Winchester X Salvatore

5 Capítulo 5 - Meu sangue


Notas iniciais
Preparem-se para um capítulo tenso, repleto de ação, complicações e muito sangue! Oi?

Mia caminhou pelo o que parecia ter sido a sala daquela casa. Um incêndio havia destruído quase tudo, mas ainda era possível ver o que tinha restado do sofá. Pensou ter visto algo entre os escombros e se abaixou para pegar. Era um porta retrato. No que sobrou da foto, Mia reconheceu o rosto de Elena e de um rapaz. Devia ser o seu irmão que morreu há poucos semanas. Mia levantou e teve uma sensação estranha. Uma sensação de que não estava sozinha ali. Odiava quando sentia aquilo.

– Não está a venda. — avisou Elena — Não que eu me importe com ela.

Mia se virou e viu que a vampira estava parada na entrada. Ótimo... Ia morrer. Precisava manter a calma, agir naturalmente e se aproximar de Elena. Pra quê mesmo? Ah! Certo! Porque todos achavam que ela merecia uma segunda chance. Mia não tinha certeza disso, mas os Winchester estavam certos. Eles não podiam cometer um erro ali. Se Elena fosse uma ameaça e os outros vampiros também, eles teriam que cuidar disso. Mas se os vampiros provarem que não são monstros, talvez mereçam uma segunda chance. Pensando assim, Mia mostrou o porta-retrato e começou:

– Sinto muito sobre o seu irmão.

– Não sinta. Pessoas morrem todos os dias. — disse Elena.

– Mesmo assim, eu sinto muito. — insistiu Mia e em seguida colocou a foto em cima do que parecia ter sido uma estante.

– Por que você está aqui? — quis saber Elena — Ou você é muito corajosa ou é muito estúpida.

– Um pouco dos dois... — admitiu Mia tentando quebrar a tensão que estava no ar — Ah! Eu conheci duas amigas suas. Bonnie e Caroline. Ambas acreditam que você ainda tem... Salvação...

– E o que você acha? — interessou-se a vampira.

Mia pensou um pouco enquanto andava pelos escombros e depois respondeu:

– Eu não sei, mas estou aqui para descobrir.

– Você está perdendo o seu tempo. Bonnie é uma mentirosa, assim como Caroline. — afirmou Elena — Aliás, você acreditou mesmo que Caroline estava seguindo ordens da Xerife quando apareceu ontem no hospital?

– Não, eu não sou tão estúpida quanto você pensa. E por acaso você sabe quem deu a ordem? E por quê? — prosseguiu Mia.

– Claro. Mas por que eu contaria? — rebateu a vampira.

Mia pensou um pouco e percebeu que talvez aquele plano pudesse dar certo.

– Vamos combinar uma coisa? Você me conta quem mandou Caroline ao hospital e eu te conto uma coisa sobre mim. — propôs Mia.

– E o que te faz pensar que eu estou interessada? — indagou Elena com desdém.

Mia deu de ombros e continuou andando por entre os destroços do que um dia tinha sido um lar. Elena não conseguia disfarçar que tinha ficado curiosa e resolveu entrar naquele jogo revelando:

– Klaus. Foi ele que mandou Caroline no hospital.

– Quem é Klaus? — indagou Mia.

– Acredite em mim, você não quer saber quem ele é. — aconselhou a vampira e como Mia permaneceu em silêncio, resolveu cobrar — Então... O que você ia contar?

– Ah! Então você está interessada? — provocou Mia.

– Claro que não... Mas trato é trato. — disse a outra.

– Ok... Você tem razão. — recomeçou Mia — Esse lugar parece com a casa onde eu vivia com os meus pais.

– Ah... Pensei que você ia contar alvo mais interessante... — resmungou Elena só então saindo da porta e entrando na casa.

Mia teve medo de que ela a atacasse de novo, mas não podia demonstrar. Tinha que agir naturalmente e continuar com aquele plano idiota...

– Eles morreram quando eu tinha dez anos. — decidiu revelar Mia na esperança que Elena se identificasse de alguma forma com a sua história — Eles fizeram um pacto com o cara errado, Crowley, e foram para o Inferno.

