Winchester X Salvatore
6 Capítulo 6 - A Carta
Notas iniciais
Mia teve a impressão de ouvir um barulho familiar de asas batendo ao mesmo em que ouviu a voz de Dean ao longe. Ele devia estar entrando na casa. E pelo ruído de passos, ele não tinha vindo sozinho.
De repente, Mia sentiu que Rebekah e Klaus tinham sido arrancados de perto dela por algum tipo de força. Com esforço abriu os olhos e viu os vampiros caídos um em cada canto da sala. Ambos com os pescoços quebrados. Olhou para os seus pés. Sua visão estava turva, mas conseguiu ver que havia sangue pelo chão. Era dela. Levantou o rosto e reconheceu o sobretudo.
Castiel se aproximou e começou a desamarrar os pés de Mia. De repente, ele parou ouvindo Dean e outras pessoas que se aproximavam. Olhou para Mia. Droga... Por que ele tinha aquele olhar de cachorro que caiu do caminhão de mudança?
Apesar de zonza, Mia entendeu que ele não podia ficar por muito tempo. Ainda não podia voltar de fato. Havia uma razão para ele ter fugido com a tábua dos Anjos. Havia uma razão para ele praticamente ter se escondido dos Winchester. E ele só estava lá agpra porque definitivamente aquele era um caso de vida ou morte. Mas, por alguma razão que ela ainda não entendia, ele não podia ficar. Então Mia juntou o resto da sua força e disse quase sussurrando:
– Vai.
Suas pálpebras pesaram e quando ela abriu os olhos novamente o barulho de asas indicou que ele tinha ido. Mia ouviu a voz de Sam e Dean mais próximas e levantou a cabeça quando eles entraram na sala. Bonnie estava com eles.
– Boa tacada, bruxa! — elogiou Dean ao ver três vampiros caídos no chão da sala.
Bonnie olhou aquela cena e pareceu confusa quando disse:
– Eu gostaria de levar o crédito, mas não fui eu quem fez isso...
– Então quem foi? — estranhou Sam.
Dean se aproximou de Mia e começou a desamarrá-la enquanto perguntava revoltado:
– O que esses monstros fizeram com você?!
Mia não conseguiu responder. Seus olhos fecharam novamente. Sam segurou seu rosto e a chamou. Ela abriu os olhos, mas tudo estava embaçado. Não queria morrer. Não podia morrer com o sangue de vampiro em seu corpo. Mas não ia aguentar por muito tempo.
– Dean, ela está péssima... — preocupou-se Bonnie.
– Precisamos levá-la para o hospital. — sugeriu Sam.
– No hospital ela morreria em menos de uma hora. — previu Elena entrando na sala para surpresa de todos.
– O que você está fazendo aqui? — quis saber Sam enquanto Elena se aproximava de Mia.
– Você é Elena? — quis confirmar Dean.
– Sim. E você deve ser o outro irmão Winchester. O que se acha engraçado... — deduziu a morena.
Sam entrou na frente da vampira impedindo que ela se aproximasse de Mia. Então Elena mordeu o próprio pulso e explicou:
– Sem isso, ela não vai sobreviver. E vocês terão uma amiga caçadora vampira. Ela precisa de mais sangue.
– E por que deveríamos confiar em você? — indagou Sam.
– Porque vocês não têm escolha. Ou preferem arriscar a vida dela? — indagou Elena.
Sam olhou para o irmão e para Bonnie. Todos olharam para Mia que mal conseguia se manter acordada. Então Sam se afastou e Elena aproximou o pulso da boca de Mia. No começo ela afastou o rosto e fez uma careta, mas conforme começou a beber o sangue, sentiu suas forças se restabelecerem aos poucos. Logo segurou o pulso de Elena e sugou mais o sangue. Sentiu-se melhor e se afastou.
Elena olhou para todos enquanto arrumava a manga da blusa e andava em direção a porta. Dean parou na sua frente e fez a mesma pergunta que Sam queria fazer:
– Por que você fez isso?
– Por que eu não desejo essa vida pra ninguém. — respondeu ela.
– Elena... — chamou Mia fazendo a vampira parar na porta e se virar — Obrigada.
Quando a vampira foi embora, Dean terminou de desamarrar Mia e perguntou enquanto via os vampiros desacordados:
– O que devemos fazer com eles? Colocar fogo nos três? Arrancar as cabeças? Os corações? São tantas opções...
– Não... Caroline tentou me ajudar... — lembrou Mia olhando para ela no chão — Ela não é como os outros.
– Então sobram dois. — refletiu Dean — O que vamos fazer com eles?
– Nada. — respondeu Bonnie deixando todos surpresos.
– Como assim "nada"? Eles tentaram matar a Mia! — lembrou Dean.
– Eu sei. — concordou Bonnie — Mas nós não podemos fazer nada...
– Por quê? — quis entender Sam.
