Wind Broken Wings
15 Ventos Esponsais
Notas iniciais
Riven acordou meio tonta, sem saber onde estava ou que horas eram. Olhava para os lados tentando se situar, concluiu que estava em um local desconhecido e, pelo branco predominante, em uma sala de hospital.
– Sente-se melhor? — a voz grossa de Darius rapidamente prendeu sua atenção.
– Sim.
Riven não sabia como reagir na frente dele depois do que fizeram na noite anterior. Ela se sentia péssima, um ódio enorme de si mesma a consumia. Como teve coragem de se entregar para outro homem, pior, estando grávida? A repulsa a fazia querer sumir. Lembrou-se das duas vidas que carregava consigo e tranquilizou-se um pouco.
– Riven, me desculpe.
– Eu que o diga. Darius, eu sinto muito.
– Eu sei que você não me vê como eu te vejo, Riven, mas não pude resistir à você.
– Eu não sei o que deu em mim, talvez seja a saudade, e a bebida me deixou ainda pior, me desculpe, de verdade.
– Ah, o médico disse que você não pode tocar em bebidas em situação nenhuma, pode acarretar em má formação e aborto prematuro. Outra coisa, eu fui muito violento com você e acabei te machucando, então, eu sinto muito por colocar nossos filhos em risco.
– Obrigada, Darius. — Riven se sentia desconfortável quando ele os chamava de "nossos" — Por quanto tempo eu dormi?
– Umas 15 horas.
– Podemos ir agora?
– Não, você está sob observação médica.
Riven franziu o cenho em reprovação, mas tinha que ficar. Fechou os olhos e bufou. Darius apenas continuava a fitá-la, admirando seus traços inigualáveis.
Riven pensava em seus filhos, se desculpava mentalmente por colocá-los em perigo. Jamais se perdoaria se perdesse-os. Seria a única prova de que já existiu e amou um dia.
Algumas horas se passaram desde que acordou, e as gastou pensando nos seus três amores. O médico que a atendera antes estava de volta. Após constatar que estava tudo bem, deu as devidas ordens para manter a gravidez segura e a liberou.
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O sol começava a clarear o horizonte. Yasuo despertou lentamente, sentindo a presença de alguém grudada em seu corpo. Um sorriso logo apareceu, morrendo assim que o lutador abriu os olhos. Aquela não era Riven. Um longo suspiro pesado acordou Janna, que puxou o rosto dele para si e deu um selinho nele.
– Bom dia...
Yasuo não correspondeu ao beijo, e não disse nada. Se levantou e colocou a roupa. Percebeu que a garota ao seu lado fez o mesmo. O lutador contraiu os músculos ao notar que ela flutuava. Isso só podia significar que ela dominava a elemental do ar. O moreno lembrou-se rapidamente das palavras do irmão.
– De onde você é? — perguntou rispidamente enquanto a olhava com um semblante assassino
– Zaun, por quê?
– Por nada... — relaxou imediatamente. Ionia não tinha nada contra Zaun, e o ancião fora morto na invasão Noxiana.- Vamos, vou lhe acompanhar até sua casa.
– Não precisa, eu sei me virar.
– Como desejar. — deu de costas e começou a caminhar.
Yasuo começou a pensar na noite anterior, suspirou ao lembrar do noivado de Riven. Iria até ela e a faria dizer toda a verdade. Não conseguia acreditar que ela estava mentindo todo esse tempo. Lembrou-se de passar a noite com a loira que acordara ao seu lado.
– Tsc, tá vendo o que acontece se eu ficar longe de você, Riven... — falou para si mesmo enquanto caminhava.
Decidiu que ficaria naquele vilarejo, e no dia do casamento falaria com ela, pois sabia que a veria, sem erro.
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Riven se olhava no espelho um pouco incrédula, não sabia que usar um vestido de noiva poderia fazê-la se sentir tão linda. A peça era branca, tomara-que-caia no tecido e coberta por uma renda que subia para o pescoço e seguia pelas mangas. O cabelo estava preso em um belo penteado que deixava algumas mexas soltas, totalmente adornado por pequenos diamantes presos as madeixas platinadas, que sustentava um véu enorme. Os lírios brancos quem compunham o buquê completavam o visual. Riven se sentia um pouco claustrofóbica dentro da peça, afinal, era justa até o último milímetro de seu corpo. Daqui alguns minutos, ela subiria no altar e trocaria os votos de matrimônio. Estava nervosa.