– Ruim pra eles... — disse Elena novamente com desdém e percebendo que Mia tinha ficado incomodada com aquilo, lembrou — Eu falei que você estava perdendo o seu tempo. Todo mundo está. A Elena que eles conheciam e que te convenceram que eu ainda sou, não existe mais. Eu não me importo...

– É. — interrompeu Mia se preparando para deixar a casa — Você não se importa. Repita isso mais umas cem vezes até você mesma acreditar no que está dizendo...

Antes de chegar na porta, Mia parou. Elena tinha se movido rapidamente e ficado na sua frente. Seus olhos indicavam que ela estava com fome. Péssimo plano...

– Ótimo. — murmurou Mia e monstrando o pulso para Elena ofereceu — Pegue. Beba meu sangue, me mate. Eu só espero não me tornar uma vampira tão desprezível como você.

Elena segurou o punho de Mia e o levou até sua boca. Mas quando ia morder alguma coisa a fez parar. Seus olhos voltaram ao normal e ela se afastou dizendo:

– Eu não estou com fome.

Mia ainda a olhava surpresa quando uma outra voz ecoou pelo lugar vinda do andar de cima:

– Mas eu estou.

Mia olhou para o topo da escada e viu uma loira descendo lentamente.

– Rebekah... Você não é bem vinda aqui. — irritou-se Elena — Aliás, como você entrou aqui?

– A casa estava no nome do Jeremy e até onde eu sei ele está morto. Então... Eu entrei. — explicou a loira.

– O que você quer? — indagou rispidamente Elena.

Mia observava as duas e sentia o perigo eminente. Rebekah também era uma vampira. E ao contrário de Elena, com certeza aceitaria se Mia oferecesse o seu pulso. E se não oferecesse, ela pegaria do mesmo jeito. Mia estava morta. E como desgraça nunca vem sozinha, ainda podia virar uma vampira também. E Sam e Dean teriam que matá-la. Sim, porque ela não queria ser uma vampira. Garota sobrenatural e caçadora já era suficiente e ela era um desastre como ambas. Imagina o perigo que representaria se além de tudo virasse um deles. Entendia porque Elena também não queria ser aquilo. Era uma tragédia. Não podia pensar naquela possibilidade. Nunca. Preferia morrer. E se os Winchester se recusassem, ela encontraria outro jeito. Só então se deu conta de como repudiava aquilo. Meredith podia ter boas intenções, mas também a colocou numa situação muito complicada quando resolveu lhe dar sangue de vampiro. Das duas vezes que se envolveu com o sobrenatural, não sobreviveu. O que impediria que acontecesse a mesma coisa dessa vez?

Mia se assustou quando Rebekah surgiu na sua frente e sorriu dizendo:

– Você deve ser Mia.

– E você é a terceira vampira que eu vejo em menos de 24 horas. Deus... Alguém tem que enviar o controle de pragas para Mystic Falls... — provocou Mia se arrependendo em seguida.

Rebekah não parecia ter gostado da brincadeira. Mia deu um passo para trás e Rebekah deu dois em sua direção.

– Se prepare para conhecer o quarto vampiro. — anunciou ela.

– Quem? — não entendeu Mia enquanto Rebekah passava a mão pelos seus cabelos.

– Rebekah, deixa ela em paz. — ordenou Elena deixando Mia surpresa.

– Eu pensei que você tinha desligado a humanidade, Elena. Por que se importa com esta humana? — estranhou a loira.

– Eu não me importo. Só não quero dividir o sangue dela com você. — esclareceu Elena.

– Por falar nisso, é verdade que o sangue dela é diferente? — interessou-se Rebekah.

Mia resolveu responder enquanto dava mais um passo para trás:

– Não... Na verdade não tem nada de especial nele... Sério! Não valeria a pena se sujar por tão pouco...

– Elena? — insistiu Rebekah.

– É delicioso. — contou Elena para surpresa de Mia.