– Porque eles não são como os outros vampiros. Eles são os primeiros... Os originais. — explicou ela.
– E...? — indagou Dean.
– Eles não podem ser mortos como os outros. A única coisa que pode detê-los vem de uma árvore extinta há séculos... — explicou Bonnie.
– Ah! Que ótimo! — revoltou-se Dean — Será que podemos pelo menos amarrá-los com cordas banhadas com bastante verbena?
– Não temos tempo. — apressou Bonnie — Eles vão acordar a qualquer momento. Temos que tirar Mia daqui o mais rápido possível.
Sam ajudou Mia a se levantar e deixou que ela se apoiasse nele para não cair. Mas surpreendentemente ela parecia bem melhor.
– Não podemos deixa-lá aqui. — lembrou Mia olhando para Caroline.
Bonnie olhou para Dean e ele hesitou um pouco antes de pegar a vampira no colo. Em seguida todos entraram no Impala.
– Então? O que vamos fazer agora? — perguntou Dean.
– Vocês não podem voltar para o hotel. — alertou Bonnie — É o primeiro lugar em que Klaus irá procurá-los.
– Então... — pensou Dean.
– Vocês podem ficar na minha casa. — ofereceu Bonnie — Vocês estarão mais seguros comigo. Quando Caroline acordar, ela pode pegar as coisas de vocês no hotel e levar para a minha casa.
– Ok. — concordou Dean dando partida no carro.
– Ok? — surpreendeu-se Sam o encarando.
– Cala a boca, Sammy. — cortou Dean enquanto Sam tentava não rir.
Quando chegaram na casa de Bonnie, Dean colocou Caroline no sofá e pensou um pouco antes de perguntar:
– Tem certeza que podemos confiar nela? Estou doido pra matar um vampiro...
– Dean. — repreendeu Mia passando por ele.
– Hey, Mia! — chamou ele fazendo com que ela voltasse — Você não disse nada durante o caminho todo. E pelo que eu me lembro você não gosta de silêncio... Tem certeza que você está bem?
– Eu fui atacada por dois sanguessugas originais e bebi sangue da vampira que parecia querer me matar até hoje de manhã. Eu não estou bem, Dean. Acho que preciso descansar um pouco. — respondeu a garota.
– Eu vou te levar até o meu quarto. — disse Bonnie — Você pode descansar lá.
– Obrigada, Bonnie. — agradeceu a outra.
– Só mais uma pergunta. — lembrou Dean — Alguma ideia do que aconteceu naquela sala? Ou de quem nocauteou aqueles vampiros antes da gente chegar?
Mia pensou um pouco. Por mais que tivessem prometido serem honestos um com o outro, não tinha certeza se Cas queria que eles soubessem que ele estava de volta? Aliás, ele estava de volta? Ele parecia preocupado em não deixar que Sam e Dean o vissem ali. Por alguma razão que eles não entenderiam e que nem mesmo ela conseguia imaginar. Não podia contar nada. Pelo menos não até vê-lo novamente. Será que ele apareceria novamente?
– Eu não tenho ideia. — mentiu ela saindo com Bonnie.
Sam olhou para Dean e os dois sentiram que Mia estava escondendo alguma coisa. De repente, Caroline sentou no sofá ofegante e olhou para os dois confusa.
– Olá, Bella! — brincou Dean.
– Bella? — repetiram Caroline e Sam ao mesmo tempo.
Dean ficou sem graça e Sam continuou:
– Dean, o que você anda assistindo ultimamente?
– E o que eu estou fazendo na casa da Bonnie? E quem são vocês? — perguntou Caroline e Dean sorriu — Espera um pouco, eu já vi vocês antes, no hospital, quando eu estava esperando o melhor momento para falar com Mia... Vocês são os caçadores. Os Winchester, certo? O que vocês estão fazendo na casa da Bonnie?
– Nós vamos ficar meio que... Hospedados aqui. — explicou Dean.
– Aliás, pra quem odiava bruxas, você aceitou o convite muito rápido, não foi, Dean? — provocou Sam.
– Eu ainda odeio bruxas, Sammy. — confessou Dean enquanto Bonnie parava no corredor — Mas eu não sei... Bonnie é diferente.
– Diferente? — estranhou Sam.
– É. — assentiu ele — Eu quero dizer, nem todos os vampiros são monstros, nem todas as bruxas são más e parece que Bonnie é... Uma boa bruxa. Como Elvira, a rainha das trevas...
– Você está a fim dela?! — deduziu Caroline.
– Não! É claro que não! — negou ele — Não seja estúpida, Bella!
Caroline e Sam se entreolharam e Bonnie tossiu ao entrar na sala. Dean olhou pro lado e passou a mão pela nuca. Ele e Bonnie? Nunca...
– Mia está descansando. — disse Bonnie tentando começar algum assunto já que todos pareciam meio perdidos — Ela é forte. Vai ficar bem.
