Wind Broken Wings
16 Ventos Duplicados
Notas iniciais
A lutadora fitava o teto, o remexer das crianças em seu ventre não a deixava dormir. Ao seu lado, Darius estava babando no travesseiro, todo esparramado na cama, uma cena cômica. Riven alisava sua barriga na inútil tentativa de acalmar os bebês. Ao notar que não obtivera progresso algum, desistiu e se levantou, talvez andar um pouco faria bem. As roupas largas evidenciavam o avanço no desenvolvimento de seus filhos, a garota estava ansiosa para pegá-los nos braços e aninhá-los. O vento fresco balançava seus cabelos. Fechou os olhos para sentir melhor a brisa arrepiar os pelos de seu corpo. Permanecer de olhos fechados estava deixando-a mais relaxada, porém, a surpresa a fez abri-los e arregalá-los. Sentiu um dos fetos chutar pela primeira vez. Instintivamente olhou para sua barriga e tocou o local do chute. Um largo sorriso se abriu, acariciou o ventre se perguntando quem havia chutado.
– Aposto que, se tiver puxado o pai, foi você, Yone...
Pelas suas contas, Riven estava com seis meses e meio de gestação. Fazia dois meses que estava casada com Darius. Acabou se acostumando com a casa e a rotina, já que ele passava muito tempo fora de casa devido ao trabalho, às vezes achava que Swain o sobrecarregava. Passava a maior parte do dia sozinha, o que lhe era entediante. Algumas vezes saía de casa para mudar de ares, visitava Katarina e as duas passavam o dia todo falando banalidades. A lutadora se sentia abençoada por tê-la como amiga, já teria pirado sem apoio emocional a respeito de Yasuo. Adorava ouvir a assassina contar sobre seus encontros secretos com Garen, o modo que levavam o relacionamento de forma aventureira, desafiando o perigo. Katarina contava empolgada das vezes em que invadia acampamentos demacianos e se infiltrava sorrateiramente na tenda de seu amado e dentro dela matavam as saudades. Quase foram pegos algumas vezes, pois Jarvan o acompanhava em certas missões, tornando tudo mais perigoso e prazeroso.
Uma forte contração interrompeu os pensamentos da lutadora. A dor estava intensa e não cessava, jamais havia sentido algo assim. Caminhou para dentro da casa, progredindo lentamente. Conseguiu chegar na porta do quarto de Darius e caiu de joelhos no chão, esbarrando antes na porta. O barulho despertou o general de seu sono profundo e os gemidos vindos do corredor lhe chamaram a atenção imediatamente.
– Riven, o que houve?
– Darius... Me ajuda... — seu pânico aumentou ao sentir um líquido morno escorrer por suas pernas — A... A.... A bolsa...
– Que bolsa, Riven? — perguntava assustando enquanto a pegava no colo
– A minha... Bolsa... Estourou... — conseguiu finalmente falar por entre os gemidos de dor
– O quê?
– Eles... Vão nascer... Rápi...do
Darius correu com Riven em seus braços até a carruagem acordando Draven no caminho. Enquanto o mais novo apoiaria a lutadora dentro da cabine, o general os conduziria para o hospital, pois o cocheiro não dormia na casa deles. Guiou o mais rápido que conseguiu. Desceu correndo para conseguir paramédicos e uma maca para conduzi-la para dentro. Rapidamente a lutadora estava sendo encaminhada para a sala de cirurgia.
Riven se sentia atordoada, as luzes passavam rapidamente por seus olhos, três pessoas a levavam para algum lugar, havia um balão de oxigênio em seu rosto, sendo bombeado constantemente. A dor era descomunal, como se todos os seus ossos estivessem sendo esfarelados lentamente ao mesmo tempo. Agarrava com força o lençol da maca, inutilmente tentando se livrar da dor. Ao fim do percurso, Darius ficou para trás, precisava se vestir adequadamente antes de entrar na sala com ela. Transferiram a lutadora para a maca da cirurgia e tiraram suas vestes, cobrindo-a com um fino traje que apenas escondia levemente seu corpo.
A anestesista estava a postos, com a seringa pronta para a aplicação. Após realizada, o médico, com o auxílio das enfermeiras, posicionaram Riven e organizaram o material cirúrgico. A garota suspirou aliviada ao ver Darius ingressar no recinto, não passaria por tudo aquilo sozinha. O general segurou sua mão entre as dele, olhando-a com um semblante preocupado mas otimista, era tudo o que podia fazer para ampará-la no momento.