Então aquela fração de segundos em que Elena parecia ter ligado a humanidade tinha sido fingimento? Mia viu os olhos de Rebekah mudarem e Elena não esboçou nenhuma reação. Não tinha sido uma boa ideia vir sozinha.

Mia tentou correr, mas rapidamente Rebekah a alcançou e a empurrou contra a parede. Mia olhou para Elena e teve a impressão de que ela estava sorrindo. Desgraçada! Quando Rebekah pegou o braço de Mia, alguma coisa aconteceu. Elena tinha se movido rapidamente e empurrado Rebekah para o outro lado da sala.

– Mas como eu disse, eu não gosto de dividir. — lembrou Elena e enquanto Rebekah se levantava, olhou para Mia e ordenou — Corra!

Mia obedeceu e saiu o mais rápido possível, enquanto as duas vampiras lutavam. Quando chegou do lado de fora Mia se virou e viu Rebekah quebrar o pescoço de Elena.

Mia levou a mão à boca para abafar o grito de terror que queria sair de sua garganta e virou-se para sair dali. Mas quando começou a correr novamente, deu de cara com Rebekah, se esbarraram e Mia caiu no chão junto com o spray de verbena. Mia esticou o braço para pegá-lo, mas a vampira colocou o pé em cima da sua mão. Depois se abaixou lentamente e pegou seu punho. Olhou a pulseira que ela usava. Não podia tirá-la porque tinha verbena. Então segurou Mia pelos cabelos e a encarou dizendo:

– Não se preocupe. Eu não vou te machucar.

Rebekah acertou a cabeça de Mia com o pedaço de madeira que tinha pegado nos escombros a fazendo desmaiar imediatamente. Então, a vampira jogou a madeira no chão e avisou:

– Mas o meu irmão vai.

XXX

Quando Sam e Dean chegaram no lugar ficaram desesperados. Dean abaixou e pegou o spray de verbena enquanto Sam correu em direção à casa e encontrou Elena desacordada. Dean entrou em seguida e os dois observaram aquela vampira imóvel e aparentemente morta.

– Você acha que ela está... — começou Dean.

– Eu não tenho certeza. Eu vou ficar aqui esperando ela acordar e tentar descobrir o que aconteceu com Mia. — respondeu Sam.

– E você acha que ela vai te contar? — duvidou Dean.

– Para o bem dela, é bom ela considerar. — disse o mais novo.

– Ok... Mas o que eu faço enquanto isso? Mia está em perigo, Sammy! E a bela adormecida aí parece que vai demorar pra voltar pra Terra... — desesperou-se o mais velho.

– Dean... — começou a dizer o irmão.

– Não! — recusou ele percebendo o que Sam ia sugerir — Eu não vou fazer isso! Eu vou ficar aqui com você e...

– Dean, nós temos que encontrar a Mia. Se nos separarmos podemos acha-lá mais rápido e impedir... — tentou explicar Sam.

– Não! Fora de discussão! Eu não vou procurar aquela bruxa maldita! Foi ela que colocou Mia nessa situação... — relutou Dean.

– E talvez só ela possa tirar. — ponderou Sam.

– Não... Não... Eu não vou pedir ajuda pra uma... Bruxa! — insistiu Dean enquanto Sam o desaprovava com o olhar. — Nunca!

XXX

Algum tempo depois, Bonnie ouviu a campainha tocar e abriu a porta. Dean sorriu.

– Acho que você bateu na porta errada... — deduziu ela.

– Acredite. Eu não queria estar aqui. — garantiu Dean.

– Neste caso, com licença. — pediu Bonnie fechando a porta.

Dean respirou fundo e tocou a campainha novamente. Quando Bonnie abriu e lhe deu um sorriso cínico, ele reclamou:

– Era para ser engraçado?

– Não para você. — respondeu a bruxa.

Bonnie abriu mais a porta e fez sinal com a cabeça para ele entrar. Quando ele entrou ela perguntou:

– Então... O que te obriga a vir aqui?

Dean parou ao ver alguns livros abertos sobre a mesa, velas e outros artefatos. Sentiu-se desconfortável, mas respondeu:

– A Mia está em perigo. Graças a sua genial ideia de aproximá-la da Elena.