– Ótimo! — responderam os três ao mesmo tempo.
Dean agora entendia por que Mia não gostava do silêncio. Era realmente constrangedor. De repente, ele tirou as chaves do bolso da jaqueta e jogou para Caroline.
– O que é isso? — quis saber ela.
– A chave do quarto onde eu e o Sammy estávamos hospedados. Precisamos de um favor.
– Isso! — interveio Bonnie — Eles não podem voltar pro hotel com o Klaus por aí. Será que você poderia trazer as coisas deles pra cá?
– Sem problemas. — concordou a vampira estranhando aquele clima no ar.
Quando ela saiu Sam anunciou:
– Ah! E eu vou encontrar Meredith. Nós vamos tomar um café no Mystic Grill e ela deve estar quase saindo do hospital. Vejo vocês mais tarde.
Quando Sam também deixou a casa, Dean e Bonnie se olharam e sentaram no sofá. Ficaram em silêncio até que ela arriscou:
– Você não está afim de mim, está?
– Eu? Claro que não! Sem ofensa... — negou Dean e depois de mais um silêncio constrangedor arriscou — Por quê?
– Ah! Nada! — disse a bruxa.
– Por acaso você não estaria? Digo... Afim de mim? — quis saber ele.
– Eu?! Claro que não! Você não faz meu tipo. Sem ofensa. — desconversou Bonnie.
Ficaram em silêncio novamente.
– Que bom. — disse Dean.
– Ótimo! — completou Bonnie.
Enquanto isso Mia sentava na cama do quarto de Bonnie. Tirou o All Star e levantou um pouco a calça. Seus tornozelos ainda estavam marcados pelas cordas, mas os seus pulsos estavam bem melhores. Elena estava certa. O sangue estava curando seus ferimentos. Só não conseguia entender por que Elena tinha a ajudado? E não era a primeira vez. Mais cedo ela lutou com Rebekah para dar uma chance de fuga para Mia. De alguma forma, Mia tinha conquistado um pouquinho da confiança dela. De alguma forma, Elena começava a se importar com seus atos. Aos poucos. A ideia de que ela iria ligar a humanidade novamente não parecia mais tão absurda. Talvez Elena Gilbert tivesse jeito. Mia parou de pensar nessas coisas quando ouviu o barulho de asas no quarto. Se virou e disse:
– Aí está você. E eu nem precisei rezar e implorar desta vez!
– Eu sinto muito. — desculpou-se Castiel enquanto Mia levantava e começava a arrumar a cama — Se eu pudesse explicar... Mas é complicado...
– Está tudo bem, Cas. Eu também não estou afim de ouvir. — disse Mia um tanto seca.
– Você está com raiva... — percebeu ele enquanto Mia guardava o tênis no armário.
– Muito perpicaz, Cas. — disse ela com ironia.
– Eu entendo... — garantiu o anjo.
Mia colocou a toalha na cama e continuou:
– Entende? Não, eu acho que você não entende, Cas. Quer saber? Você deveria ir embora.
Castiel se aproximou e segurou as mãos de Mia. Então buscou o seu olhar e pediu:
– Então me explica. O que eu preciso fazer pra você me perdoar?
Mia suspirou e soltou as mãos dele antes de responder:
– Contar a verdade. Por onde você andou este tempo todo, Cas? O que você tem feito? Por que você se afastou de Sam e Dean e fugiu pra Deus sabe onde? Por que você está se escondendo? Por que um pedaço de argila parece ser mais importante pra você do que eles? Do que eu? Onde você estava quando Elena me atacou na estrada? Onde você estava quando eu rezei pra você aparecer?! Inúmeras vezes...
– Eu estava com saudade da forma como você faz um monte de perguntas ao mesmo tempo. — observou ele esboçando um sorriso.
– Engraçado, porque eu não estava com saudade da forma como você costuma fugir de todas elas. — disse Mia antes de se afastar e sentar na cama — Tudo bem, Cas eu não esperava mesmo que você conseguisse explicar...
– É complicado... — repetiu o anjo.
– É. Eu ouvi da primeira vez. — disse Mia enquanto soltava os cabelos e tirava os brincos — Eu preciso ficar sozinha agora. Quero tomar um banho e tentar dormir um pouco. Você deveria ir... Voltar pra sua missão secreta. Esquecer os Winchester, me esquecer... Talvez seja melhor pra todo mundo...
Se olhou no espelho e viu que a marca no seu pescoço tinha desaparecido por completo.
– Você está terminando comigo... — deduziu o anjo.
Mia se virou e apoiou-se na cômoda antes de responder:
– Não. Ainda não... Mas eu preciso de um tempo.
– Tempo pra quê? — quis entender ele dando alguns passos em sua direção — Eu estou aqui.