O procedimento fora iniciado alguns minutos após constatarem a eficácia da anestesia. As diversas camadas de tecido que compunham seu interior eram minuciosamente cortadas. Chegando na última, já era possível tocar a cabecinha de um dos bebês, que fora acomodada dentro de uma pinça em forma de tesoura e puxada, trazendo o primeiro filho para o campo de visão de Riven. A cena se passou em câmera lenta para ela, finalmente um deles estava diante dos seus olhos. Desejava em cada batida de seu coração tocá-lo, beijá-lo, abraçá-lo, como se pudesse suprir a saudade de Yasuo dessa forma. Yasuo... Como o queria ali, ao lado dela, chorando com ela. Queria que quem os trouxesse ao mundo fossem as mãos carinhosas e precisas de Shen, que quem os levasse até ela fosse Akali, que sorriria com ela e derramaria as mais sinceras lágrimas de alegria com ela.
– É um menino! — anunciou o cirurgião.
– Yone... Meu pequeno Yone... — sussurrava.
– Ele precisa ir diretamente para a incubadora, levem-no!
O sorriso de Riven morreu, levariam seu filho para longe sem que ela o tivesse tomado em seus braços ao menos uma vez. O médico terminara de trazer ao mundo a segunda criança, anunciando-a em seguida.
– Temos uma menina também!
Darius a olhava estático. Era pequenina, com os cabelos claros e a pele alva como a mãe. Seu coração se derreteu completamente apenas de olhá-la, pouco importava se não eram seus filhos de sangue, tinha certeza que os amaria como se fossem, sentiu isso assim que os viu.
– Sayurin... — sussurrou para o nada.
– Hã? — Riven o olhava
– Ela é idêntica a você, Riven. — sorria para a amada — Como um pequeno lírio. Ela vai se chamar Sayurin.
– Darius... — A lutadora sorria novamente — É lindo... Obrigada... — falava com o que restava de suas forças.
Assim como o irmão, Sayurin fora diretamente encaminhada para a incubadora. Pela imprudência da lutadora na noite em que se embebedou e de Darius pela selvageria sexual, o casal de gêmeos nascera prematuro, precisariam passar alguns meses na máquina antes de conseguirem encarar o mundo exterior.
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Yasuo e Janna permaneciam presos na cela de Swain. Como sabia que eram incapazes de fugir, deixou os dois juntos, mesmo. A pedido de Darius, não os mataria e deixaria o general entrar e sair da cela quando quisesse. Darius ia poucas vezes ao local. Se sentia instigado a conhecer um pouco da criatura que conquistara completamente o coração de Riven, queria entender que tipo de homem ele era. Vezes conversava com ele, vezes apenas o fitava por horas. Independente do método, Darius sempre conseguia as informações que queria, mas o espadachim não era bobo, não dava o que o general queria de graça. As informações eram simultâneas. Ele sempre perguntava por ela, claro. Por mais que seu coração estivesse dilacerado, ainda a amava com a mesma intensidade de antes.
Yasuo passava o dia calado, olhando para o teto e pensando em sua vida. Porém, hoje, seus pensamentos sempre se focavam em Riven. Sentira um calor tomar seu peito e um choro de bebê ecoou em seu cérebro, apesar de não tê-lo escutado. Continuou na mesma posição, mas com os olhos arregalados. "Será que... Só pode ser isso... Esse sentimento...". Um sorriso bobo começava a se formar. "Nasceu... Riven... Nosso filho nasceu...". Janna ouviu o lutador fungar e estranhou.
– Yasuo, aconteceu alguma coisa?
– Não, eu apenas...
– Então tá... — se aproximou dele engatinhando — Hey... Swain ainda vai demorar para aparecer... O que acha de nós... Aproveitarmos esse tempo livre?
– Janna, eu já disse que o que aconteceu naquela noite foi um erro, e eu não pretendo repetí-lo.
– Mas, Yasuo, eu amo você e quero ficar pra sempre ao seu lado...
– Eu sinto muito, Janna, mas eu não. Minha vida e meu coração pertencem a outra pessoa.
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O processo para pontuar os tecidos internos de Riven era lento e monótono. A lutadora contava os segundos para que pudesse ver e tocar seus filhos. Estava muito nervosa, era mãe de primeira viagem, e logo de dois.