– O que aconteceu?! E Elena? — preocupou-se Bonnie.

– Digamos que a sua amiga está indisponível no momento... — insinuou Dean.

– Como assim indisponível? O que vocês fizeram com ela? — perguntou Bonnie mais preocupada.

– Nós? Bem que eu queria ter a honra de torcer o pescoço dela, mas não, não fui eu, ok?! — esclareceu Dean também ficando nervoso — Nem o Sammy. Quando nós chegamos, alguém já tinha feito o serviço.

– Quem? — quis saber ela.

– A mesma pessoa ou... Monstro que levou a Mia. Meu irmão está esperando Elena acordar, mas eu duvido que ela vá contar alguma coisa. Então é melhor você mexer os seus pauzinhos e descobrir quem levou Mia e para onde. — explicou Dean.

– As coisas não funcionam assim... — tentou explicar Bonnie.

– Eu sabia que era perda de tempo vir aqui... — resmungou Dean indo em direção a porta.

Bonnie segurou seu braço e ele parou. A olhou confuso e incomodado e ela o soltou.

– Você tem algum objeto pessoal dela, pelo menos? — indagou a garota.

– Serve isso? — sugeriu ele tirando o spray de verbena da jaqueta.

– É um começo. — disse Bonnie pegando o spray e indo até a mesa.

Dean observou cada movimento da bruxa. Percebeu que ela ia fazer um tipo de ritual para localizar Mia e aquilo o incomodou. Bruxas... A última ajuda que ele queria, mas a única que podia ter naquele momento. Lembrou do que Mia tinha insinuado mais cedo sobre os dois e uma possível atração. Mia estava doida. Bonnie acendeu mais velas fazendo um círculo no meio da sala. Colocou o spray no centro dele e deu mais uma olhada no livro antes de se aproximar e entrar novamente no círculo.

– Me dá a sua mão. — pediu Bonnie estendendo a sua.

Dean colocou as mãos no bolso e perguntou:

– Só o spray não é suficiente?

– Não. Eu preciso canalizar a energia de alguém que esteve com Mia há pouco tempo. — explicou Bonnie.

– Neste caso eu vou ligar para o Sammy... — sugeriu ele.

– Não seja criança. — brigou ela estendendo as mãos novamente para ele — Você quer encontrar a sua amiga ou não?

Dean pensou um pouco e finalmente entrou no círculo e deu as mãos para a bruxa. Aquilo ia ser estranho, mas se era o único jeito...

– Feche os olhos. — ordenou Bonnie.

– Peraí... — disse ele soltando as mãos dela — Aí você já está pedindo demais...

– Qual o seu problema?! — irritou-se Bonnie — Você acha que eu gosto disso?

Dean sorriu meio que se gabando ao lembrar das coisas que Mia tinha insinuado sobre eles e também da torta que Bonnie fez questão de lhe dar. Bonnie percebeu e cortou:

– Não! Não se iluda. Você não faz o meu tipo... Agora me dê suas mãos.

Dean a olhou um tanto desapontado. Talvez Mia tivesse se enganado. Talvez fosse uma de suas brincadeiras. Quando ele a encontrasse iria acertar as contas com ela. Mas por que ele estava preocupado com aquilo mesmo? Afastou aqueles pensamentos sem sentido e deu as mãos para aquela bruxa novamente. Fechou os olhos. Ela também fechou e então começou a murmurar algumas palavras numa língua estranha e as chamas das velas em volta deles ficaram mais altas. Dean abriu um pouco os olhos e observou tudo em volta.

– O que você quis dizer com canalizar a minha energia, mesmo? — lembrou ele.

– Calado... — repreendeu Bonnie voltando a pronunciar o ritual.

Dean não entendia aquelas palavras, mas elas começavam a exercer algum efeito sobre ele. Bruxas... Sentiu um arrepio passar por seu corpo e apertou as mãos de Bonnie. Uma dor pelo corpo e uma sensação de que aquilo estava tirando suas forças. Bruxa! As chamas ficaram mais altas e Dean não teria aguentado por mais tempo. Por sorte, Bonnie parou de repente. Os dois abriram os olhos. Ele viu as chamas voltarem ao normal e ela disse:

– Eu sei onde ela está!