Já no local, Darius estava ansioso. Os convidados apreciavam a decoração da praça principal de Noxus. Draven sorria ao perceber o quanto os plebeus apreciavam a decoração que ele planejou as pressas, duas semanas era muito pouco para um evento de tamanha magnitude. Correu como louco para que tudo estivesse impecável. E estava. O general andava de um lado para outro, Riven estava 10 minutos atrasada.
Katarina estava com um brilho nos olhos, imaginava-se em um vestido de noiva também, casando-se com Garen. Ria um pouco ao ver Riven reclamar da roupa, mas ela estava linda, em sua opinião.
– Vamos, Riven, Darius odeia esperar.
– Calma, Katarina, ela ainda não acabou.
– Terminei, senhorita.
– Vem logo — Katarina a puxou pelo braço até a carruagem. — Já estamos bem atrasadas!
– Tô indo, mas correr de salto é difícil! (*participação especial* Evelynn: Eu já disse, mas ninguém acredita!)
Katarina vestia um vestido longo, verde-água, tomara-que-caia com uma abertura lateral que deixava uma de suas coxas exposta. O cabelo vermelho possuía um belo coque bagunçado com a franja solta. O scarpin preto com pequena pedras encrostadas no salto finalizavam o look da assassina. Durante o caminho, Riven pensava no que estava prestes a fazer. Um frio na barriga a deixava um pouco trêmula, porém, não tinha mais tempo para se arrepender, estava em frente à praça.
Um burburinho se iniciou entre os convidados, anunciando que a noiva havia chegado. Darius se aquietou no local que deveria ficar e aguardar pela entrada de sua amada. Draven correu às pressas para recebê-la, pois entraria com ela, já que ela não tinha mais familiares vivos.
Do alto de uma árvore, Yasuo assistia Riven descer da carruagem, perdeu os sentidos por alguns segundos ao vê-la de frente, ela estava deslumbrante. Permitiu-se sorrir de canto enquanto a fitava.
A marcha nupcial teve início e Riven começou a lenta caminhada pelo altar, acompanhada de Draven. Katarina seguiu para o local reservado para os Du Coteau, se juntando à Cassiopeia e Talon. As garotas olhavam vidradas pela beleza da peça que a noiva vestia.
– Estamos aqui reunidos para celebrar a união entre Riven e Darius.
Alguns assistiam entediados, outras invejavam Riven por estar se casando com Darius. Havia todo tipo de gente na plateia. Katarina olhava para a lutadora com pesar, sabia que ela não estava casando por vontade própria. Um burburinho vindo do fundo chamou sua atenção. Ao se virar, viu um homem de pé na entrada do altar.
Riven estranhou os cochichos atrás de si e se virou para checar, porém, encontrou muito mais do que esperava ver.
– Yasuo...
– Se alguém aqui tem algo contra a união dos dois, fale agora ou cale-se apara sempre!
Darius se virou também e pediu para que a cerimônia fosse interrompida. Quando começou a andar em direção à entrada, fora impedido por Riven.
– Eu resolvo, é assunto meu.
Desceu os três degraus temerosa, ele seria capaz de matá-la na frente de todos? Seria eternamente perseguido por Noxus também, ele não teria ousadia para tanto. Decidiu que era seguro falar com ele ali. Ao ficar a menos de um metro dele, parou e os dois ficaram se encarando por alguns segundos. Riven estava feliz por saber que ele estava bem, queria contá-lo que esperava por gêmeos, queria se enroscar no pescoço dele e beijá-lo pelo resto do dia, para saciar a saudade de quase dois meses longe dele.
– Então era esse o seu plano? — a pergunta a trouxe de volta para a realidade — Me enganar, se divertir e, quando cansasse, me largar?
– Yas... — Riven arregalou os olhos que começavam a formar lágrimas, tampou a boca com uma mão para segurar a surpresa e a outra levou à barriga.
– Essa gravidez significa alguma coisa pra você? — ele não deixou o gesto dela passar despercebido — Achei que já tivesse abortado.
Riven o olhava incrédula no que acabara de ouvir. As lágrimas começaram a escorrer sem obstáculos, borrando a maquiagem da lutadora.
– Como você tem coragem de dizer tudo isso? — a raiva começou a se mostrar.
– Ué, Riven, é a conclusão óbvia a se ter, visto o que aconteceu. Eu acreditei em suas palavras, em seus sentimentos e você simplesmente fugiu e agora está se casando com outro homem. O que queria que eu pensasse?
– Um dia você vai entender...