Darius acompanhava de perto todos os detalhes do procedimento, cabeças rolariam se algo desse errado.
Sutura feita, limpeza feita, curativo feito, apenas as recomendações pós parto e Riven estaria liberada para descansar.
– Riven.
– Sim?
– Você será encaminhada para a sala de recuperação. Precisará ficar internada por mais 48h, para observarmos se alguma complicação surgirá em seu quadro. A operação foi tranquila, não precisa se preocupar com absolutamente nada. Quanto às dores que você sentirá, ministraremos analgésicos e antiinflamatórios para garantir que tudo ficará bem.
– Quando poderei vê-los?
– Quando receber alta de sua internação, poderá visitá-los.
– Certo...
Darius sentia o quanto ela estava ansiosa, se perguntava se seu amor por Yasuo era tão grande assim, somado ao amor que tinha pelos pequenos, Riven parecia não dar qualquer valor à sua vida, queria ignorar a dor e a sutura e ir de encontro aos seus filhos, mesmo que aquilo pudesse lhe causar uma hemorragia interna. O general conseguiu acalmá-la um tempo depois, os sedativos em efeito o ajudaram.
Os médicos submetiam os gêmeos a uma bateria de exames, para verificar quanto tempo teriam de permanecer incubados. Yone respondia bem, seus pulmões estavam em estado final de maturação, o sistema digestório e o cérebro estavam formados e maduros; o sistema imunológico, a maior preocupação, estava muito melhor do que era esperado, duas semanas eram o suficiente para que o pequenino pudesse encarar o mundo exterior. Para Sayurin, as coisas eram um pouco diferentes. Tanto o sistema digestivo quanto o respiratório estavam imaturos, um mês resolveria esse problema, porém, o sistema imunológico estava não apenas pouco desenvolvido, estava incompleto. Caso saísse cedo demais, qualquer microrganismo que a infectasse, poderia ser fatal. Ela precisaria ficar dois meses na incubadora.
O médico chamou Darius para informar os resultados da primeira análise nos bebês.
– Bem, general, o diagnóstico dos nascituros é, de certa forma, animador. Apesar do tempo de permanência ser alto, nenhum dos dois nasceu com deficiências ou problemas crônicos, como asma ou bronquite. Ambos estão saudáveis, porém, Yone precisa terminar de desenvolver os pulmões e poderá sair, o que deve levar duas semanas. — pigarreou e continuou enquanto Darius prestava atenção em cada palavra — O caso de Sayurin é um pouco mais sério. Tanto o sistema respiratório quanto digestório dela estão amadurecendo ainda. Mas a maior preocupação é o sistema imunológico estar incompleto. Ela precisará de dois meses incubada para desenvolvê-los e ser seguro estar no ambiente exterior.
– Entendi, obrigado. — deu de costas e voltou para a sala de recuperação — Riven não vai gostar nada disso...
Riven estava dormindo quando Darius retornou, ficou pensando em como falaria com ela sobre o que acabara de ouvir, seria complicado. Pelo menos teria tempo pra pensar, ela não acordaria tão cedo. Mal se sentou e já lhe chamavam para fora novamente.
– E então, Darius, como foi?
– A operação foi um sucesso, Riven está se recuperando e os bebês estão na UTI neonatal.
– Eita, eram dois?
– Sim, um casal.
– Que gracinha! — Draven gesticulava como se apertasse bochechas invisíveis.
– Pode me fazer um favor?
– O quê?
– Chame Swain aqui, preciso falar com ele e não posso deixar o hospital.
– Certo.
Draven saiu sorridente, agora tinha dois sobrinhos para encapetar e transformá-los em formidáveis executores, como ele. Faria questão de ensiná-los o quanto a morte era fascinante, e o quanto causá-la era divertido. Todo noxiano nasce com sede de guerra no sangue, eles não seriam exceção. O executor deu o recado e resolveu voltar para casa. Encontrou Katarina no caminho, sabia o quanto ela e Riven eram amigas.
– Hey, Kat.
– Pois não?
– Riven está no hospital, acabou de dar a luz.
– CARA, É SÉRIO?
– Sim.
– Vou lá vê-la.
– Aconselho ir depois, Swain está indo lá agora.
– Ah... Obrigada, Draven.