– Não, não está. E eu preciso de um tempo pra entender por que você não estava naquela estrada também. Ou por que foram Sam e Dean que resolveram me procurar e não você. E eles que me salvaram e não você... Cas, você realmente se importa comigo? Ok, você me salvou hoje e eu agradeço, mas eu precisei quase morrer pra você voltar. E no fundo, você não voltou. Então... Eu não consigo ter certeza de nada... E odeio sentir isso. — expôs Mia.
– Mia... Eu realmente sinto muito. Se eu pudesse eu teria ficado com você. Eu ouvi você rezando, mas eu não pude vir. Me desculpe... Mas é... — continuou Castiel.
– Complicado! É, eu já ouvi. — cortou Mia — Sabe o que é mais complicado? Eu menti hoje para os Winchester por causa de você. E nós tínhamos prometido que falaríamos a verdade de agora em diante. Eu quebrei a promessa esta vez, Cas, mas eu não pretendo quebrá-la de novo. Então, ou você fica e conta pra eles que você voltou e explica o que está acontecendo...
– Eu não posso... Ainda não. — lamentou ele.
– Então é melhor você parar de aparecer no meu quarto. No de Bonnie, na verdade... Eu acho que você também precisa de um tempo pra pensar... E resolver esse problema que você está tentando resolver... — sugeriu a garota.
– Mia... — murmurou ele.
– Cas... Por favor, vai embora. Eu sei que essa vida é complicada, mas se você não pode se abrir com a gente e enfrentar o que quer que seja com a gente, juntos... Talvez seja melhor você continuar desaparecido. — disse ela um pouco ríspida.
– É isso o que você realmente quer? — indagou Castiel.
– Não. É o que eu preciso. — respondeu a garota.
Castiel a olhou uma última vez e se foi. Mia sentou na cama. Depois de um tempo, levantou, tomou um banho e vestiu um pijama que Bonnie tinha lhe emprestado. Saiu do quarto. Precisava pegar um pouco de água. Mas ao chegar na sala ela parou surpresa e deixou escapar:
– Oh, meu Deus...
Bonnie se afastou de Dean e arrumou os cabelos enquanto ele se ajeitou e vestiu a jaqueta de volta.
– Não é nada disso que você está pensando, Mia. — disse ele — Foi só um momento de fraqueza...
– Exato! — concordou Bonnie — Ele nem faz o meu tipo! Nós só estávamos conversando e...
– Por favor, calem a boca. — interrompeu Mia tentando não rir daquele flagra — Vocês não tem que me explicar nada. Aliás, eu fico feliz que pelo menos alguém de nós tem sorte no amor. — disse antes de voltar pro quarto.
– O que deu nela? — estranhou Bonnie — Sorte no amor?
Dean pensou um pouco e então deduziu:
– Angelical, atrapalhado, meio nerd, só usa sobretudo e não tem nenhum jeito com as mulheres.
– De quem você está falando? — não entendeu a bruxa.
– Cas. Ele voltou. — respondeu o caçador.
Mia fechou a porta do quarto e foi até a janela. Começava a anoitecer. De repente notou que Sam e Meredith estavam na soleira da porta. Deviam estar se despedindo. Depois de alguns instantes Meredith se afastou e começou a descer os degraus em direção ao seu carro. Sam colocou as mãos no bolso e a observou. Mas de repente ela parou e voltou. Se aproximou dele e seus lábios se tocaram.
– Dois de nós tem sorte no amor. — corrigiu Mia se afastando da janela e deitando na cama.
Depois de algum tempo ouviu Sam abrir a porta e Dean explicar:
– Sammy, não é nada disso que você está pensando...
Mia riu e seu olhar ficou preso na poltrona vazia do lado da cama. Droga! Por que todo quarto onde ela dormia tinha que ter uma maldita poltrona?
Virou pro outro lado pra não ficar olhando pra ela e fechou os olhos. Castiel, invisível aos seus olhos e sentado na poltrona, a observou pegar no sono.
XXX
No dia seguinte, Dean entrou no quarto de Mia ao ouvir a garota gritando e se debatendo na cama. Se aproximou da cama e colocou a mão em seu ombro chamando:
– Mia, acorda!
Para sua surpresa, a garota abriu os olhos e o segurou pelo pescoço.
– Sonho ruim? — deduziu Dean sentindo-se sufocado.
Mia o largou imediatamente e desculpou-se:
– Dean, eu sinto muito! Desculpe! Eu te machuquei?
– Está tudo bem... — tranquilizou ele se afastando e passando a mão pelo pescoço — Mas com o que diabos você estava sonhando? — quis saber ele e como ela permaneceu em silêncio, insistiu — Mia?
– Jeremy Gilbert. — revelou ela.
– O irmão de Elena? Ele machucou você? Como Ric? — quis saber Dean.
– Não! — garantiu Mia — Na verdade, Jeremy... Estava em paz. Nós só estávamos conversando.
– Se isso é o que acontece quando você sonha com um espírito "em paz", eu não quero estar por perto quando você sonhar com um vingativo... — confessou ele — E o que ele queria?