– Entender o quê? — Yasuo começava a alterar o tom de voz — Você faz ideia do quanto eu sofri quando você fugiu, sem entender o motivo? Faz ideia do quanto te procurei nesses quase dois meses? Riven, você faz ideia do quanto eu te amava, do quanto ainda amo? Duvido que faça, não teria feito isso se soubesse.
– Yasuo... Eu...
– E ele, Riven — olhou para Darius e depois pra ela, já não media mais as palavras de tanta raiva e mágoa — Ele fode tão bem assim, pra você me trocar por ele? Ele sabe que você tá grávida de outra pessoa? Ele sabe que....
Yasuo não tivera tempo para continuar, Riven lhe dera um tapa no rosto.
– CALADO, VOCÊ NÃO SABE DE NADA!
– VOCÊ NÃO ME EXPLICOU, COMO QUERIA QUE EU SOUBESSE?
– VAI EMBORA! AGORA! — A lutadora chorava sem parar.
– Antes você vai me responder porque fez isso!
– Saia, caso não queira maiores problemas com o Alto Comando Noxiano — Darius se pronunciou com um olhar assassino para Yasuo — Acho bom deixar minha noiva em paz, antes que sua cabeça voe para vem longe do seu corpo. — uma olhada rápida para um de seus lacaios e seu machado estava em mãos — Eu não vou falar duas vezes.
– Tsc, essa conversa ainda não acabou, Riven, você me deve explicações.
Yasuo se retirou do local rapidamente. Voltou para a árvore em que estava camuflado anteriormente para assistir ao restante do casamento.
A cerimônia seguiu normalmente dentro do possível para a situação. Após a discussão, Riven se recompôs e sorriu o melhor que conseguia. Após as alianças trocadas, um beijo do casal marcou o início da festa para os convidados. O bufê foi servido, os bancos substituídos por mesas e cadeiras, a banda deu início as músicas. Yasuo assistia sua amada dançando valsa com o general, sentia uma dor enorme na alma por não ser aquele que a conduzia. Era claro que ela não sabia dançar, mas estava se saindo até bem.
Num canto mais reservado, Swain dava ordens para Katarina e Talon abordarem Yasuo antes que ele fugisse de Noxus. Por mais que não demostrasse sentimentos, atrapalhar um momento importante para seu braço direito era inadmissível, o mestre da estratégia o queria em uma cela o mais rápido possível. O irmãos logo iniciaram a busca pelo lutador.
Swain logo se misturou aos convidados novamente. Ao se servir do ponche, fora abordado por uma velha conhecida.
– A quanto tempo, Swain...
– O que quer?
– Sempre tão seco... — LeBlanc fez uma trilha com os dedos pelo braço dele até próximo ao ombro — Aquele homem chamou bastante atenção aparecendo daquela forma... Que castigo dará para ele?
– Isso não é da sua conta — desvencilhou-se das mãos dela.
Ao tentar segui-lo, Beatrice abriu as asas e quase gritou, na tentativa de espantar LeBlanc. A maga olhou feio para a ave e se retirou, procurando alguém para diverti-la.
Yasuo bufou ao notar que Talon estava logo atrás dele, com sua lâmina apontada para seu pescoço.
– Me acompanhe quieto e não teremos maiores problemas. — Talon se pronunciou com a frieza de costume.
– Creio que não será possível.
Rapidamente usou sua Espada Ágil em Katarina para ganhar distância de Talon e correr. Katarina estava receosa em caçá-lo, não gostaria de estar no lugar de Riven, correndo o risco de ter o amor de sua vida morto por alguém como Swain. Demorou alguns segundos para se mover, fazendo-o apenas quando Talon lhe chamou a atenção. Por mais rápido que corressem, os dois não estavam conseguindo alcançar Yasuo. Talon usou seu Ataque das Sombras, podendo assim correr mais rapidamente. Ao se aproximar lançou seu Ancinho, porém, foi bloqueado pela Parede de Vento do lutador.
Um pouco mais a frente, um tornado surgiu, lançando Talon e Katarina aos ares, atrasando ainda mais os dois. Janna surgiu de detrás de uma árvore, ajudando Yasuo a correr mais rápido. A fuga parecia certa, até Janna ser puxada por um gancho. Uma ferida profunda surgiu na perna da maga, impedindo-a de andar e garantindo um belo sangramento.
Yasuo tentou amparar a companheira, porém, Darius disparou uma série de golpes consecutivos, ganhando tempo. Talon e Katarina os alcançaram e atacaram Yasuo por trás, sem chance de defesa.
– Levem-no para Swain, imediatamente.
– Sim, general.
Os dois assassino cumpriram a ordem, e Yasuo fora levado para a cela especial, favorita de Swain.