Katarina resolveu ir algumas horas mais tarde, dependendo do motivo da visita de Swain, ela precisaria de ajuda, de um ombro amigo pra chorar. Voltou para casa para relaxar antes de visitar a amiga.
Swain havia chegado ao hospital, Darius o esperava em frente à sala em que Riven dormia.
– Swain, eu gostaria de te pedir uma semana de afastamento, Riven precisa de mim, está muito debilitada.
– Certo, mas fique de sobre-aviso, te convocarei em caso de emergência.
– Obrigado, Swain.
– Riven está acordada? Preciso falar com ela.
– Hmmm. — Darius olhou pela pequena janela de vidro na porta — Parece que sim — "Que estranho, era para ela ficar dormindo por mais algumas horas".
– Com licença.
Riven não esperava ver Swain, mas ele devia ter algo a tratar com ela, não viria apenas para visitá-la. Antes de tudo, ele havia expedido um mandato de morte para ela.
– Olá, Riven.
– O que deseja?
– Vim lhe informar que, assim que estiver recuperada, quero você na frente de batalha. Lhe darei 1 mês para estar pronta.
– Mas... Swain... Isso é pouco, as crianças precisam se alimentar constantemente até os seis meses.
– Bancos de leite existem pra isso.
– Eles precisam do meu leite.
– Riven, Riven... Deixe-me contar algo bem interessante. — Swain se aproximou lentamente da garota — Eu tenho, na minha cela particular, um certo ioniano preso...
– .... — Riven estava chocada, tudo que deu como resposta foram as sobrancelhas arqueadas.
– Mas ele não foi pego sozinho... O pegamos junto com uma garota loira, e ela parece ser bem íntima dele... Eu diria até que possuem algum relacionamento mais sério... — Swain sorriu com as lágrimas de Riven — A vida dele está em minhas mãos, acho bom você acatar as minhas ordens.
– Certo... — a resposta saiu como um sussurro dos lábios secos dela.
– Excelente. Nos vemos em breve.
Assim que saiu, Darius notou o olhar sarcástico e maligno que Swain lançou para ele. O general o conhecia bem o bastante para saber que o mestre estrategista só o olhava assim quando conseguia algo que queria. Imediatamente o noxiano entrou na sala e encontrou sua amada aos prantos.
– Riven, o que ele fez com você?
– Ele... Me quer na frente de batalha em um mês — A lutadora o olhou, suplicante -Eu não posso ir, Darius, é muito pouco tempo. Yone e Sayurin precisam de mim em tempo integral por seis meses. Não quero largar meus filhos nas mãos de uma babá.
– Eu darei um jeito nisso.
– E... tem outra coisa.
– O quê?
– Ele disse que Yasuo está preso na cela especial dele. É verdade?
– Sim, acompanhado de uma maga de Zaun.
– Você sabia disso?
– Sim.
– Por que não me disse nada?
– Não queria te preocupar num período tão delicado.
– Devia ter me dito.
– Eu estou fazendo o possível para que Swain o deixe vivo, por você, Riven, mesmo que seja contra os meus princípios, mesmo que eu o odeie e deseje matá-lo por roubar o coração da mulher que eu amo e depois fazê-la sofrer, tenha tocado teu corpo e feito-a carregar em teu ventre duas crianças, eu ainda luto para mantê-lo vivo, Riven.
– Darius, eu... Me desculpe por descontar em você.
– Eu entendo que esteja magoada, mas compreenda o meu lado, também.
– Posso perguntar uma coisa?
– Claro...
– Como ele está?
– Bem, na medida do possível. Às vezes Swain pega pesado com ele, eu não posso fazer nada para impedir. Só posso intervir quando ele estiver correndo risco de morte, pois eu pedi que Swain não o matasse.
– Obrigada, Darius. De verdade.
– Ele sempre pergunta por você e pela criança.- Riven sentiu um aperto no peito.
– Darius, posso te pedir um favor?
– Sim.
– Não fale nada sobre Yone e Sayurin.
– Certo — assentiu após ponderar por alguns segundos — Você deve ter seus motivos. Quando quiser me contar quais são, estarei aqui. Agora — puxou a coberta para cobrir os braços dela — Tente descansar mais um pouco, você precisa se recuperar logo.
– Sim.