– Elena! — gritou Mia se levantando — Eu preciso falar com Elena! Jeremy mandou um recado pra ela!
– Espera aí. — interrompeu Dean fazendo com que ela voltasse para a cama — O fantasminha camarada pode esperar um pouco. Nós precisamos ter uma conversa. E agora que aparentemente você está melhor, você não vai fugir do assunto como ontem a noite.
– Ok... — concordou ela intrigada — Sobre o quê? Oh! Se é sobre ontem quando eu peguei você e Bonnie...
– Não! Não é sobre isso! E você não viu nada de mais, nós só estávamos conversando... — desconversou Dean.
– Conversando? Se é aquilo que acontece quando você está conversando como um garota, Dean, eu não quero estar por perto quando... Quando... Vocês estavam no maior amasso! Oh! Desculpe! Esqueci que você não quer falar sobre isso. Então... O que é? Sobre o que você quer conversar? — prosseguiu Mia.
Dean ficou alguns instantes em silêncio antes de recomeçar:
– Sobre um certo anjo que salvou você ontem. Sim! Eu sei que foi ele. Estou certo?
– Está. — admitiu ela sem saber o que dizer.
– Então ele está de volta? — indagou Dean.
– Longe disso... Na verdade, eu meio que mandei ele embora. — respondeu a garota.
– Por quê?! — surpreendeu-se Dean.
– Por quê? — repetiu Mia — Porque ele está escondendo alguma coisa. Alguma coisa grave. E tem a ver com a tábua dos Anjos. Eu não podia simplesmente aceitar que ele ficasse se escondendo e fugindo de vocês. Mentindo...
– Mia, eu não estou aliviando o lado dele, mas no fundo eu sei que ele tem os seus motivos para fazer isso. — argumentou Dean.
Mia franziu a testa. Não estava entendendo. Então Dean não estava preocupado com aquilo. Como se tivesse lido os seus pensamentos, ele continuou:
– Não me entenda mal. Eu quero saber o que está rolando, mas o fato do Cas não contar, não significa que ele não queira contar. Vai ver que ele simplesmente não pode porque deve ser...
– Complicado. — completou ela lembrando da conversa com o anjo na noite anterior.
– É. Sempre é. — concordou Dean observando que Mia tinha ficado distante — O que foi?
– Dean... Não é só isso. Digo, não é só por Cas estar escondendo o grande segredo de vocês e de mim... Eu posso estar sendo egoísta e infantil, mas eu estou meio... Magoada. Eu quase morri naquela estrada, Elena quase me matou e ontem... Ele apareceu, ok, mas foi no último instante... — disse ela.
– Antes tarde do que mais tarde. — brincou ele — Novamente, deve haver um bom motivo pra ele só ter aparecido agora. Além disso, vai ver que de alguma forma ele sabia que Elena não ia te matar naquela estrada. Todo mundo parece acreditar que ela não é uma sanguessuga do mal, então vai ver que Cas de alguma forma também sentiu isso. Aliás, Bonnie estava certa, você está ajudando... Talvez possamos consertar as coisas por aqui sem que seja preciso... Cabeças rolarem. Exceto por aqueles dois Originais. Eu ainda não sei como, mas o que eles fizeram com você ontem não pode ficar por isso mesmo.
Mia levantou e continuou:
– Dean... Então você não está bravo por eu não ter contado sobre Cas. E você não está bravo com ele por todo esse mistério em relação àquela maldita tábua?
– Não é o cenário ideal, mas pelo menos sabemos que ele está por perto. Além disso, Cas pode ser misterioso e te fazer repensar se você pode ou não confiar nele, mas no fim das contas a verdade é que ele sempre está lá pra salvar o dia. No fim, você percebe que pode confiar nele. Sempre. — respondeu o caçador.
Dean parou de falar ao perceber que Mia tinha ficado distante novamente. Ao mesmo tempo, Sam apareceu na porta e acrescentou:
– Além disso, o fato dele estar evitando eu e o Dean ultimamente, não significa que isso tem que influenciar de alguma forma a relação de vocês.
– Por que vocês não falaram isso antes? Tipo ontem a noite antes da hora em que eu praticamente expulsei ele daqui...? — indagou Mia um pouco arrependida por ter sido tão ríspida com o anjo.
– Não se preocupe, Mia. — tentou tranquilizar Sam — Eu tenho certeza que vocês vão se acertar de novo.
– Eu não tenho tanta certeza... — refletiu Mia ainda magoada pelo tempo que Cas pareceu esquecer que ela existia.
– Sem querer ser insensível, mas mudando de assunto, o que o Little Gilbert te falou no sonho? — recomeçou o Winchester mais velho.
– Você sonhou com o irmão de Elena? — interessou-se Sam.
– Sim! Eu preciso falar com Elena... Ele mandou um recado pra ela. — respondeu Mia.