Darius retornou para a festa, acompanhando sua esposa na sessão de fotos que se iniciara. Riven tentava sorrir de forma que parecesse realmente feliz, não queria passar qualquer tipo de imagem transtornada para seus dois pequeninos. Logo o fotógrafo os liberou, e então puderam conversar um pouco.
– Está gostando da festa? — Darius perguntou enquanto a puxava para dançar novamente.
– Sim, está tudo muito lindo.
– Graças ao meu irmão.
– Claro, ele fez um ótimo trabalho.
– O que foi? — indagou ao ver o semblante dela mudar.
– Que mancha é essa? — Riven se aproximou e tentou sentir o cheiro — Sangue? O que houve, Darius?
– Um pequeno contratempo.
– Você se feriu?
– Não se preocupe, não é meu. — suspirou ao ver o rosto que tanto admirava aflito — Nem dele, Riven...
A lutadora suspirou em alívio. Por mais magoada que estivesse, ainda o amava e queria seu bem. As palavras dirigidas à ela ecoavam em sua mente, era difícil acreditar que ele realmente havia dito tudo aquilo.
A festa havia terminado, o casal estava exausto. Se dirigiram para a carruagem e o cocheiro deu início ao trajeto. Depois de vinte minutos, Riven começou a estranhar a demora para chegar.
– Já deveríamos estar em casa, não?
– Vamos passar a noite em outro lugar hoje, Riven. — Darius sorria — Vamos para uma casa de campo.
Riven arqueou as sobrancelhas, mas logo retornou ao seu estado normal. Começou a pensar sobre a noite de núpcias que viveria logo, logo. Estava apreensiva, era capaz de se entregar de verdade à Darius? Não... Não era. Não sabia o que fazer ou o que ele lhe exigiria. Acariciou um pouco a barriga para se distrair de tais pensamentos.
A parada da carruagem anunciou que haviam chegado. O cocheiro abriu a porta e Darius desceu na frente, auxiliando a lutador a descer e a pegando no colo em seguida, deixando-a um pouco surpresa.
– Faz parte da tradição, não é? — Darius a olhou sorrindo
Riven gargalhou, jamais imaginou que Darius agiria dessa forma. O general ficou feliz, pelo menos conseguia animá-la. Ao entrarem, deixou-a sentada na cama. A lutadora olhava cada canto do quarto, era rústico e acolhedor, bem ao estilo dele. Retirou os sapatos, estavam matando seus pés. Procurou pelo quarto algo como uma mala, mas não encontrou. Darius logo entendeu a dúvida da garota.
– Suas roupas estão aqui — indicou a porta do guarda roupas.
– Mas essas roupas não são minhas — Riven olhava as peças, eram finas e delicadas, pareciam caras.
– Claro que são, elas foram compradas para você.
– Eu... Nem sei o que dizer...
– Se troque, eu sei que você quer isso a muito tempo, hahaha.
– Pode ter certeza.
Ao terminar de se vestir, Riven se olhou no espelho e ficou perplexa, se olhando dos pés à cabeça. O babydoll preto tinha detalhes bordados no sutiã, caindo dele uma malha levemente transparente com a base rendada. A calcinha fio dental também bordada com babados rendados nas laterais completava a sensualidade do conjunto. Se perguntou porque raios Darius tinha comprado isso. Colocou o robe e saiu do banheiro, envergonhada.
Darius estava deitado, usava apenas uma samba-canção de seda. Ao ver Riven sair do banheiro usando o robe, já imaginou o que ela vestia por baixo e não se conteve.
– Riven.
– O-Oi...
– Tire o robe.
– Hã?
– Tire-o, por favor.
Riven se sentia desconsertada com o pedido, mas o obedeceu. Retirou lentamente a peça, não por sedução, mas por vergonha. Darius se deliciava com a cena, ela conseguia ser sensual até quando não queria.
–Ficou perfeita em você, Riven. — Darius deu alguns tapinhas no colchão — Venha, deite-se comigo.
A lutadora obedeceu meio receosa, não sabia o que fazer naquela situação. Deitou-se de costas para ele. Darius beijou os cabelos da lutadora, inalando um pouco do seu perfume natural. Abraçou-a e assim se manteve.
– Boa noite, minha querida. — sentiu a interrogação saltar na cabeça dela — Hoje eu quero apenas dormir agarrado com você.
Riven suspirou aliviada e até ensaiou um sorriso sutil. Apesar de tudo, sentia-se segura no enlace dele, era acolhedor, quente...
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