Riven estava aflita, Yasuo estava sendo torturado por Swain por ter ido atrás dela. Sentia uma ponta de culpa. Imaginava a que tipo de castigos o estrategista o submetia. Sabendo quem ele era, era fácil concluir que eram os piores, ainda mais por não poder matá-lo. A maga de Zaun que Darius citou concentrou toda a sua atenção. Quem era e por que estava com Yasuo? Cogitou, claro, a pior das possibilidades, estavam juntos. Por mais doloroso que fosse, não tinha o direito de cobrar nada, afinal, estava casada, por mais peculiar que esta união fosse. Pensou em outros tipos de parceria, como trabalhos e afins. Ah, a quem estava tentado enganar... A pior das possibilidades era a mais vívida em sua mente, apenas Yasuo poderia lhe provar o contrário, o que era impossível. Queria vê-lo, mas não estava pronta para desistir da vida ainda, primeiro devotaria seus anos de vida à Sayurin e Yone, depois estará livre para morrer sem remorsos. Talvez seu único arrependimento fosse ser Noxiana. Matar o ancião? Não se arrependia. O espadachim não se tornaria um foragido se o velhinho não tivesse sido assassinado, e ela jamais o conheceria. Tal acontecimento foi um dos muitos pilares que ergueram a ponte entre ela e o amor de sua vida. Pensar nele a acalmava, a lutadora acabou por dormir novamente.
Com os sinais vitais sendo monitorados ininterruptamente, os quadros de saúde de Yone e Sayurin poderiam ser dados como estáveis. As médias feitas com os números apresentados pelas máquinas se encaixavam no padrão considerado normal, era um passo importante para sairem o quanto antes daquela caixa transparente e se aninharem no colinho da mamãe. Darius aproveitou que Riven estava dormindo para observar um pouco o pequeno casal. Sayurin era uma cópia da mãe, tinha certeza que os olhos teriam o mesmo tom escarlate faiscante dela.
Já fazia mais ou menos três horas que havia encontrado Draven, Katarina decidiu ir ao hospital. Se perguntava como Riven estaria se sentindo, esperava que estivesse completamente feliz, mas era impossível, pois o ioniano não estava com ela. Pensou nos bebês, havia se tornado tão amiga da lutadora que se sentia tia dos pequeninos. Estava ansiosa para conhecê-los.
Katarina adentrou o hospital e procurou por Riven na recepção. A garota foi instruída a como chegar onde desejava e rapidamente caminhou pelos corredores, dando de cara com Darius na porta do quarto da lutadora.
– Katarina? — Darius a olhou um pouco surpreso — O que quer aqui?
– Vim ver a Riven, quero saber como ela está.
– Deu sorte, está no horário de visitas.
– Com licença, general. — disse com certa ironia a patente dele.
Darius apenas a olhou meio torto e ela adentrou o ambiente, fechando a porta em seguida. O general sabia da amizade das duas, resolveu dar uma volta fora do hospital, respirar um pouco de ar puro.
– Kat!! — Riven exclamou ao ver a amiga entrar no quarto.
– Riven!!! — correu para a maca e abraçou a amiga — Como você está se sentindo?
– Com dor, muita dor, mas muito feliz também... — lançou um olhar terno para a assassina — As vidas que eu trouxe ao mundo junto com ele estão finalmente aqui.
– E onde estão? — olhava pros lados empolgada
– Incubados... Nasceram prematuros por uma imprudência minha.
– O que houve?
– Enchi a cara quando a saudade de Yasuo apertou, acabei me entregando pro Darius depois, e ele foi bem... Ele, sabe — riu um pouco, envergonhada — Acabou pegando meio pesado e eu acordei com um sangramento.
– VOCÊ FEZ O QUÊ?
– Não grita, doida!!!
– Desculpa... Não acredito... Você e o Darius... — Katarina piscava com maior frequência, com os olhos arregalados.
– Por isso, nasceram prematuros.
– Riven, Draven me contou que Swain esteve aqui... — Viu os olhos de Riven marejarem — O que ele te fez?
– Ele... — respirou fundo — Ele disse que... Yasuo está preso aqui e... Que se eu não estiver na frente de batalha em um mês, ele vai matá-lo...
– Eu... Sinto muito, Riven...
– Também disse que ele está acompanhado de uma maga.
– Bem, Swain me ordenou capturá-lo no dia do seu casamento, eu hesitei um pouco para que ele tivesse tempo de fugir, mas você conhece o Talon, ele nunca deixa uma presa escapar, Darius também ajudou... Essa garota brotou do nada e tentou ajudar ele, mas foi em vão e os dois foram presos.
