uma expressão que indicava nervosismo. Compreendeu o que eu realmente queria. Trocou o peso de um pé para o outro, e respondeu:
–Ainda não – Falou ele, sem muita disposição para discutir – Eu treinei por seis anos para alcançar a minha patente atual
Olhei em volta, como se estivesse descontraído, pousei meu olhar em seus olhos e afirmei:
–Então eu tenho mais algo para falar, a respeito do exame – Comentei, observando os efeitos de uma boa intimidação: Seu rosto empalideceu levemente, suas mãos ficaram um pouco húmidas, engoliu seco, suspirou. Pura psicologia – Algo em relação aos relógios nas salas.
Ele sentou ao mesmo sofá e se pôs em prontidão para escutar minhas palavras.
Notas finais
O próximo vem em breve.
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