– Ótimo! — vibrou Dean fazendo Bonnie sorrir — Bom trabalho, bruxa!

Então os dois olharam para suas mãos entrelaçadas e se afastaram imediatamente.

– Então... — recomeçou ele — Quem é o filho da mãe que está com Mia?

– Klaus... — revelou Bonnie.

– Deixa eu adivinhar, um vampiro? — indagou Dean.

– Na verdade... Um híbrido. E Original... — respondeu ela.

– Como é? — não entendeu o caçador.

– Eu explico no caminho. — prometeu ela enquanto abria a porta.

Enquanto isso Elena começava a abrir os olhos. Percebeu que estava amarrada em o que sobrou de uma cadeira. Se mexeu e as cordas queimaram sua pele. Era verbena. Olhou para a porta e viu um cara alto parado a observando.

– Qual dos Winchesters é você? — perguntou a vampira.

– Sam. — respondeu ele.

– Pelo visto eu não preciso me apresentar... — disse ela enquanto olhava as cordas que também amarravam seus pés.

– Não. — concordou Sam — Eu sei quem você é, o quê você é e o que você fez... Elena. Onde ela está?

– Mia? Eu não tenho ideia. Como você deve ter notado eu fui nocauteada. — respondeu ela.

Sam se aproximou dela e pressionou:

– Você está mentindo.

– Estou? Talvez. — disse Elena com cinismo.

Sam suspirou e se afastou. Pegou o mesmo porta-retrato que Mia tinha encontrado e perguntou:

– Ele era o seu irmão?

– Você também vai usar essa psicologia barata? Coitada da Elena. Ela perdeu o irmão. Desligou a humanidade e virou um monstro sem coração. Poupe o discurso, Sam. Eu vou te dizer a mesma coisa que falei para Mia. Eu não importo. Então, não finja que você se importa também. Eu sei que tudo o que você e o seu irmão querem é se livrarem de mim e de todos os monstros que vivem em Mystic Falls. — continuou a vampira.

– Se você sabe disso então por que ainda testa a minha paciência? — indagou Sam e se aproximando novamente, continuou — Você quer saber o que eu vejo aqui? Uma garota jovem demais que não escolheu ser o que é e que agora não sabe como lidar com isso. Quer saber, Bonnie estava certa. Você e Mia são parecidas. Ela pode te ajudar a sair dessa, Elena, mas para isso você precisa ajudá-la primeiro, me dizendo o que aconteceu aqui. Quem a levou e para onde?

– Eu não preciso da ajuda de ninguém. — recusou ela friamente — A única coisa que eu quero é vocês bem longe de Mystic Falls.

– Isso não vai acontecer. Pelo menos não até você me contar o que sabe. — disse o caçador.

– E se eu não contar? O que você vai fazer? Me matar? — perguntou Elena.

– Não deixa de ser uma opção... — insinuou Sam a fazendo parar de rir.

– Tudo bem. Você venceu. Eu conto... — concordou a morena.

De repente o celular de Sam tocou e ele atendeu:

– Hey, Dean! Alguma novidade?

– A Bonnie descobriu onde a Mia está. — contou Dean enquanto entrava com a bruxa no Impala.

– Sério? É uma ótima notícia! — animou-se o outro.

– Pelo visto você não teve sucesso com a vampira adormecida. — deduziu Dean.

– Pra falar a verdade, ela parecia disposta a contar... O que eu devo fazer com ela agora? — continuou Sam.

Dean olhou para Bonnie que o encarava esperando que ele tomasse uma decisão sensata e soltasse Elena. Ela ainda era perigosa, mas mantê-la presa só iria piorar a situação. Além disso, não ia demorar muito para que Damon e Stefan fossem à procura dela. E ninguém queria mais uma briga como a do dia anterior.

– Deixe ela ir. — respondeu Dean.