– Tudo bem... — Riven sabia que ela estava sendo sincera — Você não podia desobedecer Swain.
– Eu sinto muito, de verdade.
– Kat, você o vê?
– Não, apenas Swain e Darius falam com ele, mas eu vejo a maga de vez em quando, Swain me manda lidar com ela quando está arredia.
– Pode me fazer um favor? — A assassina assentiu e Riven prosseguiu — Tente descobrir a relação dela com Yasuo e porque ela estava com ele.
– Essas coisas eu já perguntei no interrogatório antes de serem presos... — Katarina se lembrou de cada palavra de Janna — Mas acho que você não vai gostar de ouvir.
– Me diz... Por favor...
– Tudo bem... — concordou após um longo suspiro — Quanto à relação, ela disse que são amantes... — Riven fechou os olhos e respirou fundo, estava certa — E o motivo de estar com ele é que o conheceu em uma taverna, conversaram e beberam juntos, "se amaram por uma noite inteira" como ela disse e viajaram juntos pra cá.
– Eu sabia... — falou baixo — Ele não me ama mais... — limpou o rosto e tentou sorrir- Melhor assim, ele não vai mais sofrer.
– Não é justo que você sofra e ele não — acariciou o rosto da amiga — Dê uma chance ao general e a si mesma. Eu não gosto dele, mas ele parece estar se saindo bem como homem e cuidando bem de você.
– Eu... Não consigo... Não posso esquecê-lo, Katarina... Dói demais...
– Riven, você precisa ser forte para seguir em frente, seus filhos precisam de uma mãe.
– Eu sei...
– Aliás, você ainda não me disse como se chamam.
– Yone e Sayurin...
– Uau, quero conhecê-los logo.
– Eu queria poder pegá-los em meus braços e sentir o calor de seus pequenos corpos, sentir que a minha ligação com Yasuo realmente existiu um dia... Sentir que eu... Já fui feliz um dia... Já amei... E fui amada...
– Riven — Katarina sorriu maliciosamente — Quer mandar algum recado pra ele?
– Hã? Como assim?
– Posso dar um jeitinho de falar com ele.
Riven lembrou-se dos pensamentos que tivera mais cedo, do quanto queria explicar tudo e do quanto queria que ele a perdoasse. Estava em conflito, queria contá-lo algumas coisas, mas não sabia se deveria. Tinha medo...
– Eu... Não sei...
– Pense.
– Ele ainda não pode saber que eu que causei toda a desgraça de sua vida... — Riven ponderou os prós e contras — Acho que tem, sim. Diz que... Eu estou ótima, que meu casamento vai super bem e eu estou realmente apaixonada pelo Darius. Diz também que eu não quero mais que ele apareça na minha vida. Se ele perguntar pela criança, diga que ela se enforcou com o cordão umbilical dentro do útero e já nasceu morta.
– Credo, Riven... Tem certeza disso?
– Sim. Mesmo que ele pergunte, não fale nada sobre Yone e Sayurin. Apenas diga o que eu mandei, mais nada. Nada, mesmo!
– Entendi. — se levantou e abraçou Riven — Darius deve estar impaciente lá fora, eu vou indo, me preparar para trabalhar de pombo-correio — suspirou alto, queria que eles se acertassem, mas não assim — Nos vemos em breve, Riven. Caso ele me dê alguma resposta, amanhã eu te conto.
– Obrigada, Katarina. De verdade...
Katarina apenas sorriu e se retirou do quarto. Darius entrou imediatamente em seguida.
– Haja assunto, em! Pareciam duas velhinhas fofocando...
– Foi bem isso, mesmo. — Riven sorriu — Como eles estão?
– Bem, apesar de que terão que ficar por um tempinho: Yone, por duas semanas e Sayurin por dois meses.
– O que eles têm de errado? — Riven estava aflita.
– Nada, apenas precisam completar o desenvolvimento.
– Por que Sayurin precisa ficar por tanto tempo?
– Porque o sistema dela que está incompleto é o mais importante, o imunológico. Se ela sair com ele fraco, qualquer vírus pode acabar matando-a.
– Entendi...
– Em duas semanas, Yone poderá ir para casa.
– Queria poder levar os dois agora...
– Eu sei — abraçou a lutadora. — Mas seja paciente, é o melhor para eles.
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