– Que tipo de recado? — perguntou Dean.
– De irmão para irmã. — respondeu ela evasivamente.
– Você não vai nos contar, não é? — previu Sam.
– Eu preciso de papel e caneta... — disse Mia para si mesma pegando um bloco de anotações e uma caneta nas coisas de Bonnie e começando a escrever.
– O quê? Agora você faz psicografias também? — brincou Dean.
– Não... Mas Jeremy disse para eu escrever exatamente como ele falou ou Elena não vai acreditar que é ele. — Mia parou de escrever e olhou para os dois que tentavam ler o que ela estava escrevendo — Vocês estão me desconcentrando, meninos...
– Ok... — desculpou-se Sam — Quando você terminar de...psicografar isso, desça... Nós vamos sair para tomar café.
Sam e Dean saíram do quarto e Mia terminou de escrever a carta. Destacou a folha e foi tomar um banho. Vestiu-se e colocou o papel no bolso casaco. Logo saiu da casa com eles e Bonnie. Eles foram no Impala, mas Mia preferiu ir no Mustang porque Sam ia pegar Meredith no caminho. Logo chegaram no Mystic Grill e se sentaram.
Mia observou os dois casais (embora eles não admitissem que eram dois casais) tomando café e olhou para um lugar vazio ao seu lado. Tomou um gole de café e sorriu para eles como se estivesse prestando atenção no que eles estavam falando. Levantou, foi até o balcão e sentou. Matt do outro lado perguntou:
– Algum problema com a mesa?
– Oh! Não... Claro que não... Mas eu sinto que estou... Sobrando por lá. — respondeu Mia e depois mudou de assunto — Você tem visto Elena? Eu preciso falar com ela.
Matt olhou para a entrada e Mia seguiu o seu olhar. Elena acabava de entrar acompanhada de dois caras. Mia reconheceu um deles. Damon. O outro devia ser Stefan. Os famosos irmãos Salvatore. Até que eles eram bonitinhos.
– Os Cullen chegaram... — brincou Dean fechando a cara.
Damon olhou para a mesa deles como se tivesse ouvido a provocação e começou a se aproximar junto com o irmão enquanto Elena andou em direção ao balcão e quando chegou do lado de Mia insinuou em tom de brincadeira:
– Engraçado te encontrar aqui, eu estava mesmo com fome.
– Não ouse Elena. Eu ainda tenho aquele spray, lembra? — disse Mia e a vampira pareceu rir — Mas é engraçado porque eu estava querendo mesmo falar com você.
– Sério? Sobre o quê? — estranhou a vampira.
Damon sentou na cadeira que Mia tinha desocupado ficando do lado de Dean e começou:
– Hey, amigos! Então vocês ainda estão vivos... Não sabem como eu fico feliz. É um quase um recorde para caçadores em Mystic Falls.
– O que Damon está querendo dizer é que viemos em missão de paz. — tentou consertar Stefan ainda em pé.
– Jura? — duvidou Dean — E a que devo a honra de ter vocês aqui? Aceitam um pouco de café, amigos?
– Elena está entediada. — começou Damon.
– É fácil entender por que... Mas isso é problema de vocês. — provocou Dean.
– Dean... — repreendeu Sam enquanto Meredith e Bonnie permaneciam em silêncio.
Stefan sentou na cadeira que estava vaga e continuou:
– Olha, eu sei que começamos com o pé esquerdo, mas no fim das contas nós queremos proteger Elena e vocês querem proteger Mia. E, portanto, estamos no mesmo barco.
– Continue. — interessou-se Sam.
– Como Damon disse, Elena passou por muitas coisas ultimamente e desde que vocês e Mia chegaram em Mystic Falls, ela ficou diferente, mais instável. E nós resolvemos que... Talvez fosse bom para ela se fizéssemos uma pequena reunião na nossa casa para receber alguns amigos. É por isso que nós estamos aqui. Para convidá-los para irem na nossa casa mais tarde... — disse o vampiro.
– Deve haver algum engano. — cortou Dean — Porque nós não somos seus amigos.
– Ok. — interrompeu Damon — Na verdade, a ideia inicial era convidar apenas a Mia. Elena simplesmente adora o sangue daquela garota e eu mesmo, fico tentado em experimentar um pouco. Mas como vocês nunca permitiriam que ela fosse sozinha, nós nos vimos praticamente obrigados a convidar vocês também. Acredite em mim, nós também não queremos trocar confidências com vocês. Nós não gostamos de vocês... E não somos seus amigos... Nunca seremos... A única coisa que temos em comum, são as iniciais dos nomes, só...
– Damon. — cortou Stefan — Isso não está ajudando.
– Ótimo. — disse o vampiro — Eu sabia que era uma péssima ideia mesmo...
– Nós vamos. — aceitou Sam.
– O quê?! — surpreendeu-se Dean — Não! Nós não vamos! Muito menos Mia...