– Tem certeza? — estranhou Sam.

– Sim. Mas cuidado, ela ainda é perigosa. — aconselhou o mais velho.

– Ok. E para onde levaram Mia? — quis saber Sam e depois de ouvir a resposta do irmão, respondeu — OK... Eu encontro com vocês lá.

Sam desligou e Elena disse quase que imediatamente:

– Parece que eu não sou mais útil, no fim das contas...

Sam se aproximou com uma faca e a vampira ficou imóvel.

– Antes que você pense em me morder, eu preciso avisar que tomei um chá interessante antes de vir pra cá. Verbena. — contou ele enquanto cortava as cordas que mantinham Elena presa.

– Eu não posso beber o seu sangue, mas eu ainda posso te matar. — cogitou ela se levantando.

– Acho que eu vou ter que correr este risco. — disse Sam com firmeza.

Elena andou ao redor dele o examinando. Sam se manteve firme, até que a vampira simplesmente foi embora. No fim, talvez Bonnie estivesse certa. Elena parecia mais confusa, do que perigosa. Estava disposta a revelar o paradeiro de Mia e surpreendentemente não o matou como disse que poderia. Aquilo deixou Sam intrigado. Esperou mais alguns instantes e em seguida também deixou a casa.

XXX

Mia começou a abrir os olhos e viu que estava amarrada em uma cadeira. Olhou em volta. Era uma sala de uma casa meio antiquada. Havia vários quadros por toda a parte. Alguns pareciam recentes, outros inacabados. Uma lareira acesa e o barulho da lenha queimando. Mia tentou se soltar, mas não conseguiu. Olhou em volta mais uma vez. Fechou os olhos e rezou:

– Cas, essa seria uma ótima hora pra você dar as caras. Tenho um problema aqui. Dos grandes. Por favor, apareça. Eu preciso de você. Mais do que nunca. Caso de vida ou morte. Mais precisamente, minha provável morte...

Mia sentiu uma presença na sala e abriu os olhos esperançosa. Mas tudo o que viu foi um homem loiro e completamente desconhecido parado na porta a encarando. Ele sorriu de uma forma que deixou Mia com medo e ela teve certeza que ele era mais um vampiro.

– "Quanto mais eu rezo mais assombração aparece" nunca fez tanto sentindo como agora. — deixou escapar ela e ao ver que aquele estranho a olhou intrigado e um tanto ofendido continuou — Deus... O que tem de errado comigo? — perguntou-se — Eu estou sintonizando a rádio dos anjos errada... Não é possível!

– Ou talvez o seu anjo da guarda só esteja muito ocupado com coisas mais importantes do que você. — sugeriu o estranho se aproximando da lareira — Como é mesmo o nome dele? Cas?

– Pra você é Castiel. — disse Mia cheia de raiva — E você? Quem é?

Ele se aproximou e sentou na poltrona de frente para ela e em seguida disse:

– Eu acho que você já sabe a resposta para esta pergunta, love.

Mia pensou um pouco e tudo ficou claro. Respondeu:

– Klaus.

Ele sorriu e levantou. Pegou um copo na mesa de centro e bebeu algo espesso e vermelho. Mia sentiu seu estômago revirar quando entendeu o que era a tal bebida.

– Elena tinha razão. O seu sangue é diferente. — disse ele.

– Oh... Isso... É meu sangue? — surpreendeu-se Mia olhando pela primeira vez para o seu pulso.

Havia uma marca por onde o sangue escoava. Sentiu mais medo, mas não podia dar aquele gostinho para aquele vampiro. Dar o gostinho? Isso foi a coisa mais estranha que tinha pensado. Ele estava bebendo o seu sangue. Sabe-se lá o que mais faria com ela.

– Oh! Não se preocupe. O sangue de vampiro no seu organismo vai te curar. Espero que não se importe. – explicou ele antes de tomar mais um gole — Mas eu fiquei curioso depois do que Elena me contou sobre ele.

– Elena te contou sobre mim? Sobre o meu sangue?- decepcionou-se ela.