– Dean... — interrompeu Bonnie — Eu acho que pode ser uma boa ideia.
– Eu concordo com Bonnie. — disse Meredith — Talvez seja bom para Elena.
– É, e Mia já conseguiu se aproximar de Elena e conquistar a confiança dela. — continuou a bruxa — E não se esqueçam que ontem Elena salvou a vida de Mia dando sangue pra ela e também tentou defendê-la de Rebekah. Eu acho que a amizade de Mia, de alguma forma, conseguiu mexer com Elena. É possível que ela ligue a humanidade mais cedo do que nós esperávamos...
– Amizade? — repetiu Dean ainda relutante e olhando para as duas no balcão, perguntou — Como aquelas duas ficaram amigas mesmo?
Todos observaram Mia e Elena conversando e Damon completou:
– É... Parece que Elena não é mais uma ameaça para a Mia...
No entanto quando ele terminou de dizer isso, Elena empurrou Mia contra a parede e a segurou pelo pescoço. Todos levantaram e correram até elas a tempo de ouvir a vampira dizendo:
– Escuta aqui, protejo de caçadora, não é por que eu te ajudei ontem e trocamos algumas confidências que você pode brincar com a memória do meu irmão!
– Solta ela, Elena! — ordenou Stefan.
– Eu não estou... Brincando... — garantiu Mia com dificuldade para falar.
Dean tentou afastar Elena, mas ela o empurrou com tanta força que ele caiu atrás do balcão derrubando várias garrafas pelo chão. As poucas pessoas que estavam no restaurante naquele horário começaram a levantar e irem embora. A Xerife se encarregou de pedir aos outros que também saíssem e fechar o lugar.
– Jeremy está morto! — gritou Elena — Por que ele falaria com você?!
– Como é? — estranhou Damon — Você fala com os mortos? Tipo O Sexto Sentido? E depois nós que somos as aberrações...
– Cala a boca! — cortou Sam.
– O gigante ficou nervoso... — provocou Damon.
– Elena... Você não precisa machucá-la. — interveio Bonnie — Ela está falando a verdade. Ela é especial, eu senti... Ela tem uma conexão com o outro lado...
– Ela é uma mentirosa! — relutou Elena — Jeremy... Está morto...
De repente, Elena soltou Mia e deu um passo para trás.
– Eu sei. — concordou Mia enquanto passava a mão pelo pescoço — E eu sinto muito... Ele parecia ser um bom garoto...
Elena ia partir para cima de Mia novamente, mas Damon a segurou bem a tempo. Mia continuou:
– Eu não falo com os mortos. São eles falam comigo. Em sonhos. Às vezes, quando eles estão bravos, eles me machucam, mas Jeremy não. Ele é bom e está em paz...
– Cala a boca! Não fale mais nem uma palavra sobre ele! — gritou Elena tentando se soltar.
– Ele me avisou que você não acreditaria... Então ele me fez decorar cada palavra e te entregar isso... — disse Mia tirando a carta do bolso.
Elena parou e Damon começou a soltá-la. Teve a impressão de que os olhos dela tinham ficado úmidos. Viu no seu olhar uma mistura de raiva e tristeza. Emoções humanas. Ficou confuso.
– Eu vou te matar. — prometeu Elena dando um passo a frente.
Damon a segurou de novo e rapidamente tirou ela de lá. Stefan pegou a carta das mãos de Mia e prometeu:
– Pode deixar. Eu entrego e a obrigo a ler se for preciso.
Em seguida ele também saiu do restaurante.
– Você está bem? — preocupou-se Bonnie se aproximando de Mia.
– Cadê o Dean? — lembrou Sam e todos voltaram-se para o outro lado do balcão onde Matt tentava socorrer o caçador.
Havia sangue por toda parte.
– Oh meu Deus! Dean! — desesperou-se Sam.
– Eu cuido disso. — disse Caroline entrando no restaurante.
Ela mordeu o próprio pulso e se ajoelhou perto de Dean.
– Espera um minuto... — pediu Mia — Tem certeza que isso é uma boa ideia?
– Sem isso ele vai morrer... — temeu Bonnie.
– É, mas com isso ele pode virar um vampiro. — rebateu Mia — Eu não consigo imaginar como isso seria...
– Ele não precisa ser um vampiro. Basta não morrer com o sangue no organismo. — lembrou Caroline.
– Diz isso pra um cara que já morreu umas... — tentou contar Mia e em seguida perguntou pra Sam — Quantas vezes ele e você morreram mesmo? Deixa pra lá...
– Caroline, faça! — ordenou Bonnie — Ele vai morrer... Nós não temos escolha, Sam... Vamos cuidar dele depois, mas agora é disso que ele precisa.
Sam assentiu. Não podia perder Dean. De novo não. Ele ia cuidar do irmão quando ele acordasse e não deixar ele virar um vampiro, mas Bonnie e Caroline tinham razão. Era o único jeito.