– Sim, ela contou. Mas o que mais me deixou... Intrigado foi saber que havia caçadores em Mystic Falls. Que vieram para nos caçar, suponho. Mas pelo visto vocês não são tão bons quando pensam. Você especialmente. Compelida durante semanas por uma vampira novata. Imagina o que eu poderia fazer... Resumindo, eu tenho que resolver esta situação. — expôs Klaus.

– Espera um pouco. — pediu Mia enquanto entendia algo — Você mandou Caroline no hospital, não foi? E como ela não conseguiu me convencer a ir embora, você resolveu me sequestrar para dar o recado novamente. Desculpe, mas não adianta insistir. Nós não vamos embora. Pelo menos não até Elena ligar a humanidade de novo e termos certeza que nenhum outro vampiro por aqui é uma ameaça...

Klaus sorriu e pegou o pulso de Mia. O encostou no copo e pressionou para que o sangue saísse. Ok. Aquilo soava ameaçador e sádico. Ela franziu a testa com dor e o olhou com raiva. Ele sentou novamente e bebeu seu sangue novamente antes de continuar:

– Tem uma coisa que você precisa aprender sobre mim, love. Eu não dou o mesmo recado duas vezes, muito menos refaço uma proposta. Você e seus amigos caçadores recusaram minha proposta da primeira vez. Vocês podiam simplesmente terem ido embora e esquecido Mystic Falls para sempre. Mas vocês recusaram. Agora eu não vejo uma segunda chance para vocês...

– Então por que eu estou aqui? — quis entender Mia e em seguida sentiu um arrepio passar por seu corpo — Oh! Você vai me matar...

– Na verdade, te transformar. — revelou o vampiro.

– O quê?! Não! — apavorou-se ela — Eu não quero ser uma vampira! Eu não posso ser uma vampira! Isso seria uma desgraça! E desastroso... Sem ofensa...

– É bom você começar a se acostumar com a ideia, love. Porque até o final do dia é o que vai ser. Uma vampira. — disse ele.

– Por que você está fazendo isso?! — quis entender Mia inconformada com tanta maldade.

– Foi como eu disse, vocês podiam ter evitado tudo isso. Depois que eu transformar você, eu tenho certeza que seus amigos vão aprender a lição e deixar essa cidade para trás, como deviam ter feito desde o começo. — explicou Klaus.

– Eu não teria tanta certeza... Se você fizer isso... Vai haver uma guerra por aqui... Daquelas bem feias... — temeu a garota.

– Não depois da proposta que eu vou fazer... — insinuou ele sorrindo — Irrecusável.

– Como assim? Você acabou de dizer que não faz a mesma proposta duas vezes. — estranhou Mia.

– Exato. Mas essa será uma nova proposta. — Klaus bebeu o último gole do sangue e insinuou — Eu vou deixar eles escolherem: irem embora com a amiga vampira, no caso você, ou... Ir embora sem nada. No caso sem você, love.

– Escuta aqui. — recomeçou Mia enchendo-se de raiva – Pra começar, não me chame de love!

– Klaus... — disse uma voz familiar de alguém que acabava de entrar na casa — Sobre a Mia... Eu preciso de mais tempo para convencê-la...

Caroline parou de falar ao entrar na sala e ver aquela cena. Ficou em choque. Mia por outro lado, sentiu raiva. Caroline estava trabalhando com aquele monstro? Não podia se confiar em ninguém naquela cidade. Só em Bonnie e Meredith. Talvez até em Elena.

– O que você está fazendo com ela?! — indagou a vampira.

– Você falhou na sua missão, Caroline. Temo que o seu namorado não poderá voltar para Mystic Falls tão cedo. — disse Klaus.

– Então foi por isso que você tentou me convencer a ir embora? — quis confirmar Mia — Por causa de um namorado?

– Mia... Não é o que parece. — tentou explicar Caroline.

– É exatamente o que parece. Você é igual a ele. — disse Mia e olhando para ela com raiva, completou — Não, você é pior. Eu confiei em você...