– Espera! — pediu Mia lembrando de uma coisa.
– Nós não temos tempo. — disse Meredith examinando os sinais vitais de Dean — Ele está morrendo.
– Deixa eu tentar uma coisa antes, ok? Confiem em mim. — insistiu Mia fechando os olhos — Cas, eu sei que eu te mandei embora ontem e... Eu sinto muito. Depois nós conversamos sobre isso... Sobre o nosso nada convencional e complicado relacionamento à distância...
– Mia! — apressou Sam — Depressa...
– Cas, nós temos uma emergência aqui. Precisamos de você. Dean precisa. Ele está morrendo... Por favor, apareça, anjo estúpido... — rezou ela.
Mia abriu os olhos e olhou em volta. Não conseguiu disfarçar a decepção.
– Caroline, faça agora... — pediu Meredith.
Mas quando Caroline aproximou o pulso da boca de Dean, o barulho de asas ecoou pelo lugar e Castiel segurou a mão da vampira. Todos ficaram paralisados pela surpresa. Então o anjo tocou a testa de Dean e ele respirou ofegante ao acordar.
– O que diabos aconteceu aqui? — perguntou Dean e ao ver Caroline do seu lado com o pulso ensanguentado temeu — Você...? Ai meu Deus... Eu sou o Pattinson...
– Não. — tranquilou Caroline e em seguida olhou para Castiel — Ele te salvou.
– Olá, Dean. — cumprimentou Cas fazendo Dean se assustar.
– Cas? O que diabos... — Dean desistiu de perguntar quando percebeu que o anjo e Mia se olhavam, mas depois reformulou a pergunta — Então você voltou para ficar?
– Depende. — respondeu ele olhando para Mia com um sútil sorriso.
Sam se aproximou e abraçou o irmão. Bonnie fez o mesmo. Caroline riu ao ver que tudo tinha ficado bem. Matt começou a arrumar as coisas. Mia começou a se afastar e pegou uma garrafa das mãos de Matt dizendo:
– Eu sou maior de idade e estou precisando desta vodca. Coloca na conta dos Winchester. Não! Coloca na conta dos Salvatore...
Ao se virar deu de cara com Castiel e pediu para Matt:
– E um coquetel de frutas bem leve para a mocinha aqui.
– Você ainda está com raiva. Não devia beber... — repreendeu o anjo a seguindo.
Mia tomou o primeiro gole só para provocá-lo e ele observou preocupado.
– Obrigada pela ajuda, Cas. Mas agora que você já salvou o dia, é melhor você ir embora. — disse ela enquanto o anjo a observava sair do restaurante.
Enquanto isso, Elena estava sentada no sofá da casa dos Salvatore com um olhar distante e os pés sobre a mesa. Damon e Stefan a observavam parados na porta.
– Você leu a carta? — quis saber Damon virando-se para o irmão.
– Claro que não. Não é para mim. — respondeu Stefan.
– Eu teria lido... — confessou Damon — Será que é do Jeremy mesmo?
– Só Elena pode confirmar isso. — disse Stefan se aproximando e sentando perto dela.
Elena tirou os pés de cima da mesa, mas continuou distante. O vampiro tirou a carta do bolso e colocou em cima da mesa.
– Eu não vou ler isso, Stefan. — avisou ela por fim — Não é do Jer...
– Se não é dele, o que você tem a perder, Elena? — desafiou ele — A não ser, claro, que no fundo você tenha dúvidas e esteja com medo de descobrir o que o seu irmão tem a te dizer. Sabia que dúvida e medo são emoções humanas? — quando Elena o olhou com raiva, ele completou — Assim como raiva. Leia, Elena. E se no fim você ficar convencida que Mia é uma mentirosa, nem eu, nem Damon, vamos te impedir de acabar com ela. Mas se no fim, você ficar convencida que o recado é realmente de Jeremy... Você aceita o luto e liga a humanidade de volta.
Stefan levantou e saiu da sala com Damon. Elena relutou, mas por fim olhou para a carta sobre a mesa. Lembrou do dia em que Jeremy morreu naquela ilha e de como não teve tempo de se despedir. Ele tinha sido arrancado de sua vida quando ela menos esperava, assim como Jenna, Ric, seus pais... Nunca se sentiu tão sozinha. Ele era a única família que tinha restado e também se foi...
Mas e se aquela carta realmente fosse a maneira que ele encontrou de se despedir? O que ele tinha a dizer? Será que ela se sentiria melhor ou pior se lesse? E se não fosse dele? Respirou fundo sentindo a raiva crescer. Se não fosse dele, Mia pagaria caro por ter mentido. Mas, para Stefan ter proposto que ela poderia acabar com Mia, era porque ele acreditava que a carta era verdadeira.
Elena ficou mais alguns minutos pensando se deveria ou não ler aquilo e depois de muito relutar, finalmente a pegou nas mãos e a abriu.
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