– E eu só aceitei fazer aquilo porque eu não queria que você ou aqueles caçadores se machucassem. — justificou Caroline — Eu jamais faria aquilo se não acreditasse que era a melhor solução...

– Melhor solução pra quem? — relutou Mia — Você só fez aquilo por que ele prometeu deixar o seu namorado em paz...

– Não! — negou Caroline — No começo sim. Ok, eu admito. Mas depois, eu senti que aquilo era o certo a se fazer. Teria sido melhor pra você e para os seus amigos terem me ouvido... No fundo você sabe disso.

– Engraçado... Bonnie tem uma teoria diferente. — argumentou Mia — Ela acha que nós podemos ajudar Elena de alguma forma. Mas você não pensou nisso quando me mandou ir embora, pensou?

– Não. Não pensei. — admitiu a vampira — Mas querendo ou não, se você tivesse me ouvido, provavelmente nada disso estaria acontecendo. Agora olha onde Bonnie te trouxe. Mesmo sem querer ela colocou a sua vida em perigo. Então se você quer saber, não, eu não me arrependo de ter seguido as ordens deste monstro!

– Ok. — interrompeu Klaus — Está divertido ouvir vocês duas discutirem, mas já chega.

– Não! — enfrentou Caroline — Isso só vai terminar quando você deixar essa garota ir embora! Solta ela, Klaus! Ou eu vou soltar!

– Desculpe, love, mas isso não vai acontecer. — disse Klaus.

Caroline andou até Mia e começou a desamarrá-la enquanto Klaus observava com raiva. Mia repensou as coisas que disse à Caroline. Talvez ela tivesse agido pensando que aquilo era o certo. E sim, se Mia tivesse escutado, provavelmente sua vida não estaria em perigo agora. No fim, entendeu que podia confiar nela. Ela parecia mesmo disposta a arriscar sua vida e enfrentar Klaus para tirá-la dali.

Mas de repente algo interrompeu a vampira.

– Caroline, cuidado! — alertou Mia.

Mas já era tarde. Rebekah entrou na sala rapidamente, se aproximou de Caroline e quebrou o seu pescoço. Mia olhou para aquela cena e ficou em choque. Nunca ia se acostumar com aquilo.

– Desculpe, Nik, mas você precisa aprender a lidar com as mulheres. — disse Rebekah.

De repente ela olhou para o pulso de Mia que sangrava e seus olhos ficaram mais escuros. Se aproximou rapidamente, soltou a corda que amarrava o braço de Mia e o segurou. Mas Klaus se aproximou e tomou o braço para ele. Mia nunca sentiu tão medo quanto naquele momento. Nem mesmo quando enfrentou Crowley ou os Cães do Inferno.

– Este é meu. Pegue o outro. — orientou Klaus enquanto mordia o pulso de Mia.

Rebekah sorriu e pegou o outro braço. Mordeu o pulso de Mia. Dor. Foi a única coisa que Mia sentiu. Gritou. Fechou os olhos. Ia morrer. E ia acordar como vampira. Não! Não queria aquilo! E agora entendia por que Elena também não queria. E até começava a entender que ela teve seus motivos para desligar a humanidade. Não era culpa de Damon. Era culpa da vida que os vampiros tinham que levar. Não queria aquela vida para ela. Aliás, sua vida já era suficientemente complicada sem aquilo. Uma viciada em cafeína que tem premonições e pesadelos bizarros, aspirante a caçadora (até agora um perfeito desastre), cujos melhores amigos são dois caçadores que dispensam apresentações, cujos inimigos tem olhos pretos e que ainda por cima tem um relacionamento nada convencional com um anjo de sobretudo desaparecido. Castiel. Onde você está? O que está esperando?

Mia sentia-se cada vez mais fraca. Ia morrer. Mas acordar depois era o que mais a assustava... Olhou mais uma vez para os dois vampiros que se alimentavam dela e começou a fechar os olhos...

Notas finais
Vixe... E agora? Quem poderá ajudar a pobre da Mia??? Em breve descobriremos!PS:Sim, eu adooooooooooro quando o Klaus fala "love" com aquele sotaque britânico kkkkkkkInté!